Yo! o/

É ultra mega super-hiper evidente que Fullmetal Alchemist não me pertence, mas sim, é criação de Hiromu Arakawa. E não possuo fins lucrativos com essa fic.

Obs: este capítulo contém violência e morte! Não sei classificar o nível, portanto leia por sua própria conta e risco. Apesar de eu já ter visto piores.


Ametris, Linie – 29 de Fevereiro de 1917

Conflito contra o exército nitocriano

- Agora! Lancem as granadas agora, vai! – Havoc ouviu um tenente gritar e não hesitou em cumprir o que ele ordenava. Arrancou o pino e lançou a granada o mais longe possível da barricada onde se encontrava protegido. Outros fizeram o mesmo. Logo vários focos de explosões se fizeram ouvir junto aos gritos dos soldados atingidos. Os estrondos mal se fizeram ouvir e a mesma pessoa já estava gritando de novo:

- Avançar!

"Droga" não pôde evitar dizer. Essa era uma das piores partes, ter de abandonar um lugar seguro para enfrentar o desconhecido. E infelizmente praguejar era o máximo que ele podia fazer para amenizar a tensão.

- Vamos. – o tenente disse firmemente em sua direção antes de sumir por trás dos destroços que os escondiam. Deu um suspiro como se quisesse relaxar, o que era impossível, e seguiu o companheiro.

O outro lado da barreira mostrava uma área tão destruída quanto qualquer outra parte daquela cidade, que no momento não existia mais. Linie era um lugar pequeno localizado entre a Central e o sul do país, um local tão isolado e esquecido pelo mundo, que seus habitantes nem se preocuparam em formar ou ter resistências armadas pelas proximidades. E ali estava o resultado de seu acomodamento: Quartel do Sul e QG Central se sentindo na obrigação de proteger aquela população. Nada pôde ser feito quanto à destruição daquele lugar. Em apenas um mês, as duas potências conseguiram transformar radicalmente a paisagem de Linie, mas pelo menos a evacuação dos habitantes foi um sucesso.

E naquele momento o solo de Linie estava encoberto por escombros e corpos de soldados mortos.

Todas essas informações passaram rapidamente pela mente de Havoc enquanto ele corria pelas devastadas ruas. Breda e mais uma dezena de oficiais do exército estavam em seu encalço, enquanto outros se distribuíam em áreas diferentes. Riza, Fallman e Fuery estavam entre estes. As ordens eram claras e se resumiam em: cercar Linie, avançar e destruir qualquer inimigo que vissem pela frente.

CABOOM!

- Argh! – dois soldados amestrianos deram de encontro com uma mina e voaram longe.

- Eles colocaram minas! – Breda, a alguns metros de distância, falou em um tom de espanto.

- Quando conseguiram tempo pra isso? Desgraçados! – Havoc disse e em seguida praguejou. Quase fora atingido por um bloco de granito originado da recente explosão. Enquanto se desviava do 'projétil', um vulto apareceu de repente em sua frente. Foi aí que tudo aconteceu como em câmera lenta.

Um homem alto e fardado com os trajes do exército nitocriano, expressão de determinação e vitória, vinha com uma faca no objetivo de cortar o pescoço do loiro. Havoc levou a mão ao próprio revólver que estava no coldre, ele não possuía armas de curto alcance e logo não existiria espaço para usar sua arma. Com isso, decidiu que iria desarmar o inimigo e tentar um mano-a-mano. O soldado já estava quase para desferir-lhe o golpe enquanto ele mal havia feito sua decisão de ataque. Infelizmente esse detalhe iria lhe custar a vida. Um segundo soldado nitocriano já entrava no campo de visão do loiro, um pouco atrás do primeiro.

- Inimigos em frente! – Ele ouviu alguém gritar tardiamente. "Tardiamente para Havoc" era o que se podia pensar.

Até que...BAM! Um disparo ao longe levou o portador da faca ao chão, sem vida. Desta vez o segundo-tenente não perdeu tempo e tratou de eliminar o soldado seguinte, antes que entrasse em outra enrascada.

