Disclaimer: Quem me dera possuir os cavaleiros! O Kamus nunca teria morrido e o Seiya não existiria. Deixa o tio Kurumada lá no Japão com o dinheirinho dele e eu cá com minhas fics, que eu não ganho um reles centavo pra escrever.
Outro aviso: essa fic não é "M" à toa, certo? Ela contém material erótico homossexual, depois não digam que eu não avisei.
Se você se sente confortável, boa leitura. Se não, esse site é bem diversificado, tenho certeza que vai encontrar um outro passatempo.
Uma pequena legenda:
— Blá, blá,blá: São falas.
— Blá, blá,blá: São cochichos.
"Blá, blá,blá": São pensamentos.
Capítulo 2: A reunião.
Depois de darem uma trégua a si mesmos, aqueles dois resolveram conversar civilizadamente durante o intervalo do Brunch e a ida na reunião com os amigos, uma velha turma desde os tempos de escola. Logicamente, alguns assuntos como a teimosia de Kamus não cuidar da taxa de colesterol entraram na "pauta" daquele dia, mas nada de muito significativo.
Devidamente arrumados, nada de muito formalismo: calça jeans e blusa para Milo e camisa e calça de sarja para Kamus, saíram do apartamento e foram até a garagem.
Entraram no carro conversando amigavelmente. Milo quem dirigia. O francês… Bem, digamos que Kamus não tivera muito boas experiências ao volante. Ele apenas ia do consultório para casa e de casa para o consultório, nada mais.
— Cinto. — alertou o ruivo.
— Eu sei, estressadinho. — deu uma pequena risada e ligou o som. — Me dá aquele CD dos Sex Pistols.
— Não. Barulhento demais.
— Barulhento? Ok. Rolling Stones, então.
— Por que só bandas britânicas? — Deixou escapar o seu descontentamento.
— Ih, não me vem com essa, francês! Você saiu de Paris há séculos e ainda tem essa rixa boba?
— Então pare o carro e aperte a mão do primeiro turco que aparecer. — Rebateu o francês.
— É diferente. — Defendeu-se o grego.
— Não é. Coloca qualquer coisa aí. — Disse emburrado.
Milo sintonizou em uma rádio qualquer e Kamus começou a mergulhar em si mesmo, enquanto o amigo tentava avançar dez metros no caótico trânsito ateniense.
Depois de algum tempo calados: Kamus com seus pensamentos, Milo concentrado no trânsito (que por sinal, transformava-se em outra pessoa. O grego ficava mal-humorado e estressado, xingando a até a vigésima geração do infeliz que ousasse cruzar seu caminho), o francês falou:
— Milo, é aqui à esquerda, não? — Disse o francês calmamente.
— EU SEI! NÃO PRECISA FICAR ME TESTANDO.
— Típico. — Murmurou Kamus.
— PARE!
— Deixe o carro embaixo daquela árvore, tem uma boa sombra.
— JÁ VI!
O grego estacionou seu carro sob a árvore, pôs o carro em primeira marcha, puxou o freio de mão, colocou a trava de segurança, tirou o som, levando-o consigo e trancou o carro. Esse era o ritual que o fazia voltar ao Milo de sempre. E com um sorrisinho divertido nos lábios, Kamus observou a metamorfose do grego "módulo-motorista" para o "módulo-usual".
— O que foi? Que risinho bobo é esse?
— Nada, Milo, estava me lembrando das coisas que aprontamos quando éramos crianças.
— Ah, não! "Sessão nostalgia" só quando a gente estiver lá dentro. Não se apresse.
Com um meneio de cabeça, Kamus concordou com o loiro e os dois homens encaminharam-se à casa dos amigos. Bateram à porta e esperaram alguns instantes até que alguém perguntasse:
— Quem vem lá? — Uma voz divertida soou de dentro da casa.
— Nós. — Responderam em coro.
