Capítulo 3: O novo Magneto.
O homem mais procurado dos EUA é o mutante líder da Irmandade, o terrorista de nome Magnus. Ele tem as mesmas habilidades de Magneto, o antigo líder do bando. Só que com um agravante: pode transformar as pessoas em que toca em estatuas de metal. O seu parentesco com Magneto ainda não foi esclarecido, mas muitos acham que ele seja o filho do vilão com a X-men Vampira. Magnus esta em reunião, conversa sem parar com quatro outros mutantes, pretende planejar os próximos passos do bando.
-O que faremos, Magnus? - Pergunta o mutante Groxo II, um homem com habilidades similares ao Groxo original, inclusive foi treinado por este.
-Vamos reunir todos os membros da Irmandade e marchar para o Canadá. Uma coisa muito grande esta para acontecer por lá.
-Estou louco por isso, você nem faz idéia. -Diz um mutante azul.
A conversa é interrompida por um som de madeira estalando, a principio pensavam se tratar de algum bicho, mas a realidade era bem pior.
-Que foi isso?- Pergunta um mutante transparente, seu nome é Herman.
-Não foi nada, é esses...
Groxo II não conseguiu terminar a sua frase, foi surpreendido por pequenas seringas voadoras que atingiram seu peito. Suas habilidades mutantes estavam temporariamente inacessíveis. Eles vieram quebrando as janelas, em poucos segundos a pequena casa que servia de esconderijo estava repleta de soldados da U.C.M.. O mutante azul usou seu controle do frio para congelar três invasores. Infelizmente para ele havia um soldado armado atrás dele. O azulão também foi atingido e ficou fora de combate.
-HERMAN!
O mutante transparente Herman atende o chamado de seu líder (Magnus) e vai correndo em sua direção e o toca, imediatamente os dois ficam invisíveis e saem do lugar sem serem incomodados pelos soldados. Ainda havia um mutante naquela casa, o seu nome é Frederick e tem o dom de provocar mal estar, enjôos e se ficar muito concentrado pode até fazer uma pessoa ter convulsões. Ele até que conseguiu deixar os soldados meio atordoados, mas o seu poder era muito baixo. Todos eles estavam muito bem preparados para enfrentar mutantes de nível 1. Fred foi neutralizado rapidamente.
Herman e Magnus correm pelas ruas de mãos dadas. Através desse contato físico Herman conseguia fazer com que os dois ficassem invisíveis e passassem despercebidos por todos, pelos civis e pelos membros da U.C.M.. No entanto havia duas pessoas que conseguiam vê-los, eram dois soldados, ambos assistiam tudo do alto de um prédio bem afastado da confusão. Eles utilizavam binóculos de visão térmica. Herman e Magnus podiam ficar invisíveis aos olhos, mas os seus corpos continuavam emitindo calor como todo mundo.
-Agente Yuriko, é com você.
Yuriko voa até os mutantes fujões com o seu corpo em volto em chamas, essa imagem espanta os transeuntes que passam a correr assustadoramente dali. No entanto, há pessoas mais assustadas que os civis. Magnus e Herman não conseguiram fazer nada, a mutante incendiaria invoca uma parede de chamas que separa os dois. Os invisíveis se tornam visíveis e passam a ser alvos fáceis.
-O que uma mutante faz do lado dos opressores?-Pergunta Herman.
Yuriko como sempre não diz uma única palavra sequer. Evoca suas labaredas e tenta carbonizar os dois elementos que só não morrem porque Magnus protegeu ele e o seu amigo com uma parede de metal arrancada de vários carros e objetos metálicos que estavam a sua volta.
-Como vamos nos livrar dela, senhor?
-Obviamente ficar invisível não esta dando mais certo. Precisamos pensar em outra solução.
Magnus jogou praticamente tudo que era de metal em cima de Yuriko esperando que ela fosse abatida por aquele golpe, no entanto aquela mutante era muito mais poderosa do que ele. Estava bem acima do nível de poder médio dos mutantes que Magnus estava acostumado a lidar. Ela era no mínimo do nível 4.
