Obrigada a todo mundo que vem comentando, em especial a Bee de quem eu sou fã incondicional!

Mais um caps. espero que todo mundo tenha uma ótima Páscoa e que assistam o 2° episódio de GoT com direito a muito chocolate!

Enquanto a demora, desculpem, mas só conseguirei postar caps. nos finais de semana.

OBS: Este capítulo foi escrito a base de muito chocolate e Mumford & Sons, em especial The Enemy e Dust Bowl Dance.

Capítulo 3. Elos e alianças.

Novas alianças eram feitas no sul, os dorneses tinham tanta sede de vingança quanto os nortenhos, o sangue de Oberyn e Elia ainda os fazia moverem-se por ódio e justiça. Daenerys se casaria com Quentyn Martell selando o pacto que havia sido feito anos atrás, que de fato fora para Viserys e Arianne. Arya tentou se opor ao casamento político, mas a rainha apenas lhe deu um breve sorriso.

-Já me casei por obrigação, Arya, talvez os deuses estejam me dando uma nova chance, não amava Drogo no início também. –Arya mordeu os lábios, teve vontade de dizer que não falava sobre amor, mas sim, sobre sua autonomia e liberdade. Sempre que Daenerys tocava no nome do khal os olhos violetas entristeciam-se e logo depois marejavam, a imagem de Sansa nesses momentos sempre vinham em sua mente, podia imaginá-la ouvir a história de Daenerys e Drogo com olhar sonhador e risinhos abafados pelas mãos delicadas. –Nós, Targaryens temos o costume de casarmos uns com os outros, se tivesse conhecido Jon antes, teria o escolhido. -A garota a fitou alarmada. –Sei que não é certo aos olhos de vocês, mas Jon seria um ótimo marido, é forte e corajoso, bondoso, tem espírito de liderança, é um homem bonito. –Arya desviou os olhos para os próprios pés em um desconforto crescente, Daenerys riu. –Vocês dois poderiam se casar. –a morena engasgou com a própria saliva, a rainha riu novamente.

-Somos irmãos. –murmurou em tom enojado, porém em seu interior havia mais constrangimento que nojo. Tyrion se aproximou ao passo em que a rainha se distanciava para treinar os dragões.

-São apenas primos. –corrigiu. Arya o fitou em surpresa e antipatia. –Mas está não é a questão, com Dorne unindo-se ao nosso exército, os Tyrell não conseguirão manter-se por muito tempo e se eles caírem, minha querida família, ou o que sobrou dela terá que dobrar os joelhos. –a expressão de Arya endureceu.

-Os Lannisters dobrarão os joelhos só se for para serem decapitados. Quero todos mortos, Cersei e Jaime. –adicionou venenosamente, o sorriso sarcástico de Tyrion desapareceu.

-Minha senhora engana-se se crê que eu irei implorar-lhe por misericórdia para minha casa. –disse com uma seriedade rara. –Desejo que minha irmãzinha pague pelo que fez mais do que qualquer um. –os olhos do anão escureceram-se por um breve momento. –E Jaime...faça o que quiser com ele.

-O que lhe fizeram, anão? –perguntou sem rodeios.

-Ainda tenho dívidas a pagar com minha família, senhora. –sorriu Tyrion, a garota desviou os olhos, o rosto do homem tornava-se mais desfigurado à medida que sorria quando mencionava os irmãos.

-Preferia mais quando você me chamava de "moleque". –o homem riu e Arya surpreendeu-se com a risada sem indícios de ironia.

-Pois prefiro a Arya de Winterfell a garota que andava ao lado de Daenerys com espada em punho e os olhos fixos em mim. –Arya sorriu. Caminharam por um longo tempo até Tyrion quebrar o silêncio novamente. –Logo, o rei terá que se casar também, são tempos difíceis e um herdeiro pode salvar vidas. –acrescentou fitando-a fixamente.

-Daenerys é a rainha e Jon o rei, não há motivo para ela se casar com um dornes, vejo o modo como se olham, e, além disso, são Targaryens, nada mais tradicional do que se unirem como homem e mulher. –disse seca.

-Será muito mais vantajoso que nossa rainha se case com um dornes louco por sangue do que com alguém que já tenha aliança, precisamos conquistar o Sul, garota, o Norte só interessa à Jon.

-Do que está falando? -quis saber em confusão.

