TERCEIRO CAPÍTULO

Beta Dana Norram

Remus estava quase pegando no sono quando sentiu um movimento suave na beirada do colchão.

— Moony? Você já está dormindo?

— Sim. Estou. — disse Remus com a voz irritada.

— Sabe, Remus, é que está tão frio no meu lado do quarto. Será que eu posso dormir aqui com você? — falou com uma cara que daria inveja ao gato de botas do Shrek.

Remus olhou nos olhos do Sirius e o associou à imagem mental de um cachorro negro imenso com cara de pidão. Deu um suspiro sofrido e disse secamente:

— Claro, Padfoot. — e virou-se de costas para o animago cobrindo-se até as orelhas com o lençol, decidido a dormir.

Sirius prontificou-se, então, a entrar debaixo das cobertas de Remus, colando-se ao corpo do outro por trás.

— Aqui está bem mais quentinho. — sorriu e depois de pensar um pouco, enlaçou a cintura de Remus possessivamente com o braço.

"Um pouco quente demais ou é impressão minha?" pensou Remus.

— Pad... você está me apertando. Chega mais pra lá.

— Moony, eu tive um pesadelo agora pouco. Estou precisando de consolo... — disse Sirius deslizando a ponta do nariz na nuca de Remus e percebendo como ele se arrepiava e estremecia com o gesto — Vê, você também 'tá com frio, até 'tá tremendo. — Falando isso, apertou mais ainda o abraço colando o corpo no do outro e repartiu pequenos beijos na nuca do lupino.

— Sirius, para! — Remus estremece e tentou se afastar do animago, sem sucesso.

— Vamos, Moony — ele sussurra roucamente no ouvido do outro. — vamos fazer algo pra nos esquentar...

E recebeu um resmungo em resposta:

— Ha, Evans, eu vou esquentar você também...

Siriu bufou, apoiando-se nos cotovelos e olhando para as cortinas no lado onde a cama de James estaria. — Controle-se, James.

Remus aproveitou que Padfoot estava concentrado nos resmungos de James para tentar se afastar. Estava realmente ficando... uhn... quente demais ali.

— Ok, Padfoot, pode ir pra sua cama agora.

— Mas Monny, eu mal cheguei... — disse Sirius em um sussurro. — Não faça muito barulho. — e foi virando Remus para ficar de frente para ele, colocou a mão na nuca do outro e aproximando-o lentamente de seu rosto, começou a dar leves mordidas nos lábios dele. Remus se arrepiou e deu um gemido baixo, enlaçando o braço na cintura de Sirius. Quando Sirius cansou-se de morder e resolveu distribuir pequenos toques com a língua nos lábios de Remus um barulho de algo caindo e maldições resmungadas foram ouvidas. Eles arregalaram os olhos e ficaram imóveis quando viram através das cortinas da cama a luz na ponta da varinha de Peter se acender e ficaram alertas esperando os gritos e as reclamações por estarem fazendo aquilo no dormitório — eles tinham esquecido o feitiço de privacidade.

Após alguns segundos de suspense puderam respirar aliviados, pois Wormtail tinha saído do quarto. — Ele deve ter ido buscar alguma coisa para comer... — disse Sirius procurando continuar de onde tinha parado.

Remus cuidadosamente murmurou um silencio vendo um sorriso sacana se formar no rosto de Sirius. Afirmou, então, que era apenas para poupar maiores constrangimentos, já que Padfoot não saía de sua cama.

Deixou-se beijar e repetindo mentalmente "eu tenho controle sobre mim, eu tenho..." como um mantra.

— Hnn...

Sirius sabia que Remus estava se controlando e, precisava admitir, aquilo era um tanto divertido. Discretamente então colocou uma das mãos nas costas de Remus e lentamente foi descendo, até apertar sua bunda.

SIRIUS!

O animago aproveitou a deixa para aprofundar o beijo e se posicionar melhor.

"Ok, a situação estava se agravando", pensou Remus. No sentido de... aumentar da coisa. Por que as mãos de Padfoot já haviam passado demais da linha permitida e as pernas dele estavam bem encaixadas demais e a boca dele na curva de seu pescoço era quente demais.

E... e Remus não conseguia mais respirar direito. Digo, não sem gemer.

— Padfoot... Pad... para!

— Oh, isso, vai, Evans... — ouviu-se um gemido longo — Isso, Merlin, — outro gemido longo — nham, nham, — sons de alguém virando na cama. — Evaaaaaaaaaaans...

— CARALHO, James! Como é que uma pessoa consegue falar dormindo e praticamente me brochar ao mesmo tempo? — falou Sirius com raiva pela interrupção. — Moony, você não conhece um feitiço que além de fazer esses dois não ouvirem a gente, nos impeça de ouvir o James tenho sonhos eróticos toscos? Puta que pariu, como é que você trepa com alguém chamando a pessoa pelo sobrenome?

