Temporada de Paixões
F1 slash 2009
Disclaimer: Nada nem ninguém me pertence. Também não aconteceu, eu acho.
Fandom: RPS (Real Person Slash)
Shipper: Kimi Raikkonen/Sebastian Vettel
Sinopse: A temporada de 2009 começou bastante diferente para dois pilotos. Para Sebastian, era a possibilidade real de lutar pelo seu primeiro título mundial. Para Kimi, era o ultimato na sua carreira e na sua posição dentro da equipe. Mas o que acontece quando essas realidades se encontram e se misturam ao longo dos paddocks da Fórmula 1?
Advertências: Contem slash, yaoi, isto é, relação entre dois homens. Pode conter lemon, sexo homossexual, mas ainda não tenho certeza. Se você não gosta do gênero, acha errado, nojento, sente asco, simplesmente saia daqui. É isso mesmo, não leia. É um favor que você faz a si mesmo e a mim também. Mas se você gosta ou se acha que tem a mente aberta o suficiente para curtir o gênero, por favor, sinta-se a vontade para ler e deixar seus comentários.
Round 2: Malásia
Por mais que já fizesse quase dez anos que ele levasse essa vida, Kimi simplesmente não conseguia se acostumar com todas aquelas mudanças drásticas de clima. Ele acabara de sair de sua casa na fria Suíça, e agora se encontrava suando desgraçadamente dentro daquele maldito macacão, em frente a um enorme ventilador dentro dos boxes de sua equipe, em Sepang, na Malásia. A segunda corrida do calendário.
Era sexta-feira, eles haviam acabado a última sessão de treinos livres antes do treino oficial de sábado. Kimi havia tido uma rápida reunião com seus engenheiros, feito os últimos ajustes no carro antes de sair do autódromo de volta ao hotel. Ele não entedia como as pessoas achavam que ele levava uma vida de farras infinitas, porque agora, sinceramente, tudo em que ele conseguia pensar era numa grande e macia cama. Despediu-se de Mark e Andrea, e saiu com o amigo que o acompanhava esse final de semana para o hotel.
Sebastian não tivera uma rotina muito diferente. Um carro melhor, com certeza, mas no fim, a "programação" que cada piloto tinha de cumprir era basicamente a mesma. Chegar aos circuitos, reuniões com a equipe, entrevistas, treinos, entrevistas, mais reuniões, mais treinos, entrevistas. E na sexta-feira, Sebi também se encaminhava para seu hotel, mas não era exatamente em dormir que ele estava pensando.
O jovem alemão não sabia explicar, e não é como se ele estivesse preocupado com isso, mas ele ficava realmente chateado quando não conseguia conversar com Kimi. E hoje mais do que nunca. Ele notou também que infelizmente essa vinha sendo a regra, não a exceção. Além de ser uma das maiores estrelas da categoria, o finlandês ainda era uma das pessoas mais fechadas que a Fórmula 1 já viu. Pelo menos com a maioria das pessoas. E Sebastian às vezes sentia-se inseguro perto dele. Sabia que Kimi gostava de sua companhia, mas desconfiava de que não tanto quanto ele gostava da companhia do piloto da Ferrari.
Já era noite na Malásia quando Sebastian finalmente entrou em seu quarto de hotel. Tomou um longo banho, jantou, e deitou-se na cama com a certeza de que não pregaria o olho tão cedo, porque por mais que eles tentassem, era impossível se adaptar tão rápido àquelas mudanças todas de fuso horário. Sentou-se na cama e alcançou sua mochila, pegando seu celular. Lembrou-se de ligar para seu pai, Norbert, que sempre acompanhou sua carreira de perto. Além do mais, era sempre bom ter contato com sua família, porque, por mais que ele fosse um piloto de Fórmula 1, o topo do automobilismo mundial, ele também era um garoto, sim, um garoto de 21 anos que gostava de se sentir seguro falando com sua família. Passou alguns minutos com o pai no telefone, depois se despediu dele e voltou a se jogar de costas na cama. Continuou com o aparelho nas mãos. Instintivamente, acabou abrindo a mensagem que Kimi havia enviado para ele uma semana antes. Eles não se falaram mais depois daquilo, e trocaram apenas alguns cumprimentos nos dois últimos dias. Releu a mensagem. "Sinto muito pela sua corrida, você estava indo muito bem. Não se vence um campeonato na primeira prova, mas também não se perde. As coisas ainda vão melhorar, para nós dois". Pela enésima vez. Era curioso, mas desde que a recebera, teve vontade de ligar de volta para o finlandês, mas não ligou. Não conseguia.