Havoc não precisou olhar para trás pra descobrir a pessoa responsável por mantê-lo ileso. E se sentiu mais tranqüilo ao lembrar que estava sob o olhar de um falcão.

Nitocrianos começaram a aparecer de várias partes e, instantaneamente, a real disputa daquele dia começou. E em seu decorrer, de cima de um prédio em estado deplorável, Riza continuava a ajudar os companheiros que de sua ajuda necessitavam.

Enquanto isso, no subterrâneo de Linie...

Um homem alto e de longos cabelos castanhos, amarrados em um rabo-de-cavalo, era perseguido pelos corredores de um laboratório, cuja existência era desconhecida até mesmo pelo governo amestriano. Experiências aberrantes eram feitas sob os pés de centenas de pessoas que nem mesmo em seus sonhos mais delirantes conseguiriam assimilar essa possibilidade.

- Não adianta correr Dr. Herman! Eu já te encontrei e ninguém consegue escapar de mim! – disse o jovem comandante das tropas de Nitocris, alguns soldados de reforços acompanhavam-no.

Eles estavam naquela caçada já fazia um bom tempo e ainda não haviam alcançado o médico pesquisador, isso se tornou enjoativo. No entanto, ao virar a esquina de mais um corredor, Herman acabou se deparando com uma sala sem saída. Estava encurralado.

-Ora, ora, ora, finalmente chegamos ao clímax dessa perseguição. – o comandante falou de forma debochada. – Se tivesse permanecido na Central, doutor, talvez tivesse sobrevivido por mais tempo – e olhando para seus companheiros – Esse é o último lugar que falta, revistem-no!

- Sim senhor!

- Não vão conseguir o que querem, eu não terminei minhas pesquisas. – o médico falou. – Todas as experiências que fiz aqui após deixar Nitocris foram tão imperfeitas, quanto as que deixei lá. Olhe ao seu redor!

A sala em que estavam, era ocupada por dezenas de cápsulas de vidro com cerca de dois metros e meio de altura. O conteúdo de cada uma consistia em um líquido esverdeado, onde boiava inerte um ser que se assemelhava a uma medonha quimera.

- Isso é o que você diz, mas encontramos um objeto pessoal nos seus aposentos. – faz sinal com as mãos e um soldado retira da própria mochila um caderno azul de capa dura, entregando ao comandante – Seu diário, onde você faz referências a uma pesquisa paralela perfeita que lhe "levará á glória e poder". – leu a última parte. – Também encontramos a primeira parte das suas pesquisas. – folheando o diário – O conteúdo restante mostra claramente as suas intenções em se tornar reconhecido mundialmente através de um exército imbatível. Nega isso?

O Dr. Herman permanece calado.

- Foi o que pensei. – continua o outro – Não vamos permitir que seu objetivo se concretize, porque esse desejo já tem dono: Nitocris. Você trabalhava para nós e nos traiu, agora vai ter que pagar.

- E o que vai fazer? Irá me matar? Não vão conseguir construir um exército perfeito sem a segunda parte de meus estudos.

- Senhor! Encontramos. – um tenente, ex-assistente de Herman, falou animadamente.

- Ótimo! Recolham tudo e preparem-se para retornar à superfície. E quanto a você... – pega uma arma e atira nos joelhos direito e esquerdo do médico, que ficou se contorcendo de dor no chão – morra com suas aberrações! – começa a dirigir-se à saída – Quando deixarem esta sala, certifiquem-se de que tudo o que está dentro dela, seja consumido pelo fogo.

- Sim, senhor! – todos os outros disseram.

- Uau! Até que não foi tããão difícil – um jovem soldado falou – e nem precisamos usar aquelas 'coisas' que o Marechal nos enviou.

- É verdade! Se bem que eu gostaria de ver do que eles são capazes de fazer. Dão medo só de olhar.– um respondeu e todos os outros concordaram. Foi aí que o comandante lembrou de sua outra missão: testar as experiências que Herman deixou para Nitocris.

