Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Inc. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.
(2) Contém Slash (relação Homem x Homem), abordagem a Doenças Mentais e futuramente, Lemon (sexo explícito entre os personagens), portanto se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: Não Leia.
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Na manhã seguinte, quando Harry abriu os belos olhos verdes e enfocou o teto de seu quarto, a primeira coisa que ele notou foi sua respiração irregular, ofegante, e um crescente desconforto nas áreas íntimas de seu corpo. E ele amaldiçoou Tom mais uma vez, pois o delicioso sabor dos lábios de seu paciente ainda não havia lhe abandonado. Por um lado, ele se sentia ultrajado por ter sido facilmente submetido por um de seus pacientes, mas Tom não era qualquer um.
Tom era um homem charmoso, inteligente, sedutor...
E por esse motivo, o jovem médico não conseguia deixar de se sentir entusiasmado também, secretamente maravilhado com o beijo que o maior lhe roubara na tarde anterior. E Harry se odiava por isso, odiava a mórbida felicidade que estava sentindo ao ter sido beijado por um assassino.
Naquele momento, tudo parecia confuso em sua mente – suspirando, Harry se virou na cama e enterrou o rosto no travesseiro macio que ainda cheirava a roupa de cama recém lavada. Distraidamente, ele se lembrou que precisava passar na lavanderia mais tarde para deixar suas roupas e as de Sirius. Esta breve distração, porém, logo esvaeceu e a imagem de sedutores olhos vermelhos e o sabor de lábios pecaminosos regressaram à sua mente. E Harry teve absoluta certeza de que não conseguiria olhar para Tom outra vez sem que o seu rosto adquirisse uma patética colocação avermelhada.
- Maldito Tom... – resmungou infeliz, o rosto ainda enterrado no travesseiro.
Maldito beijo.
Maldito calor que insistia em envolver seu corpo.
De repente, porém, a alegre voz de seu padrinho interrompeu suas lamúrias, chamando-o do outro lado da porta:
- Hey, campeão, são 07h00min. Você já está pronto?
- Não... – murmurou ainda agarrado ao travesseiro, como se este pudesse protegê-lo do mundo lá fora.
- Harry? – chamou o maior, obviamente sem ouvir a resposta anterior. E ao não obter qualquer sinal de vida do afilhado, Sirius revirou os olhos e entrou no quarto – Vamos lá, dorminhoco, saia desta cama.
Mas o menor nem se mexeu, ignorando o colchão afundar ao seu lado, sob o peso de seu padrinho.
- Ora, eu sei que você não tem aulas hoje, mas não precisa estar no hospital antes das oito?
- Humm...
- Harry?
- Humm...
- Harry!
- Eu não vou – murmurou finalmente e Sirius logo se assustou:
- O que? Por quê? Você está doente?
- Sim – mentiu – Por favor, ligue para o Remus e o avise por mim.
- Tudo bem, campeão, apenas espere aqui, eu vou fazer o café da manhã e trazê-lo para você com uma aspirina.
- Apenas não me envenene com os seus dotes culinários.
- Engraçadinho, procure manter a boca fechada para não piorar – brincou. E Harry sorriu, observando o maior desaparecer em direção à cozinha.
Pelo menos hoje ele não precisaria enfrentar Tom.
Mas não poderia fugir para sempre.
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Naquele dia, então, Sirius saiu para o trabalho deixando-o deitado na cama, sob dois cobertores, com uma bolsa de água quente na cabeça e um termômetro digital na boca. O telefone do restaurante delivery estava na mesinha de cabeceira, ao lado do telefone da emergência e de um copo de água.
Céus...
Seu padrinho era tão exagerado.
Revirando os olhos, Harry se levantou da cama e foi assistir TV na sala. Na hora do almoço, quando Hermione apareceu com uma tigela de sopa para visitar o amigo, ela se deparou com uma impensável, porém não menos divertida cena: um deprimido Harry estava enrolado num edredom azul marinho de estampa listrada, comendo uma barra de chocolate sozinho enquanto assistia "O Diário de Bridget Jones", lamentando-se que todos os homens não pudessem ser iguais a Mark Darcy, ao invés de perigosos doentes mentais incrivelmente sedutores e de lábios pecaminosos.
