A melhor forma.
By: Cupcake
Capitulo Três: de Escolher...
....é provar o gosto.
Novamente a vazia estrada, o pesado clima no interior do carro piorava a cada segundo que se passava. Ele ia em silencio, prestando atenção no caminho, em sua cabeça passava o plano de ficar alguns dias em uma cidade grande do litoral, realmente aproveitar. Ela olhava pela janela aberta do carro, emburrada, ele havia cortado o seu cabelo e nem uma palavra de conforto?
Ele era um monstro.
Não se olhavam, ele simplesmente não se importava e ela tinha medo de arranjar confusão com a única pessoa que podia dirigir ali e de ficar no meio do nada. Perdida. Isso a deixava irritada, mas da mesma forma que não queria falar com ele, tinha mil perguntas em sua cabeça que precisavam de respostar.
Ele quebrou o silencio.
Aquele sufocante e devastador silencio foi quebrado por uma simples frase. Fria. Indiferente. E isso fez com que a raiva dela aumentasse.
- Ficaremos alguns poucos dias em uma cidade grande. Precisamos comprar roupas masculinas para você e jogar fora esse monte de tralha que Naraku mandou para você.
"Quem era Naraku?" ela se perguntava, deveria ser alguém que se importasse com ela, para lhe mandar alguma coisa... A única coisa estranha é que nunca havia ouvido falar dele, e ele simplesmente "brota" na sua vida. Como se fosse alguém importante. As cartas nunca foram assinadas pelo nome de seu padrinho.
Virou-se para o banco de trás.
Pegou uma mochila cor-de-rosa, deveria ser dela, afinal, não correspondia ao perfil de Sesshoumaru. Um youkai daquele porte com uma mochila rosa? Nem em sonho.
Abriu-a.
Tirou de lá belos vestidos, saias, blusas, tudo do bom e do melhor. Para ela. E ele chamava aquilo de tralha? Ela estava maravilhada com os tecidos, as cores, nunca tinha imaginado que poderia ter aquilo.
Era uma noviça.
Por tanto, seria obvio que nunca sonhara com aquilo, estava muito longe do seu alcance. Mas ver tudo aquilo fazia retornar os primitivos e esquecidos sentimentos de orgulho e vaidade. Sempre pensara que sua vida seria de devoção, castidade e pobreza. Agora encarava coisas totalmente diferentes.
Ele se divertia.
Internamente. Era bom vê-la feliz com tudo aquilo, talvez ele tivesse algo de sado-masoquista, pois o que o divertia era o fato de poder tirar aquilo dela. O mesmo sentimento o invadira quando cortou o cabelo da garota. Entretanto, ele sentiu como se uma faca passasse por seu coração, sim ele tem um, ao vê-la chorando.
Compaixão?
Talvez. A única certeza que tinha é que seria difícil deixar aquela bela mulher com características masculinas, pois apenas se concentrava na estrada para não ficar hipnotizado com a figura angelical da jovem.
Pura.
Não estava acostumado com mulheres deste tipo. Intocáveis. Sem um pingo da falsa sensualidade que havia impregnado o mundo. O que mais o enfeitiçou foram os olhos dela, tão expressivos.
Tão diferente dele.
- Ok. Eu não agüento mais! Olha aqui o senhor, Lord, Sesshoumaru todo poderoso, as minhas coisas você não joga no lixo não, ta me ouvindo?
Ele a encarou surpreso. Nunca ela havia falado daquela maneira. E o olhar de Rin fora tomado por uma fúria implacável.
- O senhor já cortou o meu cabelo sem a minha permissão, agora quer jogar os meus presentes no lixo? Me levar pra outras cidades antes de ir para a casa do meu "padrinho"? O senhor acha que vai conseguir alguma coisa comigo? Por que se for esta muitíssimo enganado!
A voz dela estava tremula, ele não havia imaginado que aquele ser dotado de uma grande paciência fosse explodir assim. Sesshoumaru deixou que a máscara indiferente caísse e ele pode encará-la de forma sincera, totalmente perplexo.
- Para onde foi a educação de minha noviça rebelde?
- Em primeiro lugar: eu não sou sua. Segundo: a minha educação eu guardo para aqueles que a apreciam e até agora o senhor não me mostrou ser digno de educação e confiança.
- E por que isso? – Perguntou, divertindo-se internamente com o jeito explosivo dela.
