Kakau C. – Ahh, obrigada mesmo amor! UDOAIS Obrigada por dizer que eu escrevo bem também. Não sei, eu não estava TÃO inspirada quando fiz o cápitulo, sabe? Aí eu não gostei tanto quanto tinha gostado do primeiro e essas coisas. DIOAS E eu coloquei a Charlotte com esse lado de humor, só pra quebrar um pouco todo esse "clima" da fic, sabe? Porque não é algo legal um ataque desses e isso. Eu não gosto de juntar muito drama em um só lugar. Mas... é verdade mesmo.
Thatis – Obrigada amor, fico feliz :D Aqui tá a continuação, hihi.
Jen Valentine – Verdade. É como se estivesse tudo nas "mãos" do James agora, quer dizer, só ele pode ajudar ela num momento desses e tal. Obrigada.
Lilyzinha – Em certo ponto é verdade, mas ela não vai ter raiva da Lily não. Aí você vê com o decorrer dos cápitulos.
Mih Brandon Cullen – Que bom que você amou *u* DOSAUISOA Sei bem como é! A pessoa fica tão ligada no filme que a pipoca passa a ser só um passa-tempo e quando você vai vê... Puft, acabou. Mas, enfim, saíndo da parte do filme sabe-se lá qual e voltando pra fic... É muito horrível mesmo, do jeito que eu realmente iria me sentir, e qualquer um nessa situação né? Principalmente quando é sua melhor amiga, e essas coisas.
Maga do 4 – Eu sempre gostei do James, mas entre os Marotos, o meu preferido sempre vai ser o Remus, tipo, apaixonada sempre por ele DUAODSIA Tá aqui :D
Aline Cullen – Obrigada amor, e que bom que você gostou!
Quando James saiu do quarto, Sirius e Charlotte estavam aguardando-o sentados nas conhecidas poltronas. Ele andou até os dois; não foi necessário muito mais do que um aceno de cabeça pra que eles entendessem que já era a hora de ir embora. Charlotte, que já não estava mais chorando, arrumou o seu cabelo e os dois se levantaram, seguindo James separadamente.
Era sábado. O sol, que no momento em que James havia saído de Hogwarts com Charlotte e seu amigo Sirius, estava escondido por trás de uma escura nuvem, agora brilhava imensamente no céu azul. E ele tinha que confessar que já estava começando à achar que o tempo estava mudando de acordo com as situações de sua vida. Claro que era impossível demais, até para os bruxos. O tempo não poderia ser modificado de tal modo – o que era bom por um lado e ruim pelo outro. Dependia do ponto de vista.
– Suponho que os senhores tenham uma novidade para me contar, certo? – Foi a primeira frase que ouviram ao chegar novamente no castelo. Dumbledore quem havia pronunciado-a. Fitaram o diretor com olhos surpresos, porém, foi Sirius quem se recuperou logo:
– O doutor disse algo para o senhor? – Perguntou, tendo certeza de que estava dizendo o que o que estava na ponta da língua dos demais presentes.
– Não – Respondeu o senhor, um leve sorriso brotando de seus lábios – Não é algo muito difícil ler os olhos de alguém. Vocês apenas precisam de concentração. Afinal, os olhos são a janela da alma.
– Certo – Quem havia dito era Charlotte – Ela está acordada agora. É isso.
Antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, Charlotte saiu rapidamente da sala. Todos a olharam um pouco espantados com a sua atitude, porém, a entendiam perfeitamente bem.
– O que ela está passando agora não está sendo fácil – Eles ouviram a voz suave do diretor os trazendo mais uma vez para a realidade. Viraram para o senhor de idade sentado à frente.
– Não é mesmo. Ela está se culpando muito – Disse Sirius, encolhendo os ombros enquanto seus próprios pés se tornavam muito mais interessantes de se ver do que o rosto dos dois homens.
– Enfim... – Agora Dumbledore estava se dirigindo à James – Houston disse um horário para você ir buscá-la?
– À tarde.
– Você poderá aparecer em minha sala em qualquer horário da tarde que desejar. Apenas lembre que você tem de fazer suas refeições – O seu tom de voz era de divertimento.
– Obrigado, professor – Adiantou-se Sirius, que agora já tinha levantando os seus olhos – Vamos agora, para comunicar a notícia para o restante dos nossos amigos. E abriu um sorriso amarelo demais.
Dumbledore apenas acenou com a cabeça. Os dois viram aquilo como uma grande oportunidade de sair do local, seguindo rapidamente para a porta da sala.
