Título – Fairy Tale

Resumo: Em um mundo tomado de magia e de guerreiros fortes e corruptos, uma lenda permaneceu, quem vai salvar a princesa? Heero & Relena

Disclaimer: Gundam Wing não me pertence (sim, sim, é a dura realidade T.T). Quem tem todos os seus direitos é a Sunrise e blá, blá, blá...
Ah sim, não ganho nadinha com isso, só o mero prazer de escrever!

ATENÇÃO: As personagens Cléo e Kelly são uma criação minha, se vocês quiserem usar, me peçam e me dêem os devidos créditos!


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Capítulo003 – Missão diferente

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"Agora eu estou assustado e eu tenho medo
Dos papéis que eu fiz
De votos que eu quebrei e votos que eu fiz
Seu tempo para terminar esta mascarada"

Entre ajudas e quase tombos, para que Wufei conseguisse caminhar no estado que se encontrava, o grupo se aproxima de uma vila, as luzes já podendo ser vistas de longe, enquanto se aproximavam, saindo da densidade do matagal.

Caminhavam em silêncio, os soldados e o grupo, o barulho eventual de algum galho se quebrando, ou algum animal da floresta era ouvido. Estavam ainda mais cansados do que antes, pela longa caminhada, exauridos, desejando por um lugar para descansar, sabendo que não teriam isso tão em breve.

Relena também tinha alguma dificuldade na caminhada, o vestido longo a fazendo tropeçar por não conseguir ver o caminho corretamente, os homens com tochas, ou muito à frente, ou muito atrás de si, sendo ajudada por Heero, que estava logo atrás, a tortura de caminharem parecendo interminável.

Por fim chegam ao vilarejo, percebendo que esse era menor ainda do que se via de longe, consistindo de menos de dez casas, mas, seu atrativo estava longe de ser este. Bem à frente, diante de seus olhos, em estilo gótico e todo feito de pedra, erguia-se um castelo, sinistro, as paredes compridas, indo longe para que não se fosse possível entrar ou sair, quando se bem entendesse.

Em várias janelas era possível ver luz, assim como, em algumas uma cortina vermelha fazia as visitas da civilização. Era de longe, um lugar imponente, amedrontador.

As portas se abaixam quando param em frente a essas, pessoas em movimentos rápidos podendo ser vistas lá dentro. Entram, continuando a rumar, alguns dos soldados que estavam consigo, se dispersando, enquanto alguns continuavam a guia-los.

Enquanto caminhavam em direção ao calabouço, o chefe dos soldados se pronuncia, pela primeira vez desde depois do início da peregrinação, a voz grave parecendo revertebrar pelas paredes, imponente.

Olhava de lado enquanto falava, tal qual uma cobra, incapaz de olhar diretamente nos olhos.

-O que tal beleza delicada faz em meio a tais ladrões? – Pergunta, seus olhos estavam fixos em Relena.

A moça demora alguns segundos para perceber que era a ela que a palavra se dirigia, enquanto encarava a frente. Passa algum tempo reparando nos detalhes das fissuras nas paredes de pedra, as tochas presas há tempos regulares, sem saber ao certo o que responder.

-Eu? – A moça procura a resposta em volta, mas nada parece lhe surgir. Revira-se de leve, os olhos encontrando os de Heero atrás de si, apenas por um instante.

Uma idéia lhe vem a mente, incerta, perigosa.

Com isso, dá um pequeno passo para trás, suave, quase imperceptível, puxando a manga do que estava atrás de si bruscamente, mas sem olha-lo, fazendo-o estranhar, encarando-a.

-Eu fui raptada. Havia uma grande quantia de dinheiro envolvida para quem achasse meus raptores e a mim, motivo pelo qual estava sendo levada de volta... – Dá uma pausa, tentando dar mais credibilidade a seu teatro, esperando estar convincente – Não tendo bastado me levar à força de minha casa, ainda queriam receber o resgate por isso! – A indignação na sua voz era tão real, que, por um momento, até a própria acreditou em si.

-Como é que é? – Pergunta Duo, se mexendo com violência, tentando avançar, mas sendo segurando por um guarda, com força, um pouco mais atrás com Cléo, que também a olhava, incrédula. Mas Relena apenas os ignora.

O homem parecia pensativo, passando os dedos pelo rosto de uma forma a alisa-lo, sem perceber.

