Capítulo II
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E novamente um silêncio constrangedor tomou conta do local.
Kardia foi quem decidiu quebrá-lo.
- Hm, Dégel, quer jantar hoje aqui comigo?- ele não conseguiu pensar em nada melhor para dizer, contudo, aquele silêncio instalado entre ambos estava se tornando demasiado constrangedor. Tinha que quebrá-lo e aquela foi a forma que arrumou.
Dégel, um tanto deslocado, se recompunha, levantando cuidadosamente os braços que mantinha envolta do amigo. O escorpiano, ao se ver livre do abraço, finalmente se levantou, ficando agora de pé ao lado do aquariano.
- Kardia, eu o agradeço pelo convite, porém, preciso ver o Grande mestre ainda hoje. Tudo bem?- replicou o aquariano receoso. Temia que o amigo pensasse que ele estava o evitando. O compromisso com o Mestre realmente existia.
O grego sorriu de canto, sabia que Dégel não estava mentindo. Ultimamente, o aquariano era requisitado frequentemente no décimo terceiro templo do santuário. Eram reuniões incontáveis, entre outros compromissos. Sentia curiosidade em saber do que tratavam, porém, ainda não havia tido oportunidade de questionar o amigo sobre o assunto.
- Tudo bem, vá então ver oque o velho Sage quer.
- Treina comigo amanhã? – perguntou o aquariano, acenando para o amigo enquanto subia as escadas, rumo a sua morada.
- Se aparecer amanhã antes das dez horas em meu templo, considere-se morto. – Respondeu em usual tom de deboche, cruzando os braços a altura do peito, retomando a postura habitual.
Dégel apenas sorriu serenamente em resposta, e logo voltou a seguir seu rumo, desaparecendo no interior do nono templo.
- É Kardia, quem diria que o nerd iria beijá-lo um dia?- Refletiu, rindo em seguida- Ora, a quem estou tentando enganar?
Deu as costas às escadarias, voltando para o interior de sua casa.
oOo
Dégel subiu de imediato ao salão papal. Caminhou discretamente até o local combinado com o Grande mestre, e adentrou um cômodo que lembrava uma biblioteca. Sentiu-se extremamente a vontade com tantos livros em torno de si, sabia que os livros do santuário eram tão interessantes quanto os de BlueGraad, e sempre que podia, os lia com o consentimento de Sage. Já era um adulto, não precisava se esconder para ter permissão de frequentar a biblioteca, sem contar que era muito respeitado ali. Um cavaleiro de ouro, um defensor de Athena: essa era sua posição atual.
- Sempre pontual, Dégel de Aquário! – Sage havia adentrado a biblioteca, mirando o jovem aquariano.- Sente-se
[...]
Uma batalha iminente era certa. A chamada "Guerra Santa" contra o Deus do Submundo e seus subordinados se aproximava, e a paz que ainda predominava no santuário ateniense estava com os dias contados. Era essa a realidade; Dura, cruel, porém previsível. Sabiam todos que ao se tornarem cavaleiros defensores da Deusa da sabedoria e justiça, estariam sujeitos a passar por tais embates mortais. Suas vidas não pertenciam mais a eles, e sim a Athena. Todos estavam perfeitamente cientes disso.
Dégel, sem dúvidas, era o mais informado entre todos os dourados. Tinha uma proximidade muito grande com o Grande mestre, desde que fora incumbido de ser seu assistente pessoal na leitura das estrelas, todavia, preferia manter consigo todas as informações que possuía. Não gostava de se expor, era discreto. Preferia guardar consigo o conteúdo de determinados assuntos de cunho político. Nem mesmo Kardia ficaria a par de tais assuntos.
oOo
Na manhã seguinte, Dégel, como o costume, havia acordado pontualmente às sete horas. Tomou um farto café da manhã enquanto decidia qual seria sua próxima atividade. Já tinha em mente que Kardia não iria acordar cedo para treinar consigo.
Por fim, decidiu se instalar em sua biblioteca pessoal: Lugar mais frequentado por si em sua moradia.
