Autora: Ashling

Casais: 1x2, 3x4 entre outros....

Capítulo 3 – Amigo.

Heero POV

Ficamos em silêncio por um longo tempo, provavelmente ele estava sem idéias de puxar mais assunto e eu era um zero a esquerda quando se tratava em conversar.

Fiquei observando ele brincar com a ponta da trança, enrolá-la nos dedos e depois soltá-la, repetindo o processo várias vezes até se cansar e jogá-la para trás do ombro.

Notei que seus olhos escureceram, e seu rosto adquiriu uma fisionomia triste.

- O que foi? – perguntei preocupado.

- O que vai acontecer comigo agora? – ele perguntou de cabeça baixa.

- Como assim? - perguntei confuso.

- Não sei se Quatre lhe comentou que eu perdi a....

- Memória? Sim ele comentou. - disse com pesar.

- É horrível!Não fazer idéia de quem você é, de onde veio, se tem família, amigos....

- Não se preocupe logo você vai recuperar a memória! - disse convicto.

Seus olhos violetas me encararam duvidosos.

- Mas... E se eu nunca mais lembrar, Heero?

- Hei!Pense positivo! – eu o incentivei, embora também tivesse minhas dúvidas.

- Não dá Heero!No momento só consigo pensar nas piores coisas que podem acontecer! - ele elevou a voz, completamente atormentado.

- Vamos, deixe de ser pessimista!Esse pessimismo todo não vai ajudar em nada, pelo contrário!Tenha fé, garoto!

Ele suspirou e voltou os olhos para a janela, cravando o olhar nas folhagens da alta árvore frente à janela. Eu também estava meio pessimista quanto a isso, mas do que adiantaria falar isso a ele? Só iria piorar as coisas. Não perguntei a Quatre quais as chances de ele recuperar a memória, mas antes de ir embora com certeza perguntaria. Eu queria ajudar no que fosse possível!

Olhei seus olhos violetas apagados e meu coração se apertou, pensei por algum tempo em algo para distraí-lo e tive uma idéia.

- Hei, você não tem para onde ir não é, garoto?

Ele finalmente me encarou.

- Bem, acho que quando a policia vier aqui vai me mandar pra um lar temporário ou coisa assim, não sei ao certo.

- Que tal vir morar comigo?!- perguntei alegre.

Seus olhos se arregalaram e ele me olhou em choque, vi que ele havia sido pego desprevenido com a pergunta e esperei pela resposta.

Poucos segundos passaram-se – mas que para mim pareceu uma eternidade – e seu sorriso despontou em seu rosto, ele se agitou na cama, parecendo pular de alegria.

- Quero!Quero sim!

Quase o abracei de felicidade, fiquei apreensivo e feliz enquanto fazia aquela pergunta, apreensivo, pois ele podia muito bem recusar o pedido, quer dizer, nós mal nos conhecíamos!E feliz, com a idéia que talvez ele pudesse aceitar.

- Ótimo, quando você receber alta do hospital vou informar ao Quatre e poderemos ir, já vou avisando que minha casa não é lá grande coisa, eu sou..... - pensei bem na palavra - Humilde.

- Ah!Que isso, Heero. Não ligo pra isso não, desde que eu tenha comida e onde dormir pra mim já está mais do que bom!Mas.... Será que a policia vai deixar?Quer dizer, não vão achar estranho você querer que eu more com você, aliás, por que você quer que eu fique com você? - ele perguntou duvidoso.

Por quê?Não sei ao certo, eram tantas respostas que eu podia dar.

"-Sou sozinho e preciso de um amigo".

"-Quero muito ajudar você no que for possível".

"-Gostei de você e quero passar mais tempo ao seu lado".

"-Fui hipnotizado pelo seu sorriso."

OK, esse último foi idiota, mordi a língua e pensei em uma resposta simples e direta.

- Bom, eu quero muito ajudá-lo no que for preciso, garoto. E também que eu... Gostei bastante de você e poderíamos, quem sabe, sermos amigos.

- Sério Heero?!Eu... Também gostei muito de você e adoraria ser seu.... Amigo.

Nossa, ele ficava uma gracinha quando encabulado!

- Que bom!

- Mas... Quanto a policia?