-E como se não bastasse, agora ainda sou confundida como uma ladra qualquer, presa por um roubo que tenho certeza, não cometi! – Emenda, forçando um pouco mais a barra, a espera de resultados.

Heero encarava as costas estreitas fixamente, tendo certeza de que pegava o seu jogo. Estava ela jogando com o general?

Haviam chegado ao calabouço, passando por celas e mais celas, algumas ocupadas, algumas com visitantes antigos, esquecidos em sua prisão eterna. A visão era de se fazer tremer.

Caveiras penduradas em correntes, na parede, de longe, era possível ouvir alguns gritos, abafados, provavelmente vindos da área de tortura.

O lugar inteiro fedia a mijo, sangue e carne podre, completando um cenário de bizarrices. Definitivamente, não era o lugar para se querer ser esquecido. Lá as paredes pareciam mais vivas, o laranja das tochas refletindo nelas de maneira fantasmagórica.

Abrem uma jaula qualquer, o rangido alto de metal velho. O interior de mofo, o chão de terra batida, as paredes de pedra, a escuridão nada convidativa.

Primeiro jogam Wufei, sem delicadeza, fazendo-o gemer baixo, Kelly entrando logo atrás, praticamente voluntária, ajoelhando-se ao lado do chinês, os olhos sensitivos, carregados de preocupação.

Depois, Cléo e Duo fazem sua entrada, forçados, tentando sair à força. Por último, Heero e Relena, essa última lançando-lhe um olhar indescritível, carregado com significado.

Ele ergue uma sobrancelha, tendo a confirmação de sua pergunta anterior, enquanto os homens se preparavam para fechar a porta, o olhar determinado dela ainda fixo no dele.

-Esperem! – O senhor chama, acariciando as têmporas. – Tirem a loira – O homem dá a ordem e, rapidamente, a soltam.

Vendo-se livre, lança um último olhar a Heero, confirmando se ele havia pegado o que queria dizer, também incerta, caminhando ao lado do capitão, sem voltar a olhar para trás.

Ao chegar no corredor principal, avista, de longe, na sala do trono, um homem estranho e ele a olha de volta, um brilho estranho em seus olhos, parecendo analisa-la como uma mercadoria.

Quem era ele?


As horas passavam devagar, parecendo estender-se ao infinito, Heero encarando uma goteira que pingava constantemente, a água parecendo negra pela falta de iluminação.

Kelly se ocupava em limpar a testa de Wufei, que agora parecia suar, sua temperatura subindo, a pele ficando mais branca. O grupo havia improvisado um torniquete para sua perna, enfaixando-a em seguida, mas a ferida não parecia devidamente limpa, o que lhe dava a febre do momento.

Ele resistia, mantendo-se acordado, tentando não delirar, sua força se esvaindo, cada minuto passando com mais dificuldade. Se não conseguissem um jeito de sair, e logo, a elfa tinha certeza de que aquele seria o último lugar que ele veria.

Cléo estava encolhida em um canto, abraçando uma perna, com o olhar perdido.

Duo se irrita, sua paciência tão curta quanto à de sua parceira, levantando-se em um ímpeto.

-Vocês poderiam ao menos dizer o que nós fizemos? – Gritava, os soldados que antes conversavam, perto da escada, passando a prestar atenção no que fazia barulho.

Os dois se aproximam devagar, um sorriso já brincando em seus lábios, esperando pela diversão premeditada.

-Óbvio! – Exclama o primeiro, os olhos com um brilho escarninho, maliciosos.

-Vocês roubaram homens honestos enquanto eles passavam pela floresta! – Complementa o segundo, a mesma expressão na face, mas mais teatral que o primeiro, dizendo aquilo como se fosse o pior dos pecados – Agora, se as damas quiserem... – Dessa vez seus olhos ganham um brilho sinistro, enquanto se aproximavam da grade, os olhos obscenos, escuros – Nós podemos tira-las daí... – A frase era dita com um sentido nítido, o sorriso nos lábios dos homens sendo sujo.

-Só se for por cima do meu cadáver! – Altera-se Duo, tentando alcança-los através das grades, os cabelos remexendo-se no processo. Os dois riem, entretidos, se afastando um pouco, para longe do alcance do moreno.

