Saint Seiya e Saint Seiya Omega não me pertence


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A Ida a Aldeia

Mal o som da porta a fechar se espalhou pela sala e depois se dissipou tudo parecia estar em harmonia mas no interior das pessoas que estavam naquela casa não havia harmonia mas sim confusão e a maior estava na mais velha.

Depois da morte do seu irmão ela conseguiu convenceu Saori a seguir o plano e ir para a ilha com Koga. Desde de então, Catrine vive sozinha na antiga cabana que fora a casa dela quando era pequena. Claro que fez umas mudanças como pintar as paredes, por umas estantes e etc. Tentando parecer o mais parecido possível com a Mansão de Saori coisa que não era fácil visto que a cabana era muito mais pequena e claro que ela não tinha dinheiro para comprar todas as aquelas coisas luxuosas mas mesmo assim ficou uma cabana acolhedora.

- Eu vou cumprir as minhas promessas. – pensava Catrine enquanto cortava uma torta de morangos – Não as vou quebrar. Jamais! Prometi que ficaríamos sempre juntos eu vou fazer isso. – então cortou a última fatia da torta.

Quando pediu a Saori para continuar na aldeia e ter uma vida normal ela tinha um objetivo que iria cumprir custasse o que custasse.

Enquanto isso na sala, Yuna observava-a enquanto Koga olhava mais atentamente para as fotografias que ali estavam.

- Bem para uma Deusa ela vive como se fosse uma habitante normal da aldeia. – disse Yuna notando que as coisas de Catrine era como as de uma pessoa normal – Porque será que ela não ficou no Santuário?

- Ela não deve querer passar o resto da vida no local onde o seu irmão morreu, não hajas? – disse Koga enquanto vias as fotos.

Normais. Como uma pessoa normal teria. Alguma com os amigos, outras com os Cavaleiros, até uma no tal orfanato em que a amiga de Seiya trabalhava.

- Bem, então porque que ela não foi contigo e com Atena? – perguntou Yuna enquanto abria um dos livros de Catrine e foliava.

- Talvez porque ela não queria viver no mesmo local onde vivem os culpados pela morte do irmão. – Koga levantou o rosto e viu-se cara a cara com o espelho e com o pior… o seu reflexo.

As vezes, as pessoas diziam que ele era bastante parecido com Seiya mas ele não queria acreditar nisso.

- Koga, porque que tu queres acreditar nisso? – perguntou Yuna fechando o livro.

- Porque é a verdade. Não a posso negar as evidências. – disse Koga voltando-se novamente para as fotografias de Catrine.

Então uma chamou-lhe a atenção. Parecia que tinha alguma idade, tal vez a mesma que ele. Nela estava uma mulher que devia ter uns 23 ou 24 anos, tinha os cabelos cor de lavanda soltos que parecia serem balançados pelo vento, os seus olhos azuis refletiam uma luz solar e o seu sorriso mostrava um brilho diferente. Ao seu lado estava um homem com a mesma idade, tinha os cabelos castanhos rebeldes que pareciam que estavam a lutar uns contra os outros, os seus olhos castanhos chocolate mostrava a mesma luz e o seu sorriso mostrava o mesmo brilho que a mulher. No meio deles estava uma rapariga que parecia ter 17 anos com cabelos castanhos chocolates longos com um brilho que parecia ser lunar, tinha os olhos fechados enquanto sorria de boca fechada. Então os olhos de Koga encontraram uma coisa que os arregalou. Nos braços da jovem rapariga dormia um pequeno bebé de cabelos cor de vinho.

- Não é bonito estar a ver as coisas dos outros, Koga. – disse Catrine fazendo Koga dar um pequeno salto para trás – Anda-la. Podes ver as fotografias com tiveres novamente com forças. – ela virou-se para a mesa que ficava do outro lado da pequena sala.

- Como é que ela pode ser tão simpática comigo depois do que eu lhe fiz. Como ela me pode salvar. Como pode sequer olhar para a minha cara. – pensava Koga enquanto seguia Catrine

- O Koga é bastante curioso. – disse Yuna puxando uma cadeira para se sentar.

- Sim mas eu lembro-me de ter deixado este livro na estante de cima. – disse Catrine enquanto pegava no tal livro.

