No dia seguinte, ela acordou com o canto dos passarinhos. Olhou o relógio e ainda eram seis e meia da manhã. Como já estava bem acordada, resolveu levantar. Colocou uma calça jeans azul, uma blusa rosa, uma jaqueta marrom, um tênis e prendeu o cabelo. Quando desceu da varanda, sem fazer barulho para não acordar grissom, Sara avistou um moço que trazia três cavalos. Ele parou próximo à entrada da pousada e prendeu os cavalos em uma árvore.
"Lindos não?!" Disse a Meredith ao se aproximar dela.
"Sim. São seus?"
"Não. São da fazenda ao lado. Propus aos donos que cedessem alguns cavalos, para alugar aqui na pousada... Eles concordaram."
As duas foram em direção aos cavalos.
"Bom dia, Juan".
"Bom dia, senhora. Como está?"
"Bem e você?"
"tudo as ordens".
Sara foi o caminho inteiro olhando o cavalo cor de mel. Ela tinha muita admiração por esse tipo de animal e ele era muito bonito.
"Não precisa ter medo moça, esse cavalo não é dos bravos" falou Juan.
O cavalo a encarou por alguns minutos, e deve ter sentido confiança em Sara, pois se aproximou com a cabeça abaixada, como se pedisse por carinho. Meredith e Juan olharam surpresos.
"Você é muito lindo" disse Sara, passando a mão nele. "Como ele chama?"
"Príncipe".
"Lindo nome" sussurrou ela no ouvido do cavalo.
Grissom saiu do quarto para olhar o dia e avistou Sara fazendo carinho no cavalo Curioso, ele resolveu ir até lá.
"Pelo visto ele gostou de você" falou Juan.
"A senhorita já montou alguma vez?" Perguntou Meredith.
"Na verdade, sim".
"Se a senhorita quiser, pode monta-lo agora" falou Juan.
"O que você acha?" Perguntou ela ao cavalo.
Sara sabia que dependendo da forma como agisse, o cavalo poderia ficar arrisco, por isso conversava com ele. Colocou o pé no estribo e passou a perna para o outro lado. Depois de se ajeitar, Sara avistou grissom observando-a. "ela esta sorrindo... adoro quando ela sorri" pensou ele. Ela puxou as rédeas, para que o cavalo não começasse a andar. Meredith percebeu que ela olhava fixamente para um ponto e virou-se para conferir.
"Bom dia senhor Grissom".
"Bom dia" disse ele chegando perto de Meredith e Juan.
"Você sabia que sua amiga sabe montar?" Perguntou a moça.
"Não... Eu definitivamente não tinha a menor idéia" respondeu, olhando dentro dos olhos de Sara.
"Acho que o passeio vai ter que ficar para outra hora" disse ela, acariciando o cavalo.
"Vá em frente" disse Grissom. Sara olhou para ele surpresa.
"Tem certeza? Eu posso fazer isso outra hora..."
"O trabalho pode esperar."
"Desde quando?" questionou ela.
Se tinha alguém que não gostava de deixar o trabalho 'esperando', esse alguém era grissom. Ele olhou para o chão, encabulado. Como dizer que vê-la daquele jeito: alegre sorridente, montada num cavalo, era mais importante do que qualquer outra coisa.
Ele queria ter coragem de dizer isso a ela.
"Se o senhor quiser, tem um cavalo para você" disse Juan quebrando o silêncio.
"Obrigado. Mas não".
Um outro rapaz apareceu, montado num cavalo preto.
"Que bom que apareceu Alex. Você vai levar a senhorita..."
"Me chame de Sara." disse ela.
"Você vai levar a Sara para um passeio".
Alex mediu Sara dos pés a cabeça. Ela era muito bonita.
"Está pronta?" Perguntou Alex com um sorriso. Sara acenou concordando.
Inicialmente Sara foi devagar, para ganhar confiança do cavalo. Grissom observou a jovem se afastar e depois caminhou até a casa principal da pousada.
"O senhor não sabe montar?" Perguntou Meredith.
"Sei, mas não gosto muito".
"Entendo. O senhor já tomou café?"
"Me chame de Grissom e não... ainda não".
"Bom, então venha comigo. O café já está servido. E não se preocupe, sua amiga já vai estar de volta logo".
"Ela não é minha amiga. Só trabalhamos juntos".
"hum, e você a deixou ir cavalgar ao invés de trabalhar?...entendo..."
O caminho que Alex escolheu ficava a esquerda da pousada. Era uma estrada de terra com muitas árvores em volta. Tudo era muito verde e o sol estava agradável.