- Minha nossa, Harry, você está naqueles dias?
- Muito engraçado, Mione – bufou, jogando uma almofada na amiga.
- Vamos, conte-me o que aconteceu para você fingir que estava doente para não fazer residência hoje – pediu com suavidade, sentando-se ao seu lado no sofá, enquanto o encarava com um brilho de perspicácia em seus bonitos olhos castanhos.
- Você não vai gostar de saber.
- Tenho certeza disso, mas me conte mesmo assim.
- Bem... – suspirando, Harry começou seu relato.
Instantes depois:
- ELE BEIJOU VOCÊ?
- Mione, não grite!
- Desculpe – murmurou ela – mas Harry, isso é errado, além de ser perigoso, muito perigoso!
- Eu sei.
- Não parece que sabe.
- Acredite, eu sei – suspirou, encolhendo-se sob o edredom – fiquei pensando nisso a noite inteira.
Com um balançar de cabeça, resignada, a menina continuou:
- Você deve esquecê-lo, Harry, não haverá benefício algum nesta "relação". Na melhor das hipóteses você perde sua licença médica, na pior, sua vida.
- Eu sei, não precisa ser tão dramática, eu já me propus a tirá-lo da cabeça.
- Ótimo, agora me fale sobre Cedric.
- O que? – engasgou, atordoado com a mudança abrupta de tema.
- Cedric, o cara alto, forte, de belos olhos e cabelos castanhos, sorriso bonito, incrível habilidade como capitão do time de Rúgbi e inteligência admirável que está caidinho por você. Lembra-se dele? O deus grego que será seu namorado?
Com o rosto levemente corado, Harry revirou os olhos, mas não desmentiu a amiga:
- Estivemos conversando por mensagens – confessou, olhando de soslaio para o Blackbarry, que descansava na mesinha ao lado do sofá – combinamos de jantar no Churchill Arms...
- Eu adoro esse pub! É o mais badalado de Londres!
- Sim, Cedric conseguiu uma reserva especial para nós dois.
- E depois?
- Depois do jantar vamos assistir a um filme no cinema, mas não sabemos ainda o que está passando, vamos escolher na hora.
- E depois? – perguntou sugestivamente – Você sabe que ele mora sozinho em seu próprio apartamento perto do campus, né?
- Hermione!
- O que? Eu só estava comentando, oras!
- Sei... – com um sorriso divertido, Harry fez sua própria pergunta maliciosa para a amiga – E quanto a você e ao Krum? Como estão as coisas?
Victor Krum, namorado de Hermione, era o mais jovem e talentoso jogador do Chelsea F. C. Os dois haviam se conhecido na escola primária e depois, no ensino médio, o talentoso esportista finalmente conseguira coragem para convidar a bonita menina que vivia sempre com a cara enterrada nos livros para sair. Seis anos depois, eles ainda estavam juntos. E mesmo que seu coração batesse mais forte quando estava na presença do jovem autista de cabelos ruivos, Hermione sabia que seria com Victor Krum que ela construiria sua vida.
- Ele anda estranho ultimamente.
- Estranho?
- Sim, mais calado que o habitual. Outro dia, enquanto passeávamos no Westfield Stratford City, ele parou em frente à Cartier e ficou mais de dez minutos olhando as jóias pela vitrine.
- É mesmo? – Harry sorriu. Ele sabia que sua melhor amiga era incrivelmente inteligente para algumas coisas, mas para outras, era tão ingênua quanto uma criança pequena.
- Sim, então eu o deixei lá e fui para a livraria do shopping, porque você sabe como eu adoro aquela livraria.
Harry riu, e Hermione arqueou uma sobrancelha, genuinamente confusa. No entanto, ele a deixaria desvendar o mistério sozinha, talvez quando Krum se colocasse sob um joelho e criassem coragem para fazer o pedido. No fundo de sua mente, Harry acabou evocando a imagem de Tom sob um joelho, estendendo-lhe uma caixinha de veludo com as mãos manchadas de sangue. Dentro da caixinha, um belo anel de diamantes tingido de vermelho, o dedo decepado de sua última vítima destacando-se sobre o veludo.
Imediatamente, o jovem médico balançou a cabeça, afastando a imagem perturbadora.
