Quero agradecer sinceramente a: Nick, minha gêmea (por aparecer de vez em quando), Naa Potter, Violet ( leitora nova XD), Vanessa, Ari B. (que provavelmente já me matou), Luhli (é claro, por seus esclarecimentos e por sua mega review – muito obrigada!), Thaty, Taty Mello, Larizzaz, Paty ninja dude sempre, Diana W. Black (minha beta paciente) e alguém que nomeou-se "eu".
Muito obrigada mesmo. As reviews de vocês são muito empolgantes!
Sem mais delongas!
Capítulo 3: Às voltas com Quadribol
Ela sempre se sentia como uma espiã quando patrulhava os escuros corredores do castelo de Hogwarts. Fosse espreitando pelos cantos, esgueirando-se para os famosos locais de amassos, ou acabando com atividades indecorosas; era tudo muito entusiasmante. A Monitora Chefe nascida trouxa Lily Evans estava no caso para apanhar alunos que quebrassem regras. Era uma tarefa perigosa, mas com a qual ela lidaria com prazer. É claro, isso antes que soubesse que teria de trabalhar com James Potter.
- Aqui vamos nós - James exclamou alto, batendo com o pé mais forte do que era necessário. Seus passos reverberavam pelas paredes de pedra, acentuando o barulho já frustrante. - Estamos bem na esquin... Ai!
Lily deu-lhe uma cotovelada forte no peito, pegando-o desprevinido.
- Dá pra você calar a boca? Quantas vezes eu vou ter que dizer? – sibilou ela.
- Mais uma vez deve bastar.
- Já é a vigésima nona, Potter? – ela perguntou mordazmente, já completamente enfadada.
James sorriu, os olhos brilhando alegremente por trás dos óculos.
- Eu sempre disse que 29 é meu número da sorte e... - Lily o encarou furiosamente – De qualquer maneira, eu não vejo qual é o problema. Só estou tentando descontrair o clima.
Mérlin, era como tentar ensinar uma criança de dois anos a somar e subtrair.
- Você está praticamente avisando-os!
Uma expressão de inocência tomou o rosto do garoto, mas seu ato de ignorância forjada não enganava Lily.
- Quem?
- Olha - Lily disse, sua voz falhando com impaciência – Se tiver... Ahn... Casais por aqui, o que provavelmente há, já que nós estamos patrulhando a...
- Torre comunitária do sexo de Hogwarts? – James conclui casualmente, aparentemente achando que Lily precisava de ajuda para definir o lugar onde estavam.
- Bem, eu ia dizer torre de Astronomia, mas enfim, você não pode ficar batendo os pés assim e avisá-los! – Lily argumentou, pousando as mãos no quadril. Ela parecia encará-lo como se quisesse sinceramente derretê-lo com seu olhar.
- E por que não? Eu prefiro não ter que ver... Ahn... Aquilo.
James corou e Lily quase riu alto de seu desconforto atípico, mas percebeu a tempo com quem estava. Imediatamente qualquer humor pareceu sumir da situação.
- Ah, por favor – Lily começou, passando à frente do Monitor Chefe de cabelos pretos e seguindo na direção de uma pequena alcova, onde a cortina que cobria o espaço se movia de um jeito estranho. – Você é tão imaturo.
- Você 'tá me dizendo que quer ver duas pessoas sugando a cara uma da outra? – James respondeu, os cantos da boca movendo-se ligeiramente para transformarem-se num sorrisinho maníaco.
Surpreendida com a pergunta e esquecendo a alcova e seu misterioso tecido decorado que se movia, Lily virou-se.
- Eu... Não... Você é louco.
De repente completamente à vontade – apesar de James tender a sentir-se confortável em qualquer circunstância – Potter encostou-se casualmente na parede da torre de Astronomia, cruzando os braços em seu peito largo. Ela não podia deixar de notar o quanto ele havia mudado do garoto magricela ao rapaz musculoso de 17 anos que havia se tornado.
