N/A: Desculpe a demora!

Disclaimer: Kenshin não é meu. E sinto muito, mas dessa vez eu não vou falar que é do Nobuhiro Watsuki, porque não é. A única pessoa que pode dizer que o Kenshin é dela é a Kaoru. Então...é. Kenshin pertence a Kaoru. Maldita sortuda!


Aula de matemática é um dos maiores sofrimentos de quase todos os alunos. É raro alguém dizer que realmente gosta de matemática. E eu não sou diferente, nesse ponto. E álgebra ainda... eu sempre me enrolo com aquelas funções. Elas não fazem sentido!! Logaritmos e um buraco na parede são a mesma coisa para mim. E dessa vez eu tinha um sentimento no fundo da minha alma que eu ia ter mais dificuldade que o normal.

Eu não queria pagar mais mico ainda na frente do Kenshin, mas o professor adorava fazer perguntas para mim, mesmo sabendo que eu realmente não sei as respostas. E o professor sempre fazia um showzinho quando ia ver se eu tinha feito o dever de casa. Em uma das vezes que eu fiz, ele chegou a colocar a mão na minha testa para ver se eu estava com febre, o que é, convenhamos, tudo que um aluno quer. Não.

Então, entramos na sala e o Kenshin, como o bom aluno que ele é aparentemente, foi falar com o professor enquanto eu ia para o meu lugar no fundo da sala. Era mapa de sala, nem um pouco divertido. Por que eu fiquei no fundo da sala só Deus sabe, já que em geral os que não sabem a matéria nem prestam atenção se sentam na frente, e eu sou os dois.

Eu observei o Kenshin enquanto pegava o caderno. Não, não sou uma tarada pervertida, só estava... analisando o aluno novo, isso. Meu deus, eu sou uma tarada pervertida. Eu acabei de conhecer ele! Quero bater a cabeça na parede. Eu sacudi a cabeça, empurrando esses pensamentos. Agora não é hora. Eu me acomodei na cadeira o melhor que eu pude, prometendo mentalmente que dessa vez eu ia prestar atenção, e não ia ficar desenhando caricaturas do meu professor sendo assassinado. E, óbvio, continuei observando ele. Posso estar me sentindo culpada por ser uma tarada pervertida, mas beleza é para ser apreciada, certo?

Ele estava falando com o professor, que concordou com a cabeça e indicou aonde ele deveria sentar, que ironicamente era do meu lado. Ele foi para o lugar, me dando um sorriso de leve antes de jogar não muito delicadamente a mochila dele no chão. Pelo menos não sou só eu que não gosto da minha mochila.

- Muito bem classe, temos um aluno novo, Himura Kenshin. Não o enlouqueçam ainda.

Haha. Niida-sensei tem taanto senso de humor. Há. A turma toda se virou para olhar o aluno novo, e eu tenho certeza que escutei alguns suspiros vindos das garotas mais na frente.

- Eu passei um dever de casa, não foi? Abram os cadernos que eu vou dar visto.

... Ferrou. Eu não fiz o dever de casa. Eu nem sabia que tinha dever de casa. Maldita seja a minha sorte. Maldita seja a minha sorte. Maldita seja a minha sorte. Eu passei correndo as folhas do caderno... e lá estava, sem sobra de dúvidas. Dever da página 89, exercícios 1 ao 4 e 12 a 15. E ele passou semana passada. Eu tenho que parar de anotar os deveres no caderno...

Então, fiquei esperando a perdição enquanto ele passava pelas fileiras. A minha era a primeira fileira, perto da janela. E ele estava chegando perto... e mais perto.... e mais perto...

- E então Kamiya, fez o dever?

E chegou.

- Ahm.... Dever... é que... bem... e-eu esqueci. Desculpe. – resmunguei o mais rápido que eu pude, evitando olhar para o professor. Ele tem um jeito mais divertido, mas ele é... no mínimo um tanto quanto sádico. Eu vou morrer.

- Kamiya, você não fez nenhum dever de casa até agora, já passei três.

- Eu fiz um... o da semana passada... – Estava corando de novo. A turma uma vez mais se virou para observar. Por que ele gosta de me torturar assim?

- Ah é mesmo... Bem, pelo menos hoje não vai chover, né?

- Por que, sensei...?

- Você não fazendo dever de casa é o normal – ele disse, com ironia. Amor de professor. Juro que ele me persegue. – Se você tivesse feito, eu teria ficado preocupado.

- Mas eu faço as vezes. – Protestei, me encolhendo na cadeira.

- Raro. E depois se pergunta por que vai mal na prova...

