City of Delusion - Indiferença

Sério, o que os humanos vêem nesse treco todo de... viver?

É uma das várias perguntas que eu ando me fazendo. O mundo é bem entediante. As pessoas nascem, são jovens até não serem mais, riem até chorar, vivem até morrer. Qual é a graça nisso?

Eu sempre fui o pensativo do nosso grupo. Jiraiya fica por aí tentado espiar debaixo das saias das meninas enquanto Tsunade está muito ocupada perdendo todo o dinheiro que tem em jogo. E eu fico aqui, sozinho, refletindo sobre como tudo é chato. É sempre assim.

Mas hoje, Jiraiya decidiu que vir comigo seria mais interessante que calcinhas. Pela primeira vez.

"Então, Oro," Ele diz, sentado todo esparramado ao meu lado. "que bicho te mordeu?"

Eu odeio esse apelido. E essa pergunta. Jiraiya é bem irritante.

"Não é nada, Jiraiya-kun."

"Então porque está nesse estado deprimente?"

"Eu não estou diferente do normal."

"Foi o que eu quis dizer."

Suspiro. É melhor eu dizer logo, antes que ele decida que eu preciso de mais uma rodada de olhar garotas no banho ou jogar pôker com a Tsunade. Ambas as coisas tem um final bem previsível─levar uma sova ou ganhar de lavada da Tsunade. Igualmente chato.

"É que eu não entendo," Digo, de repente. "qual é a graça nisso tudo?"

"Oras, chegou o verão, isso quer dizer... decotes e saias curtas!"

Eu reviro os olhos, cansado. "Exatamente como no ano passado. Porque as pessoas se importam tanto, Jiraiya-kun? Eles sabem que tudo isso acaba em morte. Sabem o final de cada um de seus problemas, e fingem não saber. Porque... isso torna as coisas divertidas? O que há nessa cidade de ilusão?"

Jiraiya me olha como se eu tivesse dito um longo discurso sobre o funcionamento do sistema nervoso. Ele fica um longo tempo me encarando─absorvendo a informação, quem sabe─até responder.

"Oro..." São suas sábias primeiras palavras. Como eu tenho sorte de conhecer alguém tão esperto. Por favor, notem a ironia. "eu acho que você precisa inovar!"

"Inovar? Inovar o que? A vida?"

Um conselho estúpido, claro.

"É, inovar! Viva como ninguém nunca viveu e morra como ninguém nunca morreu! Você precisa de novos ares, garoto." Ele me dá um tapinha nas costas. "Desafie essa cidade de ilusão."

Talvez não seja um conselho tão estúpido.

"Morrer como ninguém jamais morreu? Acho que é impossível."

"Bem, então não morra." Ele dá de ombros e se levanta. "Invente coisas novas, eu não sei. Te vejo por aí!"

Eu não o vejo sair. Não morra. Está aí um conselho. Viver como ninguém jamais viveu. Implicitamente mude as coisas. Mude a vida das pessoas. Para o bem ou para o mal.

Vejo uma cobra rastejando no chão, e eu simplesmente sei o que quero fazer do resto da minha vida.

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N/A: Digam o que quiserem, Oro é amor. A Bella defende que eu tenho gostos estranhos.

City Of Delusion, minha favorita do Muse, com o feeling Indiferença.