Os personagens aqui citados pertencem a Masashi Kishimoto

Essa fanfic é uma adaptação do livro Uma prova de amor,da autora Michelle Reid


Uma prova de amor

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Capítulo III


Aquele foi o ponto em que seu autocontrole rachou escancaradamente. Sakura pensou que estava preparada, verdadeiramente acreditava estar pronta para lidar com o que quer que tivesse de encarar naquele quarto. Porém, descobriu que não poderia suportar aquela visão da irmã, ali tão pálida e imóvel, como se a própria essência da vida estivesse escoando.

O soluço sufocado que tentou escapar precisou ser castrado na sua boca por um punho trêmulo, no mesmo momento em que deu um passo cambaleante para trás, pressionando a si própria contra a extensão do feixe de músculos de Sasuke, que agiu como uma parede para amparar aquela covarde batida em retirada. Olhos embaçados, a garganta espessa, a boca trêmula, Sakura lutou para se controlar.

Aquilo era horrível. Custou um esforço arrebatador para se obrigar a avançar sobre as próprias pernas, que não pareciam dispostas a apoiá-la. Acostando-se na beira da cama, alcançou uma das mãos flácidas da irmã. Sentiu que estava quente e isso era reconfortante. Calor significava vida.

— Temari? — Chamou, perturbada — Temari... é Sakura. Ela pode me ouvir? — perguntou para a enfermeira. Então, antes que a mulher pudesse responder, sua atenção logo se aguçou novamente para a face desbotada, estirada sobre travesseiros brancos. — Oh, Temari — explodiu Sakura dolorosamente — Acorde e fale comigo!

— Tome... — uma voz sugeriu. Um par de mãos retirou o sobretudo dos ombros dela, e depois uma cadeira lhe chegou por trás dos joelhos, não oferecendo nenhuma outra escolha exceto sentar. A distração evitou que caísse da maneira como, concluiu Sakura, estava prestes a fazer.

— Q-quão profundamente inconsciente ela está?

— Uma parcela disso é induzida por medicamentos. — Sasuke respondeu, o que Sakura supôs significar um consolo. A enfermeira pareceu escorregar para o lado de fora, efetuando a sua saída sem que Sakura reparasse.

— Ela já despertou totalmente desde o acidente?

— Não — respondeu Sasuke rispidamente.

— Então ela não sabe que deu à luz a um bebê?

— Não — disse ele outra vez.

Sakura sentiu as vísceras começarem a queimar, à medida que um conjunto de emoções completamente novo começou a vociferar no seu sangue. Quantas gestações frustradas Temari não sofreu resignada ao longo dos anos, até que conseguisse carregar este bebê pelo período de gravidez quase completo? Cinco ou seis, Sakura não estava certa, desde que a irmã se casara com Shikamaru.

Será que uma menininha seria o bastante para Temari? Aqui, com a própria vida pendurada por um fio, Temari desistiria da obsessão de dar a Shikamaru como herdeiro um varão?

Shikamaru... no que estava pensando? Não havia mais Shikamaru.

— Oh, Temari — suspirou torturada. Como a irmã iria agüentar sem o seu amado Shikamaru?

Horas demoradas de tormento tiveram início. Nada ao seu redor parecia real. Sentou na cama e conversou com Temari. Quando foi gentilmente removida do quarto pela equipe médica, que precisava examinar Temari, Sakura sentou do lado de fora, no corredor, e se perdeu num suplício por Shikamaru. Ocasionalmente Sasuke aparecia, ou a mãe dele ou uma das irmãs. Não lhe ocorreu que jamais fora deixada inteiramente a sós, ou que a atitude da família para com ela houvesse sofrido uma completa reviravolta. Talvez, se notasse isso, tivesse começado a atinar que aquela participação na sua vigília era um mau sinal. Mas Sakura não notou nada disso e raramente falou, exceto com Temari... e então conversou e conversou e conversou, sem lembrar de uma única palavra.

A certa altura, alguém diligentemente perguntou se não gostaria de ver o bebê. Achou que devia fazê-lo, em consideração a Temari, mas isso era tudo. Assim, concordou e foi absolutamente devastada pelos minúsculos restos de vida humana estirados naquele casulo de plástico, lutando a própria pequenina batalha. A filha de Temari — de Shikamaru e Temari.

Explodiu numa enchente de lágrimas e chorou por todos eles, as emoções como um veículo desgovernado, brutalmente fora de controle. Quando voltou para sentar-se ao lado de Temari, sua voz estava tão calma quanto uma corrente vagarosa, enquanto conversava e conversava e conversava.

— Você já teve o bastante...

O toque suave no seu ombro elevou a cabeça frouxa de Sakura acima da coberta branca enrugada, sobre a qual repousava sem se dar conta. Olhos famintos de sono piscaram inadvertidamente, num determinado olhar que era tão negro quanto o manto aveludado no céu agora.

— Você não pode fazer mais nada aqui essa noite, Sakura — disse Sasuke, suavemente. — Agora é hora de partirmos e descansarmos um pouco.