Queria muito ter falado com Kimi durante o dia, mas além dos empecilhos corriqueiros, ainda tinha o fato de que o finlandês não estava sozinho dessa vez. Havia trazido um amigo com ele. Sebastian nunca o tinha visto, não sabia quem era. Também não soube explicar o que sentiu quando viu Kimi conversando com ele tão animadamente. Ambos sorrindo. Às vezes Sebastian achava que alguns sorrisos do mais velho eram exclusividade dele. Detestaria estar enganado.
Depois de vinte minutos segurando o celular entre as mãos, discou o número de Kimi.
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Em outro hotel de luxo da cidade, Kimi dormia esparramado em sua cama, deitado ainda com a bermuda que usara durante o dia, sem camisa. Ele só havia entrado no quarto, arrancado o moletom e a camiseta, os sapatos, ligado o ar-condicionado e se jogado na cama. O calor era infernal e ele estava exausto.
Despertou ao ouvir o celular vibrando e tocando na mesinha próxima à cama. Foi abrindo os olhos aos poucos, ainda se situando, e encarou o celular, indeciso entre levantar e ir até ele ou ignorar e voltar a dormir. Ficou nesse dilema por quase um minuto, mas acabou indo até a mesinha e pegando o aparelho. Encarou o visor, ainda sonolento, e arqueou uma sobrancelha ao ler o nome de quem estava ligando.
-x-x-x-xx-x-
Sebastian estava estranhamente nervoso. Não devia ter ligado. Não, não havia problema em ter ligado, o que tinha demais, afinal? Mas porque ele não estava atendendo? Devia estar dormindo, pensou Sebastian. Melhor desligar. Bom, mas se eu já liguei, melhor mesmo é esperar, não é mesmo?
O telefone continuou chamando, e Sebastian já não sabia mais se queria que Kimi atendesse ou não. O que ele ia dizer, afinal. Você não liga para uma pessoa sem motivo algum, liga? E porque ele havia ligado mesmo?
Será que ele estava mesmo dormindo? Podia ter saído com aquele amigo, de repente. E Kimi não havia ganhado fama de baladeiro à toa, esse pensamento sempre o acompanhava.
Chamou mais uma vez. Nada. Agora, agora sim é melhor desligar, ele não vai atender. Ou será melhor esperar e deixar cair na caixa postal? E dizer o que? Droga, aquilo era só um telefonema, quando tinha ficado tão difícil? Cada vez que o celular chamava e não havia uma resposta do outro lado da linha, Sebastian se sentia mais estranho.
Mas nada se comparou ao momento em que ele ouviu a voz de Kimi dizendo "Alô" no seu ouvido.
"Oi, Kimi." Ele disse, rápido demais.
"Sebastian, o que foi?" A voz do mais velho estava rouca, sinal de que ele havia acabado de acordar. Sebastian começava a se sentir meio idiota.
"Ahn, eu te acordei, não foi? Desculpa, melhor eu ligar outra hora..." Houve alguns segundos de silêncio, e Sebastian sentia seu rosto quente e tinha certeza de que estava corado.
"Sim, você me acordou. Mas pode falar, eu já estou acordado mesmo." A voz de Kimi estava mais lenta e baixa do que de costume, e seu sotaque bem mais acentuado. Sebastian começou a pensar que teria sido melhor que ele não tivesse atendido...
"Ahn..." O alemão sentia-se encurralado.
"Eu gostei de você ter ligado, não se preocupe." Kimi disse, de repente.
"O que?"
"Eu disse que gostei de você ter ligado. Queria mesmo falar com você. Recebeu minha mensagem?" A frieza, Deus, aquele maldito tom frio que fazia o estômago de Sebastian dar sinais de vida.
"Sim, eu recebi. Foi por isso que eu liguei, aliás." Ótimo, uma desculpa.
"Eu estava falando sério." Vettel não tinha como saber, mas Kimi a essa altura já havia voltado para a cama, e estava deitado de barriga para cima, e tinha o braço esquerdo dobrado atrás da cabeça.
