Esta história e os personagens contidos nela não me pertencem.
A história é uma adaptação da autora D Leclaire - The Twenty-Four-Hour Bride.
Personagens de Masashi Kishimoto.
Boa leitura! :D
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Capítulo 2 – Bom Demais Para Ser Verdade
Se sentia algum arrependimento por coagir Sakura, Sasuke não o demonstrava. Era como se apenas lhe houvesse sugerido colocar molho branco em vez de vinagrete na salada.
— Um ano — reiterou ele. — É tudo o que estou pedindo. Você nos ajuda a firmar nossas vendas domésticas e, no primeiro aniversário do bebê, compro a sua parte na empresa, se ainda estiver querendo vender.
— E o casamento?
Ele não respondeu de imediato. Frustrada, Sakura desejou poder interpretá-lo tão facilmente quanto ele parecia interpretá-la. Por que conseguiria agora, se durante os cinco anos em que conviveram como sócios nunca de cifrou seus pensamentos?
— Não se pode manter o que nunca se teve — filosofou ele, por fim, em tom crítico.
— Fale claro, Uchiha. Vai me dar o divórcio?
— Você estará livre em um ano. Só quero que prometa que não irá para longe.
— Vou ter de permanecer em San Francisco?
— Quero meu filho, ou filha, por perto. É pedir demais?
É quase gritou Sakura, mas se conteve. De qualquer forma, ele devia ter adivinhado a resposta, a julgar pela amargura que brotou em seus olhos ônix.
—Desculpe-me — murmurou ela, pesarosa. — Não estou tentando dificultar as coisas, mas você me pegou desprevenida!
— Eu também fui pego desprevenido.
— Eu sei. Mas essas exigências...
— São mais que razoáveis.
— Eu não acho! — Sakura fechou os olhos, lutando para se recompor e para bloquear as lágrimas que vinham fácil ultimamente. — Sasuke, isto não devia ter acontecido.
— Mas aconteceu. Goste ou não da ideia, vai dar à luz um filho meu.
Agachando-se ao lado dela, Sasuke estendeu o braço sobre o ventre dilatado, mas então se deteve, a mão espalmada pairando poucos milímetros acima da criança. Foi só por um instante, mas ela viu sua máscara de indiferença cair, expondo um anseio agridoce de tocar o bebê, de sentir a vida que crescia lá dentro. Mas o controle voltou a congelar-lhe as feições.
Quando ele já recuava, ela impulsivamente agarrou-lhe as mãos e apertou-as com força contra sua barriga enorme. Sabia que o que ele mais queria era sentir a vida do filho pulsando. O calor de suas mãos grandes espalhava-se deliciosamente por todo seu ventre maduro.
— O bebê costuma se mexer bastante a esta hora do dia — confidenciou Sakura.
Mal ela acabou de falar, Sasuke sentiu vários chutes sob a palma da mão.
— É ele?! — exclamou, maravilhado.
— Já tentando sair. Pelo menos é o que parece.
Ele apertou os lábios e baixou os cílios sobre os olhos ônix que ameaçavam denunciar uma emoção. Passou a demonstrar apenas uma curiosidade moderada.
— Dói? — quis saber.
Se só a proximidade de Sasuke já a perturbava, o que aquele contato físico não ameaçava provocar!
— Não. Se bem que todo desconforto vale a pena. — Sorriu. — Vale muito a pena.
— Está... Feliz com o bebê?
— Sempre quis ter, mas Naruto... — Sakura percebeu que não era hora de criticar o falecido marido. — Sim, Sasuke, estou muito feliz com o bebê.
— Só não está feliz com o fato de eu ser o pai.
— Eu não disse isso!
— Nem precisava! Há minutos, disse que o que aconteceu entre nós no ano-novo foi uma aberração!
Sakura baixou os olhos para o barrigão.
— A situação escapou ao controle.
Sasuke recuperava o sarcasmo:
— Com certeza, não houve planejamento.
— De qualquer forma, quero o bebê — reafirmou ela, pois isso fazia toda a diferença.
— Só não quer a mim. — Ele afastou as mãos e se levantou. — Devia ter me contado há meses. Não tinha o direito de esconder essa gravidez de mim.
Sasuke tinha razão, e Sakura reconhecia o fato.
— Desculpe-me. Acho que pressenti essa sua atitude quando descobrisse.
— E que outra atitude eu poderia tomar? — questionou ele.
— Qualquer uma mais sensata, que não envolvesse casamento.
