III

Rapidamente, os gêmeos tomaram um banho, trocando beijos rápidos para aplacar aquela vontade de ficar junto que ainda persistia. Em seguida, comeram e foram juntos, sorridentes, aos treinos. As pessoas em volta até estranhavam, pensando que almoço tão bom havia sido aquele pra pôr tal brilho nos olhos dos gêmeos...

Enfim eles chegaram aos rapazes. E os encararam de forma tão terna e paternal, que é como se fossem seus filhos de fato. E os treinaram com o pensamento nos quadradinhos... naqueles quadradinhos que quando usados, a eles foram tão curiosos!

Kanon, é claro, era o que mais se demonstrava dessa maneira. Sorria do nada, relembrava tudo aquilo... e ficava saboreando todos aqueles momentos novamente, como se os pudesse viver ali, ali mesmo, enquanto trabalhava. Quase podia sentir de novo aquele corpo junto do seu, aquele semblante tão desejoso... e pensou tanto nisso, que quando a noite começou a chegar, pensou que ia querer seu gêmeo de novo... mas e ele...? Ele, que no fim do dia ficava tão cansado?

Chegou em casa já de noite. Saga não estava lá...

- Atrasado? Será?

E foi quando ia acender as lamparinas que sentiu um abraço forte por trás...

- Un... Saga...! Até mesmo esconder o cosmo de mim você escondeu...!

- Sim... pois foi pra te fazer uma surpresa...

- Que danadinho você... e pior que nem costumava ser assim...!

E sem mais resistirem, ambos trocaram um beijo intenso e longo. Até mesmo Saga, que sempre se demonstrava tão controlado, estava completamente louco, resfolegando e tomando o corpo de Kanon com as mãos e os lábios.

- Hm, Kanon... se não se importar... eu gostaria que fosse na banheira...

- Pode ser... eu... eu não me importo... eu até gosto muito!

E assim, mal prestando atenção aos móveis e portanto esbarrando em quase tudo que encontravam no caminho, ainda em beijos e abraços ardentes, foram até a banheira. Kanon largou de Saga e passou a enchê-la, retirando aos poucos a sua própria roupa. Para sua surpresa, logo sentiu a mão ávida de Saga segurar em seu torso, para em seguida trazê-lo para perto de si. Kanon virou-se e viu... que ele, Saga, estava já completamente nu enquanto a si, Kanon, ainda faltava tirar as calças.

- Kanon...! - disse Saga, com uma voz quase fora de si.

- O que... o que foi?

- Eu... nunca pensei que um dia fosse dizer isso com tanta veemência, mas... eu estou morto de tesão...!

Os olhos azuis do primogênito quase saíam para fora das órbitas, bem como seus dedos tremiam levemente. O caçula nunca imaginou vê-lo dessa maneira!

- Está bem, Saga...! A gente começa logo então...

O mais velho então foi até uma cômoda que havia no banheiro e tirou mais uma das camisinhas. Kanon sorriu, deliciado, acabando de se despir enquanto o fazia.

- Então você gostou delas, hein...?

- Gostei... agora... agora você vai colocar em mim!

O caçula tomou o preservativo das mãos do gêmeo e, para provocá-lo, retirou-o bem devagar da embalagem. A seguir, abaixou-se e lambeu a base do membro do irmão, ainda lentamente, e o fez gemer de prazer. Depois, encaixou a pontinha no membro dele e foi desenrolando devagar, com cuidado para não manter ar algum dentro do preservativo... pois havia lido o tal folheto no finalzinho da hora do almoço, e viu que assim seria o mais indicado.

- Vai, Kanon...!

Vendo o gêmeo naquele estado, o mais novo quis se apoiar à borda da banheira e se posicionar para que ele viesse a si, porém se surpreendeu mais uma vez ao ver que o gêmeo o tomara com ambos os braços, suspendendo-o do chão e de encontro a seu corpo.

- Saga...! O que é isso?

- Algo diferente...! Agora vá, me ajude e se segure em mim.

Sorrindo da originalidade do irmão, Kanon o segurou nos ombros e foi, aos poucos, descendo os quadris no membro do amante. Realmente, entrava mais fácil... mas era algo quase "inorgânico" para Kanon, por causa da borracha. Mesmo assim, não deixou de ser divertido a si.

- Hum, Saga... vai mesmo querer fazer assim até o final da transa?