— Eu... posso ficar aqui — estava prestes a insistir, mas Sasuke a silenciou com um aceno negativo da cabeça.

— O estado de Temari é estável — asseverou ele, firmemente. — As pessoas aqui sabem onde nos contatar se precisarem. É hora de irmos embora.

A voz da autoridade, reconheceu Sakura. Sasuke não aceitaria um não como resposta e, se fosse honesta consigo mesma, saberia que estava certo. Estava tão absolutamente desgastada que mal podia funcionar em qualquer nível de sensatez. Mas aquilo lhe caiu como uma deserção, quando se forçou a levantar da cadeira e ergueu uma das mãos de Temari, selando um beijo suave antes de beijá-la na face.

— Eu te amo — sussurrou e, então, virou para se afastar com lágrimas infelizes que embaçaram o trajeto até a porta, com Sasuke atrás, a seguindo de perto.

— Aonde você está indo?

Piscou, o cérebro faminto de sono não percebeu que estavam do lado de fora do quarto da irmã, a porta fora cerrada tão silenciosamente que ela nem ouviu.

— O bebê — murmurou, balançando a mão decididamente descoordenada, na direção do berçário —, eu quero...

— O bebê está bem — assegurou Sasuke. — Tenho estado com ela desde a última hora que você passou com Temari.

Última hora? Sakura piscou novamente. Sasuke passou uma hora inteira com o bebê? A cena reproduzida na sua mente simplesmente não correspondia, de modo algum, ao homem o qual ela pensava que conhecia.

— Observei a enfermeira cuidar dela, depois me deixaram segurá-la por um tempo...

Alguma coisa recobriu o semblante dele, uma onda de emoção desenfreada, que enfatizava o círculo de dor que lhe contornava a boca. A culpa assaltou o coração angustiado de Sakura com um súbito aperto agarrado. Este homem acabou de perder o irmão amado, mas ao passo que ela se quedou com egoísmo — absorvida nos apuros da irmã — Sasuke ficou ocupado demais alentando os outros para lidar com a própria sensação de perda. Estava vivendo em brumas desde que chegou aqui, mas Sasuke dividiu seu tempo entre reconfortar a mãe ou uma das duas irmãs, todas abaladas pelo luto, e dar assistência a Sakura.

Agora aqui estava ele, fazendo o que fazia melhor: encarnando o forte varão Uchiha. Mas dentro dos olhos dele, Sakura viu a desolação sob os cílios lustrosos. Também testemunhou outra imagem dolorosa dele, se esquivando para longe com o intuito de ir ao berçário segurar a minúscula garotinha. O único elo de ligação que lhe restava com o irmão. O coração doeu novamente, tudo doía, tanto por Sasuke quanto por si mesma.

— Oh, Sasuke — murmurou, enquanto o impulso a fazia dar um passo para mais perto dele, com palavras de solidariedade que estremeciam na sua garganta.

— Aqui — segurava ele. —Vista isso...

Entregou-lhe o casaco. Sakura olhou aquilo fixamente, ciente de que acabara de levar outra porta fechada com estrépito na sua cara de novo. E por que não? — inquiria a si própria friamente, à medida que engolia aquelas palavras de consolo, e sentia o tremor que as acompanhava descer tiritando até os pés. Sua irmã estava viva, mas o irmão dele estava morto. Aceitar conforto da ex-amante-atual-inimiga era um golpe na sua dignidade do qual se abstinha.

Por isso, Sakura deixou que Sasuke preenchesse as mangas do casaco com seus braços, sem proferir outra sílaba sequer. Assim que a pesada veste se ajustou nos ombros cansados, enfiou as mãos nos bolsos fundos para apertar a lã tépida em torno delas, depois caminhou na direção da rampa dos elevadores. As cadeiras no vestíbulo agora estavam vazias; os remanescentes da família Uchiha foram enviados para as suas camas há um bom tempo.

O silêncio entre eles pairou, enquanto rumavam para longe na noite fria e escura. Uma espiada no relógio, aceso no painel do carro, revelou que já era uma hora da manhã. Parecia que uma semana inteira se passara desde que saiu da cama ontem, às seis da manhã, e correu apressada para fazer valer a passagem do vôo para Paris. Tantas coisas aconteceram depois disso. Coisas demais... coisas demais, divagou descansando a cabeça contra o macio recosto de couro do assento e, em seguida, fechou os olhos.

Sasuke assistiu enquanto Sakura resvalava nas profundezas de um cochilo exausto, e fez uma careta para si mesmo. Tinha consciência da impressão que lhe causara ainda no hospital, entretanto Sakura não poderia estar mais enganada acerca dos seus motivos, nem se tentasse. Porém, receber consolo de uma Sakura amigável e solidária, justo agora, estilhaçaria o controle no qual se dependurava por um fio.

E não havia terminado ainda — apesar de estar ciente de que Sakura não sabia disso. Ainda havia mais por vir — uma batalha — predisse, porque não iria gostar nada quando descobrisse onde ficaria hospedada. Se permitisse a si mesmo baixar a guarda antes que a luta estivesse vencida, ele provavelmente se tornaria um alvo para alguém de natureza voluntariosa, ardentemente teimosa como Sakura.

