Capitulo 3 – Hope and Freedom.
Uma luz distante cega os olhos de Saga.
Naquele lugar onde normalmente tudo é cinza, aquela luz quente e radiante ofusca seus olhos, de modo que eles lacrimejam e ele não pode ver o que está mais adiante. Mas aquela luz é tão incrivelmente acolhedora, que ele corre até ela. Suas pernas tremem, como se grilhões de pesadas algemas estivessem agarradas aos seus pés, e ele estivesse preso ao solo, tentando inutilmente correr.
Quanto mais corria, parecia que aquela luz tão tentadora estava ainda mais longe. Com muito esforço, então, que seus dedos conseguiram tocá-la de leve. E ele conseguiu sentir depois de anos, um calor gostoso tomar conta de seu corpo. Um calor como se a própria vida o dominasse e ressurgisse em si. Como se seu próprio cosmo acordasse, como se a Deusa respondesse por suas preces, como se ele fosse autorizado a viver de novo.
Os tons cinzas e escuros não existiam mais, o oxigênio voltava a circular pelo seu sangue, seu coração batia como um milhão de tambores soando alto. A luz ainda o cegava, e seu corpo tremia levemente dolorido, pedindo para que Saga reagisse aquela súbita vida que tomava conta dele. O cavaleiro de gêmeos então abriu os olhos, azuis, tão bonitos como o céu que agora ele fitava. Um céu azul, limpo, uma cor tão bonita, um imenso céu azul limpo, um cheiro de oliveiras pairava no ar, junto com um vinhedo que ele sabia estar em algum lugar próximo.
Como ele desejara aquilo por anos... Poder sentir aquelas pequenas coisas que o davam tanto prazer, e que por mais que ele não desse qualquer atenção antes, passara anos pensando em o quanto aquelas pequenas coisas enchiam seus olhos e sua vida.
Ele virou o rosto, e viu aquelas flores e arvores ao seu redor, a relva bonita.
A floresta que ficava há alguns kms do santuário, aquela parte tão sagrada que era tão diferente da parte Arida que ficava as doze casas.
"Estou na Grécia?" - Ele perguntou para si mesmo, confuso, agora que desviara o olhar para a própria mão, depois para o braço onde uma veia dizia que o sangue pulsava ali. "Estou vivo..." – E aquilo parecia extremamente surreal, Saga só esperava que isso não fosse mais uma de suas intensas torturas, onde ele acordaria só para saber que ainda estava morto, e que não havia as oliveiras, nem os vinhedos e que seu mundo ainda era um grande tom de cinza, amargo, frio e sombrio.
De repente, uma voz feminina cruzou o ar, cálida, quente, retumbante, divina, e extremamente altiva. "Meu cavaleiro, Es que lhes dou a dádiva da vida, assim como a tirei em minha loucura. Meu avatar aqui na Terra foi mal escolhido, e saiba, meu jovem e bravo cavaleiro, que até os Deuses erram em suas escolhas por mais que estes não admitam. Se eu não fosse a Deusa da sabedoria, não estaria aqui vos pronunciando estas palavras, e nem o traria para o mundo ao qual pertence. A guerra acabou, os deuses descansam por enquanto, e Hades se encontra em seu reino. Viva meu cavaleiro de gêmeos, tu sofrestes tanto, uma alma atormentada, que matou o ser que mais ama. Mas meus cavaleiros devem saber que sou misericordiosa, que sou a sabedoria, e que os trago de volta a essa terra para que vivam. Meu doce cavaleiro de gêmeos, atormentado pelos outros Deuses. Mas agora, há uma chance de viver, até que a próxima guerra, se esta existir, chegue".
Saga encarou o arredor, mas ninguém estava próximo, no entanto, ele sabia da onde vinha esta voz. Da casa dos Deuses, a voz vinha, os ventos traziam as palavras da Deusa Athena. E aquelas palavras eram a maior esperança que Saga poderia ter, e ele guardaria elas com incrível adoração.
Estava livre.
Estava vivo.
E o ar que respirava, era fresco.
O vento que passava e sussurrava em seu ouvido, levava seus fios loiros como uma leve caricia.
