Não havia nada que pudesse escapar dos olhos de Eric Cartman.
Mesmo os movimentos mais sutis e triviais que aconteciam pelas ruas da cidade não passavam despercebidos pela sua visão de águia, sempre atento a tudo o que acontecia em volta. O fato de o carro estar em alta velocidade não prejudicava em nada a riqueza de detalhes que ele conseguia extrair de cada lugar que batia o olhar. Crianças andando com sorvetes na mão, mulheres apressadas para o trabalho, homens saindo de academias com o corpo suado... Nada era desperdiçado, tudo era gravado, até mesmo o rosto das pessoas.
Estava naquele ramo já há algum tempo e sabia que, se queria mercadorias de qualidade, precisava estar sempre atento ao que acontecia do lado de fora, no mundo fantasioso da bondade que as pessoas pensavam em estar vivendo. Todas elas acreditavam que viviam em um lugar de felicidade, paz e que as coisas ruins nunca, mas nunca iriam acontecer com elas.
E essas eram as mais fáceis de pegar.
Quantas vezes não havia conseguido produtos só por estar olhando pela janela? Mulheres e crianças desacompanhadas então... Era o jeito mais fácil de conseguir pessoas para levar o seu negócio adiante. Seus olhos castanhos e extremamente frios encaravam as pessoas como se fossem simples objetos, pilhas de dinheiro ambulantes que deixariam a sua conta bancária, camufladas com lavagem de dinheiro, com tantos dígitos que ele gastaria quase uma vida inteira para conseguir falar em voz alta o valor de tão grande que estaria. Choros, implorações, pedidos de piedade... Isso tudo não mexia com ele, já havia perdido a sua humanidade há muito tempo, se é que algum dia já tivera. Desde que se entendia por gente, sua empatia com as pessoas era praticamente elevada à zero.
E ele gostava disso, era mais fácil assim. Todos os seus amigos que rejeitaram a proposta que ele ofereceu há nove anos atrás hoje estavam terminando a faculdade para continuar em um empreguinho medíocre pelo resto da vida, economizando dinheiro e vivendo de hipoteca. Tudo por quê? Porque não tinham o sangue frio para entrar em um negócio tão pesado quanto aquele. Enquanto ele e os que o seguiram estavam nadando em dinheiro, os outros passariam por todas as dificuldades que pessoas normais passavam. Coitados.
Mexeu com o dedo indicador dentro do seu copo de uísque, para misturar o gelo em seu Glenfiddich de uma rara coleção de 1937. Bebeu um pequeno gole, sentindo o gosto de cravo, canela e caramelo se alastrar por sua boca. Ah, quem disse que dinheiro não trazia felicidade? Nem em um milhão de anos seria infeliz tomando algo daquele tipo, aquele uísque com certeza curava qualquer tristeza. Era uma pena não poder ficar se enchendo do jeito que ele gostava, infelizmente estava voltando a engordar de novo.
Não estava tão gordo quando criança, havia emagrecido bastante por causa dos exercícios matinais que fazia antes de trabalhar, como correr na esteira ou bicicleta, mas ultimamente estava tão atarefado que não estava tendo tempo nem para dormir direito, quem dirá para se exercitar! Uma situação que estava acontecendo há apenas duas semanas, mas já havia o dado generosos cinco quilos a mais, já um pouco refletidos em sua barriga. Ótimo. Ele era realmente dependente daquela merda daquela esteira. Odiava ter que ficar se exercitando, mas era isso ou ficar gordo do jeito que estava antes e acabar sofrendo outro princípio de infarto.
Mas tudo bem, iria passar. Aquilo tudo era porque tinha gente nova na linha de frente e estavam chegando carregamentos diários da Europa e eles ainda não estavam sabendo lidar direito com os negócios. Logo iriam aprender tudo e deixá-lo em paz. Sua saúde iria agradecer.
