Como de praxe, sinto muito pela demora, comecei a faculdade e o curso de japones, ao mesmo tempo estou trabalhando e cuidando da minha sobrinha. Então, pra nao ficar contando conversas, ai está o capítulo, meu tempo é curto, mas eu tento.
Este capítulo ficou enorme, mas eu PRECISAVA deixá-lo enorme, porque eu sentia que nao ia valer a pena cortá-lo ao meio, ia ficar aquela coisa "ah, tava muito grande então decidi fazer vocês de palhaços e vao ter de esperar o resto pra entenderem tudo depois de eu ter de reescrever o próximo capítulo apenas em tempo de vocês esquecerem o que aconteceu até aqui." Anyway, eu não gosto quem faz isso, então não sou hipocrita e fazer também.
Ademais, Peter é meu perso especial desse capítulo, espero que gostem e quero reviews com suas opiniões, criticas, sugestoes. Etc. Etc.
Boa leitura o/


Capítulo três.

Morrer significa deixar de viver, certo? Quando alguém para de respirar, quando um coração para de bater! Isso é... quando pensamos de maneira mais...filosófica, morrer é quando a alma escapa entre os dedos de carne e parte para sua "nova aventura", para o outro plano. A vida se apaga dos olhos da pessoa, seu corpo inerte não corresponde mais aos estímulos do mundo de fora, sua mente transmite apenas... escuridão.

Então, porque Stiles ainda estava respirando?! Ele sentia como se sua alma tivesse-lhe escapado por entre as ventas. E aos olhos dos outros, ao menos os que se importavam, ele parecia um morto vivo.

Seu rosto, antes de uma cor normal, agora estava pálido morto, o rosto mais fino e o nariz estranhamente amarelado, os olhos fundos e escurecidos, os lábios secos levemente rachados se destacavam, dando um ar... péssimo! Sim, péssimo! Tanto por dentro, quanto por fora. Stiles se sentia PÉSSIMO! Suas forças não existiam mais, não possuía sequer vontade para desmentir as acusações de seu que, desde cedo, não suportava o apego e união estúpida que Stiles tinha com os lobisomens.

Em resumo. Sua vida estava uma merda. Derek não aparecera para ele desde seu último encontro, Erica estava muito ocupada com os treinos junto com os outros lobisomens que Stiles considerava como amigos, por falar em amigos, há algum tempo Scott e ele não... não se falavam. Quando Stiles teve seu último encontro com Derek em seu quarto, isso há alguns meses atrás, Scott simplesmente o evitava, quando se viam na aula ficavam juntos, mas... Scott nem mesmo falava com ele direito e quando Stiles tentava chegar perto, ele o rejeitava esporadicamente. Alison e Lydia não eram uma opção muito boa para companhias, Alison ainda o olhava estranho desde que Scott começou a se afastar e Lydia... bem, ela estava com Jackson e Stiles não podia suportar ter isso esfregado em sua cara constantemente.

E por algum milagre, que Stiles não sabia se agradecia ou não, Jackson era o único que continuava o mesmo. Esbarrando nele no meio do corredor e não pedindo desculpas, derrubando suas coisas, chamando-o de nerd enrustido, molestando-o em pleno pátio e no lacross... ah, o lacross, seu pai quase o fez desistir do lacross quando Jackson quase quebrou seu pescoço em uma chave de braço. Por incrível que pareça o loiro estava mais violento no jogo e... mais apegado em treinar Stiles. O que causava calafrios em Stiles.

Torcia o pescoço algumas vezes, tentando fazer aquela dor incomoda passar depois do treino, sem contar nos puxões de cueca que eventualmente ocorriam. Jackson já havia ido, não antes de atirá-lo no chão e rosnar em seu ouvido, um rosnado profundo e provocador, causando um estremecimento no corpo de Stiles que o fez sentir vontade de vomitar.

- O que há de errado com esses caras? – resmungou, suspirando ao ver Scott afastar-se sem dar chance de Stiles tentar chamar-lhe a atenção. Bom, não que ele tenha tentado realmente. Desde a ultima invasão em seu quarto, cujo caso ele não comentara com ninguém, nem tinha coragem para tanto, Stiles desistira da ajuda de Scott.