...
Já passara das dez horas da matina quando o francês resolveu chamar o grego para o treinamento. Adentrou o oitavo templo sem cerimônias, já estava acostumado em 'invadir' a morada do amigo. Caminhava distraído pelo corredor, quando repentinamente, sentiu um vulto cruzar seu caminho, desaparecendo em seguida. Com uma sobrancelha arqueada, o cavaleiro levou a mão ao rosto, sentindo uma leve ardência na bochecha esquerda. Percebeu um filete de sangue manchar a ponta dos dedos.
- Eu podia tê-lo matado se quisesse... francamente Dégel, como você está lento!- a voz do escorpiano ecoou por seu templo. Logo, a figura imponente do cavaleiro se revelava por detrás de uma pilastra. Sorria amplamente, esbanjando malícia.
- Tão típico de você, tão previsível... - Dégel esfregou a ponta dos dedos, lançando um olhar altivo para o amigo.
Kardia apenas gargalhou, mirando o rosto de aquário com sua unha escarlate em riste. Este, por sua vez, mantinha-se estático. Conhecia o escorpiano como a palma da mão, e sabia muito bem como a sua indiferença o atingia nesses momentos típicos previsíveis, assim como Kardia.
- Se fosse tão previsível, você não teria sido pego de surpresa, não minta pra mim... – o sorriso se ampliara enquanto o escorpião fitava sua 'presa'. Adorava aquele tipo de 'joguinho sádico'- como dizia Dégel. E o aquariano já estava acostumado a lidar com isso.
O francês meneou com a cabeça, fechando os olhos. Um sorriso descontraído surgia em seus lábios bem desenhados.
- Por acaso se esqueceu de nossa luta? Você me deve uma luta Dégel, só não sei o porquê de adiá-la tanto!
A unha escarlate ameaçadora se recolheu e o Escorpião abaixou a mão, mantendo somente o contato visual com o amigo.
Era incrível como ele agia. Parecia – e de fato o fazia - ignorar totalmente o fato de que haviam se beijado no dia anterior. Será que achou que aquilo havia sido um momento de carência? Ou talvez uma brincadeira?
Não, ele sabia que Dégel era sério e que jamais iria beijá-lo à toa.
"Talvez ainda estivesse digerindo aquilo tudo."- concluiu um pensativo Dégel.
- Poxa seu nerd tapado, você está me deixando irritado com essa sua mania de "visitar o mundo da lua" sempre que estamos conversando! – resmungou o escorpião, acenando com a mão bem rente aos olhos claros do aquariano.
- Hã? Perdão Kardia, eu realmente não estou sendo muito boa companhia... prometo que vou evitar isso. Sério!
- É bom que jure, porque se da próxima vez eu não vou perdoá-lo. Irei fazê-lo provar do veneno do escorpião.
O orgulhoso Kardia exibiu novamente sua ameaçadora unha rubra, passando-a levemente pelo contorno do queixo do francês.
- Agora vamos, chega de enrolar!
O escorpiano deu as costas, caminhando rumo à arena de treinos, deixando um aquariano admirado para traz.
- Ahh... Kardia de Escorpião... só você mesmo!- disse sorridente, correndo para alcançar o amigo logo à frente.
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Após algumas horas de treino, um grupo de jovens aprendizes cercou Kardia e Dégel.
- Era o que me faltava... - Resmungou o escorpiano, cruzando os braços em protesto.
- Mestre Dégel! Mestre Dégel! Queríamos conhecê-lo!
O mais alto do grupo exclamava, sorrindo quase emocionado em conhecer o aquariano. Era comum que os mais jovens nutrissem tanta admiração pelo cavaleiro de Aquário, afinal, além de ser o assistente pessoal do Grande mestre, era também o mais sábio dos outros onze dourados. O francês possuía um respeito imenso, e uma de suas características marcantes era sem dúvidas sua educação primorosa, sem mencionar a calma e tranquilidade que também possuía.
