A dor e a Traição

Um mês e meio havia passado desde o primeiro encontro amoroso de Cho e Harry. Desde então eles haviam se tornado amantes e tinham se encontrado regularmente, principalmente quando Cedrico viajava a negócios ou ela fingia alguma doença e Harry ia atendê-la. Harry estava completamente apaixonado pela oriental e Cho parecia sentir o mesmo. Trocavam constantes cartas com juras eternas de amor e sempre faziam planos de um dia se unirem como marido e mulher. Cedrico parecia de nada desconfiar, ele viajava sempre por causa de seu trabalho e ainda tinha o caso de seu pai que o deixava muito preocupado, ele havia viajado rumo a França e ainda não tinha dado noticias sobre onde se encontrava todo esse tempo. A principio Cedrico não tinha dado importância porque sabia que o golpe que o pai sofrera fora doloroso demais, mas agora com tantos dias sem noticias ele estava demais preocupado.

Virginia, ao contrário, desconfiava que tivesse algo errado com seu casamento. Desde a festa de noivado de Draco que ela e Harry não se encontravam intimamente, não mais conversavam, não mais conviviam, estavam afastados. Harry parecia não amá-la mais, já não era o mesmo de quando casaram, nem parecia o mesmo que fora criada com ela tantos anos. Embora ela não soubesse o que se passava com ele, sentia no fundo de sua alma que para Harry ela não significava mais a mulher amada. Virginia chegou a pensar algumas vezes que tinha sido pelo beijo que ela havia trocado com Draco, pensava que ele suspeitasse, mas depois percebeu que não, pois conhecia Harry o suficiente pra saber que ele teria tomado satisfações com ela e o amigo. Diante disso ela passava grande parte do dia meditando sobre seu casamento, pois sentia que ele já não era feliz como antes, sentia que ele se transformara em um casamento superficial, como a maioria dos da sociedade, baseados nas aparências. Foi tirada de seus devaneios pela criada que anunciou a visita do Sr. Malfoy e a sua noiva a Srta. Granger. Virginia lembrou-se que fazia mais de um mês que ela e Draco não se encontravam. Desde o segundo beijo que haviam trocado ela tinha evitado encontrar-se com ele, chegando a ordenar a criada que dissesse que ela estava doente e não podia atender ninguém, ou mesmo que ela havia saído e não tinha hora pra voltar. Não mentiu de um todo, voltara a sentir mais intensamente as tonturas e os enjôos de antes, no entanto, agora sabia que não estava grávida, pois seu corpo não havia mudado como o de Luna, além do que suas regras haviam vindo, em pouca quantidade, mas vieram. Ele havia procurado-a intensamente, mas com as desculpas de que estava doente ela havia se esquivado dele. Não entendia o que ele pensava, ele sabia de seu casamento com o amigo, e embora eles não estivessem bem, ninguém sabia disso, pois Harry sempre demonstrava o mesmo amor de antes quando estavam em sociedade. Dessa vez ela se dispôs a descer porque ele vinha com a noiva. Olhou-se no espelho e saiu do quarto.

- Boa tarde! – disseram os noivos juntos.

- Boa tarde! Entrem e acomodem-se! – Virginia indicou o sofá enquanto se sentava à frente deles, olhando Draco de soslaio e pensando que ele estava tão bonito quanto ela sabia que ele era.

- A criada informou-me que meu amigo Harry não esta! – Draco disse naturalmente.

- Sim, saiu cedo para o trabalho. – ela disse enquanto observava Hermione que olhava distraída para um retrato do casamento dela e Harry.

- Julguei que ele viesse almoçar em casa. – Draco insistiu.

- Antes vinha. Agora não vem mais. – Virginia disse dessa vez o encarando.

- E a senhora esta bem? Ouvi dizer que estava adoentada. – ele disse com a expressão irônica para testá-la.

- Estou melhor, obrigada! E o Senhor como vai? Srta. Granger?

- Estamos bem! Viemos entregar o convite de nosso casamento. – Draco disse cortante.