Em sua cabeça, tudo o que o ligava aos lobisomens era seu amigo de infância. Ou ex-amigo. Em algumas matilhas, animais de outras espécies por mais parecidos que sejam com os familiarizados lobos, estes não animais não passam de presas. Desde que Scott virara lobisomem, Stiles não passara de ser... a presa. Uma presa fácil, um... empecilho para a causa de Scott e Derek. Nem mesmo Alison podia ser menos incomoda! Stiles era... uma pedra no caminho. – Antes uma pedra do que um inseto, eu acho – resmungou, travando no caminho para seu jipe. – Mas o que...? Aaah! Fala sério – suspirou. Seus quatro pneus estavam furados. – Qual é, isso já nem é bullying, é vandalismo e qual a graça disso tudo? – chutou um pneu, jogando seu uniforme de lacross no banco traseiro.

Seus pés continuaram a chutar a borracha murcha algumas vezes antes dele encostar sua cabeça na janela do carro, suspirando profundamente para se acalmar. Seus olhos ardiam, sua garganta também, mas ele não achava que iria ter forças para chorar mais do que já fizera. Quão miserável ele podia ser?! Riu sem gosto, limpando o rosto meio úmido e fungando algumas vezes.

- Oh... parece que estamos com problemas, não? – sobressaltou. Aquela voz nunca era coisa boa. Virou-se lentamente, encostando suas costas na porta do carro, encarando os olhos brilhantes e claros do tio de Derek.

- Peter...

- Oh, gatinho, você lembra-se de mim?! – gracejou o mais velho, passando uma das mãos pelos cabelos mais compridos do que Stiles podia se lembrar. – Faz tanto tempo que não aparece na matilha que achei que não se lembrava de nós, ou do meu sobrinho. Ele ao menos faz de tudo para apagar a sua memória de lá. – riu de novo, olhando para a rua, parecia melancólico?

Stiles engoliu em seco, pensando em quantas chances ele tinha de escapar. Olhou a rua vazia, as aulas já tinham acabado já algum tempo e só quem poderia estar ali era o treinador. Ou seja, Stiles estava ferrado.

- Eu não vou fazer nada, garoto. Entra, eu te dou uma carona até um mecânico. – falou Peter, bufando de leve e Stiles teve vontade de fazer o mesmo. Não ia fazer nada, tá. E Stiles era a chapeuzinho vermelho. – Ande logo. – rosnou o outro, fazendo Stiles sobressaltar e repensar em obedecer ou não o outro. Viu um sorriso de lado se formar o rosto maduro de Peter e Stiles achou que ele podia correr até a próxima casa e gritar que era filho do xerife e estava sendo perseguido por um tarado. – Interessante...

Aquilo fez Stiles acordar de seu devaneio. – O que é interessante?

- Você. – aquele tom era sério, não era brincalhão, nem mesmo... malicioso. Então ele não estava dando em cima de Stiles. – Vamos, Stiles. É esse seu nome, não é? – assentiu. – Venha, eu juro sobre o túmulo de minha irmã que nada irá lhe acontecer enquanto eu estiver cuidando de você. Derek arrancaria minhas bolas se algo acontecesse mesmo.

Ele faria?

- Ele faria? – perguntou relutante, sem perceber que o fizera. Quando Peter lhe lançou um olhar sereno, não um olhar de Peter Hale o cara psicopata, mas um olhar cansado e de compreensão, Stiles sentiu que podia ir. Que Devia ir. Ele entrou no carro, colocando o cinto de segurança, mas não se atreveu a relaxar no acento, encostando-se ferreamente na porta.

Peter riu para sua, como ele deixara claro, implicância infantil. – Você parece mais magro. – comentou enquanto dirigia lentamente pela rua.

- O lacross faz isso com a gente. – respondeu, olhando atentamente para o lobisomem, a mão repousada perto da maçaneta. O carro estava devagar, qualquer coisa ele se atirava para a rua e ganhava só alguns arranhões.

- Mas você não tem músculos.

- Tá me chamando de fracote?

- Fraco, fraco, todos os humanos são. Não é mesmo, Stiles? – sussurrou malicioso, aproveitando o farol vermelho para relaxar no estofado e olhar de lado para o humano. Stiles engoliu em seco.

- Alison é forte.

- A Alison é um Argent, não é uma humana de verdade. Desminta se puder. – E Stiles não podia, na verdade, ele não queria. Ele não gostava e Alison o bastante para tanto. – Viu? Até mesmo um humano como você pode concordar com isso.