— É, você tem um ponto — Remus conseguiu dizer, aproveitando a deixa para respirar e ao mesmo tempo colocar alguns bons centímetros entre seu corpo e o de Sirius — Não podemos continuar nestas condições, isso não está certo, não aqui — concluiu o lobisomem apressadamente empurrando Sirius para fora de sua cama, antes que o bom senso lhe escapasse novamente.

Sirius olhou incrédulo para Remus, exclamando com a voz num tom agudo. — Moony! — pegou os pulsos de Remus com as suas mãos e jogou-se por cima dele. Sirius, então, sussurrou contra a boca dele sensualmente:

— Você não vai escapar de mim assim tão fácil, Moony.

— Hm, Evans sua safadinha... — Remus deu uma risada nervosa apesar da situação, vendo vincos de irritação surgirem na testa de Padfoot. E James continuou: — Eu sei, eu sei, mas eu sou carinhoso, minha flor... Não...O Sirius é... um idiota...

O corpo de Remus sacudia pelas risadas nervosas, acompanhando com os olhos Sirius sair de cima de si, porém, segurando seus dois pulsos com apenas uma mão para então pegar um sapato seu, afastar a cortina e jogar o sapato na cama ao lado. — Cala a boca, seu maníaco-sexual-adormecido! 'Tá me brochando com esse negócio!

Remus estava novamente debaixo de Sirius, sua boca sendo tomada com ânsia e paixão num beijo caloroso, tirando o fôlego de ambos. E embora Remus tenha tentado afastá-lo um pouco, Sirius conseguira prender seus pulsos novamente, desabotoar sua camisa e abaixar sua calça. A boca de Sirius só queria sentir a maciez da pele do lobisomem, atacando-lhe o pescoço com mordidas, lambidas, deixando marcas. E seu corpo só queria sentir o calor do outro.

Neste exato momento Peter carregando um... lanchinho nas mãos, voltou para o dormitório. As cortinas da cama de Remus estavam fechadas, mas ele podia ver muito bem a cama mexendo-se levemente, fato que o preocupou um pouco.

Remus tinha um bocado de pesadelos e sempre reclamava pelos incômodos que estes causavam na sua disposição nas aulas. Peter, que é um bom amigo e quer se assegurar para que Remus esteja bem disposto para lhe ajudar com os deveres, digo, para estudar, resolve fazer algo a respeito.

Assim sendo, ele abre as cortinas.

— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! — um grito terrível corta o silêncio tranquilo da noite acordando meio castelo — inclusive o jovem da cama ao lado que, desperto em sobressalto, logo buscou pelos óculos para certificar-se de que realmente estava vendo... er... aquilo que estava vendo.

Lançou um olhar severo de repreensão sobre seus amigos que se desabalaram sobre a cama catando suas roupas e se cobrindo. Foi neste instante que uma multidão de grifinórios enfiou-se pela porta do dormitório querendo saber que terrível tragédia abatera-se sobre eles.

Peter olhou para James desesperado. "E agora?", pensou. Tudo estava perdido, eles iam descobrir e os marotos seriam motivo de piada para toda escola. Mas então, iluminado por uma ideia genial, como se o susto finalmente tivesse acordado seus neurônios, Peter disparou para James:

— Uma barata. Mata! MATA!

James, que em seu estupor ainda segurava nas mãos o sapato atirado por Sirius, captou a mensagem e desandou a dar sapatadas no colchão de Remus.

Os grifinórios voltaram para suas camas, reclamando em altas vozes coisas do tipo "só os marotos mesmo" ou "que tipo de cara fica apavorado com uma barata?" ou até "nossa, o Lupin estava mesmo vermelho, ele devia estar com vergonha do Pettigrew!".

E assim que a porta foi fechada, James exclamou:

— Criem vergonha na cara e vão dormir agora. E em camas separadas, seus pervertidos!

Virou-se raivosamente e fechou as cortinas com um estrondo.

Peter estava em choque. Remus estava vermelho da cabeça aos pés, ainda nu atrás das cortinas de sua cama para esconder-se. Sua respiração estava acelerada, os lábios inchados e uma carranca na face enquanto olhava Sirius.

— Eu não deveria ter me deixado levar, nem que fosse um pouco. Por essa cena vergonhosa, três semanas sem beijos, muito menos sexo, pra você, Padfoot! — empurrou-o para longe da sua cama e fechou as cortinas, bufando.

— É isso aí, Remus! — apoiou James de trás das cortinas cerradas. Sirius raivoso atirou-lhe o outro sapato e arrastou-se desolado para sua cama, enquanto resmungava todos os palavrões que conhecia.

Continua...

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