N/A: Gente, esse aqui demorou um pouquinho mais por milhões de motivos que eu colocarei no N/A final, ok? Hehe então vamos aí...

Se eu soubesse

Cap3- O Brinco

James não dormiu aquela noite. Ficou deitado na cama, observando o teto, perdido em meio a um mar esverdeado, ao doce som dos roncos de Peter. Já tinha tentado pensar em outras coisas, outros problemas, outros tempos. Nada tinha adiantado. Na sua mente, sempre voltava a imagem da mulher de seus sonhos, em seus braços. Piscava incansavelmente, tentava se lembrar dos detalhes. Não lembrava de absolutamente nada. Se lembrava de alguns segundos antes, e de minutos depois. Não se lembrava muito menos quem tinha parado, ou como ele tinha chegado a mesa. Só se lembrava de Sirius rindo loucamente enquanto dava repetidos tapas de aprovação em suas costas, ao mesmo tempo que Mary perguntava quem eles eram e o que estavam fazendo na sua fazenda de alface.

Ele riu com a lembrança. E começou a pensar, em como seria dali pra frente. Eles namorariam? Casariam? Teriam um casal de filhos gêmeos? Morariam numa casa pequena e aconchegante, com uma lareira e um tapete grosso para poder deitar-se com ela e seu grande Labrador, enquanto tomavam vinho e riam da vida de casados? Piscou lentamente. Virou-se de lado na cama. Não, ela se quer falaria com ele. Toda vez que ele se declarava para ela, mesmo que indiretamente, ela ficava dias, as vezes semanas, sem ao menos lhe dar bom dia. E agora? Eles tinham se beijado. Ele viu que tudo aquilo ia acabar dando em algo que ele não gostaria de ver.

Quando finalmente conseguiu dormir, o fez durante todo o domingo. Acordou ao fim da tarde, mas permaneceu no dormitório, conversando com Sirius sobre seus temores em relação a Lily. Remus aproveitou e se incluiu na conversa, dizendo que ele tinha que se manter calmo. Disse que ela não tinha comentado nada durante o dia todo, então provavelmente não teria nenhum problema. Peter, a 3 camas de distância, apenas murmurava uns "é" "aham" "isso mesmo, James" . Mais tarde, desceu para jantar, mas o fez apenas com Sirius, que parecia tão afetado com a ressaca quanto ele.

- Olhando pra ela, parece que não aconteceu absolutamente nada - James disse, enquanto girava sua colher na sopa de batatas, e olhava para verdade, olhava para um canto longínguo da mesa da Grifinória, onde Lily comia com Ilanna e Chiara. Sirius apenas grunhiu algo indecifrável, pois estava com um dos olhos aberto e o outro fechado, com a colher vazia de sopa dentro de sua boca a alguns minutos. James virou-se para seu amigo, para constatar o que tinha ouvido, e se deparou com essa cena deplorável. – Sirius, você tá bem? – O mesmo continou do mesmo modo, apenas fez que sim com a cabeça, lentamente. – Acho melhor voltarmos para o dormitório...- Disse, levantando da mesa. Sirius apenas balançou a cabeça, enquanto James o ajudava a levantar.

No dia seguinte, os dois acabaram acordando tarde demais, e se atrasando para a aula de transfiguração. Seguiram correndo pelos corredores, esgueirando-se entre as pilastras para não serem pegos. Chegando à sala, James a abriu com tanta força, que essa fez um barulho colossal, enquanto a sala inteira girava os olhos em sua direção. Um silêncio mortal foi seguido de um conjunto de assobios enquanto os dois adquiriam um tom rosado em seus rostos. Sirius escondeu seu rosto por detrás do livro, enquanto os dois se encaminhavam para os últimos bancos ao fundo da sala. James passou por Lily, e acabou esbarrando nela. Disse um desculpa rápido enquanto continuava a andar. Ela sequer olhou pra ele.

-Você viu? Você viu? VOCÊ VIU?- James sussurrou, indignado, ao sentar ao lado de Remus. Este estava concentrado na aula, então piscou algumas vezes e se voltou para o amigo, com cara de quem não havia compreendido nada. – Eu dei PUTA ebarrão na Lily e ela NEM OLHOU. – Remus levantou as sobrancelhas. James arfava de raiva, como se tivessem matado seu gato ou roubado sua carteira. Remus fechou o livro e virou-se por completo na direção do outro.

