Eu e Draco estávamos sentados na Comunal da Sonserina tarde da noite, como sempre estávamos comendo muitos doces e rindo muito.

- Você viu a cara do Potter quando o nome dele saiu do Cálice de Fogo? – ele me disse entre gargalhadas. – Sério alguém devia ter tirado uma foto!

- Eu achei muito suspeito aquilo, isso sim. Mas que a cara dele foi o máximo, ah isso foi! – e cai na gargalhada.

- E quanto ao baile? – me perguntou ele.

- O que tem o baile?

- Sei lá, já tem par gostosona?

- Ainda não. E você garanhão?

- Não. Têm um monte de garotas querendo que eu as convide inclusive a Pansy. Isso é ridículo. A Pansy não se valoriza não?

- Ela é obcecada por você, Draco.

- Percebo. Mas eu não sou por ela, sabe? Ah, tanto faz! Só sei que eu tenho que me decidir com qual das garotas eu vou ao baile...

- Faz uma lista, me passa e eu te ajudo.

- Não, não quero perder a noite tentando lembrar de nome de garotas – eu e ele começamos a rir. De repente eu fiz um barulho estranho com a boca e comecei a rir mais ainda, me dobrei para frente olhando para ele. E de repente parei de rir. Não sabia como, mas acabamos ficando muito perto um do outro. Eu ia abrir a boca para falar alguma coisa, mas eu nem sabia o que. Draco pressionou dois dedos frios contra meus lábios, me silenciando. – Sabe que eu sou um cara curioso?

- Te conheço melhor que você mesmo, Draco.

- Então... Eu sempre quis saber como seria.

- Como seria o que? – eu perguntei, alteando a voz, desconfiada. Mais uma vez ele pressionou dois dedos frios contra meus lábios.

- Isso – e Draco me beijou. Grudou os lábios frios nos meus – era incrível como tudo nele era frio -, colocou a mão direita nos meus cabelos e deslizou, devagar, a língua pela minha boca. Eu nem sabia o que estava fazendo, mas correspondi. Coloquei delicadamente uma mão no rosto dele, a deslizei para a nuca dele e o puxei com força para mim, nosso beijo foi se tornando mais rápido e quando eu vi estava me levantando para poder chegar mais perto, ele me puxou pela cintura e eu sentei no colo dele. Não liguei quando senti que uma das mãos dele estava na minha coxa, que estava totalmente à mostra com o short curto do pijama que eu usava, eu estava concentrada demais no perfume dele, na língua dele movendo-se junto a minha... Só me dei por conta quando senti a mão fria dele nas minhas costas, por baixo da regata cinza do pijama. Fui diminuindo o ritmo do beijo, até conseguir separar meus lábios dos dele. Foi difícil.

- Draco – eu sussurrei, empurrando as mãos dele e me colocando de pé. – Isso, isso... Não... – eu estava ofegante e não conseguia dizer nada de útil, olhei para ele. Os olhos cinza brilhavam, ele também estava ofegante e tinha uma expressão idiota. – O que foi isso? – perguntei por fim. Tinha certeza de que devia estar com a mesma expressão que ele.

- Isso... Foi um beijo – ele disse e me dirigiu aquele sorriso sarcástico típico de Draco Malfoy.

- Ok. – eu disse mais para mim mesma, do que outra coisa. – Então, eu vou dormir Malfoy. – saiu sem querer. Mas o uso do sobrenome dele geralmente significava alguma coisa ruim para ele, se vindo de mim.

- Ok, Dolohov. Boa noite – ele riu. O uso do meu sobrenome também não era boa coisa. Ok, beijar ele não foi boa coisa para nossa amizade. Porque beijar ele tinha sido bom sim. – Ah – ele se levantou e me segurou pelo pulso. Eu senti meu coração disparar, aquilo simplesmente não podia estar acontecendo! -, quer ir ao baile comigo?

- Como amigos, Draco? – não foi bem uma pergunta, eu estava insegura.

- Claro. O que mais nós somos? Só amigos curiosos. – ele riu novamente. Mas eu conhecia bem o brilho naqueles olhos cinza, ele estava feliz. Feliz de tipo realmente feliz.

- Então... Eu acho que tudo bem. Boa noite, Draco. – eu me aproximei para lhe dar um beijo na bochecha, como eu sempre fazia.

- Boa noite, Blair. – ele murmurou, mas na hora em que eu ia beijar a bochecha dele, ele virou e eu acabei dando um selinho nele. Afastei-me rapidamente, assustada. – Tudo bem – ele me disse, sorrindo. -, foi bom para mim também. – e tentou me beijar de novo, eu desviei o rosto.

- Draco, por favor... – o maior problema nisso tudo é que eu tinha gostado de beijar ele e sabia que se começássemos iríamos longe com isso, nós dois nos conhecíamos bem demais. Eu sabia que se ele realmente quisesse alguma coisa iria jogar bem baixo. E eu iria corresponder no mesmo nível.

- Tudo bem, boa noite, Blair – ele disse decepcionado. Eu odiava aquele tom de voz decepcionado dele, eu sempre acabava cedendo quando ele o usava, mas não hoje. E de repente me deu vontade de beijar ele de novo. Tentei me controlar. Ele soltou meu pulso e eu dei as costas para ele.

Já tinha dado dos passos, quando perdi meu controle, virei para ele de novo e me joguei em cima dele, derrubando ele no chão e caindo por cima dele.

- O que foi isso? – ele me perguntou, rindo.