- Não se preocupe, um dos policias é meu amigo e com certeza se ele vai quebrar esse galho pra gente!

A imagem de Trowa me veio à mente, um homem alto, olhos verdes, cabelos castanhos e uma longa franja que lhe tapava um dos olhos.

Não sei se ainda podia considerá-lo meu "amigo" depois de tudo que aconteceu entre eu, Quatre e ele, lembro que na época ele ficou com raiva, muita raiva, fui até ameaçado de morte se me lembro bem, será que ele ainda guarda rancor de mim? Bem, vou descobrir isso em breve.

-Heero, eu tava pensando....

Prestei total atenção ao trançado.

-Eu... Preciso de um nome, certo?Quer dizer, até eu lembrar do meu antigo.

Até que o que ele dizia tinha lógica, eu não podia ficar chamando-o de garoto o tempo todo, ele precisava de um nome, pelo menos temporariamente, assim espero.

-OK, que nome você mais gosta?

Ele olhou indeciso e ficou girando os olhos pelo quarto, um minuto, dois minutos e nada de ele responder.

- Já pensou? - realmente paciência não era comigo.

- Ah!Eu não sou bom com nomes, Heero!Pense em um para mim! – ele pediu envergonhado.

- Puxa, também não sou bom com essas coisas – passei a mão pelo cabelo enquanto admirava seus olhos que me encaravam curiosos – Que tal.... Haru?

- Haru? – ele perguntou arqueando as sobrancelhas.

- Droga!Eu disse que não era bom com nomes! - reclamei, cruzando os braços.

- Haru.... É um nome japonês, não é?

- É, é o nome do meu pai. - murmurei.

- Sério? – ele me encarou com um brilho no olhar – Ora Heero, eu gostei!Haru... Esse vai ser meu nome! - disse enquanto levantava a mão para o alto em forma de punho.

- Muito bem, Haru, agora você já tem um nome!- fiquei feliz por ele ter gostado do nome, ou será que ele fingiu gostar por que agora sabia que esse era o nome de meu pai, bem, depois eu descobriria, o importante agora era que ele já tinha um nome!

- Vou me chamar, Haru Yui!

Meu queixo caiu ao ouvir meu sobrenome.

- Yui? – perguntei confuso.

- Sim!Que tal você ser meu irmão mais velho?!Não seria legal, Heero?Por favor! – ele juntou as mãos – Deixa-me ser seu irmão caçula!

Cocei a cabeça, ele realmente era um garoto estranho, mas a idéia até que me pareceu divertida, quer dizer, deve ser legal ter um irmão, bom, quem não arrisca, não petisca!

- Claro que sim, irmãozinho! – disse sorridente.

- Obaaaaaaa – ele se impulsionou para frente, jogando seus braços enfaixados ao redor de meu pescoço e abraçando-me fortemente, fazendo-me corar.

Nesse momento a porta se abriu e Quatre entrou, mas parou a poucos metros da cama, observando a cena com desconfiança. Quando Haru viu Quatre separou-se de mim e explicou alegre:

- Quatre!Quatre!Adivinha!Agora eu tenho um nome, graças ao Heero!

O loiro sorriu carinhosamente para o trançado e se aproximou, ficando do outro lado da cama.

- E qual o seu nome?

- Haru Yui! – ele respondeu com orgulho.

- Haru? - ele me encarou – Yui? – ele arqueou uma sobrancelha.

Antes que pudesse falar, Haru já estava no meio da explicação, ele era rápido!

- Haru é o nome do pai do Heero e o Yui é por que o Heero me adotou como irmão caçula! – gritou eufórico.

- Adotou é? - ele ainda me encarava e franziu o cenho.

Engoli em seco, será que aquele loiro estava pensando que eu...

- E eu vou morar com ele! – quando Haru disse isso, foi Quatre me olhar de forma acusadora que me levantei e apontei o dedo em sua cara.

- Nem pense em bobagens, Winner! – gritei agressivo.

- Heero? – Haru me encarou confuso.

Na mesma hora lembrei dele e fiquei desconcertado.

- Ah!Desculpa Haru, mas eu e o Quatre, nós.... Precisamos conversar – olhei para o loiro – urgente!

- Concordo – ele disse friamente.

- Hum.... Ta bom, você vai voltar depois, Heero?