-Isso não esta funcionando, senhor!
-Tem que funcionar!
O calor produzido pela garota era tão intenso que transformava os metais em liquidos antes mesmo de eles tocarem o seu corpo. A temperatura do metal derretido era elevadíssima, mesmo assim ela parecia não se importar com ele tocando em sua pele desprotegida. A mutante da U.C.M. evocou uma grande explosão, tudo a sua volta ficou completamente destruído. Dezenas de pessoas que estavam próximas a ela morreram. Herman estava morto, mas Magnus ainda não havia cruzado essa linha, ele estava vivo, inconsciente, mas vivo.
A viajem até o aeroporto não demorou muito, em menos de 40 minutos Carlos tinha saído do seu apartamento e ido até o seu destino. Comprar a passagem foi mais simples do que ele pensava ser possível, para sua sorte o preço estava barato e ele poderia voar tranqüilo para o Canadá no dia seguinte. Tudo o que Carlos tinha que fazer era ficar tranqüilo em seu apartamento e esperar que o dia seguinte chegasse. Pro seu azar o dia seguinte não seria tão simples quanto ele imaginava, havia uma pessoa em seu encalço, escondido nas sombras.
Carlos acordou tarde naquela quinta feira. Ele resolveu não ir ao trabalho e estava pouco se lixando para o seu curso. Ele iria perder o emprego e ter notas negativas no seu curso, mas ele não se importava com isso. Só queria saber de sua amada e de como chegar até ela. Ele passou a manhã e a tarde sem fazer absolutamente nada de relevante, só comeu, assistiu TV e foi ao banheiro. O vôo estava marcado para de noite e ele estava ansioso para isso. Quatro horas antes do horário de seu vôo, Carlos resolveu ir ao aeroporto e se adiantar logo, ele estava acostumado com viagens e sabia como ninguém todas as burocracias para se entrar em um avião. Sua bagagem era mínima, ele esperava se manter no Canadá com apenas uma mala, nela ele colocou suas roupas favoritas, pasta de dente e outras coisas básicas.
O momento tão esperado havia chegado. Carlos entrou no avião e se acomodou na poltrona. Como a viagem ia demorar um pouco ele achou proveitoso ouvir seu mp3 enquanto voava. Ficou escutando música relaxadão em sua cadeira, se recostou e fechou os olhos parecendo dormir. Algumas poltronas atrás de Carlos havia uma figura misteriosa que esperava o momento certo para dar o bote. Jack havia se preparado com muito esmero para essa missão particular, iria se vingar de Carlos e, se possível, de todos os mutantes que o fizeram perder o emprego. Jack é um caçador experiente e aprendeu muitas coisas na U.C.M., inclusive esconder uma faca e passar por ela em detectores de metais. Com essa pequena navalha ele planejava dar cabo da vida de Carlos. Esse seria o fim merecido para um amante de mutantes, achava ele.
A pessoa que estava ao lado de Carlos saiu para ir ao banheiro, essa era uma oportunidade de ouro que Jack não iria deixar escapar. Jack se levantou de sua poltrona e foi se sentar ao lado de Carlos, o jovem estava cochilando com o mp3 ligado e por isso não percebeu a aproximação furtiva do caçador. Jack removeu os fones de ouvidos da orelha do rapaz despertando-o e antes que Carlos pudesse dizer qualquer coisa ele aproximou a ponta da faca próxima a sua cintura.
-Se gritar eu te espeto aqui mesmo!
-Não acredito! Aqui tem assaltante até dentro dos aviões!
Jack não soube dizer se Carlos estava sendo irônico. Resolveu ignorar aquele comportamento e seguir com o plano.
-O que você vai fazer no Canadá? Entrar pra algum fã clube de mutantes?
-Você não ia acreditar se eu contasse.
-Experimente.
-Estou indo encontrar a minha amada.
Aquela resposta deixou Jack um pouco confuso. Até que ele analisou um pouco o rapaz e chegou à conclusão que a amada dele era uma mutante. Isso o revoltou profundamente, não bastava gostar de mutantes ele fornica com eles. De todas as pessoas que Jack já viu na vida Carlos com certeza era o que mais merecia ir para o túmulo.
