Fanfic dedicada a Tarcyanna França Matos, 15/10/1993 - 21/01/2010.


Disclaimer: Naruto e os seus personagens não me pertencem, mas eu encomendei o Shikamaru por correio azul.

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É só por os pontos! (:

Músicas para acompanhar: Girls just wanna have fun (Cindy Lauper); Into the Night (Nickelback ft. Santana); Secrets of Love (DJ Bobo ft. Sandra); Is this love (Bob marley); Beat it (Michael Jackson); Babilonia (White Label); Don't upset the rythm (Noisettes); Memories (David Guetta ft. Kid Cudi); When love takes over (David Guetta ft. Kelly Rowland); Evacuate the dancefloor (Cascada); I'll be waiting (Lenny Kravitz); Me and My Guitar (Tom Dice); The Last Fight, piano version (Bullet For my V.); Because the Night (10000 Maniacs); What a Feeling (Laura Brannigan); Closer (Ne-Yo); Just Breathe (Pearl Jam); Black (Pearl Jam); Tango (from the Zorro film); Burn it to the Ground (Nickelback);


Estávamos a fazer as limpezas de Primavera.

Antes, eu odiava essa tarefa – pelo que sempre a adiava para a última da hora, pois não tive irmãos para os quais pudesse "empurrar" a tarefa para cima – mas agora que dirijo o meu quase próprio apartamento de quatro divisões, tal torna-se impossível, mesmo sendo partilhado com a minha amiga.

Ainda não me havia referido a isso? Pois sim, eu partilho um apartamento (num dos bairros de Mar del Prata para pessoas de baixo rendimento) com a Tenten, a miúda mais espaventosa que conheço. Juro, conhecemo-nos desde sempre, por isso ela é outra das minhas melhores amigas. Tenten é uma pessoa muito à relax, espontânea e descontraída. Mas ela também é muito desorganizada (mais que eu), teimosa, divertida e muito forte, no sentido emocional. É preciso muita coisa para a fazer chorar – uma das coisas que mais admiro nela. Ao contrário da Ino, eu e a Tenten nunca tivemos grandes rendimentos financeiros, o que nos leva a ter que trabalhar para podermos viver aqui e para pagarmos a academia. Eu trabalho num loja de roupa desportiva na baixa, enquanto Tenten é empregada numa loja de música no Shopping Unicenter. Sim, ela também estuda no conservatório, em Canto – mais precisamente, em Meio-soprano. A voz dela é simplesmente fantástica. Poderosa, sufocante, arrepiante! E duvido que alguma vez encontrarei uma pessoa que não concorde comigo.

Estava a limpar o pó das mesas, enquanto Tenten aspirava os tapetes e o chão.

- Tenten! – chamo-a.

Nada…

- Tenten! – chamo-a mais alto.

Nada outra vez…

- TENTEN! – essa porcaria de aspirador.

- Disseste alguma coisa? – pergunta-me ela, desligando o bicho.

- Sim! Ia-te dizer que isto está muito chato. Não podemos por música? – pergunto-lhe, fazendo olhinhos dignos de gato Shreck.

- Hum, claro, porque não? – diz, sorridente, e olha-me com um ar cúmplice.

Pressinto o que vem daí.

- MICHAEL JACKSON! – gritámos as duas, após uns breves segundos.

Corremos feitas teenagers para a aparelhagem, e metemos a nossa compilação de álbuns do Grande Rei do Pop a tocar.

Primeira música – Beat It.

Ao fim de cinco minutos, já estava a Tenten com a parte que cima do aspirador a fazer de microfone, enquanto eu fazia o moon walk e abanava o pano do pó como uma peça de roupa despida.

-JUST BEAT IT, BEAT IT, BEAT IT, BEAT IT. NO ONE WANTS TO BE DEFEATED! – Gritávamos como duas dementes. Bem, eu parecia uma demente, enquanto Tenten… enfim. Quase que chegava à qualidade do Michael. Quase.

Oh, assim é que se fazem limpezas!

::

Duas horas depois disto, acabámos as limpezas na sala e nos quartos – sim, tive que tirar a música, pois Tenten andava armada em Seventy Night Feber e não limpava nada.

Agora, era tempo da…

- Vai tu.

- Não. Eu fui o mês passado. Hoje vais tu.

- Tenten, eu não sou capaz.