- Pois logo sua curiosidade irá acabar. Depois que terminarem o serviço – olha para o pesquisador encolhido no chão – vamos liberar os Colossos. – declara e sai da sala.

Os remanescentes ficaram boquiabertos por um tempo antes de retornarem para as suas tarefas. Não poderiam perder isso por nada.

De volta à superfície...

Estava escurecendo. Parecia que todos os inimigos dos amestrianos estavam concentrados naquela área da cidade. Se um caísse sempre tinha outro para o substituir e se não caísse se acumulavam.

- Que diabos! De onde eles estão vindo? – Breda perguntou impressionado, enquanto recarregava nervosamente sua escopeta.

- Sei lá. Parece que estão caindo do céu – respondeu Havoc meio transtornado. Mal sabia ele que os nitocrianos, na verdade, subiam do subterrâneo. (N/A: XD)

Já fazia um bom tempo que os dois estavam atrás de um muro cheio de buracos, pelos quais miravam e atingiam seus alvos. Pelo menos não se encontravam em campo aberto, já que estavam rodeados de escombros de prédios.

- Rapazes! – Riza os localizou e se juntou a eles – Parece que o líder das tropas inimigas está por aqui. – informou enquanto se equipava com um rifle de alto alcance.

- Oh! E temos algum plano contra ele? – Breda perguntou. Em seguida, atira pelo buraco e um "Argh!" é escutado ao longe.

- Captura-lo para interrogatório, no mínimo. Mas nenhum dos nossos conseguiu descobrir sua posição – respondeu se dispondo próxima ao muro.

- Que ótimo. – disse Havoc, não apreciando nem um pouco o que ouviu.

- É, eu sei. – falou a loira. Se existia algo mais detestável do que uma guerra, era participar dela sem ao menos uma grande desculpa. Capturar alguém do alto escalão, que se sente na autonomia pra dizer o que quer, talvez fosse a chave para esclarecer todas as dúvidas sobre aquele conflito. Ou talvez não. "O que eles tanto querem nos esconder? Por que todo esse mistério?" Pensava Riza.

De repente suas divagações foram interrompidas por um pequeno tremor que parecia vir das profundezas da terra e aumentava cada vez mais, como se algo lá embaixo estivesse se aproximando. Decididamente aquilo não tinha relação com as explosões que ocorriam ao seu redor.

- Estão sentindo isso? – ela perguntou.

- Isso o quê? – perguntou Havoc. Mal ele acabou de fechar a boca e um barulho de asfalto rachando pôde ser ouvido.

- Está embaixo de nós! – constatou a tenente, enquanto uma rachadura se ramificava para além do muro. – O chão vai ceder. Vamos sair daqui!

Eles correram.

Uma fenda se abriu no chão engolindo o local onde antes os três ocupavam, incluindo o muro. À medida que fugiam, a fissura ia em direção ao trio. A cada passo que davam a pavimentação desabava. Só pararam de se distanciar quando o solo não deu mais sinal de que iria continuar a cair.

- Mas o que diabos está acontecendo aqui? – perguntou Breda, um pouco eufórico por causa da adrenalina.

- Não faço a mínima idéia. – respondeu Riza, impressionada pelo o que acabara de ocorrer.

Sem a parede, que há poucos segundos os protegia, deu pra visualizar todo o caos que havia do outro lado. Os nitocrianos estavam recuando rapidamente. E aparentemente, havia outros focos de desabamento.

- Ha! Eles estão fugindo. – Havoc gritou em tom vitorioso.

Mas a alegria não durou por muito tempo. Um som veio dos destroços do chão que acabara de cair.

- Hm? Tem algo ali. – Riza falou e os outros dois olharam em direção ao buraco.

Passaram-se alguns segundos até que uma mão do tamanho de uma tampa de lata de lixo emergiu de lá. E logo em seguida o dono dela. Todos ficaram sem ação por um tempo, como se não estivessem acreditando no que estavam vendo.