A porta abriu-se e de lá saiu um homem de cabelos azuis claros e uma pintinha. Se ele não tivesse um pomo-de-adão bem saliente e a mais completa ausência de seios, passar-se-ia por uma mulher com tranqüilidade.
— Você não perde seu estilo, hein, Afrodite? — Disse o francês ao ver o belo amigo sueco.
— Nunca, Kamus, que bom que reparou. — Virou o rosto para dentro de casa e gritou: — Ao contrário de uns e outros! — Voltou-se para os recém chegados e abraçou cada um, como o "bom anfitrião" que era. Kamus sorria discretamente e Milo gargalhava da cara de seus amigos que já estavam dentro de casa. — E o senhor? — Afrodite cochichou ao ouvido de Milo: — Já fisgou o belo ruivo ao meu lado?
Milo estreitou os olhos e falou entre dentes:
—É ótimo te ver também, Di.
— Vamos entrando, sirvam-se. Estamos esperando apenas Aioria e o Aioros chegarem.
— Zeus, há quanto tempo eu não vejo esses dois? Como ele está? — Perguntou Milo servindo-se de um cálice de Ouzo.
— Ninguém sabe, — respondeu Mu, dirigindo-se aos amigos. — Eles saíram do país e nunca mais deram notícias, aqueles amigos ingratos.
— Que história é essa de "ingrato", senhor Mu? — perguntou Shaka num tom baixo e enciumado.
Puxando Shaka de lado, Mu começou a se justificar para o namorado. Queria ser o mais discreto possível, todavia, parece que todos os homens daquela sala aquietaram-se, prendendo a respiração a fim de não fazer o menor ruído, para ouvi-los (claro).
— Sha, pela última vez: Aioria é apenas meu amigo. Nós ficamos juntos um tempo e só.
— Shaka vai tremer os lábios. Aposto trinta. — Cochichou Shura.
— Eu aposto mais vinte que Mu vai olhar para o teto. — Respondeu Kanon.
— Quietos os dois. Escutem! — Disse Máscara da Morte.
Shaka estava mudo, parecia que o pobre Mu falava com um poste. O loiro apenas se dignava a olhar nos olhos do tibetano.
— Shaka não está se mexendo. Me deve trinta, Shura. — Vangloriou-se Kanon.
— Quieto! Escute! — Reclamou Shura.
— Shaka, por favor, — disse Mu — não seja infantil.
O indiano apenas o encarava como se prestasse bastante atenção.
— QUER SABER? QUE SE DANE! PENSE O QUE QUISER. MAS NÃO VENHA CORRENDO PRA MIM QUANDO AQUELE GAROTO TE DER OUTRO PÉ NA BUNDA!
— Que garoto? — Milo fez a pergunta que incomodava a todos.
Shaka tremeu o lábio e respondeu:
— Não foi bem o pé…
— OK! PODEM PARAR. Ta todo mundo devendo 30 euros cada um a Shura. E, Kanon, boa sorte da próxima vez. — Gritou Milo.
O casal olhou atônito para os amigos. Mu virou os olhos para cima e não teve tempo de reclamar.
— Tão vendo? Ele revirou os olhos. — Apontou Kamon.
— Mas isso só valia enquanto eles estavam brigando. — Disse Máscara.
— E quem fez as regras? — Saga partiu em defesa do irmão.
— Calem a boca! Eu não vou pagar nada, porque eu não apostei nada! Vocês que se entendam! Mas, Shakito, responda, please, que garoto é esse? — Perguntou Afrodite ardendo em curiosidade.
Interrompeu-se a discussão quando ouviram alguém apertar a campainha. Afrodite que correu até a porta, escancarou-a e deu um soco de leve no peito de seu convidado depois abraçou fortemente.
— Aioria, você é um amigo ingrato, você e esse aí do lado. Já ouviram falar de telefone? — Voltou-se para Aioros e abraçou-o com a mesma intensidade.
