Década de 1900, Março.

Música: A Thousand Miles-Vanessa Carlton.

Percorrendo meu caminho para o centro da cidade

Andando rápido

Rostos passaram

E eu estou perto de casa

Querido diário, hoje foi meu primeiro dia aqui na mansão Walltimüller. A mamãe me acordou junto com a empregada, enquanto abriam as cortinas do meu quarto, deixando o sol entrar. Eu me espreguicei, enquanto saia da cama. Tinha dormido um pouco tarde, pensando na Sylvia, no George, no pessoal da Compania Dandelion. Fora que também sonhei com Francis e Keith. A mamãe se virou para a empregada, enquanto ela me conduzia ate o banheiro.

Colette-Lucy, a senhora encomende roupas novas para minha filha hoje.

Lucy-Sim senhora, vou agora mesmo.

E ela se retirou. Eu tomei banho e vesti o uniforme do Orfanato Applefield e então me sentei no banquinho da penteadeira, onde minha mãe escovava meus cabelos.

Colette-Acho que hoje mesmo chegam suas roupas novas filha.

Eu sorri, enquanto ela prendia meus cabelos em um coque parecido com o seu.

Nadja-Hoje eu vou começar as aulas de etiqueta com a tia Hilda?

Colette-Sim, logo após o café da manhã, devemos nos apressar.

Ela terminou meu cabelo e descemos ate o salão para tomar café de mãos dadas. A mesa era enorme, apesar de que só nós duas estávamos lá. Haviam salada de frutas, croissants, suco, chá e bolos. Eu não estava com muita fome, enquanto imaginava como seriam as aulas hoje, então apenas comi a salada de frutas e tomei o chá.

Colette-Animada para a aula?

Nadja-Estou sim, mas também um pouco nervosa.

Colette-Vai dar tudo certo filha.

Nadja-Certo.

Em seguida ao café, mamãe disse que iria resolver alguns assuntos, e que eu deveria ir até uma sala junto com a biblioteca, onde eu teria as aulas. Ela me deu um beijo no rosto me desejando uma boa aula e saiu.

Nadja-Que manhã linda.

Sem expressão, olho para frente

Apenas percorrendo meu caminho

Percorrendo um caminho

Através da multidão

Eu usava meu chapéu branco com o laço vermelho, enquanto caminhava pelos corredores da mansão, indo para a biblioteca, aproveitando e vendo a paisagem verde do jardim pela janela, já despreocupada. Eu cheguei à porta e bati. Uma voz masculina respondeu para eu entrar e eu abri a porta, entrando e segurando meu chapéu,

Nadja-B-bom dia Oscar.

Eu gaguejei e senti minhas bochechas ficarem vermelhas, afinal eu pensava que a tia Hilda fosse vir hoje. Ele estava sentado em uma poltrona, com um livro no colo, usando roupas sociais, em tons de cinza.

Oscar-Bom dia Nadja. Minha mãe esta um pouco ocupada com os detalhes do baile, então eu vim no lugar dela, tem algum problema?

Nadja-Não, i-imagina.

Ele sorriu e eu sorri junto, sentindo meu coração acelerar.

Oscar-Então vamos começar hoje pelos cumprimentos em publico.

Nós começamos e eu estava um pouco nervosa, de acabar fazendo tudo errado, mas esse sentimento foi embora, quando Oscar me disse:

Oscar-Esta nervosa? Não fique, você esta indo bem.

Ele me ensinava como eu deveria cumprimentar as pessoas, os assuntos da qual falar, falando sobre alguns membros da família, quando uma das empregadas anunciara que era hora do chá. Quando chegamos ate a escadaria, para irmos ao jardim, Oscar fez uma reverencia e eu aceitei sua mão, enquanto descíamos as escadas como se fosse o dia do baile. No jardim, havia uma mesinha com chá e biscoitos.

Oscar, como um perfeito cavalheiro me guiou ate minha cadeira e a empurrou gentilmente, antes de se sentar em sua própria. Lá ele me dava mais algumas dicas de postura, de como se portar a mesa. Nós tomávamos chá, enquanto conversávamos, ele me contando um pouco da infância dele, sempre ao ar livre brincando nos vastos jardins da Mansão ou lendo e eu, subindo em arvores por apostas e dançando pelos jardins Applefiels.

Eu preciso de você

Eu sinto sua falta

E agora eu me pergunto

Nadja-Está um dia lindo!

Oscar-Realmente.

Eu me levantei da cadeira e dei mais dois passos em direção ao jardim, fitando a paisagem. Oscar então se levantou e fomos dar uma volta no jardim, eu correndo a frente e ele, um pouco atrás, sorrindo. Passamos por algumas arvores e havia uma pequena fonte com as bordas de cimento ali perto e eu subi, me equilibrando nas bordas.

Oscar-Nadja, posso te perguntar algo?

Nadja-Claro.