– Você nunca foi assim por causa de uma garota, Almofadinhas – As sombrancelhas de James já estavam arqueadas, enquanto ele tentava achar uma explicação para tudo aquilo.
– Quem disse que eu queria sair de lá por causa dela?
– Eu te conheço, você sabe bem – E Sirius sabia que aquilo era verdade. A parte de que James o conhecia muito bem, eu quero dizer. O restante ele ainda tinha dúvidas – Você nunca foi tão apressado e nunca tão preocupado com uma garota assim. Eu só quero entender como isso aconteceu do nada.
– Não sei do que você está falando – Em um momento infantil, Sirius colocou as mãos sobre seus ouvidos e começou a cantarolar uma música qualquer, impedindo que James continuasse à falar.
Sem mais nenhuma opção para aquele caso, o Maroto de óculos apenas riu. Ele tinha consciência de que o seu melhor amigo e irmão de consideração sempre fora assim, desde mais novo. Sempre seria. Era o tipo que seria um eterno Maroto e aquilo que mais orgulhava. Porém, ser um Maroto não quer dizer necessariamente que você faz o tipo 'crianção'. Mas... cada caso é um caso diferente.
Remus era uma ótima opção daquilo. Ele sempre fora um Maroto, mas nunca igual aos demais. O mais tímido e responsável dos quatro. Aquele que nunca participava das brincadeiras, e mesmo assim lá estava ele para rir das brincadeiras que Sirius e James faziam. Sem nunca fazer nada para impedi-las. Já tinha consciência de que ele apenas havia recebido o cargo de Monitor, por ser a última esperança do diretor de pará-los – além de suas notas altas e responsabilidade, claro. De nada adiantou.
Uma vez Marotos, eles sempre seriam daquele modo. Mesmo que crescessem, amadurecessem.
– Vamos, Almofadinhas! Você não pode ficar com as mãos em seus ouvidos sempre! – A tentativa de James fora toda em vão, pois nada o amigo pudia ouvir. Apenas via a boca dele se movimentando e só aquilo, pois continuava com a sua chata musiquinha, mesmo que já fosse para si próprio.
– Eu não quero ouvir você falando de coisas sem sentido – Disse, e aquilo soava como se Sirius tivesse realmente conseguido escutar alguma coisa.
– Eu não estou mais falando coisa alguma! – Apesar de Sirius não ser muito bom em leitura lábial e coisas daquele tipo, conseguiu entender o que James estava querendo dizer naquele momento e parou de cantarolar, tirando suas mãos de cima de seus ouvidos – Finalmen-
– Vocês dois vão ficar aí parados ou vão entrar de uma vez por todas? – Ouviram uma voz. Viram que estavam parados em frente ao quadro da Mulher Gorda apenas naquele instante – Eu tenho assuntos muito importantes à serem tratados em outros quadros e não tenho todo o tempo do mundo!
– Sangue de Unicórnio! – Apressou-se Sirius, antes que a Mulher dissesse mais qualquer coisa. E assim que o quadro girou, revelando uma passagem por trás, os dois adentraram – Eu não sei o quê deu nela, pra ficar assim. Quer dizer, está mais estressada do que é normalmente.
– Quem vai saber? – James deu de ombros e o outro apenas concordou.
A sala comunal da Grifinória estava praticamente vazia, a não ser por um garoto de cabelos meio aloirados sentado ao fundo da sala, perdido demais nas suas tarefas e pergaminhos para perceber que os dois haviam chegado ali. E algumas primeiranistas jogavam xadrez também, sem perceber. Os dois, que já estavam acostumados à encontrar Remus estudando daquele modo. Ainda mais, porque aquele era o último ano em Hogwarts e ele realmente estava tentando se focar nos N.I.E.M's.
– Nós temos novidades! – Anunciou Sirius, alegremente, enquanto se sentava ao lado de Remus e roubava o pergaminho em que ele estava escrevendo para que o Maroto prestasse atenção nos dois.
– Me devolve, Almofadinhas. – Ele tentou pegar da mão do amigo, em vão – Tenho que terminar os relatórios ainda hoje. Assim, terei o domingo livre para estudar para os N.I.E.M's e...
– Você ouviu o que eu acabei de dizer, Aluado? – Perguntou, fazendo com que o amigo parasse de tentar pegar o pergaminho que estava na sua mão e refletisse por alguns segundos, negando com a sua cabeça logo em seguida – Eu disse que nós temos novidades para te contar. Que envolvem a Evans.
– Ahhh, sim. Então fale logo e me devolva esse pergaminho, eu estarei escutando.