- Acha que eu não aguento oitenta e sete quilos?! Pois você vai ver!

E então o gêmeo mais velho segurou firme nas coxas de Kanon e o trouxe para mais perto de si, penetrando-o forte. O gêmeo mais novo gemeu de prazer.

- E agora, Kanon...? Acha que não sou capaz...?

- Hun... me desculpe por duvidar... você é capaz sim...!

Em seguida, já não aguentando mais, Saga o penetrou diversas vezes, já em ritmo rápido, arranhando as coxas de Kanon que segurava para dar sustentação à postura. O parceiro tentava ajudar, movendo os quadris em cima dele, mas quem realmente detinha maior controle sobre a situação era Saga.

Kanon, aproveitando que não precisava se concentrar muito nos movimentos, passou a beijar Saga nos ombros, no pescoço e no rosto. Enfim se beijaram ardorosamente na boca, sem interromper o ato, Saga tão louco que mordiscava levemente os lábios de Kanon durante o beijo.

Até que, quando chegaram perto do clímax, o que não demorou muito por causa do estado em que eles estavam, o mais velho mordeu o ombro do gêmeo mais novo, até mesmo arrancando algumas gotas de sangue. O caçula, que estava se masturbando enquanto o amante o penetrava, gemeu de dor mas logo sentir o prazer se misturar a ela, e ejaculou no abdômen dos dois.

Após o orgasmo, Saga pareceu voltar a si. Respirou fundo e olhou para aquela ferida que fizera com os dentes no ombro do parceiro...

- Kanon, eu o machuquei...!

- Não tem problema...! Eu sou forte.

- Eu não queria... é sério, eu não queria...!

- Tá tudo bem, Saga! Vive me dando pancadas muito mais fortes nos treinos pessoais e agora fica com essas?

- Treinos são treinos... eu não gosto de te machucar à toa.

E após dizer isso beijou suavemente a ferida do ombro dele, até mesmo ajudando a estancar o sangue dessa forma. Após isso, Kanon se desencaixou de Saga e foi até a banheira novamente. O mais velho retirou o preservativo e jogou fora dando um nó, como fizera com o outro. Todavia, não conseguiu se manter afastado do corpo de Kanon por muito tempo... assim que o gêmeo começou a se banhar, ele o abraçou por trás e começou a ajudá-lo no banho. O caçula, satisfeito e feliz, virou-se de frente e também ajudou a banhar o gêmeo.

Depois do banho completo, ambos voltaram a se beijar e a se abraçar, mesmo que o desejo sexual já houvesse sido saciado. Sentaram-se na banheira, Kanon com as costas encostadas na parede da mesma e Saga entre as pernas dele, continuando a se acariciar. Logo, porém, o sono tomou conta dos dois e ambos ficaram ali, enlaçados, sentados na banheira, Saga ainda entre as pernas de Kanon, aproveitando a companhia mútua numa carícia sem voz. Sem perceber, porém, ali mesmo adormeceram, com a banheira ainda cheia d'água.

OoOoOoOoOoOoO

Saga abriu os olhos, devagar. Hum... substância aquosa? O que era aquilo?

- Água! - exclamou ele, assustado. Estava dentro da banheira, a mesma com água turva de sabonete e espuma já dissolvida. Kanon estava dormindo a sono solto, a boca meio aberta, os braços moles e inertes ainda abraçados ao corpo de Saga.

O mais velho dos gêmeos saiu da banheira e foi verificar que horas eram. Tomou aquele mesmo celular que trouxera da missão, com o qual ele ainda não sabia o que fazer após passar as mensagens para Atena, e verificou a hora instantaneamente. Eram três e quinze da manhã!

- Céus! Dormimos dentro da banheira! Meus dedos até mesmo estão enrugados!

Após isso, foi acordar Kanon. O gêmeo acordou a contragosto e riu divertido daquilo.

- Dormir na banheira é fresquinho nesse calor, Saga! Não leve a mal!

Ambos se enxugaram e foram dormir, nus mesmo, na cama. Após olhar para a cômoda onde guardara os preservativos, no entanto, Saga começou a refletir...

- Sabe de uma coisa, Kanon?

- O que?

- Pode até ter sido bom usar os tais preservativos. Mas... você não acha isso um desperdício?

- Por que...?

