Respostas às Reviews do Capítulo Anterior:

Serim: Ah, você acertou - leia o capítulo e descobrirá. Que bom que você está gostando.

Paula Lírio: Acho que mais ou menos, Paula. Os pesadelos existem, sim. Mas até aí...

Sheyla Snape: Oba, leitora nova! Você já entrou no Potter Slash Fics (endereço no meu perfil-profile)? Obrigada pelas palavras amáveis. A Viv é fera mesmo!

Marck Evans: Também acho. Ele devia ser expulso pelo Dumbledore! (Só que aí seria uma outra história!) Nesta história os dois são um tanto... irresponsáveis, vamos dizer. Também, com tudo o que eles precisam enfrentar, sabe como é, ninguém é de ferro.

Lilibeth: Que bela pergunta! Linda análise, como sempre. Minha história fica mais bonita nas suas palavras.

Baby Potter: Eu também, eu também! Vem cá, monstrinho... Quanto à pergunta sobre o Harry, não posso responder ainda...

Capítulo 3

Era cedo ainda quando Harry acordou, e eles tomaram café da manhã juntos na sala. Harry parecia mais desarticulado e vacilante do que nunca. De repente, no entanto, ele encarou Severus com firmeza.

— Acho que eu sei o que está acontecendo.

Severus estremeceu por dentro, temendo o que o aluno fosse lhe dizer.

— Sim, Potter?

— É que... er... a poção me faz dormir, mas não impede os pesadelos. Eu só não tenho pesadelos... quando estou aqui — concluiu ele, em voz baixa.

Mais tranqüilo, mas muito surpreso, Severus arregalou os olhos. Aquilo era absolutamente ridículo e... totalmente lógico.

— Explique-se, Potter.

— Er. Eu não sei. Acho que... me sinto seguro aqui.

Severus se levantou de supetão, e começou a andar pela sala, de um lado para o outro.

— Potter, você não pode ficar dormindo no meu quarto todas as noites.

O garoto enrubesceu, e Severus teve de desviar os olhos dele para... Severus não sabia muito bem o que queria fazer com ele, mas, de qualquer forma, sentia que não seria algo apropriado.

— Talvez... se eu levar alguma coisa sua... um travesseiro? — sugeriu o Gryffindor, cada vez mais embaraçado.

— Um travesseiro! — Sim, era ridículo e, mais uma vez, espantosamente lógico. — Está bem. Faremos essa experiência. Avise os seus colegas de dormitório, no entanto, que, se você começar a ter pesadelos, devem levá-lo para a enfermaria e me chamar. Se, no entanto, essa experiência insana funcionar, volte aqui na noite seguinte, com a sua Capa de Invisibilidade, e traga o meu travesseiro.

Harry franziu o cenho.

— O travesseiro?

— Sim, Potter, o travesseiro. Será preciso trocá-lo todas as noites, não?

— Oh!

.s.s.s.s.s.s.s.

A experiência deu certo. E foi assim que Harry Potter começou a dormir todas as noites com um travesseiro com o cheiro de Severus Snape, e Severus Snape começou a dormir todas as noites com um travesseiro com o cheiro de Harry Potter. Não que Severus precisasse disso. Não que ele não se repreendesse todas as noites por não lançar um feitiço desodorizante sobre a referida peça. Não que aquilo não contribuísse para confundir ainda mais seus sentimentos.

Uma noite, ao trocarem de travesseiros antes de dormir, Harry ficou na ponta dos pés e colou os lábios nos seus, por um átimo de segundo. E então o garoto simplesmente se virou e saiu, rápido como um Avada Kedavra, deixando Severus fitando o infinito.

Na noite seguinte, Severus o mandou sentar-se na poltrona. Estava disposto a repreendê-lo pelo beijo. Mas, de alguma forma, as palavras de repreensão recusaram-se a sair de seus lábios, e ele se viu propondo a Harry que conversassem sobre Oclumência e tentassem fazer exercícios de relaxamento mental para que Harry aprendesse a se proteger. Uma espécie de auto-hipnotismo, dignou-se a explicar-lhe Severus, tentando conter a impaciência.

A princípio, o garoto se mostrou tenso e nervoso, provavelmente achando que Severus iria tentar ler seus pensamentos. Mas aos poucos relaxou.

— Isso é muito bom. Por que não me ensinou essas técnicas no ano passado, em vez de atacar a minha mente daquele jeito?

Sempre o desafio. Severus se irritava, mas sabia que era melhor que Harry fosse assim, e não submisso; afinal, estava preparando-o para enfrentar o Lord das Trevas.

— No ano passado, estávamos correndo contra o tempo — declarou, laconicamente.

Quando Severus o dispensou e o levou até a porta, Harry segurou-lhe os ombros, e o puxou para si. Severus não resistiu, e retribuiu o rápido beijo.

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Durante vários dias, eles seguiram essa rotina: Harry chegava à noite, os dois se sentavam e praticavam técnicas de relaxamento mental. Às vezes, conversavam sobre algo que acontecera durante o dia.

Na hora da despedida, Harry o beijava, e Severus retribuía. A cada dia, o beijo se prolongava mais, e se tornava mais ousado. Primeiro Harry tentara insinuar a língua por entre os lábios de Severus, mas este apenas lhe dera uma rápida mordida no lábio e o afastara. No dia seguinte, contudo, Severus deixou que Harry lhe explorasse o interior da boca. E no próximo dia, Severus ofereceu-lhe a própria língua. Harry gemeu, e comprimiu-se contra seu corpo. Severus o segurou com força.

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Às vezes Harry fazia a Severus perguntas difíceis de responder. Severus chegara a contar-lhe fatos de sua infância, dominada pelo pai, um mago poderoso, violento e adepto fervoroso das idéias do Lord das Trevas. Harry quisera saber se fora por causa do pai que ele se tornara Comensal da Morte. Severus tentara resumir em poucas palavras.

— Foi mais em busca de aceitação do que qualquer outra coisa. O Lord das Trevas me ofereceu poder e reconhecimento. E um papel a cumprir. Ele fez com que eu me sentisse... importante.

— Eu nunca quis ser importante — replicou o garoto.

— É fácil para você, que sempre foi famoso, dizer isso.

Harry se inflamou.

— Eu não fui "sempre famoso"! Até os onze anos, eu comi o pão que o diabo amassou, se você quer saber. Depois disso melhorou um pouco, eu ganhei amigos, mas acha que é fácil ser "o Garoto de Ouro"?

Severus surpreendeu-se com a violência da reação.

— Você precisa aprender a controlar essa sua fúria.

— Muito engraçado, vindo de você! — foi a resposta imediata.

— Não aceito que fale comigo nesse tom.

O garoto suspirou e afundou na poltrona.

Severus esperou alguns minutos, até ele próprio se acalmar.

— O Lord das Trevas sabe localizar precisamente os pontos fracos de cada um, e utiliza-os em seu favor. É contra isso que estou alertando-o.

Como Harry ainda se mostrasse um tanto zangado na hora da despedida, foi Severus que o puxou para si e o beijou longa e avidamente. A princípio rígido e inflexível, Harry logo se entregou ao beijo, de um modo tão completo que Severus teve de se controlar para não ir adiante e... fazer o impensável.

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Eles nunca conversavam sobre os beijos, ou sobre o que sentiam. Tinha de ser assim, pensava Severus. Porque as palavras dariam uma realidade perigosa a tudo.

Continua...

O próximo capítulo é mais longo e é o último. Mas depois tem a continuação.