Sirius devolveu o pergaminho para o loiro no mesmo momento, que o pegou rapidamente só para confirmar que o amigo não tomaria de suas mãos mais uma vez. Virou para James, esperando algo.
– Ela acordou – Começou James, pronunciando-se pela primeira vez desde que havia entrado na sala comunal da Grifinória. Ele apenas estivera observando os amigos – Voltará para cá essa tarde.
– Hum... isso explica muita coisa – Remus parecia estar pensando sobre algo, mas, ao sentir os olhares indagadores de seus amigos sobre si, apenas explicou: – Colleno saiu da passagem do retrato um tanto desesperada há pouco tempo atrás. Antes de vocês chegarem. E correu para o dormitório.
Ao se lembrar da loira, Sirius sentiu uma repentina pontada em seu peito. Algo que reconheceu facilmente como preocupação. No final, ele sabia que James tinha razão de algum modo. Ele nunca havia se preocupado com garotas daquele modo. E ele ainda não conseguia entender por quê diabos tudo tinha ocorrido tão rápido. Da noite pro dia, assim como fora o ataque dos Comensais e o problema de Lily.
Ele se esforçou o máximo que pode para aguentar aquilo em seu peito. Nunca havia percebido de fato como aquela sensação pudia ser tão persistente. Certo. Ele nunca tinha sentido-a em sua vida.
Todas as cortinas do dormitório feminino do sétimo ano estavam fechadas. O ar estava abafado e era quase impossível respirar ali dentro. Algumas camas estavam desfeitas; outras estavam arrumadas. Havia uma cama ao fundo do dormitório que estava com as cortinas envolvendo-a, de modo que acabava não sendo possível se ver o que acontecia dentro da mesma. O dormitório parecia vazio, porém, qualquer um que olhasse por trás daquelas cortinas poderia ver muito bem uma garota de cabelos loiros.
O seu rosto estava marcado por várias marcas de lágrimas, marcas que pudiam ser vistas só na luz. E ela se mantinha na maior escuridão possível justamente por aquilo. Não queria a luz agora.
Aquilo era muito mais doloroso do que ela imaginava que pudesse ser. Muito mais. Ela não pudia adivinhar que passaria por uma coisa daquele tipo, pior, que sua melhor amiga passaria por aquilo. Ela... ela não havia planejado nada daquilo tipo e com certeza tiraria de seus planos se fosse possível voltar ao passado. Acabou descobrindo que o tempo não pudia ser modificado, também.
Culpa. Aquela culpa era como um veneno para si. Culpa. Agora ela sabia o que era aquele gosto se dissolvendo em sua boca toda vez que lembrava-se do que havia acontecido. Amargo como o veneno. Um gosto ainda mais forte por saber que era a verdadeira culpada por sua melhor amiga estar lá. Culpa. Ela sabia que a culpa não adiantaria para nada agora. E não adiantaria para nada tentar tirá-la. Acabaria se culpando até o momento em que Lily conseguisse recuperar a sua memória.
Ela sabia muito bem que aquilo demoraria um pouco à acontecer. O futuro era incerto, o futuro sempre fora muito incerto e muito mais agora que estavam naqueles tempos. Ainda sim. Ela gostaria de poder ter a certeza de que Lily se lembraria dela no final de tudo aquilo. Queria ela de volta.
Desejava que ela se lembrasse de tudo o que elas haviam passado juntas, das provas de que sua amizade era forte e inabalável. E ela demoraria para se lembrar. Tudo culpa dela, de Charlotte.
Os outros diziam constantemente que ela não deveria se culpar; que ela não sabia o que poderia acontecer quando correu para os Comensais da Morte. Era certo. Mas, ela não deveria ter agido daquele modo, não deveria ter agido como uma irresponsável daquela maneira. Sua irresponsabilidade, sua falta de noção do perigo – como a própria Lily sempre estava acostumada à dizer –, levaram a sua amiga até o lugar onde ela estava. E ela simplesmente não conseguia suportar aquele sentimento.
Charlotte e Lily nunca foram o que se pudia dizer como iguais. Nem muito diferentes. Lily, sem a menor sombra de dúvidas, tinha um senso de responsabilidade muito maior do que a loira. Charlotte só sabia ser responsável quando se tratava de suas tarefas. Nada mais. Lily tinha senso de perigo, sabia de modo especial quando estavam próximas à um e se afastava do mesmo. Charlotte corria para ele. A loira sempre teve um senso de humor maior do que o de Lily – não que o da ruiva fosse pouco. Apenas o da loira que era grande demais. E Charlotte sempre adorou o sarcasmo.
Elas pudiam ser diferentes em certos pontos. Mas, eram iguais em outro. Não o oposto.