- Um humano como eu? – sinal verde, o carro continua a rodar e Stiles não podia mais olhar nos olhos de Peter. Por um momento ele conseguiu respirar de novo e seu cérebro inerte parecia voltar a ganhar vida. Ele precisava pensar em como sair vivo desta.

- Um humano como você.

- Que tipo de humano eu sou? – Eles estavam indo para a extremidade da cidade, o mecânico ficava no centro.

- Um delicioso. – o rosnado o fez ficar alerta e Stiles se arrependeu inteiramente de ter aceitado a carona. – Não entenda mal Stiles, sou um lobisomem velho, você não faz o meu tipo, mas ainda assim, fui alfa.

- O que isso tem a ver? Do que diabos você está falando? – olhou em volta, conhecia aquele caminho. Todos que tinham conhecimento da matilha Hale sabiam que caminho era aquele. – Por que estamos aqui?

- Porque você é um humano diferente, Stiles. Porque você quer respostas e suas respostas não estão no lacross. Como o porquê de você tem emagrecido tão rápido, porque Scott não está mais perto de você, porque de repente seu cabelo tem crescido mais rápido que o normal, ao menos o normal para um humano. – Stiles não gostou daquilo, Stiles não estava gostando daquela conversa. – Porque você fica ansioso e quente nas luas cheias.

- Eu quero ir embora. – choramingou, trêmulo. Ele se pressionou mais ainda no estofado da cadeira quando Peter tirou o cinto de segurança e se virou. – Deixe-me ir, Peter.

- Ninguém está lhe prendendo aqui, Stiles, ninguém quer isso. Ele não quer isso. – sussurrou, sua mão repousava no acento de Stiles.

- Ele..? – Derek? – Por que está fazendo isso? Parece o Dumbledore dando conselhos meia boca que no final acaba causando aquilo que ele estava tentando evitar, se ele não tivesse simplesmente chego ao assunto principal e falado pro Harry que ele como ele podia derrotar Voldemort.

Peter riu. Stiles engoliu em seco. Ele estava se divertindo. Stiles era divertido. Ele era a presa. – Me pergunto se você fala demais quando está com medo ou se isso é algo natural. – Ele sorria de lado, gracejando do suor que descia correndo pelo rosto de Stiles, seus olhos fixos em alerta e até mesmo suas mãos tremendo na tranca da porta.

A mão de Peter que repousava sobre o encosto do acento de Stiles, deslizou por seu braço, um sorriso brincalhão brindava o rosto divertido do lobisomem enquanto Stiles se encolhia para tentar escapar do toque. Liberou, por fim, o humano do cinto e não se demorou para sair do carro, dando a volta no mesmo para abrir a porta ao adolescente.

- Venha. – rosnou, quase rindo ao ver como Stiles estava tão... submisso aos seus rosnados. "Divertido".

- Por que me trouxe aqui? – tomou coragem o adolescente em perguntar, mesmo que não olhasse diretamente para o lobisomem. – O que está acontecendo, Peter?

- Você logo irá entender... entra! – rosnou a demanda, dessa vez sorrindo abertamente para o sobressalto do menor e o modo como ele andava engraçado para não tropeçar nos pés e andar tanto rápido como... de maneira normal. Riu internamente.

A casa Hale era um ícone distinto da cidade. Uma imagem que misturava o poder e destruição com respeito e tristeza em peitoris de madeira queimada e quebradiça, o chão rangido e velho, poeira e cinzas pintavam a casa, juntamente as janelas quebradas ou trincadas.

Pela primeira vez em muito tempo, Stiles sentiu-se em casa. Não, talvez fosse um exagero dizer isso, ou muito precipitado, mas Stiles... depois de que seu quarto fora profanado mais de uma vez por um lobisomem insano, Stiles pôde sentir um lugar em que ele conhecia e pertencia... paz. Respirou os primeiros ares sujos da casa, a poeira invadindo o seu nariz, irritando-o. Não ligou. Inalou mais fundo, aos poucos relaxando mais e ficando mais a vontade, esquecendo-se quase por completo que aquele lugar era um covil de lobisomens.

Quase.