- Prongs, você tem que se controlar. É sério. – Remus disse, colocando a mão no ombro do colega, que tentou se recompor, parando de arfar e ficando em uma postura reta. – Melhor. Agora.. Sobre a Lily... Você sabe que ela é meio assim. Pode cair o mundo do lado dela, se a cabeça da menina estiver em outro lugar... Esqueça. Ela não vai perceber. – James piscou enquanto digeria a informação. Remus tinha razão. Ela realmente era assim.

- O que foi? Prongs causando de novo por causa da Lily? – Sirius perguntou, com um sorriso maroto nos lábios, virando-se para trás para olhar os colegas. Remus suspirou e acenou com a cabeça que sim, com os olhos fechados. – ...

- Parou, Cadelão. – James pediu, cruzando os braços e afundando na cadeira.

- iiiih, calma aí! Como se não fosse comum você dar piti por causa de nada... Estamos acostumados, só isso.- Sirius disse, dando de ombros e voltando a olhar para a aula

- Ele não tem culpa de ser sentimental e ela tão desligada.- Remus protegeu o amigo, enquanto voltava a abrir o livro e prestar atenção na aula.

James olhou para o livro a sua frente. O abriu, e com a pena ficou rabiscando o canto da página. Não estava com cabeça para matéria. O rabisco se tornou um grande desenho, com formas e jeitos que saíam da ponta de sua pena, sem o menor consentimento de seu cérebro. Se sentiu dentro de um daqueles clipes trouxas para músicas, em que alguém canta algo romântico por entre rastros e raios coloridos e disformes. Sorriu com a imagem boba que se formou na sua cabeça. Levantou os olhos, e se deparou com uma nuca ruiva deitada na carteira, a alguns metros de distância. Seu sorriso aumentou consideravelmente, e os seus olhos voltaram ao tom natural de perdidamente apaixonado. Sua mente voltara a viajar, dessa vez por entre os fios vermelhos que desciam perfeitamente pelas costas da garota, e balançavam docemente com o pequeno vento corrente da sala.

- Prongs? Tá tudo bem aí?- Peter perguntou, cutucando a orelha direita de James. Esse pulou no próprio lugar e piscou inúmeras vezes. Tinha sido tirado de um transe realmente bom. Virou-se para Peter, com a pior expressão que conseguiu achar.- Tá, ok. Desculpa se te tirei de algum transe maluco- O pequeno disse, jogando as mãos para o alto, dando bandeira branca. Remus riu, sem tirar os olhos do livro, balançando a cabeça. Sirius pareceu não escutar, pois estava devorando alguma garota da corvinal sentada perto deles com os olhos.

- Não foi nada, Wormtail. Mas não faz de novo, tudo bem?- James suspirou, virando a página, enquanto Peter fazia que sim com a cabeça. – Cara, não aguento mais aulas! Parecem milênios... ainda mais com a Lily não falando comigo.

-Ela não fala com você a dois dias. Só isso. Pare de ser criança, Prongs.- Remus disse, fechando o livro com força, e encarando o amigo. – Como se não tivessemos falado pra você ficar tranquilizado a minutos atrás.

- EU SEI, MAS É QUE...- James estava gesticulando com todos os musculos que podia, enquanto entrava em ataque pela enésima vez.- quer saber?- Ele desmontou novamente na cadeira, deitando-se em sua coluna. – Eu vou esquecer dela. Quer dizer, vou ser amigo dela. Vou ser o melhor amigo que ela poderia sonhar em ter.- Disse, cerrando os olhos, com um tom de maldade. Os outros ignoraram aquela conversa estúpida que tiveram e voltaram a atenção a aula. James continuou naquela posição absurdamente idiota pelo resto da aula, seu plano mirabolante rondando pelo seu cérebro.

