Nota da autora (preguiçosa): ainda se lembram disto? Bem, isto demorou mais do que eu tinha planeado, peço mil desculpas! É que fui atacada pelo terrível vírus da preguicite aguda... mas agora, com a faculdade, fiquei curada.

Mais uma vez... desculpeeeeem! D: E obrigada pelas reviews, mesmo muito obrigada!


Aarne avançou aos tropeções pelo meio da erva. Que mania esta, da túnica se meter debaixo das botas! O dia estava ventoso e o seu cabelo loiro com madeixas de cobre esvoaçava por todos os lados, dificultando-lhe a vista e irritando-o profundamente. Que raio de sítio, este onde Glorfindel se viera enfiar!

Uma raiz atravessou-se no caminho do elfo, que a evitou gloriosamente:

-A que devo a visita? - soou a voz de Glorfindel. O nobre elfo estava sentado uns metros mais à frente, entre duas grandes raízes que se entrelaçavam e pareciam formar as costas de um cadeirão. Sinceramente, não esperava que Aarne atravessasse a ponte de pedra a pé e o fosse procurar ao pequeno bosque. Todavia, tamanho empreendimento só poderia ser um bom augúrio... certo?

O elfo de olhos verdes desviou-se de uns ramitos baixos e sentou-se numa pedra, a uma distância respeitosa do elfo de Gondolin. A expectativa do nobre elfo era palpável.

Aarne fitou as mãos pálidas e soltou um suspiro; só os seres superiores sabem o quanto ele pensou e filosofou sobre o assunto. E o elfo de Mirkwood não podia evitar sentir-se orgulhoso por ter resolvido o problema sozinho:

-Não gostei da tua atitude, não senhor. - começou. Glorfindel sentiu que um peso colossal lhe tinha sido retirado dos ombros ao ouvir 'tua' - Gosto de sinceridade, a confiança ganha-se através disso. - o elfo de Gondolin assentiu, pesaroso - Mas agiste à defesa, não me conhecias, acabavas por ter o direito de te aproximares como bem entendesses... - Glorfindel voltou a assentir, esperançoso, e sorriu quando Aarne lhe ofereceu um sorriso sincero - E apesar de me teres feito de parvo, foste um excelente amigo. E não tenho dúvidas que sejas mesmo um excelente amigo.

-Não te volto a desiludir. - prometeu o nobre elfo. Sentia-se capaz de arrancar cogumelos e saltitar por aí e atirá-los ao ar, de tão feliz que estava. Tomou as mãos de Aarne nas suas e apertou-as, um sorriso de orelha a orelha a adornar-lhe o rosto - Prometo.

Aarne revirou os olhos e sacudiu as mãos, sentindo os ossos frágeis estalarem no aperto férreo do outro elfo.

Legolas ficaria certamente orgulhoso com a sua decisão.


Legolas estava sentado na cama, absorto na leitura, quando julgou ter ouvido algo. Franziu o cenho e fechou o livro; de facto, parecia que um qualquer grupo de arruaceiros se tinha infiltrado no palácio. Deixou o livro em cima da cama, levantou-se e saiu do quarto.

A confusão cessara.

Desceu as escadas e atravessou o corredor em direcção à sala do trono. Julgou ouvir, distantes, vozes iradas. Abriu a porta e entrou.

Thranduil estava sentado de lado no trono com uma das pernas apoiadas no braço do real assento. Tirara a coroa, e pela quantidade de cabelinhos em pé fizera-o com bastante fúria:

-Ouvi vozes. - disse Legolas enquanto se aproximava do trono do pai. O rei elfo esticou os braços para o filho e abraçou-o:

-Este chapéu ridículo só me traz problemas! - resmungou rei, agitando a coroa numa das mãos. O príncipe sorriu e ajoelhou-se ao lado do trono, disposto a aturar a birra do rei - Não bastavam orcs e aranhas na minha floresta, não! Agora também há anões! - Thranduil agarrou o filho pelos ombros e esbugalhou os olhos - Diz-me Legolas, não sou rei? Não sou dono e senhor desta floresta? Não deveria ser respeitado? Será que ninguém reconhece a minha autoridade? Anões, anões!

-Como é que vieram aqui parar? - Legolas esforçou-se para ocultar um sorriso; era impressionante como, por vezes, Thranduil transformava um problema sério numa brincadeira:

-Não sei e eles não disseram, mas agora ficam nas masmorras! Hão-de aprender a respeitar o território alheio! - o rei elfo suspirou e massajou as têmporas. Endireitou-se, penteou o cabelo loiro com os dedos e voltou a colocar a coroa na cabeça - Tenho um mau pressentimento.

-Onde é que encontraram os anões? - o jovem elfo sentiu-se subitamente curioso; nunca vira um anão e não era todos os dias que as masmorras estavam repletas deles:

-Presos em teias... - Thranduil bufou - Malditas aranhas, nem para cães de guarda servem...

-O que vai fazer com eles?

-Por enquanto, ficam lá em baixo. - o rei elfo levantou-se e espreguiçou-se. Legolas também se ergueu e o pai colocou-lhe um braço em redor dos ombros - Viste o meu conselheiro? Curiosamente, ele nunca está por perto quando preciso dos conselhos dele.

Legolas soltou um suspiro discreto e triste; ultimamente Aarne também não tinha estado quando o príncipe mais precisara.


D: capítulo minúsculo é minúsculo, desculpem! É que queria mesmo actualizar isto, prometo que o próximo é maior e melhor!