Não fosse Peter aparecer em suas costas, encostando o peito forte nele e o forçando a andar por um corredor estreito ao lado da cozinha. Ele tentou não esbarrar em Peter, ao mesmo tempo em que prestava atenção no chão para que não pisasse em alguma madeira quebrada ou... tropeçar em alguma daquelas coisas escuras e cremadas que Stiles não queria identificar o que eram.

Estavam chegando ao fim do corredor, quando Peter colou mais ainda seus corpos, prendendo-o em um meio abraço enquanto a outra mão cuidava em impedir seu grito assustado e enojado de escapar. Tentou se soltar, mas Peter apertou seu peito com tanta força que um suspiro foi praticamente expulso pelo seu nariz, fazendo-o ficar sem ar. Olhou o lobisomem sorrir-lhe divertido e fazer-lhe sinal de silencio com a mão, antes em sua cintura.

Sobressaltou de novo, tendo um gemido engolido ao bater na palma da mão de Peter em sua boca. Algo estava havendo lá fora, no quintal detrás... ao menos era o que parecia através da fresta comprida na parede mostrava.

Som de coisas sendo quebradas, rosnados e latidos altos. Stiles podia imaginar o que acontecia, mas não esperava ver Derek tão... assustadoramente forte. Ele parecia imponente, impossível de ser derrotado, assombrosamente... poderoso. Sua curvatura dando ênfase aos músculos que Stiles não havia conhecimento extremo, o corpo grande em posição de ataque, as presas – que ainda lhe causavam calafrios – proeminentes e.. aquilo era sangue?

Sim, não somente no lobisomem moreno, mas em toda a parte, sangue escuro, trilhas e mais trilhas. Imaginava que um terço daquele sangue era de Derek que, surpreendentemente, também tinha uns arranhões grandes no peito e mordidas nos braços, não muitas, mas eram bem visíveis e pareciam doloridas. Suas garras pareciam mais cumpridas e escurecidas, tortas e sobressaltando-se nos longos dedos do lobisomem. Os olhos avermelhados brilhavam em chamas, queimando os instintos assassinos do lobisomem, fazendo-o transparecer seu lado mais animalesco, fitando com uma cólera além do normal para o lobisomem loiro.

Loiro?

Loiro?!

Era o lobisomem! Era ele! ERA O LOBISOMEM LOIRO!

Arregalou os olhos, tentando escapar do aperto que Peter fazia em sua cintura, ofegando ruídos estrangulados. Ele virou o rosto para Peter, tentando dizer com os olhos quem era aquele loiro, o que ele fizera e que Stiles necessitava sair dali. Ele tinha... ele tinha de fugir.

Fugir, sim, porque... ele era fraco demais, ele não podia lutar contra um lobisomem, ainda mais 3 deles. Droga, ele nem conseguia se soltar de Peter. Porra, grandes, porra! Ele não podia se proteger, ele nem mesmo conseguia olhar para o loiro sem sentir seu corpo estremecer e convulsionar, as sensações dolorosas e marcantes ainda estavam frescas em sua memoria e físico. Ele queria... ele precisava sair dali. Tentou se soltar novamente de Peter, mas o lobisomem mais velho parecia bem entretido com a brincadeira dos outros na outra sala. Eles se atiravam um contra o outro, rosnados e uivos estranhos fazendo a casa tremer e Stiles se arrepiar, eles usavam as garras contra o outro, atritando seus corpos, usando os dentes afiados para morder e girar o corpo para atirar ao oponente no chão.

Levou as mãos à boca, prendendo a respiração e fechando os olhos com força, tentando se conter. Controle-se Stiles! Gritou sua mente, mas ele não pôde impedir de soltar um gemido agudo ao ver Derek atirar o lobisomem loiro para perto de onde estavam os dois observadores anônimos. Prensou seu corpo mais contra o de Peter, sentindo o calor do lobisomem revirar seu estômago. As mãos cuidadosas do mais velho estavam postadas em sua cintura e ele tinha o corpo tão perto do seu que Stiles podia sentir até mesmo seu coração frio socar contra suas costas, calmo, calculista, tão diferente das galopadas que o coração desesperado de Stiles dava.

O loiro estava caído no chão, não muito distante de onde estavam os observadores. O sangue começou a escorrer por sua cabeça e o loiro continuava parado no chão, a poça se formando em torno do corpo inerte e Stiles podia jurar que ele estava morto, no entanto, mesmo que não pudesse ver com clareza, ele podia ouvir Derek rosnando baixo, ameaçador e só podia imaginá-lo em formação de ataque. O loiro tremeu, convulsionando, causando calafrios em Stiles.

