Cap III- A festa de Réveillon.
O cruzeiro durava 15 dias incluindo a passagem de ano. Os integrantes embarcaram 5 dias antes do ano novo, parecia ser muito tempo, mas não era.
Já havia passado 5 dias que Sango estava no grande navio. 4 dias que Miroku não deu mais as caras. Ela pensara nele o tempo todo, o procurava em todos os cantos. Já estava óbvio para a moça que ele estava fugindo dela, mas ela não queria acreditar nisso. Aliás, não queria pensar em nada que a frustrasse naquele dia. Era dia 31 de dezembro, o último dia do ano, o dia em que todos alimentam esperanças para que o próximo ano seja melhor que o atual. A mulher não pensava diferente, tinha votos de confiança de que no seu próximo ano mudaria sua vida. Mas antes, no último dia do ano ela encontraria Miroku para falar poucas e boas para ele.
Ele vai ouvir tudo o que tem para ouvir! Seria melhor ele não vir atrás de mim, já que era pra sumir desse jeito!– Ela conversava com a própria imagem no espelho. Estava quase pronta para a grande festa de réveillon que teria no barco naquela noite.
Ela desceu para a área externa do barco, aonde seria a festa. Estava linda num vestido longo branco, parecia uma integrante da realeza. Ela chamou a atenção de todos os cavalheiros, até mesmo dos acompanhados. Estava um pedaço de mau caminho total.
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Miroku estava ansioso. Ansioso para reencontrar Sango, mesmo sabendo que isso era errado da parte dele. Mas o homem passou cada segundo dos 4 dias pensando nela, toda vez que a via sua vontade era de correr até lá, mas só se escondia e sempre dizia para ele mesmo que era para o bem dela. Mas hoje seria inevitável, era ano novo, pelo menos aquele dia queria estar com ela. Seu olhar desviou para um belo corpo coberto por um lindo vestido, ao olhar para o rosto da dona daquele corpo escultural não se espantou, afinal era a Sango, perfeitamente linda como sempre. Sorriu feito bobo e procurou se aproximar dela para atraí-la para um lugar mais vazio.
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Sango avistou aquele homem que balançara seu coração depois de longos 4 dias. Estava aliviada e ao mesmo tempo com raiva. Ela o viu e o seguiu, sabia que ele apareceu pra ela de propósito. Quando foram para a parte traseira do navio, onde estava praticamente vazia ela acelerou os passos e levou uma mão até o ombro dele, pronta para falar tudo o que havia planejado.
- Você não passa de um salafrário, Miroku! Eu não sei como caí na sua historinha, mas agor... – Ela foi interrompida.
Miroku pegou Sango firmemente pela cintura roubando-lhe um beijo de tirar o fôlego. Os lábios de ambos se encontraram com muito desejo, a moça agarrou-se ao rapaz e acariciou-o as costas docemente, não sabia mais se queria falar aquelas coisas pra ele. O homem estava matando sua saudade com aquele beijo, estava hipnotizado ao sentir o corpo delicado da mulher em seus braços. O beijo só cessou quando Sango se afastou puxando fortemente o ar pela boca. Ambos estavam visivelmente ofegantes e satisfeitos.
- Eu não parei de pensar em você, Sango. Você mexeu comigo... – Ele sorria olhando-a nos olhos.
- Então por que sumiu? Eu queria você perto de mim o tempo todo. Procurei-te em todos os lugares daqui e não achei. Pensei até que tinha pulado do navio só para fugir de mim.
- Jamais fugiria de você por vontade própria...
- Então por que sumiu? Eu quero saber por que me deixara tão perdida assim.
- Apenas perdoe-me, minha princesa... – Ele a beijou novamente fazendo-a esquecer de exigir explicações.
Passaram a noite de réveillon juntos, todas as atrações da noite foram apreciadas por eles dois, pareciam um casal recém-casado. Até na hora do jantar não se afastaram, resolveram sentar em grupo com 3 mulheres, elas pareciam conhecer Miroku.
- Então... Vocês casaram tem pouco tempo, não é? – perguntou uma delas enquanto jantavam.
- Casamos? Não somos casados! – Sango respondeu e Miroku riu da pergunta da moça.
- Vocês parecem casados mesmo... – outra moça confirmou.
- Imagina! nos conhecemos aqui mesmo. – Miroku a respondia querendo mudar o assunto, pois percebeu que a terceira mulher estava incomodada com isso.
- Que lindo! Então você são pombinhos apaixonados num navio, como no Titanic! – As meninas estavam empolgadas com aquilo, mas a terceira resolveu interromper.
- Por favor, vamos mudar de assunto porque estou incomodada com isso. – ela tinha um cabelo castanho longo, que estava caído nos ombros. Naquele momento ela o jogou para trás e olhou diretamente para Miroku.
- Por acaso aconteceu alguma coisa que eu não sei? – Sango percebeu a troca de olhar de Miroku e a mulher.
