Nota da autora: Certo, essa não é a fic mais feliz que eu já escrevi. De toda forma ela é extremamente necessária para o enredo quanto todo. Então... estejam preparados... E haja mal-humor

Os direitos de Saint Seya não me pertencem bem como os nomes Carlo di Angelis e Dite que são da Pipe.

Lenha

Eu devia matar aquele cazzo daquele ariano de uma figa! Depois de muita insistência da parte dele para que eu dissesse o que me incomodava, eu acabei contando para ele a questão dos sonhos, omitindo obviamente, a parte da pessoa ser o Afrodite. E o desgraçado do Mu teve o topete de dizer que eu estava apaixonado e que os sonhos eram uma forma de extravasar o sentimento, já que minha mente não aceitava a idéia!

Minha cabeça ia a mil. Aonde eu iria estar apaixonado por aquele veado? Eu sou Carlo di Angelis, eu não amo. E enquanto minha cabeça oscilava entre a perplexidade eu optei pelo sentimento mais fácil. Grr, eu vou matar aquele ariano desgraçado. Eu e o Afrodite, que absurdo!

Depois de ouvir aquele monte de baboseira inútil eu me controlei para não socar o Mu, afinal, mesmo com todo o encorajamento dele no sentido de me abrir, quem pedira o conselho fora eu. Segui então para minha casa quebrando tudo que via no caminho. Casa de Touro,era libertador deixar essa faceta do velho Carlo sair. E ao mesmo tempo era... tedioso... como se não fosse aquela a reação que eu deveria Ter.Casa de Gêmeos. Meus pensamentos voltaram ao motivo de minha raiva... era ridículo, era asqueiroso, era nojento! Não, não, não era possível. Eu apaixonado?

Tranquei-me em casa e fiquei remoendo o que Mu dissera. Eu tinha enlouquecido, era isso, ou então o universo inteiro estava formando um complô contra mim.. Até a idéia dessa suposta paixão era ridícula, Afrodite era meu amigo, droga! Passei a tarde inteira praguejando em relação àquele maledeto sonho. A muito tempo eu o tinha, mas desde a volta de Hades eles se intensificaram. Noites seguidas eu sonhei com a mesma pessoa acordando com a mesma sensação boa. Cortesia do meu cérebro traidor...

Recostando-me melhor no pé do sofá eu refiz a imagem do último sonho. A pele alva envolta naquele robe negro esvoaçando pelo vento, o cabelo azul caindo pelas costas, roçando na pele lisa, os olhos azuis asfixiantes. Eu senti o meu sangue correr mais rápido e se concentrar em uma parte específica do meu corpo, a excitação se infiltrando pelos músculos. E, horrorizado, percebi o estado do meu corpo só em pensa naquele veado. Não, eu estava ficando louco... Cortesia também, do meu corpo traidor???????

Depois da incredulidade eu deixei a conhecida sensação de raiva me invadir. Quem aquela bicha pensava que era para ficar me excitando assim? Quem lhe dera o direito de me seduzir, ainda que inconscientemente? Quem lhe deixara me fazer desejá-lo? Ele podia fazer o sangue de um homem se concentrar onde bem entendesse mas isso não era motivo para eu quere-lo!

Com a raiva subindo a cabeça eu me levantei como a preparar-me para uma batalha. Eu o mataria para fazer minha mente parar com essas brincadeiras. Eu o destroçaria para deixar de me sentir tão insano e covarde! E como se assinasse o atestado de óbito, o veado apareceu na porta chamando meu nome.

Eu não sei dizer

O que quer dizer

O que vou dizer

Veado de uma figa! – minha mente gritou e eu tentei atacá-lo assim que ele entrou em minha linha de visão – O que você fez comigo? – perguntei baixinho, quase como um lamurio.