Olhou de soslaio para o homem que vinha ao seu lado, um homem bombado de cabelos negros e olhos vazios. Era campeão em diversos tipo de luta, além de ser atirador de elite. Seu nome era James e ele era o seu principal segurança, junto com os outros dois que vinham no carro também. O que dirigia se chamava Noah e ele era o melhor motorista que Cartman já havia visto, sendo capaz de fugir de situações perigosas em segundos e se desviar de objetos e pessoas a cento e vinte quilômetros por hora, como se fosse nada. Confiava de corpo e alma quando via que era Noah que dirigia, com ele não precisava se preocupar. Estava para nascer alguém melhor que ele. E, para finalizar, sentado no bando de carona, estava Luke. Era tão forte e habilidoso quanto James, mas ao contrário dele, Luke tinha uma inteligência impressionante, o que era muito útil em diversas situações.
Três dos seus capangas pessoais, os poucos que ele realmente confiava. Um homem perigoso e importante como ele tinha inimigos, não é? Não podia ficar andando por aí sem proteção, precisava estar sempre cercado de homens armados até os dentes. Deixava a privacidade para quando estava em segurança, dentro de algum lugar cercado.
Quem disse que ter dinheiro e poder era um mar de rosas?
Continuava olhando entediado pela janela, mas não sem perder a atenção no que acontecia do lado de fora. Só queria que o sinal chegasse logo para que ele pudesse ir e voltar para casa. Iria passar uma maratona de Boardwalk Empire na HBO a tarde inteira e ele não estava muito afim de perder. Não via a hora de tirar os sapatos, pegar um pote de sorvete italiano e se jogar em sua cama e ficar lá até que alguém voltasse a perturbá-lo. O que, claro, não demoraria muito, pelo menos naquelas semanas.
- Já podemos ir para lá, chefe? – Perguntou Noah, não tirando os olhos da rua.
Cartman suspirou pesadamente, acomodando-se melhor no estofado de couro bege do carro e dando mais um gole em sua bebida.
- Eu já disse que estou esperando o sinal, por acaso você ouviu o celular tocando? – Disse asperamente, olhando para os olhos de Noah no retrovisor, que baixaram assim que ele fez contato visual.
- Não senhor. – O motorista respondeu baixinho. Já estava acostumado com o humor horrível do seu chefe.
- Então continue dirigindo e pare de encher o meu saco! Estou te pagando para dirigir, não para ouvir a sua voz. – Revirou os olhos, dando outro gole em seu uísque e desejando ter um charuto em mãos naquele momento. Um espanhol ou argentino, de preferência.
Seus pensamentos sobre charutos foram interrompidos quando sentiu o celular vibrar em suas pernas. Olhou-o de cima, arqueando as sobrancelhas quando viu o nome que aparecia na tela de cristal líquido. Pegou-o muito sem vontade e atendeu, fazendo a voz mais irritada e sem paciência que ele conseguia.
- O que você quer?
- Também estou muito feliz de falar com você, Cartman, mas preciso de uma informação pra prosseguir com um processo aqui. – A voz do outro lado falou, recheada de ironia.
- Não posso resolver isso agora. – Cortou – Estou esperando uma ligação importante e você está ocupando a minha linha pra ficar falando merda.
- Não é merda, porra! São os nossos negócios! – A pessoa disse, também parecendo ficar com raiva.
- E você acha que a ligação que eu estou esperando é sobre o quê? Minha mãe me ligando pra dizer que fez biscoitos? – Revirou os olhos castanhos – Se vira sem mim, Stan, pede ajuda pro Kenny, sei lá. Não estou podendo agora, estou indo resolver outra coisa.
Stan suspirou fundo, tentando não desligar o telefone na cara de Cartman. O tempo que Eric estava discursando sobre não poder ajudá-lo agora, ele já tinha ajudado com a dúvida que ele tinha. Mas tudo bem, iria seguir o conselho dele e falar com Kenny mesmo. Ele era muito menos grosso e tinha paciência.
- Ok, vou falar com o Kenny. – O outro disse, enquanto esfregava as mãos no rosto – Obrigado por nada. – Falou com ironia.
- De nada. – Cartman sorriu – Só cuidado quando for falar com ele. Com a quantidade de puta dos nossos estoques que ele tem comido, capaz de você pegar aids só de respirar no mesmo ambiente que ele.
- Pode deixar Cartman, vou vestir a minha roupa de camisinha gigante quando o encontrar, não precisa se preocupar. – Stan riu, fechando os olhos – Se cuida aí também.