- Não tem problema ter certos desejos, Evans.
É, talvez ele não tivesse mudado tanto assim. Lily jogou os braços para o ar como pedisse a Deus que James fosse atingido por um raio.
- É, e você saberia tudo sobre isso, não é? – ela retrucou, batendo o pé distraidamente e arqueando as sobrancelhas de forma a explicitar seu aborrecimento.
- Bom, na verdade, não. Esse é o Sirius.
Antes que soubesse o que havia acontecido, Lily acalmou-se e soltou uma risada breve. Até James olhou-a divertidamente. Aquilo era estranho e absurdo. Ela tinha rido... Do Potter... De uma gracinha do Potter! Alguém havia envenenado sua mente! Droga; ela sabia que não devia ter deixado Sirius lhe servir um copo de suco de abóbora aquela manhã. Confie nos Marotos para misturar a uma bebida algum tipo de poção que acabe com qualquer esperança de ter pensamentos racionais de uma pessoa.
Confie nos Marotos para misturar a uma bebida algum tipo de poção que acabe com qualquer esperança de ter pensamentos racionais de uma pessoa.
Enquanto se repreendia por ter tomado aquele copo de um líquido não identificado, passos furtivos soaram contra o chão de pedra atrás dela. Aguçando os ouvidos para ter certeza de que não estava ouvindo coisas, Lily viu os olhos de James moverem-se de seu rosto para um ponto bem acima de seu ombro esquerdo. Confusa, a ruiva virou-se para olhar para trás a fim de confirmar o que, ou mais exatamente quem, estava fazendo o barulho...
- Ei! Vocês dois!
Aparentemente, James tinha visto algo que ela não tinha. Seguindo o olhar de seu parceiro, os olhos de Lily pousaram em duas criaturas descabeladas logo atrás dela que tentavam se encolher contra a parede, esforçando-se para não serem vistos. Um menino e uma menina; um garoto cuja camisa aparentava ter sido abotoada enquanto ele estava sob efeito de estereóides e uma garota que parecia ter tentado passar maquiagem no escuro. Típico.
Endireitando sua postura, Lily estava a ponto de reprimir os dois estudantes que quebravam as regras quando James assumiu o controle.
- Robbie, você não devia estar descansando para o treino dessa semana? – ele perguntou, observando o sextanista.
É claro, o garoto era Artilheiro do time de Quadribol da Grifinória. Pronta para tomar a dianteira e distribuir os castigos, sabendo que James provavelmente nunca o faria, Lily deu um passo para frente. Mas Potter interrompeu-a grosseiramente outra vez.
- Desculpe, mas como seu Capitão e Monitor Chefe vou ter que tirar dez pontos da Grifinória, cara. – James anunciou simpaticamente, ainda que autoritário. Ele olhou para seu companheiro de time por um momento antes de mover seus olhos castanho-claros para a aparente namorada de Robbie. – Dez pontos da Corvinal também, Liza.
Estarrecida porque James estava realmente fazendo um bom trabalho, Lily apenas observou a cena com os olhos arregalados, sem compreender nada do que estava acontecendo. Quando sentiu que James a olhava, assentiu fracamente e pigarreou. – Ahn... É. De volta para os seus respectivos salões comunais.
Assim que os dois sextanistas dispararam pelo corredor, um sentimento que pareceu completamente fora de lugar começou a crescer dentro de Lily. Ela estava com raiva. Estava furiosa com o fato de que James havia passado à frente dela e feito com que parecesse uma idiota, semelhante a um peixe arquejante que acabou de ser puxado do mar por uma linha de pesca. Estava brava porque James Potter, arruaceiro superstar, havia tomado o controle da situação. Mas, acima de tudo, ela estava com raiva do fato de que James estava cumprindo com as suas expectativas sobre o que um Monitor Chefe deveria ser.
E ela não sabia por quê.
- Então, eu acho que resolvi tudo muito bem – James disse, batendo as mãos como se houvesse sujeira nelas. Ele quis dizer como uma brincadeira, mas naquele momento Lily precisava de uma razão para justificar sua raiva.
