Aviso: Esta fic inteira é rated M por um ótimo motivo, mas esse capítulo descreve situações que podem desencadear alguns gatilhos (non-con). Portanto, recomendo critério aos leitores.

Tejem avisados.


III

Ikki não lhe mentiu.

Apesar de Saga acreditar que o moleque seria bem capaz de levá-lo a algum lugar ermo para tentar matá-lo pelo pouco de estima que tinham entre si, ainda assim ele cumpriu com sua palavra. Trouxe-o até os arredores do Pilar do Atlântico Norte, como Saga lhe pediu. Mas assim que chegaram o mais perto possível do que ele considerasse um "lugar seguro", ele foi embora. O rapaz nunca fez segredo de que considerava aquela uma péssima ideia, e não queria estar por perto se ele fosse capturado.

Claro que o moleque pensava assim porque não o conhecia. Porque somente essa ignorância podia explicar que ele acreditasse que Saga pudesse ser descoberto por quem quer que fosse contra sua vontade. Ele era Gêmeos, e seguramente não o chamavam de Mestre das Ilusões à toa. Ele podia não apenas ocultar seu cosmo, mas também se manter invisível aos olhos alheios.

E assim, oculto sob as ilusões de Gêmeos, Saga caminhava pelos domínios de Dragão Marinho.

Mesmo em meio ao orgulho de suas capacidades, Saga tinha que reconhecer que o garoto tinha sua pontinha de razão. Manter-se oculto aos outros habitantes do Reino Marinho era muito fácil, mas esconder-se de seu irmão era um desafio totalmente diferente. Kanon tinha um cosmo muito parecido com o seu, além de conhecer suas técnicas e ilusões. Para isso, porém, Saga contava com o fator surpresa: Uma coisa era seu irmão localizá-lo em uma batalha onde sua presença fosse dada como certa, mas como Kanon poderia descobri-lo se nem sequer desconfiasse que ele estivesse ali? Embora soubesse que não era um plano perfeito, era sua melhor opção até o momento. E estava funcionando.

Parou em frente ao pilar, uma construção cuja imponência impressionava até a ele, ex-Grande Mestre do Santuário. O Reino Submarino estava próximo de sua restauração total, e os pilares foram os primeiros a serem reconstruídos. Uma parte disso se devia ao impressionante cosmo de Poseidon, que saturava todo o reino quase como maresia. O Deus mostrava a seus súditos todo seu poder, dando-lhes forças para reconstruir o reino que chamavam de lar e dando aos seus soldados a disposição para lutarem como nunca.

Para um servidor de Atena, isso não parecia nada bom.

Uma figura alta e imponente lhe chamou a atenção. A armadura dourada, que alguns chamavam de escama, cobria-lhe todo o corpo com exceção das coxas, cobertas por uma calça de malha por baixo das perneiras. A cabeça estava escondida embaixo do casco, mas o cabelo longo que descia pelas suas costas o denunciou de pronto. Escutou a voz acre que dava ordens sem aceitar recusa, enquanto os servos e soldados trabalhavam na reconstrução daquele pedaço do reino obedeciam sem pestanejar.

Saga sorriu: ali estava Kanon.

Esperou que ele desse por terminado o turno de trabalho. Acreditou que ele fosse tirar o casco da escama para dispensar os subalternos, mas ele não se deu a esse trabalho. Apenas disse que eles estavam dispensados, lhes informou a hora em que deveriam voltar para o local das obras e saiu em direção ao seu pilar.

Ao contrário de suas previsões, estava sendo relativamente simples ocultar-se de seu irmão no caminho até o pilar em que ele morava agora. Antes achava que seria a parte mais perigosa de sua missão, mas seu irmão nem sequer prestava atenção em seus arredores. Não que isso não lhe soasse estranho, porque Kanon não costumava ser assim tão descuidado, mas também não estava levando em conta o quanto ele mudara desde que assumira o posto de Dragão Marinho. Além disso, aquele era seu habitat natural, assim que não deveria lhe parecer estranho que ele estivesse tão à vontade.

Entrou logo em seguida dele, e o acompanhou secretamente até a área privativa da construção.