— Você sabe como o Aioria é unha de fome. —Respondeu Aioros com um sorrisinho maroto.
— Você não está do meu lado nunca, hein? Adora me queimar. — Falou Aioria com uma voz emburrada, típica do irmão mais novo que era. — E não joga a culpa toda pra cima de mim! Você também não deu notícias.
— Só estou dizendo a verdade. — Aioros falou zombeteiro e dando de ombros.
— Vocês não mudam! Cara, lembra daquela vez lá na escola que esses dois começaram a bater boca na frente de todo mundo? — Milo veio em direção aos amigos para também cumprimentá-los. — A maior lavação de roupa suja! HAHAHAHA
— Vocês aprontaram muito nos seus dias, não? — Indagou Saga um pouco alheio. Tinha outras coisas em mente.
— E quem de nós algum dia foi santo? — Perguntou Aioros. O silêncio era tamanho que se podia ouvir uma agulha caindo no chão.
— Lembram como Milo tinha mania de preparar armadilhas, quando éramos crianças? — Comentou Shura.
— E quem poderia esquecer! — Gritou Aioria. — Uma vez, lá em casa, ele deixou a porta entreaberta com um livro encostado em cima… HAHAHAHAHA… Quando Aioros abriu a porta, caiu na cabeça dele.
— E ele saiu correndo atrás de mim, gritando meu nome e jurando que ia me matar. Não sei porque você ficou tão chateado, Oros. Era um livro tão levinho. — Falou Milo com um ar displicente.
— Por que seria? — Aioros foi sarcástico.
Todos riam compulsivamente. Adoravam estar reunidos daquela maneira, como há muito não faziam. Desde os tempos em que todos freqüentavam a escola de artes. Eram inseparáveis. E como em todo grupo, é lógico que gostavam de se intrometer na vida uns dos outros. Dar conselhos. Pegar no pé... mas que não faz isso não é verdade?
— Teve aquela vez também que Milo começou a fazer propaganda socialista na cara de Padre Shion. Ficou uma semana ajudando na cozinha do orfanato. — Lembrou Máscara.
— Ele ficarIA uma semana, nós que pedimos desesperados pra ele sair. Ele ficava dizendo que tinha colocado um monte de coisas dentro da comida. E vindo desse louco eu não duvido nada. — Disse Shura colocando a mão no estômago, como se quisesse acalmá-lo. — Esse aí era o diabo em miniatura!
— Ninguém aqui era muito melhor do que eu! — Apontou acusadoramente para cada um dos presentes que faziam a cara mais lívida desse mundo.
— Shaka era quieto! — Gritou Kanon para colocar lenha na fogueira outra vez.
— Se ele fosse santo, nunca existiria garoto nenhum. — Relembrou Afrodite da conversa que haviam iniciado há pouco.
Kamus, que até aquele momento mantivera-se calado, resolveu bancar o politicamente correto da turma (como era de costume).
— Nós viemos aqui para nos divertir, não para ficarmos nos metendo na vida de Shaka.
— Larga de ser estraga-prazeres, Kamus! — Reclamou Máscara da Morte. — Aposto que você está tentando nos despistar. Até mesmo o monge do Shaka já teve seus casos, e você não!
— Chega de apostas! — Desesperou-se Kanon e todos riram mais ainda.
— Quem disse isso? — Respondeu Kamus. O coração do francês estava acelerado. Sabia que mais cedo ou mais tarde o assunto fatalmente cairia para relacionamentos. Como nos últimos tempos não tivera nenhum, não saberia como fugir dos comentários maldosos daqueles "amigos". — Você está destorcendo o que eu falei, Máscara.
— Ah, Kamye. A conversa ta ficando interessante, conte a gente. — Disse Shura.
— Quem te deu a liberdade para me chamar de Kamye. É Kamus pra você.
— Ih, Shura, levasse um fora! — Zombou Aioria.