Dio, pensou fatigado, conduzindo-os através das silenciosas ruas de Florença. Não tinha tanta certeza de que já não se tornara o tal alvo. Um mero olhar para ela, sentada ao seu lado com as longas pernas esticadas à frente, o contorno oval e cândido do rosto tão refinado em repouso, e Sasuke experimentou uma ferroada acusadora, aguda como o açoite do "Man on the prowl".

Sakura o cativou. Sempre fazia isso. Amando ou odiando, sempre a desejou e saber disso é o que o tornava um alvo e tanto. Dê a ela uma razão para faiscar e Sasuke pegaria fogo. Estava tão certo disso, que poderia fazer qualquer coisa para mantê-la adormecida, até que a tivesse escoltado em segurança até a cama — e ele fora do quarto.

Um pato choco. Palavras de Shikamaru, lembrou perfeitamente. Shikamaru dizia que os dois serviam de alvos para aquela dupla de bruxas irlandesas enfeitiçarem a vontade.

Shikamaru... Um colapso sucedeu dentro do seu peito. Era uma sensação com a qual se familiarizou durante aquele dia longo e miserável. Sentia falta do irmão — antecipadamente. Queria Shikamaru de volta. Lágrimas arderam quentes e secas contra o fundo dos olhos, e sentiu a pele esticar de tensão.

O pé apertou o acelerador, empregando uma onda desnecessária de força corporal para aliviar a tensão no seu peito. Paisagens familiares espocaram na janela lateral. Avistou um conjunto de sinais de trânsito adiante, flamejando em vermelho: apontou para eles — sentiu o fluxo ardente intumescer dentro de si, desafiando aquele bastardo que chamam de morte. Era imperativo sedutor.

Sakura se agitou. Olhou para ela, viu a beleza personificada diante dos próprios olhos inflexíveis e, trincando o maxilar e rangendo os dentes, se obrigou a ir mais devagar. Um desastre de carro na família já era o suficiente. O lapso de loucura amainou, deixando Sakura ainda adormecida ao seu lado, sem a menor idéia do quanto Sasuke esteve próximo de colocar a segurança dela em risco.

A sensação permaneceu, entretanto, queimando como ácido nas suas entranhas, rancor pelo desperdício da vida do irmão encobrindo o sentido embargado do pesar. Aquilo requereria um calmante e tinha uma suspeita cruel de que sabia a origem de onde extraí-lo.

Sentir o carro balançar bruscamente, na descida de um declive íngreme, foi o que despertou Sakura. Abrindo os olhos orlados de vermelho, ela se levantou para espiar a fila de carros parados lá fora, no estacionamento do subsolo e, conforme Sasuke manobrava O automóvel na sua vaga privativa do estacionamento, aguardava o reconhecimento faiscar.

Isso não aconteceu. Cansada demais, provavelmente, para reparar bem em qualquer coisa, Sakura bocejou e em seguida abriu a porta e saiu. Sasuke fez o mesmo, fitando-a enquanto ela o esperava, num silêncio depressivo, pegar sua bagagem e, depois disso, caminhou ao lado dele até o elevador.

Entraram juntos. Ao passo que Sasuke utilizava um cartão magnético de segurança para ativar o elevador, Sakura recostou contra uma das paredes com revestimento metálico, enfiou as mãos nos bolsos do casaco, então procedeu a contemplar os pés escorados.

— Você tem acesso, então — comentou Sakura.

— Sim, eu tenho acesso — foi tudo o que Sasuke disse.

— Bom para eles.

— Heim?

— Shikamaru e Temari. É bom que os dois tenham confiado a você o cartão de acesso seguro para o apartamento deles.

Sasuke não respondeu, preservando a expressão lívida enquanto se perguntava se ela estava ciente de que usara o nome de Shikamaru, como se o irmão ainda estivesse vivo.

A raiva se agitou novamente; ele esmagou-a até o chão. O elevador começou a subir. Queria bater em alguma coisa e desejou não estar se sentindo daquela maneira.

— Mas, até então, nenhuma novidade — acrescentou, com amargura na voz. — Acesso de segurança para a casa de cada um sempre foi a norma para os Uchiha.

— Você acha que isso é uma coisa ruim?

— Eu acho que é terrivelmente estúpido — retrucou ela.

— Conheço famílias italianas que gostam de estar por perto, mas ter o direito de perambular pela casa uns dos outros, quando se tem vontade, é elevar a união familiar ao extremo.

— Por que você foi flagrada uma vez por causa desse... extremo, talvez?

Enfiou o dedo na ferida. Sakura se encolheu, depois aprumou o queixo e lançou um olhar claramente gelado para Sasuke. Ele retribuiu com um sorriso delgado. A antipatia mútua começou a surgir. O elevador parou. Estava tão ocupada desafiando-o a aprofundar o falatório que, quando as portas corrediças se abriram, ainda não percebeu o lugar onde estava.

