Capitulo 3 - Simples Assim
Enfim, depois de tanta espera e inconveniências, eu consegui ficar sozinho com Ikki na minha casa. Já era de tarde, ele deu uma desculpa para a mãe e veio me ver.
Eu lembro de sentir um irresistível frio na barriga quando atendi a porta... Lembro que meu coração pulou ao vê-lo me sorrir. É algo que só se sente uma vez na vida e com apenas uma pessoa que você ame.
Eu sorri largamente, ele finalmente podia me ver...
Aioria estava avisado de que não poderia aparecer ou ligar e tudo o mais estava planejado para que aquela tarde fosse a melhor da minha vida. E eu não posso dizer que me decepcionei... Mas é melhor lhes contar a história e depois falar do fim.
Quando ele chegou a minha casa eu estava saindo do banho. Ainda só com uma bermuda e secando o cabelo, eu abri a porta. Ele entrou e a primeira coisa que fiz foi jogar a toalha em cima da mesa e puxá-lo pela gola da camisa para um beijo.
O amor faz isso com as pessoas, nos torna mais desesperados, mais apressados e mais felizes. Nós queremos, a todo custo, sermos rápidos para que o outro não fuja. A vida é pouco para nossos amores, é preciso uma eternidade para que estejamos saciados.
Era assim que eu me sentia e creio ser assim que ele também se sentia. Eu podia dizer tudo que ele pensava só em observar seus olhos... Aquele profundo mar de insegurança e turbulência, constantemente refletindo sobre qual seria a atitude certa. O olhar de Ikki falava mais que mil palavras e ele sempre me dizia o que eu queria saber. Que ele me amava.
Era simples assim. Não trocamos uma única palavra, enquanto eu o beijava e tirava aquela mochila irritante de suas mãos. Irritante porque passava mais tempo com ele que eu, irritante porque tocava em seu corpo mais que eu... Irritante por estar no caminho, por ser tão necessária a ele... Talvez mais que eu.
Era comum eu sentir ciúmes de coisas banais como a roupa que ele usava, o sorvete que ele lambia... E tudo que ele tocava.
Ah... Nem em mil anos eu poderia descrever todas essas coisinhas que eu sentia por ele, essas coisinhas que me deixavam desnorteado só com o sorriso dele. Se ele soubesse que meu amor era assim... Mas deixe-me parar com meus devaneios.
Naquela tarde eu o levei para o meu quarto sem nada dizer. Ele apenas acompanhava, calado... Mas seus olhos não paravam um minuto e eu sorria em resposta a tudo. Ikki estava nervoso, afinal era sua primeira vez e eu, sendo muito mais experiente, intimidava um pouco, tomando o controle de tudo.
Por outro lado eu estava muito confiante, tentando fazer de tudo para deixar meu amorzinho confortável e relaxado.
Assim que chegamos no quarto eu o sentei na cama e me ajoelhei por entre suas pernas, beijando-o com carinho. Retirei seu casaco, depois a blusa, sem parar com os beijos calmos e carinhosos.
Eu queria deixá-lo à vontade. Então todos os meus toques eram leves, mas firmes. Eu o tocava como se toca em um boneco pela primeira vez... Com cuidado, com carinho, mas também com experiência... Depois eu poderia tocá-lo com paixão.
– Hum... – A primeira palavra a cortar aquele silêncio atormentador foi um gemido baixo, que escapou de seus lábios quando eu passei uma das mãos pelo volume enrijecido em sua calça. Aquele menino lindo tinha um gemido gostoso.
Eu sorri malicioso e abri o zíper do jeans que ele usava, tendo mais espaço para tocá-lo por sobre a cueca.
– Tão gostoso... – Eu não precisava dizer, ele sabia que eu o sentia dessa forma. Quente, gostoso, macio... Ele era só meu naquele momento e ninguém nem nada o tiraria de mim.
– Shaka... – Ele estava agitado, mas eu beijei seus lábios delicadamente, passando para o rosto e o pescoço, deixando-o arrepiado e mais calmo. Depois que o nervosismo passasse seria tudo maravilhoso.
– Eu vou fazer você gostar... – Eu sussurrava agora palavras que o acalmassem, que o fizessem se entregar mais fácil a mim. – Não tenha medo... Você vai gostar...
Ele aos poucos se entregava e se deitava na cama. Eu o acompanhava, sentado sobre seu quadril, rebolando um pouquinho para provocá-lo. Ele estava muito tenso, então eu beliscava seus mamilos e sorria, tentando fazê-lo relaxar.
Acompanhava a respiração entrecortada que escapava pelos lábios vermelhinhos em uma cadência suave e sensual. Eu não ia perder a cabeça, mas certamente ia possuí-lo ao meu jeito e vontade. Eu o tomaria com firmeza e aquela calma não passaria de uma vaga lembrança.
Eu voltei a me ajoelhar no chão e puxei sua calça, lentamente, fazendo com que o tecido roçasse em sua pele. Depois fiz questão de tirar sua cueca, deixando minhas mãos alisarem seu membro, em troca recebia gemidos incertos. Tirei seus sapatos e meias também, até que estivesse nu... Só pra mim.