— Quieto, Aioria. — Aioros bateu no braço do irmão. — Vamos ver no que isso dá. — Disse quase num cochicho. — Não se meta, certo?
Apesar das brigas, Aioria obedeceu. Tinha muito respeito por Aioros. Ele praticamente o criara.
— Tudo bem, KAMUS, quando foi seu último affair? — Quis saber Afrodite.
— O que isso tem de importante? — Defendeu-se Kamus. Tentava demonstrar indiferença, sentado numa poltrona e com uma taça de vinho balançando levemente em sua mão.
— Pode até parecer que não, mas a gente só quer que você seja feliz. —Interveio Mu com a calma que lhe era característica. Atípica em qualquer outro ariano.
— Você é um traidor, Mu! — Disse Kamus começando a se sentir acuado.
— Ele está certo, Kam. — Reforçou, Shaka.
— E você é outro, Sha. — o aquariano acusou mais uma vez.
— Ok, o deixem em paz. — Milo tentou dar um fim à discussão.
— Ih, tem gente querendo defender o namoradinho… — Implicou Kanon.
— É verdade. Desde o colégio a amizade de vocês é colorida demais. —Acrescentou Máscara.
— Como? — Kamus perguntou com os olhos arregalados.
— Vai me dizer que nunca rolou nada entre vocês dois? Você, Kamus, por favor não insulte a minha inteligência. — Disse Saga num tom mordaz.
— Não, bando de abutres! Eu sou gay e Kamus é hetero! — Exasperou-se Milo.
— Duvido que Kamus seja hetero. Bi talvez. Hetero, nunca. — Rebateu Afrodite.
— Ele é o único aqui que já foi casado. — Respondeu Milo.
— Prova que não gostou da fruta! Kam, existem outros sabores além da maçã. — Disse Afrodite sorrindo malicioso. — Garanto que você vai gostar. — Deu uma piscadela.
— Qual é, Kamus? Vai me dizer que nunca deu um selinho em outro cara que fosse? — Perguntou Máscara curioso.
— Claro que já. — Respondeu calmamente. Não podia demonstrar o quanto essa conversa o irritava. Os outros não tinham nada haver com sua vida. — Eu morei na Rússia, esqueceu?
Milo deu-se um chute mentalmente. Por que nunca havia pensado nisso? A única coisa que lhe vinha a mente era:
"Burro! Burro! Burro! Eu sou um tapado!"
— Assim não vale, Kam, não estamos falando dos costumes de outro país. E sim de você ter beijado outro homem porque queria fazer isso. — Falou Shaka.
— Ninguém especificou. — Respondeu indiferente o francês.
— Não se faça de desentendido, Kamus. A gente sabe que você pode fazer melhor que isso. —Disse Kanon.
— Se eu beijar algum de vocês, vão me deixar em paz? — Disse Kamus em derrota. Eram nove contra um.
— Eu topo! — Animou-se Shura, que estava quieto desde então. — O que me dizem?
Todos assentiram. Até mesmo Milo. Sua barra não estava muito limpa com os colegas, se negasse só aumentaria as gozações deles e o feitiço poderia virar contra si novamente. Além de que, aqueles loucos prometeram parar com as provocações.
— Muito bem, eu escolho! — Antecipou-se Máscara da Morte. Como não teve nenhuma objeção, continuou. — Que tipo te agrada, Kamus?
Pela primeira vez, Kamus demonstrou que estava desconfortável com o assunto. Soltou o ar levemente dos pulmões e respondeu:
— Não sendo você, qualquer um.
Um coro de gargalhadas se seguiu e, constrangido, M&M falou:
— Não pensei em mim. Que tal o Milo?
Milo empalideceu consideravelmente. Se não estivesse atrás de todos os outros, era provável que seus amigos se assustassem com a aparência dele.
— Boa! Milo! Eles podem provar agora se são amigos ou não. — Disse Aioria animado. Seu controle tinha limites.