- Claro, informarei Harry assim que ele chegar. Quando será? – ela perguntou querendo parecer natural, mas na verdade estava sentindo-se perdida, uma enorme tristeza tinha-a acometido por dentro, e ela não conseguia explicar por que, afinal, Draco era noivo, era natural que se casasse um dia e ela, bem ela era casada.

- Daqui a três meses – foi Hermione quem respondeu, era a primeira vez que ela falava, concentrava-se agora na conversa.

- Está próximo! Como vão os preparativos? – Virginia tentava parecer natural.

- Corridos – Hermione disse sorrindo olhando para a ruiva a sua frente – A Sra. Malfoy esta me ajudando com tudo, já que minha mãe esta se tratando longe daqui. – o olhar da morena entristeceu.

- Por mim casávamos antes, mas Hermione disse que não daria tempo de fazer uma festa como ela quer. Mamãe esta a ajudando em tudo para que seja uma festa perfeita. – ele disse envolvendo a morena em um abraço.

- Eu sempre sonhei com essa data, pra mim tem que ser especial. Confesso que foi difícil marcar para daqui a três meses, os pais de Draco querem nos ver casados logo e confesso que meus pais também.

- Não vejo porque demorarmos tanto. Estamos tão apaixonados! – Draco disse beijando a noiva delicadamente na bochecha.

- Você é homem, não entende, tenho certeza que a Sra. Potter me entende.

- Chame-me Virginia, sim eu entendo, casei com o Harry quatro meses depois do regresso dele da França, ele queria casar no mês seguinte, mas eu também queria que tudo fosse como nos meus sonhos. – ela disse com um sorriso nos lábios ao relembrar tão boa época da vida dela.

- Esta vendo meu amor, Virginia me entende.

- Eu só quero que você seja minha esposa logo e tenhamos logo nosso herdeiro, eu a amo tanto.

- Se precisar de ajuda conte comigo, posso auxiliá-la no que for preciso do enxoval. – Virginia disse mostrando que não se incomodava com as demonstrações de afeto de Draco para com a noiva na frente dela.

- Obrigada! – Hermione disse.

- Bom. Temos que ir – Draco disse.

- Eu os acompanho.

Virginia levou o jovem casal até os portões e despediu-se deles. Draco ainda apertou sua mão com um pouco mais de força que o normal, mas ela fingiu não notar nada continuando a ser simpática com eles. No fundo ela não sabia o que sentia por aquele homem, mas sabia que era algo forte devido ao estado que ela ficava toda vez que se viam. Voltou para dentro de casa e arrumou-se para ir visitar o irmão e a cunhada.

Hermione ia conversando alegremente com Draco sobre os preparativos do casamento, enquanto iam no carro rumo a mansão da família Malfoy. Entraram na questão de convidados, especulando se todos os convidados iriam ao que Hermione inocentemente comentou sobre Virginia e Harry.

- A Virginia não me parece estar bem como disse.

- Estava doente, esta se recuperando. – Draco não gostava de falar na ruiva.

- Sim, espero que ela esteja boa no nosso casamento, tenho grande simpatia por ela.

- Ela estará meu bem! – Draco disse imaginando o que Hermione sentiria pela ruiva se soubesse o que se passava ou passou, ele não sabia definir, entre ele e ela.

- Draco eu – Hermione começou a falar, mas de repente sentiu uma dor no ventre e curvou-se, pondo as mãos sobre o mesmo.

- O que foi? O que houve? – Draco estava em pânico, de repente Hermione começou a gemer de dor e os olhos lagrimaram, ele não sabia o que fazer, estava dirigindo e a noiva passando mal do lado dele.

- Estou sentindo uma dor aqui, muito forte. – ela apontava para o ventre.

- Vou levá-la ao hospital agora mesmo.