- Você não pode tentar ser humilde só por um segundo? – ela perguntou, virando as costas para ele e pretendendo caminhar para longe com seus pensamentos.
Sabia que estava fazendo tempestade em copo d'água, e, aparentemente, ele também.
- Evans, eu 'tava brincando.
Por que ela podia sentir seu sangue ferver? Por que ela enfurecia-se ao som da voz dele? Mais do que tudo no mundo, ela queria então empurrá-lo da torre de Astronomia, ou pelo menos azará-lo. Por alguma razão, ele a estava irritando como sempre fez. E essa sensação a fazia sentir-se tola. Lily não estava raciocinando direito e, por isso, não percebeu o quão ridiculamente aquela conversa fazia mostrar suas emoções.
Se James soubesse o que era bom para ele, teria ficado quieto.
- Você realmente precisa aprender a relaxar.
Houve um momento de silêncio em que Lily permitia-se absorver as palavras e deixava que piorassem ainda mais seu humor. Quem era ele para dizer que ela devia relaxar? Havia acabado de tirar pontos de sua própria Casa!
Um bom Monitor Chefe, era isso que ele era.
Ah, cala a boca!
- Você é insuportavelmente inacreditável. – ela disse, sua voz surpreendentemente suave, ainda que as vozes em sua cabeça batalhassem para sair. – Insuportavelmente inacreditável.
- O que eu fiz agora? – Ele suspirou e Lily franziu a testa.
Hesitou, não sabendo exatamente como responder aquilo. Todas as respostas que ela formulou pareceram estúpidas, mesmo dentro de sua cabeça. Seus pensamentos estavam tão bagunçados que a única coisa que teria conseguido fazer se tentasse seria resmungar incoerentemente. Emoções estavam queimando-a – raiva, irritação, raiva de novo – e nada parecia fazer sentido. E só aquilo provavelmente explicaria por que Lily – com uma expressão congelada de frustração em suas faces normalmente bonitas – correu corredor adentro sem dizer nada.
Rezando para que Potter e sua cabeça dura tivessem entendido que ela não queria ficar perto dele, Lily continuou caminhando pela passagem. Alívio tomou-a por estar longe de James, mas ela sabia que a sensação era boa demais para durar.
- Ei, Evans!
Ela podia ouvir barulho de coisas quebrando, o som agudo de unhas arranhando um quadro negro, um coral de vozes cantando "aleluia" interrompido de repente, todos os piores ruídos que podia pensar inundaram sua cabeça assim que seu cérebro registrou a voz dele. Fechando os olhos e esperando que tivesse imaginado o som, Lily continuou a descer as escadas.
- Evans!
Ignore-o, ele não é real.
- Ei! Mulher!
Aquilo fez com que quase explodisse em fogos novamente. Como ele ousava chamá-la de algo tão degradante como "mulher"? Ela não era uma pobre empregada que estava ali para servir todas as suas necessidades! Um bom Monitor Chefe nunca a chamaria de algo tão baixo.
- É falta de educação ignorar as pessoas, sabe?
Sua fina linha de auto-controle quebrou-se como um graveto; embora ela soubesse que já devia ter se quebrado há muito tempo, provavelmente desde a primeira vez que se viram.
- O que é, Potter? – ela parou, virando-se rapidamente.
O que aconteceu depois foi tão rápido que Lily nem teve tempo de se sentir idiota. Ao que ela virava para azarar Potter, tropeçou no degrau a sua frente e desequilibrou-se. Ao invés de cair para frente, como esperava, Lily começou a cair para trás e não havia jeito de parar a trajetória. Uma sensação estranha de que afundava a assolou enquanto seu pé direito enfiava-se exatamente no famoso degrau que todo mundo em Hogwarts sabia ter de evitar.