Um arrepio de medo percorreu sua espinha.
Ele precisava se afastar de Tom...
...pelo bem se sua própria sanidade.
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Durante os próximos dias, Harry cumpriu aquilo que havia proposto a si mesmo e passou a ignorar Tom. Era sempre outro médico a visitar a ala Slytherin e Harry fazia questão de nunca estar presente na sala de recreação ou no pátio quando os pacientes desta ala fossem para lá. Ele mal havia visto Tom ao longo desses dias, mas na quinta-feira, durante o seu plantão, Harry foi chamado às pressas pelos dois enfermeiros que, naquela noite, cuidavam da ala Slytherin.
Antonin Dolohov estava aos gritos, consternado. Lágrimas de desespero banhavam seu rosto desfigurado enquanto investia contra a porta de ferro de seu quarto com tanta força que era possível ouvir o barulho de alguns ossos se quebrando, mas Dolohov parecia não se importar. Ele estava completamente descompensado, gritando com todas as forças de seus pulmões para quem quisesse ouvir:
- FOGO! FOGO! EU PRECISO DE FOGO! ME DÊ! AGORA! EU PRECISO!
Com a ajuda dos dois enfermeiros e de alguns seguranças, Harry conseguiu contê-lo, administrando uma ampola de Diazepam. Instantes depois, Dolohov finalmente caiu inconsciente no chão.
- Por favor, levem-no para a ala de emergência – Harry pediu – Tenho certeza de que alguns ossos foram quebrados.
Após um breve aceno ao jovem médico, os dois homens se afastaram com o paciente desacordado sobre a maca e seguiram escoltados pelos seguranças até a saída da ala Slytherin. No instante seguinte, ao ver-se sozinho, Harry se assustou ao distinguir uma sombra alaranjada à suas costas.
Virando-se, ele congelou.
Da janela da porta de seu quarto, com um malicioso sorriso nos lábios, Tom acendia e apagava um isqueiro de bolso. Acendia e apagava, acendia e apagava... E agora, Harry entendia porque Dolohov, diagnosticado com piromania, havia surtado. De repente, Harry se viu irritado. Muito irritado. E sem pensar duas vezes, sem sequer ponderar as conseqüências de seus atos, o jovem médico cruzou o corredor, destrancou a pesada porta e ingressou no quarto de Tom:
- Onde você conseguiu isso? – demandou, irritando-se ainda mais com a risadinha que se seguiu:
- Ora, ora, se não é o meu pequeno médico favorito!
- Tom... – os belos olhos verdes se estreitaram em advertência.
- Eu peguei emprestado de um dos enfermeiros – respondeu divertido, jogando o isqueiro para o médico, que o pegou habilmente no ar – Ele deveria saber que fumar faz mal a saúde.
- Ao "pegar em prestado", você quer dizer que tirou do bolso do pobre coitado sem que este percebesse?
- Exatamente.
- Eu não sei o que você queria com essa brincadeira, Tom, mas agora Dolohov está com sabe-se lá quantos ossos quebrados por sua causa!
- Oh, que terrível lástima... – respondeu ironicamente.
Harry, por sua vez, lançou um último olhar irritado ao homem maior antes de se virar para sair do local. Contudo, a mão de Tom rapidamente agarrou seu pulso, trazendo-lhe para o peito largo e forte de seu paciente:
- Aonde você pensa que vai, Harry?
- Solte-me.
- Não – com um pequeno sorriso, Tom enterrou o rosto no pescoço macio do menor e começou a saborear a pele alva com pequenos beijos. E Harry, amaldiçoando-se silenciosamente, sentia um arrepio de puro deleite percorrer sua pele – Eu prefiro tê-lo em meus braços, dócil e obediente, entregando-se a mim.
- Deixe-me ir, Tom!
- Não, você deve aprender onde é o seu lugar, a quem você pertence, pequeno.
Harry estava começando a ficar assustado. O tom de voz de seu perigoso paciente era baixo e frio, com um toque de ressentimento e irritabilidade, e o aperto na estreita cintura do menor ficava cada vez mais forte, como se Tom desejasse aprisioná-lo em seus braços.
- Você achou mesmo que poderia fugir de mim?
- Não, eu só...