Ele tinha aproximadamente três metros e meio de altura, era humanóide. Seu corpo não era coberto por pele, parecia estar em carne viva e sua mão esquerda possuía uma garra de enormes navalhas. Elevando sua face em direção ao céu, soltou um grito estridente e macabro que dava frio na espinha. Outros gritos idênticos foram ouvidos, o que indicava haver mais daquela coisa por ali. Esta estava de frente para nossos militares, que estavam encurralados pelas laterais.

- Mas o quê que é isso? – Breda perguntou pausadamente e quase sem ar.

A criatura os mirou e começou a caminhar na direção deles. Um passo com seu enorme pé provocava ligeiros tremores. Riza pegou sua pistola e começou a atirar, sendo acompanhada por Havoc e Breda. Nada acontecia, as balas atingiam seus músculos espirrando um pouco de sangue, mas o monstro continuava a caminhar firme e forte.

- Não está funcionando. – Havoc anunciou o óbvio. Eles começaram a correr para tomar distancia, mas mesmo só andando aquela coisa ainda continuava próxima deles.

- Temos que achar algum modo de parar ele, antes que nos alcance! – Riza falou. Se balas não adiantavam, o que eles deveriam fazer? "Pensa!".

De repente a criatura solta um som de impaciência e aperta o passo. É claro que ela não precisou de muito para alcança-los.

- Aaaaaaah! Essa não! – Breda grita ao ver a enorme mão do monstro vindo em sua direção. Já se imaginava morto.

- Pro lado Breda! – Havoc queria que o companheiro se movesse de alguma forma, mas já era tarde demais. Ele fora atingido em cheio e arremessado a vários metros, só parou quando atingiu um grupo de caixas que estavam por ali. Ficou inconsciente.

A criatura pára e dá outro grito estridente, como se estivesse feliz. Riza e Havoc aproveitam o momento para ir em direção a Breda. Agarram-no e o arrastam para entre as caixas, onde se escondem. "Como se isso fosse adiantar" Havoc pensa enquanto observa Breda. Sangue descia por sua nuca. "Por favor, não morra."

- Argh! O que vamos fazer? Não vamos poder nos mover com ele desacordado e neste estado. – o loiro diz em pânico.

"Como? Como vamos despista-lo?" Riza pensa enquanto ouve os gritos da criatura. "As granadas acabaram e as únicas armas alternativas que temos são as facas" e é lógico que facas não adiantariam de nada.

- Se pelo menos ele não nos visse, nós poderíamos entrar em um dos prédios mais à frente e fugir tranqüilamente por uma rota alternativa. – Havoc disse, e isso iluminou os pensamentos de Riza.

- Tive uma idéia! – Riza diz com um ar mais esperançoso, enquanto ergue o seu rifle. – Havoc, leve o Breda e tome distância.

- Espera! O que vai fazer?

- Vou garantir que 'aquilo' não nos siga.

Havoc não conseguia ver como ela poderia parar aquela coisa com um rifle. Mas não teve tempo de dizer sua observação, pois a loira já havia saído. Um tremor pôde ser sentido, a criatura estava se movendo outra vez.

- É melhor essa sua idéia ser muito boa, tenente. – disse antes de começar a arrastar Breda outra vez.

O monstro estava a alguns metros de distância e retornou a andar lentamente.

- Ótimo! Continue assim – Riza sussurrou enquanto utilizava a mira de longo alcance do rifle. Havoc acabava de sair por entre as caixas quando viu a cena. "Mas o que ela pensa que está fazendo? Balas não funcionam!"

- Continue Havoc! Eu sei o que estou fazendo. – a tenente falou como se soubesse o que o loiro estava pensando. Este, meio a contra gosto, obedeceu. Afinal ela era uma superior.

Riza com um pouco de dificuldade, pois a luz já estava escassa, mirou em um dos olhos do monstro e atirou.

- Gyaaaaaaaaah! – dessa vez o grito foi de dor. Ele ficou um pouco enfurecido também, pois, desnorteado, começou a esmurrar as paredes ao lado, provavelmente procurando a sua agressora. Tijolos começaram a cair no chão.

