Essa fic não me pertence. Pertence a Emiita que posta suas histórias no e me permitiu traduzi-la para vocês. Todos os créditos à autora. Naruto também não me pertence.


3. O lobo e a ovelha.

Esgotada. Sakura estava realmente cansada, seus ossos não suportavam mais o seu peso, seus músculos se encontravam totalmente rígidos e sua cabeça latejava como um sino martelando incessantemente. Abraçou-se a si mesma tentando cobrir-se mais com seu casaco, as noites começavam a ficar mais frias em Konoha e ela tremia de frio. A única coisa que desejava nesse instante era chegar à sua casa, tomar uma relaxante e merecida ducha e logo em seguida dormir. Contudo, um calafrio a percorreu ao lembrar-se de sua cama. Já não era tão animador voltar para casa. Merda! E tudo por sua culpa.

Por que tinha que acontecer essas coisas com ela? Por que simplesmente não podia deixar de lado suas emoções e aproveitar? Seria tão ruim não pensar? A imagem de Sasuke falando com ela invadiu sua mente. Esta noite. Como tantas outras vezes ele iria à sua casa, entraria em seu dormitório e... as cenas seguintes que a assaltaram fizeram com que suas bochechas pálidas tomassem um suave tom de rosado. Ele nu. Ela gemendo. Ele e ela, juntos, unidos...

Porra. Não era justo. Por que ela tinha que ruborizar igual uma garota de doze anos? Era humilhante, sobretudo ao ver o sorriso cínico que adornava os lábios de Sasuke ao vê-la nesse estado de timidez. Bastardo. Ele desfrutava ao vê-la assim, e mais, estava segura que o maldito orgulho dele crescia exorbitantemente ao perceber uma Sakura tão frágil. Deu um chute e arrastou uma pequena pedra que estava em seu caminho.

Suspirou resignada. Ao longe distinguiu seu prédio. Há pouco menos de seis meses abandonou a casa de seus pais e se tornou independente. Alugou esse pequeno, mas cômodo apartamento e ali se instalou. Seu pai não ficou satisfeito com a ideia de sua princesa deixar o ninho, mas era necessário. Ela amava seu progenitor com loucura, no entanto, após a perda de sua mãe há três anos, ele se tornara extremamente protetor com ela. Necessitava ter seu espaço, talvez esquecer que em algum momento foi uma criança mimada e sentir o que era viver sozinha.

Entrou por fim pela porta, subiu com lentidão as escadas, seu apartamento estava no terceiro pavimento. Odiou com todas as suas forças essas malditas escadas, fazia falta um elevador e amaldiçoou em um murmúrio indecifrável o construtor daquele bendito edifício, a crescente atividade que houve no hospital e definitivamente tudo o que lhe impediu de chegar em casa mais cedo. Suspirou de puro alívio ao distinguir a porta de sua casa, introduziu a chave na fechadura e o silêncio a recebeu com boas vindas.

Acendeu as luzes e preparou-se para sua rotina. Com um nó de temor no estômago dirigiu-se ao seu dormitório, pegou seu pijama e praticamente trotou até o banheiro. Fechou a porta com uma batida e trancou-se. Certamente que fora uma paranoia, bobo e até estúpido fazer isso, sabia que ele não chegaria cedo e verdade seja dita, nenhuma tranca impediria que ele entrasse no banheiro, mas fazer isso lhe dava certa tranquilidade. "Do que tem medo, Sakura?" Dele. Mas não era medo de ser morta ou ferida por ele. Era medo de suas carícias, de suas lambidas, de sua paixão, de sua luxúria, de seu desejo. Seu desejo por ela. Porque de certa maneira, sentia-se triste e usada. E, sobretudo, porque provavelmente, ela cairia como a estúpida ovelha que era e deixaria se capturar pelo lobo.

Mais aliviada tomou banho e desfrutou da agradável sensação que invadiu seu corpo ao notar as cálidas gotas de água escorregar sobre sua suave pele. Relaxou e fechou os olhos evitando pensar em qualquer coisa, concentrou-se unicamente na sensação de cócegas que a água produzia.

Banhada e com o cabelo ainda úmido dirigiu-se a cozinha, mas não antes de ligar o televisor. Essa era outra estúpida mania que havia adquirido desde que vivia só. O silêncio, sobre tudo à noite, a inquietava, era insuportável e frustrante. Seus sentidos aguçavam-se e lhe deixava insegura e assustada com qualquer ruído estranho. Era infantil, no entanto, o som das suaves vozes provenientes daquela caixa idiota a ajudava a sentir paz, enganava a si mesma e acreditava estar acompanhada, mas era um engano reconfortante. Preparou para si uma simples ceia, uma torrada e um copo de leite quente. Acomodou-se em seu sofá e ali permaneceu observando qualquer coisa, distraindo-se. De certa forma esse aparato eletrônico conseguia esse feitio já que nada mais conseguia parar seus pensamentos.