- Achou que poderia escapar? Que poderia se esconder e me ignorar durante todos esses dias? Achou que eu fosse esquecer o nosso beijo, ou pior, que você fosse conseguir esquecer?
- E-Eu...
- Mas você não conseguiu, não é mesmo? E nem poderá esquecer, porque os seus lábios pertencem a mim, você pertence a mim, Harry!
- Eu não pertenço a ninguém! – gritou, mas em resposta à suas palavras, Tom o jogou sobre o único móvel do quarto, uma pequena cama de lençóis brancos, e o aprisionou sob seu corpo. Ambos os rosto estavam a escassos centímetros agora, as respirações agitadas se chocando, os olhos verdes brilhando de medo e excitação contida enquanto os vermelhos refletiam apenas desejo e possessividade.
- Não ouse me ignorar outra vez, Harry – advertiu perigosamente no ouvido do menor – não ouse negar que você é meu.
Parecia que a distância imposta por Harry havia servido apenas para alimentar a obsessão de Tom. E agora, o jovem médico começava a entender o perigo de sua situação:
- T-Tudo bem, m-mas deixe-me ir... – murmurou debilmente, o coração acelerado devido a um irreconhecível sentimento ao ver-se aprisionado sob o corpo daquele homem que fora considerado um perigoso e cruel assassino.
Medo.
Sim, só podia ser medo.
Harry dizia a si mesmo: o que ele estava sentindo era medo, nada mais que isso.
Com um sorriso malicioso, Tom empurrou os quadris para frente e um gemido assustado escapou dos lábios do menor, que pôde sentir facilmente a excitação de seu paciente. Mas antes que pudesse protestar – ou implorar mais uma vez para que Tom o soltasse – Harry sentiu seus lábios serem capturados pelos do maior. Um beijo violento e possessivo se seguiu, um beijo que o dominava por completo. E Harry, choramingando na boca de Tom, sentia sua própria excitação se erguer. Mas no momento em que as hábeis mãos de seu paciente começaram a acariciar sua pele por debaixo da camisa pólo branca, um repentino estalo pareceu despertar seus sentidos.
Então Harry começou a lutar para se soltar.
Mas quando Tom se colocou entre suas pernas, as lágrimas de desespero ameaçaram escapar. Ele não queria perder sua virgindade na cama de um hospital psiquiátrico, de forma violenta, bruta, insensível, com um assassino condenado por mais de quarenta assassinatos. Ele não queria! Queria...?
Pouco a pouco, Harry se via arrastado pelas sensações de medo e excitação. E naquele momento, seu único desejo era poder controlar seu próprio corpo e o que este verdadeiramente desejava, poder pensar com clareza e ordenar suas prioridade. Por esse motivo, ele se pôs a implorar:
- Por favor, me solte... Por favor... Por favor, Tom...
Tom, por sua vez, deteve seus movimentos bruscos e beijou suavemente um pequeno rastro de lágrimas.
- A quem você pertence, Harry?
- A você, Tom. Eu pertenço a você – inconscientemente, Harry se sentia aliviado ao pronunciar tais palavras, ao dizer a verdade – Mas, por favor, deixe-me ir.
Com um olhar satisfeito ao pequeno corpo tremendo, Tom se levantou, deixando o menor livre para sair. E Harry, ainda soluçando levemente, sequer parou para ajustar suas roupas amarrotadas, ou secar as lágrimas, mas seguiu imediatamente em direção à porta, sem olhar para trás.
Antes de cruzá-la, porém, a obscura voz de Tom lhe advertiu:
- Não tente fugir de mim novamente, pequeno. Caso contrário, eu não irei parar da próxima vez.
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Harry saiu do quarto de Tom e seguiu pelos corredores desertos sem ser visto. Quando suas pernas finalmente cederam, ele estava num corredor mal iluminado que conectava as alas Hufflepuff e Ravenclaw. Lentamente seu corpo escorregou para o chão e Harry se viu olhando fixamente para uma das paredes brancas enquanto tentava conter as lágrimas e normalizar a respiração. Harry estava assustado. E contra todo o prognóstico, ele não estava assustado com a forma violenta e possessiva com a qual Tom o havia tratado. Não... Ele estava assustado consigo mesmo, com as reações de seu próprio corpo e o fato de que este havia desfrutado de cada toque, cada beijo, cada carícia... Ele havia desfrutado, gemendo nos lábios de Tom, antes da consciência abatê-lo e as lágrimas começarem a derramar de seus olhos. Lágrimas que refletiam apenas a confusão que consumia sua mente.