- A finalidade principal deles não é diversão, e sim contracepção e evitar doenças. Nós dois estamos imunes a isso! Primeiro, que não temos nenhuma doença, eu e você. E se só transamos um com o outro, é impossível pegarmos. E a contracepção... bem, nada a declarar. Homens não engravidam. Então...

- Você quer dar esses que sobraram pra alguém que realmente precise?

- Sim. Sabe, não é justo usar inutilmente o que poderia ser útil a outrem.

- Que saco, Saga! Foi tão legal! Guarde ao menos mais umas duas ou três...

- Mas que coisa, Kanon! Não seja egoísta!

- Hum! - resmungou o gêmeo mais novo, virando para o lado e dormindo logo após, seguido por Saga.

OoOoOoOoOoOoO

No dia seguinte, à hora do almoço, após os treinos Kanon não encontrou Saga em casa. Resolveu procura-lo e, instintivamente, foi até a vila de Rodório e o encontrou conversando com uma aldeã. Parecia ser nova, mas tinha o semblante muito cansado e envelhecido pelas circunstâncias da vida. Escondeu-se atrás de um barril que havia ali perto, para escutar o que seu gêmeo dizia sem ser visto.

- Como vai, senhora Aegla?

- Vou indo, senhor Saga... vou indo.

- O que há de errado em sua vida?

"Saga... sempre altruísta!", pensou Kanon, o qual se esforçava para esconder o cosmo.

- Não há nada de tão errado. A rotina é que é cansativa... não há como não ser; sou casada há oito anos, tenho sete filhos... é um por ano, senhor Saga!

O gêmeo mais velho se viu pensativo ao ouvir aquilo.

- E você, pelo que vejo, está grávida novamente...

- Sim! Oh, até o fim de meus dias férteis será assim! E o senhor me perdoe se não se deve falar de uma coisa dessas com um Santo de Ouro, mas... meu marido não se segura! Ele sabe que temos crianças demais, que não temos condições para ter filhos... mas não pára de me procurar!

- Ora, Aegla. Então eu acho que posso ajudá-la!

- Pode...? Como, senhor, se me permite perguntar?

- Veja.

E Saga fez exatamente o que Kanon esperava que ele faria: entregou uma pequena sacola a ela com os tais "preservativos" que haviam sobrado.

- O que... o que é isso, senhor Saga?!

- Veja. Este folheto lhe explicará tudo. É feito para evitar filhos.

- Mas... não será isto imoral, senhor Saga? Não trazer ao mundo os filhos que Deus manda...?

- Não, Aegla. Se fosse, seria pecado manipular até mesmo as colheitas. Que são as colheitas, além dos nascimentos de plantas?

- Se o senhor diz...

- Sim, não há problema. Agora preciso ir! Até outro dia, Aegla!

E assim ele saiu, deixando a mulher perplexa com aqueles novos instrumentos. Mas mais perplexo ficou Kanon, que assim que Aegla entrou para casa saiu detrás do barril e foi atrás do gêmeo.

- Ei, Saga!! Ei!! Entregou todo o nosso tesouro praquela aldeã, foi? Ela vai usar tudo aquilo com o marido?!

- Ora, ora!! Se não é o senhor espião! O que anda fazendo pra vigiar todos os meus passos?!

- Só queria saber que fim daria àquelas coisas tão divertidas! E aí, acha que serão úteis para ela?

- Claro! Viu só que abatida? Se está assim agora, imagine se continuar parindo um por ano até chegar na menopausa!

- É verdade. Mas... o folheto! Estava em inglês! Essa mulher sabe inglês?

- Eu traduzi para o grego enquanto os meninos treinavam. Sabe como é, eu sabia que deveria entregar a alguém que provavelmente só lê em grego...

- Que pena... não vamos usar mais aquilo!!

- Bem... pode ser que sim...

- Pode?! Você guardou alguma em casa, foi?! Seguiu o pedido que te fiz antes de dormirmos?!

- Não. Mas sabe... a missão... tem uma segunda parte de relatório que ainda preciso fazer. E nessa segunda parte... posso buscar mais deles. Afinal, pensando bem... se divertir com alguns não será tão pecado assim.

E sorrindo, ambos foram aos campos de treinamento dos rapazes, já pensando em como fariam quando tivessem novos preservativos em mãos...

FIM

OoOoOoOoOoOoOoOoO

Mais uma missão cumprida! Próxima fic vai ser de humor "ecchi" parecida com essa!

Beijos a todos e todas!