Capítulo 2.
A campainha tocou duas vezes, quando a porta se abriu, Luna deu um largo sorriso. Era Hermione. As duas se abraçaram e Hermione fez sinal para que Luna entrasse.
Hermione direcionou a amiga até a cozinha, onde preparava um jantar.
- Luna, que surpresa! – disse Hermione, sorrindo.
- Eu estava na Alemanha, em viagem com o The Quibbler pra saber sobre a nova palhaçada do Ministério.
- Harry veio aqui ontem e me contou sobre a tal lei. Vai ter mesmo? – falou Hermione, curiosa.
- Sim, foi aprovada. – disse Luna, suspirando – É inacreditável como as pessoas tem que pagar por ações ridículas dos outros.
- Concordo. Sabe, Luna – falou pegando alguns pratos – nessas horas eu fico imaginando você, que é solteira, ter que arrumar um marido do nada.
- Ah, sim, nem me fale. Mione, - disse mudando de assunto – onde estão seus meninos?
- Rose está lá encima já estudando pra entrar em Hogwarts mês que vem e Hugo saiu com Ronald, na casa de Harry.
- E como Harry está depois de... de Ginny... – disse Luna, confusa – tê-la abandonado, sejamos sinceras.
- Ah, ele está 'bem'. O casamento deles só não estava pior por causa dos filhos. A Ginny andava insatisfeita demais com tudo, disse que ela sempre estava sozinha, que o Harry não era mais o marido que ela um dia teve, que ele estava sempre preocupada com o trabalho de auror... enfim, um caos. – falou Hermione.
- Ah, por Merlin! Ela não foi trabalhar porque não quis. A não ser que ela achou por algum momento que a vida da mãe dela era fácil – disse Luna - conclusão: casou com marido rico, achou que ia ser ótimo e não foi.
- Pois é. Harry está numa outra casa, junto com Lily e Teddy e os outros dois estão com a Molly. Falei pro Ronald que não acho isso correto, se eles fizeram os filhos, eles que se entendessem, não deixar ninguém com a Molly. Mais crianças pra ela cuidar? Ela precisa de descanso. – falou Hermione, nervosa.
- E onde Ginny está? – perguntou Luna, curiosa.
- Disse que não iria longe. Do jeito que ela é, deve já estar atrás de outro pra se aventurar.
Luna riu. Era engraçado Hermione falar desse jeito da cunhada, mesmo que fosse verdade. Luna ajudou Hermione a terminar de colocar a mesa. Hermione foi até a ponta da escada, chamar Rose pra jantar.
A garota de cabelos muito ruivos, ondulados e o rosto com algumas sardas, desceu, sorridente.
- Luna! – disse a garota, indo abraçar Luna – Ah, que bom que você ta aqui. Os meus zonzóbulos...Hugo quebrou, aquele idiota. Você me dá outro?
- Ah, claro, querida – disse Luna, sorrindo.
As três sentaram-se à mesa, Hermione serviu o prato de Rose, e em seguida, Luna serviu-se, assim como Hermione.
- Mãe – disse Rose – eu posso te fazer uma pergunta?
- Claro, querida – disse Hermione, curiosa.
- A senhora também vai se separar do meu pai e fugir pra outro lugar e me deixar com a minha vó Molly? – perguntou Rose, em voz baixa.
Luna e Hermione se entreolharam. Luna ficou pálida e Hermione ficou sem ação por alguns segundos.
- N- não, Rose – respondeu, engolindo em seco – e mesmo se eu me separar do seu pai, vocês vem comigo, ou vão com ele, você e Hugo são responsabilidade minha e do seu pai e-
- Mione, por favor – disse Luna, interrompendo-a – acalme-se.
Hermione calou-se e Rose a olhou sem entender.
- Rose, assim que terminar de jantar, suba direto para seu quarto. Eu e Luna vamos conversar assuntos que você não precisa saber agora.
- Sim, mãe.
As três continuaram a jantar em silêncio. Somente o barulho dos talheres pairava sobre a cozinha, e mesmo sem querer, a preocupação de Luna e Hermione era evidente.
Assim que terminaram de jantar, Rose subiu para seu quarto e Luna, ajudava Hermione a colocar tudo em ordem enquanto conversavam.
- Eu fico muito nervosa com essa situação do Harry, Luna. – disse Hermione, preocupada.
- Eu entendo, mas você não devia demonstrar isso perto das crianças, Mione. Eles estão percebendo, é claro, mas eu acho que crianças tem que ser crianças, e saber coisas de acordo com eles. As pessoas diziam que eu era lunática, mas pelo menos eu tinha algo pra me fazer sonhar. Pena que isso não exista mais, não na mesma intensidade de quando eu tinha 14 anos.
- Eu tenho tentado bastante, sabe? Mas o Ronald faz questão de querer discutir sobre isso quase todas as noites. Eu já falei pra ele, que nós não temos como saber o que se passa na cabeça dela, e que a possibilidade de que ela volte é mínima.
- O problema é que ela achou que fosse ser uma coisa, e não foi. Ginny está confusa, apesar de todos os defeitos, vamos admitir?
- Sim, claro. Ah, mudando completamente, só uma curiosidade sobre essa lei – disse Hermione – como será que eles vão fazer?
- Ah sim, não sei. Acredito que seja um processo seletivo, como se fôssemos peças a serem descartadas. Nós só ficamos sabendo do básico, mas eu vou investigar sobre isso.