- Tá, tá. – Disse impaciente – Vou desligar. Tchau. – E desligou, sem esperar a resposta do outro lado. Já tinha dito que estava esperando uma ligação importante e mesmo assim Stan teimava em continuar conversando. Às vezes sentia raiva do amigo, não gostava quando ele resolvia misturar a relação de amizade com o trabalho.
Como diziam? "Amigos, amigos, negócios à parte", como queria que aquele ditado se enquadrasse com Stan e Kenny. Eles eram emocionais demais comparados a ele, que praticamente tinha um pedaço de rocha no lugar do coração.
Ah, os males de trazer para os negócios os seus amigos de infância! Se pudesse voltar no tempo sabia que faria tudo de novo e os colocaria na máfia, mas como se arrependia em momentos como aquele. Sabia que seria horrível estar naquele ramo sem ninguém que pudesse confiar e chamar de amigo.
Mal colocou o telefone nas pernas e ele voltou a tocar, fazendo-o rolar os olhos. Só podia ser Stan ligando de volta e reclamando por ele não ter desligado o telefone junto com ele ou algo gay do tipo. Porém, quando pegou o telefone e viu o número que aparecia na tela esqueceu-se automaticamente de Stan. Era a ligação que estava esperando.
- Fale. – Atendeu, mantendo a voz mais séria e profissional possível.
- Chefe, pode vir. A barra tá limpa. – Um homem sussurrou do outro lado da linha.
- Ok, prepare a rua aí porque estamos chegando. – Apertou o botão vermelho para encerrar a chamada e se virou para Noah, que dirigia em silêncio – Podemos ir.
O motorista concordou, mudando a sua rota sem falar uma palavra. Sabia que o seu chefe gostava de silêncio.
Dez minutos depois eles estavam na frente de um estabelecimento gigantesco e caindo aos pedaços que mantinha a fachada de ser um bar noturno normal, mas todos sabiam bem o que aquele lugar era. Escondido na área mais deserta e pobre da cidade, aquele era um prostíbulo que só trabalhava com pessoas traficadas.
Eric olhou para o lugar pela janela, observando tudo ao redor e se certificando que sim, a barra estava limpa como o seu informante disse. Abriu a porta do carro e saiu, olhando os outros cinco carros que o acompanhavam também estacionarem e os seus outros capangas começarem a sair. Ele não podia sair sem tanta gente assim para servir de segurança.
Olhou para o prédio acabado e sorriu. Se tinha algo que o deixava feliz em mexer com o tráfico de pessoas, era poder colocar as minorias em seus devidos lugares: abaixo de pessoas normais como ele. Focava-se principalmente no tráfico de etnias diferentes, religiões e estilo de vida. Era famoso internacionalmente por ser o mafioso mais racista que existia no ramo e por isso nada mais justo do que existir casas noturna com pessoas exatamente do tipo que ele desprezava.
Era uma das vantagens de ser quem era.
Colocou os seus óculos escuros e andou logo atrás dos seus capangas que ficavam na linha de frente para protegê-lo, enquanto outros ficavam ao seu lado e atrás. Entrou na casa e encontrou tudo como já imaginou que estaria: vazio, cadeiras em cima das mesas, postes de pole dance e algumas mulheres e homens com a cara borrada de maquiagem limpando o chão e a bancada do bar. Assim que eles entraram no bar, os que limpavam a bagunça do lugar olharam para eles, sem saber o que fazer. Não pareciam clientes e eles raramente vinham tão cedo assim.
- Chame o Bill. – Mandou Cartman, olhando para uma menina com aparência indiana. Ela era linda e parecia não ter muito tempo naquele lugar, pois seus olhos ainda tinham brilho. Só que agora eram de medo e receio – Agora. Diga que Big Bones quer falar com ele. – Resolveu ser mais direto, afinal aquela garota não estava mostrando sombra de que algum dia voltaria a se mexer de tão chocada que estava.
A garota assentiu e saiu correndo para dentro de algum dos quartos, deixando a esponja em cima do balcão. "Preciso avisar a Kenny que tem uma belezinha dessas trabalhando por aqui. Aposto que ele vai adorar saber." Pensou maliciosamente, lembrando-se do amigo que aproveitava como ninguém os negócios da máfia. Sabia que, se falasse com Kenny, ele a pegaria para usá-la até que enjoasse. Era desse jeito que ele agia, estranharia se fosse diferente. Kenny, desde que ele se lembrava, era o pervertido da turma.