Casa de banho. Nunca fora o meu forte.

- Eu preciso do meu sentido de olfacto amanhã.

- E eu do meu estômago.

- Mas hoje é a tua vez!

- Tentenzinhaaaa, por favor! Limpa desta vez a casa de banho por mim! Eu limpo nas próximas três vezes, prometo!

- Aham, conheço essas promessas. - e começou a tirar o seu avental e as luvas de silicone – Desta vez és tu que vais limpar a casa de banho! Aliás, eu tenho que me ir despachar… Vou ter um encontro importante daqui a nada. – disse, provocadoramente.

Deixei cair a esfregona. Um encontro?

- What a hell, um encontro? Com quem? – perguntei, com uma pequena suspeita a formar-se na minha mente maligna.

Já há algum tempo que ando a desconfiar de…

- Neji. – ela tirou-me as palavras da boca – Ele convidou-me para ir jantar com ele hoje às 19h.

Fitámo-nos mutuamente em silêncio.

Algo faltava neste cenário.

Cinco segundos de silêncio.

Dez segundos de silêncio.

Quinze segundos de silêncio.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – gritou Tenten. Era exactamente disto que eu estava à espera. - SOCOROOO! O QUE HEIDE VESTIR TESTUDA? OH MEU DEUS, COMO ESTÁ O MEU CABELO? – pergunta-me, virando-se para o pequeno espelho da casa de banho – AAAAAAAAAAAH! QUE HORROR! OH MEU DEUS! EU-

- CALMA! – gritei. A miúda ainda vai enlouquecer. – De quanto tempo disponibilizamos?

- 73 Minutos e trinta e oito segundos. – respondeu, olhando para o relógio.

- Creio que é suficiente. Vai tomar banho, eu vou ver da roupa, sapatos e acessórios. Tu vê se dás um jeito nesse monte de palha castanha e mete corretor nas olheiras. – Fizemos um coordenado aceno de cabeças, e pusemos as mãos à obra.

::

- Tenten… Sabes, por vezes surpreendo-me com a minha própria genialidade. – disse-lhe, na brincadeira.

Ela estava simplesmente ma-ra-vi-lho-sa. Tinha o cabelo castanho comprido – pelo meio das costas – esticado, a combinar com os olhos castanhos e grandes. Vestia vestido cai-cai verde musgo com saia balão, que ia até metade da sua coxa. Usava umas all stars pretas – achei que o contraste ficaria bem com a sua personalidade. A maquilhagem estava muito simples, a sua beleza natural bastava-lhe. Apenas lhe pus um pouco de corretor nas olheiras, um brilho nos lábios (é melhor não exagerar, já se lá saber para queque ela os vai utilizar…) e lápis preto para dar mais expressividade aos olhos.

- Achas mesmo? – perguntou em tom de dúvida – E se ele não gostar de… all stars?

- Tenten. Não sejas parva. Tu estás assombrosa. Saltos altos não fazem o teu estilo.

- Hum… se tu o dizes… - e olhou para o relógio – MERDA! FALTAM CINCO MINUTOS!

Desatou a correr para o corredor.

- ONDE ENFIASTE AS MINHAS CHAVES?

- Vê na mala que usaste ontem. – disse-lhe muito calmamente, sentando-me no sofá e pegando uma revista qualquer da Tenten.

- Já as tenho. – pegou nas chaves. Ela estava nervosa – estou bem?

Entortei a cabeça e fiz uma careta sarcástica.

- Well, ok. Então, adeus meu amor! – despediu-se, com um sorriso digno de Naruto.

- Vai com Deus!

Comecei a folhear a revista, e comecei a ler um artigo sobre "o perigo do aquecimento global", parecendo uma mulher intelectual e interessada nos problemas da actualidade.

Mas que… estou a tentar enganar quem?

Deitei aquilo na mesinha já atulhada de coisas, e peguei no meu livro – O Ano Tem Doze Homens. Sim, eu adorava de ler coisas interessantes do meu ponto de vista, se é que me entendem.

Mas… esperem aí.

Oh não, ainda tenho que limpar a casa de banho.

::

Estou aqui estou a dormir.

Mas não, tal não poderia acontecer, pois jurei à Tenten, ou melhor, jurei a mim mesma, que ficaria acordada e esperaria até ela chegar, para receber todas as informações em primeira mão.