- Pois bem, fico feliz em conhecê-los! Quem é o mestre de vocês? – Dégel sorria paternalmente para os pequenos. Passando uma das mãos nos cabelos de um acanhado ruivinho que se encolhia atrás de outro garoto.
Após alguns minutos de atenção aos aprendizes, Dégel se despediu do grupo a fim de voltar seu treino interrompido.
- Kardia me desculpe, eu...- disse, dando meia volta.
Mas o escorpiano não estava mais lá, e Dégel sabia bem aonde o amigo se encontrava, afinal, ele era tão previsível...
oOo
- Posso lhe fazer companhia? – Dégel perguntou educadamente para um escorpiano mal-humorado.
- Cansou da sessão de 'endeusamento' dos projetos de gente?
- Kardia, eles não me endeusam e nem são projetos de gente.
Dégel fez questão de sentar-se bem próximo do amigo. Ambos, agora se encontravam nas proximidades do santuário, mais precisamente em um bosque. Dividiam o tronco de uma grossa e antiga árvore para escorar as costas.
- Não vai mais falar comigo? – Aquário questionou o escorpiano, o fitando apreensivo.
...
- Você sabe que eu não conseguiria ficar sem falar contigo, nerd.- O Escorpião finalmente se manifestou, deitando a cabeça - sem cerimônia alguma - no colo do amigo, de forma que os cabelos azuis ondulados se espalhavam pela grama.
Ambos riram, trocando um olhar penetrante em seguida. Sabiam bem oque se passava pela cabeça um do outro.
- Dégel...
- Sim?- O aquariano respondeu, concentrando-se em pentear as madeixas azuladas do amigo com seus dedos finos.
- O que tanto o Grande mestre quer contigo? Digo, antes, quando ele te nomeou assistente, ele não te roubava tanto tempo como atualmente.
Dégel respirou fundo, pensando em uma boa desculpa para alterar o assunto abstruso.
- Bom, como sabe, estamos próximos de uma Guerra Santa. Discutimos sobre uma possível estratégia, coisas dessa natureza. Só não me pergunte qual o conteúdo do assunto, pois é sigiloso... Somos amigos, mas você sabe como o Mestre é rigoroso e... Enfim, desculpe por isso. – encolheu-se instintivamente após terminar oque dizia.
Definitivamente, o aquariano podia ter várias aptidões, menos a de mentir descaradamente. Ele havia sido honesto, era fato.
- Tudo bem, devem ser assuntos chatos e enfadonhos e não vão me acrescentar em nada. Minha única estratégia é a de matar o inimigo lentamente, fazendo o verme sofrer como nunca antes. Só assim irá memorizar meu rosto quando for direto para o inferno. – Kardia sorria sádico novamente, deixando uma gargalhada ameaçadora ecoar pelo bosque em que estavam.
- Você não toma jeito mesmo, escorpiano sádico. – grunhiu, meneando o rosto.
Dégel levou o indicador até a ponta do nariz do amigo, pressionando-o levemente, como se o intimidasse daquela forma, por pura brincadeira.
- Não preciso tomar jeito. Eu apenas ajo como me convém.
Foi então que Kardia ergueu seu corpo, levando as mãos até os pulsos do amigo, o forçando a deitar-se no chão. Dégel deixou-se levar pelos movimentos do grego, este agora, se encontrava encima de seu corpo esguio. E Dégel podia senti-lo forçando-se contra si.
- Como, por exemplo, agora. O que diria aquele grupinho de ratos se visse o "senhor-sabe-tudo" nessa situação?- riu com gosto ao fitar o rosto trepidante do francês - Que foi? Acha que os preciosos ratos iriam repudiá-lo?- questionou, tornando a forçar o corpo contra o do amigo.
Para sua surpresa, Dégel não sustentava mais a expressão abismada de outrora. Ao contrário, parecia confiante e até seguro.
- O que foi? Por que me olha assim? – arguiu o escorpiano, arqueando uma sobrancelha.
...