Sakura jamais voltaria a confiar num homem, não de todo o coração, nem a ponto de assumir um compromisso sagrado como o matrimônio.
— Pois não vou mudar de ideia, nem minhas exigências — finalizou Sasuke. — Está de acordo com meus termos, ou não?
— Tenho alguma escolha?
— Não.
— Posso me recusar a me casar com você.
— Mas não vai fazer isso.
Sakura conseguiu encará-lo tão impessoalmente quanto ele.
—Vou, sim, Sasuke.
Ele respirou fundo.
—Receio que esteja cometendo um erro.
Ela odiava quando ele adotava aquela postura e expressão felinas, como um tigre prestes a investir. Principalmente quando focalizava a ela, pois isso significava que ela era a presa e estava para sucumbir.
— Que erro?
— É só eu pegar esse telefone, ligar para seus pais e fim de jogo. — Sasuke não pôde conter o sorriso vitorioso. — Xeque-mate, queridinha.
Sakura olhava-o boquiaberta, incrédula e furiosa.
— Você não faria isso...
— Quer apostar? A esta altura, eles já devem saber que você está grávida.
— Teria sido um pouco difícil esconder isso deles.
— Eles sabem quem é o pai?
— Não.
Ele alargou o sorriso. Ela recordou quão despudoradamente beijara aquela boca na tal noite inesquecível.
— Como acha que reagiriam ao saber que sou eu o pai da criança?
— Depois de se levantarem do chão, você diz? — retrucou Sakura.
— É, depois.
— Eles ficariam muito zangados — preveniu ela, tentando intimidar. — Muito zangados.
— Até eu explicar que não sabia da sua gravidez.
Ela contraiu a boca.
— É, até você explicar.
— E quando eu dissesse que gostaria de me casar com você...
— Ficariam exultantes — completou ela.
— Foi o que pensei. — Sasuke concedeu-lhe alguns segundos de reflexão antes de aplicar o último golpe: — Pronta para reconhecer a derrota?
Sakura fumegava em silêncio. Sasuke conhecia muito bem seus pais, fervorosos adeptos da unidade familiar. Seis meses antes, haviam recebido com alegria a notícia de que seriam avós, mas encararam mal sua recusa em revelar o nome do pai do bebê, bem como a ideia de desposá-lo. Podia contar com seu amor e apoio, mas sabia que os magoara e decepcionara muito.
Estava derrotada, mas fez Sasuke esperar dois minutos inteiros antes de se manifestar:
— Casamento por um ano. Continuo colaborando com a SSI, mas você compra a minha parte ao final desse período. Combinado?
— Combinado. — Ele consultou o relógio de pulso. — Passo aqui amanhã às nove horas para irmos ao cartório. Vou falar com o juiz Sarutobi. Se ele conseguir abreviar os trâmites, ao meio-dia estaremos casados.
— Tão rápido?
— Não temos muito tempo, concorda?
Sakura odiava o fato de Sasuke estar sempre certo. Mas já concordara em desposá-lo e não havia por que adiar o inevitável. Não se quisesse que o bebê tivesse o nome do pai.
— Acho que não vai dar para nos casarmos na igreja, então...
— Importa-se?
— Importo-me. Mas, dadas às circunstâncias... — Sasuke deu de ombros.
— Seus pais vão querer estar presentes, imagino. — Sakura sorriu, cansada.
— Creio que não conseguiríamos evitar.
— Ficamos assim, então.
Passaram alguns segundos em silêncio. Por fim, Sakura levantou-se, desajeitada devido à barriga grande, constrangida devido à presença do homem que logo seria seu marido.
—Vou acompanhá-lo.
Ele não recusou, e caminharam juntos pelo corredor até o saguão de entrada.
— Tome conta dela, Gem — instruiu Sasuke ao sistema de segurança. — E me avise se houver algum problema.
— RECOMENDAÇÃO REGISTRADA, SENHOR UCHIHA. BOA TARDE.
Sakura olhou brava para o painel de controle do sistema.
— Espere só um minuto...
— Está para dar à luz a qualquer momento, Sakura — cortou Sasuke, num tom condescendente que a fez ferver de raiva. — Só estou prevenindo o sistema quanto à complicações de última hora. Gem vai tomar conta de tudo.
— Não gosto de ser espionada!
— Gem não está espionando. Está protegendo você. É sua função.
— Por ora — avisou Sakura.
— Até que eu diga o contrário — corrigiu ele.
— Até que eu descubra os códigos de anulação. — Cansada de discutir, Sakura perguntou o que estava querendo saber desde a chegada inesperada de Sasuke. — Por que voltou antes do planejado?