Nu como na tarde anterior, quando eu tive a chance de amá-lo, não completamente, mas ainda assim, pela primeira vez. E ele era lindo, a maior perfeição que eu conhecera e já vira. Apesar de novo ainda, ele tinha um corpo de tirar o fôlego.
– Shaka, por favor... – Eu sorri, ele estava realmente excitado e tenso com aquilo. Eu não o deixaria assim, mas faria questão de lamber e beijar cada centímetro daquele membro.
– Eu sei...
Minha boca lambia antes sua virilha, reconhecendo o corpo que eu faria MEU. As coxas então, firmes e definidas, quentes... Depois o quadril, o umbigo... Os músculos desenhados de seu abdome, toda aquela pele bronzeada.
Tudo era reconhecido pelos meus beijos. Era delicioso demais, algo único sentir aquela pele cheirosa e quente sob meus lábios, se rendendo às minhas mordidas leves, aos meus beijos e carícias.
De repente ele gemeu outra vez.
Eu tocava a base de seu membro com a língua, descrevendo círculos e beijando-o, mas não chegava nunca ao ponto de colocá-lo na boca. Eu estava adorando provocar e o fazia muito bem, pois minha presa já se contorcia na cama.
Minhas unhas arranhavam seu peito e coxas... E que coxas! Como poderia Deus criar algo firme e macio ao mesmo tempo? Ah sim... Eu sempre tive um fraco por arranhar e morder aquele par de pernas. E pode-se dizer que Ikki estava gostando.
Seus músculos se retesaram quando eu lambi aquele buraquinho que pingava por antecipação. Todo aquele desejo escapando em pequenas gotas, pouco a pouco, esperando que eu colhesse cada uma e saboreasse o prazer dele.
Aquele calor pulsante que o deixava ainda maior e mais rígido, me fazia estremecer só de pensar em acabar com aquilo tudo e colocar aquele membro na boca.
Eu agüentei firme, quando ele já estava apoiado nos cotovelos para ver porque eu demorava tanto, fazendo aquela carinha de tesão, eu envolvi seu sexo com a boca. Chupei forte por uma única vez, que foi o suficiente para ouvir o que eu queria...
Um gemido bem alto e cheio de tesão, misturando sua inocência àquela voz levemente grossa, tornando tudo muito contraditório. Eu tinha uma criança em minha cama, uma criança vestida de adulto, com um corpo escultural, uma voz grossa, mas um gemido infantil e expressões que só um garotinho possui.
Ikki era a mistura de sensações, uma turbulência de pensamentos e incertezas misturados à infantilidade ainda presente em seu rosto, em sua fala, em seus gemidos. Os gemidos eram o que mais o entregavam, deixando claro que ele era apenas um menino, inexperiente e completamente à minha mercê. E isso... Era o que eu mais gostava.
Digam o que quiserem, ninguém ficaria ileso ao charme que aquela criança possuía, só no olhar e na forma de sorrir... Nas palavras inocentes que ele me dizia, ou na forma doce com que ele timidamente me pedia algo... Tudo nele continha alguma substância intoxicante que entorpecia meus sentidos, me deixando cego a tudo que não fosse ele.
Isso sempre me levava a fazer coisas que eu jamais faria com qualquer outra pessoa, ainda mais com um garotinho que mal saíra das fraldas. Mas com ele tudo era diferente e eu me entregava com uma facilidade destemida e desavergonhada a todas as minhas fantasias e desejos. E ele parecia nem notar.
Ele já estava arfando quando eu resolvi parar de torturá-lo. Me levantei da cama passando os dedos pelo cós da minha bermuda, sensualmente abrindo o botão e depois o velcro. Ele não tirava os olhos de mim um minuto, todos os meus movimentos eram acompanhados e admirados. Então eu fazia tudo lentamente, me deliciando com a expectativa de estar com ele, de beijá-lo, afagá-lo, de me entregar de vez àquela relação maluca.
Eu sorri a ele, enquanto descia a bermuda, deixando um volume, irritantemente preso pela cueca, totalmente exposto para sua apreciação. E com prazer, eu o vi lamber os lábios, sentando-se na cama para me observar e eu não perdi uma oportunidade de provocar, gemendo baixinho deixando os lábios entreabertos, como se para respirar melhor.
Ele era delicioso demais, não conseguia conter os hormônios. Era curioso em todos os sentidos e lindo.
– Quer me tocar? – Não precisava de resposta, afinal seu olhar me dizia tudo e ele não me decepcionou. Meu sorriso cínico talvez o deixasse intimidade, afinal o controle era meu.
Ikki esticou os braços me puxando pelas nádegas, abaixou minha cueca e em primeiro instante apenas me olhou, mas depois envolveu meu sexo me deixando entorpecido.
Pode parecer loucura, mas aquele garoto, mesmo inexperiente fazia aquilo bem que era uma loucura. Eu ia ao céu e voltava, arfando e gemendo enquanto o observava colocar tudo dentro da boca, com uma facilidade ridícula. E não parou por aí, suas mãos me apertavam, marcando minha pele, como se a dizerem que eu pertencia a ele.