- Sabe de algum nome que saiba por detalhes sobre isso?
- Bom, - disse Luna – uma pessoa que sabe, mas o difícil, ou não, é fazê-lo falar, é Draco Malfoy.
Hermione arqueou as sobrancelhas.
- Ele sabe muita coisa do Ministério, afinal de contas depois da guerra ele tornou-se protegido após a família dele ter saído À Francesa. – falou Luna.
- Você acha que ele dá essas informações? – disse Hermione num tom intrigado.
- Não sei, não custa perguntar. Primeiro eu vou procurar saber no jornal se ele já voltou da Alemanha, porque ele estava na reunião, eu o vi.
- Boa sorte, amiga.
- É disso que eu preciso mesmo, Mione.
Luna suspirou fundo. Ficou calada por alguns minutos.
- Mione, estou indo, eu preciso refletir em como fazer tudo isso.
- Sim, não vai ser fácil. – disse Hermione.
Hermione acompanhou Luna até a porta.
- Diga a Rose que assim que eu tiver um tempinho extra envio outro zonzóbulos à ela. – falou Luna, sorrindo.
- Ah digo, sim. Boa noite!
- Boa noite!
Hermione fechou a porta, e Luna caminhou até a calçada, pensando em tudo que teria de fazer. Aparatou até sua casa, seria uma noite muito mal dormida.
À Sra. Malfoy,
Sei o quanto a senhora zela pelo seu filho, e consequentemente, por aqueles que descenderem dele. Astoria Greengrass espera um filho. A senhora acha que ela o criaria dentro dos padrões da família?
Narcissa abaixou a carta lentamente, e fechou os olhos suspirando.
- Eu não acredito que aquela vaca está grávida.
Daphne abriu a porta de casa lentamente, para que a porta não fizesse nenhum ruído e sua mãe não acordasse.
Tirou os sapatos e subiu as escadas sorrateiramente, abriu a porta de seu quarto e a trancou depressa.
- Muito bem, linda – disse a loira, a si mesma – você já fez metade do que você queria: contou ao Draco, tudo bem que ele não quis tocar em mim, mas já valeu. E mandou uma coruja secreta para Narcissa Malfoy que a esta hora já deve estar tendo palpitações de tanto nervoso.
Ela suspirou.
- Agora, linda... Tudo isso só precisa dar certo. Se Draco pedir a separação, o que eu duvido, eu posso fugir com ele para um lugar onde ninguém nos atrapalhe, mas... Não! Eu posso muito bem ficar por aqui e os jornais irão dizer que Draco Malfoy largou a esposa grávida para viver uma linda história de amor com sua cunhada – ela riu, debochando da situação.
Parou por um segundo, e sentou-se em sua cama, pensativa.
- Linda, você precisa pensar melhor. O ideal seria que você descobrisse algo podre de sua irmã... Será que ela faz alguma coisa por fora? Porque se ela faz, faz muito bem feito... Nunca ouvi falar que Astoria chegou mais de dez da noite em casa. Ela sempre frequenta chás, eventos em bibliotecas bruxas, eventos no Ministério... Cuida da casa, do marido, tanto que ele a ama... Aonde essa mulher erra, por Merlin?
Passou a mão no rosto, pensativa.
- Linda – disse, beijando o próprio ombro – você vai descobrir. Porque você é mais bonita que ela, seu cabelo é mais escuro, sinal da inteligência, e além de tudo: você é linda.
Draco apareceu na lareira de casa, o clarão verde do flu iluminou a sala com a luz baixa. Astoria não estava na sala de estar.
Ele respirou fundo, para não mata-la ou coisa assim. Decidiu no meio do caminho que não diria nada. Nada de discussões, nem gritos para evitar choro. Seria paciente com ela, à medida do possível.
Subiu as escadas em direção ao quarto, a mansão estava em profunda paz. Nenhum ruído, nem mesmo dos elfos domésticos na cozinha.
Abriu a porta do quarto lentamente, Astoria estava na cama, lendo. Abriu um largo sorriso para ela, e ele retribuiu, um pouco nervoso.
- Eu estava com saudades – falou a loira, levantando-se para abraça-lo.
Foi até ele o abraçou apertado, e ele não retribuiu o abraço.
- Draco – disse, ainda abraçando-o – você está bem?
Ela o largou, e ele estava sério, olhando fixamente nos olhos verdes de Astoria. Nada disse.
- Eu tenho uma notícia pra te dar – disse ela, num quase sorriso – Eu estou gravida. Nós seremos papais.
Ela foi pegar nas mãos dele, ele negou. Continuou sério. Deu as costas para sua esposa, e saiu do quarto, sem pronunciar absolutamente nada.
N/A: Primeiramente, eu quero agradecer as reviews que eu recebi, obrigada meninas. Resolvi atualizar agora, pra ver se o entusiasmo das leitoras aumenta. Eu demorei a postar por vários motivos, e o principal é o bloqueio IMENSO que eu tenho, mas é imenso meeeeeesmo. E também, eu entrei na faculdade no 2° semestre do ano passado e resolvi me dedicar totalmente a isso, faço Letras, inclusive.
Enfim, espero que vocês gostem desse capítulo, me mandem reviews, digam o que estão achando... e ah, ta sem betagem, mas eu me responsabilizo por tudo ae.
Beijos.