Oscar-Como é viajar pelo mundo?

Nadja-Você nunca viajou?

Oscar rindo-Já viajei para outros países sim, mas é sempre a negócios.

Nadja-Ah. É maravilhosa a sensação de liberdade, conhecer pessoas novas e aprender coisas com elas. Quando eu fui a Barcelona, havia uma senhora chamada Anselma, ela me ensinou a dançar Flamenco...

Oscar-Flamenco? Adoraria ver uma apresentação sua.

Nadja-Hehe. Mas e você Oscar? O que você gosta de fazer?

Oscar segurava uma de minhas mãos enquanto eu me equilibrava na borda da fonte.

Oscar-Eu gosto de passar algum tempo lendo, ou ir a bailes.

Nadja-Você gosta?

Oscar-Claro, eu gosto de valsar.

Se eu caísse

No céu

Você acha que o tempo

Passaria para mim..

Pois você sabe que eu andaria

Mil milhas

Se eu pudesse

apenas te ver...

Esta noite

Foi nessa hora que um vento batera, levando o meu chapéu e me desequilibrando. Eu ia cair dentro do lago, mas Oscar, que segurava uma de minhas mãos, me puxara em sua direção a tempo, me fazendo cair em seus braços. Os braços dele estavam me envolvendo, quentes e macios, e eu senti meu coração bater mais rápido, enquanto ficava vermelha. Ele levantou meu queixo delicadamente, preocupado.

Oscar-Você esta bem?

Nadja-Estou sim, desculpa. Ah, meu chapéu!

Eu dei alguns passos na direção de meu chapéu, que estava no chão e o peguei.

Oscar-Nadja?

Eu me virei para ele, segurando meu chapéu e ele se aproximou de mim, a apenas alguns centímetros de distancia. Ele levantou sua mão em direção ao meu cabelo, e tirou uma folha de arvore que estava ali, fazendo um carinho na minha cabeça, a encostando em seu peito.

Oscar-Nadja... Eu sinto muito por tudo que Herman lhe fez.

Eu levantei a cabeça e o fitei, seus olhos verdes tristes. Meus olhos azuis estavam sérios.

Nadja-Oscar, você não teve culpa de nada!

Oscar-Eu sei, mas demorei demais para descobrir todas aquelas maldades que ele planejava. Quando ele começou a atirar nos jardins, fiquei preocupado que ele pudesse te atingir. Por isso que eu corri ate os jardins desesperado, mas a Compania Dandelion te salvou... Tive medo por você.

Nadja-Oscar... Mas você fez, você o mandou embora, você o desmascarou. Você descobriu o que ele tramava para mim e se preocupou comigo, com a sua família. Eu agradeço.

É sempre em tempos como estes

Quando eu penso em você

E me pergunto se você alguma vez

pensa em mim

Pois tudo está tão errado

E meu lugar não é

Vivendo em sua

Preciosa lembrança

Oscar-Nadja...

Eu então o abracei e ele envolveu os braços ao meu redor. Foi uma estranha sensação, era como seu eu não quisesse sair dali, era a sensação que eu sentia quando eu estava com o Francis. Proteção, carinho, amor. Eu podia sentir o perfume dele e de suas roupas. Oscar tinha o rosto próximo de meus cabelos, sentindo o aroma de meus cabelos, enquanto tocava uma mecha.

Nadja-Oscar...

Foi então que ouvimos alguém chamar por nós nos jardins e nos afastamos, ambos vermelhos. Era minha mãe, a tia Hilda e a empregada Lucy.

Colette-Nadja, estávamos te procurando.

Nadja-Oi mamãe.

Hilda-Oscar querido, eu vou ate a casa dos Premingers, você se importa de me acompanhar?

Oscar-Sim mamãe. Tchau tia Colette, Nadja, ate amanhã.

Ele se despediu de nós, juntamente com a tia Hilda e os dois foram embora. Eu observei os dois irem embora, quando a mamãe se virou para mim e perguntou:

Colette-Você esta bem querida? Esta com o rosto vermelho...

Nadja-Er, deve ser o sol...

Colete-Verdade, hoje esta bastante quente. Mas e como foi hoje?

Nadja-Foi tudo bem eu acho. O Oscar é muito gentil.

Colette-Realmente. Eu o adoro, ele é paciente e gentil, um cavalheiro.

E eu contei às coisas que aprendi hoje, enquanto nós duas entravamos e íamos almoçar juntas. A tarde passou e eu e minha mãe passamos juntas, andando pela estufa, enquanto dançávamos no meio das flores e conversávamos, esperando Albert voltar.

Pois eu preciso de você

Eu sinto sua falta

E agora eu me pergunto..

Se eu caísse

No céu

Você acha que o tempo

Passaria para mim?

Pois você sabe que eu andaria

Mil milhas

Se eu apenas

pudesse te ver...

Esta noite