-Jon nunca desejou realmente o trono de ferro, Arya. O rapaz pode ser filho de Rhaegar, mas ainda tem sangue Stark nas veias, é um homem do Norte e ambos sabemos o que acontece com os nortenhos cheios de honra em Porto Real. Ele pretende fazer do Norte, um reino independente. Os Targaryens unificaram os Sete Reinos, os mesmos desunificarão. –Arya sentiu os ombros relaxarem, havia tempos que não recebia notícias tão doces.

-Robb morreu lutando por isso. –acrescentou mais para si do que para o homem ao seu lado.

-Como disse, O Norte precisa de uma rainha. –disse avaliando a reação da garota. –Você é uma Stark, representa-o muito bem, minha senhora, confesso que ainda há pessoas que duvidam das boas intenções de Jon, alguns ainda o veem como bastardo, um corvo vira-casaca e até mesmo um louco como Aerys. –Arya riu da última teoria, Tyrion ficou mais esperançoso ao perceber que a garota estava de bom humor. –Se ele se casasse com alguém de uma casa tradicional, então as especulações seriam silenciadas. –não foi preciso o homem continuar, Arya o silenciou com sua expressão de indignação.

-Não ouse continuar, anão! Jon é meu irmão, não somos doentios como Cersei e Jaime, isso é repugnante até mesmo para você! –cuspiu as palavras furiosa, algumas pessoas que estavam perto se distanciaram alarmadas.

-Por que continua a mentir para si mesma? Não são irmãos, nem no modo como se olham ou se tocam, já existem comentários sobre as visitas noturnas de Vossa Graça ao seu quarto e as caminhadas longas por entre a floresta. –Tyrion perdeu o resto da paciência que lhe sobrara. –Ouça, não há tempo para cordialidades, uma guerra nos aguarda e você terá que decidir se deseja continuar a brincar de irmãozinhos ou ajudar Jon a conquistar o Norte por inteiro. –o tom ríspido do anão fez Arya querer puxar a adaga de suas roupas pesadas e cortar-lhe a garganta.

-Me deixe sozinha, Duende. –ralhou a garota, o homem se curvou em uma cortesia brusca e se retirou. Arya seguiu em direção ao estábulo, montou em um cavalo negro e cavalgou para fora dos limites do castelo.

O vento frio batia-lhe com força no rosto, deu por si sentindo falta de Nymeria, a loba deveria estar tão grande quanto Fantasma, as lágrimas brotaram e Arya as limpou em um gesto violento antes mesmo que elas lhe tocassem o rosto.

Desejava ajudar Jon de todas as formas que podia, mas chegar a ser rainha e se casar com o homem que um dia considerara irmão lhe causava uma espécie de culpa e repreensão por não se sentir enojada. Arya não pode admitir para si mesma, mas por um breve momento, imaginou as mãos dele percorrendo-lhe o corpo e os lábios tocando os seus, cavalgou até o anoitecer, na esperança de esvaziar a mente, porém tudo o que conseguiu foi preenchê-la com Jon.

Quando chegou ao castelo já era tarde, havia algumas velas acesas no salão, porém o jantar havia terminado, os músculos do corpo estavam doloridos pela longa cavalgada, acariciou a crina do cavalo em gratidão por ter suportado tanto tempo, o apelidou de Bastardo.

Seguiu até o bosque sagrado, o frio era rigoroso, e Arya gostou daquilo, o calor das cidades livres não lhe fazia falta alguma. Sentou-se perto da árvore-coração, lembrou-se das vezes que via o pai sentado ali, pensativo e calmo, parecendo-se com os Starks de pedra nas criptas, por muitas vezes a garota invejou sua serenidade.

-Por um momento achei que perderia você novamente. –disse o rei aproximando-se dela.

-Vou estar onde você estiver, Jon. –o rapaz se aproximou e aninhou a garota em seu peito, Arya era pequena e magra, se Jon não a conhecesse, ela poderia se passar por uma lady frágil e delicada. –Esse tempo todo, tudo que desejei além de vingança, foi encontrá-lo.