Draco levou Hermione até o Hospital da cidade e logo ela foi atendida por um médico de plantão. Draco procurou por Harry, mas ele não estava ali, imaginou que ele estivesse no consultório e mandou uma mensagem até ele e outra para os pais avisando sobre Hermione, depois se sentou na minúscula saleta da recepção esperando por notícias. Ficou aguardando um pouco ate que viu Harry chegar, contou a ele tudo como se passou com a noiva e Harry desapareceu pela imensa porta que levava a um corredor ceio de portas. Narcisa e Lucius Malfoy chegaram em seguida e Draco novamente relatou os fatos, ao que Narcisa se perguntou se Hermione era mesmo sadia para gerar um herdeiro Malfoy. Draco aborreceu-se com a mãe, mas não pode dizer-lhe nada porque neste momento Harry chamou-os guiando-os ate um quarto onde se encontrava Hermione. Ela estava sentada na cama apoiada por travesseiros. A aparência dela era triste, os olhos estavam vermelhos e inchados, o que indicava que ela havia chorado bastante, a pele estava pálida e ela recebia sangue de uma bolsa ao lado da cama. Draco e os pais assustaram-se e indagaram Harry sobre o que tinha se passado. Harry olhou para Hermione penalizado, esta tinha os olhos vidrados em um ponto desconhecido.

- Então Harry? O que aconteceu com minha noiva? – Draco havia segurado o amigo pelos ombros.

- Hermione sofre de uma doença que atinge as mulheres, resultado de um mau funcionamento do sistema reprodutor que durante a menstruação provoca sangramento interno e faz com surjam lesões no útero. Isso causou nela uma hemorragia.

- Mas ela esta bem agora não e? – Draco estava preocupado com a noiva.

- Esta sim Draco, eu e a equipe que a tratamos receitamos alguns remédios que vão regular o funcionamento do organismo dela. – Harry parou e olhou longamente para o amigo.

- O que foi? Tem mais alguma coisa não tem? Diga-me Harry! – Draco estava nervoso.

- Hermione não pode ter filhos.

Aquilo caiu como uma bomba sobre a família Malfoy. O motivo pelo qual eles estavam realizando aquele casamento era unicamente para cumprir com as leis sociais e trazer ao mundo um herdeiro da família. Agora que eles descobriram que isso não seria possível já que Hermione era doente, ficaram perdidos sem saber o que fazer. Como se soubesse o que se passava, Hermione voltou à lucidez e olhou para Draco sustentando um olhar com ele.

- Eu vou entender se você quiser desmanchar o compromisso. – ela disse.

- Com licença – Harry disse e saiu, aquilo era assunto de família e ele não poderia estar ali.

- Hermione eu – Draco quis dizer alguma coisa, mas não conseguiu.

- É o melhor que se tem a fazer – Narcisa Malfoy disse de maneira definitiva enquanto envolvia o braço do marido e se dirigia a porta. – Vou agora mesmo providenciar uma carta informando aos convidados que não mais haverá casamento.

- Faça isso – foi tudo o que Hermione disse antes de voltar as lágrimas.

- Hermione...

- Não diga nada Draco, eu sei que nosso casamento não seria por amor, seria por que convêm as nossas famílias tão tradicionais e de bom nome uma união assim, a união das fortunas, o nascimento de um herdeiro. Mas eu não posso cumprir com meu papel de mulher, você não pode casar comigo porque você não teria o que quer. Não faz sentido. Se pelo nos amassemos, mas não. E não se preocupe, esta tudo bem comigo. Eu entendo a sua decisão.

- Eu não sei o que dizer, eu estou perdido.

- Mas não há o que dizer. Está tudo decidido. Rompemos o compromisso e sua mãe cancela o casamento, pronto. Cada um segue sua vida.

- Você fala de um jeito – Draco não entendia como ela agia de forma tão simples.

- Estou sendo realista Draco, o que você queria era um filho não era? Eu sei que você não me ama.

- Eu não amo você, mas não era só pelo filho, eu admiro você Hermione. - ele disse sentando na cama dela e pegando-lhe as mãos

- Eu também o admiro, e também não o amo Draco.

- Eu não acredito em amor. – ele confidenciou a ela.

- Mas deveria, ele existe.

- Você ama alguém Hermione? – ele disse encarando-a nos olhos.