Eu amo você

Mas não sei o que

Isso quer dizer

Ele desviou graças aos seus reflexos e se descabelou um pouco enquanto meu golpe infrutífero atingia o ar. Depois ele fez algo muito estúpido e perturbador. Ele me abraçou, prendendo meus braços ao lado do corpo enquanto perguntava no meu ouvido "O que houve, Carlo?"

Eu não sei porque

Tenho que dizer

Que amo você

Eu tentei me soltar mas o aperto dele era firme então eu simplesmente escorreguei até o chão totalmente destruído pela proximidade. Era... inebriante! Alguns segundos depois eu votei a mim e me vi sentado no chão frio da minha casa com Afrodite me inquirindo com o olhar. O olhar dele me deixou nervoso e eu resisti à tentação de ceder à raiva novamente. Oscilando entre cobri-lo de porrada ou de beijos eu deixei o bad Carlo assumir de vez e murmurei:

Sai. Sai da minha frente.

Eu i algo como surpresa e dor se apoderar do olhar belo dele e ao mesmo tempo dos meus olhos negros e acompanhei o trajeto dele até a saída com o olhar. Ele tinha ido e eu ficaria só.

Porque era o certo. E porque eu era covarde demais para assumir o que eu sentia.

Se eu não sei dizer

O que quer dizer

O que vou dizer

Tentando evitar que a boiolice aparecesse novamente, eu me arrumei e fui para a balada com os outros cavaleiros. Com minha pose má de sempre e com meu humor cotidiano eu entrei na danceteria me convencendo intimamente que tudo aquilo era falta de mulher.

Se eu digo pare

Você não repare

O que possa parecer

Ele também tinha ido. Ele dançava sensualmente na pista como se não tivesse noção dos olhares dirigidos a si. Mas ele sabia. Ele era meu amigo e eu o conhecia bem. Ele sabia.

A noite correu devagar enquanto eu conversava maliciosamente com uma loira e bebia um belo vinho italiano. Ela era bela, com um corpo bonito e belos cachos loiros. Mas o que me atraia eram os também belos olhos azuis. Eu já havia perdido a conta das garrafas quando segui os belos olhos dela para um cantinho da boate. Eu troquei altos beijos e amassos com a garota mas ela não conseguia me excitar. A garota capturou meus lábios para mais um beijo frio quando eu senti outros olhos me encarando. Interrompendo o beijo eu virei-me para encarar outros olhos azuis e dessa vez eu sabia que eram os olhos certos.

Se eu digo siga

O que quer que eu diga

Você não vai entender

Eu votei à mim sentado em um estofado macio e notei a decoração mórbida da minha casa. A voz suave que sussurrava meu nome se calou assim que percebeu meu despertar e eu me senti incomodado com sua falta. Com um pedido de " continua" eu mantive meus olhos fechados mas a voz não voltou.

Abri os olhos e me entristeci com o olhar resignado de Afrodite sobre mim. Soltando um palavrão baixinho eu observei, fascinado, sua face até que ele se manifestou devagar, como se testasse minha reação.

Está melhor, Carlo? – senti a boca dele se movendo e me esforcei em prestar atenção nas palavras e não na cor maravilhosa de seus lábios. Estou. – eu respondi e ele abriu um grande sorriso. Eu tentei apelar para o lado bad mas quando percebi já havia respondido com um sorriso radiante. Obrigado. – respondi, sem saber o que dizer.

Ele me olhou como se observasse um ser de outro mundo e eu torci internamente que ele se aproximasse mais para que eu pudesse admira-lo intensamente.

Mas se eu digo venha

Você traz a lenha

Pro meu fogo acender

Enquanto eu rezava para Athena ele simplesmente depositou em minhas mãos uma xícara de café. Eu amei a pele macia das mãos dele em contato com minhas mãos agradecendo aquela benção. E, perdido naquele sentimento bom só o enxerguei de novo quando ele já estava cruzando a porta.

Boa noite, Dite. – murmurei pensando na pele dele e acabei por lembrar de mais um sonho...

Talvez, afinal, o Mu não fosse tão cazzo assim...