"Aquilo foi importante para mim, Kimi, sério. Acho que eu entendo o que você quis dizer na Austrália."
"Você é um garoto inteligente, Sebastian." Kimi riu, e Sebi fechou um pouco a cara.
"Eu não sou um garoto." Disse, sério.
"Ok, desculpa, senhor piloto de Fórmula 1." O finlandês já se divertia com a situação, sabia que o outro não gostava de ser chamado de garoto. Apesar de ser um.
"Olha, sério, desculpa te ligar agora, mas eu realmente queria agradecer, e hoje a gente mal conseguiu se falar."
"Verdade, eu ainda tive aquele evento com os patrocinadores." Kimi falou deixando bem claro todo seu "entusiasmo" com essa parte do trabalho deles.
"E não só isso." Sebastian disse meio sem pensar.
"É? O que mais?"
"Ah, o de sempre, você sabe, sobra pouco tempo com toda a nossa agenda num fim de semana de corrida. E você ainda parecia bastante entretido com seus amigos..." Sebastian não sabia bem o que estava fazendo, as palavras simplesmente saiam de sua boca.
"Como assim?"
"Bem, eu fui te procurar nos boxes da Ferrari antes da coletiva, mas você não estava lá. Depois eu só te vi vindo correndo minutos antes das perguntas começarem, junto com o seu amigo..."
"Ah, sim. Bem, você podia ter me procurado mais um pouco, teria me encontrado fácil. Eu estava tirando um cochilo no motorhome." Os dois riram.
"Você e seu amigo tiraram um cochilo juntos?" Sebastian precisava saber mais sobre aquele cara.
"Não, claro que não. Quer dizer... ah, por que, você está com ciúmes? Sebastian empalideceu um pouco.
"Ciúme, como assim?" Deu um riso forçado.
"Nada, esquece." Fizeram alguns segundos de silêncio.
"Bem, acho que eu não devia ter te acordado." Mais silêncio. "Acho melhor eu desligar."
"Eu gosto da sua voz." Kimi disse, como se não tivesse ouvido as últimas palavras de Sebastian. O alemão foi pego de surpresa.
"O que?"
"Eu gosto de conversar com você. É bom. Não precisa desligar, se não quiser."
Sebastian sorriu. Um sorriso largo e verdadeiro. Ele relaxou, finalmente deitando-se de costas na cama. Ambos continuaram ao telefone por um tempo que nenhum deles saberia precisar. Falaram sobre corridas, sim, mas, sobretudo sobre o tempo, sobre como era difícil se acostumar às mudanças de fuso horário e de temperatura, sobre hóquei no gelo e Kimi finalmente revelou quem era o seu amigo: um jogador de hóquei finlandês. Ele jogava no time pelo qual Kimi torcia, acabaram ficando amigos. Kimi poderia nunca admitir, mas ele se sentia sozinho, às vezes. Sozinho no meio de uma multidão, isso era o pior. Ele gostava de ficar perto de pessoas que o viam de verdade, por trás da casca do piloto famoso. A parede de gelo, ele a construiu para se defender de todas as outras. E Sebastian definitivamente não era uma delas.
-x-x-x-xx-x-x-x
No domingo da corrida, cada qual tentou dar o melhor de si durante a prova. Porque por mais que fosse bom e agradável conversarem, estarem juntos, eles eram pilotos, e ambos gostavam do que faziam. Gostavam do momento em que as luzes se apagavam, e era dada a largada.
E o clima louco daquele lugar atacou novamente. Os pilotos estavam na pista e as equipes em polvorosa com as previsões de chuva. Kimi foi para os boxes e sua equipe resolveu ousar na estratégia. Puseram pneus de chuva em sua Ferrari, o que daria a ele uma vantagem enorme se a chuva viesse logo. Mas o problema é que a chuva não veio tão rápido assim, e Kimi simplesmente acabou com qualquer possibilidade de pontuar naquela prova. E com os seus pneus também.
E quando a chuva resolveu cair, fez isso em grande estilo, tornando-se a protagonista da prova. Os carros simplesmente patinavam sobre o espelho d'água, e quase ninguém conseguia se manter na pista. A essa altura, tanto Kimi quanto Sebastian já estavam bastante distantes da zona de pontuação.
