Capítulo 2

1990

Faltavam pouco mais de dez minutos para a uma da tarde. O almoço estava quase pronto, e Snape tinha pedido para Harry ir buscar pratos, talheres, copos, entre outros e para pôr a mesa.

O menino imediatamente fez o que lhe foi pedido. Com Snape fora da sala, Harry andou até ao armário e abriu, começando a pegar nas coisas e colocar em cima da mesa de madeira. Ao ir buscar o último copo , reparou em uma saca meia escondida, talvez intencionalmente, na parte mais baixa do armário. Olhando rápido para ambos os lados, e não vendo ninguém, se abaixou e tentou ver dentro da saca.

Reparou num embrulho dentro, de cor bordô, que não tinha uma grande dimensão. Ficou curioso, mas teria que rasgar o embrulho e sabia que isso não podia fazer.

- Harry, está pronto. – Ouviu Snape dizer. Muito rapidamente, se levantou de novo e, pegando então em mais um copo, fechou as portas do armário com mais força do que queria, e se afastou.

Uns minutos depois, ambos estavam sentados a mesa, comendo em silêncio. Ocasionalmente, olhava para o seu lado direito, onde mais longe estava o armário, coisa que não passou despercebida a Snape, por mais que Harry tentasse disfarçar.

- Em que é que está tão interessado hoje? – O homem perguntou, pousando os talheres e olhando ele, o que o fez engolir em seco. – Fica sempre olhando para o lado quando está a comer.

- Ah, não é nada. – Respondeu. – Só estava pensando.

Snape levantou a sobrancelha, ainda olhando o menino e levou alguns segundos para responder.

- Tudo bem então. Come, se não fica frio.

Harry assentiu levemente com a cabeça e levou o garfo à boca. Apenas dois minutos depois, levantou a cabeça e olhou para o homem ao seu lado.

- Severus?

- Sim, Harry?

- Bem.. é só que eu fiquei curioso.. – Ele começou. – Está uma saca, com um embrulho, dentro do armário, e eu me perguntei.. o que seria.

- Isso não é nada. Apenas algo que me foi dado à uns anos atrás, nada que precise de saber. – Snape respondeu, continuando a comer, sem olhar ele. Harry apenas aceitou a resposta, embora não fosse o que esperava receber. Sabia bem que insistir, provavelmente não ia dar em nada, e na verdade não queria incomodar com isso.


Dois dias depois, Harry ainda pensava na saca que tinha visto. Sabia bem que o mais sensato seria deixar o assunto, mas ele não conseguia deixar de pensar e também sentir, por alguma razão, talvez a maneira como Snape lhe tinha respondido, que o conteúdo não era apenas algo desinteressante que lhe tinham dado.

Eram quase sete da manhã. Harry tinha planeado acordar mais cedo do que o normal, e mais cedo do que achava Snape normalmente acordar, para assim poder ver o que realmente estava na saca, e não ser apanhado. Se levantou e começou se dirigindo até à sala. As janelas abertas deixavam a luz da manhã, que ainda não era muita, entrar, mas era o suficiente para que tudo pudesse ser visto claramente. Como tinha pensado, tirou a saca do armário, deixando este aberto quando se foi sentar no sofá com ela.

Cuidadosamente, retirou o embrulho. Depois, lentamente e tentando fazer o mínimo de barulho possível, foi rasgando o papel. Não se apercebeu logo do que era o que tirou do embrulho. Parecia ter mais de duas cores, mas as que predominavam eram o preto e o verde escuro. Ao tocar, sentiu que o tecido era extremamente macio. Pouco depois, se apercebeu que deveria ser um manto. Colocando ele à sua volta, ficou mais que extasiado. Com os olhos arregalados e a boca meia aberta, tentava olhar para si mesmo de alto abaixo, mais que uma ou duas vezes, não só para admirar ainda mais o que estava vendo, mas para ter a certeza que era real.

Parte do seu corpo estava invisível. Obviamente sabia agora algumas coisas sobre o mundo mágico, e tinha visto algumas outras também, que Snape lhe tinha mostrado mas ele ainda ficava simplesmente entusiasmado quando via coisas assim.

Isso é espetacular, Harry pensava, sorrindo abertamente. Depois de tirar e voltar a colocar o manto mais algumas vezes, voltou a se sentar, colocando o manto em cima das suas pernas e reparando também numa carta caída no chão, que presumiu ter caído do meio da peça quando se tinha levantado.