Então Sasuke não falou mais nada e meramente zombou dela, gesticulando a mão para que saísse do elevador. Cabeça erguida, olhos gelados, Sakura caminhou avante, curvando-se para recolher a bagagem de onde jazia, aos pés dele, antes de dizer com firmeza:

— Boa noite, Sasuke. Estou certa de que você também poderá sair por sua própria conta.

Em seguida, Sakura caminhou — ou se precipitou? Refletiu Sasuke curiosamente. Seja lá o quê, ela fez isso de um modo sensacional, com o casaco comprido até as ancas e os cabelos róseo-avermelhados; era quase uma pena que a realidade estivesse no ponto de estragar tudo.

Já dentro, custou a notar o cenário com as ricas paredes cremosas, o piso de madeira marchetada sobre o qual se posicionavam peças antigas pesadas, as quais jamais relacionaria ao gosto mais caseiro de Temari.

Sasuke a viu paralisar, a viu avaliar, a viu inspirar um fôlego aguçado, antes de girar de volta para cravar os olhos nele, na medida em que deslizou o cartão magnético de segurança de volta para dentro da carteira de couro, enquanto as portas do elevador se fecharam, atrás da sua figura obstrutiva.

— Não — resfolegou ela, em um protesto agressivo. — Eu não vou ficar aqui com você. De jeito nenhum.

Custou alguns passos para trazê-la de volta para ele. Com os olhos fúlgidos, de provocação, serpeou uma das mãos acima do ombro dele, para apertar firme o botão do elevador.

— O elevador não vai chegar sem a minha autorização — relembrou ele, gentilmente.

— Então autorize.

Sakura estava tão próxima que Sasuke pôde sentir no rosto a sua respiração. Recendia a Channel e ao cheiro do hospital, e o desalinho desordenado dos cabelos flamejava como uma advertência em torno da face dela. Estava se esforçando ao máximo para provocá-lo mas, sob a provocação, Sasuke reconheceu que os sinos de alarme ressoavam, porque Sakura não entendia os motivos pelos quais a trouxera para cá, dentre todos os lugares, de volta à "cena do crime".

Podia reassegurar Sakura de que não tinha nada sinistro em mente, que ela precisava mesmo ficar em algum lugar, e que nem ele seria tão bruto ao ponto de levá-la para a casa de um homem morto, abandonando-a lá sozinha — mas a verdade não era essa. Alguma coisa acontecera a Sasuke durante aquela insana jornada até aqui, e agora a desejava tão espantosamente que aquilo ardia nas suas entranhas como uma febre retumbante. Queria agarrá-la e jogá-la por cima dos ombros, encontrar a cama mais próxima e deitá-la nela, depois prosseguir com uma sessão de sexo bom e enérgico. Sem preliminares, apenas uma atenuada rápida e quente em toda essa coisa, pela qual lutava para encarar: o irmão, a irmã dela... Sakura aqui de volta e ao seu alcance. Ela tornou os dois últimos anos miseráveis para Sasuke — o mínimo que podia fazer, era ajudar a mitigar o seu tormento!

Sakura sabia no que Sasuke estava pensando — aquilo vibrava por todo o redor, como alguma força sombria, coercitiva. O desejo, a velha atração ardente, aquele estímulo afiado da sensibilidade sexual que fazia com que os olhos dele reluzissem um brilho lascivo, e que fazia Sakura precisar passar a ponta da língua em volta da curva dos lábios, repentinamente secos.

— Não — ela arfou, em negativa áspera.

— Por que não? — Analisou aquele pequeno gesto revelador e sorriu. — Pelos velhos tempos.

Pelos velhos tempos? O próprio engasgo afrontado quase a sufocou. Não podia acreditar que Sasuke estivesse se comportando daquela maneira! Não se importava que houvesse, não longe dali, uma situação de risco de vida em questão, ou que uma pessoa tivesse falecido e outras duas estivessem lutando uma batalha contra a morte?

— Você deveria se envergonhar de si mesmo — disse a Sasuke, girando nos saltos dos sapatos, e atravessando o amplo corredor retangular da entrada com todos os luxuosos ornamentos familiares como a antiga arca requintada, encostada na parede, e sobre cujo topo repousava a magnífica estátua de bronze de Apolo. Sakura estacou sob a arcada larga, pela qual adquiriu acesso ao restante do apartamento. E caminhou com intento, sabendo onde queria chegar.

A cozinha, que levava à área de serviço que, por sua vez, levava à porta da saída dos fundos. Uma porta de saída trancada, Sakura logo descobriu. Seu coração foi a pique — mas não a sua resolução, determinou enquanto largava as malas no chão e, então, se virou, os olhos agora envergavando um lampejo tão duro que poderiam transformá-lo em pedra onde estava, parado escorando a outra porta, observando Sakura preguiçosamente.

— Eu vou sair — avisou ela —, mesmo que precise quebrar janelas.

— Estamos a quatro andares do chão — advertiu ele.