Pois um lado obscuro seu queria que Tom continuasse.
Ele queria desesperadamente que aquele homem diagnosticado com severos distúrbios mentais, que um de seus pacientes, que um perigoso assassino tirasse sua virgindade!
Céus, ele precisava afastar estes pensamentos.
Ele precisava se afastar de tais sentimentos. Deste desejo insano.
Harry precisava entender que Tom Riddle nunca seria o homem certo, que os dois nunca poderiam compartilhar suas vidas. Harry precisava de amor, atenção, proteção e carinho... Ele precisava... Ele precisava... Ele precisava de Cedric! Sim, isso mesmo, ele precisava de Cedric!
Cedric era o homem certo para a sua vida.
Cedric era o homem certo para a sua vida.
Cedric era o homem certo para a sua vida...
Repetindo essas palavras em sua mente, Harry se levantou, desamarrotou o jaleco branco, colocou um sorriso trêmulo no rosto e tentou se animar com o fato de que amanhã era sexta-feira, dia de seu encontro com Cedric, com o homem certo para sua vida, com o homem que o faria esquecer Tom Riddle.
- A noite de hoje não aconteceu – murmurou para si mesmo e com passos suaves, mas decididos, Harry seguiu seu caminho.
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- Você está especialmente bonito hoje, Harry – comentou Hermione, sorrindo sugestivamente enquanto avaliava a aparência de seu melhor amigo: de fato, Harry estava encantador usando uma calça jeans preta que apertava nos lugares certos emoldurando suas curvas e uma camisa leve de puro algodão, verde-clara, que acentuava o cálido brilho de seu olhar.
- Obrigado, Mione.
- Cedric é um cara de sorte.
Com uma piscadela, a menina seguiu para a ala Slytherin a fim de conferir o quadro de medicamentos dos pacientes, enquanto Harry seguia para a ala Gryffindor, pois, naquele dia em especial, o jovem médico queria se manter o mais longe possível de Tom Riddle.
Contudo, no final da tarde, Harry se viu obrigado a acompanhar Draco e Hermione à sala de recreação para ajudá-los a monitorar os perigosos pacientes da ala Slytherin. De qualquer forma, o jovem médico procurou se manter afastado o tempo todo, sem se atrever a reconhecer o persistente olhar escarlate que parecia queimar sua nuca. E assim, Harry permanecia próximo ao balcão de distribuição de medicamentos conversando com Hermione e ignorando Tom, sem sequer reconhecer sua presença, como se a agradável conversa da noite anterior nunca tivesse existido.
- Você parece ansioso – sua amiga sorria animadamente – vamos, acalme-se, faltam apenas quinze minutos para as seis horas, logo você poderá ver o seu namorado.
- Ele ainda não é meu namorado.
- Tem razão, ainda... Mas garanto que no final da noite ele será.
- Hn.
- Então vocês poderão ir para o apartamento dele e...
- Mione! – o belo rosto de traços finos se viu imediatamente tingido de vermelho e, pelo canto dos olhos, Harry notou que Tom o observava atentamente mantendo um livro qualquer aberto em seu colo enquanto todos os outros pacientes se mantinham afastados dele. Antonin Dolohov, cabe destacar, ainda estava na UTI a fim de curar suas graves fraturas.
Mas antes que Harry pudesse repreender a indiscrição de sua amiga, o celular vibrou no bolso do jaleco.
Uma nova mensagem:
Olá Harry,
Estou no estacionamento do hospital esperando por você.
Desculpe por chegar mais cedo, mas eu já não podia esperar mais para te ver... Bem, aguardo sua chegada.
Beijo.
- Que bonitinho, ele colocou uma carinha sorrindo! – disse Hermione, animada, lendo a mensagem por cima de seu ombro sem qualquer cerimônia – Ande logo, vá encontrar o seu príncipe encantado!
- Mas...
- Vá logo atrás do seu Romeu!
- Mas eu ainda... Hey! Eu não sou a Julieta!