Algo dentro dele estalou ao ver a poça de sangue crescer e contornar o corpo semimorto, seu coração acelerado pareceu mais enérgico que nunca, pulando em seu peito para achar uma saída junto ao café da manhã que tomara mais cedo. Sentiu Peter se remexer e apertar mais os braços em torno de sua cintura.

Ignorou.

Mesmo que algo o afligisse e a ansiedade o atormentasse, mesmo que o gosto metálico esquisito não saísse de sua boca, mesmo que Peter estivesse com o nariz em seu pescoço e presas raspassem sua pele enquanto o lobisomem inalava seu cheiro. Imaginava o que poderia ser sentido. Seu medo? Ou a excitação que se acomodava atrevida na boca do seu estômago, fazendo-o revirar-se.

Stiles não despregava os olhos do corpo branco e imóvel perto de si. Ofegou. Peter tinha começado a lamber seu pescoço e suas mãos massageavam a barriga de Stiles.

Quis vomitar.

Seu coração sobressaltou mais uma vez. As mãos malditamente habilidosas subiram sua camisa, brincando de arranhar e beliscar sua pele, marcando-a. Causava-lhe calafrios e Peter parecia se divertir com aquilo, uma das mãos segurando-o bem pela cintura, enquanto a outra corria por dentro de sua camisa até o queixo, empurrando-o para cima, fazendo com que Stiles inclinasse o pescoço para adquirir espaço. Sua respiração perdendo o controle novamente, seu corpo começando a criar sintomas que Stiles não se lembrava de ter há meses.

E aquilo era muito estranho.

Muito estranho mesmo.

O loiro parecia morto, mas Derek não saia da defensiva, nem mesmo piscava distante do corpo caído.

Peter moveu a mão que o segurava para baixo, fazendo carícias em círculos sobre o zíper da calça, causando-lhe estremecimentos prazerosos. Um gemido baixo escapou de sua boca.

O loiro estava respirando. Era quase imperceptível, mas o leve esgar do corpo no chão mostrava a respiração fraca do outro.

A mão em seu queixo se fechou em torno do corpo de Stiles, segurando-lhe pelas bochechas e cobrindo-lhe a boca, dificultando a entrada e saída de ar, incluindo o dispersar dos sons inapropriados que a carícia da mão livre fazia em sua virilha.

O lobisomem moreno se aproximara, ficando menos de 3 metros de distancia, erguido nas duas pernas, o corpo levemente curvado, as narinas dilatando e cheirando o ar.

Outro estalo e a mão de Peter tratou em desabotoar-lhe as calças, enquanto uma língua divertida brincava de lambuzar a pele de seu pescoço. Lábios finos fechavam-se na curva esbelta e sugavam com um pouco de força, marcando o lugar, fazendo Stiles gemer um pouco alto desta vez.

Ele arregalou os olhos e quase gritou quando o lobisomem loiro começou a se mover. Derek parecia não ter notado, seu olhos vermelhos fixos onde Stiles se encontrava. E de repente, seus olhos se fixaram um no outro. O vermelho sobre si, despindo-o, indignado, parecia... que o julgava.

Gritou, fazendo sua garganta arder e o som entrecortado retumbar contra a palma da mão de Peter. Um grito que transpassou rasgando sua garganta e o entregando a sabe-se Deus o que. Mas, Stiles tinha certeza, ele havia estragado tudo, como se... como se ele estivesse fazendo algo de muito, muito errado.

Peter havia o mordido.

Peter tinha os dentes em seu pescoço, apertando-o até sentir o ar faltar, marcando-o. A mão, antes sobre suas calças, agora o adentrara com tamanha destreza, circulando a grande de seu pênis que, somente agora, Stiles percebeu estar ereto.

Gozou.

Suas pernas tremiam e fraquejaram, forçando Stiles a usar suas mãos para abraçar a cintura de Peter, meio torto por estar de costas contra o peito do mais velho, mas usando-o como apoio sem se importar com nada. Seu coração parou, seu corpo transpirava frio, trêmulo e Stiles tinha os olhos nublados quando, em um salto predatório, o lobisomem loiro se ergueu. No entanto, ele não olhava para Derek, nem mesmo parecia se importar com a presença dele, não, seus olhos amarelos e levemente fendidos estavam voltados especificamente para Stiles e seu rosto corado pelo recém-orgasmo.