Humilhação. Humilhação pública. Na frente do Kenshin, a única pessoa nessa sala maldita que eu queria impressionar. Alguém por favor me dá um tiro, me acorda, me faz desmaiar, tanto faz! Eu sei que é ridículo me sentir humilhada por algo pequeno tipo isso, mas me incomoda. Então eu resmunguei algo como "desculpe" e continuei afundada na cadeira, evitando olhar para o lado. Eu não sei o que eu iria fazer se o Kenshin estivesse rindo.

Niida-sensei terminou de dar visto e foi para o quadro. Correção. Droga. Ele sempre pede para alguns alunos para resolverem os problemas, e sempre ele me mete no meio. E não deu outra.

- Kamiya, se você sabe tanto ao ponto de não precisar fazer o dever de casa, talvez você possa responder a questão 4?

- Hm. Claro, sensei... – Drogadrogadrogadrogameferreibonitodrogadrogadroga...

Eu me levantei e fui até o quadro, me sentindo como se estivesse indo para a forca. Peguei o maldito giz e encarei o livro na minha mão. Por que matemática nunca faz sentido? É tudo tipo "Se X = 3, calcule Y." Para que eu quero saber Y?! Y não vai me ajudar em nada. Y não vai melhorar a minha vida. Y não vai fazer esse professor maldito parar de me encher. E Y NÃO VAI ME FAZER DEIXAR DE SER PATÉTICA!! Ok, isso foi meio emo, mas não me importo!! E funções são tão longas e enroladas, e fazem ainda menos sentido... aquele monte de letrinhas e numerozinhos malditos zombando de mim... e a 4 é difícil... Eu olhei por cima do ombro, relaxando um pouco quando meus olhos encontraram os de Kenshin. Ia ficar tudo bem. Eu tinha que saber fazer isso, certo? Ele me deu um sorriso de leve e... levantou o caderno...

E lá estavam as contas. Feitas perfeitamente, e em letra grande para eu conseguir ler. Como ele fez tão rápido eu não sei, e nunca vou saber. Ele acenou com a cabeça, ainda sorrindo. Eu decorei rapidamente as primeiras linhas e comecei a escrever, fazendo um grande show de concentração, pensamento e contas nos dedos. Olhei discretamente para trás e ele levantou de novo. E assim foi indo até que eu finalmente circulei orgulhosamente a resposta final com um floreio, coloquei o giz no lugar e voltei para o meu lugar. Enquanto o professor se levantava para ir checar as respostas, eu olhei para Kenshin com um sorriso agradecido.

- Valeu - eu sussurrei, aliviada.

- Não se preocupe, sei como é – ele sussurrou de volta, sorrindo.

- Incrível, Kamiya, mas você acertou. Acho que vai chover, afinal. – O professor finalmente disse, depois de um tempo. Mais um sorriso para Kenshin. Primeira vez que eu acertei um problema no quadro. Teoricamente, claro, já que quem acertou foi o Kenshin, mas você entendeu. Eu agradeço a todos os deuses que o professor fica olhando para o quadro, e não para a sala, enquanto alguém está fazendo o exercício.

Enquanto outros pobres alunos tentavam resolver os problemas eu viajei um pouco, admito. E eu achando que nunca mais ia conseguir me concentrar em uma aula de matemática... Ao contrário, o Kenshin me salvou de mais humilhação. Eu sei que eu tenho que aprender um dia, mas... Hey, não é minha culpa se matemática é incompreensível.

Eu estava um tanto quanto perdida em pensamentos diversos quando senti alguém me cutucando. Eu quase pulei, mas consegui evitar isso. Eu olhei para o lado para ver o Kenshin rindo silenciosamente. Estreitei os olhos. Certo, convenhamos: Estreitar os olhos, por algum motivo, é ameaçador, não sei por que. Afinal, parece que você está com sono, mas quem sou eu? Pelo menos surtiu o efeito desejado. Ele indicou com a cabeça o professor que já ia começar a explicar, e de novo eu agradeci silenciosamente, me sentindo mais esperançosa. Afinal, ele nem me distraia tanto assim. E quem sabe eu finalmente fosse entender a matéria?!

Essa ilusão foi despedaçada em menos de cinco minutos, quando eu percebi que os ruídos que o professor estava fazendo eram realmente palavras, e palavras explicando a matéria nova que para mim iria resultar em uma dor de cabeça quando saísse dessa sala e em várias crises nervosas e de pânico enquanto tentaria fazer o dever de casa. Depois de mais uns dez minutos, percebi que não ia ter que esperar até sair da sala pela dor de cabeça.