— Que falta de criatividade a de vocês! — Ao ouvir a voz do sueco, Milo não sabia se o estrangulava ou abraçava. — Vamos, Maskinha, diz outro.
— Maskinha? HUAHUAHUAHAUHUA — Vez de Shura provocar.
— Roubou minha deixa. — Reclamou Kanon baixinho.
— Depois a gente se acerta, Shura. E Aioros?
— AIOROS? — Exclamação geral.
— É, uma vez eu vi em algum lugar que aquarianos e sagitarianos combinam. — Comentou Máscara com descaso.
— Não tinha um motivo melhorzinho? — Indagou Mu descrente.
— Ah, mas eles formam um casal bonitinho… — Disse Kanon.
— Bizarro, você quer dizer. — Corrigiu Saga.
— Vocês querem parar! Aioros, chegue logo aqui e vamos acabar logo com essa baderna.
— Ai, ficou enfezadinho… — Shura não pôde terminar a frase, pois foi interrompido por uma voz levemente alterada.
— Cala a merda dessa boca, Shura! — Gritou Milo enfurecido.
— Não precisa tomar minhas dores, Milo. — Kamus repreendeu o amigo de forma amigável e com um olhar condescendente. O loiro por sua vez estava inquieto. Desconcertado. Tinha os braços cruzados em frente ao corpo e mexia a perna direita freneticamente.
Kamus resolvera acabar com aquela tortura o quanto antes. Estava se sentindo um tanto ridículo, quase um adolescente, afinal era um marmanjo que estava cedendo às pressões do grupo. Porém, a única coisa que desejava realmente era encerrar a situação embaraçosa na qual estava metido.
Decidiu, portanto, que se agisse rápido, seus amigos se dariam por satisfeitos, por isso, caminhou a passos firmes até o moreno de olhos verdes, envolveu os ombros de Aioros com os braços, puxando-o para si.
Moveu o queixo ligeiramente para cima, apenas para alcançar os lábios do outro homem (já que o grego era mais alto que ele próprio) e, por breves instantes durante o processo, ficou hipnotizado pela intensidade com a qual os olhos verdes o fitavam.
Decido, o francês colou as bocas num beijo de ímpeto, urgente e, que pela sua vontade, seria breve, arrancando gritos, gargalhadas e aplausos da maioria dos presentes.
Fechou os olhos e tudo o que sentiu foi o contato com o outro corpo masculino. A gritaria à sua volta começou a se esmaecer quando dois braços musculosos o envolveram.
Mais próximo ao corpo de Aioros, ele pôde sentir um perfume. Era essência de alguma madeira e algo mais, o que definitivamente o agradava. Passou a refletir sobre isso: o cheiro másculo e envolvente fazia-o relaxar, sentia-se confortável. E essa sensação de aconchego era aumentada pelo forte abraço ao qual estava submetido. Sentia-se… Protegido.
Aos poucos, foi cedendo o controle do beijo ao moreno - o que era estranho, nunca havia se deixado levar antes, pelo contrário. Sendo homem, numa sociedade machista como a grega, era esperado que sempre estivesse no comando.
Era uma situação nova, e tinha o intuito de aproveitar cada segundo que lhe fosse oferecida. O beijo que era antes cheio de fome, de sua própria parte, tornou-se cálido e tranqüilo. Lentamente deixou-se conduzir.
Deleitou-se com a língua de Aioros a lhe acariciar todos os cantos da boca e conseguir que a sua própria retribuísse o carinho muito timidamente.
As mãos de Kamus desceram do ombro do grego para alcançarem sua cintura, aproveitando para se por mais próximo (se é que isso era possível) do moreno. A partir de agora, apenas se deixaria levar.
Kamus interrompeu o ato por alguns segundos e inspirou bastante ar. Seu coração estava aos pulos e todos os seus sentidos em alerta.
