N.A.: Ok, menti. Não foi logo, demorou eras ..
Desculpa?

3 – No Psiquiatra

Emily já havia ligado para Lily para ver se ela já estava na escola: como sempre, Lily era tão certinha que até já estava lá bem antes das sete e meia, sendo que teve que esperar o colégio abrir. Uma das melhores coisas que Lily já fez foi casar com James, Emily constatou. Afinal, ninguém poderia viver bem sendo alguém tão certo, e ele a completava com seu jeito maroto.
Facilmente Emily encontrou o prédio onde ficava o consultório do Doutor Freedom. Ele havia mudado de consultório desde os tempos em que sua bisavó o visitava, mas Emy achou facilmente o novo endereço na lista telafônica. Agora era um prédio super moderno, havia um elevador cilíndrico panorâmico, de onde dava para ver grande parte do centro de Londres. Emily entrou no elevador e apertou o botão do quarto andar. Deu uma olhada através do vidro. Morria de medo de altura, o que não facilitava nada sua vida, já que tinha medo até de elevador, principalmente os que davam para ver todos os metros que você subia. Sentindo-se levemente tonta, resolveu se afastar do vidro. Emily ouviu o elevador apitar, avisando que chegava ao quarto andar. A garota saiu e foi caminhando pelo longo corredor cheio de portas. Andava olhando para os lados tentando achar o consultório. Dra. Helen Foster -Dentista, Dr. John Seward -Clínico Geral, Dr. Patrick Kant... e finalmente, na quarta porta que viu, Dr. Paul Freedom. Entrou na sala impecavelmente branca, logo vendo uma mulher de cabelos castanhos sentada atrás de uma mesa.

'- Er... olá. –Emily disse ligeiramente constrangida.

'- Ah, bom dia. Emily Evans, certo? –a moça disse, mostrando seu sorriso metálico. –Pode entrar, senhorita.
Emily acenou levemente para a garota e entrou na sala. Esta sala era incrivelmente mais branca que a anterior, a única coisa que quebrava todo o branco eram as cortinas azuis escuras. Assim que entrou viu uma poltrona virada para a janela, onde devia estar sentado o doutor.

'- Bom dia, senhorita...?

'- Evans. –ela disse sorrindo amarelo.