Ilanna estava andando sozinha pelo corredor que chegava ao quadro da Mulher Gorda, que trancava a entrada do Salão Comunal da Grifinória, com o pensamento absorto completamente em apenas colocar um pé a frente do outro, seguidamente. Passavam das 3 horas da tarde, e seus ombros doíam de carregar a mochila por todo o castelo. Olhava para o chão. Seus pés sabiam o caminho de cor. Se sentia como um robô, todos os dias. Acorde, coma, ande, estude, ande,estude, ande, ande mais, ande ainda mais, estude, ande, coma, estude estude estude, ande ande ande. Queria sair daquilo. Quase implorava, por favor, alguém me tire desse tédio.

Foi quando pisou em algo. Seu pé afundou em um pequenino pacote fofo que estava no chão. Assustou-se com a quebra da rotina. Abaixou-se para ver o que era. Um pequeno pacote, com algo verde e moído dentro. O cheiro de natureza exalava docemente. Olhou para os lados e colocou o pacote dentro da mochila, voltando ao seu caminho.

Lily estava deitada em um sofá perto da entrada do salão, enquanto Mary desenhava algo realmente indecifrável em um pedaço de pergaminho, deitada ao chão do lado de Lily. Chiara estava sentada ao lado do pergaminho de Mary, olhando para o teto, como se algo fosse acontecer do nada. O único baruho que se escutava era do pêndulo do relógio, que insistia em balançar de um lado para o outro. E o estalar da lenha na lareira, que aquecia todos alí presentes. O retrato da mulher gorda se abriu, deixando passar uma Ilanna inexpressiva, que não parou de andar quando encontrou o olhar das meninas.

- Nossa, lan, o que aconteceu?- Lily perguntou, levantando a cabeça, ao ver que amiga havia passado reto por elas.

- Nada.- Responder, seca, sem parar de caminhar ao encontro das escadas do dormitório. Lily cerrou os olhos e se levantou, seguindo a amiga de perto. As outras continuaram seus afazeres, como se nada de mais estivesse acontecendo.

Ilanna subiu as escadas de dois em dois degraus, abriu a porta do dormitório com tanta força que criou uma corrente de ar dentro do mesmo. Chegou a sua cama e se jogou de barriga. Lily viu a cena, e se aproximou da amiga, sentando na beirada de sua cama.

- O que foi? Eu sei que tem alguma coisa.- Disse, cruzando os braços.

Ilanna levantou a cabeça o suficiente para encarar Lily, e depois desabou-a novamente na cama.

-Nada, de verdade. Só estou cansada da escola. Sério, Li, acredite. É isso.- Ela respondeu. Ainda que o som estivesse abafado, Lily conseguiu entender.

-Tem certeza? Não quer conversar sobre isso?- Perguntou, incrêdula. Levantou uma das sobrancelhas e cruzou as pernas.

- Tenho certeza. Se não se importa, eu queria tirar um cochilo... dá? – Ilanna levantou a cabeça mais uma vez, mostrando um olhar de quem realmente precisava dormir e estava sendo sincera. Lily acentiu com a cabeça e saiu do dormitório, voltando ao salão comunal.

- O que houve com ela?- Chiara perguntou, quando Lily voltou a sua posição inicial

- Eu sei lá, mas ela pediu tempo pra dormir. É coisa da Ilanna, sempre acontece umas coisas dessas com ela mesmo.- Lily disse, normalmente, enquanto voltava a cochilar.

- Eu não sei não... As vezes eu fico realmente preocupada com a Ilanna. Não era pra ela sempre ficar assim.- Mary comentou, levantando a cabeça de seu desenho, com uma das sobrancelhas levantadas.

- É, daí ela se afunda em chocolate... Ainda bem que ela tem esse problema de não engordar, se não estaria uma bola. – Chiara retrucou, enchendo as bochechas e fazendo um barulho estranho como se imitasse um pé grande.

- Nossa, verdade!- Mary riu, sentando tão rápido que assustou a amiga que ainda estava acordada.- Sempre achei que ela comia chocolate pra engordar, e não pra superar os problemas dela... nossa cara, verdaaaade!- Mary colocava a mão na frente da boca, enquanto sorria de um lado ao outro por descobrir uma coisa tão simples. Talvez fosse só mais uma das manias estranhas dela.