— Janelas quebradas deixam as pessoas zangadas — explicou Sakura, irredutível. — Elas tendem a chamar a polícia quando uma chuva de cacos de vidro cai em cima delas.

A boca rígida deu uma torcida zombeteira.

— Bem, isso poderia ser divertido — respondeu arrastado. — Caso o vidro não fosse inquebrável.

Os ombros dela arquearam; aquilo estava ficando estúpido.

— Veja — disse asperamente. — É tarde. Estou cansada... você está cansado. Nós dois tivemos um dia péssimo! Será que podemos parar com isso agora? — Tentou apelar. — Me deixe sair daqui, Sasuke... por favor!

— Queria que fosse assim tão simples — argumentou.

— Mas é! — Insistiu Sakura.

— Não, não é — retrucou num estalo que altercou o humor debochado para uma sobriedade implacável. — Então vamos deixar dois pontos bem claros. Você está hospedada aqui, no meu apartamento, porque está situado muito próximo do hospital...

— Eu preferia ficar na casa de Shikamaru e Temari.

Sasuke retesou de repente, olhos sombrios relampejando com fúria intumescente.

— Shikamaru está morto! — Ladrou para Sakura. — Então, quer parar de alinhavar o nome dele em cada droga de frase, pelo amor de Deus?

Sakura piscou surpreendida, a face se tornando tão branca quanto um lençol. Ficara fazendo isso? Não tinha a menor consciência. Quando pensava na irmã, automaticamente colocava Shikamaru junto. Shikamaru e Temari... sempre fora assim.

— Me d-desculpe — gaguejou, sem saber o que mais poderia dizer.

Sasuke emburrou.

— Esqueça que falei aquilo — dispensou, e em seguida tomou um fôlego profundo. — O fato é — prosseguiu — que Shikamaru e Temari se mudaram desde que você esteve aqui da última vez. Agora leva mais de uma hora de viagem da cidade até a casa nova deles. Minha mãe não está apta a permanecer sozinha por enquanto, por isso precisa ficar com Hanabi, o que lhe deixa uma escolha, Sakura — finalmente ofereceu. — Ou você fica aqui comigo, ou fica com Hinata, ou então pode ir e ficar com a minha mãe, na casa de Hanabi.

O que significava, absolutamente, nenhuma escolha, afinal, reconheceu penosamente, a mãe dele a odiava. Assim como as irmãs. Hospedar-se com elas seria apenas uma espécie de inferno diferente. E, de qualquer jeito, os parentes de Sasuke tinham o direito de amargar o luto reunidos, sem nenhuma intrusa indesejável entre eles.

— Existe uma coisa que chamamos de hotel, você sabe.

— Você é mesmo tão egoísta ao ponto de ir para um hotel, sabendo que uma decisão destas não só ofenderia a minha mãe, mas também magoaria Temari, além de tudo o que é justo, quando ela descobrisse isso? — Lançou para Sakura um olhar que a feria. — Temari vai culpar a família, vai me culpar por não ser homem o bastante para colocar meus próprios sentimentos em relação a você de lado, pelo bem-estar dela.

— Mas não está colocando seus sentimentos de lado!

— Farei isso se você também fizer.

— Mentiroso — ofegou Sakura. Mas quanto ao resto, Sasuke estava, oh, tão frustrantemente certo que, em reconhecimento, a sua disposição para permanecer ereta desintegrou no ato, e Sakura escorregou fragilmente pela porta trancada atrás dela, deixando o rosto cair entre as mãos.

Foi uma rendição. Sasuke sabia disso, e bem, ela também sabia. Porém, Sakura não pôde resistir a soltar um comentário final, no silêncio palpitante que se quedou.

— Eu odeio você — sussurrou, de trás do escudo totalmente envolvente dos cabelos revoltos.

— Não, você não me odeia — contestou Sasuke. — Você ainda sonha que faz o diabo comigo e isso, cara mia, é o que você odeia.

— Isso é mentira! — As mãos penderam, então Sakura pôde cuspir o repúdio sobre ele.

— É mesmo? — Os olhos de Sasuke agora estavam frios, endurecidos pela fé arrogante naquilo que asseverava. — Arremesse a sua mente de volta até o beijo no vôo a caminho daqui — sugeriu. — Se eu não parasse, você teria desaparecido numa nuvem de fumaça.

— Meu Deus — engasgou. — Seu demônio convencido!

— Talvez. — Deu de ombros. — Mas sei o que sei.

— Você me beijou, caso consiga se lembrar!

— E você se entregou como sempre fez — declarou com desdém.

— E você não...?

A afetação de Sasuke concedeu aquele ponto para Sakura.

— Ver se podemos sobreviver os próximos dias, sem cair nos braços um do outro, será interessante para nós, não acha?

— Eu acho que você é nojento!

Uma sobrancelha escura arqueou, correu os olhos pelo corpo esbelto, o qual podia discernir pelas fendas laterais abertas no casaco dela.