- Eu? Não. – ela disse desviando o olhar.

- Ama, posso ver pela sua reação. Confie em mim, apesar de tudo somos amigos.

- Esta bem - ela sorriu – eu amo Draco, há mais de um ano eu me apaixonei por um rapaz, mas sempre foi segredo e desde então eu não pude esquecê-lo, você é a primeira pessoa pra quem eu conto.

- Por que aceitou esse nosso compromisso então? Por que não ficou com ele? Nenhum homem seria tolo de não casar com você, uma mulher gentil, educada, inteligente e alegre, alem de muito bonita.

- Obrigada Draco – ela sorriu-lhe meio sem jeito, o rosto corando um pouco – Mas quando eu o conheci ele era empregado de meu pai apesar de ter condições e tudo o mais, só que devido a essa relação de subordinação deles ele quase não ia à nossa casa para visitas e quando foi, foi apenas anunciar que estava noivo e convidar-nos para o casamento.

- Vocês não tiveram como se aproximarem, foi isso. Lamento Hermione.

- Não lamente! Se aconteceu assim foi porque Deus quis. – ela disse conformada.

- Quem é ele? – ela olhou-o surpresa.

- Não vou falar! Ai já seria demais.

- Mas você já falou a historia, é só eu investigar um pouco que vou descobrir.

- E pra que quer tanto saber? – ela olhava-o com as mãos na cintura.

- Curiosidade. – Draco disse simplesmente.

- Eu também estou curiosa sobre você, não me disse nada até agora.

- Você não perguntou. – ele disse justificando-se.

- Pois agora eu pergunto. Você ama alguma mulher Draco?

- Minha mãe.

- Você sabe que tipo de amor eu me refiro – ela disse revirando os olhos.

- Não, nunca amei e nem vou amar. – ele disse convicto.

- Como pode ter tanta certeza?

- Tendo oras! Não sou capaz de sentir algo assim, é muito idealizado, na vida real não existe, é tudo aparência.

- Não Draco, nem tudo é aparência.

- Se você observar direito, verá que estou certo. – ele insistiu.

- Não, vou te dar um exemplo! Ronald e Luna amam-se verdadeiramente.

- Parece que sim– ele concordou pensativo – mas é um em um milhão

- Mas existe, é isso que quero dizer.

- É ele não é? – Draco olhou-a de maneira inquisidora.

- Ele o que? – Hermione tentava disfarçar.

- O rapaz que você ama!

- Eu – Hermione pareceu perder a voz.

- E sim, por Deus Hermione logo ele? – Draco tinha uma expressão de espanto.

- Não podemos escolher quem entra em nosso coração Draco. – ela suspirou.

- Claro que podemos, na verdade podemos escolher não deixar ninguém entrar em nosso coração.

- Isso não é verdade, é só um engano seu e um dia você vai encontrar uma mulher que vai roubar todos os seus pensamentos, que vai te levar a olhá-la e admirá-la como se ela fosse a única mulher do mundo, que vai te fazer imaginar como seria sentir o toque dela, vai te fazer desejar estar com ela por toda sua vida.

- Como você é sonhadora Hermione! – ele retrucou, mais para si do que para ela, afinal ele já tinha sentido tudo aquilo por uma mulher, Virginia.

- Não é sonho, você vai ver, um dia vai sentir isso e eu desejo que ela não seja comprometida.

- Vou chamar o médico, você já esta delirando. – ele disse sério.

- Você não acredita, mas vai acreditar, deixa só chegar a hora. Agora vá chamar mesmo o médico porque quero ir pra casa, a minha casa.

- Você vai ficar lá sozinha?

- Claro que não, tenho empregados lá.

- Não, você vai para minha casa.

- Não quero Draco, vou para a minha, lá me sentirei bem, alem do mais, não vou passar muito tempo lá. Ta vendo aquele papel ali pregado? - Ela apontou para um pequeno cartaz grudado atrás da porta.

- Sim. Fala sobre um curso para auxiliar de enfermagem.

- Vou fazê-lo, quero cuidar das pessoas, ser útil. – ela disse sorridente.