Charlotte abraçou os próprios joelhos, agradecida por suas lágrimas terem secado por hora. Sabia que uma hora elas voltariam alguma hora. Ela sempre gostou de se demonstrar forte para os outros, eles acreditavam tão bem naquilo que nem era necessário muito fingimento. No fundo, apenas Lily sabia que ela era fraca. O quão fraca ela era – e não era pouco. O oposto do que todos esperavam. O oposto. Todas as perdas que teve em sua vida a tornaram daquela maneira. Fraca, instável e insegura por dentro.
Levantou da cama, abrindo as cortinas e se encaminhando para um banho, por fim. A dor em seu peito não teria fim agora. Ela teria que começar a suportá-la; não haviam mais opções.
Desceu do dormitório meia hora mais tarde, quando a sua aparência tinha melhorado um pouco. A sala comunal da Grifinória estava absolutamente vazia, pois já era o horário do almoço. Ela nem tinha conseguido se lembrar de que tinha um estômago ainda – só quando o mesmo roncou quando Charlotte se lembrou do horário do almoço. Ela deu de ombros, saíndo pelo retrato da Mulher Gorda.
– Colleno! – Ouviu uma voz pouco conhecida chamando-a e impedindo que ela continuasse o seu caminho. Ela virou para trás, encarando os olhos azulados de uma garota. Ela era dez centímetros mais baixa do que Charlotte e tinha os cabelos castanhos e ondulados na sua cintura. Dorcas Meadowes, uma velha conhecida de Lily, da Corvinal. Entretanto, ela e Charlotte nunca foram amigas – Você tem... bom, você já tem notícias da Lily? Quer dizer, faz tempo que eu não estou sabendo de nada. Me preocupa.
– Eu... – Ela ainda estava indecisa em contar ou não as novidades. Imaginava que todo o castelo já soubesse da mesma, pois o que não faltava dentro do mesmo eram fofoqueiros. Os olhos da garota à sua frente brilharam, esperando anciosamente que ela continuasse sua frase – Não... não sei de nada.
– Ah! – Agora a garota parecia um pouco desapontada, depois de tanto suspense e nada – Tudo bem. Também, obrigada... quer dizer, obrigada por ter perdido alguns segundos da sua vida comigo.
Antes que a loira pudesse dizer mais alguma coisa, Dorcas saiu rapidamente da frente da mesma, tomando uma direção oposta à aquela que dava para o salão principal. Sabia muito bem que, se fosse ela ali no lugar da garota, teria dito um "muito obrigada por nada" e saído simplesmente. Mas, é claro, nem todas as pessoas gostavam de ser tão sincero. Afinal, sinceridade às vezes machuca. Ainda sim, Charlotte estava muito acostumada com uma. E aquele era um ponto em comum com Lily.
Ela balançou sua cabeça de modo negativo, tentando espantar os pensamentos sobre Lily e a sua conhecida culpa que começava a brotar juntamente com aqueles pensamentos. Continuou a seguir o seu caminho, como se nada tivesse acontecido e nenhuma dor existisse em seu peito. É claro, ela deveria ter a noção de que aquilo era inútil. Mais da metade do castelo sabia das coisas e há muito tempo. Apesar de ter a mania de guardar tudo exclusivamente para si própria, os outros ainda conseguiam perceber.
Apesar de estar até concentrado nas empadas com recheio de queijo em seu prato, o pescoço de Sirius já não aguentava mais os movimentos bruscos que o garoto fazia, toda vez que ouvia o barulho de uma cadeira sendo puxada na mesa e alguém se sentando na mesma. Remus não deixava de perceber – já que o restante estava muito concentrado em sua própria comida, para perceber detalhes assim. Ele já imaginava quem Sirius pudia estar tanto esperando. E teve a confirmação quando viu Charlotte Colleno atravessar a porta do Salão Principal, caminhando com passos leves até a mesa da Grifinória. Ela pousou as suas mãos sob o encosto da cadeira que estava ao lado de Sirius, fazendo com que ele engolisse logo sua comida e levantasse a cabeça para olhá-la, agora, abrindo um típico sorriso galanteador.
– Sentando ao meu lado, hm? – Perguntou, apontando com o olhar para as mãos de Charlotte, as que ainda estavam pousadas sob a cadeira ao lado do Maroto.
É claro que qualquer uma coraria naquela situação, mas, ela não estava nem aí. Tirou suas mãos de cima da cadeira, colocando um sorriso sarcástico em seus lábios. Ela se abaixou até ficar à altura de Sirius – que agora parecia mais baixo do que ela, por estar sentado, obviamente.