Yuna corou envergonhada. Não tinha arrumado o livro! Não queria levantar o olhar. Estava na casa de uma Deusa aliada da Terra, foliou um dos seus livros sem autorização e ainda por cima não o tinha voltado a por no lugar! Que humilhação! Então uma mão veio passou pelo seu ombro e finalmente ela teve coragem de olhar para cima. Catrine olhava para ela com um brilho calmo no rosto.

- Ele gosta muito de andar fora dos sítios. – disse ela enquanto esfregava a mão no ombro da jovem Águia. – As vezes parece que tem vida. Ah! – sorriu Catrine quando leu o título do livro – Bem, parece que este livro é do teu gosto, Yuna. – a Amazona voltou a corar – Porque que não o vês enquanto eu vou buscar o resto?

- Eu vou contigo. – disse Koga virando-se para Catrine – Pode precisar de ajuda.

- Claro, 4 mãos são melhores do que 2. – disse ela com um sorriso.

Koga baixou o rosto evitando olhar para o seu sorriso. Catrine ficou confusa.

- Eles são tão parecidos mas ao mesmo tempo tão diferentes. – pensava Catrine enquanto olhava para o jovem Cavaleiro.

Koga e Catrine entraram na cozinha ao mesmo tempo que Yuna lia o livro enquanto dava uma trinca numa fatia de bolo de chocolate.

- É muito simpático da tua parte ajudar-me com isto. – disse Catrine enquanto enchia algumas chávenas de chá.

- Bem, é mínimo que posso fazer. Tu salvaste-nos, a mim duas vezes. – riu Koga pondo umas sanduíches num tabuleiro.

- Não foi eu a única que te salvou. – disse ela com cara séria e depois sorriu para Cavaleiro.

Koga desviou imediatamente o olhar. Catrine voltou a ficar confusa. Não entendia o novo Cavaleiro de Pégaso. Num momento tinha uma emoção e no outro tinha outra.

- Catrine, como você se sentiu ao ver a mim e Yuna como Cavaleiros? – perguntou Koga.

- Eu não recomendava isso a ninguém. Eu sei quanto essa vida é muito complicada e… muito perigosa. – respondeu Catrine com tom sério.

- Mas a Saori… - começou Koga com um tom preocupado.

- A Saori é uma boa mulher e inteligente também. Sei que ela vai conseguir passar por todas as dificuldades que lhe aparecerem a frente. – assegurou-lhe Catrine com um sorriso – Koga, por favor, toma conta dela. – disse ela pondo a mão no ombro de Koga.

Koga virou as costas a Deusa levando o tabuleiro nas mãos indo em direção da porta. Ele não conseguia tirar as palavras de Catrine na cabeça. "…toma conta dela." Como ele podia fazer isso. Ele não tinha conseguido fazer isso quando Marte a raptou. Será que ele seria capaz de a proteger?

- Koga! Cuidado com a… - tentou avisar Yuna mas…

O Koga bateu contra a parede deixando cair tudo que trazia.

- Deixa-la. – disse a Amazona de Águia indo em direção do Cavaleiro caído.

- O que aconteceu aqui? – perguntou Catrine da porta da cozinha.

- Nada, bati apenas na parede. Nada mais. – disse Koga com um sorriso enquanto ponha a mão no seu ombro.

- Tu… Zeus me de paciência com os Cavaleiros de Pégaso. Perece que essa parede é um íman para vocês. – ralhou a hospedeira enquanto se ajoelhava ao pé do Cavaleiro – Deixa-me ver. – disse ela despindo o ombro do rapaz revelando uma ferida com um pouco de sangue – Uma das facas teve ter-te cortado. Eu venho já. – disse ela levantando-se.

- Não é nada, Catrine. – afirmou Koga tentando levantar-se.

- Yuna, podes…? – pediu Catrine virada de costas.

- Sem problema. – disse a Amazona pondo a mão na ferida de Koga fazendo soltar um grito de dor. Koga caiu devido a dor voltando a sentar-se.

- Não era preciso tanta força, Yuna. – pensava Koga enquanto passava levemente a mão no ombro.