Após limpar a casa de banho, estive a falar com Naruto para combinar algumas coisas para a nossa apresentação, como a música que iríamos utilizar e ideias para a coreografia.

O problema é que amanhã de manhã tenho que ir para a loja às 8h, e se eu não quero adormecer enquanto faço as contas dos clientes, é melhor que Tenten se despache.

Meia-noite e vinte e três… Meia-noite e trinca e cinco… Meia-noite e cinquenta…

Sinto as pálpebras cada vez mais pesadas, determinadas a fecharem-se de uma vez por todas.

Cada vez mais pesadas… E mais pesadas… Pesadas…

PUMBA!

Abri os olhos com brusquidão, pois senti algo acertar-me com toda a força na cabeça.

- TAS MALUCA? – gritei para Tenten, que está à porta, e que acabou de atirar com a sua mala em cheio na minha cabeça - já disse que ela tem uma pontaria óptima?

- Hey sunshine! – cumprimentou-me sorridente – Ainda acordada?

- Claro, eu disse-te que esperaria por ti!

- Não, não disseste.

- Não? Hum, também não interessa. E então, como correu? – perguntei entusiasmada, enquanto me compunha no sofá.

Os seus olhos começaram a brilhar intensamente, enquanto se deixava cair a meu lado.

- Oh Sakura, ele é tão perfeito que até dói…

Alto, o que é que dói?

- Não, não é aquilo que estás a pensar sua tarada. – censurou-me. Espero bem que ela tenha tirado partido da noite, quero dizer, não é todos os dias que o Neji Hyuuga, o frio, o calculista, o responsável, o anti-social; aquele pecado ambulante que toca violino que nem Emil Sauret, convida uma rapariga para sair.

- Mas então, aconteceu alguma coisa ou não?

- Bem… - ela corou um pouco. –Quando nos despedimos, foi meio estranho… Ele parecia que não sabia o que fazer, então eu estiquei-me e dei-lhe um selinho. – respondeu, envergonhada, como uma criança que acaba de confessar que roubou um rebuçado da gaveta antes do jantar.

- Oh, que fofo! Mas, sem ser isso, não aconteceu mais nada? Que é que ele fez quando lhe deste o selinho? Combinaram outro encontro? – perguntei. Oh meu deus, se ele não marcou nada, ou é gay ou não gosta mesmo de all stars.

- Calma Sakura! – disse, rindo-se. – Uma coisa de cada vez. Durante o jantar ele pegou-me na mão, sem contar com isso não aconteceu mais nada. Quando lhe dei o Selinho, ele passou um braço pela minha cintura, sorriu e sussurrou-me que me ligava amanhã. – ela suspirou – e depois foi embora. – ela rolou os olhos.

- Oh que fofinhos! E onde é que ele te levou?

- Ele levou-me a um restaurante todo fino, com luz de velas e tudo! E disse-me que estava muito bonita. – disse, babada. - Comemos, bebemos, conversámos, rimos, etc. Ao início, estava um ambiente muito constrangido, mas depois descontraímos mais e começamos a conversar sobre outras coisas que não o conservatório. Ou melhor, eu falava e ele concordava. E foi praticamente isso.

- Ele levou-te a casa?

- Sakura, eu tinha o meu carro, burra.

- Ah, certo. Mas conta lá, como foi exactamente a parte do selinho!

- Foi tipo: fomos para o parque de estacionamento a rir por uma coisa que eu tinha dito, não me lembro o quê, e virámo-nos um para o outro para nos despedir-mos. Repito, foi muito estranho. Ele parou de rir, e fez aquele sorriso de canto que só dá vontade de trincar, e eu disse-lhe que gostei muito da noite. Depois, ele ficou naquela de "o que faço agora", e aí tomei iniciativa… - ela piscou-me o olho – e ele deu-me um semi-abraço, aquilo de por um braço à volta da minha cintura. Depois ele disse: ligo-te amanhã. E foi embora.

- Hum. – franzi o cenho. Resolvi brincar com ela – Já consigo ouvir os sinos a tocar! A minha TENTENZINHA VAI-SE CASAR, VOU CHORAAAAAR! – disse numa voz teatral.

Oh Deus, a Tenten em vestido de noiva, havia de ser bonito!