- Aqui no hospital? Com todas essas pessoas doentes e sangue? – ele parecia assombrado com aquela hipótese.

- Sim – ela disse rindo da cara dele. – isso vai me fazer muito bem, agora vá chamar seu amigo que quero ir pra casa.

- Ta bom. – ele disse balançando a cabeça negativamente como que para afirmar que não concordava com a decisão dela.

Draco saiu e encontrou Harry logo no corredor, este avisou que Hermione poderia ir pra casa e viver normalmente, ao que Draco comentou sobre o interesse dela no curso e o rompimento do noivado. Harry apoiou o amigo quanto ao rompimento, afirmando que se ambos concordavam, melhor que fosse assim e garantiu que o curso de enfermagem faria bem a Hermione. Assim, Draco e Hermione deixaram o hospital e foram pra casa dos Granger, onde Hermione se instalou novamente. Draco ainda jantou com ela e em seguida foi para casa.

Um mês depois do rompimento do noivado o comentário era geral. Narcisa havia dito que os noivos apenas descobriram que não se amavam o suficiente para uma união tão importante, mas as pessoas não creditaram e as especulações sobre o verdadeiro motivo eram muitas, o que causou a Hermione um grande incomodo já que ela passou a ser mal vista diante dos olhos da sociedade. Mesmo assim ela não se abalou, estava morado em sua casa e fazendo o curso de enfermagem no qual ela se sentia muito bem por auxiliar as pessoas, por ser útil. Tinha plena certeza de que fora melhor romper o compromisso com Draco já que não se amavam. Estava feliz daquele jeito. Ela terminou de vestir a roupa de enfermeira em uma saleta do hospital reservada aos funcionários e dirigiu-se a enfermaria para medicar alguns doentes.

Luna sentiu a água escorrer por suas pernas e soube que tinha chegado a hora do beber nascer. Ela desceu as escadas da imensa casa chamando pelo marido que estava no escritório trabalhando. Quando ela entrou na sala com uma cara de dor Ronald assustou-se.

- Está na hora meu amor, nosso filho vai nascer! – ela disse sorrindo tentando conter a dor.

Ronald estava emocionado. Pegou a esposa e enquanto ordenava que um criado fosse a casa de sua irmã avisá-la ele dirigiu-se apressado para o carro para levar Luna ao hospital. Ela já tinha completado os nove meses e por isso tudo estava preparado para quando o momento chegasse, as roupas pra ela e o bebe estavam em uma pequena mala no carro. Chegaram ao hospital e ela imediatamente foi levada para a sala de parto. Ronald ficou aguardando na recepção enquanto preenchia a ficha dela. Hermione o viu ali e sentiu o estomago revirar de ansiedade. Caminhou devagar até ele.

- Sr. Weasley, como vai? – ela disse de maneira tímida, mas sorridente.

- Ola Srta. Granger! Um momento, por favor! - ele disse enquanto virava-se para entregar a ficha para a recepcionista.

- Está tudo certo? – ele perguntou a moa da recepção que analisava a ficha.

- Esta sim. Obrigada – a recepcionista retornou.

- Estou bem senhorita, um pouco ansioso, minha mulher esta lá dentro, nosso filho vai nascer! – ele disse radiante quando voltou a falar com Hermione.

- Meus parabéns Sr. Weasley! – foi tudo o que ela conseguiu dizer antes de abraçá-lo.

- Obrigado! – ele murmurou de volta surpreso com a ação da jovem a sua frente.

Hermione sabia que não devia fazer aquilo, ela já era mal vista pelos outros e não ficava bem para uma moça, recém descompromissada, abraçar um rapaz casado com tanta espontaneidade como ela fez, mas o que ela sentiu só pode ser traduzido com aquele gesto. Ela viu a felicidade nos olhos dele e se sentiu tão feliz quanto ele. Era justo, ela amava aquele homem e compartilhar de tal alegria com ele era-lhe de um valor inestimável. Ronald também sabia que não era certo, surpreendeu-se muito com o que ela fez, mas viu no gesto dela a sinceridade e por isso envolveu-a com os braços, aquilo não parecia errado. Ficaram assim alguns segundos que para eles pareceu uma eternidade, ate que Hermione soltou-se dele no momento em que viu um medico aproximar-se.