A aberração começou a andar desorientada e, em pouco tempo, chegou perto da atiradora. Não dava para mirar no outro olho e Havoc não tinha se afastado o suficiente. O jeito era distraí-la antes que se acalmasse. No entanto, sem aviso, a monstruosidade dá alguns passos apressados em direção a Riza. Esta quase é esmagada por um enorme pé, mas por sorte consegue se desvencilhar e passar por debaixo das pernas da criatura.

Percebendo o movimento, o monstro tenta virar e dar um soco na mulher, mas pelo lugar ser estreitado, acaba acertando um prédio arruinado ao lado e toneladas de concreto caem no espaço entre o gigante e os companheiros de Riza.

- Essa não. – Havoc sussurra ao perceber a situação em que a tenente se metera.

Do outro lado dos entulhos, a criatura já estava um pouco mais calma e Riza se encontrava entre a fenda e o monstro. A militar estava aliviada por seus amigos estarem seguros, mas apreensiva por estar se sentindo desamparada. Ela não conseguiria sair dali com 'aquilo' ao seu encalço, então resolveu atingir o outro olho para distraí-lo. A distancia era razoável, apenas mirou e atirou com perfeição, pondo a 'coisa' em mais um ataque de desespero.

A criatura entrou noutra sessão de murros nas paredes, enquanto agitava sua garra de forma aleatória. A loira se preparou para fugir. Em um dado momento, a aberração caminhou e se moveu de tal forma, que as navalhas foram em direção a Riza. Esta tentou se esquivar com o intuito de escapar pelo buraco no chão, bem adiante. Se conseguisse alcançar e atravessar o vão, provavelmente, a criatura ofuscada nunca a apanharia. Mas não conseguiu. Não desta vez.

A única ação que a militar pôde executar desde o disparo da arma: fora a de dar meia volta, para em seguida ter o dorso cortado por três lâminas afiadas. No início ela não sentiu nada, porém foi um tempo curto demais entre a agressão e a dor.

A existência das três profundas incisões nas costas fez com que a tenente caísse e começasse a gemer de tormento. Sentia um terrível ardor em toda a sua extensão lombar, como se sua pele tivesse sido queimada e não dilacerada. Tentou se arrastar, mas não deu. A dor era grande demais para continuar a fuga.

O monstro continuou batendo na parede ao lado, cego e alheio ao fato de que havia acertado sua vítima. Consideráveis pedaços de concreto caiam no chão, enquanto um buraco era aberto, mais um pouco e a criatura poderia passar por ele e continuar a destruir qualquer coisa que alcançasse com seu punho ou garra.

- Tenente! Tenente, você está bem? – Riza conseguiu distinguir a voz desesperada de Havoc entre todos os sons que povoavam aquele lugar. Explosões, tiros, a parede sendo estraçalhada, gritos humanos e não humanos. Do outro lado da divisória o companheiro lhe chamava.

Mas ela não teve forças para responder o amigo. Havia perdido muito sangue e já estava em um estado de semi-inconsciência. O sons estavam ficando longe, já não sentia tanta dor e tudo estava tão escuro. Mas antes de perder totalmente os sentidos, ainda arranjou tempo para uma boa lembrança:

"Roy"

Distante dali, antes do escurecer...

O comandante das tropas de Nitocris observava maravilhado pelo binóculo a eficiência dos Colossos.

- Incrível! Realmente muito bom. – falava enquanto via uma das criaturas permanecer de pé, mesmo tendo sido atingida por um explosivo. – Tão fortes e ao mesmo tempo tão frágeis. – disse enquanto baixava o objeto óptico. – Muito bem pessoal! Por enquanto, nossa missão acaba aqui. Voltaremos para casa.

- Não vamos levar os espécimes sobreviventes conosco? – perguntou um militar.

- Não. – o comandante diz de forma pesarosa – Por incompetência do Dr. Herman, eles morrem em poucos dias depois de retirados dos tubos. Não são resistentes depois de um tempo em contato com o meio externo, portanto não vamos ficar carregando peso morto.

- Entendo. Mas agora, que temos as novas pesquisas... Da próxima vez teremos um exército mais poderoso.