- Aargh! – Lily gritou, tentando tirar o pé do degrau que agora estava engolindo sua perna, mas seus esforços não foram bem sucedidos. Infelizmente, ela não havia notado que não podia colocar sua mão no degrau para sair dali sem que essa fosse sugada pela escada também. Então ela só tinha uma mão, uma perna, e um garoto adolescente cheio de hormônios muito inútil para ajudá-la. Quem fazia aquele tipo de coisa, afinal? Pessoas com senso de humor absurdo, claro.
James ajoelhou-se um degrau acima dela.
- Bom, se você não tivesse me ignorado, Evans, eu teria te avisado que você 'tava quase pisando no degrau. – Ele lhe ofereceu um pequeno sorriso e segurou sua mão livre com a intenção de ajudá-la.
Não surpreendentemente, Lily achou que aquele gesto de auxílio não era nada heróico.
- Tire sua mão de mim, Potter! – ela exclamou, convencida de que aquele infortúnio era total culpa dele. Talvez se ele não tivesse dado aquelas punições e balançado a firme visão que ela tinha dele, então Lily não teria sido tomada por seus pensamentos coléricos e teria evitado o degrau. É, isso era tudo culpa dele; a maioria das coisas era.
- Certo, então – ele disse, soltando a mão dela e endireitando a coluna de uma vez.
Podia sentir os olhos dele sobre si enquanto colocava sua mão livre no degrau de cima e apoiava a perna em outro que ela esperava ser estável. Lily continuou puxando e empurrando, puxando e empurrando, até que a perna presa no degrau afundou mais alguns centímetros para o espaço vazio e desconhecido.
- Maldita escada... – Lily murmurou com raiva, desejando ter uma mão para afastar os fios de cabelo do rosto que haviam se soltado do seu rabo de cavalo para que pudesse estudar sua situação preocupante. Se ela pudesse ao menos alcançar a varinha que estava em seu bolso sem cair ainda mais na escada...
- Tem certeza de que você não precisa de ajuda?
Lily riu com desdém, olhando para cima, para seu então chamado "parceiro". Ah! Parceiro o caramba!
- Prefiro comer um diabrete.
Por um momento, James apenas encarou-a; o nariz torcido como se tivesse cheirado algo muito ruim.
- Sabe – ele começou, cruzando os braços. – Diabretes podem ser venenosos.
A gravidade parecia ter sua parte naquilo tudo porque Lily sentiu sua perna ir uns cinco centímetros mais fundo; estava então começando a latejar e sua mão a formigar incomodamente. Em outras palavras, sua paciência não estava em seu nível mais alto.
- Você gosta de ouvir você mesmo falar?
- Olha, se você não queria minha ajuda, era só me dizer.
- Eu disse!
Dando de ombros como se não se importasse de qualquer maneira, James sorriu simplesmente e deu-lhe as costas bem devagar. Era como se zombasse dela, desafiando-a a mudar de idéia.
- Que seja do seu jeito, então.
Lily esforçou-se para soltar-se novamente, determinada a não desistir – de algum modo, conseguir pegar sua varinha com sua mão livre parecia improvável. Contudo, quando tentou tirar-se dali, sua mão escorregou e ela afundou até a cintura no degrau.
- Ah, mas que ótimo... – murmurou para si mesma e a idéia de chutar longe alguma coisa parecia muito boa.
Irritada com os rumos que sua noite havia tomado, Lily fez uma careta e remungou palavrões absurdos que fariam McGonagall tricar os dentes. Potter estava a poucos metros de distância e não havia jeito no mundo mágico de Merlin que a tiraria dali sozinha.
Lily respirou fundo e fechou os olhos com força. Não podia acreditar que estava se rebaixando tanto.
- Potter, espera!
Era como se ele só estivesse esperando que ela dissesse aquelas palavras, porque se virou para olhá-la, um sorriso óbvio em seu rosto.
- Precisa da minha ajuda, então? – Em resposta, Lily apenas estreitou os olhos e o encarou.
Tomando como um pedido de socorro mudo, James desceu os degraus que faltavam e parou bem acima da garota.
