Capítulo 3 – Por Quê?
A sensação de ser beijado era algo totalmente novo para Kei. Não era exatamente como ele imaginava... Pra falar a verdade era bem diferente! O primeiro beijo tinha gosto de cerveja, misturado a algo estranho, que Kei supôs ser nicotina. Era bom... E ao mesmo tempo, de certa forma proibido; dando ao momento um gostoso toque de aventura, despertando a curiosidade e ousadia do jovem neko-boy.
Yuji tinha os virgens lábios de Kei a sua disposição, e fazia questão de explorá-los ao máximo, estreando cada canto de sua boca. Sutilmente, levou-o ate um dos boxes, encurralando-o e aumentando a intensidade do beijo. Suas mãos começaram a percorrer o corpo esguio do garoto, até chegarem em suas nádegas, apertando-as de maneira sedutora.
A respiração de Kei era ofegante, estava assustado com a ousadia de Yuji e agora tentava se livrar da mão que o acariciava tão despudoradamente.
O veterano ouviu passos vindos do corredor e parando o beijo abruptamente, disse:
- Esconda-se – Já empurando Kei para dentro do box, fechando-o lá dentro e se afastando logo após. Kei não entendia o motivo daquilo e quando pensou em falar algo, ouviu a porta do banheiro se abrir.
Era Shin, um aluno do primeiro ano, que acabara de entrar e agora estava cumprimentado Yuji. Kei logo reconheceu sua voz, pois o garoto também fazia parte do clube de música, tocando flauta doce. Esperou alguns segundos e então puxou a descarga, saindo do box decidido a tentar agir normalmente.
Corou imediatamente ao ver Yuji, que agora estava escovando os dentes em uma das pias, e Shin, que espremia uma espinha em frente ao espelho, de modo peculiar.
- O-oi Yuji-senpai... Oi Shin – Disse Kei, bastante corado.
Yuji respondeu com um aceno e logo saiu do banheiro, deixando-os a sós.
- Oi Kei... err... Tudo bem com você? - A voz de Shin tinha um tom de preocupação embutido, devido à vermelhidão no rosto de Kei.
- Claro... Não se preucupe... err, estou com sono só isso!
- Ok – Respondeu Shin pouco convencido enquanto entava no box. Kei aproveitou a situação para sair do banheiro, na esperança de encontrar Yuji pelos corredores.
Não encontrando Yuji, voltou para seu quarto. Eram exatamente 23h45min, mas Kei não se importava, estivera nos braços daquele que supostamente amava, ou pelo menos gostava muito, e isso era como uma injeção de ânimo. Pulou sobre sua cama, abraçou o travesseiro e começou a rir sem motivo aparente, acordando Edward acidentalmente.
- Baka neko!! Me deixa dormir!!
- Gomen... – Disse Kei, entre risos abafados. Ficou olhando para a lua através da janela, sorrindo e pensando nos maravilhosos acontecimentos da noite. Depois de um tempo, acabou pegando no sono, tendo lindos sonhos com Yuji. Tudo parecia estar perfeitamente bem.
5h00min AM, o relógio desperta, acordando Kei para mais um dia na EPIS (East Point Internal School). Apesar de não ter dormido o bastante, acordou com uma disposição impecável, pegou sua toalha e uniforme e assim como fazia todas as manhãs foi tomar um banho. Não conseguia parar de pensar em Yuji por um minuto sequer, pensar nele tornava tudo mais fácil e agradável.
Terminou seu banho, se vestiu, revisou os conteúdos e desceu para o refeitório preparar o café como sempre.
- BOM DIA GENTE!! – Kei acabara de entrar, cumprimentado as serventes com um sorriso maior do que o normal no rosto. Sua felicidade era visível à qualquer um. Seus olhos brilhavam e sua voz tinha um tom enérgico e quase histérico.
- Bom dia Kei-kun, o que aconteceu para você estar tão alegre? – Perguntou a faxineira com um sorriso terno no rosto
- Nada de mais, apenas acordei feliz.