- Sr. Weasley? – o médico questionou.

- Sou eu Doutor!

- Ola enfermeira Granger, estou precisando de você, permita-me falar com o Sr. Weasley e já vamos atender uma pessoa – ele disse para Hermione que corou um pouco.

- Sim doutor.

- Sr. Weasley, sinto informar, mas sua esposa está tendo complicações, os bebes não estão na posição certa e isso esta tornando difícil o parto.

- Bebes? – Ronald estava pasmo.

- Sim, são gêmeos, por isso estamos com tanta dificuldade. O que eu quero é que o Senhor saiba que é um parto de risco e tudo é incerto. Podemos salvar sua esposa e os seus filhos, como podemos salvar só os filhos ou só sua esposa. Preciso que o Senhor fique ciente que pode perder alguém e tenha certeza de que faremos tudo que for necessário para salva-los.

- Gêmeos? – Ronald parecia perdido.

- O senhor esta bem senhor Weasley? – Hermione estava preocupada.

- Faça tudo o que for possível doutor. - Ronald disse deixando-se cair em uma das cadeiras que ali havia, o abatimento tomando conta dele.

Hermione aproximou-se e procurou os olhos dele.

- Vai dar tudo certo, os médicos vão conseguir salvar todos.

- Você ouviu o que ele disse. – ele encarou-a.

- Tenha fé Ronald, peça a Deus.

Hermione levantou-se e seguiu o medico que a aguardava, ela teria que auxiliar no parto de Luna.

Draco estava tomando café quando uma carta de seus pais chegou. Ele abriu imediatamente e pôs-se a ler. Seu pai tinha escrito a primeira parte, falando sobre os negócios da família, as propriedades que possuíam e a fortuna, alertando-o de que iria ver todas as contas assim que retornasse da França para ver se ele tinha feito um bom trabalho. Nada de novo, Draco pensou, a mesma história de sempre. Passou então para a parte de sua mãe e o que leu deixou-o um pouco surpreso. Ela tinha arranjado uma nova noiva para ele, uma moça fina, de sociedade, rica, bonita, educada, saudável, que podia ter filhos, era inglesa, estava estudando na França, logo iria retornar a Inglaterra definitivamente, e que possuía todas as demais qualidades que uma esposa deveria ter, sendo um ótimo partido. Fazia pouco mais de um mês que ele tinha rompido com uma noiva e já tinha outra. Draco não pode deixar de rir da mãe e pensar no quanto ela queria que ele casasse e lhe desse um neto. Não lhe agradava a idéia de casar com uma moça que ele não conhecia, mas era melhor que assim fosse, pelo menos ele teria o que fazer quando estivesse casado, descobrir quem era sua mulher na verdade. Tudo eram aparências mesmo, tanto fazia casar com essa ou outra. Viu que sua mãe solicitava sua presença o mais rápido possível para formalizar o pedido de casamento, onde fariam um jantar de noivado. Draco pegou papel, tinta e pena e respondeu pra mãe que iria ter com ela o mais rápido possível. Realmente era o que ele queria, casar logo, ter um filho e enfim poder viver como todo homem normal. Pensou um pouco e achou melhor mandar um telegrama que chegaria mais rápido, foi até o correio. Na volta decidiu passar pela rua da casa de Harry na esperança de ver a esposa dele na varanda ou nos jardins, embora ele tentasse, não conseguia tirar aquela ruiva do pensamento. Viu-a quase dobrando a esquina, ela ia andando sozinha e apressada, como se fugisse de algo. Imediatamente ele pensou que ela fosse encontrar o amante e decidiu segui-la.