- Sango, venha comigo um instante? – O homem já levantou segurando a mão dela.
- Como assim? Por quê? O que está acontecendo? – a fúria podia ser vista nos olhos da jovem.
- Venha, por favor, Sango! – Ele conseguiu levantar a mulher puxando-a de um modo delicado.
Os dois se afastaram das meninas, mas Sango aproveitou para tentar fugir de Miroku também, estava pensando em mil e uma coisas. Por que aquela mulher ficara tão sentida com o assunto que rolava na mesa? Ela só sabia que queria se afastar dele naquele momento.
Ele a seguiu até o quarto dela, mesmo depois de levar uma "portada" na cara ficou ali, batendo na mesma, chamando a atenção da mulher.
- Por que você tá assim? Vamos conversar... Abre a porta, Sango...
A tentativa incessante do rapaz constituiu a desistência da moça, que abriu a porta e sentou na cama com cara de poucos amigos. O rapaz fechou a porta e virou-se para ela.
- Aquela é a Shima. A conheci ano passado na última viagem do ano desse Cruzeiro.
- Legal... E eu devo estar atrapalhando vocês... Deve ser por isso que sumiu né...
- Não, Sango, não é nada disso! Eu deixei bem claro que eu não gosto dela desde o ano passado. – Ele sentou ao lado da mulher, fazendo com que a mesma o olhasse nos olhos. – Mas ela voltou pra me procurar, porque não se conformou com o fato de eu ter sido "patife" com ela – Ele deu ênfase a palavra "patife" ao se explicar.
- E você realmente foi, não acha?
- Eu só fui sincero, ela não passou de uma diversão para mim, eu só disse isso gentilmente.
- Diversão é? E eu sou o que? – Ela olhava interessada em saber.
- É muito mais que isso. Eu posso dizer que estou apaixonado... – Ele desviava o olhar para os lábios da mulher.
- Apaixonado? Isso não é muito profundo não? – Ela se entregava a vontade de beija-lo e aproximava seu rosto ainda mais do dele.
- Não... – Ele a beijou com vontade e ela retribuiu da mesma maneira.
O beijo provocava ambos e era motivador estarem no quarto sozinhos. Miroku deitou-se por cima de Sango, e com o atrito dos corpos o calor só ia aumentando cada vez mais.
A noite estava quase ao fim, ou seja, faltava pouco para o ano novo. Mas o casal estava no quarto se amando de um jeito mais profundo. Ao longo do ato o rapaz descobriu que a moça era virgem, mas mesmo assim ela não negou a bela noite que deu ao rapaz e a ela mesma.
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Estavam despidos na cama. Estavam sentados e Sango estava com a cabeça encostada no belo peitoral do homem. Miroku acariciava os cabelos da mulher incansavelmente, ambos estavam sorridentes, satisfeitos. Era tudo o que os dois estavam desejando desde que se conheceram, afinal.
- Eu te amo. – Ele sussurrara no ouvido de sua amada. Sabia que dessa vez ele não iria esquecê-la. Sabia que foi errado o que havia feito naquela noite, mas precisava dela no seu último dia e no primeiro dia do ano.
- Eu também te amo. – Ela correspondia sorridente. – Isso é estranho, não é? Conhecemos-nos a tão pouco tempo e estamos dizendo que nos amamos, enquanto isso pode ser apenas um encanto... – Ela olhou para o rapaz, agora expressava uma feição preocupada.
- Não é encanto, eu sei disso porque nunca senti por nenhuma outra mulher o que eu estou sentindo por você. – Seu olhar era fixo no da moça, era incrível como ela o prendera num só sentimento.
- É... Algo me diz que não é um encanto também...
Deu meia noite e puderam-se ouvir os fogos do quarto de Sango. Os dois olharam da cama mesmo o céu cheio de cores de fogos de artifício pela janela. A jovem então se levantou e vestiu-se com um roupão de ceda, pegou duas taças e um espumante no frigobar. Serviu a bebida para ela e para seu acompanhante. Sentou novamente na cama e deu um beijo terno nos lábios de Miroku.
- Feliz ano novo, senhor Miroku. – ela sorriu.
- Feliz ano novo, senhorita Sango. – ele retribuiu o sorriso.
Os dois beberam o espumante e se descontraíram conversando durante toda a noite, às vezes a tal conversa era interrompida por carícias e beijos, por frases bonitas e sorrisos bobos. Tudo parecia estar perfeito, o ano prometia ser finalmente bom para aquele casal. Sango finalmente estava despreocupada com o que sentia, só aceitava e se entregava mais e mais para aquele lindo homem, dono do par de olhos que mais a encantava. Miroku estava satisfeito com o novo sentimento que Sango despertou nele, não sabia que estar apaixonado era melhor do que ter várias mulheres de uma só vez. Ele queria estar apenas com ela, e com mais ninguém.
Os próximos 10 dias de Cruzeiro prometiam mil e uma felicidades para os dois e nada poderia atrapalha-los. Será mesmo?