— Digamos que tive um pressentimento.
Ela ergueu o sobrolho.
— Um pressentimento, é? Você, Sasuke?
Ele não pareceu se perturbar com a insinuação.
—Ao contrário do que imagina, Sakura, não sou um computador.
Com isso, Sasuke transpôs a soleira e se foi.
Sasuke permanecia na varanda da casa de Sakura, de costas para a porta que ela acabara de bater. O simbolismo da cena não lhe passava despercebido, tampouco a ironia daquela situação. Mais uma vez via-se abandonado ao relento. Uma imagem assaltou-lhe a mente, a de um garotinho estóico.
Sozinho, o garoto via à frente uma vaga de estacionamento vazia. A suas costas, um feio prédio escolar projetava-se contra um lúgubre céu de inverno. Enquanto ele esperava, um floco de neve solitário desceu devagar diante de seus olhos, instável ao sabor de um vento gélido. Nem assim ele se moveu, alheio ao frio, à raridade da neve em San Francisco ou ao adiantado da hora. Recusava-se a liberar as emoções que lhe açoitavam a alma. Lágrimas seriam inúteis, mesmo que ainda tivesse a capacidade de chorar. Mas já não podia. Elas haviam se congelado, muito tempo atrás.
Por isso, continuou esperando, como sempre esperara.
Reprimindo as lembranças, Sasuke baixou a cabeça, a exemplo de um touro enfurecido pronto a atacar. Endureceu o queixo e cerrou os punhos. De novo, não. Descobriria um jeito de entrar, de alcançar o calor pelo qual ansiava. Não importava quanto tempo levasse, ainda iria se regozijar no aconchego que era Sakura.
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— Como se sente?
Sakura fez uma careta e se remexeu no desconfortável banco de madeira do lado de fora do gabinete do juiz. Não que fizesse diferença. Por mais que mudasse de posição ou massageasse os músculos contraídos à base da espinha, não encontrava alívio.
— Quer mesmo saber?
— Eu não teria perguntado, se não quisesse.
— Estou bem. Apenas toda inchada, dolorida e com mal-estar geral.
Sasuke não se divertiu, conforme ela esperara. Tampouco lançou mão de chavões inúteis. Em vez disso, estendeu o braço em torno dela e apertou o punho cerrado em suas costas junto à cintura.
— Melhorou?
Ela soltou a respiração quase gemendo de prazer.
— Onde aprendeu a fazer isso?
— Puro instinto.
Instinto?! Eis algo difícil para Sakura imaginar. Sasuke mostrara-se sempre tão metódico e disciplinado. Definitivamente, não parecia alguém que reagia a impulsos. No que se referia à impulsividade, ela era a especialista.
— Há um assunto que gostaria de discutir com você.
— Mais surpresas? — retrucou ele, irônico. — Não me diga que vamos ter gêmeos.
Vamos ter! Sakura apertou as mãos unidas no colo. Ele repetia a atitude. Destacava o laço que os unia, lembrando que tinha tanto interesse quanto ela na pequena vida que se expandia sob seu coração. E essa atitude dele abalava-a mais do que gostaria de admitir.
— Não, não vou ter gêmeos. Pelo menos o médico não comentou nada. É sobre meus pais...
— Eles virão para a cerimônia, não?
— Virão, mas... Quando lhes falei do casamento, eles ficaram com a impressão de que... bem, de que íamos nos casar por livre e espontânea vontade.
— Mas é por livre e espontânea vontade.
— Eu sei, por causa do bebê. — Sakura limpou a garganta, constrangida. — Mas eles pensam que é porque... estamos apaixonados. — Olhou-o desolada. — Não tive coragem de dizer a verdade.
Sasuke absorveu o comentário sem preocupação aparente.
— Como receberam a notícia?
— Ficaram exultantes.
E quão surpresa não ficara Sakura ante a satisfação com que os pais aceitaram Sasuke. Pensando bem, a família sempre simpatizara com ele, bem mais do que com Naruto, seu falecido marido, talvez por saberem o quanto este era deficiente em termos de honra e profundidade emocional. Sasuke podia ser de uma dignidade inabalável, mas não parecia capaz de sentimentos profundos. Sob tal aspecto, os dois maridos se mostrariam muito parecidos.
— Eles não perguntaram por que esperamos tanto tempo?