-Por vezes, estradas diferentes vão dar no mesmo castelo. –murmurou nostalgicamente, Arya o trouxe para mais perto, os braços do rapaz arrepiaram-se com a respiração da garota em seu pescoço, Jon levantou o rosto de Arya carinhosamente para que ficassem na mesma altura, o elo entre os dois foi quebrado abruptamente pelo barulho de pequenos passos sobre as folhas que caíam impetuosas, um lobo gigante apareceu por entre a escuridão, os olhos eram vermelhos sangue em contraste com o pelo branco, Arya acariciou o lobo que se aproximou em aprovação. –Fantasma sente falta de Nymeria. –explicou Jon.

-Eu também sinto, Fantasma. –sussurrou tristemente para o lobo.

Arya teve uma certa relutância em voltar para o castelo e quando Jon se despediu da garota em rumo ao seu quarto, ela lhe segurou firmemente o braço.

-Durma comigo hoje. –sussurrou quase como uma confissão, Jon não soube o por quê, mas sua pulsação aumentou significativamente.

Ele nada respondeu, apenas a seguiu pelo corredor vazio. O quarto de Arya era distante dos demais, assim como ela, sempre que Jon conseguia trazê-la para perto, a garota teimava em se afastar e vestir sua armadura.

Tentou desviar os olhos das sombras que ela projetava enquanto se despia, tirou o casaco de pele de animal e as armas que estavam presas em sua cintura, apesar do frio nortenho, o tecido fino da roupa colava-se no peito do rapaz, Jon nunca achara Winterfell tão quente, por fim, arrancou esta peça também. Sentou-se de frente para a janela, observando os flocos de neve dançarem pela noite, engoliu em seco ao sentir o colchão se mover, se virou para ela e sua respiração falhou por alguns minutos. A roupa de dormir era de tecido suave como a maioria, não havia nada de escandaloso, rendas ou decotes, era simples, mas Jon não pode deter seu olhar para a pele exposta da garota, desejou tocá-la e sentir sua consistência e seu cheiro.

-Acho que escolhi este quarto pela vista privilegiada. –murmurou distraída, Jon ainda a fitava sem expressão.

-Sim, é uma vista maravilhosa. –adicionou.

Deitaram-se e por um momento o silêncio deixou ambos constrangidos, Jon foi o primeiro a se aproximar, tocou cuidadosamente nas mãos calejadas dela como se fossem quebrar a qualquer momento, subiu os dedos pelo braço da garota, surpreendeu-se por quão macia era a pele dela, não resistiu e deslizou os dedos novamente até sua mão fria e pequena.

A pele de Jon estava tão quente que Arya estremeceu ao sentir as mãos dele acariciar seu rosto, fechou os olhos em satisfação quando os dedos do rapaz deslizaram para seus lábios, ergueu uma das mãos para lhe acariciar os cabelos negros e a face que por muitas vezes tinha uma expressão severa. Esgueiraram-se por baixo do grosso cobertor criando um mundo subterfúgio somente dos dois, os toques se intensificavam, exploravam as sensações que um causavam um no outro, ora descobriam lugares que faziam cócegas ora se afastavam assustados pelos arrepios inebriantes.

Arya foi a primeira esticar ainda mais os limites da relação indefinida dos dois, depositou breves beijos sobre as mãos do rapaz, subindo para o rosto, contornando o pescoço febril e demorando-se ali, Jon sussurrou-lhe algo, mas tudo que Arya pode sentir foram duas mãos cravadas em sua cintura lhe puxando para mais contato físico. Deixou que os lábios se esbarrassem por uma fração de segundos, a faísca que faltava para incendiar o rapaz. Jon mudou as posições, cobrindo o pequeno corpo feminino com o seu, dessa vez, os lábios se encontraram sem incertezas, uma mistura de necessidade e descoberta, provavam-se deliberadamente, se abraçavam desajeitados, os lábios se encaixavam perfeitamente, beijavam lugares recém-descobertos, guiavam-se em busca de prazer mútuo, os sons indistintos que escapavam de suas gargantas eram abafados pelo cobertor que os envolvia. A euforia cessava e os beijos tornavam-se aos poucos toques singelos e carinhosos.

A culpa e a felicidade misturavam-se e caía sobre ambos, foram irmãos, desconhecidos, primos e agora eram apenas Jon e Arya, a garota não soube dizer se o que sentiam era certo ou errado, mas tinha certeza que era maior do que os deuses, as leis e a política nociva que os rodeava.

Naquela noite, não sonhou com sua família ou com seus inimigos, naquela noite, Arya pôde dormir em paz.

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Bom final de semana pra todo mundo o/