Saga era bem ciente de que os cavaleiros dourados tinham certos luxos em seus templos, mas o que via ali não podia sequer se comparar. A parte habitável do pilar parecia menor que os salões privativos dos templos dourados, mas em compensação ali havia mais móveis, mais conforto, mais... tudo.

Kanon vivia em uma casa quase tão confortável e luxuosa como a que ele mesmo teve como Grande Mestre do Santuário de Atena.

"Ah, é assim que vive o safado..." - Saga pensou, oculto sob suas ilusões e com o cosmo sob controle absoluto. Apesar da distração de Kanon, sabia que não poderia descuidar-se ou o irmão o localizaria em segundos. - "Então eu me preocupei por nada."

Seguiu seu irmão até o banheiro, que era ainda mais impressionante do que o resto da casa - grande, espaçoso, com uma banheira de mármore que acomodava até três pessoas com tranquilidade, junto de uma fonte natural de água doce. Não tão impressionante quanto as termas privativas do Grande Mestre, mas certamente melhor do que sua banheira no templo de Gêmeos, que mal acomodava duas pessoas.

Mas seus pensamentos se detiveram em seco pela visão de seu irmão tirando a roupa na sua frente.

Não conseguiu desviar seus olhos nem quando o viu entrar na banheira até que um chiado de satisfação escapar de sua garganta. Viu também os dedos dele passarem pelo cabelo comprido, e percebeu que até mesmo maneira como ele se movimentava era diferente de suas recordações. Não tinha mais a impetuosidade da adolescência, a fúria mal contida até nos menores gestos. Ela deu lugar uma graça felina, típica de guerreiros como eles eram.

Ele se lembrava de uma época onde ele e Kanon faziam tudo juntos. Treinavam, recebiam lições, comiam, bebiam, dormiam, machucavam-se, arriscavam a vida nos treinamentos, inclusive tomavam banho juntos. Eram pouco mais do que crianças, e apesar de muitas vezes não se darem bem eram irmãos que só tinham um ao outro no mundo. Parecia-lhes muito natural compartilhar o pouco que tinham.

Mas, um dia, a imagem de seu irmão nu diante de si o deixou nervoso.

Ninguém explicou a eles sobre o fim da infância e o começo da adolescência, mas ele achou que isso devia ser natural porque claramente já deixavam a infância para se transformarem em rapazes. Mas manteve suas impressões para si, não disse nada diante da sensação perturbadora ao sentir o toque de seu irmão em suas costas enquanto ele o ajudava a se limpar, nem quando se sentia ainda mais estranho quando lhe devolvia o favor. Logo chegou o dia em que Kanon fez questão de tomar banho sozinho, e ele não protestou.

Depois se distanciaram até o ponto em que ele não sabia o que Kanon fazia e, quando descobria o que ele andava fazendo, constatava que o caráter de seu irmão piorava cada dia mais.

Agora, porém, Kanon já não era o menino que se banhava com ele, nem o adolescente que era logo que sua índole começou a apodrecer sem que suas tentativas de colocá-lo nos eixos dessem algum resultado. Kanon era agora um homem, e por mais parecidos que eles seguissem sendo ainda era uma imagem muito distante de suas memórias. Seu rosto adulto agora era mais proporcional, já que o maxilar mais pronunciado harmonizava melhor com o nariz e as maçãs do rosto. O corpo alto equilibrava força e graça, os músculos definidos e harmoniosos realçados pelo hábito dos santos de removerem os pelos corporais tanto para facilitar a cura de eventuais cortes e lesões como para demonstrar os votos de pureza em seus corpos, eliminando os marcadores de uma maturidade sexual da qual optaram por não desfrutar.

Talvez fosse por isso, essa percepção de que seu irmão agora era um adulto, que percebeu-se tão nervoso quanto ficava diante do irmão despido em sua já distante pré-adolescência.

Respirou fundo, acalmando-se para que essa sensação não perturbasse o equilíbrio do disfarce que o ocultava. Tinha que se lembrar de que não lidava mais com um aprendiz nem com um santo recém-empossado; deveria esperar que Kanon tivesse melhor domínio de suas técnicas e poderes. Qualquer deslize poderia ser fatal.