Permaneceu ali o que lhe pareceram horas. Na realidade não era consciente do tempo transcorrido e não importava sabê-lo. Seus olhos cor de jade observavam com atenção a tela, sua boca estava sutilmente aberta e seu cenho levemente franzido prova de sua concentração. Seu peito subia e descia em um ritmo constante, suave e pausadamente. Tranquilidade. E porra, ele estava desconfiado. Parecia que ela não tinha nenhuma intenção de ir à cama, nem sequer havia se movido desde que sentou nesse maldito sofá. Ainda que lhe parecesse imoral continuou observando-a. Não era certo, era de muito mau gosto e, sinceramente, ele não tinha o direito de andar espionando-a dessa forma, mas não pode evitar. "É a isso o que chamam de cair baixo, Uchiha."

Quanto mais a olhava, mais a fúria crescia em seu interior e a pouca paciência que tinha se esgotava como uma folha consumida pelas chamas. Socou seu punho com a árvore ao qual estava parado. A janela pela qual ele a vigiava dava para os fundos do edifício e não podia ser mais prática. Estava farto de esperar. Se ela não tinha pressa em ir seu dormitório com seus próprios pés, ele a levaria. "Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé." Um sorriso de canto se apoderou de seu rosto.

Suas pupilas começaram a pesar e verdadeiramente queria fechá-las, queria dormir, descansar, necessitava-o. E ainda assim, permanecia estoicamente acordada, com a visão fixa na tela e procurando decifrar de que diabo se tratava o filme que se desenrolava diante dela. Um grito vindo da televisão a fez saltar de seu lugar, cobriu-se mais com a manta e sentiu uma sensação ruim na boca do estômago. De imediato sentiu desejo de apagar a luz, mas suas pernas não se moviam, viu-se paralisada. Observavam-na. Merda! "Paranoia ou realidade? O que você acha Sakura?"

Seu coração começou a martelar contra seu peito e a adrenalina correu rápida por suas veias. Suas pupilas se dilataram e seus sentidos aguçaram-se. Não podia ver nada fora do comum, as sombras dos seus móveis confundiram-se com a escuridão. Não ouviu nenhum ruído estranho, o silêncio era cortado pelas vozes provenientes da tv, mas sentiu dois pares de olhos cravados em sua nuca atravessando-a. Um olhar penetrante e intimidante. Encolheu-se em seu assento tratando, em vão, de fazer-se tão pequena de modo que ele não a visse, apesar de saber que isso era impossível.

Um calafrio percorreu-lhe a coluna ao sentir esse gélido hálito em seu pescoço. Os pêlos de seu corpo eriçaram-se e suspirou sem poder evitar. Sakura estava tremendo e uma macabra sensação de satisfação e diversão preencheu seu interior.

– Sa-sasuke? – ela gaguejou surpreendida.

Ele elevou uma sobrancelha ao notar seu titubeio.

– Esperava a alguém mais, Sakura?

A ira que havia sido temporariamente dominada por ele ao entrar no apartamento apoderou-se dele novamente ao fazer tal pergunta. Por sua cabeça passaram como em uma tortura, as imagens de Sakura esperando outra pessoa, entregando-se a outra pessoa. A ideia de vê-la com outro homem que não fosse ele causou-lhe furor de tal maneira que seus olhos ónix tingiram-se de escarlate, novamente sua linha sucessora ativou-se por conta própria. E ele por sua parte, não se ajudou para que seus nervos tranquilizassem. "Talvez se não a houvesse assustado, ela poderia falar...".

Ela tratou de emitir uma palavra convincente, sentia o desejo de justificar-se ainda que uma vozinha lhe perguntasse por que fazê-lo quando o que existia entre eles era apenas sexo sem compromisso. Graças a quem sabe o que, sua língua travessa não pode mover-se e não deixou escapar esse comentário viperino. Haveria sido pior. Ela sabia. A fúria de Sasuke era percebida no ambiente, a tensão que se instalou entre os dois era palpável, e como dizem, poderia ser cortada com uma faca. O máximo que a cabelo-rosa conseguiu foi negar com a cabeça repetidas vezes.

O moreno sorriu satisfeito e acariciou com seu nariz o pescoço feminino, percorreu a lateral aspirando aquele aroma de cereja embriagando-se, acalmando pouco a pouco sua irritação aflorada de lugar nenhum. Espalhou vários beijos ao longo daquela pele até chegar ao lóbulo da orelha e morde-lo gentilmente. Sakura fechou os olhos, um tremor de antecipação atravessou seu corpo, suas mãos agarraram a manta com força e os nós de seus dedos tornaram-se brancos tamanha era sua necessidade de manter-se consciente. Um suave gemido estrangulado escapou de sua garganta sem poder evitá-lo. Definitivamente, o pescoço era seu ponto débil. "Teu pescoço? Não seria melhor dizer que ele é teu ponto débil, Sakura?"