Virginia recebeu o recado do irmão e sentiu-se muito feliz. Desejava mais que tudo ir para hospital ver o sobrinho ou sobrinha e imaginava o quanto Ronald e Luna estariam felizes. Pensou se um dia sentiria felicidade igual, mas balançou a cabeça como que para afastar os pensamentos ruins e trocou-se rapidamente. Não esperaria Harry, ele nunca chegava cedo em casa mesmo, talvez estivesse ate no hospital. Viu que não tinha como ir de carro e decidiu ir sozinha e a pé mesmo ate lá. Pôs os sapatos mais confortáveis que tinha e saiu caminhando. Ia quase à esquina quando viu que um carro ia acompanhando seu andar na rua. Parou e olhou pensando ser Harry e viu Draco. Novamente as sensações que tanto a incomodavam e que ela não sabia por que sentia.

- Aonde você vai Virginia? – ele tinha um tom sério.

- Ao hospital senhor Malfoy. – ela respondeu ríspida.

- Não é bom uma senhora andar só pelas ruas. – ele disse irônico.

- Não é bom um senhor seguir senhoras pelas ruas. – ela devolveu a ironia

- O hospital fica longe, entre, vou deixá-la.

- Não e necessário. – ela cortou.

- Entre Virginia, vou acompanhá-la. – ele disse de modo autoritário fazendo-a encará-lo por alguns instantes.

- Não pense que obedeço você Draco – ela disse enquanto subia no carro - eu apenas quero chegar logo para ver meu sobrinho ou sobrinha. – ela disse dando um sorriso espontâneo enquanto se ajeitava no banco.

Draco viu-a dar aquele sorriso tão feliz e sincero que não pode deixar de admitir que ela fosse linda. Sentiu um calor no peito quando ela olhou-o ainda sorrindo e quase perdeu o controle sobre o carro. Voltou-se para frente dirigindo em silencio, mas olhando de soslaio vez ou outra pra ruiva ao seu lado. Virginia estava pensando no irmão e na cunhada felizes com seu bebe e logo seu pensamento voou novamente para o dia em que ela teria um bebe. Se dependesse de Harry, talvez ela nunca tivesse porque ele não mais se interessava por ela. Olhou para Draco e se perguntou se ele seria um bom pai. Imaginou-se com um bebe loiro como ele, os olhos azuis, a pele clara, os traços delicados. Sorriu novamente imaginando ter um bebe assim em seus braços e enquanto sorria olhou para Draco cruzando o olhar com o dele. Virginia corou.

- Em que pensas? – ele venceu o orgulho, dando vez a curiosidade.

- Se você seria um bom pai Draco – ela disse sincera.

- E claro que seria. – ele disse orgulhoso.

- Imagino que sim. – ela concordou.

- Porque você esta pensando nisso?

- Porque meu irmão agora é pai.

- Ah, pensei que você estivesse pensando em ter um filho meu. – Virginia ficou da cor dos cabelos.

- Eu não pensei isso. – ela disse vacilando a voz.

- Não acredito! Você pensou isso Virginia! Não negue!

- Eu não pensei, já disse.

- Então porque corou?

- Porque sua afirmação me deixou constrangida.

- Por quê?

- Isso não e coisa que se diga. Eu sou casada, como podes afirmar que eu gostaria de ter um filho seu que não é meu marido.

Draco calou-se. A menção de que ela tinha um marido o trazia a realidade e isso não era agradável pra ele. Virginia falar que ela era casada com Harry e que poderia ter um filho com ele o fazia imaginar que eles pudessem dormir juntos. Isso causava nele imenso ciúme que ele não conseguia explicar, afinal, só trocara alguns beijos com aquela mulher e nada mais. Fechou a cara e olhou apenas para frente. Foram em silencio ate chegarem ao hospital.

Harry estava com Cho em uma pensão do outro lado da cidade, onde costumavam se encontrar. Estavam aproveitando mais uma das viagens de Cedrico. Desta vez ele tinha ido á França atrás do pai e não tinha previsão de retorno. Cho não tinha ido com ele porque tinha se sentido mal e desmaiado. Ela estava deitada sobre o peito de Harry embrulhados pelo lençol de casal, contando a ele o que tinha sentido.