E foi graças a esse esforço de concentração que ele conseguiu manter-se oculto quando sentiu outra presença no pilar.

Um cosmo forte, intimidante até, e que lhe parecia familiar porque já o havia sentido ali, apesar de sua percepção não lhe fazer sentido algum.

Poseidon. Tinha certeza que era o cosmo de Poseidon.

O cosmo familiar deu lugar à presença de um homem forte e alto, até mais alto do que ele. Corpo tão atlético quanto o dos Santos, porém mantendo os pelos corporais que o caracterizariam como um homem feito - apto a gozar os plenos direitos de um homem tanto no Olimpo como na cultura onde ele fora educado. Cabelos longos e ondulados, barba fechada e bem aparada encobrindo parciamente um rosto harmonioso, sem rugas ou marcas de expressão, mais jovem do que Saga imaginava.

De fato, as estátuas que o representavam desde a antiguidade captaram os cabelos e a barba, mas não conseguiram reproduzir o porte olímpico do deus dos mares.

Mas o que diabos ele fazia ali, no Pilar do Atlântico Norte, no momento em que seu General se recolhia para seu descanso?

Concentrou-se ainda mais, porque sabia que agora tinha que se ocultar de um deus.

Kanon permaneceu imóvel dentro da banheira até que Poseidon parou na porta do banheiro, sem dizer uma palavra. Seu irmão se levantou, sem dar atenção à própria nudez, e se virou para pegar uma toalha. Secou-se, vestiu um roupão de linho; mas o deus dos mares foi até onde ele estava e com um roce de mãos fez o roupão deslizar sobre seu corpo até o chão. Kanon não parecia se importar. Nem sequer baixou os olhos, ou fez menção de apanhar o roupão ou pegar de volta a toalha.

Saga, porém, sentia o rosto arder furiosamente ao ver o irmão nu diante de um deus, esse que agora deslizava as mãos de seus braços para seus ombros em um toque nada inocente, para então capturar-lhe o rosto com as mãos. Sentiu o peito queimar ao ver que agora eles se beijavam, e nem sequer era de um modo cúmplice ou mesmo amoroso. Só não foi percebido pelos dois porque, no meio da luxúria, estavam entretidos demais um com o outro para prestar atenção na oscilação de seu cosmo que seguramente expôs seu disfarce por alguns segundos.

Nem isso o impediu de segui-los pelos cômodos do pilar.

Poseidon puxou Kanon para o quarto enquanto seguia com beijos e mordidas no pescoço de seu irmão, exposto pelo agarre forte dele em seus cabelos. Sua outra mão o seguia apalpando, prendendo-lhe os quadris contra os seus. Kanon apenas se deixava levar, apoiando os braços nos ombros dele, até que chegaram até a cama.

Saga usava agora cada partícula de seu autocontrole para manter seu cosmo oculto. Sufocava como podia a apreensão de ver seu irmão apoiado no dossel da cama, de costas para o deus despido que o penetrava enquanto o tocava no mesmo ritmo. Esmagava em seu peito a vergonha de vê-lo movendo seus quadris enquanto Poseidon elevava levemente seu cosmo e continuava entrando e saindo dele. Calava a seco sua raiva de vê-lo deixar escapar entre os dentes um gemido de prazer, e outro, e mais outro; claramente gostando do que fazia enquanto o olimpiano puxava seus cabelos para trás com força, expondo seu rosto corado e coberto de suor, e sussurrava coisas em seu ouvido que ele, Saga, não conseguia ouvir. E fez o que pôde para ignorar o ardor furioso de seu peito, que se misturava à vergonha de ver o gozo de seu irmão se derramando nos lençóis enquanto ele ofegava como uma cadela no cio.

- Bom menino... - A voz grave e rascante de Poseidon lhe chamou a atenção de volta, para que ele visse Kanon jogar ainda mais o rosto para trás e receber mais um beijo dele. Então o olimpiano se levantou, e com a cabeça apontou para Kanon a porta do banheiro. Kanon se levantou e o seguiu, e Saga pôde ver o sêmen de Poseidon escorrendo pela face interna de suas coxas.