Sasuke rodeou o sofá colocando-se diante dela e tampando a pouca luz que saia da televisão. Novamente um sorriso cínico apoderou-se de sua face, mas ela não pode apreciá-lo, pois permanecia com olhos fechados não querendo comprovar a verdade tão evidente.

– Olhe para mim, Sakura.

Por que ele sempre tinha que dar-lhe ordens? Não tinha outro tom de voz? Não sabia pedir as coisas? "Está falando de Uchiha Sasuke, ele nunca pede nada". Ela bufou em um gesto pouco feminino de sua parte. O moreno ergueu uma sobrancelha por sua ação e não desfez seu sorriso até que os olhos jades abriram-se. Ela engoliu saliva abruptamente ao vê-lo, uma sensação de pequenez e fragilidade a envolveu, era como uma menina assustada porque seu papai ia lhe dar uma bronca. "Mas Sasuke não é seu pai e tão pouco vai te castigar, pelo menos não dessa forma...".

Ele colocou-se à altura dela e entre suas pernas. Suas mãos grandes e rudes afastaram a manta que ela seguia segurando e descansaram sobre os joelhos da moça. Seu olhar escuro a percorreu por completo fazendo-a sentir-se nua diante dele. Uma suave cor vermelha cobriu as bochechas pálidas e ainda assim, Sakura não abaixou a cabeça como costumava fazer. Não. Ela permanecia observando fixamente aqueles lábios extremamente tentadores no seu ponto de vista. A língua feminina passeou por seu lábio inferior umedecendo-o. Este ato não passou despercebido por Sasuke e quase desejou que fosse sua própria língua a provar essa boca. Criticou-se mentalmente por esse pensamento. "Até seus próprios pensamentos te traem, Uchiha".

As mãos dele começaram a subir pelas coxas deixando em sua viagem um rastro de fogo que incendiou e despertou Sakura por completo. No baixo ventre feminino uma sensação de antecipação se instalou e os primeiros batimentos de desejo afloraram como a pólvora antes de explodir. Permaneceu estática controlando seus próprios instintos, concentrando-se em reprimir os suspiros que tentavam sair por sua garganta. Não queira dar a ele esse gosto, não agora. Não queria que ele visse o efeito que ele causava nela, não agora. "Ele já sabe o que causa em você, Sakura".

Sasuke franziu o cenho diante da falta de participação dela. Realmente gostava de desfrutar do corpo dela, mas quando as carícias eram mútuas. Jamais admitiria em voz alta, mas gostava como ela o tocava dessa forma tão bipolar mudando de uma faceta mais inocente e duvidosa a outra mais ansiosa e luxuriosa. E de qualquer maneira, apesar de que suas intenções ficassem claras, ela não se movia o que o levou a perguntar-se por que. O que havia feito? "Tratá-la como um objeto está bom?".

– Que merda há com você? – Sasuke perguntou inexpressivamente.

– Nada.

Sasuke gruiu. Acreditava que ele era estúpido? Uma veia palpitou em sua testa.

– Humpf, não acredito em você.

– Tenho sono. – desculpou-se ela. Na realidade estava se provando. Poderia resistir a ele? Sasuke a usava, sempre era tudo debaixo de seus termos, ela nunca opinava. Estava tratando de comprovar se era capaz de negá-lo algo, se resistiria a ele.

– Tsk, irritante.

– Vou para cama.

Ela levantou-se do sofá disposta a cumprir seu propósito. Seu corpo lhe gritava que não se afastasse dele, no entanto, sua mente a felicitava por sua integridade, sua voz não se quebrou nenhuma vez aparentando mais controle do que possuía. O rosto de Sasuke não expressou nenhuma emoção, suas sobrancelhas se arquearam diante da ideia absurda de Sakura e seus punhos foram a única coisa que delatou seu estado de irritação.

Um passo, dois passos, três passos e não foi tão longe. Uns braços a detiveram puxando-a pela cintura e fazendo suas costas chocarem com um peito duro. Seus olhos observaram a porta de seu quarto, estava desorientada pelo recente movimento que foi demasiado rápido para captá-lo. Novamente o hálito de Sasuke estava em sua nuca.

– Você vai para cama, mas não para dormir... – ele sussurrou no ouvido dela com a voz roca.