Estremeceu de leve ao sentir um dedo enrolando uma mecha de cabelo próxima à sua nuca. Arrepiado por completo, o francês apenas acompanhou Aioros quando esse resolveu puxá-lo para um local mais discreto, fugindo à vista de todos.
Aproximou-se lentamente do grego e recomeçaram, só que dessa vez ambos procuraram dar mais intensidade às sensações. Aproximaram-se o bastante para sentir as linhas dos corpos um do outro.
O francês sabia que estava prestes a perder a compostura. Estava levemente desconfortável com as reações às quais a novidade das formas do outro corpo estavam despertando em si. Assim, Kamus resolveu apartar o beijo mais uma vez.
De forma calma, depositou um selinho nos lábios de Aioros, se afastando, a fim de se unir ao grupo novamente. Para sua surpresa foi puxado de volta, reiniciando uma outra seção de beijos e carícias, até que:
— Ótimo, essa brincadeira já foi longe demais. Dido, traga um balde de água fria pra separar esses dois. — Cortou Shaka, ele havia percebido alguma coisa estranha no comportamento de Milo. Normalmente, o escorpiano seria o primeiro a arrancar mais alguma brincadeira, ou faria questão de colocar mais lenha na fogueira. Todavia, Milo estava justamente o contrário: encontrava-se arredio e agressivo.
Vendo que o francês voltou a conversar com Mu, Milo puxou Kamus para um lado, assim que os ânimos de todos estavam mais calmos. O grego estava visivelmente alterado.
— E depois eu é que sou o imaturo! O que você tem na cabeça? Scato (1), por acaso? O que você acha que fez?
— Oras, Milo. Eu beijei Aioros. — Kamus disse com desdém, não acreditava que Milo lhe tirava satisfações por um assunto tão sem importância.
— Kamus, eu nunca te vi ceder à pressão deles antes. O que está acontecendo contigo?
— Nada.
— Nada? E essa cena toda?
— Milo, esqueça! — Elevou um pouco o tom de voz. — E devo dizer que foi muito melhor do que eu esperava. — Alfinetou. Sabia que Milo era ciumento, sempre o escorpiano se mostrava incomodado com qualquer pessoa que se aproximasse de si.
Milo bufou e foi atrás de uma bebida forte. Achou um Whisky e entornou um copo de uma só vez. Não conseguia mais pensar na reunião, ou na alegria que sentia junto aos amigos. A única coisa que tinha em mente era a cena que presenciara.
Kamus pouco se importou com Milo. Ignorá-lo quando se encontrava nesse estado era o melhor que podia fazer e assim faria.
O francês conversou animadamente com os colegas, relembrou mais fatos do tempo de colégio, ria bastante e estava muito descontraído, como não ficava há tempos. Na verdade, parecia que retirara um grande peso dos ombros.
— Shaka, lembra daquela vez que você colocou sal na água de Shura? — Disse Kamus em uma rodinha em que se encontrava Shaka, Aioros (que fez questão de ficar junto a si), Mu e, lógico, Shura.
— Claro! Ele vinha me enchendo o saco a semana toda por um motivo qualquer. Lembra o que era, Shu?
— Não, Só me lembro que depois de um treino de futebol eu estava morto de sede e te pedi água. Eu nem estranhei que esse loiro preguiçoso foi sem reclamar… Você corria muito naquele tempo, hein?
— Nem tanto. Você que já estava cansado. Eu até tentei colocar detergente, mas fazia espuma, ele ia desconfiar...
— Esse seu lado eu não conhecia. — disse Mu irônico, pegando a mão do namorado.
No meio da conversa, o francês foi puxado por um leonino eufórico, que brandia uma câmera digital.
— Kamus, vem cá! Eu quero foto de todo mundo. Eu e você, eu e Shaka, eu e Mu, eu e Shura… De mim e Aioros já tenho centenas. Ah, foto em grupo: Eu e vocês!