'- Sente-se senhorita Evans. –ele disse indicando uma cadeira em frente da sua mesa. Agilmente ele girou a cadeira para frente, agora encarando Emily. Ela sentou, olhando tudo o que havia por ali curiosamente. Pouco pôde ver sem que fosse indiscreta, então resolveu limitar seus olhares apenas para a mesa do médico. Paul Freedom era muito baixo, tinha ralos cabelos brancos e usava óculos quase maiores que seu próprio rosto. Emily não sabia como alguém que parecia precisar de um psiquiatra poderia SER um psiquiatra. Na mesa dele haviam algumas ampulhetas coloridas, dezenas de fichas, desenhos, anotações, calculadora, canetas e um aquário onde havia um peixe amarelo que nadava agitado. Realmente ele devia ser velho, constatou Emily, porque não havia sequer um sinal de tecnologia no consultório. Ele pigarreou alto, fazendo com que ela voltasse a atenção para ele novamente.
'- Então, senhorita...? –ele perguntou com a voz esganiçada, ajeitando os óculos sobre o nariz.
'- Evans, Emily Evans. –ela disse mais uma vez.
'- Ah, sim, sim. –ele disse anotando algo em uma ficha que acabava de pegar. Assim que terminou, voltou seu rosto enrugado para Emily, sorrindo. Ele levantou da cadeira e se dirigiu para uma outra, que estava do lado oposto da sala, onde havia uma estante cheia de livros e um armário fechado. Na frente dessa cadeira, havia um divã. –Venha, menina, venha. Sinta-se à vontade. –ele disse mostrando o divã a sua frente, que não parecia ser muito confortável.
Emily levantou-se e logo sentou no divã. Depois do doutor fazer um sinal, ela percebeu que ele queria que ela deitasse.
'- Por que a senhorita está aqui? –ele perguntou, apoiando firmemente uma prancheta sobre suas pequenas pernas, que nem tocavam o chão, o que tornava a situação meio cômica. –Relaxe. –ele falou, percebendo que ela estava meio tensa.
'- Bem, é que eu ando tendo umas... alucinações. –ela disse, agora soltando todo o peso do corpo sobre o divã.
'- Alucinações? Que tipo de...
'- AH!
O médico foi interrompido por um grito agudo e assustado: o divã havia quebrado no meio, e numa tentativa desesperada Emily se segurou no que havia mais perto: as cortinas. Com todo o peso dela, as cortinas foram se desprendendo do trilho, fazendo com que Emily caísse no chão em um baque surdo, e as cortinas caíssem sobre ela. O doutor levou as mãos à boca, fitando o estrago: agora podia-se ver uma "coisa" coberta por uma cortina azul e pedaços de madeira visivelmente devorados por cupins.
Embaixo da cortina, havia uma Emily extremamente vermelha, e por uns segundos agradeceu que a cortina houvesse caído sobre ela. Sem saber o que fazer, apenas ficou ali sentada.
'- Oh meu Deus! –o homenzinho exclamou, abrindo a porta da sala com violência. –Christin, Christin! –Emily pôde ouvir ele gritar. –Venha me ajudar, aconteceu de novo!
'- O que, senhor? –ela ouviu a voz da moça da recepção.
'- O divã, se despedaçou e...
'- Eu disse para o senhor comprar outro! É a terceira vez que isso acontece e o senhor teima em não jogar fora essa velharia. –a morena disse cansada.
'- Não fale assim do Tom! –ele falou parecendo ofendido. Tom? Então isso queria dizer que ele dava nome aos objetos? Ela certamente estava lidando com um louco. –Vamos, venha me ajudar.
Emily ouviu passos e logo sentiu a cortina sendo tirada de cima de seu rosto ainda vermelho. A garota e o velhote entraram no seu campo de visão, e ela levantou limpando o pó da roupa.
'- Mil desculpas, senhorita...? –o doutor disse sem graça.
'- Evans. –ela disse entre dentes.
'- É, Evans. Isso acontece... bem, vamos, sente-se na cadeira. –ele disse apontando para a primeira cadeira em que ela havia sentado. A secretária saiu do consultório e os deixou a sós mais uma vez.
'- Eu gostaria de saber agora, finalmente, porque a senhorita está aqui. –ele disse subindo na cadeira.
'- Como eu já disse, eu venho tendo alucinações. –ela disse cansada, se segurando para não revirar os olhos. –Sabe, aparecem de repente depois que eu escuto um estalido. –ela disse sem encarar o velho.
'- Hm... –ele falou anotando mais uma vez algumas coisas na ficha. –Agora eu vou te fazer algumas perguntinhas. –ela falou e Emily balançou a cabeça em sinal de compreensão. –Me conte como é o lugar onde você mora.
'- Um apartamento pequeno, em um prédio pequeno e antigo. O lugar é tranqüilo, sem muitas agitações...
'- Aham... –ele disse anotando. –E seu trabalho?
'- Ah, eu trabalho em uma escola infantil. Sou professora de crianças de três a cinco anos, no período da manhã e da tarde. Eu gosto, apesar de ser meio estressante e perigoso... –ela disse indicando com o dedo o corte na testa, sorrindo. O médico deu uma leve risada e continuou escrevendo.
'- E os relacionamentos?
'- Eu me dou bem com a minha família e amigos, apesar de não vê-los muito. Eu chego em casa cansada e nos fins de semana só quero descansar. –ela disse com um meio sorriso. Ao perceber o sorriso discreto no canto dos lábios do doutor, ela completou, ligeiramente irritada. –Não, eu não tenho namorado, ficante, noivo, amante, parceiro sexual, marido e nem nada do gênero. As crianças já me incomodam o suficiente para eu ter que cuidar de mais um. –ela disse da boca pra fora.
O doutor logo parou com o sorriso, fez algumas anotações e calmamente tirou uma pasta de dentro de uma gaveta.
'- O senhor não está cobrando por hora, está? –ela disse erguendo uma sobrancelha, impaciente. O senhor deu uma risadinha e disse, colocando a pasta sobre a mesa.
'- Ah, não senhorita, não se preocupe. –ele falou sorrindo simpático.
'- Ufa, que bom. –ela disse aliviada.
'- Agora eu queria que a senhorita prestasse atenção e me dissesse o que você lembra quando vê essas gravuras. –ele falou sorrindo novamente. Os sorrisos estavam começando a incomodá-la. Ele pigarreou e escorregou sobre a mesa uma gravura: nada mais que um borrão de tinta meio confuso.
'- Hm... uma bola. –ela disse, logo depois vendo o médico anotar novamente alguma coisa.
'- E esse?
'- Uma criança.
'- Esse?
'- Uma criança de ponta cabeça.
'- E esse daqui?
'- Se você olhar por esse ângulo... uma criança com o nariz escorrendo.
'- E esse?
'- Uma boneca.
'- E esses?
'- Uma gaiola, uma criança pulando corda, um carrinho, um ornitorrinco, uma criança dormindo, uma...
'- Okay, okay, paramos por aqui. –ele disse abruptamente. Ajeitou as fichas e colocou-as novamente na pasta. O senhor tossiu e logo continuou a falar com sua voz esganiçada. –Acho que já sei o que a senhorita tem. E na verdade, é muito simples.
'- Sério? –ela disse animadamente, quase derrubando o pote com canetas que havia sobre a mesa. –Quero dizer, o que eu tenho?
'- É simplesmente estresse. A senhorita trabalha demais com quase nenhum tempo de descanso, lazer... o que você precisa é de uns dias de folga, e acho que tudo isso se resolve. Se não resolver, você terá que vir aqui para exames mais aprofundados.
Ela não gostou muito do "exames mais aprofundados", mas ficou relaxada por ele ter falado que inicialmente poderia ser somente estresse.
Depois de acertar o pagamento com o doutor, Emily saiu muito mais tranqüila do consultório, com seu atestado de duas semanas seguro firmemente em suas mãos. Resolveu ir logo levar o atestado para a Sra. Handerson na escola, para que ela pudesse arranjar uma substituta. Também aproveitaria para ver Lily e as crianças.
Pegou um metrô e rapidamente estava há umas duas quadras da escola. Caminhou desatenta até avistar a construção colorida.
'- Boa tarde, Claire! –ela disse para a secretária que lhe sorriu.
'- Boa tarde, senhorita. Que bom que a senhorita apareceu, a substituta que você arranjou...
'- O que tem a Lily? –Emily perguntou preocupada. –Aconteceu alguma coisa?
'- Bem, é... nada grave, sabe. Ela só caiu e se machucou um pouquinho, teve um ataque de nervos e...
'- Oh meu De...
'- Oh meu Deus digo eu! –falou a senhora Handerson, saindo tempestuosamente de sua sala, o que fez com que Emily instintivamente se encolhesse contra o balcão de Claire. –Emily, da próxima vez que tiver que ser substituída, eu mesma irei procurar alguém para fazer isso! Sua amiga é totalmente descontrolada! Ela quase teve um piripaque na sala de aula, só porque as crianças fizeram uma brincadeirinha com ela!
'- Brincadeirinha? Que tipo de brincadeirinha? –ela perguntou franzindo as sobrancelhas.
'- Ah, algo como... bem, eu não sei, por que você não pergunta para ela! Ela está lá na sala, é melhor você ir salvá-la. –a mulher disse entrando em sua própria sala. Antes de falar com a diretora, era melhor ver o que havia acontecido com Lily. Já imaginando a cara da ruiva e o favor que James iria querer cobrar dela, Emily entrou na sala.
'- Oi, Lily o que... –ela ia falando, mas foi interrompida por uma cascata de cabelos ruivos que impediram sua visão.
'- Emily! –disse Lily a abraçando. –O que eu fiz para você se vingar dessa forma?
'- Lily, não fala desse jeito... –ela disse corando levemente. –Não era uma vingança, foi só um favor.
'- Claro, eu estava só brincando... –falou a ruiva, sentando na cadeira de Emily.
- Oi crianças! –Emily falou para os alunos, que estavam estranhamente quietos e com cara de anjo. –Essa tia malvada brigou com vocês? –ela disse com um sorriso no canto dos lábios. Nenhuma criança falou, apenas acenaram negativamente com a cabeça. Estranhando, Emily olhou para Lily.
'- Eu não fiz nada. –ela disse prontamente. –Okay, eu fiz, mas depois te conto. –ela sussurrou.
'- E o que esses pestinhas fizeram para você?
#Flashback#
'- Gabrielle, não bata na sua coleguinha! Cindy, pare de...
Ten den den deeeen! Ten den den deeeeen!
' - Ah, Merlin, quem será... –Lily falou pegando o celular de dentro da bolsa. –Alô?
'- Lils?
'- Pads! O que você quer? Eu estou ocupada aqui, sabia?
'- Não, sério, escuta. O Harry...
'- HARRY? O que você fez com o meu filho, Sirius Black? –ela disse nervosa.
'- Calma, calma! É que, bem, ele está com um cheiro estranho, e não para de chorar... o que eu faço?
Lily bateu a mão espalmada na testa.
'- Sirius, ele deve ter feito as necessidades! Na fralda, e é claro, você deve trocar a fralda.
'- Aaaaah, 'tá. Como?
'- Sirius! Você já me viu fazer isso um milhão de vezes! Não é possível que não tenha entendido.
'- Mas eu não sei como faz!
'- Olha, você deve ter uma noção do que é pelo menos. Agora eu tenho que desligar