"Você monta há muito tempo?"
"Meu pai me levou em um haras, quando eu era criança. Montei algumas vezes e depois não mais... Gostaria de fazer isso regularmente, mas meu trabalho não permite".
"O que você faz?"
"Sou investigadora criminal".
"Interessante."
"às vezes, sim".
"Sem quer ser indiscreto, o que veio fazer aqui?"
"Somente passar uns dias" mentiu ela. Se queria mesmo que o caso não se espalhasse, era melhor não comentar com ninguém.
"ah sim. Entendo. E está aproveitando?"
"Eu cheguei ontem, mas estou gostando".
"se quiser eu posso te mostrar outros lugares... " disse ele. "Vai ser ótima passar mais um tempo com você".
"Quem sabe..."
"Bom, acho que é melhor voltarmos" – falou Alex olhando o relógio,"já está na hora".
"Está bem. Importa-se se formos rápido?"
"Você diz: a galope?"
"Sim".
"Claro".
"vamos lá garoto, eu confio em você" disse ela.
O cavalo começou a correr e não demorou muito para que ele começasse a galopar. (O galope é o movimento mais legal de um cavalo, onde ele corre de forma suave, porém veloz. Não é todo mundo que consegue)
"Isso... muito bom!" disse ela.
Alex a observou. Ela tinha um sorriso gracioso, parecia ser bastante simpática e ainda gostava de animais. Ficava ainda mais linda quando galopava.
Quando estava se aproximando da entrada, Sara diminuiu a velocidade - puxando as rédeas – até que parasse próximo a Juan.
"Gostou do passeio?" Perguntou ele.
"Sim. Maravilhoso!"
"Você tinha que ter visto ela montando Juan... foi demais" disse Alex, descendo do cavalo e se aproximando dela. "Não parecia gente que ficou tanto tempo sem montar".
Sara sorriu e ficou acariciando o cavalo.
Grissom avistou Sara da janela do quarto, quando ela contornava a loteamento da pousada com velocidade. Ele, sem perceber, abriu um grande sorriso. Colocou os óculos sobre a bancada e saiu do quarto.
Quando a jovem o viu, foi até ele com um grande sorriso no rosto. Só faltou correr e pular nos braços dele. Grissom encarou Alex e depois olhou para ela.
"Acho que é hora de continuarmos" disse ele.
"Está bem. Obrigada rapazes, até outra hora."
"Até mais Sara" falou Alex. "Se precisar de alguma, eu estou na fazenda ao lado".
"Ela não vai precisar de você! Ela tem a mim!" pensou grissom.
Os dois foram até o quarto de grissom, onde se encontrava a grande maioria das evidências coletadas. Sara entrou e já foi logo cuidar da maleta. Ele tinha sido muito legal a deixando cavalgar, mas ela não queria deixar as coisas se atrasarem mais. Pegou o pó preto e alguns adesivos, tirou todos os papeis de dentro da maleta, colocando-os sobre a bancada, e depois começou a analisar cada canto dela, cuidadosamente. Primeiro na parte interna e depois o externo.
Enquanto ela fazia isso, Grissom a observava de longe. Sara estava muito contente e Grissom desconfiou que o motivo não tinha nada a ver com ele. Ele estava claramente com ciúmes.
"Vamos lá Gris, concentre-se no trabalho!".
"Pronto. já tirei todas as impressões" disse ela "Você quer que eu escaneie ou você faz?"
"Eu faço" disse ele, se levantando e pegando todos os adesivos que estavam na mesa, ao lado da poltrona.
"Encontrou alguma coisa nos papeis?" Perguntou ela.
"Ele é um executivo. Acredito que ele veio aqui descansar".
"E que descanso!" exclamou Sara.
Grissom olhou para ela com seriedade. Ela percebeu.
"E agora o que?" perguntou ela.
"você sabe muito bem o que fazer!"
Sara levantou as duas sobrancelhas, surpresa. Alguma coisa tinha acontecido para ele ficar daquele jeito e o que quer que tenha sido ela não fazia idéia.
"Acho que é melhor ir conversar com os hospedes do quarto ao lado da vitima".
Antes mesmo que ele respondesse, Sara saiu.
Um casal de jovens estava hospedado no chalé 1. Ela bateu na porta e os dois vieram atender. Ele estava de shorts e camisa branca, e a moça vestia uma mini-saia e uma blusinha de alça.
"Oi. Meu nome é Sara Sidle. Gostaria de saber se vocês conhecem o rapaz que estava hospedado no quarto ao lado..."
"Só de vista" disse a moça, de mais ou menos 25 anos.