— Os seus seios estão rijos, Sakura? — Perguntou suavemente. — Aquele lugar entre as suas pernas está ficando todo aquecido e ansioso, porque estamos falando sobre isso?

Arremeteu a si mesma para longe da porta, com a necessidade de esbofetear o rosto gozador de Sasuke!

— Sexo na área de serviço, agora sim, isso é que é um novo estímulo excitante — falou arrastado, ao passo que Sakura voou na sua direção. — Mas, de qualquer jeito, você nunca teve qualquer restrição quanto ao local, ou com quem fazia, desde que fizesse.

Cada palavra almejava arrancar sangue da sua vítima, cada lampejo de escárnio nos olhos soturnos tinha por função instigá-la além dos limites. Parou a um passo de distância de Sasuke, tentando conter a fúria que surgia e dava voltas dentro dela, porque uma parte de si tinha consciência de que Sasuke a provocava deliberadamente. Seus olhos a irritavam; toda aquela postura preguiçosa, ultrajante, simplesmente implorava que Sakura desse aquele tapa nele.

— Não compreendo por que você está fazendo isso — ofegou, desequilibrada.

Sasuke riu; não foi um som agradável.

— Talvez esteja curioso para saber o quanto você aprendeu desde que se mudou para novas pastagens.

— Pare com isso — sussurrou ela. Entretanto, Sasuke não iria parar por aí.

— Você o tentou assim como costumava me tentar, Sakura? — Questionou Sasuke, curiosamente. — Instigou-o a lhe mostrar ainda mais um método para alcançar o torpor daquela comoção final?

O braço se ergueu entre o flamejar dos olhos, fixos e empenhados em combate, e Sakura permitia que a mão se arremetesse. Sasuke a deteve antes que desferisse o golpe, dedos enrijecidos, suspensos a um curto meio centímetro de distância do seu rosto.

— Nós dois sabemos que a comoção era tudo o que você realmente queria de mim — continuou sem remorso —, mas você acredita que exauriu todas as minhas possibilidades? Errado, querida. — Ousou beijar as pontas dos dedos crispados de Sakura. — Nunca arranhamos nem sequer a superfície. Você não faz idéia das delícias que andou perdendo.

— Cale-se! — Ordenou, com a voz embargada.

Sasuke estava distorcendo a verdade para que coubesse na própria versão em que acreditava, e ela sentiu-se tão ferida que começou a tremer da cabeça aos pés em resposta.

Aqueles olhos infatigáveis a mantinham cativa, e uma das mãos lhe deu um puxão, para trazê-la com força de encontro à sólida constituição física de Sasuke.

— Eu ainda não posso olhar para a sua boca, sem lembrar como é tê-la fixa em alguma parte íntima da minha anatomia — murmurou ele, aquela voz profunda pulsando dentro da mente de Sakura. — Me lembro de cada toque dos seus lábios, cada latejar sensual da sua língua sexy. Veja — disse asperamente, — saber que ainda sou tão obcecado por você quanto você é por mim, não faz com que se sinta melhor, Sakura, heim?

— Não sou obcecada por você... eu desprezo você! — sibilou ela. — Ou supõe que eu tenha esquecido a maneira como você relaxou dentro de mim, depois de alegar que o meu assim chamado amante esteve lá antes, ou o modo como deslizou para fora do meu corpo, ainda ofegante de toda aquela experiência bárbara, só para se atirar sobre mim como um animal? Você me xingou de nomes pelos quais eu jamais chamaria nenhuma outra mulher!

O rosto dele ficou lívido, e o coração de Sakura retumbava, não de desejo, mas com uma fúria que se inflamou por dois longos anos, chamejando ardentemente por dentro.

— Pedi desculpas — ele desferiu de volta. Pediu realmente? Bem, não deve ter sido uma desculpa sincera, porque ela não conseguia ao menos trazê-la à memória!

— O que você fez comigo foi além das desculpas — contou a ele. — E você sabe o que piorou tudo? Você não se importava o suficiente comigo para ouvir o que eu tinha para falar, antes de levar a punição adiante? Fui julgada e condenada, sem ter ao menos o direito a um tribunal justo! Bem, eu lhe digo uma coisa... — Os seios arfavam, as palavras disparavam dela na crista da fúria. — Vou deixar que você tire a corda do pescoço, se quiser... porque eu admito a culpa. Eu fiz aquilo. Levei outro homem para a sua cama, Sasuke, e mal posso lhe dizer o quanto apreciei a experiência!

— É o bastante! — Exclamou ele.

Estava certo e pronto. Numa onda nauseante de consternação, Sakura puxou o pulso para se livrar das garras dele, e cambaleou aturdida para longe. Tudo o que disse era mentira... tudo mentira. Por que fizera aquilo? Perguntava-se dolorosamente. Por que sempre tinha que dizer o que Sasuke queria ouvir?

Por trás dela, o silêncio pulsava como o ritmo pesado de um tambor. Por dentro, Sakura estava silenciosamente se desmanchando. No coração, chorava por toda aquela amargura e, na mente, sentiu-se tão feia que não queria ter que olhar para si mesma outra vez.