Rindo, a jovem médica ignorou seu protesto:
- Vamos, faltam apenas quinze minutos para o final do seu turno, não se preocupe, eu aviso ao Remus que você precisou sair mais cedo.
- Ok. – murmurou, o rosto ainda corado de vergonha – Obrigado, Mione.
Com um pequeno sorriso e um beijo estalado na bochecha de sua amiga, Harry seguiu para a saída. Contudo, antes de chegar às portas da sala de recreação, seu olhar cruzou com o de Tom, e o menor imediatamente estremeceu ao notar o perigoso brilho refletido naquelas belas jóias escarlates. Então, abaixando a cabeça, Harry andou mais rápido e saiu da sala sem olhar para trás.
"Concentre-se em Cedric. Concentre-se em Cedric. Cedric... Uma relação saudável, possivelmente estável e duradoura..." – Harry repetia em sua mente, segurando o Blackbarry como se este fosse sua tábua de salvação.
Na sala de recreação, Tom estreitou os olhos perigosamente.
Foi quase a ação de uma força suprema, de um sexto sentido próprio de alfas que pressentem os adversários que o impeliu a se levantar e se aproximar da janela protegida por grades de ferro, que oferecia uma privilegiada vista do estacionamento do hospital. E Tom não gostou nem um pouco do que viu, quando, minutos depois, ele viu Harry – o SEU Harry – se aproximar de um homem alto de cabelos castanhos, que parecia esperá-lo ansiosamente do lado de fora de um carro esporte muito caro e, possivelmente, recém polido, um Land Rover se ele não estava enganado.
- Cedric Diggoy – informou uma voz arrastada ao seu lado.
- E quem é esse? – perguntou Tom. E Malfoy, mesmo sem se atrever a encarar os olhos demoníacos daquele perigoso assassino, respondeu com um sorrisinho debochado:
- O novo namorado de Harry.
No momento em que as venenosas palavras de Malfoy ressoaram em sua mente, Tom observou Harry beijar brevemente os lábios daquele homem e ingressar em seu carro.
Naquele instante, os olhos vermelhos ganharam um brilho assassino.
E dentro do carro, Harry sorriu, sem saber do perigo que estava correndo.
Continua...
Próximo Capítulo: O tapa que Harry havia desferido contra seu rosto ainda ardia, mas Tom, olhando para a porta pela qual o jovem médico acabara de sair, não podia conter um sorriso obscuro:
- Parece que está na hora de eu sair deste lugar e provar que você pertence a mim, Harry.
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N/A: Olá meus amados, compreensivos e queridos leitores... Eu realmente não tenho palavras para me desculpar pela demora absurda em atualizar esta história. Mas devo confessar que estou a um passo de enlouquecer – ok, talvez seja necessário um pouco menos de dramatização –, as faculdades estão consumindo minha alma... Entre TCC, Artigo Científico, provas, trabalhos, aula de inglês, latim e etc., é quase impossível arrumar tempo para atualizar minhas histórias. Contudo, prometo não sucumbir!
Em momento algum eu quero que vocês se sintam abandonados, meus queridos leitores! Porque mesmo que eu demore um mês – ou dois, ou três –, eu nunca deixarei vocês de lado! Então, por favor, esperem... Esperem pacientemente, eu vos rogo, porque em algum momento eu voltarei a postar novos capítulos!
Por esse motivo, é com muito carinho que eu gostaria de agradecer suas belas REVIEWS!
E principalmente, aos lindos e incentivadores comentários de:
nicoly delayr (Feliz aniversário, querida, você acaba de ganhar um novo capítulo de presente! Espero que goste!)... Joana A... SarahPrinceSnape... Aziza Phoenix... kellyngthongomes... Pandora Beaumont... aishiteru naru... GakuenAlicefan27... SSkittyblue... Kimberly Anne Potter... Laura... Srta Laila... TaiSouza... Sandra Longbottom... Dyeniffer Mariane... E lunynha!
Um grande beijo! E muito obrigada mais uma vez pelas Reviews maravilhosas!
Vejo vocês no próximo capítulo de Destinos Entrelaçados, que espero poder postar em breve! Talvez eu consiga um vira-tempo que funcione... –suspira– Hehe...
Até a próxima!