- Com uma condição... – ele começou, levantando o indicador.
Podia sua noite ficar ainda pior?
- Típico – ela bufou, completamente aborrecida com tudo. Aborrecida com degraus defeituosos, aborrecida com os imbecis que se divertiam inventando esse tipo de coisa e aborrecida com James Potter, por ser tão não-James-Potter e tão James-Potter ao mesmo tempo.
James bateu o pé impacientemente.
- Na verdade, eu não costumo me encontrar nesse tipo de situação frequentemente... – O que ela não daria para arrancar aquele sorriso da cara dele com um soco...
Mas naquele exato minuto, sua coxa latejou dolorida e a circulação do sangue de seu quadril até seu pé estava parando. Era bem desconfortável. Gemendo, Lily suspirou.
- Qual é a condição?
- Normalmente eu não tiraria vantagem de você desse jeito... – Lily bufou, mas James continuou. – Mas eu sei que você nem escutaria meu pedido se não estivesse presa aí...
- Qual é a droga da condição, Potter?
- Eu preciso remarcar a patrulha de quinta-feira.
Lily olhou-o, completamente chocada por um segundo. Essa era a condição? Ela estava esperando algo... Bom, mais. Talvez um amasso no café da manhã no dia seguinte, fingir ficar com ele por uma semana, ou exigir que ela declarasse seu amor por ele no meio de uma aula de Transfiguração. Mas não, ele tinha que pedir justo algo que Lily não esperava. O que havia de errado com ele?
Vasculhou sua mente em busca de algum problema para aquele pedido também.
- Por quê? – ela perguntou sem paciência.
- Treino de Quadribol. Eu tentei marcar pra outro dia, mas a Dorcas tem alguma reunião de Feitiços e Jake tem aulas particulares na sexta...
Quadribol! Por que tudo tinha que envolver a porcaria do Quadribol? Porque a vida de James-idiota-Potter envolvia Quadribol, era por isso.
- Então você vai simplesmente largar suas responsabilidades?
James passou a mão pelos cabelos.
- Não, eu disse que quero remarcar.
- Não, fora de questão. Eu me recuso a fazer todo o trabalho sozinha, a dar notícias de última hora, rearranjar os horários dos Monitores...
- Evans – James disse, interrompendo seu sermão. – Eu já falei com o Remus e com aquela monitora Lufa-lufa do quinto ano e eles disseram que podem pegar o horário de quinta.
E lá estava ele, agindo todo responsável de novo. Lily se perguntou o que ele ganhava com aquilo. Sua raiva voltou, mas intensificada pela dor que ardia em sua perna entalada.
- Se eu descobrir que você não tomou conta de tudo... – ela ameaçou.
Tomando aquilo como um "sim", James segurou sua cintura velozmente e tirou-a do degrau tão fácil como se estivesse levantando uma pena. Lily desequilibrou-se um pouco; seu pé direito falhando em sustentar o peso de seu corpo de repente. Alisou suas vestes dignamente e bateu o pé que estava preso no chão, para que o sangue voltasse a circular. Recusou-se a encontrar seu olhar com o de James; recusou-se a agradecê-lo. Sabia que estava sendo infantil, mas ela francamente não se importava.
- Bom, então acho que te vejo amanhã na aula.
Finalmente ela o olhou.
- O quê? Não vai matar Poções?
James encarou-a, seu olhos brilhavam.
- E perder a chance de te observar a aula toda? Nah, eu estarei lá.
Como se ele tivesse mudado de possivelmente responsável de volta para o seu "eu" imaturo.
- Eu te odeio, Potter.
OoOoOoO
- Eu 'tô dizendo! – Lily exclamou, andando de um lado para o outro em frente à sua cama de cortinas. – Ele está me levando pra essa falsa sensação de segurança com o seu pequeno "ato de responsabilidade"!