- Claro que sim, Haru, não posso abandonar meu irmãozinho, a missão do mais velho é proteger o mais novo, sabia? – Haru começou a rir e assentiu com um grande sorriso, bom, eu podia me acostumar com essa coisa de irmão, podia mesmo.

- Anda, Yui!- Quatre praticamente rosnou já abrindo a porta para mim.

- Já vou!Que mal-humor! – quando sai do quarto, Quatre fechou a porta bruscamente e me agarrou pela manga da camisa, arrastando-me pelo corredor até sua sala.

Ele se sentou atrás de sua grande mesa de trabalho e apontou para a cadeira a sua frente, me atirei nesta, bufando.

- O que você quer, loiro?

- Nada, só queria saber por que de toda essa preocupação com o garoto.

- Haru! – corrigi.

- OK, com o Haru – ele revirou os olhos.

- Ora, Quatre!Eu salvei a vida dele!Haru é um garoto alegre, extrovertido, bonito e eu quero muito ajudar em tudo que for possível, ele poderá morar comigo até sua família ser achada ou até recuperar a memória!Eu só quero ajudá-lo e também ser amigo dele!

- Amigo?Ou... Algo mais?! - perguntou em tom acusador.

- Qual é, Quatre!Deixa disso, ele é uma criança!

- E por acaso isso impediria você?

Fiquei perplexo com as acusações de Quatre, nunca pensei que ele pudesse pensar algo assim de mim, realmente ele havia mudado, lembro perfeitamente que Quatre sempre aceitava minhas desculpas, sempre fora ingênuo, criança, mas agora a minha frente estava um homem maduro, eu admito que Haru me atraia, quer dizer, ele tem uma beleza andrógena – quem não se sentiria atraído por ele? -, mas ele devia ter apenas 15 ou 16 anos!E eu com certeza não sou pedófilo!

- Ele é bem ingênuo, não?Nem o conhece e já pensa que você vai ajudá-lo numa boa, coitado.

- Eu vou ajudá-lo!- minhas mãos se fecharam e apertaram os braços da cadeira.

- Como?Vai fazer ele se apaixonar por você e depois largá-lo?Como se fosse um boneco, que depois de usado você se cansasse e o trocasse por outro?!

Notei que Quatre já não falava mais do garoto e sim de.... Nós.... Nosso passado.

- Quatre, aquilo foi há muito tempo, esqueça! – pedi cansado, eu verdadeiramente não queria tocar nesse assunto.

- É fácil esquecer quando usa os outros, mas não quando é usado! – disse entre - dentes.

Levantei-me em um salto, fazendo a cadeira ir ao chão e segurei Quatre pelo colarinho.

- Não vou discutir isso com você agora! - rosnei.

Soltei-o com um empurrão, sai da sala e voltei ligeiro para o quarto de Haru.

Abri a porta e vi que ele estava deitado, encolhido nos lençóis, a cabeça quase invisível, seus olhos abriram-se com minha chegada e ele sorriu, ainda deitado.

- Foi rápido - murmurou.

- Haru, eu vou indo agora, volto amanhã, certo? – senti-me triste por já ter que ir, mas eu precisava esfriar a cabeça urgente, antes que acabasse batendo em um certo loiro.

- Mas... Disse que iria ficar! – ele se sentou e me olhou infeliz.

- Eu sei, mas houve alguns problemas e preciso ir, prometo que volto amanhã, certo? - me aproximei da cama.

- Tudo bem. – ele abriu os braços, pedindo um abraço e logo seu desejo foi atendido, envolvi sua cintura com minhas mãos e suas mãos envolveram meu pescoço, afundei o rosto em seu pescoço e fiquei ali por algum tempo, ele era tão macio, tão quente.

-Hum... Heero?

Afastei-me imediatamente a me ver fungando em seu pescoço, corei e o vi ficar vermelho.

-Bom, tenho que ir, se cuida e.. Até amanhã – abanei virando de costas – ainda corado – e sai rapidamente do quarto.

Acelerei o passo no corredor, rezando para não topar com Quatre, mas, infelizmente lá estava ele, na porta do hospital me encarando de forma ameaçadora.

Passei reto por ele, mas antes que pudesse escapar totalmente ele segurou meu pulso e me puxou, encarei seus olhos azuis com o cenho franzido.