Alguns minutos se passaram e a porta que a garota havia passado abriu, revelando um homem com aparência de cinquenta anos, careca e com apenas poucos fios contornando a coroa. Seu nariz era grande e grosseiro, contrastando com seus lábios finos e rachados. A barriga era um pouco proeminente para a sua estatura baixa e os seus olhos escuros e astuciosos observavam tudo ao redor, inclusive Cartman e seus trinta e poucos capangas. Engoliu em seco discretamente antes de começar a falar, precisava de todo o jogo de cintura possível para aquela situação.
- Big Bones! Como é bom ver você! – Exclamou ele, usando todo o seu carisma enquanto andava até o chefe da máfia e agia como se eles fossem amigos íntimos – Quer beber alguma coisa? Talvez um drink e...
- Sem rodeios, Bill, você sabe que isso não funciona comigo. – Cartman olhou friamente para ele – Cadê o meu dinheiro?
Bill ficou pálido, sem saber o que dizer.
- Hã? – Riu nervoso, puxando a gola da blusa social que vestia.
O que fez Eric rolar os olhos.
- Não me venha com essa, sabe muito bem do que eu estou falando. Você está me devendo uma fortuna e eu quero esse dinheiro de volta. – Semicerrou os olhos – Hoje. Agora.
Bill olhou para os lados, tentando achar uma saída. Há um tempo havia pedido um dinheiro a mais para a máfia, mesmo sabendo que eles cobravam juros absurdos e não admitiam atrasos. Fora um ato desesperado mas ele realmente precisava do dinheiro.
- E-eu não estou com o dinheiro agora, estou com algumas dividas de novo e...
- Foda-se que você está endividado, eu não estou nem aí! – Elevou a voz, franzindo a testa – Eu só quero o meu dinheiro, nem que você precise vender o seu rim para me pagar!
Ele engoliu tão alto que ressoou por todo o salão.
- Sabe que não toleramos devedores sem palavra nesse ramo. Você não é novo por aqui, Bill, já tinha que ter aprendido. – Eric andou até ele, olhando de cima – Se não quiser ver o seu lindo bar enfeitado com seus miolos espalhados pelo chão, acho melhor você me trazer o que é meu por direito. Você está com sorte que hoje eu estou com muita paciência.
Bill pensava rápido, tentando arranjar uma solução. Ele definitivamente não tinha aquele dinheiro! Se ele tivesse aquele dinheiro todo, mesmo que eles depois ficassem sem dinheiro, ele o jogaria nas mãos de Big Bones assim que ele apareceu pela sua porta. Todos sabiam como ele era mau e ele com certeza não queria o deixar irritado. Provocar a sua ira era uma péssima ideia.
Uma lâmpada acendeu em sua mente quando ele se tocou do que estava deixando passar. Era óbvio, como não havia pensado nisso antes? Com aquela mina de ouro nas mãos, como não pensou nisso?
Era claro que BB iria aceitar, quem não aceitaria?
Olhou para o homem de quase dois metros de altura que estava na sua frente e sorriu, tentando parecer o mais cordial possível.
- Big Bones, queria lhe pedir desculpas, mas eu realmente não tenho o dinheiro que você me pede agora... – Antes que Cartman pudesse interromper, ele continuou – Mas irei lhe pagar em breve. Enquanto não arranjo o dinheiro, queria lhe oferecer, com toda a minha hospitalidade, o astro do meu bordel.
Cartman arqueou as sobrancelhas.
- Como é?
- Isso mesmo que o senhor ouviu! – Sorriu brilhantemente para ele, aliviado pela expressão do homem ter se tornado curiosa e atordoada ao invés de agressiva – Vou lhe oferecer, quantas vezes o senhor quiser, o mais cotado da minha casa.
- Não quero ninguém, quero meu dinheiro! – Disse entredentes – Será que é tão difícil entender isso? Você está querendo morrer?
Bill sabia que se saísse do personagem naquele momento, iria morrer. Decidiu continuar agindo como um vendedor vendendo o seu melhor produto.