- Ah, mas sei lá... Tem que tomar cuidado com isso aí. Uma hora ou outra ela vai procurar outra coisa pra resolver os problemas dela. Aí que ela se dana. A Lily sabe do que eu to falando, né Lily? – A loira cutucou a amiga que já estava babando, provavelmente no quarto sono. Essa abriu os olhos devagar e resmungou um 'aahn?' – A Ilanna tem que tomar cuidado pra não cair nas drogas, não é verdade?

-É, é verdade.- Lily disse, ainda que dentro do sono, balançou a cabeça e a deixou desabar no sofá novamente, voltando a dormir.

- Drogas? O que é isso?- Mary perguntou, com os olinhos brilhando. Adorava descobrir coisas 'novas' de trouxas que Chiara e Lily conversavam as vezes.

- É tipo uma coisa que você usa e entra numa alucinação... E tem gente que curte ainda. – Chiara disse, rolando os olhos e cruzando os braços.- Cerveja pode ser considerada uma droga, mas é uma droga lícita. Mas acho que disso você já sabe.- Completou, quando a pequenina fez expressão de dúvida em relação a 'alucinações'

- Não, espera aí. Não entendi nada. Então existe uma coisa que você usa e você começa a ver coisas? E Cerveja pode ser considerada isso? Cara, eu não to entendendo nada!- A pequenina gritou, balançando as mãos em frente ao seu rosto.

- Ah, deixa pra lá, Mary. – Chiara desistiu, deitando ao lado da amiga, que deu de ombros e continuou a desenhar.

- Sirius, você acha que eu devo ir lá?- James, do outro lado do salão, discutia com seu melhor amigo se deveria ir até Lily conversar com ela sobre como ela estava agindo. Sirius assistia o nervosismo do amigo, com uma compaixão que era tal que sentia como se o nervosismo era dele mesmo. James não tirava a mão da boca, havia roído todas as suas unhas, e agora estava concentrado em tirar também as carnes que envolviam os dedos.

- Deve e irá. Veadão, você tá enrolando demais! Vai lá e simplesmente fale com ela! Você tem que resolver isso de uma vez por todas. Já cansei de ver você sofrendo por essa ruivinha sem sal!- Sirius obrigou-o, dando tapas em suas costas. James adquiriu um tom rosado quando Sirius insultou sua amada, mas não deu muito a mínima.

-Tem razão. Eu vou lá. – Estufou o peito e caminhou em direção ao sofá onde Lily estava deitada, enquanto Sirius se juntava aos outros marotos, prontos para darem risada da situação que veriam a seguir.

- Eu aposto 2 sicles que ele vai dar meia volta.- Sirius riu, jogando o cabelo enquanto se recostava na mesa de xadrez onde Remus e Peter estavam sentados. Peter ginchou com um risinho, enquanto Remus bufou.

- Aposto os mesmos 2 Sicles que ele chora hoje a noite.- Peter completou, ginchando um pouco mais. Remus revirou os olhos.

- Pois eu aposto que ela vai adorar o presente. – Por um momento, os três marotos se entreolharam por um instante, percebendo o que estavam falando – É, nada disso faz sentido... Mas foda-se, eu sei que nenhum de vocês vai pagar ou cobrar essa aposta mesmo, é tudo metafórico...

- Meta o que?- Peter perguntou, os outros dois apenas deram um risinho suspirado, enquanto se viravam para James, que andava tremulando até a ruiva.

Vamos, James. Você consegue. É só ir lá, falar com ela e ir embora, é só isso. James repetia para si mesmo, colocando um pé após o outro, trêmulo. Toda a coragem que tinha adquirido com a conversa com Sirius havia sumido em décimos de segundos. Passou a mão pelos cabelos no mínimo umas 10 vezes desde que deixara seu melhor amigo do outro lado do salão. A cabeleira ruiva jogada sobre o sofá se aproximava cada vez mais, e seu coração ia acelerando, parecia que explodiria dentro de sua garganta.

- Ei, algum problema, Potter?- Mary perguntou, levantando a cabeça de seu desenho, encarando o amigo que estava parado a frente delas, imóvel. Ele abriu a boca pra falar alguma coisa, mas não saiu nada. Ao ouvir aquele nome, o estômago de Lily adquiriu visitantes voadores que a acordaram, fazendo-a levantar a cabeça para ver se ele realmente estava lá.