-Se depender de mim, ele não irá morar com você, acredite, é só eu dar uma palavrinha sobre você com a policia que eles o proibirão de se aproximar do garoto!

Trinquei os dentes e apertei os punhos, uma vontade louca de ver alguns ossos quebrados se apoderou de mim, mas consegui me controlar.

-O nome do garoto é Haru e eu quero mais é que você se exploda Winner!

Sai sob os olhos assustados de alguns pacientes e de Vanessa e também sob o olhar de puro ódio de Quatre.

Eu sabia!Eu sabia!Quatre ainda guardava rancor do passado e ele com certeza faria de tudo para atanazar minha vida, posso apostar que ele deve ter ficado com ciúmes de mim, e eu também podia esquecer a ajuda de Trowa, desde que éramos adolescentes ele sempre teve uma queda por Winner e acho que isso não mudou nada, nada.

Ele ficaria do lado do Winner, os dois falariam a policia que eu era um pedófilo e que Quatre me pegou "flertando" com o garoto e eu teria que manter distância dele!

Por que nada de bom podia acontecer comigo?!Tudo bem que fui um pouco cruel com os dois e bem que merecia isso, mas Haru não!Ele ficou tão feliz quando soube que iria morar comigo, o que ele pensará de mim quando estiver morando com estranhos?Que sou um mentiroso?Um aproveitador?Aposto também que Winner vai encher a cabeça dele de como sou cruel.

Parei de andar.

-Ele não teria coragem!- grunhi e me virei, com o intuito de voltar ao hospital.

-Heeeeeeeeeeeeeeroooooooooooo!

Congelei ao ouvir a voz esganiçada tão conhecida, virei lentamente e vi Relena do outro lado da rua, abando para mim.

-Me espera!

Vi que o sinal estava aberto e os carros passavam à alta velocidade, levantei uma sobrancelha para ela e continuei o caminho de volta ao hospital.

-Heerooo! – ela gritou chorosa.

Acelerei o passo.

Será que isso era algum castigo divino ou coisa assim?Por eu ter sido egoísta no passado e ter magoado tantas pessoas?A partir de agora minha vida seria assim?Solitário, uma loira psicótica correndo atrás de mim e duas pessoas que farão de tudo para deixar minha vida um caos?!

Cheguei a frente ao hospital e vi que havia uma viatura estacionada ali na frente, aquele loiro deve ter chamado a policia, ou melhor, o Trowa.

Corri até a porta e quando entrei uma pessoa saia e acabei dando um encontrão nela, fazendo-a ir ao chão, quando consegui recuperar o equilíbrio, olhei para o chão e estendi a mão, mas a recolhi imediatamente ao ver o olhar assassino que era direcionado a mim.

-Yui?! – ele gritou, ou melhor, rosnou.

Eu sabia que ele estaria ali, não seria nenhuma novidade, mas ao vê-lo não contive a surpresa.

-Barton?!

Continua....

Nota: Desculpem, esse capitulo realmente não ficou como eu queria, eu queria que o capitulo ficasse maior, mas acho que vou ficar alguns dias sem net, por isso quero postar rápido antes que fique sem XD Prometo que o próximo capitulo vai ser bem maior ^^

Queria muito agradecer a guida-chan por ler e também por deixar review ^^ Fico feliz que esteja gostando e também fiquei mais feliz ainda por ter me alertado do erro no capitulo 2...obrigada mesmo, já concertei XD Acho que tenho que parar de ouvir musica e escrever, cá entre nós, não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo T-T''''....*baka* :D ahshashahshahahs

Duo:Por que que eu sempre sofro?
Ashling:Ahhhh Duo-chan, é que você fica tão kawaii sendo tortura, estuprado e sofrendo *-*
Duo:Doente ¬¬''
Ashling:u_ú olha aqui garoto, tu se cuida comigo, se não vou por na fic que você vai pra uma casa temporaria onde um homem bebado de estupra ¬¬
Duo:Puf...Não teria coragem u.u
Ashling:Não é? õ.o
Duo:Desculpa *medo*
Ashling: XD Tudo bem, fofo *aperta as bochechas de Duo*
Duo:¬///¬

Beijos a todos ;D