- Sakura – e mandou-me àquele sítio – se ele me pedisse em casamento não aceitaria nem que me aparecesse o Elvis Presley com tanga e virgindade à frente.

Olhámos uma para a outra.

E desatámos a rir.

::

Os dias que se seguiram correram… a correr.

Acordei tarde todos dos dias, sem excepção, novamente sai de casa sem tomar pequeno-almoço. Cheguei atrasada, para variar, à loja. Ouvi sermões do meu boss, Deidara, por chegar atrasada. Juro, ele é tão gay, mas tão gay que às vezes até me pergunto como é que ele o conseguiu esconder à nascença.

Normalmente, uma Loja de roupa desportiva na baixa de Mar del Prata tem sempre, pelo menos, quatro ou cinco turistas Ingleses a comparar os preços Argentinos com os Britânicos, para depois descobrirem que cá tudo é estupidamente mais barato, e comprarem montes de roupa. Mas nestes dias, esteve tudo estranhamente calmo. Na minha hora de almoço de sexta-feira, Ino ligou-me, contando-me sobre o brilhante plano de Temar: irmos todos descontrair um pouco antes de começar-mos a trabalhar a sério para as apresentações no Beach Bar, perto da Praia Grande de Mar del Prata. Iriam Temari e Gaara (eles são irmãos), Hinata (uma menina que está a cursar Pintura na academia, nossa amiga), o famoso Naruto, Kiba e Shikamaru. Apesar do facto de Temari ter tido necessidade de utilizar a sua arma secreta para o convencer. Lembram-se? Cortar os tomates? É…

::

Estávamos à porta do enorme clube VIP, pertencente ao pai da Temari. Juro, eu sentia-me importante só de olhar. Era uma moradia enorme, pintada em tons de turquesa, azul e branco. Na entrada, estavam dois gorilas de tamanhos assustadores vestidos de preto, a cobrar a entrada que (desconfio) só pode ser concebida por intermédio de um convite. Vários holofotes de luzes brilhantes lançavam os seus raios para cima das pessoas, e eu poderia jurar que vi actores de novelas mexicanas no tapete vermelho que indicava a entrada. A Praia Grande, onde se realizavam muitos concursos de Surf anualmente, encontrava-se a cem metros do clube.

Eu, Tenten, Ino e Hinata entreolhámo-nos, intimidadas pelo ambiente, enquanto Temari sorria para os seguranças, toda laroca e confiante da vida. Gaara estava de braços cruzados ao lado de Ino, com a sua habitual faceta neutra.

- Bem… Vamos entrando meninas? – perguntou Hinata, na sua costuma voz baixa e gentil, enquanto olhava tímida para as pessoas à sua volta. É, realmente, aquele não devia ser o seu sítio preferido, muito menos vestida naqueles trajes. Estávamos todas (bastante) mais arranjadas que o costume pois, convenhamos, não iríamos a um clube VIP de calças de ganga e ténis.

- Temos que esperar pelo resto da manada. – disse Tenten – Eles devem estar prestes a chegar. – Nós tínhamos vindo em dois carros: eu e Tenten no Audi A5 vermelho sangue da Ino; e Temari, Hinata e Gaara no lindíssimo (e caríssimo) Jaguar XF do próprio.

Ficámos mais uns minutos à espera, até que ouvimos um barulho na estrada. Quando todos nos voltámos, vimos um Ferrari vermelho vivo estacionar mesmo à nossa frente, de onde saíram Shikamaru, Naruto e Kiba, todos com camisas brancas sociais e calças pretas ou de ganga, como era o caso de Kiba.

Vi Hinata corar abruptamente mal Naruto se aproximou de nós. Sim, ela possuía uma paixão platónica pelo meu companheiro de dança. Um amor que, ainda hoje, me pergunto como foi possível crescer, visto que eles têm tanto a ver um com o outro como uma árvore de Natal e a Páscoa. É, há coisas que nunca compreendemos.

- COMO É PESSOAL? – pronunciou-se Naruto com a sua voz histérica, batendo no ombro de Hinata, num gesto de companheirismo. Vi-a cambalear, quase caindo de cara no chão devido ao chapadão de Naruto. Novamente, eu pergunto-me como é possível ele armazenar tanta estupidez dentro de si.