— Agora eu ganho o meu passe para fora daqui? — Indagou, com um fastio que sucedeu a raiva.

Como resposta, Sasuke deu meia volta e se afastou.

Sakura definhou numa combinação entre chocada com horror pelo que atiraram um no outro, e uma sensação esmaecida de alívio porque, finalmente, convencera Sasuke a deixar que saísse dali. Se recompondo, procurou juntar suas bolsas, depois respirou fundo antes de ir atrás dele.

Assim que pisou de volta na cozinha, percebeu que não ganhara coisa alguma. Sasuke estava representando o homem domesticado de novo, e enchendo a chaleira. O sobretudo se fora, e também o paletó e a gravata. Enquanto ficou ali, seus olhos não resistiram e acompanharam a ondulação dos músculos ao longo dos ombros largos e tensos.

— Tire o casaco, largue a bagagem — disse-lhe, sem se virar.

— Sasuke... pelo amor de Deus... — Sakura apelou de novo. — Só me deixe sair daqui para que eu possa achar um quarto de hotel, em algum lugar.

— Chá ou café? — Foi tudo o que Sakura recebeu em troca.

— Oh — ela gemeu, cobrindo os olhos agora palpitantes, com uma das mãos trêmulas. — Você não consegue entender? — gritou em uma última tentativa desesperada de trazê-lo de volta à razão. — Eu simplesmente não posso ficar nesse apartamento com você!

Foi inútil. A indiferença continuou enquanto Sasuke esperava a água da chaleira ferver.

— Você não passa de um monstro insensível — disse a ele, ao passo que o corpo enfraquecido desistia de toda aquela refrega estúpida.

— Chá ou café? — repetia Sasuke.

— Ah, escolha o que quiser — suspirou Sakura, e num ato de rendição afundou em uma das cadeiras rentes à mesa da cozinha, jogou as bolsas no chão, então apoiou os cotovelos sobre a mesa para enterrar o rosto nas mãos.

Outro silêncio choveu ao redor deles depois disso, quebrado apenas pelo sibilo calmante da chaleira assim que entrou em ebulição. Ela manteve a face oculta e Sasuke... bem, Sakura tinha consciência de que ele estava lá, encostado contra a bancada e olhando para ela, mas.., e daí? Deixe que tenha o gosto da sua derrota, se era assim que se divertia atualmente. Sakura não se importava a respeito de mais nada, a não ser injetar uma bebida morna no seu âmago e encontrar uma cama na qual pudesse dormir.

Observando a maneira abatida como Sakura estava sentada ali, com o rosto enterrado nas mãos, Sasuke cerrou os dentes bem juntos e, enraivecido, perguntava-se que diabos pensou que estava fazendo ao orquestrar aquela pequena cena. Desde quando um homem razoavelmente sofisticado, de trinta e quatro anos, insultaria a ex-amante com o tipo de observações como aquelas que derramara há pouco?

Alguém que precisava de um escape para todo aquele pesar ardente que lhe esmagava as entranhas, admitiu Sasuke.

E Sakura não era apenas uma ex-amante. Foi a mulher que ele amou. A mulher com quem acreditou que passaria o resto da vida. Entrar no próprio lar, e presenciar o que havia presenciado, iria queimar na sua cabeça para sempre.

— Nunca consegui descobrir quem era o outro homem.

— O quê...? — A cabeça escapou-lhe das mãos, olhos orlados de vermelho fitando Sasuke, como se estivesse falando com ela em grego. — Que você tenha se dado ao trabalho de tentar tornar você uma espécie infeliz de homem — devolveu com escárnio. — Esqueça o chá — acrescentou, se arrastando sobre os próprios pés novamente. — Aceitarei só o quarto. — Sakura rebocou a bagagem e caminhou para fora da cozinha.

Sasuke deixou que se fosse, aborrecido consigo mesmo por dizer coisas demais que não pretendia dizer. Permaneceu ali, ouvindo os passos de Sakura guiando-a para o fim do corredor, ouviu uma porta se abrir, e um som soturno lhe tocou os cantos da boca, porque reconheceu que a porta pertencia ao que Sakura acreditava ser um dos quartos de hóspedes. Escolhera aquela deliberadamente, sabendo que o antigo quarto de casal ficava no outro extremo do corredor.

Em pé ali, tenso, com as mãos coladas na bancada, esperou que ela percebesse o erro que cometera. Poucos segundos depois a porta se fechou e os passos continuaram até a porta do aposento ao lado. Não dormira no velho quarto desde o dia em que Sakura levou outro homem para lá. Teria saído do apartamento e nunca mais voltado, caso isso não representasse um passo grande demais para o seu orgulho.

Poucos segundos depois, e a segunda porta que Sakura escolheu se fechou com uma pancada reveladora. Só então Sasuke permitiu que o ar deixasse o seu corpo.

Devia estar louco... maluco de continuar deixando que ela o afetasse daquela forma. O que se passou deveria ser esquecido. Queria esquecer, mas por que estava postado ali, se sentindo tão mal como se sentiu há dois anos?