- Ah, senhor, você está falando isso porque ainda não o viu! – Sorriu para ele – Por favor, dê uma olhada nele e depois, se você não o quiser, pode até me matar! Margareth! – Gritou, fazendo a mulher saindo de dentro do quarto que até então Bill saíra.
- Sim Bill? – Andou até ele, sem entender nada e intimidada com a quantidade de homens na sala.
Ele se virou para ela, falando euforicamente.
- Mande Ginger vestir a sua melhor roupa e descer.
Ela concordou com a cabeça e subiu as escadas que ficavam em outro ambiente, escondidas em grande maioria por uma parede.
Bill se virou para Big Bones e ele olhava para a escada, certamente havia acompanhado Margareth com o olhar. Perfeito. Isso mostrava que ele estava interessado e não iria matá-lo ali, a sangue frio.
- Bom, que tal bebermos alguma coisa enquanto esperamos a minha grande estrela descer? – Disse, atraindo o olhar de todos os homens – É por conta da casa. – E pediu internamente para que o garoto não demorasse muito a descer porque senão o prejuízo seria grande.
Cartman encarou aquele homem nos olhos e o sentiu tremer debaixo do seu olhar. Ele era realmente muito esperto, mas não mais esperto que ele. Percebeu bem a técnica que ele usou para enrolá-lo, mas resolveu se deixar levar para ver até onde aquele circo iria dar. Ele provavelmente não gostaria do garoto e poderia matar Bill, já que ele não era do tipo que pegava essas putas sujas de puteiro de esquina como Kenny era. Ele gostava de lugares luxuosos, com produtos de qualidade.
Olhou para os seus homens, observando reação deles. Alguns pareciam estar prontos para matar Bill, enquanto outros não viam a hora de aproveitar aquele open bar que ele estava oferecendo - que era mais do que a sua obrigação.
Por fim resolveu se render a bebida e torcer para que aquele maldito garoto descesse logo as escadas. Não queria acabar se enchendo das bebidas baratas daquele bar imundo.
- Manda a bebida. – Disse de mal humor, arrancando um sorriso de felicidade de Bill e de alguns dos seus homens.
Se não tivesse ficado intrigado pela forma que Bill chamara o garoto, "Ginger", ele já teria o matado há muito tempo. Alguma coisa estava estranha, seu sexto sentido gritava isso. E seguindo a sua intuição, resolveu esperar.
Todos se sentaram em algumas cadeiras enquanto algumas das meninas da casa ofereciam bebidas e os seus homens as observavam, sedentos por aqueles corpos frágeis e com poucas roupas.
Bill, ao notar o olhar dos homens, tratou de fazer algo a respeito. Tudo que pudesse fazer para que Big Bones ficasse confortável, ele iria fazer.
- Não se acanhem rapazes, podem pegá-las. – Sorriu, colocando as mãos nos ombros de uma menina que olhava para baixo e a apertava com força - Hoje é tudo por conta da casa.
Os capangas riram alto, puxando as meninas pelos braços e as colocando sentadas em seus colos, enquanto elas mesmas não esboçavam nenhuma reação, só a submissão.
Cartman ficou quieto, um pouco mais afastado dos homens e observando tudo ao redor, cada movimento, cada gesto e mantendo sempre um olho em Bill para ver tudo o que ele estava fazendo. Pegou um copo de tequila e bebeu, fazendo uma careta instantaneamente. Odiava bebida de baixa qualidade.
Foi então que ele ouviu.
Passos começaram a ser ouvidos vindos da escada. Passos pequenos, leves, frágeis. Passos de alguém que não poderia ter muito peso. Passos de um ser que já estava naquele ramo há muito tempo e tinha o andar acanhado depois de tantas humilhações.
Passos esses que chegaram ao térreo e revelaram um homem parado na beira da escada, de cabeça baixa, como ele havia aprendido com Bill a agir quando fosse a hora de se apresentar para algum cliente.
Cartman arregalou os olhos e se levantou, olhando para aquela cena com espanto.
Não podia ser real.
Não podia.
Mas era.
E infelizmente não podia nem colocar a culpa na tequila barata que ele havia ingerido.