-Acho bom você me levar até ela, esquisitão.
Carlos estava em maus lençóis, não fazia idéia de como encontrar sua amada. Um assassino louco em sua cola só iria dificultar ainda mais as coisas. Carlos respirou fundo e tentou se manter calmo, a viagem fora mais longa que o previsto mais ela haveria de terminar uma hora. Quando chegasse ao Canadá, Carlos pensaria em uma maneira de se livrar do seu algoz.
Oscar Trask estava em uma sala de tortura que mais parecia ser medieval, no entanto seus toques futurísticos destoavam um pouco. Havia aparelhos modernos naquele lugar capaz de extrair muita dor e fazer poucos danos físicos em suas vítimas, perfeito para manter prisioneiros falando por um longo período. Oscar olhou para o pobre Magnus incapacitado de usar seus poderes e preso em uma máquina de tortura difícil de descrever. Apesar das suplicas do detento, Oscar não expressava piedade, deu sinal para que os médicos ali presentes colocassem as máquinas do lugar pra funcionar. Magnus gritou insanamente e por fim revelou tudo o que queriam saber.
-A irmandade esta se reunindo no Canadá. Vai acontecer algo bem grande, coisa que nem Magneto em seu tempo áureo pôde arquitetar.
-O que seria isso?-Perguntou Oscar.
-Nossos cientistas mutantes descobriram um jeito de alterar permanentemente o DNA dos humanos. Estamos criando mutantes artificiais. Em pouco tempo seremos a classe dominante.
Oscar ficou horrorizado com aquilo. Ele prometeu a si mesmo que iria impedir aquela loucura custe o que custasse.
-Quem esta a frente disso tudo?
-O verdadeiro líder da Irmandade. O mutante que conseguiu unir todos os mutantes em uma só voz. Estou falando de Wolverine, o melhor X-men que o mundo já viu.
Carlos havia chegado em solo canadense. Tudo saiu nos conformes, passar pela alfândega e pela vistoria não foi empecilho. O único problema é que ele tinha um assassino em sua cola que o ameaçava o tempo todo. Detalhezinho esse que fazia toda a diferença.
-Muito bem, aonde você marcou de se encontrar com as aberrações.
-Fico meio sem jeito de dizer isso, mas eu não fui convidado. Vim aqui com a cara e a coragem. Nem sei aonde encontrá-los.
-Você esta de brincadeira, não é mesmo?
Carlos fez que não com a cabeça, isso revoltou Jack profundamente, pois ele achava que o garoto estava querendo fazer ele de besta. Não se importou com o fato de estarem no meio da rua e a vista de dezenas de civis, ele com a faca em punho fez um corte na bochecha esquerda de Carlos. Um corte superficial, mas um corte.
-VOCÊ ESTA LOUCO!
O berro de Carlos chamou a atenção das pessoas que passavam por ali, inclusive de dois policiais que faziam à ronda.
-Hei! O que esta acontecendo aqui?
Jack estava transtornado e tinha que agir rápido se quisesse sair dali sem ir pra cadeia. Pegou Carlos pelo pescoço e ficou usando-o como refém ameaçando cravar a faca em sua cabeça se os policiais se aproximassem.
-Se afastem ou eu juro que mato esse merda! Eu juro que...
Um dos policiais foi mais rápido que Jack. Ele pegou sua pistola e deu um tiro certeiro na cabeça do caçador. Carlos saiu intacto daquela aventura, mas ficou emocionalmente abalado. Pelo menos estava livre do homem que tanto ameaçou a sua vida. Não havia mais vestígio do ódio que Jack sentia pelos mutantes, agora ele não passava de um cadáver e não ofereceria mais perigo para ninguém, nem humano nem mutante.