- Bem vamos lá fazer outro curativo. – anunciou Catrine voltando a ajoelhar-se ao pé dos Cavaleiros – Yuna, podes segura-lo?

- Sim. – disse ela pondo os braços de Koga atrás das costas dele.

- Não é preciso nada disso. – protestou Koga então Catrine pôs uma bola de algodão com álcool na ferida fazendo o rapaz gritar novamente – Porque que foi isso?

- Foi para te calares. – explicou a Deusa enquanto arrumava a bola de algodão e molhava as mãos em água – Olhem, não… não se assustem. – disse ela pondo ambas as mãos levemente na ferida de Koga.

Koga e Yuna trocaram um olhar assustado. Catrine fechou os olhos e então as suas mãos começaram a brilhar! Os Cavaleiros ficaram de olhos arregalados e então as mãos de Catrine pararam de brilhar e ela abri os olhos verdes-água. Levemente, a Deusa tirou as mãos da ferida que tinha sarado.

- Oh meu Deus… isto é Zeus. Como é que conseguiste fazer isto? – perguntou Koga cobrindo o ombro.

- Eu disse-vos. Tenho poderes de cura. Como é que achas que os Lendários Cavaleiros de Bronze aguentaram tanto tempo? – disse Catrine com sarcasmo.

- Bem parece que ajuda de Koga não foi grande ajuda. – disse Yuna enquanto apanhava as coisas que Koga tinha deixado cair.

- Desculpa Catrine. Eu limpo isto tudo. – ofereceu-se Koga deixando Yuna de queixo caído.

- Não faz mal Koga. Já vi pior. – então Catrine soltou uma rizada quando pegou numa das chávenas pouco partidas.

- Qual é a piada, Catrine? – perguntou Yuna com um sorriso.

- Nada apenas… estava a lembrar-me quando o meu irmão também bateu contra essa mesma parede. Foi muito antes de o Koga aparecer. – começou Catrine a contar – Nós só íamos lanchar. O meu irmão tinha ido buscar a comida e eu e a Saori ficamos a conversar. Nós nem demos conta que ele tinha voltado da cozinha e então ele distraiu-se com a nossa conversa e… Ah! A Saori tentou avisa-lo mas ele já tinha batido. Ah! Ah! Ele distraia-se facilmente com Saori. Só espero que ela continue tão bem humorada como eu me lembro.

O rosto dos jovens Cavaleiros escureceu. Sabiam que tinham de contar tudo a Catrine mas tinham medo da sua reação.

- O quê que te preocupa, Koga? – perguntou Catrine olhando para o Cavaleiro.

- Como…? Você leu a minha mente? – perguntou ele mal humorado.

- Não preciso disso para saber que estás preocupado com alguma coisa, Koga. Conheço os teus olhos tão bem como a Saori. – disse Catrine com o rosto claro – Sei quando eles estão zangados, tristes e… preocupados. – Catrine voltou o seu rosto para o chão e este também escureceu – Tens os olhos do meu irmão.

- Catrine, nós temos de lhe contar uma coisa. – disse Koga – É sobre a Saori. Ela foi raptada pelo Marte.

Catrine levantou-se e foi em direção a uma das janelas.

- Eu sei. – disse ela com um fio de voz.

- Tu sabes?! – gritaram os Cavaleiros juntos.

- Sim, eu sei. – disse Catrine tentando não soluçar – Quem me dera ter estado lá para por ter vos ajudado. Mas agora nem eu posso fazer isso. Agora só vocês é que a podem por um fim a isto.

- Nós?! – disseram os Cavaleiros.

- Vocês são os novos Cavaleiros da Esperança. Isto agora é com vocês. – disse Catrine virando-se para Koga e Yuna.

- Tu tens razão. – concordou Koga levantando-se – Isto agora é connosco. Lamento Catrine mas nós temos de ir.

- Vocês não podem ir agora. – disse Catrine com um tom preocupado – Os vossos amigos devem estar espalhados pela aldeia.

- Como é que sabes que nós não estávamos sozinhos? E como é que podes achar que eles podem estar por aqui? – perguntou Yuna curiosa.