- O senhor fica calado, frio e intocável, como se fosse de ouro, melhor do que qualquer um. E isso, senhor, só o torna mais baixo que um inseto.
Ele parou o carro no acostamento, os olhos dele já não se mostravam mais calmos, havia voltado ao que era antes.
- Senhorita Rin, se minhas ações são assim é por um propósito. Não sou seu amigo para te tratar bem, apenas estou aqui para protegê-la. Alias, a senhorita é apenas mais um trabalho, minha fonte de capital. Não estou aqui para agradá-la. Quer continuar com suas roupas? Ótimo, mas não as vestira enquanto permanecermos nessa viagem, poderá usá-las com o seu querido padrinho. Enquanto estiver comigo, fará o que eu mandar, estamos entendidos?
- Ótimo!
Ele voltou a dirigir o carro, deveria ser rígido. Afinal, desde quando ele se divertia com uma mulher? Humana ainda por cima. Ele notou que ela voltou para a janela aberta, mais chateada do que antes. E também, ela ficava uma graça irritada.
Era engraçado.
Ela permanecia olhando para a paisagem. Não o entendia. Ele era tão distante, tão estranho. Um dos motivos de não entende-lo era por que havia o conhecido a menos de um dia, mas sabia que ele não era tão frio assim.
Não deveria ser.
Ele parecia esconder alguma coisa dela, e por mais que tentasse negar a si mesma, sentia uma leve atração por ele. Um youkai. Ela era uma noviça, deveria se conter a olhar a paisagem, esperando que aquele sentimento passasse, afinal, nunca havia se sentido assim e por que deveria sentir isso logo agora?
Era patético.
Talvez ela realmente fosse tão infantil como imaginava, então se forçou a continuar olhando pela janela. Ele ligou o radio. Musica clássica. Isso os distrairia.
Horas passaram.
Haviam chego a uma grande cidade do litoral. O carro passava entre as grandes avenidas e os olhos da jovem brilhava com as pessoas, roupas diferentes. Como pudera viver em um convento por mais de dez anos?
- Ligue para este número.
Ele jogou um celular e um papel com um certo número inscrito. Ela o encarou de forma enigmática, mas depois de breves segundos, onde o olhar dos dois se perderam em uma analise profunda, ela olhou para aquele objeto estranho. Descobrindo como se abria, discou o número e apertou o botão verde.
- Quando atenderem, avise que Taishou Sesshoumaru chegara dentro de 20 minutos e que é para prepararem o quarto.
Assim ela o fez.
O atendente fora rápido no telefone, e quando ela se despediu, ficou a observar a tela brilhando "Chamada Terminada", ficava piscando.
- Pode fechar o celular agora.
- Isso é um celular?
- E por que não seria?
- É tão pequeno.
Ele sorriu, Rin era realmente uma graça. Bela.
- Já que gostou tanto, pode ficar.
- Mas... é seu o celular...
- Bah, já esta na hora de trocar novamente. Eu mudarei este celular para um outro número. Assim a senhorita poderá usar na cidade grande.
- Muito obrigada, mas acredito que não o usarei dentro do convento. Sabe como é, vou me tornar freira, e freiras não precisam de um telefone portátil.
- Não se apegue a este sonho, tenho quase certeza que Naraku não permitira que você se torne uma freira.
Ela se chocou.
- Mesmo sendo o meu desejo?
- É claro, o desejo dele é tê-la perto de si com ou sem o hábito.
- Mas... isso é um absurdo! – Exclamou furiosa.
- A vida é difícil, minha noviça rebelde.
Ela lhe lançou um olhar assassino, e voltou a paisagem.
- Vamos comprar algumas roupas masculinas para a senhorita, mas dentro do quarto de hotel poderá usar suas roupas femininas.
- É sério?
Seus olhos brilhavam de alegria, e quando ele concordou com a cabeça, ela se jogou sobre ele, o abraçando. O carro fizera algumas curvas acidentais, culpa do repentino abraço. E mesmo corando, ela não se importara muito e voltou a sentar-se corretamente. Mesmo sem admitir, ele havia gostado da atitude repentina de Rin.
Compraram roupas.
Ternos, roupas sociais e algumas de praia. Ela andaria como ele, séria, formal, como se fosse um homem do alto escalão e mesmo não gostando daquelas roupas, Rin se divertia. Nunca havia feito comprar com um homem antes, talvez tivesse feito com sua mãe, mas era muito pequena para se recordar de tal fato.
