Penúltimo capítulo o/

Prometi que seria curtinho xD

Beijos para Isa-nee-chan e Loveanju *O*/se tiver mais algum leitor, manifeste-se para eu te abraçar também (?)

Boa leitura *-*

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Fagulhas de um tormento

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O velho sobrado nunca pareceu tão longe. Olhou para a sacola encaixada em seu ombro e suspirou profundamente. Shizune, que sempre comprou seus sabonetes, não parecia muito interessada nos mesmos naquela manhã. Vadia.

Claro que a maneira brusca com a qual de referiu a ela não deve ter ajudado, mas ainda assim, quem ela pensava que era? Limpou a garganta e apertou o passo, notando que à uma hora dessas seus filhos já deveriam estar procurando pela mãe. Ou não. As últimas semanas passaram se arrastando e ela não sentia ânimo nem para pentear os cabelos, sempre os mantendo presos. Se Hinata não tivesse se ocupado da cozinha, Sakura nem comeria.

Ah, claro, Hinata. Que maravilhoso detalhe. Já não era hora da Hyuuga ir embora?

- Meu Deus, Yumi! – a agonia na própria voz saiu de forma esganiçada, soando pior do que queria. Mas como ignorar os inúmeros potes de tinta e folhas de jornal espalhados pelo tapete da sala? Uma nuvem de papel picado parecia ter caído sobre o sofá – que estava sem a mancha de molho de tomate.

- Ah, deixe a menina, Sa-chan. – riu Hinata da cozinha – Ela está se divertindo...

- E quem limpa essa bagunça depois?! – as mãos tremiam. Estava perdendo o controle.

- A tia Hinata como sempre! – rebateu Jiraiya. Tia Hinata?

- Por favor, querido... – a morena pediu, se aproximando deles.

- Pois bem, tia Hinata: limpe a bagunça que você incentivou! – e deu às costas para Hinata, Jiraiya, Yumi e a casa tão bem organizada. Pisava com tanta força nos degraus de madeira que poderia jurar que os mesmos estavam trincando sob seus pés.

Tia Hinata, tia Hinata, tia Hinata! Maldição! Não tinham tio algum, nem parentes ou amigos! Tudo estava muito bem antes dela chegar! Seu humor oscilava quase sempre e os remédios pareciam muito fracos para controlar seus ímpetos de levar as mãos para o pescoço alvo de Hinata e apertar com toda sua força, se é que tinha alguma.

Antes de entrar no quarto desorganizado – o único cômodo da casa que parecia não ter sido tocado pela "mágica" Hyuuga – ouviu a filha menor choramingando:

- Por que a mamãe está desse jeito?

- Não ligue, Yumi, - pediu Hinata, naquele timbre irritante. – Sakura-chan só está cansada.

"É claro que estou cansada." – pensou ela consigo mesma – "Cansada de você."

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- Sakura! Sakura! – ouviu seu nome ecoando pelas escadas do sobrado. Naruto. Bufou. Nem dormir conseguia mais. – Sakura, levante! – ele sorria muito, sorria demais. – Aconteceu um milagre!

- Recebeu um aumento? – ironizou, virando o rosto ao lado oposto.

- Se não recebo um aumento não é por falta de capacidade... – Ok, ela havia exagerado. Sentiu a resposta amarga atingir-lhe como uma faca, mas não parecia muito disposta a pedir desculpas.

- Então o que... – e assim como surgiu, o loiro desapareceu. Ergueu-se da cama, vestiu seu roupão desbotado e desceu os degraus, ouvindo o começo da conversa:

- Trinta mil dólares caíram na minha conta! Eu não sei como isso aconteceu, mas estava lá essa manhã! E o gerente do banco disse que não foi nenhum engano: depositaram esse valor! – ele gargalhava, sorria como há tempos Sakura não via. Chegando ao pé da escada, ela pode vislumbrar o sorriso de Hinata. Tinha algo de satisfeito escondido nele e naqueles olhos claros.

- Alguma ideia de como isso aconteceu, Hinata? – foi o que perguntou de braços cruzados e olhos cerrados. Se pudesse, teria a partido em três.

- Eu...

- Ora, Sakura, pare com isso, o que ela pode saber do dinheiro? – as sobrancelhas loiras se franziram de forma que nunca fizeram antes.

