Quando estava voltando para casa – eu havia dito aos meus meio-irmãos que chegaria um pouco mais tarde em casa pois acabei tendo que ficar na escola para terminar um trabalho de informática – algo chamou a minha atenção me fazendo parar no mesmo instante, aquele fantasma de antes se materializou bem na minha frente, parecia não estar mais bravo, mas ainda assim tinha uma feição séria e de poucos amigos.

-O que foi? – Perguntei em um tom indignado, talvez eu tivesse falado assim por causa do modo como ele me tratou na primeira vez que apareceu para mim, não queria ser tratada da mesma forma de novo.

-Bem... Eu queria saber, por que você também consegue me ver? – Perguntou Gokudera. O que ele quis dizer com 'também'? Será que tem outro mediador aqui por perto? Tipo, eu só conheci outro mediador além de mim, e pensei que fosse algo raro, mas será que aqui no Japão é diferente? Essa idéia começava a me fazer sentir mais aliviada de certa forma, não ser a única esquisita que vê mortos, além do mais até que seria útil. O padre Dominic me ajudava bastante mesmo eu não concordando com o seu método.

-Por que eu sou uma Mediadora, e o meu trabalho é fazer vocês, almas penadas, descansarem em paz. E afinal quem é você? – Resolvi perguntar. Ele fez uma cara hesitante em dizer quem era, por alguma razão pareceu achar que não fosse necessário, sabe como é, ele devia achar que eu não era confiável vide o nosso primeiro encontro. – Me chamo Gokudera Hayato e sou o oficial braço direito do Juudaime! – Respondeu com grande orgulho logo depois de ter pensado por um tempo se devia ou não realmente dizer aquilo.

Braço direito? Juudaime, o Tsuna né? O que aquilo significava? Apesar de ter ficado um pouco curiosa poderia ser arriscado perguntar não é? Não, o meu dever era fazer esses espíritos descansarem em paz, era isso, eu só precisava saber o que o prendia a este mundo.

- Oficial... Braço direito? – Perguntei.

- Sim! – A sua expressão de poucos amigos havia mudado para algo mais amigável derrepente – E por ter recebido essa nomeação eu deverei honrá-la protegendo o Juudaime!

Espera um pouco, honrá-la? Protegendo o Juudaime? Como um fantasma iria fazer isso? Tá que eles têm poderes sobrenaturais e tal, mas, algo me incomodava, como um aluno do segundo grau diria algo assim? Parecia até que ele servia a um soberano, um chefe de uma gangue, e até que não era de se estranhar pelo jeito como ele agia e até se vestia, porém, o Tsuna não tinha nem um pouco cara de chefe de gangue, tinha algo estranho por trás disso, com certeza tinha.

- Para sempre? – Perguntei perplexa. Ele logo recuou um pouco surpreso, acho que nunca tinha levado em consideração essa hipótese.

- Isso... Não importa, eu farei de tudo para continuar protegendo-o!

Logo após ter dito isso ele desapareceu, devia estar bastante confuso para continuar com a conversa. Mas afinal, era só isso que ele queria saber, o porquê de eu conseguir vê-lo? Bem, isso não importava agora, se ele não estivesse com problemas e nem eu para que me preocupar?

Quando cheguei em casa senti falta de como era recebida toda vez por Max, o cachorro dos Ackerman – falando nele, o Andy teve que dá-lo para uma pessoa, claro que era de confiança e que cuidaria muito bem do Max, foi difícil de inicio mas não podíamos levá-lo junto com a gente – que me seguia até o meu quarto e depois ia embora, ele não gostava de chegar perto dele por causa da assombração que morava lá, tá bem, não era exatamente uma "assombração" e sim o fantasma de um cowboy muito bonito, o Jesse. Mesmo eu sendo tão dura com ele muitas vezes, já houve até algumas discussões e brigas, eu até que sentia a sua falta, o modo carinhoso como me chamava usando uma certa palavra em espanhol mesmo eu não sabendo o que significasse.

Eu subi as escadas até o meu quarto, coloquei a maleta escolar em um canto e fui até o guarda-roupa que estava encostado em uma parede do lado oposto ao da janela, que, aliás, estava com as cortinas fechadas, pois eu ia me trocar naquela hora, não me sentia tão confortável usando o uniforme escolar. Botei uma calça jeans, uma camisa e a minha famosa jaqueta de motoqueiro, agora sim estava bem melhor, depois disso eu abri a cortina. A janela dava para a rua, eu fiquei por um tempo observando aquele bairro calmo e pacifico cheio de casas, até que meu olhar distraído foi pego de surpresa por algo que eu nunca tinha visto antes, duas crianças de uns cinco anos correndo e gritando pela rua com roupas muito estranhas, e quem corrias atrás delas? Ninguém menos que o Tsuna! Eu não conseguia acreditar no que estava vendo, eu fechei um pouco os olhos para ver se não estava vendo coisas e abri novamente, lá estavam eles. O que estava acontecendo afinal? Será que aquelas crianças eram seus irmãos mais novos? Eu ia descer para perguntar a ele o que estava havendo quando alguém bateu na porta do meu quarto.

- Quem é? – Perguntei ainda debruçada na janela.

- Sou eu querida. – Respondeu mamãe. Eu fui até a porta abrindo-a para deixá-la entrar. Mamãe tinha conseguido um emprego fácil de jornalista na TV Sakura, no centro de Tokyo. Ela disse que começaria semana que vem, por isso estava tomando conta da casa colocando-a em ordem.

- Queria saber se está tudo bem. Como foi na escola? – Perguntou em um tom preocupado.

- Está tudo bem, todos foram bastante receptivos na escola, não precisa se preocupar mamãe. - Respondi tentando acalmá-la. Mamãe sempre se preocupava quando o assunto era escola nova, se eu tinha conseguido fazer amigos e se tinha me adaptado bem, mas eu nunca quis fazer nada que a preocupasse, era só o fato de eu ser diferente da maioria que me forçava a fazer coisas que me levavam a situações perigosas, só isso.

- Certo querida, espero que não tenha sido tão difícil dessa vez, mas sabe que Andy e eu não tivemos escolha, você é bem grandinha e deve entender, não?

- Sim, pode ficar tranqüila, assim como na Califórnia tudo vai dar certo. – Dessa vez eu realmente encarei como se fosse um inicio de vida igual ao da outra vez, e esperava que desta vez nada desse errado, nada que fizesse a policia fazer uma visita a nossa casa. Mamãe concordou com a cabeça esboçando um sorriso mais aliviado e se retirou.

Não tendo muito que fazer fui até a escrivaninha fazer o dever de casa, não era muita coisa e conseguiria acabar rapidamente, porém enquanto fazia isso fiquei pensando qual devia ser o problema daquele fantasma, o Gokudera. Se bem que Jesse e meu pai pareciam não ter pendências nesse mundo que os mantesse aqui, Jesse me disse uma vez que talvez eles devessem permanecer aqui em vez de ir para o lugar a onde deviam ir, mas eu não entendia isso. Eu fiquei pensando naquele fantasma e derrepente.


Finalmente consegui terminar o cap 3, mas como as aulas recomeçaram talvez eu demore para escrever os outros caps, mas mesmo assim eu ainda vou terminar essa fanfic! Nem que tenha que usar a shinuki XD brincadeira. Bem como eu ainda estou no terceiro livro eu só vou escrever por base disso que eu já li mesmo,felizmente não peguei nenhum spoiler.