A visão criou um bolo em sua garganta, e quando deu por si Saga já estava saindo pela porta do pilar, sabendo que muito provavelmente seu irmão estaria em pouco tempo gemendo enquanto se deixava tomar pelo outro como o mais baixo pórnoi.

Ele não toleraria ver mais daquilo.

A apreensão, o nervosismo, a raiva e a decepção agora deixavam seus olhos úmidos, mas ele se recusou a deixar as lágrimas caírem mesmo que para isso tivesse que tiritar de ódio.

Nunca passara tamanha vergonha em toda sua vida.

Kanon já lhe havia dado muitas vergonhas: Já o havia traído, enganado, usado seus poderes e suas habilidades de cavaleiro em benefício próprio, e já as usara também para o prejuízo deliberado de outros. Roubou, mentiu, caluniou, criou armadilhas, fomentou discórdia e sofrimento. Mesmo assim Saga sempre fez o que pôde para ajuda-lo, para protegê-lo e resgatá-lo de seus próprios defeitos. Aguentou de Kanon muito mais do que o humanamente possível, perdoou, relevou, encobriu. Foi somente quando Saga ouviu de sua boca seu plano para assassinar Atena e tomar o poder do Santuário é que ele desistiu de tentar salvá-lo e entregou-o para o julgamento dos Deuses.

Apesar de tudo isso ele nunca, nunca havia conspurcado seu corpo para usá-lo como arma de sedução.

Como santos, era sabido que eles teriam que guardar suas almas e seus corpos para a Deusa depois de suas ordenações. Claro que durante o treinamento havia as obrigações para com seus mestres como caberia a qualquer aprendiz em relação a seu erastes, mas ainda assim era fartamente sabido que santos jamais deveriam macular sua masculinidade se deixando penetrar por outros homens. Menos ainda sentir prazer com isso.

E agora Kanon se deitava com o deus que deveria servir, usando seu próprio corpo para quê? Manipular o Deus dos Mares para enganá-lo de novo enquanto se deixa possuir como uma mulher?

"Para o Inferno com eles", Saga pensava enquanto tremia de ódio. "Para o Inferno", repetia de si para si enquanto afundava as unhas nas palmas das mãos, quase fundindo seus dedos pela pressão.

E, transtornado como estava, descuidou-se.

A música mortal do General Marina do Atlântico Sul invadiu seu cérebro e imediatamente paralisou seu corpo.

Fora pego como um principiante.

- Ora, ora. - A voz melodiosa de Sorento de Sirene substituiu a música da sua flauta. - Se não temos aqui Saga, o Cavaleiro de Gêmeos.

Saga ficou calado, enquanto as asas de seu nariz batiam a cada inspiração funda para controlar o ódio que sentia.

- Veio espionar o Reino Submarino a mando de sua Deusa? Isso é... Inesperado. E uma falta grave aos acordos da trégua.

- Não... - Saga falou, a voz saiu um pouco mais grave do que o usual - Não estou aqui pela Ordem. - Engoliu em seco. - O que me trouxe aqui foi uma questão pessoal.

- Então você estava no Pilar do Atlântico Norte? Ainda mais inesperado. - Embora Sirene quisesse manter o tom sarcástico de sua voz, Saga sentia que algo naquilo o estava incomodando. - Porque você e seu irmão não são exatamente conhecidos pelo laço fraterno que os une.

- Não somos. - Saga endureceu a voz. - E é por isso que você não me verá mais aqui.

Preparou-se para sair do campo de visão do general, mas a flauta dele o deteve novamente.

- Você parece nervoso. Irritado, até. - A voz de Sorento era agora grave e séria, como nem sequer imaginava possível em um rapaz de traços tão delicados. - Não gostou do que viu no Pilar do Atlântico Norte, Gêmeos?

Sorento podia até ser um adversário espinhoso em um momento inoportuno, mas nada disso o salvaria de cuspir seus dentes junto com sangue caso seguisse por esse assunto.

- Realmente, Sirene, eu não gosto de constatar que há mais tolos entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia. – Ironizou, e a risada seca que escapou de sua garganta surpreendeu até mesmo a si próprio. - E, para o eterno azar de vocês e de seu senhor... Algumas pessoas são extremamente perigosas para esses tolos.