— Perguntaram. — Sakura deu de ombros. — Eu disse que adiamos a decisão até você voltar da Europa, achando que devíamos esperar mais algum tempo após a morte de Naruto para assumirmos um compromisso. E também para termos certeza de que nossos sentimentos um pelo outro não mudariam.
— E eles?
Sakura sentiu as faces queimarem.
— Eles disseram que, se estávamos certos de nossos sentimentos para dormirmos juntos, estávamos certos o bastante para nos casarmos.
— Sempre gostei dos seus pais! — festejou Sasuke, indiferente à zanga dela. — E o bebê? Eles não perguntaram por que não me casei com você tão logo soube da gravidez?
Sakura temera que ele chegasse a tal questão.
—Eu disse que você só soube do bebê ao voltar da Europa.
Sasuke olhou-a admirado.
— Mulher corajosa.
— Era a verdade. Pelo menos isso era.
— O que leva a outro enigma. Por que não me contou antes sobre o bebê?
Sakura deu de ombros.
— Você ia voltar em três meses, lembra-se? Achei melhor dar-lhe a notícia pessoalmente.
— Mentira. É o que vem afirmando a si mesma todo esse tempo, mas não entrou em contato comigo por um motivo muito simples: estava com medo.
Sakura endureceu o queixo. Nem sob tortura reconheceria a verdade daquela observação acurada. Sem ousar encará-lo, concentrou-se na parede oposta.
— Eu queria dar a notícia pessoalmente, já disse. Não tenho culpa se decidiu estender a viagem para seis meses e, depois, para nove. Ora, Sasuke, em nossa última conversa, você já falava em completar um ano de estadia lá!
— Eu teria voltado antes, se você tivesse me contado. Bolas, eu teria pego o voo seguinte se me pedisse: "volte para casa", ainda que não me contasse sobre o bebê.
Para casa? Sakura arrepiou-se à ideia.
— Bem, não foi necessário, concorda? Você antecipou seu retorno, de qualquer forma. — Novamente desconfortável, mexeu-se no banco. Nada de alívio. — Não acreditei quando abri a porta e vi você de pé na minha frente.
— Eu também fiquei espantado — replicou Sasuke, seco.
— Nesse caso, disfarçou bem.
— Anos de prática.
Sakura olhou-o curiosa.
— Quer dizer que treinou esconder as emoções? Por quê?
— Foi uma escolha lógica, na época.
Sakura não se deixou enganar pelo tom indiferente. Aos poucos, aprendia a espiar atrás daquela máscara dele. Por mais intrigante que parecesse, era como se ele implorasse que ela descobrisse aquilo que ele tanto se empenhava em esconder.
— Mas algum acontecimento deve ter imposto tal escolha. O que foi?
— Descobri a inutilidade das emoções numa fria tarde de dezembro.
— Uma epifania, Sasuke? Você? — Superada a surpresa, Sakura concluiu: — Em consequência, decidiu seguir os passos do senhor Spock? Adotou a filosofia vulcaniana da lógica sem emoção?
Os olhos ônix dele eram puro gelo.
— Digamos que nunca me apresentaram um argumento convincente para que eu mudasse de ideia.
— Algo terrível deve ter acontecido para você tomar uma decisão tão radical. — Sakura franziu o cenho, preocupada. — O que foi? Alguém magoou você?
Sasuke não teve chance de responder, presumindo que quisesse. Os pais de Sakura chegaram, mais uma leva de irmãos, irmãs, cunhados, cunhadas, sobrinhos e sobrinhas.
— Meus parabéns! — exclamou a mãe, Mebuki, beijando-a no rosto. Abraçou Sasuke, que se levantara. — Não se preocupem com nada, vocês dois, temos tudo sob controle. E não se levante, Sakura! Sasuke, não permita que ela se levante até a hora da cerimônia.
Sakura adorou ver Sasuke embasbacado. Precisava praticar mais a arte de esconder as emoções.
— Mas do que está falando, mãe? — indagou, conhecendo-a bem. — O que é que vocês têm sob controle?
— O casamento, é claro! — Mebuki bateu palmas. — Vamos lá, meninas. É preciso começar com o pé direito.
As irmãs de Sakura formaram um semicírculo em torno dela, cada uma com um presente. Ela não pôde evitar as lágrimas, embaraçada e feliz ao mesmo tempo. Embaraçada por deixá-las pensar que aquele casamento ocorreria por mais do que conveniência, feliz porque elas se importavam e faziam questão de demonstrar.
— Primeiro, uma coisa velha — anunciou Mebuki, sentando-se a seu lado. Estenderam-lhe um pacotinho. — Vamos, abra.