Sabia a resposta, mas o inferno poderia congelar inteiro antes que ele pudesse admitir.

A chaleira ferveu. Assistia a isso acontecer. Assistia enquanto o utensílio desligava sozinho e ainda permaneceu ali, até que o vapor esvanecesse por completo. Então, num rugido de frustração que soou estranho até para ele mesmo, virou-se e seguiu a iniciativa de Sakura ao bater a porta do próprio quarto.

De agora em diante iria manter distância, prometeu implacavelmente. Amanhã Sakura se mudaria para um hotel. E caso se encontrassem novamente enquanto ela permanecesse em Florença, só poderia ser por engano, porque Sasuke não queria que isso acontecesse.

Tomada aquela decisão, tirou as roupas e então deu largas passadas até o banheiro contíguo, abriu o chuveiro e entrou debaixo dele. O jato era poderoso, a água estava quente, e à medida que represava seu curso sobre Sakura, ele não teve outra alternativa exceto reparar no que acontecia no seu sexo. Aquilo fez com que quisesse impelir o punho através da parede de azulejos na sua frente, porque se Sakura era a única mulher que podia lhe excitar este tipo de reação, então estava certa e ele era a pessoa mais infeliz de fato.

Sakura abria a mala e retirou um baby-doll, depois ficou segurando as duas peças de lingerie de seda azul pálida, com dedos que vacilavam. Desprezava Sasuke, realmente desprezava... então por que as lágrimas nos olhos? Por que se sentia tão inacreditavelmente ferida, quando Sasuke ousou comentar alguma coisa que não mais deveria importar a nenhum dos dois?

Se fosse culpada como era acusada de ser, poderia ter uma razão para sentir-se tão miserável. A inocência deveria trazer consigo uma sensação de satisfação quando é feita uma apologia pessoal. Só que não era assim. Ao contrário, fazia com que Sakura desejasse sair e encontrar Sasuke, contar a verdade e acabar com aquilo para sentir-se confortável de novo.

Que verdade, afinal? Toda a verdade, nua e crua e tudo mais, e os segredos de outras pessoas? Tentou oferecer aquela verdade a Sasuke há dois anos, só para ser escaldada numa descrença furiosa. Até onde Sasuke estava informado, Sakura fora flagrada, tentando disfarçar a evidência da presença recente de outro homem no quarto deles. A cama amarfanhada falou por si mesma aos brados. O pacote de camisinhas falou ainda mais alto. O fato de ter chorado e colocado a culpa em outra pessoa foi o crime fatal aos olhos de Sasuke.

Se o amor devia ser testado por métodos tão dolorosos, então o amor dos dois foi julgado e sentenciado a se tornar insuficiente, tanto em força quanto em substância.

E o mais rápido que pudesse sair da órbita de circulação dele, melhor seria para ambos, porque estava tão claro, quanto o nariz no seu rosto, que Sasuke não estava manejando esta situação nem um pouco melhor do que ela.

— Oh, Temari — suspirou Sakura. — Apenas acorde e fique boa para que eu possa sair daqui, tão rápido quanto o primeiro vôo para Londres possa me levar.

Então pensou em Shikamaru, a quem não fora concedida nenhuma chance de melhora. Morto.

Os olhos ardiam. Não era justo. Ela o amava... todo mundo amava Shikamaru. Era aquele tipo de homem maravilhoso.

Mas ninguém o amava mais do que Sasuke, refletia dolorosamente. E, de súbito, Sakura entendeu que ele tinha um motivo para aquele comportamento tão insano.

Revolveu-se em remorso por não ter percebido isso antes. A solidariedade veio em seguida, acompanhando um impulso ansioso de sair e reconfortá-lo.

Em seguida, fremiu num covarde suspiro, sabendo que a última coisa que Sasuke queria dela era solidariedade.

Sexo... sim. Para Sasuke sexo era uma forma de panacéia. Ele deixou esse fato muito bem esclarecido!

Com aquela idéia, estirou o pijama sobre a cama, removeu as roupas, então caminhou até o banheiro contíguo para entrar no chuveiro. A primeira coisa que ouviu foi o som da água corrente no banheiro ao lado. Isso evocou a imagem do homem nu, com todas as suas proporções divinais, os largos ombros bronzeados, o longo torso dourado, e o tipo de pernas constituídas para prender uma mulher... firme. O corpo se inflamou, os seios enrijeceram.

Abrindo o chaveiro, Sakura se forçou a ignorar implacavelmente o que acontecia do outro lado da parede.

Foi uma satisfação rastejar entre os lençóis frios e enfiar a cabeça no travesseiro, uma satisfação puxar a colcha delicada até as orelhas, trancando o resto do mundo do lado de fora. Amanhã vou embora daqui e me hospedo num hotel — foi o último pensamento do qual pôde se lembrar de ter, antes de cair no sono como uma pedra.

Continua...


Espero que tenham gostado e desculpem pela demora.

Espero os reviews.

Kissus...