Plic.

'- Gabrielle, eu já disse para você parar de brigar com a Helena! –Lily disse levantando da cadeira. Assim que levantou, caiu. Bateu a cabeça com força no chão por causa da queda, que foi provocada pelos cadarços de seu tênis que haviam sido amarrados um no outro.

Uma brincadeira velha, mas eficiente.

#Flashback#

Emily dava risada da cara da prima depois que ouviu o que havia acontecido. Lily a encarava brava, e as crianças riam.

'- Emily! Pára com isso, não teve graça! Olha só o que aconteceu! –ela disse mostrando uma mancha roxa na testa.
'- Oh meu Deus... Lily, acho melhor você ir para casa antes que aconteça mais alguma coisa para você. –Emily falou segurando o riso. –Muito obrigada, daqui em diante deixa que eu cuido dessas criaturinhas. Depois eu te ligo contando como foi a minha consulta. –ela disse sorrindo. As duas se despediram e Lily saiu da sala, deixando Emy com as crianças. Como já estava no final da aula, logo Emily saiu e foi falar sobre o atestado com a diretora, que entendeu e disse que imediatamente procuraria uma substituta, antes que Emily quisesse arranjar uma.

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N/A: Obrigada pro quem deixou review xD
Obrigada meeesmo! Não me deixem esquecer de postar "

Mia Moony/Bia Lupin