A U.C.M. era dotada dos melhores aparelhos de rastreamento de mutantes do mundo. Oscar deu o alerta vermelho para o que parecia ser a maior ameaça mutante de todos os tempos. Vários helicópteros da organização voaram em direção ao Canadá. Havia vários agentes dentro deles, inclusive a mais especial de todos, a mutante incendiaria Yuriko. Sem sombra de duvidas ela era a maior ameaça que a população mutante já sofrera nos últimos anos.
Carlos estava hospedado em um hotelzinho bem vagabundo, tinha que economizar dinheiro e por isso não escolheu um cinco estrelas. Ele só tinha uma pista do paradeiro de Laura, a sindica de seu prédio dos EUA disse a ele que Wolverine iria se encontrar com muitos mutantes em poucos dias. Logo aonde tivesse mutante ele estaria perto. Carlos não tinha muita experiência em localizar pessoas e por isso tinha que contar com a sorte para encontrar a sua amada. Andou por varias ruas procurando por mutantes, mas a sua busca parecia infrutífera. Ao contrario dos EUA que era recheado de mutantes, eles eram bem escassos no Canadá. Somente dois dias depois de Carlos começar as suas buscas a sorte pareceu sorrir para o rapaz. Ele ficou sabendo de um bar freqüentado só por mutantes e resolveu verificar. Entrou no bar e se sentiu mais deslocado do que nunca, pois todos os seus freqüentadores pareciam anormais. Eram azuis, verdes, vermelhos ou tinham rostos enormes ou muito pequenos, alguns deles até possuíam chifres ou espinhos cobrindo o corpo.
-Não aceitamos homo sapiens aqui!
Todos viraram seus rostos em direção a Carlos fazendo com que ele ficasse muito sem jeito. O garoto utilizou o que sobrou de sua coragem para falar em voz alta.
-Estou à procura de uma garota chamada Laura, filha de um homem chamado Logan, mais conhecido pela alcunha de Wolverine. Alguém poderia me ajudar?
A reação dos mutantes ali presentes foi mais abrupta do que seria se fossem chamados de veados, Carlos foi expulso dali com muita violência. Arremessado pela janela, espatifando vidro que se espalhou por tudo que é canto.
-Não volte mais aqui, moleque!
Isso era a gora d'água, Carlos já estava perdendo as esperanças e cogitou a hipótese de voltar para os EUA no dia seguinte. No entanto uma menina loura de doze anos e aparência normal apareceu para ele reacendendo a esperança em sua alma.
-Você quer encontrar mesmo o Wolverine?
-Sim.
-Posso levar até ele, mas não posso garantir a sua segurança.
-Tenho certeza que ele não me fará mal algum. Ajudei ele a salvar sua filha.
-Sendo assim, você pode me seguir.
A menina guiou Carlos até um armazém que aparentemente estava abandonado, na superfície não tinha nada de especial, somente várias caixas que pareciam conter somente bugigangas sem valor. A emoção de verdade rolava no subsolo do lugar. Entrando em um buraco escondido em baixo de uma das dezenas caixas espalhadas por ali poderia se encontrar uma escada longa que dava passagem até um grande salão iluminado com lâmpadas fluorescentes bastante fracas. A iluminação era péssima, mas dava para ver que o lugar estava repleto de mutantes. A frente de todos eles estava Wolverine, que parecia estar prestes a começar um discurso.
-Por muito tempo os humanos quiseram nos eliminar, às vezes nos matando e outras tirando nossos poderes, diziam que isso era uma cura de nossa "doença". Mais eu digo que nós somos a cura! A cura para uma condição imperfeita chamada homo sapiens! Nós somos a elite do mundo, por isso somos conhecidos como homo superior!
A platéia mutante ia à loucura, enquanto isso Carlos ficava chocado. Essa não era a imagem que ele tinha de Wolverine. Onde estava o homem que tanto lutou pelo sonho de convivência pacifica de Xavier? Onde estava o homem que salvou tantas vidas, humanas e mutantes? Carlos não sabia a resposta dessas perguntas, mas sabia que o homem que estava em sua frente não podia ser ele. Este Wolverine não era o mesmo, estava soando tão fanático quanto Magneto, um dos seus piores inimigos.