- AI! Desculpa Hinata-chan! – disse, amparado-a – Às vezes não tenho controle na força que eu utilizo! E, aliás, hoje estás muito bonita! – ele sorriu abertamente para ela, o que apenas contribuiu para a envergonhar ainda mais. É, infelizmente há quem use elogios como compensa às nossas asneiras quando se tem o cérebro de Naruto. Isto é, se ele o tiver sequer.

- N-não há problema, Naruto-kun… O-obrigada. - respondeu baixinho.

- Pff, diz-nos algo teu em que tenhas controlo, Naruto. – disse Kiba, com um sorriso de deboche sacana. Eles entreolharam-se, e poder-se-ia jurar que havia faíscas nos seus olhos.

- TIRA O TEU FOCINNHO DOS ASSUNTOS DOS OUTROS SEU RAFEIRO! E EU TENHO TUDO NO DEVIDO SÍTIO, SEM EXCEPÇÃO! – a cara de Naruto ia atingindo a cor de um tomate pisado, enquanto Hinata quase desmaiava de vergonha.

- Ai sim? Comprova-o seu idiota!

Gotas se formavam na cabeça de todos nós, enquanto Shikmamaru, que até agora se tinha mantido calado, bateu com a mão na própria testa.

- Problemáticos… - resmungou, sonolento.

- Ah Shikamaru, para ti tudo é problemático! – disse Temari, enquanto apoiava o cotovelo em cima do ombro dele.

- É, mas umas mais que outros. – resfolegou, virando a cara para Temari não ouvir.

- O QUE DISSES-TE, SEU CAVALO?

Eu e Tenten entreolhámo-nos, definitivamente o mundo estava perdido.

- Como é gente? Vamos entrar ou não? – Tenten interrompeu os casais… digo, as discussões deles.

- Vamos embora! – Temari tomou a avante, caminhando de modo cativante em direcção aos seguranças.

- Eles estão comigo, podemos entrar, querido?

- Nome. – respondeu o Segurança, indiferente ao encanto de Temari.

- Gaara no Sabaku. – Gaara intrometeu-se, aproveitando-se de toda a sua aura de assassino.

- Oh! S-sabaku! Claro claro! Senhoritas, se fazem favor… - fez sinal para entrarmos.

Agora é que o vejo: dá sempre jeito ter amigos filhos de um multimilionário, dono de uma cadeia de Hotés e bares.

Temari empinou o nariz para o Segurança e entrou com toda a classe possível dentro do bar, seguida de todos nós. Mal entrámos, comecei a ouvir o começo da música Burn it to the Ground, da minha banda preferida, Nickelback.

We're going off tonight, yeah – Nós vamos estar fora esta noite, yeah

To kick out every light, yeah – Vamo-nos esconder nas luzes, yeah

Seguimos Temari até uma sala ampla, iluminada por milhares de luzes de todas as cores e uma bola de discoteca e-n-o-r-m-e. Sério, aposto o meu Guitar Hero em como aquela bola custava mais que todo o meu apartamento. Do lado direito havia um bar que se estendia ao longo de toda a parede, com cinco barmen vestidos à pinguim a servir os clientes. No lado oposto, encontravam-se mesas baixas, rodeadas de puffes, banquinhos e cadeirões. No centro estava, obviamente, uma pista de dança com chão quadriculado às cores, digna de um filme dos anos 70, em frente encontravam-se um DJ rodeado de inúmeros discos organizados em pilhas e, ao lado, estava um mini-palco de Karaoke.

C'os diabos. Aquela discoteca é foda.

- Então meninas, o que acham? – perguntou Temari, toda orgulhosa.

- É… - Tenten tentava fechar a boca, mas esta teimava em continuar aberta – É! Quero dizer, por todos os santos, isto é O bar.

Ela piscou-nos o olho – Eu disse-vos. - Enquanto falava, um giraço passou por ela, virando-se novamente para trás e sorrindo para ela de maneira provocadora. – Bem… Vão-se divertindo, eu já vou ter com vocês. – dito isso, ela sorriu-lhe de volta da mesma maneira e desapareceu da nossa vista.

Ouvi Shikamaru murmurar um "Problemática" para Temari, mas convenhamos, isso é tudo ciúme.

Dirigimo-nos às mesas baixinhas super fofas e abancamos lá, mas não antes de haver uma guerra entre mim e Tenten para ver quem se sentaria no puff. Claro que fui eu quem acabou por se sentar lá, e sabem que argumento usei?