Agindo quase que por instinto, aquário levou seu rosto, sem esforço algum, ao encontro do de escorpião, fazendo com que o roçar de lábios e narizes fosse inevitável. Volta a deitar-se em seguida, esperando que o outro agisse em resposta ao seu convite mudo.
Kardia permaneceu estático por alguns instantes, mirando os olhos do amigo como se decidisse sua sentença.
Num movimento rápido e quase selvagem, o escorpiano tomou os lábios do francês, o fazendo soltar um gemido impensado. Libertando um dos pulsos de sua 'presa', escorregou a mão pelo corpo prensado por seu próprio, chegando até a cintura fina do amigo, acariciando-o na região enquanto explorava todas as partes de sua boca.
Sentindo agora o gosto do outro presente em seus lábios, fazendo o uso de uma das mãos livres, Dégel tomou, suavemente, a nuca de Kardia, fazendo movimentos leves, enroscando os dedos nas longas madeixas macias e azuladas.
Deixou o rosto pender para o lado, fazendo com que o encaixe de lábios fosse perfeito, enquanto Kardia se ocupava em morder levemente seu lábio inferior, dando leves chupões. Logo, ambas as línguas se encontravam entrelaçadas, ávidas em buscar a troca de sabores e sensações, novamente.
O beijo durou consideráveis minutos, entre pausas para respirar e troca de olhares, seguidos de carinhos ousados. Dégel foi quem cessou o beijo; já estava com os lábios inchados devido às mordidas e chupões que recebera. O francês abriu seu melhor sorriso ao ver que Kardia relutava na tentativa de beijá-lo novamente.
- Depois, agora precisamos voltar para os nossos templos. Logo desço em sua casa para executar o tratamento. Me deixa levantar agora?
- E se eu não quiser?- o escorpião contrariado questiona, mantendo um sorriso petulante nos lábios úmidos.
- Você vai querer sim.
Com um movimento rápido, Dégel se livra das 'garras' possessivas do grego. Pondo-se de pé ao lado do mesmo.
- Vamos logo!
Ao notar o tom autoritário de Dégel, Kardia enfim se levantou, lançando um olhar debochado para o mesmo.
- Sim, baba-ovos do velho Sage. – riu ao ver a expressão um tanto enfezada do aquariano.
- Kardia, não deboche do Grande mestre. Ele é um homem benevolente e gosta de você.
- Bah, cadê seu senso de humor? A propósito, você vai jantar hoje na minha casa. E adianto que isso não foi um pedido.
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continua...
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n/a : é meu povo, desculpem a demora. Já tinha avisado que eu realmente estou com o tempo curto e que atualizar as fics
está sendo praticamente um desafio! No entanto, cá estou eu! Rsrs
Peço desculpas pelos eventuais errinhos!
Pan
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Respostas dos reviews:
Su : Suhhh! Que bom vê-la aqui novamente, sério! Fico feliz por estar adorando acompanhar o "vale a pena ler denovo" rsrs
Estou pensando em alterar algumas coisas no meio da fic, colocar uns "fillers". E tomara que eu te agrade! rs
Obrigada pelas palavras, querida!
NattenScorpius : Amava? Sério? Que honra! hehehe Obrigada mesmo pelas palavras, elas incentivam muito *-*
Espero que agora, sem os errinhos grotescos, ela te agrade ainda mais! ^^
Luckyyyyyy : Sua linda, peste que circula pelo meu msn *-* hauihauhahhahua está ai um novo capítulo pra você uu rsrs
Obrigada pelas palavras, Lucky! s2 *-*
Theka Tsukishiro : Theka, seja bem-vinda em primeiro lugar ^^ Fico feliz que tenha me achado e que pensemos parecido. É muito difícil
achar quem realmente conheça Lost Canvas e saiba o abismo que há entre as personalidades de aquário e escorpião em comparação com os
clássicos. Eu admito que essa fanfic, por ser antiga, está meio "doce" demais em alguns capítulos iniciais, mas fui progredindo no final (eu acho rs!)
Espero que continue acompanhando e apreciando a história *-* Um grande beijo pra você!
see ya