Após algumas voltas sob chuva intensa, a direção de prova decidiu interromper a corrida. Bandeira vermelha. O céu parecia estar desabando sobre suas cabeças, e os pilotos aos poucos foram parando seus carros e alinhando novamente, a espera de uma re-largada. Alguns recolhiam de vez. Foi o caso de Kimi. Seu carro teve problemas com um dos dispositivos do KERS.
Enquanto alguns permaneciam dentro de seus cockpits, quase sem piscar, esperando que a bandeira vermelha fosse suspensa, outros saiam dos carros, iam conversar com seus engenheiros, com os chefes de equipe, enfim, cada piloto lidava com aquela situação de um jeito, mas a maioria estava preocupada com o desfecho da corrida. Mark Webber, presidente da GPDA, andava no meio do grid tentando convencer os pilotos a não continuarem a corrida, tanto pelas condições perigosas da pista encharcada, quanto pela baixíssima iluminação do circuito, já que o céu estava completamente fechado e em pouco tempo anoiteceria.
Mas Kimi não precisava dos apelos de Mark para tomar sua decisão, ela já havia sido tomada desde que ele recolheu sua Ferrar aos boxes. Saiu do carro e baixou o macacão até a cintura imediatamente. Os problemas com o KERS inevitavelmente o impediriam de voltar à pista, mas mesmo que não fosse assim, ele não voltaria. Para que? Pensou o Iceman, depois daquela troca desastrosa de pneus. Bela "estratégia", ferrar com uma corrida que tinha tudo para ser boa. Ele estava com raiva, furioso até, mas também era o homem de gelo, e tinha um modo diferente de demonstrar suas emoções.
Enquanto todos os outros pilotos se preocupavam com o fim que levaria aquela corrida, Kimi apareceu ao vivo na transmição da TV, dentro dos boxes da Ferrari, já sem o macacão, de bermuda e com um belo sorvete na mão. Abriu uma geladeira e pegou uma lata de refrigerante. Deu uma mordida no sorvete, um gole na bebida, e foi se encaminhando para sair do autódromo. Soube que a corrida não teve um reinicio quando já estava no hotel, aprontando as malas para voltar para casa.
Que se dane, ele pensou. E depois ainda esperam que eu tenha "motivação" para correr.
Definitivamente o ano não começou como ele esperava, e as coisas pareciam ficar cada vez piores ao invés de melhorar. Abriu o laptop e deu uma rápida olhada na classificação final da prova. Ele terminara em décimo quarto. E acabou fazendo algo que já estava se tornando um hábito, procurar pela classificação de Sebastian. Décimo quinto, Kimi não podia acreditar. Aliás, ele podia sim. Sabia muito bem o que era ter um carro rápido e não contar com a sorte.
Desligou o computador e pegou o celular. Ponderou por alguns segundos e acabou rindo de si mesmo. Eu devo estar ficando louco...
Discou o número de Sebastian, e o celular não chamou nem três vezes antes que o outro piloto atendesse.
"Kimi?"
"Sim, sou eu." O finlandês disse, no mesmo tom calmo e pausado de sempre. "Então, você está afim de esquecer essa corrida maldita e tomar um porre de sorvete comigo?"
"Tudo que eu quero agora é esquecer essa corrida." Respondeu Sebastian.
"Ótimo, me encontra aqui no meu hotel, eu estou te esperando."
"Você não existe, Kimi." Sebastian teve de rir. "Vai ter champgne também?"
"Não. Champgne é para os vencedores, você vai ter que se contentar com sorvete mesmo. O que é bem mais adequado para sua faixa etária."
"Não enche, Kimi." O jovem alemão bufou, mas a verdade era que agora ele não podia pensar em nada melhor para fazer do que ir afogar suas mágoas com Kimi Raikkonen. Nem que as afogasse em sorvete e refrigerante.
"Então, você vem?"
"Eu chego aí em meia hora."
Quando Kimi desligou o celular, parou por um instante como se tivesse sido acometido por um aviso, um sinal de alerta. Mas ele nunca foi um cara supersticioso, então, se sua consciência estava mandando algum tipo de aviso, ele simplesmente a mandou calar a boca e ligou para a recepção do hotel e pediu uma garrafa de vodca. Vodca finlandesa.
Continua...
N/A:Olá, querido leitor. Não, eu não desisti dessa fic, só estava precisando de um pouquinho de incentivo para atualizar.
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