Ametris, Central – 02 de Março de 1917

Algum bar sujo e mal freqüentado

Era noite e estava chovendo. Um homem alto, encapuzado e coberto por uma capa marrom, entra e vai diretamente a uma mesa nos fundos, já ocupada. Sem cerimônia e sem dizer uma palavra, senta-se de frente para o único ocupante.

- Ah! Nada melhor do que um bom sake pra esquentar estes dias. – o último disse alegremente depois de dar um longo gole na bebida. – E então, como foi em Linie? – perguntou sem rodeios para o que acabara de chegar.

- Como você planejou, Julius Herman. Fiz o que me pediu. – o homem finalmente falou. Também aproveitou o momento para retirar o capuz e revelar os cabelos castanhos amarrados em um rabo-de-cavalo.

- Uau! Você realmente é idêntico a mim, sem aquela barba e os cabelos loiros. – falou admirado – Mas lembre-se: Dr. Herman morreu. Estou pensando em mudar de nome agora. Tem alguma sugestão? – disse despreocupadamente enquanto dava outro gole de sake. O outro aparentava estar desconfortável com o rumo casual daquela conversa.

- Por que não me disse que as suas experiências envolviam monstruosidades criadas como arsenal de guerra? – perguntou bruscamente. Ele havia sido perseguido pelo exército de Nitocris, a fim de salvar o pescoço do verdadeiro doutor e acabou descobrindo que ele próprio fora enganado. Certo que ele não teve problemas nem mesmo em escapar de Linie, afinal ele era imortal. Disfarçado de Herman, fingiu que havia morrido queimado, enganando o exército de Nitocris. Depois disso tudo, ele merecia saber a verdade.

- Ué! Você nunca perguntou. – falou "inocentemente" e o outro permaneceu sério – Qual é. Nós sempre fomos grandes amigos. E você é a única pessoa que conheço, que não morreria nessa missão.

- A questão não é essa. O problema é que eu não gostei do que vi em Linie. Sei que somos grandes amigos, ainda me lembro de quando você era uma criança. – suspiro – E estou muito grato por ter me dado notícias e ter cuidado da minha esposa em seu leito de morte... Mas tudo tem um limite.

- Está rompendo nossa amizade? – perguntou o doutor, já perdendo o alto astral.

- Não é isso, só estou querendo dizer que seja lá o que esteja tramando com essas experiências: pare.

Herman quase se engasgou com a bebida. Aquele cara só podia estar brincando. Os últimos resultados dos experimentos haviam sido um sucesso e seu novo laboratório era o máximo. Nitocris havia levado o que queria: a notícia de sua morte e uma pesquisa um pouco melhorada, nada que se comparasse com a verdadeira fórmula, mas eles não precisavam saber disso claro. Ele finalmente ficaria em paz depois de tantos sacrifícios. Nunca que ele abandonaria seus projetos.

- Hum, bem... Vou pensar no caso. – disse secamente e o sósia, óbvio, não acreditou.

- Seria bom mesmo. – o outro disse já se levantando – E lembre-se, a partir de agora eu não terei nada a ver com o que você fizer, mas estarei de olho. – Recoloca o capuz e sai do bar para a noite chuvosa.

Herman fica lá, sentado, pensando por um tempo sobre a última frase do sósia, até que abre um discreto sorriso e diz:

- Pobre imortal, tenho tanta pena. Mal sabe que tudo o que está acontecendo é por sua culpa: Hohenheim. – depois grita – Hei! Tragam mais um pouco de sake pra mim.


Bem, chegando ao final de mais um capítulo, espero que vocês tenham gostado. O que duvido, mas não custa nada sonhar né?

Rsrsrsrsrsrsrsrs.

Pois é. O exército estava atrás do Herman (mais um OC), que na verdade era o Hohenheim disfarçado. Nem precisava fazer todo aquele mistério no segundo capítulo, mas como eu não queria correr o risco de escrever alguma asneira que comprometesse o resto da história...

Enfim, até o próximo cap.