Meio atordoado, Kamus se deixou levar pelo leonino e, passado um pouco do espanto inicial, disse:
— Mas eu não sou fotogênico.
— Bobagem. Máscara, tira uma foto minha e de Kamus!
Meio contrariado, M&M saiu da conversa que estava mantendo com Afrodite e Saga. Todos o exploravam na hora de tirar fotos, talvez tivesse a ver com o fato de ser fotógrafo.
— Máscara, — Aioria começou a dar dicas de como mexer na máquina (como se o italiano não soubesse) — Você aperta o botão com força, viu? E enquadre bem isso! Não corte a minha cabeça. E dê zoom, por Zeus!
— Ok, grego. — Disse num resmungo — Agora se aquiete! E, Kamus, sorria, per favore.
— Esse é o probl… — o francês foi interrompido pelo flash. — Que luz violenta! — O ruivo esfregava os olhos.
Irritado, Máscara respondeu:
— Kamus, quer fazer o favor de não falar na hora da foto? Agora eu vou ter que apagar, seu rosto saiu deformado.
— Vamos, Kam, sorria! — Pediu Aioria que ainda não tinha desmanchado o sorriso que havia estampado na cara desde o início.
— É melhor nã… — Flash. — Máscara! Me avise, merde!
— Olhe, fique sério, sorria, faça cara de quem vai me matar, MAS PRESTE ATENÇÃO, CASPITA! — Exasperou-se M&M.
— Então calma. — Pediu o francês, queria dar um tempo para as suas pupilas se readaptarem à luz normal. Respirou fundo e deixou sua expressão natural. Ou melhor, o mais natural que ele poderia deixar pela própria vontade.
Enquanto isso, Aioria havia tomado a máquina do italiano e tirava fotos de si mesmo, sempre com um largo sorriso estampado no rosto.
— Pronto. — Finalmente disse o francês.
— Ótimo, eu ainda tenho uma porção de gente para tirar fotos. — De um pulo, o leonino postou-se novamente ao lado do ruivo.
— Certo, Kamus, atenção. NÃO ME OLHE PARA O FLASH. Fique do jeito que está. — E antes que o francês respondesse: — E não fale!
A luz do flash surgiu mais uma e a foto mais difícil da noite fora tirada.
— Até que eu não saí tão mal. — Comentou Kamus displicente, vendo a foto na máquina de Aioria.
— Mas parece que tá com raiva. — Respondeu M&M.
— Mas eu saí ótimo. Vem, Máscara, ainda tem muita foto pra tirar. — Aioria saiu arrastando o italiano para bater mais fotos.
Kamus voltou a conversar com os amigos antes que Aioria voltasse. Até que:
— KAMUS! VAMOS PRA CASA! — Gritou um Milo bêbado do outro lado da sala de Afrodite.
— Eu não acredito nisso. — Cochichou Kamus para si mesmo.
— O que ele tem, Kamus? Agiu estranhamente o tempo todo. — Perguntou Shaka de forma discreta.
— Você conhece a peça, não? É de lua esse aí. — Na verdade não sabia o que responder. Milo estava mais irritado que o usual e, ainda por cima, bêbado. — Shaka, me faz um favor? Preciso levar esse lixo humano pra casa. Só que eu também não estou sóbrio. Mu se incomodaria que você nos levasse?
— De maneira alguma, Kamus. Podem ir. Daqui a pouco eu chego em casa também. Shaka, ajude Kamus a carregar aquele teimoso. — Disse Mu solícito.
O francês desculpou-se com todos e se despediu dos amigos, não antes de Aioros enfiar um papelzinho com seu número de telefone no bolso de trás da calça do ruivo na hora dos cumprimentos.
Desvencilhando-se de todos, o francês apoiou Milo nos ombros e indo com Shaka até o carro do grego (Kamus resmungava o durante o caminho todo o quanto detestava cuidar de bêbados, jurando que aquele escorpiano iria ouvir o maior sermão da sua vida).