Sua respiração voltou a acelerar.

O lobo loiro rosnou alto, convulsionando, parecendo arisco. Viu-o curvar-se no chão sem tirar os olhos dos de Stiles, ameaçador.

O corpo de Stiles tremia cada vez mais, perdendo as forças e quase escorregando no chão, se não fosse Peter o recompor e o abraçar, Stiles estaria deitado no chão agora mesmo.

Ouviu um rosnado se sobrepor ao do loiro e a conexão de seus olhos se perdeu quando Derek saltou, atirando o loiro numa parede oposta ao qual estavam Peter e Stiles. O lobisomem moreno estava em estado completo, revestido em pelagem negra, os ossos e a postura completa de uma besta sangrenta e assassina, os dentes mais longos e amarelados, os olhos... grandes rubis brilhantes que encaravam Stiles diretamente. Com uma curvada para trás, as garras abertas e bem amostras, Derek soltou um rosnado, um urrar que fez a mansão Hale inteira tremer e pedaços de madeira queimada cair sobre eles.

No entanto Stiles não viu muito, pois logo Peter o arrastava em uma velocidade incrível para fora da mansão. Logo Stiles estava de frente para o Camaro negro de Derek na frente do território dos lobos. Somente então sua mente pôde voltar a funcionar, lentamente, mas ele podia pensar de novo, podia ligar os pontos e chegar a uma nada agradável situação.

Peter o mordera.

Peter, o lobisomem psicótico e nada moral, mordera-o.

E o pior é que Stiles sentira prazer, ele gozara nas mãos do lobisomem psicótico nada moral e filha da puta! ELE O USARA E HUMILHARA!

Passou as mãos pelos cabelos, notando então o quanto eles cresceram nos últimos tempos. Não parou para pensar... ou melhor, Stiles não parou para nada, nada. Desde o primeiro ataque, Stiles não voltara a pensar na vida dele, ele não... vivia mais, e isso o revoltava! Ele não era mais m adolescente com problemas normais, diga-se lá que mesmo que ele soubesse dos lobisomens, de sua existência e todo o resto que isso implicava, Stiles ainda tinha princípios de um adolescente hormonal e heterossexual – ao menos até onde ele sabia. Mas agora... agora ele percebia e, tarde demais, ele conseguia ver no que aquilo implicava.

Socou o Camaro. Duas vezes, até seu pulso estalar e ele atirou sua cabeça no capô do carro. Seu coração estava em disparada, sua respiração alterada e alta o bastante para até mesmo Scott ouvisse do outro lado da cidade.

E o que era aquilo dos lobisomens ficarem assediando-o!? É sério!

Sentiu a acidez do estomago subir-lhe a boca. Ergueu a mão para bater contra o capô, mas teve o pulso tomado e se virou em tempo de ver um Peter carrancudo o encarar. Fungou, tentando limpar as lágrimas que somente agora percebeu ter derramado. Peter o impediu de novo, dessa vez prendendo seus pulsos no capô do Camaro preto e usando seu corpo mais forte e bem definido prensar o corpo humano e frágil contra o carro. Ofegou, virando o rosto quando o ex-alfa aproximou-se o seu. – O que está fazendo...?!

Peter não respondeu, seu nariz tocando a bochecha molhada de Stiles em um carinho torto, inalando o odor embriagante misturado com o cheiro de oceano.

Agitado.

Tempestuoso.

Impiedoso.

- Solte-me – empertigou-se, gemendo em dor por ter seus pulsos torcidos. – Pare! O que está fazendo...?! RESPONDA!

- Provando um ponto. – foi tudo o que teve de resposta do outro antes do nariz ser substituído por uma língua úmida e atrevida.

- Pare! – gemeu, enjoado.

- Não faça isso. – rosnou Peter e Stiles teve ganas de batê-lo. Quem deveria dizer isso era Stiles e não o lobisomem. Ouviu-o rosnar de novo e mordeu a bochecha, encolhendo-se. Viu-o se divertir com seu tormento e ele quase gritou.

- Não fazer o que? É você quem está me assedian- aaah! – gemeu novamente quando Peter lambeu-lhe a orelha, mordendo o lóbulo logo em seguida.

- Isso... – riu Peter.