- Ei, eai James?- Ela deu seu melhor sorriso sonolento, com os cabelos jogados em seu rosto, que estava tão amassado quanto a folha de papel que James carregava em sua mão. O coração do mesmo teve uma parada repentina ao ouvir seu nome, e sua imobilização cessou por um instante.

-Err.. eu estou bem, e você? – James praticamente guaguejou, enquanto passava a mão livre pelos cabelos. Rapidamente, olhou para sua mão e para Lily, estendendo a mão. – Eu trouxe isso aqui pra você. – Lily sentou-se no sofá, e ajeitou o cabelo, enquanto pegava o embrulho e a folha da mão do garoto. – Ok, então era isso. Er, tchau.

James saiu correndo o mais rápido que pode para o encontro dos marotos do outro lado do salão, que se acabavam de tanto rir.

- Ué, James, não falou com ela?- Sirius conseguiu finalmente falar, entre as gargalhadas dos amigos, quando o menino chegou junto a eles.

- Não, entreguei a folha que eu tinha escrito na aula de poções com o que eu deveria ter falado. Sei lá, parece um discurso mal feito, um puta rabisco nojento... Ah, ela nunca mais vai falar comigo! O que eu faço? O que eu faço? – James começou a pirar, andando de um lado para o outro, apenas aumentando o riso entre os colegas.

- Deixa rolar agora! O que tiver de ser, será!- Remus disse, colocando a mão no ombro do amigo. – Mas eu tenho quase certeza que será.

- Esse negócio de deixar rolar tá me deixando louco... Quanto tempo mais será que eu vou ter que esperar rolar? E se nunca for pra ser? Já pensaram nisso?- James perguntou, com a cabeça baixa, lágrimas cutucando os cantos dos olhos.

- James Potter, pode ter certeza que é pra ser. O destino não faz essas brincadeiras de mal gosto com a gente. Acredite, eu sei do que eu estou falando. – Sirius disse, também colocando a mão no ombro do amigo, que virou-se para ele, dando-lhe um abraço. – Sabe, o que eu quero dizer... A gente não deve sofrer a toa, não é mesmo? A gente faz essas babaquices e a vida só fica dando paulada na nossa cabeça, deve ser por algum motivo, né? – Agora era Sirius que quase chorava. James percebeu e apertou mais o abraço. Os garotos afundaram os rostos um do ombro do outro.

- Vocês parecem duas menininhas quando fazem isso, sério. Parem. – Peter disse, mas Remus olhou feio para ele, enquanto se juntava ao abraço dos garotos. – O que ?

- Tá tudo bem, cara. Tá tudo bem. Vocês não vão querer fazer isso aqui na frente de todo mundo, né? Vamos pro dormitório...- Remus disse, puxando os dois em direção da escada. Eles responderam apenas com um aceno de cabeça. Peter os seguiu, quieto para não ser repreendido por Lupin novamente.

- Vai abrir o pacote ou não vai?- Mary perguntou a amiga, do outro lado do salão, enquanto se juntava ela no sofá. Chiara a imitou, espichando os olhos para tentar ler o pedaço de papel amassado junto ao pequeno embrulho de presente.

- Não sei, tenho medo do que possa ser...- Lily respondeu, balançando os ombros e coçando atrás da orelha. Mary lhe deu um belo tapa nos ombros enquanto dizia 'deixa de ser babaca'. – Tá, eu abro...

Descolou a abertura do embrulho, e colocou-o na diagonal, fazendo com que o que estivesse lá dentro escorregasse para sua mão. Sentiu algo pequeno e ligeiramente gelado. Tirou o pacote da frente de sua visão, para poder fitar dois pequenos brincos, prateados, decorados delicadamente com pedras Swarovski . Em forma de lírios abertos que magicalmente balançavam as pétalas conforme você os tocava, os brincos ficaram de lado enquanto Lily se interessava em ler a carta.

- Mas o que a Nonuah te disse, Sirius?- James perguntava ao amigo, que estava deitado de bruços em sua cama, com o rosto enfiado no travesseiro. Peter passava a mão delicadamente nas costas de Sirius, enquanto Remus e James estavam de joelhos ao lado do rosto do maroto.