- 1ª pergunta, duas respostas. 1º - Só dois Cavaleiros, para já não disser de Bronze, atravessarem as 12 Casas sozinhos é um autêntico suicídio. 2º - Sempre foi assim. Dês do inicio do Santuário houve sempre uma força maligna que causava a discórdia entre os Cavaleiros e sempre 5 Cavaleiros de Bronze passaram pelas 12 Casas, menos o meu pai que foi apenas com 2 amigos, para salvar Atena. E vocês não são exceção. Ninguém foi. – explicou Catrine encostando-se a janela – 2ª pergunta, uma resposta. Eu sei quem é o novo Cavaleiro de Touro. Sei qual é a capacidade máxima dele e sei mesmo que ele sendo Cavaleiro de Ouro o máximo dele é dividir por está aldeia.

- Mas isso não é razão para ficarmos aqui enquanto o tempo da Saori e da Terra está a acabar. – então Koga percebeu-se de uma coisa – Catrine, quanto tempo estivemos inconscientes?

- Uma ou duas horas. – disse ela diminuindo aos poucos o tom de voz.

- O quê? – gritaram os Cavaleiros.

- Estamos condenados. – lamentou-se Yuna – Perdemos bastante tempo aqui e…

- Por acaso, vocês não perderam nenhum tempo. – disse Catrine com um olhar de sarcasmo.

Os jovens Cavaleiros ficaram confusos. Não tinham perdido tempo! Como isso era possível.

- É possível. Bem pelo menos aqui, jovens Cavaleiros. – disse a Deusa com um sorriso.

- Catrine! Eu disse para você…

- Eu li a mente da Yuna, Koga. – gritou Catrine com raiva depois respirou fundo – Aqui o tempo não passa.

- O quê? Como? – perguntou Yuna com medo e curiosidade.

- Eu… Eu procuro uma coisa que não pode envelhecer. Por isso é que eu não fui contigo e com Saori. – afirmou a Catrine sentando-se num sofá próximo.

Yuna lançou um olhar para Koga e este revirou os olhos.

- Porque que ela tinha de se meter na minha vida. – pensou Koga enquanto suspirou – Mas tu pareces ter uns 30 anos.

- Eu sou a única coisa que envelhece nesta zona. Tudo o resto não. As plantas, os animais, as pessoas. – explicou Catrine com um sorriso.

- Um lugar que não envelhece, uma Deusa. Só faltas criaturas mitológicas. – disse Koga com uma risada.

- Bem isso resolve o nosso problema do tempo mas ainda falta encontrarmos os outros. – disse Yuna ignorando Koga.

- Podemos ir a aldeia ver se alguém viu os outros Cavaleiros de Bronze. – sugeriu Catrine levantando-se.

- Boa ideia. – concordaram Koga e Yuna que cruzaram o olhar quando notaram o tinham feito.

- Vocês fazem isso muitas vezes? – perguntou Catrine com ironia – Não importa. Vamos então para a aldeia mas acho que é melhor vocês mudarem-se. – disse ela olhando para os Cavaleiros.

Eles olharam para si mesmos. Se iam a algum local precisavam, urgentemente, de mudar de roupa. Estavam todas amarrotadas, rasgadas e cheias de sangue.

- Sigam-me. – pediu Catrine abrindo uma porta.

Koga e Yuna assim fizeram. Eles seguiram um curto corredor até que Catrine parou.

- Koga tu vais para aqui e Yuna para ali. Vão encontrar tudo que precisam nos armários. – disse ela apontando para duas portas.

Os Cavaleiros entraram cada um para a sua porta, então entraram para dois quartos diferentes e abriram os armários. Pouco depois, Koga voltou para a sala. Agora trazia vestido uma roupa igual mas mais bem tratada.

- Porque que você tinha roupas iguais as minhas guardadas? – perguntou o rapaz de cabelos cor de vinho.

- Não tenho. – respondeu ela com uma gargalhada.

O rapaz ficou confuso mas não perguntou. Em vez disso sentou-se ao lado de Catrine no sofá.

- A Yuna ainda não voltou? – perguntou Koga tentando tirar uma das bolachas de Catrine.

- Mãos marotas não comem bolachas. – ralhou Catrine enquanto batia nas mão de Koga – E quanto a Yuna, ainda não… olha ela vem ai. – disse a Deusa apontando para a porta.