– Eu não sentaria aí nem que fosse o último lugar vazio do mundo. Seria muito melhor comer em pé, do que ter a sua presença como companhia, Black – Disse, fazendo questão de frisar o sobrenome. E em seguida, ela voltou a ficar com a sua postura normal, sem se abaixar, começando a caminhar para um tanto mais longe dele, parando à frente da cadeira vazia ao lado de Remus – É muito melhor sentar aqui, ao lado do Lupin, sabia? Mil vezes ele do que você, querido.
Sirius abriu a boca para dizer alguma coisa, porém, foi interrompido rapidamente por James:
– Vocês não vão começar a discussão do seu relaciomento agora, vão? – Falou, enquanto pegava um guarda-napo e passava distraídamente em sua boca – Quer dizer, não dá pra entender. Parece que os dois amam se provocar, quando a Colleno não está chorando nos braços do Almofadinhas e o mesmo está a consolando como se não houvesse nada... como se vocês dois fossem até algo mais.
Charlotte desviou o olhar da mesa naquele mesmo momento, corando furiosamente e desejando que ninguém ali estivesse percebendo aquilo. É claro que não estavam – eles estavam mais interessados na reação de Sirius Black; que havia acabado de sentir suas bochechas ardendo. Aquilo não estava nada certo. Aonde é que Sirius Black iria ficar daquele modo? Ele não pudia e não iria amolecer. Nunca.
– Tudo bem, Colleno... – Conseguiu dizer, na tentativa desesperada de fazer com os seus amigos parassem de olhar para ele como se fosse alguma aberração ou coisa do tipo –, eu proponho uma trégua.
– Nada mais de provocações ou qualquer coisa do tipo? – Foi Remus quem se adiantou à falar, já que tinha absoluta certeza de que Charlotte não concordaria com aquilo, caso não fosse confirmado.
– É – Concordou Sirius, que parecia um pouco relutante em dizer aquilo.
– Colleno?
– Está bem! – Desistiu a garota, jogando os seus braços para ao alto, apenas para dar um pouco mais de ênfase para o que havia dito – Eu aceito a trégua, Black. Nada mais de provocações e brigas. Só que, se você ousar falar qualquer tipo de coisa que me irrite, querido, vou esquecer isso.
– Eu? Te irritar? Imagine! Eu nunca te irritei nunca em minha vida, Colleno – Sirius esbanjou um sorriso cínicio em seu rosto, fazendo com que Charlotte quisesse voar em cima do seu pescoço. Mas não pelo que ele havia dito, e sim porque o sorriso fez com que um choque elétrico desconhecido percorresse o corpo dela, subindo da ponta dos seus dedos do pé até seu último fio de cabelo dourado.
– Será que dá pra vocês pararem? – Eles uma voz diferente do conhecido; uma voz que todos ali não ouviam já fazia alguns dias. Viraram para encarar o rosto redondo de Peter Pettigrew, que parou de comer e agora olhava para todos eles com uma expressão zangada – Eu quero comer em paz, sabia?
Charlotte rolou os olhos. Quando todos pensavam que ele diria algo útil finalmente, vinha aquilo. É, realmente. Eles não pudiam ter esperado muita coisa de alguém que passa um bom tempo comendo.
– Eu também acho melhor vocês pararem – Concordou Remus, depois que Peter já tinha voltado a sua atenção totalmente para a montanha de comida que ainda existia no seu prato – Quer dizer, vocês sabem que os verdadeiros bringuentos eram Pontas e Evans. E parece que eles vão parar, não é? Então, eu acho que nós merecemos um pouco de paz, depois de sete anos de brigas deles dois.
– É, tudo bem. Mas, ninguém sabe se os dois vão parar mesmo ou o que vai acontecer depois. E a Evans ainda vai sair do hospital hoje a tarde. Dúvido muito que, quando ela conseguir sua memória de volta, vá falar com o Pontas normalmente. Como se eles fossem verdadeiros melhores amigos.
– O caso é que, Black, ninguém sabe o que vai acontecer depois. Ninguém. Então, nós podemos adivinhar nada por agora. Vamos deixar as coisas rolarem – Foi tudo o que a loira disse, voltando a sua atenção para a sua comida totalmente depois de dizer aquilo. Preferia não continuar a falar sobre Lily.
Todos conseguiram perceber muito bem aquilo, com a ação da loira. Voltaram a comer sem dizer mais nenhuma palavra, procurando se concentrar em seus próprios pratos de comida. O restante daquele almoço passou silencioso demais, o contrário do que estava ao começo. Assim que terminou de comer, a loira levantou da sua cadeira e se despediu dos Marotos apenas com um aceno de cabeça.