No momento em que voltou de seus deveres de patrulha, Lily sentiu necessidade de desabafar e blasfemar sobre Potter para suas amigas. Marlene e Dorcas sentaram-se pacientemente em suas respectivas camas, assentindo algumas vezes e concordando com ela ocasionalmente enquanto Lily prosseguia com seu ataque. Alice e suas outras duas colegas de quarto já haviam adormecido há muito. Honestamente, era isso que Marlene e Dorcas gostariam de estar fazendo, mas perder algumas horas de sono era, às vezes, inevitável.
- Ele não é tão ruim... – Dorcas falou ao que Lily fuzilou-a com o olhar. – Er... Não mais - ela se corrigiu rapidamente. Lily sabia que Dorcas ficava em cima do muro às vezes. Afinal, James era seu capitão no quadribol, deveria haver algum tipo de lealdade ali.
- Não é tão ruim? – Lily indagou incrédula, fazendo gestos largos com as mãos, mas ainda tentando permanecer o mais quieta possível para não acordar suas colegas de quarto. – Por favooor! Debaixo daqueles cabelos pretos bagunçados há chifrinhos de diabo!
Marlene suspirou, afastando o cabelo do rosto e jogando-o por sobre o ombro.
- Lá vamos nós com o drama – Marlene disse, encostando-se na cabeceira de sua cama e observando suas unhas preguiçosamente.
Lily cruzou os braços desafiadoramente. Estava sendo dramática? Claro que estava! Mas era justificável? Duh, ela estava falando de James Potter, pelo amor de Deus!
- Tome – continuou Marlene, jogando um sapo de chocolate para Lily. – Coma.
- Ei, passa um pra cá – Dorcas pediu, as mãos abertas para receber a pequena sobremesa empacotada.
Desembrulhando seu pedaço de chocolate bem devagar, Lily deixou-se cair na cama atrás de si, as molas de seu colchão fazendo barulho. Houve um silêncio geral enquanto as três amigas comiam seus chocolates. Era quase uma hora da manhã.
Não havia nada melhor que chocolate; era a melhor coisa para se acalmar que já tinham inventado.
- Sabe – Marlene começou. – Você já pensou em dar uma chance ao James?
Uma expressão parecida com a que alguém que apanhara com um bastão de batedor tomou a face de Lily.
- Ew. Eu acho que acabei de perder meu apetite – ela respondeu séria, jogando a metade não comida de seu chocolate pra outra ponta de sua cama.
Dorcas sorriu, pegando o doce abandonado de Lily.
- Foi você quem o beijou três anos atrás.
- É! Porque você duas me desafiaram! – Lily defendeu-se, aumentando seu tom de voz. Suas amigas estavam sendo totalmente injustas! Melhores amigos tinham que ficar do seu lado, não do lado de quem você acabou por odiar com cada fibra do seu ser. James Potter e Lily Evans haviam sido feitos para brigar; eram pessoas diferentes. Ele era o senhor amigável, popular e arrogante Potter. E ela era a senhorita seguidora de regras, inteligente e pavio curto Evans.
Ruídos de uma cama atravessaram o dormitório ao que seu ocupante moveu-se rapidamente de posição.
- Você fala demais sobre James Potter, Lily – a voz cansada de Alice disse do outro lado do quarto.
N/T: Esse capítulo deu muuuuito trabalho. Bem que meu professor de Introdução à Normas disse que tradução é pesquisa. Tive de roubar um dicionário de phrasal verbs do meu pai por um tempo, consultar o Cálice de Fogo para ver como a Lya Wyler tinha traduzido trick step, Animais fantásticos e onde habitam e o Lexicon, claro.
Espero sinceramente que tenham gostado. Não vou sair fazendo promessas, porque eu tenho analisado minha vida e são raras as coisas terminei de fazer com o mesmo entusiasmo com o qual as comecei, e então eu as largo no meio. Mas como estou de férias, tentarei adiantar mais capítulos, ok?
Foi só eu, ou vocês também acharam que a Lily estava insuportável nesse capítulo?
Reviews com suas críticas e ameaças de morte!
Bia Black.