- Mas eu limpei a porcaria da casa de banho!

Tenten fechou os olhos, impaciente, e vi-lhe uma veia a saltar na testa. Perigo.

Mas ela acabou por emburrar a cara e largar o puff, sentando-se ao lado de Kiba num dos banquinhos. Hinata sentou-se ao lado de Naruto no outro, sendo que este parecia ter acordado para a vida e percebido (mesmo depois de toda a gente o ter alertado) que ela existia e era uma rapariga deveras interessante.

::

- Vamos a isto Testuda! – Ino começou a puxar-me para a pista de dança, feito que acabou numa catástrofe: derramei a minha bebida para cima das calças de Shikamaru… bem, poder-se-ia dizer que a minha pontaria não falhou ao molhar precisamente aquela zona.

Ele encarou-me com os seus olhos pequenos e escuros, na maior cara de "a-minha-vida-é-uma-bosta". Mostrei-lhe um sorriso de desculpas deveras amarelo, sendo arrastada pela porca para a pista de dança.

Só aí reparei qual era a música que estava a tocar. Oh não, Ino era viciada na Babilonia.

As batidas electrónicas já tinham começado e com elas muitas pessoas que estavam sentadas se levantaram para ir dançar. Actualmente, esta música era mesmo The Party Hit.

I was born in a system that doesn't give a fuck – Eu nasci com um sistema que não dá uma porra

About you nor me nor the life...of our kids – Se tu me conheces ou se conhecemos a vida que os nossos filhos levam

Todos dançávamos ao ritmo da música, Tenten tinha-se juntado a nós. Pessoalmente, não gosto de música electrónica nem house ou remixs, mas esta… convenhamos, era uma excepção.

Keep my guns load, you never know, - tenho sempre as armas carregadas, nunca se sabe

Just in case things get frig – só para o caso das coisas começarem a aquecer

Dançávamos de maneira dominante e forte, uma coreografia que combinava com a letra e a música. Sim, uma coreografia que nós (incluindo temari… já agora, onde ela andará?) inventámos há pouco tempo, para fazer jus à nossa profissão. Tenten, apesar de não andar nas danças, tem bastante jeito para a coisa. Sério, ela sabe-se mexer bem, mas só porque, off course, teve três excelentes professoras que a ensinassem.

Na moral: Ino dominava a pista de dança, com um balanço de ancas e movimentos rebeldes dignos de Shakira.

That's just the way I live, yeah! – Esta é a minha maneira de viver, yeah!

That's me, yeah! As is? – Isto sou eu! Comé?

Tenten e eu entreolhámo-nos, divertidas. – Queres um balde, xuxu? – perguntou ela a um rapaz que não conseguia tirar os olhos de Ino.

Rimo-nos, e teríamos continuado se Tenten não tivesse pasmado de repente, que nem uma vítima do Nosferato. – Tenten? – chamei-a, passando a mão à frente dos seus olhos.

Ela olhou para mim, a abanar ambas as mãos no ar, que nem uma criança que não cabe em si de excitação.

De repente, deu meia volta e foi ao bar, num andar de coxa, e roubou o shot que o barman estava a entregar a um cliente. Não preciso de mencionar que tínhamos todos grandes ? estampados na cara. Mas que…?

Devorou aquilo de um trago e voltou para cá, com os olhos exageradamente abetos, para só aí apontar para a entrada, abrir a boca e soletrar S-O-C-O-R-R-O.

Olhei na direcção da entrada e com o que me deparo? Nada mais nada menos que Neji Hyuuga em pessoa.

Bolas, agora sim, isto fazia sentido.

- Queres um balde, xuxu? – perguntei-lhe, maliciosa.

Ela, como estava à espera, mandou-me àquele sítio, para depois se por em bicos de pés (sim, Tenten é uma gnoma minúscula de metro e cinquenta e sete). me agarrar nas bochechas e virar a minha cabeça novamente para a entrada, perto dos seguranças.

C'os diabos, visão do inferno. Sasuke?

- Oh, por Deus, tenham piedade de mim! – choraminguei. Esta foi a vez de Tenten sorrir maliciosamente.

Neji viu-nos e sorriu torto para Tenten. Esta, por sua vez, engoliu em seco e virou-se para mim para dizer qualquer coisa, mas eu interrompi-a.