Sakura rasgou o papel de embrulho, sorrindo para Sasuke, que recolhia o material descartado. Quase não acreditou ao abrir a caixinha.
— O camafeu da vovó! Oh, mãe, não pode estar se separando dele...
Com cuidado, abriu o fecho minúsculo e puxou a tampinha dupla. Dentro havia uma foto sua e uma de Sasuke. Ele espiava por sobre seu ombro.
— Onde conseguiram essa foto? — Ele pensou bem e se lembrou. — Ah, foi numa festa de Natal, há dois anos.
— Deu um pouco de trabalho, mas somos uma família decidida. — Mebuki passou a mão na barriga de Sakura. — Assim que este pimpolho der o ar da graça, vamos acrescentar a fotinho dele. E ainda sobra espaço para mais uma. — Deu-lhes uma piscadela. — Como Sakura adora crianças, tenho certeza de que esse espaço logo estará preenchido. Depois, é por conta de vocês.
O rubor tomou as faces de Sakura, ao mesmo tempo em que lhe estendiam outro presente.
— Uma coisa nova? — arriscou, tocando na fita cor-de-rosa. Puxou a tampa da caixa e paralisou-se. Era uma fronha branca com dois monogramas em rico bordado: um "U" entrelaçado num outro "H".
— Como não sabíamos o tamanho certo da roupa de cama, vamos encomendar o resto assim que nos disser— explicou Mebuki. — Gosta?
Sakura mordiscou o lábio, embaraçada. Como não pen sara nisso? Seus pais imaginavam que Sasuke e ela, uma vez casados, passariam a viver como marido e mulher de verdade, partilhando uma casa e uma cama. Esforçou-se por manter a mão firme ao sentir a textura do trabalho manual.
— É lindo! Obrigada.
— Nossa cama é king-size — informou Sasuke, para desalento de Sakura.
Mebuki alegrou-se.
— Vou fazer a encomenda assim que chegarmos em casa!
— Agora, uma coisa emprestada — anunciou Suzume, irmã mais velha de Sakura. — Usei isto no meu casamento, deve se lembrar. — Estendeu-lhe uma grande caixa quadrada. — Você achou tão lindo. Eu empresto.
Sakura removeu com cuidado as camadas de papel de seda, até se revelar o chapéu de aba larga que Suzume usara no lugar do véu. Delicado e feminino, o acessório, enfeitado com uma larga fita e imenso laço de cetim, prendera seus cabelos róseos com perfeição. Sem dúvida, lhe cairia igualmente bem. Tinha o mesmo tom de branco do vestido que escolhera para a cerimônia, e o laço combinava com o debrum no corpete.
— Obrigada, Suzume. — Esforçava-se por manter um sorriso, emocionada com a consideração da família. Não esperara nada daquilo, quando deveria. — Prometo de volvê-lo intacto.
Prestativo, Sasuke tirou o chapéu de dentro da caixa e ajeitou-o sobre seus cabelos, inclinando-o de modo que a aba larga se dobrasse levemente sobre um de seus olhos.
— Está linda — elogiou, sincero. — Ou melhor, perfeita.
— Ainda não — protestou a irmã mais nova de Sakura.— Ela ainda não abriu o meu presente.
Sakura ficou pensativa.
— Bem, já ganhei uma coisa velha, uma coisa nova e uma coisa emprestada. Está faltando...
— Uma coisa azul — completou Akemi, estendendo uma caixa estreita.
— Estou quase com medo de abrir — confessou Sakura, escaldada das brincadeiras da irmã.
Tratava-se de uma insinuante meia-liga preta enfeitada com uma fita de cetim azul.
— Vamos ver se serve — atiçou Akemi, expondo a peça diante de todos.
— Cabe a mim, acho — prontificou-se Sasuke, pegando a meia-liga.
Antes que Sakura pudesse protestar, ele ergueu seus tornozelos e removeu seus sapatos. O desafio era evidente nas profundezas de seus olhos ônix, ora em brasa. Pousando-lhe ambos os pés na coxa musculosa, posicionou a meia-liga e começou a deslocá-la lentamente pernas acima.
De início, suas mãos apenas roçaram os ossos finos dos tornozelos. Mas então ele começou a brincar com a pele sensível, ensaiando um ritmo primitivo que lhe aqueceu o sangue e encheu-a de um desejo doce, forte. Ao mesmo tempo em que queria cessar o contato, ansiava por atirar-se nos braços dele e reaprender os passos daquela dança específica. Esta opção era impossível, com a família toda os observando. Por isso, submeteu-se à agonia, centímetro por centímetro, conforme ele deslizava a meia-liga por suas pernas protegidas por meias finas. A altura dos joelhos, ele se deteve.