Afinal de contas, não sei do que esse grego ciumento está reclamando: foi ele quem foi com o ruivo para casa e não qualquer um dos outros, especialmente um interessante moreno de olhos verdes.
CONTINUA…
(1) Acho que a palavrinha dispensa traduções, mas saibam que daí vem a palavra Escatologia. Só usar a imaginação .
Comentários: Gente, eu sei que atualizar uma fic a cada mês é uma tortura e uma falta de respeito. Eu também sou leitora, entendo vocês. Só que a faculdade anda me sugando de um jeito que eu simplesmente não tenho mais vida TT
Não vou ficar me desculpando, nem fazendo promessas que eu não posso cumprir; mas olhem só: a história tá bem adiantada, os capítulos finais escritos e a maioria deles esboçado e quase concluídos. E qualquer problema que aconteça comigo eu peço a uma amiga para postar por mim.
Quem me pediu para ler as fics eu sei que estou em débito, mas como eu não consigo me manter longe de outras leituras por muito tempo podem esperar que eu apareço, pode até demorar, mas eu apareço.
Vou deixar meus recadinhos para vocês aqui mesmo, olhem lá, se eu for deletada, nada de resto de fic…
Ana Paula: Bem se Kamus vai ou não tirar a idéia da cabeça isso você só poderá ver mais para frente. E se Milo disser não pra Kamus o que eu escreveria? Oo Brigada por ter lido, e beijos para você também.
Anushka-chan: quem disse que eu não preciso da senhoria? Ò.ó quem vai puxar meu pé quando é viajar demais? (Eu filmo, pode deixar)
Shakinha: Será que agora você vai querer me matar por causa desse beijo? Será que Milo vai deixar barato? Cenas dos próximos capítulos XD
Chibiusa-chan Minamino: Falou minha médica! Eu ainda aproveito a deixa do colesterol mais na frente, aguarde Beijão. Diga se essa do protetor labial não foi muita insanidade da minha cabeça?
Athena de Áries: Acho que você já percebeu que Milo tá estranho... Confirmou mais uma vez porque ela é complicada TT Por que eu fui inventar de por alguém no meio? ;; Beijos mil!
Bela Patty: Seu remédio é amargo, não? Só que como eu sou uma pessoa muito mole, você já tem parte de suas perguntas respondidas. A gente conversa mais por e-mail.
Yumi Sumeragi: Você sabe que o sarcasmo dele só tende a piorar rsrsrsrs. Eu sei que você gosta mais de Ab, honey, mas essa tem que vir primeiro. Candy Bars for you to! And Jellybeans.
Ia-chan: Que bom que você gosta de 3ª pessoa também (aliviada). Brigada por acha minha fic ótima. E eu te digo uma coisa a lerdeza vem de Kamus, se fosse por Milo as coisas eram bem diferentes.
Srta. Nina: Experiência. Essa é a palavra chave, se bem que as pessoas mais velhas tendem a colocar mais complicação em tudo. Espere e verás A do batom foi tragicômica, não? Eu adoro essa parte também.
Sak. Hokuto-chan: Moxa, a facul quer me matar Idade avançada? Huahuahuahuahauhauahuahua (sem ar) Adoraria tirar sua curiosidade, mas vai ter que esperar mais um tantinho.
Cating Misao-chan: oo Você adivinhou que eu ia postar? Sério, quando eu recebia sua review meu capítulo tava na betagem.
Aninha SagonoKai: Parece que eu to vendo sua carinha me pedindo mais! XD Já tem mais, calminha.
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS A ILLY-CHAN QUE BETOU O CAPÍTULO EM TEMPO RECORDE.
Linda, eu sei que você teve muito trabalho dessa vez, acontece… Vide o exemplo Ilía-Haru, nada vai bater aquela…