- Vai p'ró inferno Tenten, se não é desta que arrumas o maldito Hyuuga dou cabo de ti. E não te preocupes, ele gosta de all stars. – Sim, Tenten teve a coragem… não, a ousadia de vir para o bar com as suas all stars. Sério. Ela não desgruda daquilo, maldito vício.

Ela sorriu, e de seguida encaminhou-se rumo gostos… digo, Neji.

Não pude evitar sorrir ao vê-los ao lado um do outro, a maneira como ela se esticava e ele se encolhia para se cumprimentarem, visto que ele é bastante alto e ela… enfim.

Ino já não dançava, pois a Babilonia já acabara. Ela fez-me sinal para ouvir e não consegui evitar entrar no ritmo com a música que se seguiu. Ouvia-se a introdução da música Closer, do Ne-Yo.

Entreolhámo-nos e começámos a dançar. C'os diabos, ninguém resistia a esta música.

Closer… Closer… Closer… Closer… - mais perto… mais perto… mais perto… mais perto…

Eu dançava o melhor que podia. Balançava a cintura enquanto descia até encolher os joelhos e subia outra vez. Fechei os olhos e virei-me para continuar a dançar, mas…

-AI! – embati em algo duro que me teria feito cair no chão se não tivesse sido amparada por dois fracos fortes. Sem reparar no que fazia, eu coloquei as mãos num peito musculado, e senti os músculos a retesarem-se sob a minha mão. Arrepiei-me. As palmas das minhas mãos suaram.

Preparei-me mentalmente para fazer um sorriso sexy e agradecer ao meu salvador musculado, mas quando abri os olhos, é, fiz cara de mamã-eu-sou-homossexual.

- Sasuke? – não pude evitar fazer um esgar de desgosto.

- Sakura. – respondeu seco, largando-me imediatamente. Decidi ignorá-lo e continuar a dançar, mas ao mesmo tempo vi que ele decidira fazer o mesmo e… c'os diabos. Ne-Yo começou a cantar, e o sacana ainda olhava para mim, de forma enigmática.

Turn the lights off in this place – apaguem as luzes nesta sala

And she shines just like a star – e ela brilha quem nem uma estrela

Ele começou a dançar, uma coreografia estranha, uma junção de hip-hop com movimentos de danças de salão e latino-americanas, street dance e break dance.

Turn the music up in here – Aumentem o volume da música

I still hear her loud and clear – eu ainda a ouço, alto e bem

Sim, ele fitava-me. Ainda. Maldito.

Like she's right there in my ear – como se ela estivesse ali, ao pé do meu ouvido

Telling me that she wants to own me – dizendo-me que me quer possuír

To control me – que me quer controlar

Agora eu tinha a certeza: 1) ou Sasuke estava possuído 2) ou ele estava a desafiar-me.

Come closer (closer) – chega-te mais perto (mais perto)

Come closer – chega-te mais perto

Os passos dele foram complicando e aumentando de rapidez, como se dissesse "então rosinha, não consegues acompanhar?", enquanto, (pasmei), ele combinou um passo de dança com um movimento de mão, chamando-me para ele com os dedos, tal qual Matrix.

Uma ova. Se era "battle" que ele queria, seria "battle" que ele iria ter.

And I just can't pull myself away – Eu simplesmente não consigo afastar-me

Under her spell I can't break – Sob o teu feitiço eu não consigo respirar

I just can't stop, (I just can't stop) – Eu simplesmente não consigo parar, não consigo parar

Foi a minha vez de atacar. Esforcei-me ao máximo, dançando rápida e eficazmente bem. Eficaz? Pois sim, todos já nos davam espaço, afastando-se da pista de dança e fazendo uma roda à nossa volta. Fitei Sasuke, aproximando-me enquanto empregava certos passos de dança que Ino me ensinou uma vez. Ou seja, eu estava a dar uma lição ao bad boy metido a besta à minha frente.

Vi que ele se distraía e atrapalhava nos seus passos, enquanto olhava para mim, como que hipnotizado. Ah, qual é, eu sou foda e ponto!

I can feel her on my skin - eu posso sentí-la na minha pele

I can taste her on my tongue – eu posso saboreá-la na minha língua

She's the sweetest taste I've seen- Ela tem o gosto mais doce que já vi

The more I get, the more I want – Quanto mais recebo, mais eu quero.