– Nunca entenderei a mudança de humor constante da mulheres – Afirmou James, balançando sua cabeça de modo negativo, ainda sem tirar os olhos de seu próprio prato, que já estava quase vazio.
– Eu nunca entenderei a mudança de humor constante da Colleno, Pontas – Concertou Sirius, que já tinha conseguido de terminar de almoçar. O que parecia até um milagre, pois ele demorava de tal jeito que o único que conseguia passá-lo era Peter e olhe lá. Porém, ele não tinha a mesma barriga que o seu amigo. E qualquer um pudia ver aquilo muito bem.
– Nós não deveríamos ter tocado no 'assunto Evans'. Se vocês não foram espertos para perceber, ela ficou desse modo porque começamos à falar da sua amiga. – Explicou Remus, que ficou surpreso pela rapidez dos seus amigos para entender coisas que estavam na frente de seus narizes.
– Ahhh – Os dois disseram ao mesmo tempo, enquanto compreensão e arrependimento passava por suas faces. Sirius levantou o rosto para a porta do salão principal, na inútil esperança de que a loira ainda pudesse estar por lá. É claro que ela deveria ter voltado para a Torre da Grifinória. Se levantou.
– Eu... eu vou ali atrás dela, só pra confirmar que ela não vai tentar suicídio, é claro – Disse, um tanto longe da mesa. Evitou ficar para não ouvir os comentários de seus amigos, os quais tinha certeza de que ouviria. Comentários estúpidos de quem não sabia nada daquilo. A verdade é que nem ele próprio estava sabendo de tudo o que se passava. E, pelo andar das coisas, nem gostaria de saber.
Saiu rápido do salão principal, sem ligar para as garotas que suspiravam para ele. Ele acabou se acostumando perfeitamente bem com aquilo. Claro, depois que o grupo dos Marotos se formou, a fama deles aumentou. Todas. Até mesmo a de Peter Pettigrew – apesar de que, a fama dele era diferente das dos outros, apenas daquele que ficava seguindo e babando pelo restante dos outros. Quando já tinha se afastado dos outros alunos, tirou um pergaminho de dentro de suas vestes.
– Juro solenemente não fazer nada de bom – Sussurrou, apontando a varinha para ele. Logo em seguida, várias letras começaram a aparecer no pergaminho e formaram um mapa completo do castelo, passando à mostrar o nome de cada uma das pessoas e a posição em que elas se encontravam. Olhou na parte da Torre da Grifinória, em busca do nome C. Colleno em algum ponto da mesma. Não achou lá. Ele acabou por localizá-la em um lugar muito próximo ao Lago Negro. Apontou a varinha mais uma vez para aquele pergaminho e desta vez, sussurrou: – Malfeito feito – O mapa sumiu, e ele guardou nas suas vestes.
Caminhou com passos largos e rápidos, saíndo pelos portões do Saguão de Entrada rápido. Viu o tempo lá fora absolutamente lindo. Várias pessoas estavam do lado de fora do castelo, aproveitando. Ele queria poder estar lá mais uma vez, com os seus amigos, sem preocupações. Agora, isto tinha virado um tanto impossível. Sempre existiam preocupações em um tempo como aquele, sempre. No ínicio não era daquele modo. As coisa se modificaram com o tempo, Voldemort surgiu com o tempo. E iria embora com o tempo, também. Apenas não era possível saber quando aquilo aconteceria.
O vento parecia cada vez mais forte à medida que ele se aproximava do Lago Negro. Parou antes de chegar no mesmo, semicerrando os olhos azulados em busca dos cabelos loiros. Logo, ele viu cabelos dourados voando e brilhando com aquele vento, cabelos que se encontravam tão próximos da água. Ele, se desesperando com a possibilidade de ela estar de fato tentando suicídio. Começou a correr rápido.
– CHARLOTTE COLLENO, PARE! – Berrou com toda a sua voz, desesperado e preocupado.
Ele teve que para bruscamente, caso contrário, iria acabar esbarrando com a loira que acabara de virar o rosto para encará-lo. Foi aí que ele finalmente percebeu que ela não estava querendo se jogar, ela nem ao menos estava tão próxima do Lago Negro quanto parecia, de longe. Droga, ele pensou. Ele tinha certeza de que muita gente estaria rindo da sua cara agora, ou olhando assustado para ele. Certo, Sirius nunca tinha corrido atrás de uma garota. E ele acabara de correr atrás de uma. Por uma justa causa!