Koga virou a cabeça e viu a amiga. De uma mera blusa e de uma saia ela passou para um vestido amarelo claro de mangas curtas em balão com uma saia que chegava pouco depois dos joelhos. O Cavaleiros ficou de queixo caído ao ver a Amazona tão… tão feminino.

- Bem, parece que o vestido velho da Saori serve-te. – disse Catrine levantando-se do sofá – Fecha a boca ainda entra a mosca. – aconselhou ela fechando a boca de Koga.

Yuna notou a reação do amigo e ficou um pouco corada. Nunca fora uma rapariga de vestidos e maquilhagem. Admitia que eram confortáveis e que gostava um pouco deles. Mas não era isso que a tinha feito corar, os olhos de Koga tinham um brilho diferente que ela nunca tinha visto mas que tinha gostado.

- Bem se estão os dois prontos podemos ir. – afirmou Catrine com uma cesta na mão

Ela e os jovens Cavaleiros saíram de pequena cabana que ficava na pequena colina. Rapidamente chegaram a um mercado cheio de pessoas. Os vendedores gritavam os produtos que vendiam e alguns compradores até aceitavam as ofertas mas quando viram Catrine todos os habitantes param o que estavam a fazer para verem a hospedeira da Deusa Vitória. Koga e Yuna olharam para as pessoas. Sentiam-se esquisitos por todos os habitantes estarem a seguirem os seus movimentos.

- Por favor, continuem. – pediu Catrine aos habitantes e assim fizeram.

- Porque que os habitantes estavam a olhar para nós? – sussurrou Koga a mulher de 31 anos.

- Antes eu só vinha a aldeia quando havia anúncios vindos do Santuário mas agora só venho cá em baixo para comprar comida ou para saber o que se passa por aqui. – respondeu-lhe ela.

- Então deve ser uma raridade vê-la cá. – afirmou Yuna quando viu que a maioria dos habitantes ainda os seguiam com o olhar e alguns cochichavam.

Eles andaram durante um pouco até que Catrine parou na frente de uma loja.

- Eu tenho de tratar de umas coisas primeiro vocês podem andar por aí mas não saiam do mercado. Encontramo-nos aqui. – avisou ela.

Os Cavaleiros acenaram que sim com a cabeça e afastaram-se devagar.

- Ele é muito parecido com… bem tu sabes quem. – disse a comerciante da loja.

- Sim mas todos sabem que isso não vai dar para o melhor caminho. – afirmou Catrine.

Entretanto Koga e Yuna andavam pelo mercado e viam as pessoas que os olhavam curiosos menos uma sombra que não olhava só.

- Não olhes agora mas estamos a ser seguidos. – sussurrou Yuna.

- Todos os habitantes estão a seguir-nos, Yuna.

- Mas este anda mesmo a seguir-nos. – voltou a sussurrar Yuna – Olha, se não acreditas em mim fazemos assim aos três corremos o máximo que podemos. – com o canto dos olhos a Amazona viu uma pessoa que se tentava esconder por detrás das cabanas dos vendedores – TRÊS! – gritou ela começando a correr agarrando o pulso de Koga.

A sombra seguiu-os. Curva contra curva os Cavaleiros tentavam despista-la mas era impossível. Parecia um leão sanguinário faminto atrás da sua preciosa presa. Até que eles viraram uma esquina que deu para um beco sem saída!

- A sério! – disse Koga furibundo.

- Shhh! – Yuna pôs a mão na boca de Koga e empurrando para a parede.

Koga não percebeu a atitude de Yuna até que viu o que se passava. A sombra tinha parado como se estivesse a procura dos Cavaleiros. Yuna olhou para Koga que percebeu o que ela queria disser. A Amazona tirou a mão da boca do jovem Pégaso e ambos preparam-se para apanhar a sombra. Então correram para cima dela mas a sombra já não estava lá!

- Estão a brincar comigo! – gritou Koga sem paciência.

- Como é que ele escapou. Isto não tem saída e se ele tivesse voltado para trás nós teríamos notado. – disse Yuna vendo se a sombra ainda não estava ali.

- Deve ter se escondido. – sugeriu o Cavaleiro baixando-se.

