Capítulo 3

"O mestre Himura já acordou?"

Ainda com os pensamentos longe, Aoshi não percebeu que tinha alguém atrás dele. Com o susto, deixou cair a bacia com água.

"Está bem?"

Aoshi levantou os olhos para a pessoa. Era um dos novos, qual era mesmo o nome dele?

"Ele está".

Ele está agora soava tão estranho já que ele sabia a verdadeira identidade do Battousai. Enquanto pegava a bacia que deixara cair, viu o novato rindo do que acontecera.

"Hahahaha... você é engraçado. Mas ele está bem, não é? Sinceramente não vi que ele estava machucado quando chegamos aqui".

Era estranho notar, porque Aoshi presenciou tudo, só notou pequenos cortes, não uma mancha imensa de sangue ou algo do tipo. Ela deve ter suportado muito bem.

"Para falar a verdade, nem eu notei. Mas ela...digo... ele está bem".

"Ar... está bem. Mande minha melhoras a ele".

Por pouco. Tinha que se controlar agora. Sabia demais e um deslize os outros também saberiam.

________________________________x_____________________________________

"Shinta..."

Só via sangue. Só vai o cintilar da espada.

"Shinta..."

Estava escuro. Muito escuro.

Tinha medo. Tinha frio. Ela iria morrer.

"Shinta!! Olhe pra mim, Shinta!!"

Ela olhou para o rosto em sua frente. Sua mãe chorava. Tinha sua face ensanguentada com o sangue dos outros.

"Shinta. Aconteça o que acontecer...eu a amo...lembre-se. Por favor, não olhe pra fora, Shinta, olhe pra mim..."

Ao desviar a atenção viu a silhueta de um homem vindo atrás de sua mãe. Viu o cintilar da espada contra a luz da lua.

"Shinta... olhe pra mim, não desvie seus olhos dos meus..."

Um grito.

Kenshin acordou sobressaltada. Um sonho que a muito tempo não tinha. Sentiu seu ferimento arder um pouco, mas isso era o de menos.

Aquele sonho que a muito tempo não tinha. Sua mãe e sua família sendo morta em sua frente. Estava suada e assustada. A dor não era nada comparado ao terror psicológico.

Sentia o arfar de seu peito, não conseguia pensar direito.

Ouviu a porta se abrindo e se assustou com o barulho. Era Aoshi, mas viu que não estava propriamente coberta. Ainda bem que era ele.

"Trouxe algo para você comer. Melhor se cobrir, ou alguém estrará aqui e verá você".

Enquanto Aoshi colocava a comida em uma pequena mesa, Kenshin ajeitava suas vestes. Sentia desconfortada com aquilo.

"Teve um pesadelo?"

"Como?" se espantou com a pergunta. Estava tão obvio assim?

"Perguntei se teve um pesadelo. Se assustou com muita facilidade quando abri a porta".

Ela nada respondeu, fechou a cara e desviu os olhos dele. Aoshi entendeu como um sim, mas não quis irritar mais a garota. Apenas colocou a mesinha mais próxima dela, para que comesse a comida.

Enquanto ela comia, ele ficou a observando e pensando na situação em que se metera. Ela viu isso e depois de um longo tempo falou:

"Vai ficar aí parado?"

"Ãhn? Ah, nada, só estava pensando em algo".

Kenshin deu de ombros e continuou a comer. Aoshi viu que seria mais difícil conversar com ela depois desse incidente.

Terminado, Aoshi começou a pegar os utensilios, mas este não reparou no olhar distante de Kenshin. Ela ainda se lembrava do sonho como se tivesse acontecido naquele instante. Os gritos. O sangue. As pessoas mortas. Sua mãe gritando seu nome...

"...Himura? Himura, está me ouvindo?"

Aos poucos voltou, mas não se alarmou, ficou em silêncio.

"Estou..."

"Deseja algo mais?"

Ela balançou a cabeça em sinal negativo, mas também não se virou para Aoshi. Quando ele saiu, ela abaixou a cabeça e chorou silenciosamente. Era doloroso demais se lembrar daquilo, mas devia a sua mãe por estar viva.

__________________________________x___________________________________

Aoshi viu o olhar distante dela. Ele também ouviu ela balbuciar algo quando chegava perto de seu quarto. Deveria ter sido um pesadelo e tanto.

Mais alguns dias e ela estaria nova em folha. E poderia acertar as contas. Era estranha essa situação. Muito estranha, mas ao mesmo tempo divertida.

Aoshi soltou um pequeno sorriso enquanto caminhava devolta para o seu quarto.