Assim que deixei a enfermaria, corri para os vestiários do campo de quadribol. Sem muita cerimônia, fui invadindo o vestiário masculino.

- TEDDY! THEODORUS! – gritava, sem ligar para o bando de homens, alguns trajando só as cuecas.

Teddy estava mais ao fundo. Ele conversava com o capitão da equipe e ria falando da vitória. Cheguei lhe dando tapas onde podia enquanto ele tentava desviar.

- Sua doida... Victoire... o que está fazendo!?

- Infantil... idiota... você... podia... matado... ele! – a cada palavra, eu lhe dava um tapa. Sentia meus olhos lacrimejarem.

- Você... invade... o banheiro... masculino... hey... CHEGA! – ele segurou meus braços e me encarou. – Você tem que sair, tá assustando todo mundo.

- Me... solta!

- Só se você prometer se comportar. – ele parecia segurar uma risada, mas eu não parei de me debater. – Vai, colabore.

- Minha varinha... você... devolve... mim! – eu me debatia; um esforço deveras inútil quando meus braços estavam presos com firmeza.

Teddy rolou os olhos.

- Encontro vocês lá em cima. - anunciou aos colegas de time. Depois, ele me jogou sobre seu ombro e me carregou para o lado de fora do vestiário.

- Fica quieta!

- Eu quero minha varinha! E depois eu vou matar você com ela!

- Então não vai tê-la de volta.

- Me devolve Teddy!

- Não!

- Sim!

- Não!

- SIM!

- Você vai me matar?

- Não, só vou te cortar em doze mil pedacinhos e jogar para a Lula!

Teddy pareceu achar aquilo engraçado. Logo, senti que meus pés retomavam ao chão. Já estávamos bem longe dos vestiários. Acho que era algum lugar atrás da torre de Gryffindor. Obviamente, não havia sinal de vida ali.

- Com calma, Vic. – ele sacou minha varinha dos bolsos de suas vestes de quadribol e a segurou no alto, longe do meu alcance. – Se comporte.

– Ok, me dê.

- Sem feitiços, azarações, maldições ou golpes, ok?

- Ok.

Devagar, ele me entregou a varinha e eu tive que me segurar muito para não enfiá-la no nariz dele.

- Agora pode voltar para o seu namoradinho machucado. – Teddy ficou sério de repente e virou-se rumo ao vestiário.

- Ele terminou comigo. – disse, me lembrando da "conversa" que tínhamos tido agora pouco. Eu era muito boa em segurar choros, mas eu não liguei quando uma lágrima escorreu pela minha bochecha.

Teddy parou de andar, mas não se virou para mim.

- Só para você saber. – eu falei, e saí andando sem olhar para trás. Contudo, ele me seguiu.

- Espera.

Parei. Dessa vez fui eu quem não olhou para trás.

- Eu não o queria matar.

Não respondi.

- De verdade. Machucar um pouco, talvez...

- Você é um idiota. - gritei, chorando cada vez mais. - Aquela sua namoradinha vai me pagar!

- Ela não é minha namorada. Nem sei o nome dela.

Oh Merlin, como ele era idiota.

- Muito legal da sua parte.

- Vic...

Virei-me para ele.

– O que é? – coloquei as mãos na cintura.

- Desculpa.

Ok, era a última coisa que eu esperava ouvir.

- Quê?

- Desculpa. Fui infantil. E... - ele secou algumas lágrimas do meu rosto com seu dedo indicador.

- Muito.

- É que... a gente só briga... eu não queria brigar com você... e agora você está chorando...

- Eu prefiro quando você briga comigo. – as palavras pularam da minha boca.

- Imaginei que diria isso. – ele deu um meio sorriso. Que idiota! Aproximei-me dele. – Por isso quis criar um pouco de confusão, quando você pareceu entediada com minha tentativa de ser gentil.

- Você... Teddy... Lupin... imbecil... irresponsável... - disse, dando socos em seu peito com os punhos fechados.

- Hey, você prometeu que não ia me bater!

Incessante, continuei desferi tapas onde eu podia alcançar. Ele me abraçou firme contra ele mesmo.

- Me solta! - pedi, mas eu não queria sair dali. Era confortável. Oh Merlin, o que aconteceu comigo?

Acho que nunca tinha estado tão perto dele. Na verdade, percebera que raramente o abraçava. E nunca tão forte daquele jeito. Não que eu o estivesse abraçando, eu nem sabia onde meus braços estavam mais. E Merlin, como ele era alto e... forte! Percebi que sua boca se mexia mas eu não ouvia som algum. Estava mais interessada em como os olhos dele me encaravam tão de perto e como seu pomo de adão se movia sob a pele enquanto ele falava. E os olhos dele! Qual fora a última vez que eu vira a cor natural deles? Naquele momento, estavam num tom extremamente escuro.

Percebi que sua metamorfomagia era intrigantemente... sexy. E por que diabos seus cabelos estavam mudando tão incessantemente de cor? Azul, verde, marrom, preto, vermelho, azul, amarelo, rosa chiclete, branco, azul claro... ou seria azul turquesa? Notei também que eu nunca havia visto como eles realmente eram.

- Victoire? – ele me deu uma sacudida de leve.

- Qual a cor natural do seus cabelos? – minha voz saiu estranhamente embriagada.

- Ahn... quê? - ele pareceu confuso. Porém, meneou a cabeça e seus cabelos retomaram o tom azul cotidiano. - Você ouviu o que eu disse?

- Não. Nem quero. – mesmo que aquela fosse minha resposta brava e sem educação, eu continuava com a voz melosa.

- Certo. Só me desculpe. – acho que então ele percebeu a pouca distância entre nós. – Por isso também. – falou, rolando os olhos do corpo dele para o meu, mas não me soltou. Me senti aliviada. Parecia que se ele me soltasse, eu iria cair.

- Você... Quer dizer, Max disse... você está com ciúme de mim?

- Sim. – foi uma resposta tão direta que me pegou de surpresa.

- Por quê? Não é como se você fosse meu pai.

- Não! – ele se afastou um pouco. Não faça isso! Contudo, eu ainda podia sentir seu cheiro. Não o de suor, o cheiro dele mesmo. Embriagante, mas de um jeito gostoso, diferente daquela casa de chá em Hogsmead. – Vic... Pensei que você fosse mais esperta... – ele rolou os olhos. – E percebesse que eu gosto de você. De um jeito... além do normal... entende?

Imediatamente, lembrei-me daquela vozinha dentro da minha cabeça algumas noites atrás.

Não tive, contudo, muito tempo para pensar. Instantes depois, a boca quente de Teddy encontrou a minha e ele me beijou. Durante muito tempo, ele me beijou.

Não eram como os beijos de Max. Não tinha só calor, tinha outra coisa também. Acho que meus pés tinham deixado de tocar o chão. Quando ele afastou a boca dele, eu continuei de olhos fechados, como se eu ainda não tivesse terminado.

- Pode olhar... – ele respondeu.

Abri os olhos e vi que eu o abraçava pelo pescoço, assim com ele abraçava minha cintura. Ele me levantava um pouco no ar e por alguma razão eu estava sobre seus pés.

- Parece que você gostou.

Fiquei sem reação. Não me movi, não falei. Só pisquei um pouco e o encarei. Aí ele riu meio nervoso.

- Ou não... Por favor, diz algo... Me sinto horrível... Me desculpa...

Então avancei para ele noutro beijo.