E naquele ritmo os dias foram se passando, transformando-se em semanas, até chegar o ultimo dia de aulas em Hogwarts. Ao contrário do que Bellatrix pensava antigamente, ela começou a sentir falta daquele lugar, de cada canto, de cada momento que vivera ali. Sabia que nada fora em vão. Sabia que nunca se esqueceria de Hogwarts.

- Ainda vamos nos ver uma vez depois daqui – disse Sirius, surgindo ao lado dela enquanto caminhavam até o salão principal.

- O que quer dizer com isso?

- Ainda moramos na mesma casa, não é mesmo?

Bellatrix deu um leve sorriso, mas não chegou a compreender o que de fato ele queria dizer. Sirius ainda tinha planos de ir embora de casa, e queria levá-la com ele, porém ela nunca iria. Por mais que se mostrasse a fim de ter algum tipo de relacionamento com ele, havia algo dentro dela que a impedia de ter uma vida com seu primo. Talvez fosse medo, orgulho, mas o que falava mais alto dentro de Bellatrix era sua vontade de ser uma comensal da morte.

Esse era mais um motivo que Bellatrix tinha para não desistir do seu noivado com Rodolphus: ele era um comensal da morte. Isso era como uma garantia de segurança para ela, pois iria seguir seu caminho e não estaria sozinha, como sempre temia.

Assim estava sua cabeça ao se despedir de Hogwarts: confusa. Bellatrix não sabia exatamente no que pensar. Estava com inúmeras preocupações, entre elas a raiva que agora sentia da sua irmã Andrômeda que se tornara traidora do sangue a partir do momento que se deixou envolver com um nascido trouxa. Ela não queria acreditar. Andie era como uma amiga e agora a única que tinha razão para ela era Narcisa.

- Isso aqui é para você – disse Sirius, entregando um colar com uma pedra negra para a prima.

- Nossa! – exclamou Bellatrix, maravilhada com a beleza daquele colar. – É lindo! Onde conseguiu?

- Tenho meus lugares.

- O que está querendo com isso? – perguntou, desconfiada.

- Um beijo – disse ele. – Pode ser?

Bellatrix sorriu e em seguida selou os lábios nos dele.

- Eu te amo, Bellatrix.

Naquele instante seu estômago revirou. Ele acabara de declarar que a amava. E ela, o que sentia por ele? Bellatrix sabia que tinha de dizer algo. Ele estava esperando uma resposta.

- Eu também te amo, Sirius.

Agora estava dito. Ela sabia que o amava, assim como também sabia que isso não era certo. Bellatrix agora tinha medo de como Sirius interpretaria o que ela acabara de dizer. ela o amava e sabia disso, mas também sabia que não podia dar prosseguimento a essa loucura.

Sirius sorria. Foi um sorriso leve e sincero. Bellatrix finalmente se encantou pelo primo, pelo garoto que havia por trás de quem ele costumava ser.

Mas esse sorriso não durou por muito tempo. Já tinham todos entrado de férias quando Bellatrix levou um susto ao ver seu primo entrar enfurecido no seu quarto.

- Noivo?! – berrou ele. – Você tem um noivo e nunca me contou nada?

Bellatrix se viu num beco sem saída. Ele descobrira tudo.

- Sirius, eu posso te explicar...

- Como pode me explicar? Tudo o que aconteceu entre nós foi uma mentira! Você me enganou esse tempo todo!

- Não, Sirius, não foi mentira! – ela tentava falar algo que o fizesse ficar menos eufórico, mas era difícil. Sirius estava fora de si.

- Claro que foi, Bellatrix! Nada daquilo foi verdadeiro! Você me enganou, mentiu pra mim! Você sabia de tudo e não me contou nada! – então fez-se uma pausa. Os dois ficaram em silêncio. Bellatrix começara a sentir lágrimas escorrendo dos seus olhos. O único som naquele quarto era a respiração ofegante de Sirius.

- Eu não menti quando disse que te amava – disse Bellatrix, finalmente quebrando o silêncio.

Sirius levantou a cabeça e encontrou os olhos dela. Por um momento Bellatrix achou que ele iria beijá-la, mas descartou essa possibilidade logo em seguida. Ele não era mais o mesmo.

- Quem ama não faz o que você fez, Bellatrix.

E ao dizer isso Sirius se virou e saiu daquele quarto. Bellatrix foi caminhando atrás dele e se deparou com Andrômeda no corredor.

- O que você está olhando, amante de trouxas? Ou será que ficaria melhor para você "traidora do sangue"? Não sei, os dois não prestam mesmo!

- Mas Bella, o que foi que aconteceu?

- O que aconteceu? – repetiu. – Todos se voltaram contra mim, foi isso o que aconteceu! Até você, Andie! Você, que era como uma amiga pra mim, agora é uma amante de trouxas! Está sujando o nome da nossa família!

Bellatrix queria arrumar um jeito de colocar toda a sua raiva para fora. Estava sentindo que a qualquer minuto poderia explodir ali mesmo. Enquanto isso, Sirius passou por elas carregando suas malas, sem dizer mais uma palavra.

- O que pensa que está fazendo? – perguntou Bellatrix ao ver o primo passar.

- Não é da sua conta!

- Você está indo embora? – agora sua voz vacilara. Bellatrix sentiu um nó se formando na garganta.

- O que você acha?

- Ah é? Então vai! Mas faça o favor de nunca mais voltar aqui! – ao ouvir aquilo, Sirius fez um sinal de positivo com as mãos e continuou caminhando até a porta para sair. – Você ainda vai se arrepender de tudo que está fazendo agora! – então virou-se para trás e viu sua irmã, Andrômeda. – E você, por que não vai com ele? – agora seus pais também estavam por perto, ouvindo os berros da garota. – Sua amante de trouxas, traidora do sangue!

- Do que está falando, Bella? – perguntou Druella, cruzando os braços e fechando a cara para o lado de Andrômeda.

- Da minha querida irmã, é claro! Está namorando um sangue-ruim!

Depois de praticamente cuspir essas palavras, Bellatrix rumou marchando para o seu quarto e enquanto subia os degraus, apenas ouviu o som do tapa que sua irmã recebeu ecoar pelos corredores.

Um desejo de vingança começou a brotar no coração de Bellatrix. Ela prometeu a si mesma que nunca mais se envolveria com homem nenhum.

Bellatrix deixou suas lágrimas escorrerem, para que com elas sua dor também fosse embora. Queria sumir, ficar sozinha, sofrer em silêncio; mas também queria alguém ali do seu lado para lhe apoiar, ou apenas oferecer um ombro amigo.

Foi quando Narcisa entrou no quarto. Parecia até que estava adivinhando os pensamentos da irmã. A loira sentou-se ao lado dela e Bellatrix afogou-se em lágrimas agora no colo da irmã.

- Você agora tem que deixar tudo isso pra lá, Bella – disse Narcisa, passando a mão pelos cabelos da irmã.

- Não posso, Cissy – disse Bellatrix, parando de chorar, tentando firmar sua voz. – Ele ainda vai me pagar pelo que fez! Eu ainda vou matar o Sirius!

Por um momento Narcisa considerou aquilo como uma raiva que passaria logo, mas ao passar dos anos ela notou que Bellatrix não brincou quando disse aquelas palavras. Sirius Black foi morto por ela. E ela tomou isso como uma prova de que o amor que um dia sentiu por ele foi a maior tragédia que aconteceu na sua vida.