– Você está ficando louco, Black, ou é só uma leve impressão minha e do restante do castelo? – O sarcasmo era mais uma vez presente na voz da loira. Ele encolheu os ombros.
Sempre odiou aquele sarcasmo. Sirius jamais tinha ouvido a voz de Charlotte se dirigindo à ele se não tivesse carregada com aquele insuportável sarcasmo, jamais. Aquilo irritava. Ele queria ouvir sua voz verdadeira uma vez que fosse, para ele. Ahn?! Que diabos que estava pensando com aquilo?
– Eu não acho que eu possa ser considerado um louco, por apenas ter o hábito de correr atrás de pessoas gritando o nome das mesmas. Não vejo nada demais. – Ele preferia dizer aquilo, do que admitir que tinha ficado tão desesperado por pensar que ela estivesse tentando suicídio.
Sentou-se ao lado dela, quando percebeu que ela havia se calado e voltado à observar o lago. Ou o céu azul-claro. Não estava conseguindo indentificar muito bem. Ela lançou um olhar interrogativo, que foi respondido com um simples balançar de ombros pela parte do garoto. Charlotte nem ao menos ligou.
– Desculpe – Ele disse de modo tão baixo, que quase foi impossível escutar. Mas, ela escutou.
– Desculpar? Desculpar pelo quê, Black? – Perguntou, arqueando as sombrancelhas em dúvida. E ela pudia muito bem dizer que aquele momento era histórico. Ela nunca tinha visto Sirius se desculpando.
– Desculpe por ter continuado o assunto da Evans lá, quer dizer, sei que foi o Aluado quem tocou no assunto, mas eu continuei e...-
– Não tem problema – Charlotte o cortou, enquanto abria um sorriso pequeno e até tímido – Você não teve culpa. Eu sei que você não queria que eu ficasse assim.
Ele achou que ela tivesse ouvido os seus pensamentos, por alguns instantes. Então, sorriu o mais sincero que conseguiu colocar no seu rosto. E não foi difícil. Ela não tinha sido sarcástica.
O Maroto de óculos tinha seguido diretamente para a sala de Dumbledore, depois do almoço. Ele passou uma boa parte de seu tempo verificando se o diretor ainda estava na mesa ou não; tamanha era a sua anciosidade para reencontrar Lily. O diretor sorriu para ele enquanto saía do salão, e James sabia que deveria segui-lo até sua sala. Foi justamente aquilo que fez. Ele e Dumbledore caminharam de modo lento até chegar na sala. Parecia que a cada passo que eles davam, mais ancioso ele ficava.
Depois de ter se transportado para o St. Mungus através de uma Chave-de-Portal mais uma vez, o garoto só faltou empurrar todos que via pela sua frente quando ia passando. Chegou na ala em que a ruiva estava internada, parando de modo quase brusco quando se deparou com a porta do quarto. Abriu ela vagarosamente, verificando se realmente pudia fazê-lo ou não.
– Potter! – Ouviu uma voz doce ao seu lado. Em seguida, virou-se para encarar as esmeraldas de Lily Evans. Agora, ela já estava totalmente de pé e usava a mesma roupa do dia em que fora internada. E ela sorria tanto, fazendo com que ficasse tão brilhante quanto uma estrela ao céu. Quanto o sol, ou a lua.
– Você finalmente vai sair daqui. – Anunciou ele, o óbvio. – Diga, não realmente é bom?
– Eu não gosto desse hospital aqui. É meio estranho. Quer dizer, hospitais devem ser estranhos. Com pessoas doentes sempre. É isso que torna os hospitais estranhos e ruins, não é?
– Sim, é verdade – Uma terceira voz respondeu, recém-chegada no antigo quarto de Lily – Parece que o senhor Potter se apressou muito em vim buscá-la, não é? Bom, suponho que já saiba de tudo.
– Claro. Ajudar, vim aos sábados para ver se o processo está progredindo. Certo. – Disse ele, de modo pausado, como se memorizasse cada um daqueles itens no momento.
O doutor apenas acenou com a cabeça, sorrindo abertamente. Depois de se despedir da ruiva, os dois saíram na direção da Recepção do St. Mungus. James sabia que talvez não fosse o certo, só que ele tinha uns certos planos para dar uma pequena visita ao vilarejo antes de seguir para o castelo com ela. E não que ele estivesse aproveitando a falta de memória dela, não mesmo.
– Vamos, Evans, se segure em mim por um instante. Nós vamos voltar para o castelo – Estendeu o seu braço direito para a garota, enquanto começava a se concentrar para a aparatar.