Aquilo havia sido o suficiente por aquela noite. Com isso, a dupla se distancia, voltando-se para seus postos.

Duo ainda fica algum tempo ali, acabando por encostar a testa no metal frio, tentando acalmar-se.

-Quer dizer então... – Wufei pára um pouco, controlando sua dor, o pensamento sendo deixado no ar por um instante, apenas para retomar depois, a respiração pesada, arfando – Só podem ter sido aqueles miseráveis que acusaram a gente! Aqueles ladrões que queriam nosso livro ainda tiveram a coragem de nos denunciar por ter pegado o colar deles!

Sua voz, apesar de cansada, era cheia de acusações, orgulho e raiva. As emoções fortes o desgastavam e, naquele momento, Kelly desejou que ele não fosse tão intenso, podendo se permitir descansar. Apenas um pensamento perdido no tempo...

-Covardes... – Exclama Duo entre dentes, revirando-se um pouco, a trança se mexendo de um lado para o outro antes de voltar para trás, encostando-se à parede da cela, de onde havia se desencostado ao começar a discussão.

Nisso, a ruiva solta o pensamento que lhe vinha brincando na cabeça, maldoso, assunto que todos deixaram de lado, fatigados.

-E aquela princesa hein? – Murmura Cléo e todos passam a olhá-la – Eu pensei que ela estivesse do nosso lado, afinal, nos a salvamos do sono eterno, mas não, bastou apenas uma pequena chance para fugir da encrenca que ela cedeu rapidinho! – Também estava tensa, raivosa.

-É mesmo! – Reclama Duo – Mas agora, não adianta mais chorar sobre o leite derramado! – Tenta se focar no que era importante – Como vamos sair daqui? – Todos se viram para Heero, o organizador de idéias e planos, mas ele permanecia calado, olhando um ponto fixo de uma pedra escura, do outro lado do local onde estava.

-Heero? – Era a voz de Kelly, incerta, chamando-o depois de um momento em silêncio, a preocupação pelo chinês fazendo-a querer apressar-se – Como faremos para sair daqui?

Ele os encara por um momento, todos os olhos fixos em si, com exceção do de Wufei, que agora fechara os olhos, o sangue que havia perdido parecendo falar mais alto, deixando-o extremamente exaurido, cansado.

Seu olhar era intenso e intimidador, mas, no momento, estava vazio de significado.

-Esperem – É sua resposta, simples, gerando uma comoção no pequeno local.

-Como assim esperar? – A elfa estava eufórica, o coração apertado – O que você quer dizer com esperar? Você quer que a gente fique aqui para sempre, é isso? – Exclama, perdendo a compostura e sua sempre postura calma, diante da aparente tranqüilidade de Heero.

-Apenas esperem! – Ele é decisivo, cerrava os dentes e tinha uma expressão nervosa em seu rosto, algo que indicava perigo, forte o suficiente para fazer com que todos se calassem. – Apenas preciso esperar para ter a confirmação... – Murmura baixo.

Nunca fora de confiar em alguém, e agora é que não iria começar. Seria o teste para Relena, para saber o quanto ela valia, se poderia de fato ser de alguma ajuda ao grupo, agora que estava do lado de fora.

Ainda não haviam conversado, não se conheciam, não sabia nada sobre ela. Será que havia entendido os sinais que ela lhe passara errado? Será que deveria tomar uma atitude agora?

Olha para Wufei, sofrendo e o arrependimento lhe vem a garganta, amargo. Teria ele tempo para um teste, por mais frio e calculista que fosse?

Precisava ter, caso o contrário, jamais saberiam se podiam confiar nela ou não, se ela era útil ou apenas um peso morto. Engole em seco, a responsabilidade do que viesse a acontecer estava em suas mãos e sabia disso.

Para completar suas dúvidas, ouve a voz de Duo, vinda de algum lugar no interior da cela.

-Bem, de qualquer forma, se morrermos aqui, culpem ao Heero, ta? – Podia imaginar o seu rosto, pelo tom de sua voz. A cara de poucos amigos.

Aquilo era tudo que menos precisava no momento.


Relena se via cansada, as paredes alaranjadas não sendo exatamente confortáveis, os homens bêbados festejando, prometendo entrar por toda à noite, sem cansaço.