"Sabem me dizer se ele estava aqui nos dois últimos dias?"
"Não" respondeu o rapaz.
"Ele é do tipo que fala muito? Faz muito barulho?"
"Pelo contrário" respondeu a moça. "Ele só fala coisas como "bom dia", "boa noite", "obrigado" e nada mais... muito bizarro".
"À noite ele vem para o quarto e dorme. Nunca ouvimos nada" disse o rapaz.
"Está bem. Obrigada".
"Por que esta perguntando isso" questionou o rapaz.
"Só estou tentando encontrá-lo... Obrigada mais uma vez!"
Sara resolveu conversar com mais algumas pessoas, antes de se encontrar com grissom. No chalé 2 estavam hospedados uma moça de 40 anos e o rapaz viúvo de 56, e ambos disseram a mesma coisa que o casal de jovens.
Quando Sara entrou no quarto, Grissom falou.
"Liguei para o hospital e a vítima é Mark Carlton. 50 anos. A causa da morte foi um tiro. A bala foi encontrada no corpo, mais especificamente na costela".
"Se ela se alojou na costela, significa que ele levou um tiro por trás".
"Pedi que eles mandassem a bala para o nosso laboratório, para checagem do número de serie e, conseqüentemente, quem era o portador dela. E o fio que você encontrou na janela pertencia a um suéter que encontrei no armário da vitima".
"Está bem".
"E como foi na conversa?" Perguntou Grissom, agora bem mais calmo.
"Ninguém conhecia a vitima e não viram ou ouviram nada de anormal nos últimos dias".
Durante o almoço, Sara bem que tentou puxar assunto com ele, porém não foi bem sucedida. Ele respondia o básico e nada mais do que isso. Alguma coisa tinha feito com que ele ficasse mal-humorado e distante, mas o que seria?
Após terminarem, foram interrogar os hospedes que faltavam. Grissom ficou de interrogar as pessoas do chalé número 3, e uma pessoa do número 5, enquanto Sara foi então para o último dos chalés.
Grissom entrou no chalé 5 e bateu na porta. Um senhor de 70 anos apareceu na porta.
"Com licença, você conheceu Mark Carlton?"
"Não me lembro de conhecer ninguém com esse nome".
"Você chegou aqui faz quatro dias?"
"Acho que sim. Por que?"
"Viu alguém estranho andando por aqui há duas noites?"
"Não... Alguém morreu?"
"Sim. Mas não se preocupe, estamos investigando".
"É, bom, essas coisas acontecem..."
"Com certeza!" disse Grissom. "Obrigado pelo seu tempo".
"E aí, o que descobriu?" Perguntou ela.
"Ninguém ouviu, ou viu, nada".
"Não consegui nada no chalé 6 também... Depois fui falar com Alex."
Grissom ficou bastante nervoso ao ouvir o nome do rapaz. Ele viu quando os dois conversavam próximo do cavalo naquela manhã, como sorriam sem parar, como Sara ficou radiante o resto daquela manhã, mesmo com os atritos com Grissom... E agora, ela falava no nome dele com um sorriso no rosto. Ele virou de costas, tentando conter a raiva que tomou conta de seu corpo.
Sara, que o conhecia muito bem e não era burra nem nada, logo notou o jeito estranho.
"O que foi?" Perguntou ela.
"Nada".
"Eu não acredito em você!"
"Ok, então me responda uma coisa: Vocês conversaram sobre o que: o caso, ou sobre cavalos, ou quem sabe sobre você?" Sara ficou chocada com aquilo.
"Tenho certeza que ele está louco para te conhecer melhor... Especialmente depois do passeio". – falou grissom. Assim que as palavras saíram da sua boca, Grissom se arrependeu profundamente. Tinha perdido completamente a cabeça e definitivamente essa não era sua característica.
"ta falando sério?!" questionou ela.
"Olhe, é melhor deixarmos isso pra lá e voltarmos para o trabalho" disse ele, voltando a ficar de costas para ela.
"Não! Não vou deixar para lá!' esbravejou ela. "Quero saber por que você foi legal comigo num momento, e totalmente grosseiro no outro".
Grissom continuou olhando para os papeis que segurava.
"Não vou passar os próximos dias aqui sozinha com você, sem saber o que eu fiz para te deixar assim!"
"Você não fez nada!" respondeu ele com um tom de voz alterado.
"Ok. Então o que foi?"
Demorou alguns minutos para Sara entender o que estava realmente acontecendo, e quando isso aconteceu, ela caiu na gargalhada. Grissom olhou para ela não entendendo.
TBC