- Que bom...
E começaram a preparar tudo, hoje Kei fazia tudo com um carinho especial, afinal Yuji também comeria aquilo e se alguma coisa estivesse errada ele não gostaria. Kei queria agrada-lo. Aprontaram tudo e Kei se juntou aos seus amigos para fazerem o desjejum.
- Baka neko! Que barulheira foi aquela ontem de noite? – Perguntou Ed, mal humorado como sempre.
- Oh, me desculpe – Respondeu Kei, com o mesmo sorriso constante que teimava em povoar seu rosto, como se isso fosse uma obrigação no dia de hoje.
- Tudo bem, porém vejo que alguém aqui tem novidades para me contar, estou certo?
Kei riu.
- Talvez... – Estava com receio de contar aquilo para seu melhor amigo. Nunca haviam debatido sobre esse assunto, e não sabia como ele reagiria ao saber que estava apaixonado por outro garoto – Outra hora eu conto pra você!
- Tudo bem, baka neko-chan – Ed sorriu. Seu humor estava começando a melhorar.
Terminaram de comer e antes de sair do refeitório, caminhou um pouco pelo refeitório para procurar Yuji, que estava em uma rodinha conversando com seus amigos. Kei abanou, mas Yuji fingiu não ver o cumprimento, continuando a conversa como se nada tivesse acontecido. Depois da tentativa frustrada de falar com o veterano, Kei foi para a sala de aula, onde respondeu todas as perguntas, mesmo sem conseguir prestar muita atenção no que estavam estudando.
As aulas terminaram, Kei preparou o almoço, comeu na companhia de seus amigos e resolveu procurar Yuji para conversarem um pouco. O rapaz parecia evitá-lo deixando o neko-boy um pouco confuso.
Sentou-se um pouco no jardim para pensar sobre o assunto, e logo Ed se juntou ao amigo para conversarem.
- E então Kei, o que aconteceu para deixar você tão feliz? A última vez que vi você assim, foi quando foi convidado a ajudar nas refeições da escola, e até hoje ainda não entendo o porquê de ter ficado tão feliz, sendo que agora vive em função do refeitório e mal tem tempo para fazer outras coisas.
- Nada de mais Ed, quero dizer... Na verdade aconteceram algumas coisinhas sim... Mas não quero falar agora. Mais tarde eu te conto! – Sua ansiedade era algo perfeitamente notável em sua voz.
- Baka neko!! Agora me deixou curioso! – Ed riu – Shin andou espalhando alguns boatos por ai... Ele disse que haverá uma apresentação e que possivelmente toda a comunidade escolar estará presente. Ou seja, a ala feminina também!!
Um sorriso malicioso surgiu nos lábios de Ed, e Kei já sabia o que ele planejava; provavelmente algum plano maluco para tentar arranjar um encontro com uma das garotas.
- Sim, é verdade... Mas a professora apenas comentou, não é nada certo ainda. Ela nem mesmo nos informou sobre a data.
- De qualquer forma, assim que souber me conte! Tenho que estar preparado!
- Tudo bem Ed ¬¬
Ficaram conversando até o termino do tempo livre e seguiram cada um para seus respectivos clubes. Ed para o de basquete e Kei para o de culinária. Ao entrar na sala de aula, a professora disse que como fazia parte do clube de música, Kei deveria se dirigir ao auditório, onde a professora de música aguardava-os numa reunião para discutirem os assuntos pendentes quanto à apresentação. Animado, subiu as escadas correndo e quando entrou no local, encontrou seus colegas e a turma do clube das artes cênicas agrupados em algumas cadeiras na frente do palco. Sentou-se em uma delas e a professora logo começou a falar.
-Pessoal, como eu já havia comentado com vocês, iremos nos apresentar para a comunidade escolar essa semana, certo? Pois bem, hoje conversei com o diretor, e decidimos que a apresentação seria feita no sábado á noite, sendo assim não interromperia as aulas e os pais dos alunos também poderiam estar presentes.