Pisca mais uma vez, se ao menos não estivesse presa a ele, poderia simplesmente fugir, ir embora dali, não que fosse faze-lo, mesmo se não estivesse, afinal, era uma pessoa honrada e devia a eles depois de ter sido salva, mas ainda assim, a obrigação a fazia não ter vontade.

Finge beber o líquido a sua frente, colocando-o no copo ao lado do seu, sem que o capitão notasse, ou ninguém mais ali se importasse. Quanto mais tempo passava por ali, maior era o perigo, afinal, homens bêbados nunca são honrados.

Para lhe reservar um pouco de sorte, seu libertador ainda parecia razoavelmente são, tentando leva-la para o mesmo caminho que ele.

-Minha cara, nada mais vai acontecer essa noite, já está escuro e não poderemos te levar para casa, não gostaria de aproveitar a noite e tomar mais uma taça de vinho? – Esticava o copo de vinho com um convite mudo, mas ela sendo capaz de ver a malícia brilhar em seus olhos.

Precisava ter cuidado se quisesse fugir com sua honra intacta.

-Claro que sim! – E sorri, pondo-se afetada, um sorriso inocente nos lábios bem desenhados, de cor clara, fazendo com ele voltasse a encher a sua taça, sem perceber o seu pequeno truque, ela lhe faz uma reverência, agradecida.

Tal qual a jovem que era, paciência não era sua melhor virtude, e começou a ficar impaciente, remexendo-se no lugar, revirando sua comida no prato, o nervosismo não permitindo que comece. Os séculos que passara dormindo não lhe acumulando experiência e sabedoria.

A madrugada ameaçava pelas janelas, alta lá no céu, a moça já esgotada de tanto esperar, os homens ainda animados, mas agora, tão bêbados que mal conseguiam ficar em pé sozinhos.

Era agora ou nunca. Sentia-se apreensiva, o não saber sendo demais para suportar.

Levanta-se discreta, ninguém a encarava, preocupados demais com seus próprios afazeres, ou suas próprias parceiras, para sequer levantar-lhe o olhar. O general que tanto olhara para si durante a noite, algumas horas atrás, finalmente achara uma escrava do seu agrado e já não mais prestava atenção em si.

Apressa-se, tomando distância do salão de pedra, seguindo pelo castelo frio, tal qual uma fortaleza, com um pouco de medo de perder-se por ele. As paredes eram todas iguais, de pedra cinza, ficando de um marrom amarelado com as tochas que ali estavam presas.

Não havia muitos enfeites pelas paredes, como tapeçarias, as janelas eram aberturas na parede, nada refinadas, mostrando um lugar que se importava muito mais com a força do que com as aparências.

Não havia espelhos na passagem, os corredores iguais, as tochas colocadas à mesma distância, tal qual um labirinto. Felizmente, com sua boa memória, achou a passagem que dava ao calabouço, todos os homens, ou quase, comemorando no salão, os corredores praticamente desertos, ela não encontrando com ninguém durante a viagem.

Desce as escadas rapidamente, ouvindo o eco dos próprios passos, as paredes estreitas fazendo-os altos. Desce com a maior velocidade que o vestido lhe permitia, o corredor que descia sendo escuro, sem nenhuma iluminação, estranho.

Respira fundo ao finalmente colocar os pés em uma parte clara, à parte de baixo do castelo, abaixo da terra, úmido e mal cheiroso, o calabouço.


Kelly percebe que Wufei dormia e, entre o alívio e a incerteza, toca a sua testa, percebendo que ele fervia. Sente a garganta fechar, sufocada.

Não poderia perder mais alguém, principalmente ele, não de novo.

-Heero... – Sua voz tinha um tom implorativo, algo raramente visto nela, algo que ele nunca havia ouvido, então chamou sua atenção, os olhos azuis percustradores encarando os intensos negros, nenhum sucumbindo ao outro.

Sua consciência estava pesada, ele teria de tomar uma atitude, rápido, não podia simplesmente sentar e assistir enquanto Wufei morria.

-Vocês estão aqui! – A voz fina exclama, vinda do lado de fora, a roupa azul agora com a barra suja, de raspar no chão parecido com esgoto. Os dois se viram, quebrando a concentração, olhando-a. – Onde estão as chaves?

A voz era baixa e suave, falando as palavras devagar, quase temendo acordar sombras das paredes encardidas e cheias de musgo.