- Curiosidade – eu disse, rindo também. Segurei o rosto dele entre minhas mãos, fiquei parada olhando para ele, o rosto a centímetros do dele... E então o beijei, com vontade, desejo. Senti uma mão fria dele em minhas costas quentes e outra em minha nuca. Acelerei o beijo. Já estava ofegando, mas não encontrava forças para separar meus lábios dos dele. Mas ele o fez primeiro. Passou os lábios para o meu pescoço. Então cai em mim. Empurrei-o delicadamente contra o chão e me levantei. – Desculpa – eu disse sem jeito.

- Não peça desculpas – ele disse do chão. Eu ri.

- Agora chega. Eu vou dormir Draco.

- Espera! Não assim desse jeito. "Eu vou dormir". Sabe como eu detesto quando você fica grossa. – e se levantou logo em seguida me dando um beijo na testa. – Boa noite, Blair. Durma bem. Qualquer curiosidade que tiver, pode falar comigo.

- Está bem, Draco – eu disse rindo e subi as escadas para o dormitório feminino lançando olhares ansiosos para ele de vez em quando – que ficou o tempo inteiro para me olhando, com aquele brilho de felicidade nos olhos.

"Draco me convidou para ir ao baile como amigos, no entanto nos havíamos nos beijado. Segundo ele, por curiosidade de saber como seria. Mas eu o conhecia bem demais. Aquele brilho de felicidade que ficou nos olhos dele depois do beijo me preocupava... E minha cara de idiota também.

Então chegou o dia do esperado baile. Como uma das garotas mais disputadas de Hogwarts, eu tinha que estar à altura para o baile. Minha mãe havia me enviado um vestido lindo. Um longo lilás com uma fenda enorme na saia, um decote generoso e sapatos roxos de saltos bem altos. Prendi meu cabelo em um rabo-de-cavalo de lado, baixo e desestruturado, me maquiei e desci, para me encontrar com Draco."

Eu desci as escadas sorrindo, adorava festas. Draco estava como sempre me esperando ao fim da escada – lindo.

- Uau, você está... – ele disse e sorriu.

- Não, você que está – eu respondi rindo. – Então, nenhuma das garotas que você deixou de convidar cometeu suicídio até agora?

- Até agora não – respondeu ele bem humorado, enlaçando o braço direito no meu esquerdo e me levando para o baile. -, mas parece que tem uma que vai cometer um homicídio.

- E quem ela vai matar?

- Você – eu ouvi uma voz atrás de nós dizer com raiva. Era Pansy.

- Ai, não! Pansy, eu posso...

- Explicar? – desdenhou Pansy. - Que grande amiga você é Dolohov! Roubando o namorado da melhor amiga!

- Eu não o roubei de você!

- Ah não? Então o que faz com ele aqui no baile? Deve ser a explicação de sempre... Estamos só como amigos!

- E é verdade – Draco disse confuso. Merlin, ele podia ser tão idiota às vezes!

- Pansy, nunca... – minha voz engasgou. Eu queria dizer "nunca aconteceu nada entre nós dois", mas o fato era que tinha acontecido. Na noite anterior. – Nunca roubaria o namorado de uma amiga. Eu e Draco somos grandes amigos. Por favor, não torne isso mais difícil!

- Eu não estou tornando nada difícil. Não eu – ela disse furiosa. Deu as costas para nós dois com lágrimas nos olhos e saiu correndo dali. Pronto! Eu tinha conseguido estragar o baile de Pansy e consequentemente o meu.

Olhei para Draco e disse:

- Eu simplesmente não posso ficar aqui, Draco. Desculpa – e sai para os jardins. Mas ele foi atrás de mim.

- Não acredito que você vai ficar assim por causa dela! Perder o baile pela Pansy!

- Draco! Será que você não entende? Durante três anos nós fomos as melhores amigas do mundo, sei que ela tinha medo de te perder para mim Draco, porque ela sempre te amou, coisa que você nunca foi capaz de fazer! Por ninguém Draco!

- Ei, não fale assim... Eu te amo, é um amor diferente, mas eu te amo!

- Ah, cala a boca! Eu estraguei a noite dela e acabo de estragar a minha, porque estou me sentindo culpada, consegue entender isso?

- Sinceramente? Não. Culpa do que?

- Draco... Eu pretendia dizer "nunca aconteceu nada entre nós dois", mas o fato é que aconteceu.

- Ah, ontem? Mas aquilo nem foi nada...

- Você chama aquilo de nada?

- Não exatamente, mas...

- Mas nada, cala a boca e me deixa sozinha!

- Será que você não percebe? Se ela realmente fosse sua amiga entenderia o seu lado. E se realmente me amasse entenderia o meu. Ela só é obcecada por mim e tem inveja de você. Porque você é linda, disputada e eu te adoro.

- Não quero ouvir. Eu te conheço bem demais. Sei o que está tentando fazer. Mais algumas palavras, eu me acalmar e pimba! Você me beija.

- Não seria má idéia...

- Ah, vá se foder!

"Naquela noite eu e Draco brigamos como nunca antes por causa de Pansy Parkinson. Eu me sentia culpada e ele não entendia, afinal, aquela fora só mais uma aventura de Draco Malfoy. Passamos o resto do ano sem nos falar. Na verdade ele bem que tentou se reconciliar comigo, mas eu não queria saber de reconciliação, ou qualquer outra coisa. Só queria esquecer que Draco Malfoy existia que já tinha sido um dos meus melhores amigos e que eu havia beijado ele. Não era fácil, ele vivia correndo atrás de mim, tentando se desculpar. Mas eu não dei o braço a torcer. Não falei com ele.

O ano acabou e nas férias eu percebi que sentia falta da amizade dele. Foi o bastante para responder a uma das inúmeras cartas que ele mandava. Resolvemos nos encontrar no Beco Diagonal e eu esperava que fosse só para nos acertarmos."