— Está bom aí — sussurrou Sakura, aflita.
— De jeito nenhum — contrariou Sasuke, determinado.
A família não ajudava em nada. Em vez de apoiar Sakura, incentivava Sasuke a fazer o pior. Após lançar-lhe um olhar zombeteiro, ele se concentrou na barra do vestido, sob a qual fez desaparecer a meia-liga. Por fim, alcançou o topo das meias, tateando o elástico apertado que as mantinha no lugar. Acabava de descobrir que as meias modernas dispensavam ligas. De qualquer forma, meias-ligas e gravidez não combinavam.
— Mas o que temos aqui? — indagou ele, confuso.
Sakura viu as irmãs suprimirem o riso.
— Estou usando meias sete-oitavos. O elástico forte dispensa ligas.
— Ah, que interessante. Vou querer ver isso depois...
— De jeito nenhum!
— Mas, querida, nunca vi esse tipo de meia antes. — Um brilho traquinas iluminou os olhos dele. — Você, nosso bebê e essas meias. Eis algo que eu daria uma fortuna para ver.
Trémula, Sakura desanimou:
— Creia-me, neste caso, a ignorância é uma bênção. De qualquer forma, não estou em condições de dar um show erótico.
Sasuke ficou sério, e ela podia jurar que ele recordava algo com saudade.
— A gravidez a deixa mais bela do que pode imaginar — afirmou, franco. — Pelo menos, na minha opinião. Neste momento, nada me daria mais prazer do que ver você nessas meias, com nosso bebê seguro dentro da sua barriga. Nada... exceto colocar a aliança em seu dedo.
— Oh, Sasuke — murmurou Sakura, emocionada às lágrimas. Fitou-o enternecida.
— Lamento interromper, mas estão nos chamando — informou Akemi.
Sasuke já estava recomposto.
— Acho que vamos ter de deixar isto para outro dia.
Com evidente relutância, ele fez as mãos percorrerem o caminho inverso, das coxas para os joelhos, dos joelhos para os tornozelos. Após calçar-lhe novamente os sapatos, levantou-se e ajudou-a a se erguer do banco.
Sakura continuou se apoiando nele até sentir as pernas firmes. A incursão das mãos dele sob sua saia abalara-a ao ponto do enfraquecimento. Para completar, sentia cãibras devido ao longo tempo sentada no banco de madeira duro.
Sasuke fez a família toda de Sakura entrar primeiro no gabinete do juiz e então se mostrou hesitante, olhando para os dois lados no corredor.
— Sasuke? — chamou ela, curiosa.
— Já vou.
Ele se demorou mais um minuto, checando o corredor inúmeras vezes. O que estaria esperando? Ou melhor, quem? Conforme Naruto comentara certa vez, os pais de Sasuke já eram falecidos e ele era filho único, ou seja, não tinha família. Teria convidado parentes distantes para assistir à cerimônia?
— Quem você está...?
A expressão gélida dele a fez desistir da pergunta. O inverno devastara toda a vida em seu rosto, atingindo-lhe a alma com a força de um vento ártico. O que teria causado tamanha transformação? Minutos antes, ele se mostrara todo alegria e ternura, provocando-a e seduzindo-a.
Mas então acontecera algo que lhe roubara as emoções e o obrigara a se fechar. Algo relacionado a alguém que deveria ter surgido naquele corredor, mas não surgira.
—Está pronta? — indagou ele.
As palavras mais pareceram cacos de gelo, brilhantes e duras, cheias de uma terrível frieza.
—Eu estou — garantiu Sakura. — Mas e você?
Ele a encarou então, e ela se assustou. Seus olhos estavam vazios. Horrivelmente vazios. As íris ônix eram aço, chamas desprovidas de calor e luz.
— Para que protelar? — Sasuke pegou-a pelo cotovelo.— Vamos. Está na hora do nosso casamento.
NOTAS FINAIS:
Olá galerinha! *-*
Atualizei rapidinho como prometido!
Fiquei muito feliz que vocês estão gostando da adaptação!
Eu A-M-O essa história e o próximo capítulo é um dos melhores! Aguardem!
Um MEGA agradecimento especial para todas que deixaram reviews! *O*
E quem está lendo e ainda não mandou reviews, por favor deixe sua opinião! :D
Grande beijo! Até a próxima! :*