-O que temos aqui? – Uma voz murmura, aparecendo de algum ponto que, os que estavam dentro da cela não conseguiam ver. A voz masculina foi prontamente reconhecida pelo grupo.

Era o soldado que os provocara mais cedo.

Relena vira o rosto, contraindo-o em uma expressão desgostosa. Dentro de si, o pânico começando a alastrar-se.

-Putz! A gente ta ferrado! – Murmura Duo, aproximando-se da grade, lembrando-se de como o homem devia ter o triplo do tamanho da princesa. Ela se afasta da grade, indo para a direita, em pouco tempo também saindo de seu campo de visão.

E era pior do que isso, porque se lembravam de que não só havia um homem, como dois. O soldado passa pela frente do local dos cárceres, sem olha-los. Eles estavam em um frenesi exótico, sem saber como agir.

-Pelo menos não preciso ficar tão chateado por não ter podido subir para comemorar com os outros lá em cima, certo? – Diz, encarando-a, analisando-a de cima a baixo. Ela levanta o rosto, devolvendo o olhar de maneira altiva, superior. O olhar o incomodava.

Rapidamente, ele fecha a distância entre eles, tentando agarra-la, mas a moça, pequena, e ainda tendo o espaço a seu favor, desvia-se, rápida. O vestido longo não lhe permitiria fazer aquilo durante muito tempo mais.

-O que foi docinho? Está com vergonha? – Dessa vez ele é mais rápido, pegando-a durante o movimento de fuga, segurando o seu pulso, rapidamente a forçando contra a parede, seu corpo pressionando o dela – Então vamos acabar com isso aqui mesmo! – Agora segurava os dois pulsos dela acima da cabeça loira.

A expressão dela era desgostosa. Sentia-se tonta e enojada, tomada pelo asco.

-Princesa! – Ouve algumas vozes chamando por ela, mas já parecia meio desligada disso, presa a sua situação.

O homem, com violência puxa a manga de seu vestido, rasgando-o, observando a pele clara e impecável em um momento de deleite. Então, com a mesma rispidez, levanta a saia de seu vestido, a mão passando por sua perna, em uma carícia rude, com demasiada força, distraindo-se.

Era o suficiente, e, antes que ele pudesse completar seu objetivo, cospe em seu rosto, um atestado de sua contra-vontade. Ele levantou o olhar para seu rosto, a expressão de luxúria agora substituída por uma de raiva, ela parecia inatingível, um olhar arrogante em sua face.

Por dentro, parecia querer desmanchar-se.

-Então é assim? Você vai ver, sua vagabunda! – Com uma força inesperada, o soldado bateu no rosto da moça, fazendo-a cair no chão, um baque alto sendo ouvido, ela sentindo o corpo doer, mas sem tempo para isso.

Rapidamente, antes que ele se movesse, levantou-se, correndo em direção a escada, o desespero movendo suas pernas incertas, a barra do vestido agora esquecida.

-Segure-a! – Ouviu o homem dizer e, antes que alcançasse o corredor, deparou-se com outro homem, do mesmo tamanho do anterior, o olhar selvagem e um sorriso escarninho em seu rosto.

-Mas o que temos aqui? Uma princesa! – Ele falava gozador, olhando-a como se fosse uma presa. Tenta desviar dele, um passo para trás com força, quase a fazendo perder o equilíbrio, a mão do homem alcançando o seu colar, arrancando-o. Não era tempo de pensar nisso.

Ainda movida pela adrenalina, avança, passando bem ao lado dele, o desespero do momento sendo seu único aliado, enquanto subia na escuridão, descrente de sua sorte, como conseguira realizar tal ato.

Chega ao topo das escadas ofegante, mas sem tempo para parar, sabendo que eles estavam no seu encalço. Põe a mão direita sobre o coração apenas por um instante, pronta para recomeçar a correr, quando sente uma mão forte sobre a sua, a pressão instantânea fazendo-a angustiada.

-E agora, o que vai fazer? – Era um deles, e ela se vira, tentando soltar sua mão, mas percebe que o outro estava logo a seu lado, o sorriso largo em seu rosto. Nunca imaginou que eles pudessem ser tão rápidos.

-Soltem-me! – Grita, sentindo-se ouvir sua voz de longe, um formigamento tomando-a por dentro, parecendo se espalhar de dentro para fora, amortecendo-a.