Stiles bateu-se internamente, choramingando por fora e se odiando por mostrar sua fraqueza para o lobisomem adulto. – O que você quer? – sussurrou, olhando-o nos olhos azuis. – Por que está fazendo isso? O que foi aquilo lá dentro?! – estremeceu e tentou se soltar de novo ao lembrar que Jackson estava por ai.

- Eu já disse, provando um ponto-

- Um ponto?! MAS QUE PORRA DE PONTO É ESSE!? – arregalou os olhos quando o lobisomem adulto mostrou as presas e seus olhos ficaram amarelos em meio segundo, rosnando baixo sobre o rosto de Stiles.

- Seja um bom menino e fique quieto, não gosto que me interrompam. Entendeu? – acenou – Ótimo, agora venha. Eu prometi que ia te dar uma carona ao mecânico, não prometi? – sorriu galanteador enquanto puxava Stiles pelo braço para se afastar da porta. Abriu-a e fez uma pequena reverência para o adolescente entrar.

Stiles olhou para a porta, depois para Peter e novamente para a porta, voltando os olhos para a mansão destruída. Um calafrio passou pela sua nuca e ele tocou o pescoço, ofegando quando sua pele sensível ardeu ao seu toque. Relutante ele aceitou a carona, não tendo certeza se aquilo fora mais esperto do que andar sozinho pela floresta com Jackson em forma de lobo por ai.

- Sem contar que se ficarmos aqui mais um pouco acho que meu sobrinho arrancaria o meu pescoço. – ouviu Peter murmurar do lado de fora enquanto dava a volta no Camaro. Ok, ele talvez tenha feito a escolha certa.

- Você pode me explicar o que aconteceu lá atrás? – sussurrou quando Peter ligou o carro e dirigiu pela trilha para fora do terreno dos Hales. – E se você falar que estava provando algum ponto eu juro que eu...

Peter riu. Ele teve a audácia de rir. Quão patético ele pensava que Stiles era? – Ora, meu garoto, você não tem como me ameaçar nas condições em que você está? Ou seria o oposto? – falou pensativo.

- E em que condição eu estou?

- No cio.

- No O QUE?!

- Cio. Sabe, aquela época do ano em que os animais exalam feromônios para atrair possíveis parceiros para reprodução. – Stiles pensou: louco. Mas expor esse pensamento seria ruim para a sua saúde física. – Um garoto inteligente como você deveria saber essas coisas... – eles pararam em um sinal vermelho e Stiles pensou em saltar do carro naquele momento. Sem chances, o carro estava trancado.

O jeito era improvisar.

- O que isso quer dizer...? Está me chamando de animal?

- Quase isso. – murmurou Peter, seus olhos se encontrando brevemente. De repente algo ficou preso nos olhos de Peter, tornando-os gelados como icebergs. – Sabe porque existem pessoas que não podem se tornar lobisomens quando são mordidos?

- Como a Lydia?

- Sim. – falou carrancudo.

- Não, eu não sei.

- Por que ela é pura, e não estou dizendo que ela é ingênua e virgem, porque nós dois sabemos que Jackson não dá brecha para essas coisas... - Stiles estremeceu e Peter pareceu eriçar-se mais ainda. – O que eu quis dizer que ela é inocente desde que seu sangue seja puro. Intocada.

- Não está esclarecendo nada, Peter.

- Use a cabeça, menino. É tão inteligente pra meter o nariz onde não se deve, mas não sabe usar o cérebro quando se trata de você mesmo?! – rosnou e Stiles teve ímpetos de realmente se jogar do carro. – Estou dizendo que o sangue dela é puro, ou seja, totalmente humano. Assim como existem pessoas que nascem lobisomens, como eu e o Derek, também existem aqueles que nascem humanos, mas ainda possuem genes de lobo e outras criaturas.

- Como um gene recessivo? – entortou a cabeça, franzindo o cenho. Fazia algum sentido. Se dois humanos com genes recessivos de DNA lupino reproduzissem, então o filho teria 75% de chances de ser meio-lobo. Isso explicaria porque na família Hale haviam tanto humanos quando lobisomens na mansão. – Mas então o gene recessivo seria a chave para a pessoa nascer lobisomem.