Um aluno do clube das artes cênicas levanta a mão.
- Sim Kevin?
- Professora, a apresentação será feita no próximo sábado?
- Sim
- O QUE? Mas... Hoje é Quarta-Feira... Jamais conseguiremos aprontar tudo para o sábado!
- Por isso vocês devem se esforçar! Serão dispensados das aulas para os ensaios e o clube de artes plásticas também vai ajudar na confecção do cenário. Começaremos a apresentação com Kei tocando a "Sonata ao Luar" de Beethoven, logo após a orquestra seguirá tocando diversas musicas e para finalizar o clube das artes cênicas irá reproduzir O Pequeno Príncipe. Estão todos de acordo?
- Sim! – responderam em coro
- Então estão dispensados. Amanha voltaremos a nos reunir pela parte da manhã. Estejam preparados!
Todos se levantaram, comentando ansiosos sobre como iriam fazer no dia da apresentação. Como não precisavam voltar para seus clubes, Kei decidiu passar a tarde ensaiando "Sonata ao Luar" para não fazer feio no dia da apresentação, pois Yuji provalvemente estaria na platéia, e não queria parecer idiota na frente dele.
Logo a tarde passou, e Kei ajudou a preparar o jantar. Enquanto comia, seus olhos vasculhavam o cômodo à procura de Yuji, e como não o encontrou em lugar nenhum, deduziu que ele provavelmente voltaria na cozinha à noite para assaltar a geladeira.
Imediatamente se ofereceu para lavar a louça, convencendo todas as serventes e se recolherem, pois precisavam descansar e já não tinham mais idade para fazer serviços domésticos até tarde. Agora era uma questão de tempo até seu próximo encontro com Yuji, pensar nisso deixava-o bastante nervoso. Lavava a louça, ansiosamente, sem desgrudar os olhos do relógio que teimava em girar devagar, como se fizesse isso apenas para irritar o jovem neko-boy. Finalmente ouviu a porta se abrir e aquele cheiro de cigarro tomar conta da cozinha inteira.
- Oi Yuji... – disse Kei com as bochechas coradas e um sorriso esperançoso
- Oi – A resposta de Yuji foi seca, e ele se recusava em olhar para o garoto.
- Err... Sobre ontem a noite, eu queria que soubesse que...
- Cale-se, nem mais uma palavra sobre aquilo.
- Mas... Mas... Aquilo foi meu primeiro beijo, e desde então não consigo parar de pensar em você.
- Tsc, e o que espera que eu faça? Me case com você? O fato de ter ficado tão confuso com um simples beijo só prova o quão infantil você é...
Kei não sabia o que dizer, procurando freneticamente pelas palavras que insistiam em fugir de sua boca e então num ímpeto de coragem, foi correndo até Yuji, roubando-lhe um beijo. Yuji correspondeu ao beijo com um tapa no rosto do garoto, que caiu no chão, não pela força do golpe, mas sim pela surpresa de ser atingido por alguém tão importante naquele momento.
- Não seja nojento! Naquele momento você apenas me deixou excitado, só isso! Não deveria ficar tão confiante por causa de um beijo. – O desprezo em sua voz era algo notável e quase tão sólido quanto qualquer uma daquelas paredes.
As palavras de Yuji foram como se um balde de água fria caísse sobre a cabeça do garoto, fazendo-o sentir-se a pior aberração que o mundo já tivera a desgraça de produzir. Tentou lutar contra as lágrimas que não paravam de fluir de seus olhos, alisando o rosto onde fora atingido, buscando uma explicação para aquelas atitudes tão dolorosas.
- Yuji, eu... Eu... Eu... BAKAAAAAAAAA!!
Kei saiu correndo pelo jardim, chorando desesperadamente, se jogando de joelhos diante do roseiral.
- Por quê... Por quê... POR QUÊ?
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Dae gente, mais um capítulo postado sem revisão e escrito por um autor sonolento XD talvez não tenha ficado muito bom, mas eu prometo que vou melhorar!! Então até mais gente o/