-E por que acha que faríamos isso? – Mas antes que pudessem continuar, ela sorriu, seus olhos agora tão vazios quanto um espelho, um azul que refletia as imagens vistas, assustador, tal qual o de uma boneca de porcelana.

Algo parecia se libertar de dentro dela, ela se sentia a dormir, trancada dentro de si mesma, não sabendo o que acontecia consigo mesma, parecendo prisioneira de seu próprio corpo. O que era aquilo?

Uma luz começa a ser emitida, primeiro fraca, depois fazendo toda a pele da moça brilhar, fazendo os homens se assustarem, soltando-a velozmente, encarando-a abobalhados. A pele dela agora parecia feita de cristal, uma estátua luminescente.

-Adeus! – Dessa vez a voz era mais grave, mais vazia do que a normal da princesa, quase parecendo possuída, um vento estranho fazendo seus cabelos voarem de leve, a única coisa a permanecer de sua cor original em seu corpo, dourados, contrastando com o azul de cristal de sua pele.

A luz parecia se irradiar mais forte agora, quase a fazendo sumir no meio dela, o segundo homem já correndo, amedrontado, o primeiro preso ao chão, sem reação.

A moça levanta a mão, apontando para o homem a sua frente, à luz parecendo se concentrar com mais intensidade nessa área, forma-se um fio de luz que atinge o coração do homem, ele cai morto no chão, sem delicadeza.

A agora estranha Relena o olha com olhos frios e sorri com canto de boca, depois escorrega até o chão, caindo de joelhos, a energia se esvaindo de seu corpo, a sua cor voltando ao normal, mas, ao invés de voltar ao normal ao ver o que causara, põe-se a rir, tal qual ensandecida.

Estava de volta.


Relena acorda pouco depois, os olhos embaçados, tentando focar-se em seus arredores, trêmulos. Mexe a mão com dificuldade, demorando em reconhecer onde estava.

Leva um susto ao ver o cadáver estirado a sua frente, os olhos excessivamente abertos, como se tivesse morrido em um susto. Remexe-se, encolhendo a saia, afastando-se do corpo inerte.

Levanta-se, concentrando-se para lembrar o que acontecia. Tudo que lembrava eram fragmentos, imagens sem nenhuma nitidez, uma luz estranha, o homem caindo. O que causara aquilo?

Chacoalha a cabeça. Não era hora para isso. Aproxima-se, mesmo que hesitante do desfalecido, pegando-lhe as chaves, presas a cintura, e então desce apressada as escadas, ainda sentindo a cabeça girar.

-Relena! – Era Cléo, surpresa com sua volta – Achamos que tinha— – Mas não termina sua sentença, olhando para baixo. A mulher pegara as chaves, e agora destrancava as portas.

-Graças a Deus! – Murmura Kelly, tão baixo, que ninguém mais a ouviu.

-O que aconteceu com o homem que te perseguia? – Pergunta Duo, enquanto saia do lugar. Ela demora um pouco em responder, sem saber ao certo como faze-lo.

-Morreu – Diz simplesmente, fazendo-os estranhar.

-Então você deve valer mais do que pensamos a princípio – O de tranças comenta, coçando a cabeça.

-Tudo bem, que seja! Temos de ir! – Fala Heero, cortando-o, ajudando Kelly a levantar Wufei do chão, ajudando-a andar. A essa altura, ele já estava um pouco grogue, a febre alta. – E temos de agir rápido!

Pegam suas armas que estavam jogadas de qualquer jeito perto da escadaria, saindo, mas não antes de Cléo, ao ver o pingente de Relena ali jogado, o guardar nas vestes, seguindo-os.

Em silêncio, na escuridão da noite, percorreram a maior parte do caminho, o incômodo podendo ser sentido entre eles. Finalmente, alcançam as portas do castelo, abaixando-o para sua passagem, tudo feito em conjunto, rápida e habilidosamente.

Estavam saindo, quando ouvem um barulho, passos próximos a si.

Era um grupo de soldados, os poucos sóbrios que lá restavam, liderados pelo que antes estava na prisão e ajudara a atacar Relena, fugindo diante da demonstração de poder.

-Aberração! – Ele grita alto, chamando-lhe a atenção! – Assassinos! Não pensem que vão escapar! – O homem estava determinado, e os soldados vinham rapidamente, à distância entre eles, evaporando. – E para ela – Indica Relena – A morte!