- Sim e não. – Peter rosnou alto, um carro idiota buzinou atrás deles. O sinal já estava verde há algum tempo, Peter e Stiles estavam virados um para o outro, próximos o bastante para respingos de saliva mancharem o rosto do humano que, assustado, pulou no acento, tamanho o barulho o afetara. Voltaram para a rua.

Stiles tossiu, envergonhado. – O gene recessivo, supondo-se ser a chave, é o cociente que ativa a licantropia. Assim como o gene dominante, isolado ele não tem efeito algum.

- Não exatamente. Você tem o gene dominante. – Stiles arregalou os olhos. – Mas como podemos ver, você não é um lobisomem. Aparentemente por alguma linhagem da sua família, suspeito ser por parte de mãe, você tenha um gene dominante e um gene recessivo de lobisomem... Mas isto não o classifica como um lobisomem ativo.

Mas não o impede de ter um lado animal. Um lobo. Então como ele poderia ser tão fraco? Como seu sangue poderia fazê-lo tão inútil? O que ele era?

- Mas então... o que isso significa?

- Chegamos. – E eles estavam bem na frente de sua casa, seu jipe estava estacionado na frente da mesma, os pneus concertados e Stiles até suspeitou ter enlouquecido porque ele jurava que os pneus estavam destroçados. – Não se preocupe com o mecânico, a conta já foi quitada e eu aproveitei a situação para fazer um check-up geral na máquina. Um presente dos Hales.

- O que isso significa, Peter?! – ofegou, tremendo

Oh não. De repente, Stiles não estava gostando nada daquilo. Peter o olhava profundamente, direto em seus olhos, sério, nada... Peter. Seu sorriso esnobe e brincalhão sumira, uma carranca medonha brotara em seu rosto e Stiles já estava cansado daquele gelo nos olhos do lobisomem.

O adulto ergueu a mão, fazendo Stiles prender a respiração quando os dedos quentes rasparam seu pescoço, bem em cima da mordida.

- Fique em casa. Não saia por nada, muito menos a noite. Essa semana é lua cheia. – sua respiração estava acelerada, seu coração alterado, suava frio e sua vista estava embaçada. – Não lave seu corpo demais, não passe sabonete, muito menos limpe minha mordida. – sua boca estava seca, Peter tinha a mão em sua nuca. Tão perto. – Não destranque a porta ou a janela do quarto, nem mesmo para Derek, principalmente para Derek.

Os olhos de Peter estavam de uma cor estranha, escura, bifurcada, seduzinte.

- Eu amo meu sobrinho, Stiles, nunca duvide disso. Ele é tudo o que me resta, ele é minha família e tudo o que envolve ele me interessa. E isso inclui você.

- Por... que?

- Por que você, seu sangue, seus genes. Tudo em você indica aquilo que eu quis provar. – seus lábios se tocaram, breves segundos em que o coração de Stiles parou de bater e seu estômago protestou contra sua garganta. Logo os lábios de Peter estavam em sua orelha, seus corpos bem próximos. – Você é um companheiro de alfa em plena época do cio. Encare isso como um convite aos lobisomens na lua cheia para um banquete por carne fresca... suculenta... – um inalar em seu pescoço o fez estremecer. – E intocada... Você é uma placa gritante chamando todos os possíveis lobisomens alfas para deleitarem-se com você, marcando você, devorando você. Por que é isso que você é... é pra isso que você foi criado e é pra isso que eles vão te querer. – presas rasparam sua orelha de leve, fazendo sua cabeça rodar e a falta de ar em seus pulmões deixando-o desnorteado.

"Inclusive... Derek Hale."


De novo, quero reviews, sem reviews esqueçam o próximo capítulo e a merda com meu tempo livre pra escrever pra vocês. SIM, estou procurando por deleite, prestígios e satisfação própria 8D julguem aqueles que não estão fazendo isso aqui. Sério, gosto de escrever, mas é frustrante não ter prestígio dos outros, pergunte a QUALQUER o que eles pensam realmente sobre isso e APOSTO que eles concordariam comigo.
Se eu quisesse me matar pra escrever isso, eu trocaria a porra do nome dos personagens e mandaria pra uma editora pornô e.e'
beijos e muitos agradecimentos aos reviews anteriores, fiquei muito feliz com vocês e dedico este capítulo a todos que me deixaram um comentário. Aos meus mais de 40 leitores anonimos (sim, eu sei que voces estão ai), eu odeio vocês e espero que percam as mãos por não me deixarem review q