Agora eu fazia-lhe sinais com os dedos para ele se aproximar, da mesma maneira que ele o fez.

she says: "Come Closer" – ela diz: "chega-te mais perto"

Ele aproximou-se e, com um sorriso de canto maldito, puxou-me para si, de maneira a dançarmos praticamente colados um no outro. Os nossos olhos encontraram-se.

Ódio com ódio.

Orgulho com orgulho.

But I don't want to escape – mas eu não quero escapar

I just can't stop, (I just can't stop) - simplesmente não consigo parar, não consigo parar

I just can't stop, (I just can't stop) - simplesmente não consigo parar, não consigo parar

(I just can't stop) - não consigo parar

Dançámos, misturando as nossas sensações e emoções um no outro, cada um tentando controlar. Mas ambos indomáveis. As pessoas olhavam para nós, pasmadas, enquanto eu brincava com as "necessidades" do Sasuke.

Aproximei-me perigosamente dele, inspirando fundo o ar perto dos seus lábios, para depois me virar bruscamente e levá-lo atrás agarrando a sua gravata mal colocada.

Afinal, isto era um jogo, e eu nunca disse que jogaria limpo.

Come Closer… -Chega-te mais perto…

A música acabara, com Sasuke a segurar-me as costas com uma mão e a outra na minha coxa, enquanto eu tinha a perna flectida ao redor da dele e a cara perto da dele. Ambas as respirações aceleradas.

O som dos aplausos encheu a discoteca, até o DJ nos fitava, atónico e entusiasmado.

Fitei novamente Sasuke e vi que ele ainda me encarava. No momento em que fitei, com olhos de ver, aqueles olhos tão negros como o carvão, não tive como não me perder neles. Senti-me envolta numa neblina estúpida e que me impedia de ouvir o que se passava à minha volta, como se apenas existíssemos nós naquele salão. Coisa que demorou menos de dois segundos, pois puxei a minha perna violentamente para baixo, afastando-me dele e indo em direcção a Ino.

- Foi muito mau? – perguntei, derrotada.

- Sakura, a atracção entre vocês era praticamente palpável. – respondeu, encarando-me seriamente.

- Não digas isso, estás a ferir o meu orgulho. – choraminguei.

Ela começou a rir. Sério. Ela estava a rir da minha cara.

- Onde estão a Tenten e a Temari, já agora?

- Ali… - Ino apontou para uma mesa ao fundo do salão, onde pude identificar Tenten sentada no colo de Neji, a beijá-lo enquanto ele tinha uma mão na sua cintura e outra na sua perna nua. – e ali. – de seguida apontou para o lado oposto, onde estavam Temari e Shikamaru encostados a um poste err… bem mais entretidos.

- Bolas, arranjem uma cama. – resmunguei.

- Eles encontraram-se na casa de banho, quando Shikamaru foi lavar a bebida das calças. – ela prendeu o riso – Não sei qual foi a pornografia que Temari deve ter feito, apenas sei que desde aí estão nisso.

Ino fitava Tenten e Neji demoradamente. – Também quero um! – choramingou.

Ergui uma sobrancelha. Ela só poderia estar a gozar comigo.


Gatas, antes de tudo, eu peço desculpa pela espera. Não é meu hábito demorar muito tempo para postar, mas entendam a minha delicada situação: após um desgosto pela saída de Portugal do Mundial (Inner: AQUELA MERDA DE GOLO ERA FORA DE JOGO, SEU GORILA DE ÁRBITRO!), ainda sofri múltiplos raptos das minhas amigas. Sério, elas obrigaram-me a ir a todo o lado com elas durante estas duas semanas e fiquei com pouco tempo para escrever x( e para além disso, estava ali encalhada numa parte do capítulo e não sabia como havia de continuar. ENFIM. Mas aqui ele chegou, o segundo capítulo, acabadinho de ser acabado! Ficou enorme, eu sei o.o Por isso, digam-me, demasiado grande? Demasiado pequeno? Bom tamanho? Whatever x)

Agradeço de coração a:

Sakura Uchiha Taysho Sohma; s2Cold Hearts2; Line Mulango. Gatas, arrasam (: e claro, obrigado também a quem leu.

Reviews fazem as autoras felizes! Façam a boa acção do dia (: make jack happy :3