Estava nitidamente alterado, e eles não poderiam lutar, não em uma proporção tão desigual quanto aquela, principalmente porque Wufei, um de seus melhores espadachins, não poderia lutar, e teria de ser protegido, assim como Relena.

-Corram! – Ordena Heero, apressando-se o máximo que podia, em suas condições, assim como Kelly, perto de si.

-Eles são muitos – Cléo vira-se, falando para Duo a seu lado, os dois liderando a direção do grupo, agora na orla da floresta, adentrando-a com violência, rompendo em barulho, galhos se quebrando.

Para onde ir?

Começam a ir em frente, em direção ao centro, onde a vegetação ficava mais densa, esperando conseguir despista-los.

Conforme iam entrando, sentiam que o barulho diminuía, todos atentos ao que estava a sua volta, não querendo ser surpreendido por algum animal selvagem ou por algum ladrão oportunista.

A única coisa que se ouvia, além do barulho de seu próprio coração, batendo irrequieto no peito, era a vegetação, afastando-se diante de seus pés. Não sabiam dizer se já haviam despistado alguém, e se tal sorte poderia existir.

Se a floresta fosse apenas um pouco mais longe, teriam sido pegos, o alcance das flechas em suas costas, as árvores fechadas lhe salvando, bem a tempo. Ninguém queria ser o primeiro a falar, incerto se isso seria o certo a se fazer.

Caminharam durante horas, já suados, o cansaço fatigando os músculos de seus corpos, torturando-os, a sede esmagadora. O sol já podia ser visto no horizonte, nascendo, lento e preguiçoso.

Chegam a uma clareira, ela era aberta, algumas árvores caídas quase serviam de acento perfeitamente, a luz chegando sem filtro pelo espaço grande deixado pelas árvores.

Incapazes de dar mais um passo sequer sentam-se, ofegantes, as costas encharcadas de suor, agora frias do molhado. O sol batia-lhes no rosto, esquentando-os com intensidade, a sede falando alto em suas bocas.

Permanecendo mais alguns instantes em silêncio, conseguem ouvir o som de água corrente, o alívio batendo forte contra cada um deles, fazendo-os estremecer.

-Água! – a ruiva é a primeira a exclamar, os outros a seguindo logo depois, descendo por um caminho estreito ao lado esquerdo da mata, chegando a um lugar de pedras altas, o rio correndo entre elas, forte.

Descem a pedra grande, apressados, bebendo com voracidade, rápidos. Kelly enche o cantil, para leva-lo para Wufei, que ficara no acampamento, refrescando sua testa.

Heero se vira, bem a tempo de ver uma flecha vindo em direção à moça. Sem pensar, a empurra, fazendo-a chocar-se contra o chão, arranhando o braço.

-Heero! – Ouve a voz de Cléo gritar, e quando se vira, Duo já avançava para o soldado que atirara, tudo acontecendo tão rápido que mal tem tempo para assimilar o que acontecia.

Vê o soldado sendo acertado em cheio no peito, caindo, morto atrás de arbustos selvagens, sendo escondido pelo verde, a espada escocesa do de tranças, banhada de sangue.

-Droga! – Ouve-o gritar, e quando vira a cabeça, vê Heero caído a seu lado, sangue escorrendo de seu peito, os olhos fechados, o vermelho escuro e denso manchando o chão embaixo de si, sendo levado para a água, misturando-se. Levanta-se.

Cléo estava ao lado do amigo, abaixada, as mãos sobre a boca, abafando um soluço. Relena estava em pé, há alguns passos dele, encarando-o, calada.

Kelly ajoelha-se ao lado dele, o peito apertando com força. O toca, ele não se mexia. Estava morto? Não podia ser, ainda mais, não para salva-la, não ela!

A garganta se fecha e, por mais que quisesse chorar, as lágrimas se trava, em sua garganta, como uma maldição que tivesse de suportar, mais uma provação em sua vida, entre tantas, estava destinada a perder todos com que se importava. Coloca a mão sobre as de Cléo, tentando acalma-la, mas incapaz de acalmar-se a si mesmo, seus sentimentos dentro de si parecendo um furacão, era incapaz de chorar. Duo se aproximando, também se agachando, largando sua arma a seu lado, tocando no corpo inativo, mordendo a boca com força, a expressão tornando-se rígida.