– Castelo? Então Hogwarts é...? – O restante da pergunta dela ficou perdida no ar, em algum que ele não pode indentificar muito bem. Provavelmente, deveria ter ficado no St. Mungus.
Eles sentiram que estavam sendo puxados para dentro de algum tipo de encanamento. Quando a estranha sensação parou, os dois estavam na frente dos portões de um imenso castelo. Alguma parte da consciência de Lily afirmou no mesmo momento em que ela pôs os olhos ali, que aquele era o castelo do qual Houston havia dito para ela, apenas de modo superficial. Ele tinha garantido que James explicaria. E ela guardou todas as suas perguntas para o garoto de cabelos negros ao seu lado.
– O castelo parece ser tão lindo por aqui por fora – Murmurrou ela, admirando a paisagem. Olhou para o lado, visualisando aquele pequeno vilarejo também. Era bonito. Não tanto quanto o castelo.
– Ele é ainda mais bonito por dentro – Garantiu ele, abrindo um sorriso ao ver a garota daquele modo. Ela parecia ainda mais encantadora quando se encantava por algo.
Confuso, era um fato. Mas, ela era encantadora de qualquer de qualquer maneira. Balançou a sua cabeça, tentando espantar aqueles pensamentos não tão estúpidos da mesma. Não era uma boa hora e ele sabia muito bem daquilo. Apenas ficava muito difícil controlar os seus próprios pensamentos às vezes.
– Como é que nós vamos entrar no castelo? Como é que nós vinhemos parar aqui, primeiro? Não sei muita coisa sobre o castelo ainda. Quer dizer, eu não me lembro de muita coisa – Encolheu os seus ombros, enquanto a curiosidade a consumia cada vez mais. Curiosa, sempre muito curiosa.
– Vamos entrar por algumas... passagens. Vinhemos para cá através de aparatação – Explicou, e apontou para algumas casas do vilarejo. Ela abriu a boca para perguntar algo, porém, ele já fazia noção do que ela ia perguntar e respondeu antes dela fazê-lo: – Aparatar é ir de um lugar para o outro. Você já deve ter percebido o modo que as coisas são feitas, não é?
– Sim. Quer dizer, eu já sabia o que era aparatação. Eu só queria perguntar para você o que nós dois viemos fazer fora do castelo, quando nós já deveríamos estar lá dentro, você sabe.
Ele revirou os olhos, ainda sem deixar de sorrir. Apesar de perder a sua memória, ela acabou não mudando em muita coisa a sua personalidade. Sempre fora muito correta com esse tipo de coisa.
– Eu só quero te mostrar o vilarejo – Respondeu ele, oferecendo a sua mão para a garota. Como um convite. Não apenas para pegá-la, e sim para dizer se queria ou não conhecer lá.
Quando a mão de Lily se tocou com a de James, ela sentiu como se o seu coração pudesse parar em seu peito. Por alguns segundos, pensou até que poderia morrer com alguma parada cardíaca. Depois, ela acabou tendo de assumir para si própria que aquela fora apenas uma reação. Estranha. Estranha. Os dois começaram a caminhar pelo vilarejo, sem se importar de que as pessoas viravam para olhá-los. Só os que já não tinham mais nada para fazer ali, obviamente. O restante não ligava, também.
– Ali é o Três Vassouras. Os alunos de Hogwarts vão muito para lá quando há passeios – Apontou para uma casa do outro lado da rua em que eles estavam – Ali é a Zonko's, onde vende diversas coisas... interessantes para quem gosta de quebrar as regras do castelo.
– Imagino que você deve estar dentro daqueles que quebram as regras, não é?
– É claro que sim – Sorriu ele – Você não se parece comigo nisto. É muito mais certinha, jamais faria qualquer coisa desse tipo. À menos que você tenha bebido ou qualquer coisa do tipo.
– Se nós éramos o contrário – Começou ela, pensativa –, então nós brigávamos? Ou nós sempre fomos amigos ou qualquer coisa do tipo?
– Você sempre me odiou – O brilho do sorriso dele pareceu sumir – E por isso que eu ainda não consegui entender por quê você só se lembra de mim. É tão... pouco provável.
– Eu deveria estar cega, ou muito errada. Você realmente parece ser legal, Potter.
Eu SEI que nesse cápitulo não mostra muito JL! Mas, eu precisei me focar na dor da Charlotte só por um momentinho e espero que vocês não me matem, sério DIOADIOAS.
E tipo, se eu errei qualquer coisa ou até o nome de alguém, relevem. Eu não estou raciocinando muito bem nessas horas.
Ahhh, reviews always!
Beijos *-*