Então algo chamou a atenção. Um pequeno quanto de um pergaminho velho todo dobrado.

- O que é isso? – perguntou a Amazona de Águia.

- Não sei. – respondeu Koga apanhando o pedaço de pergaminho.

Levantou-se e posse ao lado de Yuna. Koga começou a abrir levemente o pergaminho e então desmascarou um pequeno desenho de um coelho felpudo. De repente risadas vieram a cabeça do jovem de cabelos cor de vinho. Risadas alegres e divertidas. Risadas de um bebé.

- Tu ouviste-me, Koga? – perguntou Yuna desviando Koga dos seus pensamentos.

- Ah? Desculpa, Yuna. O quê que disseste? – disse o Cavaleiro como se estivesse acabado de acordar de um sonho.

- Eu disse que se calhar isso pertence a pessoa que nos estava a seguir. – sugeriu a Amazona.

- Talvez a Catrine saiba. – sugeriu agora Koga – É melhor irmos ter com ela e contar-lhe o que aconteceu aqui. – disse ele enquanto arrumava o pergaminho no bolso das calças e começando a andar.

Pouco depois, Catrine encontrou-se com os jovens Cavaleiros com a cesta cheia de coisas. Koga e Yuna contaram-lhe tudo o que se passou sem esconder nenhum nem mesmo o pequeno pergaminho.

- Bem isso é mesmo estranho mas vemos melhor isso em casa. Agora vamos perguntar as pessoas se viram os vossos amigos foi por isso que viemos aqui. – disse Catrine dando a cesta a vendedora da loja – Akime, tomas conta disto, por favor?

- Claro. – respondeu a vendedora.

Os três foram perguntando as pessoas se tinham visto Soma, Haruto ou Ryhuo mas ninguém os tinha visto. Parecia que se tinha evaporado. Depois do mercado foram a aldeia mas também lá não havia vestígios dos jovens Cavaleiros de Bronze.

- Este é o único sítio que ainda não vimos. – disse Yuna apontando para um café.

- Bem nossa sorte é que este café tem boa gente. – disse Catrine com um sorriso enquanto subia as escadas para a porta de entrada.

Koga e Yuna foram atrás dela e entraram. O café era como outro qualquer com um balcão, algumas mesas e cadeiras… nada de especial para além de um palco onde uma rapariga estava a cantar e a tocar viola. A rapariga chamou a atenção de Koga. Tinha os cabelos longos presos num rabo-de-cavalo cor de fogo e os olhos de um verde muito vivo. Também ela olhava para o Cavaleiro de uma forma muito especial. Mas quem não gostava destes olhares era Yuna que lançava um olhar de ódio a rapariga do palco.

- Grace Hewlett, pessoal. – disse um homem quando a rapariga parou de tocar.

- Grace? Nome bonito. – disse o Cavaleiro sem tirar o olhar da rapariga.

O olhar de ódio de Yuna passou de Grace para Koga que teve um calafrio. Este virou-se e viu o tão tímido olhar, o que o fez ir para mais perto de Catrine. Esta riu-se com atitude do Cavaleiro e da Amazona.

- Memórias. – pensou a Deusa com uma risada – Andem lá, temos umas perguntas para o dono do café. – disse ela indo em direção ao balcão.

Logo o homem do balcão a reconheceu e disse-lhe com um sorriso:

- Olá Catrine. Um café com natas como o habitual. – o homem já estava a preparar o café até que Catrine o interrompeu:

- Na verdade eu vim cá por outra razão. Por acaso não veio cá ninguém novo para te pedir para ficar na estalagem? – perguntou ela.

O café era um sucesso mas para o seu dono não era suficiente pôr isso abriu uma estalagem no andar de cima que acolhia toda gente que ela precisa-se de ficar.

- Na verdade, sim. – respondeu ele – Hoje de manhã veio cá um rapaz muito ferido. Se não fosse a minha Briolanja ele já estaria com as sombras.

- Esse rapaz, como ele é? – perguntou Yuna esperançosa.

- Deixa-me lá ver. Ele têm os cabelos cor de laranja, olhos castanhos e não se parava de se atirar para a minha filha. – disse o ele com um tom de ódio na última parte.

- É o Soma! – gritou Koga cheio de felicidade – Ele é um dos nossos.