- Ela disse que não vai terminar com o namorado dela pra ficar comigo... Ela disse que prefere um pássaro na mão do que dois voando. Não entendo essa menina, por que ela continua se encontrando comigo então? Ela quer me deixar louco, é isso. – Sirius respondeu, em meio a lágrimas, levantando a cabeça ligeiramente do travesseiro.

- A gente já te disse que essa menina não prestava! SIRIUS BLACK, VOCÊ CONSEGUE A MENINA QUE QUISER DESSA ESCOLA, TIRA ESSA MENINA DA CABEÇA.- Remus disse, enquanto balançava o amigo de um lado para o outro na cama. Esse pareceu não se importar, continuando na mesma posição de derrota.

- Da cabeça eu tiro, mas não do coração...- Ele respondeu de dentro do travesseiro, com uma voz de choro que era raro de se ver presente numa frase de Sirius Black, o frio e calculista.

- E depois o James que cria caso à toa...- Peter murmurou, e os outros dois marotos olharam feio para ele.

- Eu faço caso por qualquer coisa, toda hora. Agora, se o Padfoot está mal assim, é porque a coisa é séria. Você já devia saber disso. – James respondeu, com os olhos cerrados e as mãos sobre a cabeça do melhor amigo que ainda chorava largadamente em seu travesseiro.

- Hey Potter, a Evans está te chamando lá embaixo.- Disse um garoto à porta, quebrando o clima entre os garotos. James petrificou por um instante, mas logo em seguida se levantou e bateu nos joelhos, para limpa-los pois estivera naquela posição a muito tempo. Remus lhe deu um tapinha nas costas, Peter levantou o dedão em sinal de que iria dar tudo bem, e Sirius deu um grande soluço choroso.

James desceu as escadas ainda trêmulo, para encontrar Lily em pé o esperando na ponta da escada, com um sorriso lindo em seu rosto. Quando ele finalmente colocou o pé no andar térreo, ela pulou e lhe deu um abraço forte, assustando-o. Ficou sem ar por alguns segundos. Não sabia se era porque ela havia o surpreendido, estava o abraçando com muita força ou era simplesmente o toque direto com o corpo da sua amada que o havia deixado fora do normal. Depois de alguns momentos ( que para James duraram eternidades, sentir o cheiro do perfume floral, o toque aveludado de sua pele, seu cabelo macio roçando em seu pescoço...) parados alí, ela se esticou até o seu ouvido e pronunciou:

- Obrigada pelos Brincos. Eu realmente amei. Eu também não quero perder sua amizade. - Sussurrou docemente. Suas palavras entraram pelo canal auditivo de James, e a cada sílaba era um novo arrepio que passava por sua espinha. Quando ela finalmente terminou de falar, deu um beijo doce em sua bochecha, e rapidamente correu para as escadas do dormitório feminino, com um sorriso ainda maior no rosto. James ficou alí, parado. Não sabia o que fazer. Instintivamente, levou a mão ao lugar aonde ela havia lhe deixado um beijo, enquanto seu sorriso crescia bobamente.

Parte um do plano, completa. Se eu soubesse que ela ia gostar tanto assim do presente, teria dado muito tempo antes...

N/A: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH gente! Perdão pela demora! Perdão mesmo!

Logo depois de ter escrito e postado o capítulo 2, eu não fiquei sequer um dia em casa. Fui na casa 'da Lily' umas 3 vezes seguidas, e logo depois fui para a Disney. Voltei de viagem, os meninos vieram aqui em casa várias vezes, e logo em seguida voltaram as minhas aulas... Eu estou tentando terminar esse capítulo a décadas! Mas finalmente terminei...

O pior de tudo é que eu tenho a história quase toda na cabeça, a dificuldade é colocar no papel, ou melhor dizendo, no word!

Bom, espero que tenham gostado desse aqui, tá meio mal feito pois fiz nas pressas no meu pouco tempo livre desde que escrevi o último.

Bom, é provável que eu consiga escrever o próximo capítulo mais rápido, pelo menos mais rápido que esse.

Gostou? Manda Review para falar do que gostou. Não gostou? Manda Review . É sério, quero saber os prós e os contras, pra saber onde melhorar!

Bom, é isso. Beijos e até a próxima!