- Ela tem razão: fui eu que fiz o depósito. – e então toda a sala parou. Sakura sorriu: vitória! – É um presente. Não queria contar. O seguro dos móveis é o suficiente para recomeçar, não achei necessário o da casa.

- Mas são trinta mil! – até mesmo o pequeno Jiraiya de dez anos estava chocado.

- Dólares. – completou Sakura, nada convencida com o olhar tímido da moça.

- Sim, a casa era avaliada em dólar. Vocês me ajudaram tanto que eu precisava agradecer de alguma forma.

- Mas, Hinata, - Naruto estava boquiaberto. – trinta mil é muito dinheiro.

- Não tenho mais ninguém para dividir esse valor: nada mais justo que vá para meus melhores amigos.

- Sendo assim, obrigada. – Sakura falou, dando as costas para todos.

- Não podemos aceitar.

- Claro que podemos! – ela se voltou. – Hinata nos deu o dinheiro, pois bem, é nosso!

- Isso não vem ao caso, é uma quantia exorbitante! – a essa altura, Hinata tinha acompanhado as crianças para o quintal dos fundos.

- Quando o dinheiro simplesmente apareceu na sua conta, você não ficou tão preocupado!

- A questão agora é outra!

- Você ouviu o que ela disse: toda a família dela morreu! Com quem ela vai gastar tudo isso? Hein? Com as cinzas que sobraram?!

- Sakura! – Naruto gritou para repreendê-la, ao perceber a Hyuuga de volta à sala.

- Eu... Vou para o meu quarto... – murmurou olhando para os pés. Lágrimas brilhavam em seus olhos e Sakura precisou se segurar para não voar para cima dela e esbofetear aquele rosto muito branco.

- Sonsa. – disse para si mesma.

- Sonsa? – Naruto se aproximou devagar. – Ela aparece na nossa casa, sem nada nem ninguém, cuida disso tudo como você nunca foi capaz de cuidar, dando de comer até para os seus filhos e você a chama de sonsa?

- Ninguém é bom desse jeito... – seus olhos ardiam com as lágrimas que prendia com tanta força. Como ele não via?

- Achei que fossem melhores amigas.

- Eu também.

..

Sua cabeça pulsava, a dor era latente. Depois de tomar o chá e o bolo que o marido trouxe sem dizer uma palavra, Sakura percebeu-se dormir tão profundamente que a sufocava. Estava mal, um pouco enjoada. Duas horas da manhã e alguns minutos distorcidos, que ela não soube ver bem. Não via nem Naruto.

A não ser, claro, que ele não estivesse ali.

Levantou-se e seguiu para o corredor, passando rápido pelo quarto dos filhos. Dormiam bem, se remexendo hora ou outra. Os cabelos loiros de ambos bagunçados, os lábios de Yumi entreabertos. Respirou fundo: não estava sendo muito carinhosa com eles nas últimas semanas. Refez o nó do roupão e então, viu os desenhos colados na parede, próximo à porta: não era nenhuma crítica de arte, mas qualquer pessoa com bom senso identificaria duas crianças e um casal. Naruto e Hinata eram esse casal.

Cruzou o corredor e abriu a porta do quarto de Yumi, sem se importar com o horário e com o que a Hyuuga fosse achar: precisava tirar aquela história a limpo, por um ponto final em tudo aquilo ou acabaria por enlouquecer!

Mas, onde ela estava?

Era irônico como só em horas como aquelas seu ouvido e percepção ficavam afiados. Podia ouvir uma leve agitação no andar de baixo. Naquela hora da madrugada, até sua respiração parecia alta. Desceu os degraus com o máximo de cuidado que poderia ter e espiou por dentre o vão dos mesmos a cena que jamais achou que fosse presenciar: lá estava Hinata, prensada contra a pia da cozinha, com a saia levantada até o limite da virilha e pernas entrelaçadas. Entrelaçadas no seu marido.

- Naruto... – ela sussurrava, queixo afundado na curva do pescoço do loiro, que mantinha as mãos muito ocupadas segurando sua cintura. Hinata abriu os olhos e viu Sakura. Sorriu.

- Sua vadia! – e antes que pudesse perceber, já estava em cima dos dois: a casa tinha caído para Hyuuga Hinata.

Não é?

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Então... Não é?

Quem aqui se surpreendeu ergue a mãozinha e manda review! \o/ /ou não xD

Kissus e já ne! o/