- O que quer dizer com isso, Gêmeos?

Aproximou seu rosto, encarando o general no fundo dos seus olhos.

- Se seu senhor pensa que agora é capaz de lidar com esse tipo de pessoa, ele merece ser enganado mais uma vez. Mas não se preocupe, Sirene. Eu tenho mais interesse do que vocês em ser discreto em relação a isso.

Pois ele não merecia mais essa vergonha vinda de seu irmão. Não merecia.

- Espere, Saga de Gêmeos.

Nem havia percebido que tinha dado as costas ao general para andar em busca da saída daquele lugar, mas a voz de Sorento o pegou de surpresa novamente. Mais surpreso ainda ficou com o tom daquela voz: Menos beligerante, mais apreensiva.

- O que quer, Sorento?

O general baixou sua flauta, e se aproximou de Saga para pegá-lo gentilmente pelo braço e guiá-lo a um lugar mais afastado.

- Há algo que você precisa saber. - Sua voz agora era um sussurro.

- Eu não tenho nada com isso. - Saga silvou, imaginando que Sorento fosse cobrar dele explicações pelo comportamento de Kanon. Não queria nada disso, nunca mais. Fez menção de afastar-se do outro, mas foi interrompido novamente por uma mão em seu braço e a voz dele, baixa e pausada.

- Logo depois que você foi derrotado pela legítima Atena e seus cavaleiros de bronze, começamos nossas manobras a partir de Asgard. Ouviu algo a respeito?

- Ouvi, mas-

- Eu entreguei a Hilda de Polaris, sacerdotisa daquelas terras geladas, uma joia que eu disse a ela ser um presente, uma demonstração de boa graça do Reino Submarino para com Asgard e seu povo. - Sorento o interrompeu. - Você sabe que joia é essa, não sabe?

- O anel de Nibelungo. - Saga respondeu, sem entender por que estava ouvindo aquilo.

- Esse anel tem o poder de submeter seu portador a vontade de Poseidon. Foi o que aconteceu com Hilda. Mesmo ciente de seus atos, ela era incapaz de controlá-los.

- E você deve estar orgulhoso de si mesmo pela tortura a qual a submeteu. - Saga voltou a ironizar, mas foi ignorado.

- Seiya conseguiu, na posse da armadura sagrada de Odin e da espada Balmung, livrá-la da influência desse anel.

- Sim, sim, ele o destruiu. - Saga rolou os olhos. - Apreciei muito a aula de história contemporânea da Ordem, muito obrigado. Eu posso ir agora?

- E quem te disse que o anel foi destruído, Gêmeos? - Sorento elevou uma sobrancelha. - Você acha que é fácil assim destruir uma joia mítica?

- De qualquer forma, Sirene. Mesmo que Seiya apenas tenha conseguido libertar Hilda e o anel esteja inteiro, ele não é mais uma ameaça, nem tem um novo portador.

A sobrancelha arqueada de Sorento chamou imediatamente sua atenção.

Ora, se ele estava se dando ao trabalho de lhe contar tudo isso, era porque o anel estava de novo no dedo de alguém. O momento de silêncio incômodo foi quebrado pelo austríaco, numa voz tão baixa que ele teve que se aproximar para ouvi-lo.

- O anel... Pode até não ser uma ameaça até o presente momento. Mas ele tem um novo portador, Saga.

Ele baixou a cabeça e afastou-se devagar, enquanto Saga empalidecia a olhos vistos.

- Não que eu me importe com o que aconteça ou deixe de acontecer a ele. Ademais, a ideia de usar o Anel de Nibelungo em Hilda de Polaris foi dele... - Sorento deu uma risada seca - ...Não deixa de ser uma punição merecida.

- Por que você está me dizendo isso? - Saga perguntou, com medo da resposta.

- Porque mesmo em se tratando de Dragão Marinho... O que é errado, é errado. - Os passos de Sorento agora voltavam a se afastar de si. - Você não ouviu isso de mim, essa conversa nunca aconteceu.

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