E, como sempre nessas situações, procurei algo para me distrair. E minha suposição estava certa: ele realmente chama a atenção. Resultado? Fiquei observando enquanto ele nem ao menos fingia prestar atenção, os olhos fechados, brincando com a caneta distraidamente. Isso não é justo. Ele não só é bonito, como é bom em matemática e agora ele nem presta atenção?! Realmente, tem vezes que a vida é muito injusta. Ah, e o cabelo dele é melhor que o meu. Ok, eu não me importo muito com isso, mas algo me diz que isso é fundamentalmente errado, certo?

Olha... fiz outro desenho no caderno. É engraçado como eu sempre acabo desenhando ou escrevendo sem nem perceber. Pera... ele está anotando! Ele está anotando!!! Não é a toa que ele soube resol-... ok, esquece isso, ele está desenhando. Desenhando!! A vida realmente não é nem um pouco justa! Ele faz pior que eu, já que ele nem tenta prestar atenção, desenha e ainda sabe mais de matemática que eu. Frustrante. Pera, isso ta ficando muito emo. De novo.

JÁ SEI!!! Matemática me deixa emo!!! Eu nunca tenho tantos pensamentos maníacos depressivos como na aula de matemática. Então, no fundo, não prestar atenção é na realidade me proteger de virar emo e, portanto não deve NUNCA merecer bronca e... Estranho, me sinto meio observada...

Esquece. Eu estou sendo observada. E, pela primeira vez na vida, não é porque o professor está me enchendo, ou porque eu fiz alguma coisa. Não, dessa vez, estou sendo observada com leve curiosidade. Será que eu senti um tantinho de interesse ou é só a minha mente problemática agindo de novo? Não, dessa vez, quem está me observando é ninguém menos que nosso estimado aluno novo. Eu me senti corar. Mantenha. Os. Olhos. Na. Folha. Ele pode estar olhando para me chamar a atenção e pedir a borracha, ou sei lá o que! Isso!! E, se eu não olhar, é falta de educação, certo?

Então, olhei meio de lado para ele. Ele me deu um sorriso. Nenhum pedido de borracha. Nenhuma indicação que ele ia parar de me olhar. Ah meu deus do céu. Acho que hoje bateu o recorde de sangue indo para meu rosto. Rapidamente voltei a olhar para meu caderno, tentando ignorar ele ao máximo. É. Aula de matemática vai ser difícil de agora em diante. Eu estava tentando me distrair pensando nisso quando, miraculosamente, o professor fez uma pergunta para Kenshin. Ele desviou o olhar e respondeu. E não voltou a me observar.

Não sei por que, mas de repente eu sinto falta dele me olhando. Acho que só estou meio doente, ou algo assim. Depois tenho que lembrar de passar na enfermaria.

Enfim, uma longa e chata aula de matemática depois, o sinal tocou. Nós, pobres alunos oprimidos, imediatamente saltamos e jogamos o material na mochila de qualquer jeito. Eu esperei por Kenshin, o único que não socou o material mochila a dentro, enquanto o resto da turma saia correndo antes que decidissem prender a gente aqui e nos forçar a ter aula de matemática para sempre.

- Kenshin, muito obrigada por me ajudar aquela hora, muito obrigada mesmo. – Eu me vi falando baixo para o professor não escutar. Kenshin me deu um meio sorriso enquanto jogava a mochila nas costas e saímos andando.

- De nada. Eu já tive um professor que fazia isso comigo.

- Até agora eu não entendi o que eu copiei... – confessei, sacudindo a cabeça. – Acho que grego deve ser mais fácil

- Matemática é chato e difícil – ele concordou, rindo – mas dá para entender.

- Isso está além da minha capacidade mental. - Eu sorri de leve. Gostei do riso dele.

- Se quiser, eu te ajudo.

E, com aquelas cinco palavras, minha mente parou. Eu olhei para ele, chocada. Ele estava realmente fazendo o que eu achava que ele estava? Ou eu simplesmente estou sonhando acordada de novo?

- Que?

Uma vez mais, pensamento e fala iguais.

- Eu te ajudo. Não sei muito, mas posso tentar te explicar. Você não fez realmente um esforço para prestar atenção na aula, né? – Ele me disse, com um meio sorriso. Instintivamente, eu bati de leve no ombro dele.

- Como se você tivesse prestado atenção em cada palavra!

- Talvez depois da aula? – ele me perguntou, ignorando o fato que eu o agredi.

- Hm... parece...bom. Ótimo, na verdade. – Droga, agora pareço uma desesperada! Reza para ele não ter notado... – Então, te vejo depois, a não ser que você tenha aula de física II agora...?

- História. Até depois.

E com isso, eu fiquei parada no corredor, assistindo enquanto ele ia embora. E a única coisa que minha mente processava disso tudo era "O que!?". Quer dizer, até eu lembrar que tinha aula de física e ir correndo para a sala.


Odiaram, gostaram? Dicas, sugestões e tudo isso? Review, por favor!