- E quem é este rapaz tão alegre? – perguntou o homem.

- Oh, pois! Esqueci-me de vos apresentar. Sr. Hewlett este jovem rapaz é Koga e esta linda jovem é a Yuna. Koga e Yuna este é o Sr. Hewlett, o dono do café.

- Prazer. – disser os Cavaleiros.

- O prazer é meu. Espera aí! Estás a disser que este rapaz é o bebé que o teu irmão nunca deixava sozinho?

- É ele. – respondeu Catrine – Agora é ele o Cavaleiro de Pégaso e a Yuna é a nova Amazona de Águia. Eles estão a fazer a Travessia das 12 Casas e o rapaz que encontraste é um dos amigos deles que se separaram por causa do Cavaleiro de Touro.

- Aquele…

- Olha língua, pai. – disse uma voz por detrás do Sr. Hewlett.

- Desculpa, filha. Oh, onde estão as minhas maneiras. Esta é a minha filha Grace. – respondeu o homem de meia-idade – Querida, estes são o Koga e a Yuna.

- Olá. – disse a rapariga um pouco corada.

- Olá. – disseram os Cavaleiros cada um no seu tom que eram completamente diferentes. O Koga com uma voz acolhedora e Yuna com ódio que assustou Grace.

- E é claro que já ouviste falar da Senhora Catrine. – disse-lhe o pai.

- Todos conhecem a Deusa da Vitória. – respondeu Grace fazendo uma vénia.

- Não é preciso essas formalidades. Chama-me Catrine. – afirmou Catrine – Mas quanto ao rapaz… isto é o Soma, como ele está?

- O pior já passou. – tranquilizou Grace olhando disfarçadamente para Koga – Mas ele disse que só ia embora depois do Sarau.

- O que é isso, Catrine? – perguntou Yuna que ainda lançava um olhar de ódio para Grace.

- É um concurso de música que o Sr. Hewlett faz todos os anos. – explicou Catrine – Quem vencer ganha 1 ano de comida grátis no café e 1 ano de estadia na estalagem.

- Sim e o concurso é amanhã a noite por isso eu acho que o vosso amigo pode ir já embora. Eu vou chama-lo. – disse o Sr. Hewlett.

- Não. – interrompeu Catrine.

- Porque Catrine? – perguntou Yuna.

- Oiçam-me, vocês devem estar cansados dessas batalhas todas. – disse Catrine – Precisam de se divertir um pouco antes de partirem e também tempo é o que não falta. Claro se vocês o dois estiverem de acordo.

- Por mim tudo bem então. – disseram os Cavaleiros em uníssom.

- Então voltamos cá amanhã a noite… e não conte nada ao Soma. Tenho uma surpresa. – pediu Catrine enquanto saía do café.

- Bem foi um prazer conhece-lo Sr. Hewlett. – despediu-se Yuna e depois olhou para a rapariga que parecia ter 13 anos e lançou-lhe um outro olhar de ódio – Grace… - e depois saiu.

- Até amanhã então. – disse Koga acenando enquanto corria para apanhar Yuna e Catrine.

- Até amanhã. – respondeu Grace em voz baixa mas Koga já tinha saído.

Pouco depois os outros clientes foram embora e o café fechou.

- Grace, porque que disseste que esse tal Soma só ia embora só depois do Sarau? – perguntou o Sr. Hewlett enquanto limpava o balcão.

- Por… Porque que perguntas isso, pai? – perguntou Grace hesitante.

- Foi por causa daquele rapaz, o Koga, não foi? – disse o Sr. Hewlett.

- Cla… Claro que não. – disse Grace toda corada.

- É sim. A minha menina apaixonou-se. – ripostou o Sr. Hewlett com um sorriso que era tapado pelo bigode farfalhudo.

- Oh, pai! Eu vou para cama e deixar-te com as tuas fantasias. – respondeu Grace subindo as escadas.

- Eles crescem tão depressa. – pensava o Sr. Hewlett recomeçando a limpar o balcão.

Grace fechou a porta atrás e suspirou enquanto escorregava pela porta.

- Será que o meu pai tem razão? – pensou Grace com um grande sorriso - Será que estou apaixonada?