Ele a apertou contra si fazendo-a notar sua ereção e... Merda, isso a excitou. Rendeu-se. Sakura deu-se a volta ainda rodeada pelos braços dele e foi ela a primeira a atacar, a ovelha atacou o lobo. Beijou o pescoço dele colocando as mãos por baixo da camisa subindo-a, querendo explorar mais. Sasuke sorriu vaidoso por sua mudança de atitude, começou a caminhar arrastando-a com ele mesmo a tarefa sendo complicada, ela não o largava. Suas mãos apertaram o traseiro dela carregando-a. As pernas torneadas dela o envolveram enquanto a mesma seguia lambendo-o.

Sem saber exatamente como o fez, conseguiu situá-la sobre a cama enquanto ele permaneceu de pé observando-a atentamente, devorando-a com o olhar. Os olhos verdes tomaram uma cor mais escura por causa da recente luxúria que a invadiu. A habitação estava sumida em sombras e só era possível ver feixes de luz produzidos pelos raios de lua que entravam pelas fissuras da janela e caiam diretamente sobre a pele pálida da rosada fazendo-a brilhar por si só. Sasuke se livrou da estúpida camisa e posicionou-se acima dela com um de seus joelhos separando as pernas femininas.

Sakura não chegou a compreender porque diabos fez isso e na verdade, agora mesmo, não encontrava sentido em nada, só era consciente dele, de seu magnífico corpo pressionando o seu e esquentando-o com cada roce entre ambos. As mãos habilidosas de Sasuke a livraram da camiseta e isso a fez recordar que não vestia nada por baixo. De imediato um ataque de timidez a inundou e tratou de cobrir-se, no entanto, Sasuke com sua boca não permitiu. Brincou com um de seus seios eriçando-o por completo e dando voltas com a boca como se fosse um caramelo. "Ou talvez ela seja seu caramelo. Uchiha".

Aproximou-se mais dela fazendo-a passar as pernas por sua cintura e conseguindo que seus sexos se roçassem, a fricção os fez suspirar juntos. Sasuke mordeu o botão rosado e baixou sua mão pelo vale dos seios rumo ao abdômen plano. A sensação de mil borboletas percorrendo o corpo envolveu Sakura. Ele seguiu até o meio das pernas femininas e a acariciou, massageou seu clitóris com crescente habilidade. O sexo dela palpitou com força, moveu o quadril contra os dedos mágicos exigindo mais e um sorriso de lado apoderou-se dos lábios dele. Contudo, ele também precisava de atenção, seu membro atingiu o ponto de dor.

As mãos desajeitadas dela deslizaram pela pele perolada até as calças e baixá-las liberando-o. Os olhos ónix cravaram-se nos dela e o desejo que viu neles a sobressaltou. Sem poder esperar mais, Sasuke apartou qualquer resto de pano que restava em seus corpos e se posicionou entre as pernas dela com seu membro ereto roçando a entrada do corpo dela. Um gemido escapou da boca de Sakura, não foi capaz de reprimi-lo por mais tempo.

Ele a penetrou. De uma só estocada entrou profundamente nela gruindo de prazer, sentido como se amoldavam um ao outro. Marcou um ritmo lento no início, torturando-a, castigando-a por fazê-lo esperar, por fazer-se de difícil com ele. "E por acaso não o merece?". Mas, porra, isso também era uma tortura para ele. Necessitava dela. Aumentou as investidas para a satisfação de ambos. As unhas dela cravaram em suas costas marcando-o, deixando pequenas feridas vermelhas em sua pele pálida e isso o agradou, ainda que não o admitisse em voz alta. O excitava quando ela fazia isso. E é que... a cabelo-rosa fazia coisas, realizava ações, simples gestos inocentes que para seus hormônios eram bombas atômicas, esquentava seu corpo e conseguia que o sangue em suas veias queimasse.

As paredes vaginais estreitaram seu membro. Sakura estava próxima do orgasmo e ele estava bem atrás dela. Os espasmos a percorreram, arqueou as costas quando o clímax a inundou e gemeu o nome dele em um murmúrio sensual. Sasuke se derramou dentro dela e então sentiu uns dentes cravarem-se em seu pescoço justamente onde o pulso batia. Lançou ao ar um grito de surpresa. Dor mesclado com prazer. Sua. Sakura era sua. A afirmação lhe veio proveniente de lugar nenhum, mas estava ali em sua mente e, contudo, ainda que fosse contraditório, ele estava de acordo. "Por que será, Uchiha?". Até que uma nova revelação o alcançou: Sakura não havia tentado beijá-lo. Por quê? Ela sempre reclamava um beijo nos lábios, sempre, não houve uma só vez que sua teimosia não fosse imposta. Então... Por que desta vez ela não tentou? "E por acaso não era você que não queria esse tipo de coisa? Qual é Uchiha?". Sem querer dar mais voltas, cansado deixou-se cair ao lado da mulher, sua mulher e com o cenho franzido pelo recente descobrimento deixou-se cair nos braços de Morfeu.

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