Seus dedos caminhavam para entre minhas nádegas as afastando, talvez tentando tomar de volta o controle. Mas eu deixaria ele brincar, depois tiraria seu doce quando ele fosse longe demais. E ele foi.
– Ikki... Chega... Ahn... – Ele já enfiava um dedo dentro de mim, quando, infelizmente fui obrigado a parar com aquela tentação, ou iria gozar sem nem mesmo ter deixado-o louco. Ele se afastou com muita relutância e deitou-se na cama de pernas abertas.
-Não agüento mais, Shaka... – Nem eu agüentava, queria tomá-lo com força e firmeza, entrar nele como se me pertencesse e fazê-lo esquecer de tudo. Mas ao invés disso, eu lambi os lábios e me deitei entre suas pernas, beijando seu pescoço com volúpia.
Podia sentir seu corpo estremecer a cada beijo e toque, tornando as coisas mais saborosas e apressadas. Mas eu não cedia, continuava a beijar até alcançar os mamilos, já endurecidos pelo tesão que aflorava em seu corpo.
Havia me esquecido de como era ter essa idade em que tudo é simples demais... Delicioso demais, como ouvir seus gemidos chamando meu nome.
Mordi os dois mamilos, tornando a carne, antes rosada, avermelhada e mais rígida. Podia sentir seu membro pulsar de encontro ao meu abdome, enquanto eu me esfregava nele, em um movimento de vai-e-vem anterior ao sexo. Eu conseguia loucuras como agüentar esse tempo todo quando estava com ele... E depois era sempre maravilhoso, fazendo valer a pena nossa mútua tortura.
– Vou te fazer meu... SÓ meu... – Minhas mãos abriram suas pernas com rapidez, marcando sua carne com meus dedos, enquanto eu apertava aquelas coxas definidas e fortes.
Ele apenas gemeu em resposta, deixando que eu me abaixasse e lambesse aquela entrada, que já se contraía como se a esperar por mim ansiosamente.
– Shaka... Por favor... – Sim, por favor... Ele sempre me pedia para ir mais rápido, quase implorava minha compreensão e eu apenas alongava os minutos.
– Já vou, meu amor... – Eu sussurrava, enfiando um dos meus dedos em seu corpo apertado. Sentia então ele se contrair ainda mais e levar as mãos até meus braços, me apertando.
Essa expectativa é maravilhosa, descreve sensações no seu corpo inimagináveis, capazes de enlouquecer de prazer e levar uma pessoa ao êxtase total. E o mais engraçado é que eu nunca deixei de sentir isso por ele, em nenhuma de nossas relações.
– Shaka... O que está fazendo? – Acabei sendo tirado de meus devaneios pelo meu amante apressado, ele já estava impaciente me puxando quase que pelos cabelos.
– Desculpe... Você é irresistível... – Meu sorriso apagava qualquer curva de estresse em sua testa e sua expressão amenizava na hora. Eu tinha poder e controle total sobre Ikki, ele sentia o que eu queria.
E tomado pela atratividade desse controle eu me ajeitei entre suas pernas, levantando uma delas para penetrá-lo melhor. No inicio ele apertava os olhos e puxava o lençol, gemendo alto e se contraindo, mas isso durou até eu tocar seu rosto, fazendo um carinho em sua face, enquanto esperava ele se acostumar.
– Vai ficar bom, meu amor, eu prometo... Apenas relaxe. – Isso prova o meu poder sobre ele, pois daquele instante em diante senti seu corpo inteiro relaxar e eu pude penetrá-lo completamente e começar a estocar muito calmamente.
Ikki apenas gemia, então. Não desgrudava aqueles olhos turbulentos uma única vez dos meus e eu apenas sorria para ele.
No início me movendo muito devagar, mas depois aumentei esse ritmo, deixando gemidos mais altos escaparem pelos meus lábios. Adorava possuí-lo desta forma, olhando dentro de seus olhos, sabendo exatamente o que ele sentia e queria.
'Mais rápido', seus olhos me diziam... Eu obedecia, rasgando seu corpo em cada investida, já descontrolado e arfante pelo prazer absurdo e completo que sentia. E ele acompanhava, movendo seu corpo junto com o meu, confundindo os gemidos e as respirações.
-Aaahn... – Eu não agüentava mais, já sentia meu corpo inteiro entrar em um estado de estremecimento, que precedia o orgasmo devastador que me deixava morto. Com ele não foi diferente, eu apenas o toquei para sentir o sêmem escorrer-me pela mão. – Ah... Ikki...
Eu caí deitado sobre seu peito, beijando seu pescoço e lábios, tentando recuperar-me da loucura que cometera. Ele apenas respirava, me abraçando e ainda gemendo baixinho, enquanto eu descansava, ainda dentro dele.
– Shaka... – Eu me apoiei nos cotovelos, puxando-o pelo queixo para sufocá-lo com um beijo.
Essa tarde se repetiu inúmeras vezes... Eu sempre o possuía e depois era envolvido por seus braços fortes. Seu beijo após o orgasmo era sempre muito mais desesperado e com o tempo tornou-se mais quente e possessivo também. Do que eu poderia reclamar?
FIM