Quando pegou, ficou mais que surpreendido ao ver 'Para Harry' na parte da frente. Agora ainda mais tentado a descobrir tudo aquilo, abriu o envelope e o pedaço de pergaminho que estava dentro com pressa, começando a ler o que dizia.

Harry,

esse é um Manto da Invisibilidade, se ainda se está perguntando.

Eu quero que fique com ele, como meu presente. Ele está na nossa família faz muitos anos, é muito antigo e um bem precioso.

Não pode cair nas mãos erradas e, se lembra sempre que ele pode te proteger. Sei que se for como eu, se sentirá tentado a pegar no manto em diversas ocasiões, mas use-o bem.

Nunca se esqueça que te amamos muito,

seu pai, James Potter.

Harry se sentiu emocionado. Só conseguiu ficar sentado, com a carta nas mãos, relendo. Porém, uns minutos depois, ouviu um pigarrear perto de si. Olhando para cima, viu Snape na sua frente, ainda com o seu pijama vestido e com um ar de quem esperava não estar a ver o que sabia que se estava a passar.

- O que está fazendo, garoto? – Perguntou.

- Eu? – Harry disse, agarrando a carta com mais força e mantendo ela perto de si. – Eu estava apenas a abrir o meu presente.

- E quem te deu o direito de mexer na saca? Falamos sobre isso, mas eu não me lembro de dizer que poderia vir aqui sem o meu consentimento e simplesmente abrir.

- É, eu não recebi o seu consentimento. Mas, pelo o que eu li nessa carta aqui, aparentemente eu tenho todo o direito sim. – Harry disse. – Porque é que estava escondendo isso de mim? Não me pensava dar isso nunca?

- Harry, não me olha assim. – Snape disse, reagindo ao olhar de descontentamento e desilusão que o menino tinha. – Eu sabia que isso era para você, mas eu nem sei de quem é, ou o que era.

- Eu acho que sabia perfeitamente de quem era. – Ele disse, abanando a cabeça levemente em negação. – Eu já me apercebi nunca gostou do meu pai, e eu não sei porquê, mas assim como minha mãe, ele me amava. E assim como ela, ele está morto. Isso é a única coisa dele além de uma fotografia. Eu tinha o direito..

Quando Snape nem retorquiu, ficando apenas a olhar o menino, Harry, com a carta em uma mão e pegando o manto com outra, se levantou e começou a andar rápido até ao seu quarto.

- Harry! – O homem chamou, mas não resultou em nada. A porta a fechar se fez ouvir. Ele suspirou, com um estranho sentimento de arrependimento dentro de si. Por mais que não gostasse de admitir, ele se preocupava com o menino.


1991

Não fazia muito tempo que Harry tinha feito 11 anos. Ele tinha recebido uma carta de Hogwarts, com a qual ele tinha ficado extremamente entusiasmado, e não percebeu quando Snape não reagiu tão animadamente como ele. Ficou bastante chateado quando, uns dias depois, Snape lhe tinha dito que ele não iria para Hogwarts naquele ano. Pensou que deveria ter haver com o facto de que Snape também não dava mais aulas na escola, sabendo que ele o tinha feito antes de ficar com ele.

Mais rapidamente do que ambos pensavam, Harry ultrapassou essa situação e tudo estava agora normal. Naquela manhã, de sol aberto e pouco vento, Snape tinha dito que ambos iam à Diagon-Al, para comprar alguns itens necessários para Harry começar a estudar, e para Snape lhe dar aulas diariamente.

Com isso, Harry se sentiu de novo animado e satisfeito. Não demorou muito para ambos lá chegarem e tudo o que viu na sua frente o tinha deixado boquiaberto.

As ruas eram bastante estreitas, e os edifícios com todas aquelas lojas eram inclinados, muitos deles em ângulos completamente absurdos que Harry entendeu que, sem o suporte de magia, certamente cairiam.

Primeiramente, compraram a varinha de Harry, que tinha 28 centímetros, feita de azevinho e uma pena de fénix. Em seguida, foram à Flourish and Blotts, onde se demoraram muito mais, para comprar todos os livros necessários. Por último, e depois da imensa insistência de Harry, foram à loja de Quidditch, onde o garoto quase se perdeu no meio de todos aqueles itens que ele achou fascinantes, e onde conseguiu também uma vassoura.

Quando saíram, e agradando mais a Snape, voltaram rapidamente a casa, onde com a pressa, e sob o olhar até que divertido de Snape, Harry se colocou em cima da sua nova vassoura, e tentou voar.


Giny - Ainda bem que gostou, eu fico contente e obrigada! Espero que continue gostando e continua acompanhando! Beijo.