Chegaram ao hotel.
Luxo. Rin desceu do carro, parecia um homem de feições femininas, estava linda, de uma maneira andrógena. Seus cabelos negros presos em um curto rabo-de-cavalo, usava um terno fino. Ele estava da mesma forma, mas sua aparência era mais máscula e impunha mais respeito. Desceram do carro, as sacolas e mochilas foram levadas para dentro do hotel, e receberam olhares estranhos pela mochila cor-de-rosa.
Ela sorriu.
Os atendentes se envergonharam pelo olhar suspeito e os levaram para o quarto. Uma suíte. Duas camas, uma de casal e uma de solteiro. E ao se verem a sós, ela se jogou na cama menor.
- Isso é boom...
Ela estava vermelha de felicidade, abraçada ao travesseiro.
- Tãão maciiio...
- Rin, depois de descansarmos, vamos dar um passeio na cidade.
Não era um convite, mas uma ordem. Ela mal deu atenção, já que esta estava mais preocupada em ver tudo o que lhe foi negado. Meia hora após suspiros e gritos de felicidade, a cada descoberta, Rin se sentara na cama de Sesshoumaru, que parecia dormir.
- Eu sei que você não esta dormindo. – Ela falou sorrindo, e ele abriu os olhos.
- Estou dirigindo há horas e a senhorita não me deixa descansar. Achei que se eu fingisse que dormia a senhorita iria sossegar.
- Como se eu me importasse como você esta. – Virou o rosto, seu tom era de orgulho e indiferença perante a presença dele.
- Então por que viera falar comigo?
Isso a quebrou. A deixou sem graça, mas retomando controle de si, ela sorriu e continuou.
- O senhor já deve ter notado que sou curiosa.
- Isso é obvio, todo ser humano é curioso por natureza.
- Ta... então, eu queria tomar sorvete!
- E por que sorvete?
- Bom, eu lembro que minha mãe falava que, quando eu era criança, eu gostava muito de sorvete. Mas já não lembro do gosto.
- Você ainda é uma criança. – Ele comentou se levantando da cama.
- Não sou não! Já passei dos dezoito anos, para a sua informação.
- E ficou quantos anos dentro de um convento?
- Ahm... mais ou menos 15 anos. Mas isso não muda nada.
- Muda sim, sua mente é pequena, fechada. Não deve acreditar em muitas coisas fora as que foram impostas a você.
- Mas...
- E é por isso que Naraku pediu para que eu cuidasse de você por um mês, ele não quer uma garota de mente fechada em sua casa.
Ela o encarava nervosamente, o que mais a irritava é que ele tinha razão. O que poderia fazer se vivera sobre as leis de Deus por mais tempo que devia?
- Para sua primeira aula. Eu sou um assassino.
Rin ficara boquiaberta. Ela, uma santa, com ele, um real demônio.
- Vamos tomar sorvete?
Ele estava se divertindo com a situação, ele notava os mais diversos sentimentos passando pelos olhos dela. Chocolate. A pureza dela, a ingenuidade, tudo isso fazia com que ele se sentisse atraído por ela. Mas ela era uma humana e ainda por cima, uma noviça.
A noviça dele.
Ela nada dizia. Era muita informação para um dia só. Eles andavam a pé pelas ruas da cidade, ela apenas o seguia. Não conseguia encará-lo, não conseguia dizer nada.
Um sorriso brotou na face dele.
Após tomaram o sorvete, em silencio, o céu já havia se tornado escuro e logo as ruas começaram a brilhar com letreiros. Era sábado, então muitas pessoas começaram a sair em grandes grupos, saindo para festas, jantares e os dois, de terno, andavam sérios pelas ruas. E ao entrarem em uma rua menos iluminada, ele se virou para ela.
- Sua segunda lição é perder a vergonha. E aprender coisas que nunca viu, ou sentiu.
Ela não entendeu a frase dele, ficara confusa. Mas quando ele aproximou seu rosto do dela, foi como um raio. Rin compreendeu o que ele havia dito, mas já era tarde demais.
E seus olhos estavam fechados.
Ok, vocês fizeram alguma coisa comigo. Eu estou escrevendo muito rápido, isso nem da gostinho para um suspense...
Espero que tenham gostado... e obrigada pelas reviews, de coração, elas estão me animando muito para continuar a escrever a fic.
Então até o próximo!!
Capitulo Quatro: de Chorar...
....é cobrindo o rosto.