-Droga Heero, droga! – Fala alto, para quem quisesse ouvir. A moça loira se aproxima, uma expressão conturbada em sua face.

-Esperem! – Exclama, embora o fizesse com delicadeza, fazendo todos os rostos ali presentes se voltarem para ela – Me dêem espaço.

Fazem o que lhes é pedido, mas sem entender, o peso sendo gigantescamente insuportável para carregarem em seus corações.

A moça abaixa-se ao lado do homem, assim como eles haviam feito, encostando suavemente em seu cabelo, em uma carícia delicada.

-Heero – Murmura – A pessoa mais importante... – Com isso, puxa a flecha de seu coração, puxando a cabeça de cabelos castanhos para o seu colo.

A princesa apenas fecha os olhos por um momento, se concentrando, a atmosfera a seu redor parecendo mudar, o ar parecendo mais denso. O grupo olhava a cena intrigado, sentindo que alguma coisa estava prestes a acontecer, podendo sentir as mudanças ao redor de si a pesar.

A loira junta as mãos, como em uma prece, palavras sem som saindo de sua boca, uma energia desconhecida e impossível de ser vista se acumulando a seu redor, e então, os outros se impressionam. O sangue parava de correr, a ferida parecendo se fechar, como se o tempo voltasse em um instante.

-Volte! – É a única palavra que se foi possível entender, esta sendo dita em voz alta, a mão pequena encostando o lugar onde o ferimento havia sido feito. Uma luz forte brilha em torno de sua mão, fazendo-os fecharem os olhos, apenas por um momento, desaparecendo, assim como viera, rápida, misteriosa.

É então que Heero abre os olhos e começa a tossir, engasgado, tudo parecendo estranho e confuso para seus olhos fora de foco. Uma força sobrenatural parecia apertar seu peito, esmagando-o. Sem conseguir resistir, se senta, olhando em volta, a luz forte demais para si.

A grupo olhava a cena incrédulo, sem um único movimento, a incredulidade podendo ser vista em cada um de seus rostos.

-Isso não é mágica – Kelly diz para si mesmo, bem baixo, só ela a se escutar, conhecedora da magia como todos os de sua espécie – Pelo menos, não uma normal...

Um sentimento parecia surgir no coração de cada um, algo entre admiração e temor diante do que presenciaram.

-Como você fez isso? – Heero diz, finalmente voltando a si, encarando Relena, ainda sentada atrás de si, entre golfadas de ar – Achei que estava...Que estava...Morto!

Ela o encara por um segundo, não parecendo querer lhe revelar o que ele queria ouvir, mas desistindo com um suspiro.

-Sabe quando disse que te beijei porque precisava da sua energia? Aquela não foi toda a verdade...Na verdade, nós fizemos um pacto...Que nunca poderá ser desfeito...

-Pacto? Que pacto é esse? – Pergunta dessa vez Duo, se intrometendo, fazendo-os encara-lo, tomando consciência de que estava ali. No rosto de todos havia intriga e um pouco de temor.

Em que haviam se metido ao salvar aquela princesa?

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Roupas

Kelly: Ela também usa um colã na cor branco, que tem uma manga transparente. A manga é aberta em dois e é bem grande no fim do braç cima da parte de baixo do colã, vem uma calça preta, totalmente aberta dos lados presa por fios entrelaçados em forma de X. Se cabelo, normalmente é preso em rabo-de-cavalo. Usa uma capa, também, levemente transparente, da cor branca.

Presa na sua cintura por um cinto, carrega uma espada cano-curto e nas costas, seu inseparável, arco-e-flecha.

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Ohayo!

Esse capítulo agora já não está mais curto, então não esperem muito do próximo!

O trecho da música do começo é Masquerade da banda L'Ame Immortelle, que assim como Evanescence, é uma de minhas bandas favoritas!

Agora, como Relena ressuscitou Heero? Por que ela matou aquele homem tão friamente? E afinal de contas, que pacto é esse?

Tudo isso no próximo capítulo!

Ah, obrigada a : Adriana Paiva (Realmente, mais sem juizo que esse grupo, tá difícil), rhanna (Que bom que você está gostando...) e a Sah Rebelde (Nossa! Também amo dragões! Acho eles lindosssss!)

Kisses!