- Eu estava conversando com o Cedrico sobre o pai dele quando eu senti uma tontura e um enjôo. Eu tentei me apoiar nele, mas então tudo escureceu e eu acordei algum tempo depois.

- E você sentiu isso novamente? – Harry estava ansioso.

- Senti enjôos e tonturas, sempre de manha quando acordo ou as vezes quando como alguma coisa. O que você acha que tenho? – ela perguntou calmamente.

- Não tenho certeza, você precisa fazer um exame pra confirmar, mas acho que você esta grávida. – Harry disse apreensivo.

- Grávida? – Cho sentou-se na cama cobrindo-se com um lençol e olhando para Harry assustada.

- Sim, pelos sintomas, acho que sim. – Harry não sabia o que pensar ou dizer, nem o que sentia a respeito disso ele sabia.

- O que eu faço agora? – ela parecia perdida.

- Eu não sei Cho. Você – ele fez uma pausa, ela encarou-o.

- Você o que meu amor? – ela encorajou-o.

- Você tem tido relações com o Cedrico? – ele perguntou um pouco constrangido, não lhe interessava saber aqueles detalhes porque lhe era estranho imaginar que ela estava nos braços de outro que não ele.

- Tive, raras, mas tive, você sabe, não tem como fugir as obrigações do casamento ou ele desconfiaria. – ela disse naturalmente.

Ouvir aquilo causou um impacto em Harry. As palavras dela sobre obrigações do casamento, sobre desconfiança lhe fizeram voltar o pensamento ate Virginia. Há mais de dois meses que ele não a procurava, será que ela teria desconfiado, será que sentia falta dele. Olhando para Cho ele percebeu que ela não deixou de viver sua vida de casal com Cedrico, enquanto ele tinha abandonado completamente a esposa.

- O que foi meu amor? Em que pensas? – ela tinha receio na voz.

- Eu abandonei completamente minha vida de casado Cho.

- O que? – ela pensou não ter ouvido direito.

- Eu esqueci completamente que minha esposa é a Virginia e não você.

- Você quer dizer se deitar com ela?

- Não Cho, quero dizer tudo, conversar, fazer as refeições com ela, companhia, carinho, fazer amor com ela, tudo.

- Eu não acredito Harry. – ela disse como se fosse impossível o que ele estivesse dizendo ser verdade.

- Em que?

- Que você tenha deixado de conviver com ela.

- Por que não?

- Porque não e possível que ela te ame tanto assim a ponto de aceitar que você se afaste dela completamente e não diga nada.

- Foi isso mesmo o que aconteceu. – ele estava pensativo.

- Então ela deve ter outra pessoa também.

- Virginia? Não mesmo. Ela não sai de casa e eu já pus alguém pra vigiá-la.

- Mentira – Cho ria divertida.

- Não ria é serio! Não porque eu desconfiasse, mas porque eu queria saber a rotina dela pra programar a nossa.

- Entendi. Então nesse caso, ela ama muito você e tem medo de perdê-lo.

- Sim, acho que é isso. – ele ficou pensativo.

- Não vamos falar nisso agora, temos algo mias importante pra resolver. – ela disse tirando ele dos pensamentos sobre seu casamento.

- O que?

- Nosso filho. – ela disse docemente enquanto acariciava o ventre.

- Pode não ser meu Cho.

- Mas é Harry, eu sei que é, eu sinto.

- Como pode ter tanta certeza?

- Eu apenas sinto isso, mas você vai ver quando nascer.

- Se for mesmo, eu quero assumir meu filho, eu quero ser um pai de verdade.

- Como? – ela perguntou como se não tivesse ouvido direito.

- Sendo, vamos ficar juntos!

- Você vai deixar Virginia? – ela perguntou incrédula.

- Assim como você vai deixar Cedrico.

- Sim meu amor, assim será.

Ela inclinou-se sobre ele beijando-lhe delicadamente os lábios e mais uma vez no dia fizeram amor.

Ronald estava a quase duas horas sentado na recepção esperando noticias de sua Luna e seus filhos. Virginia chegou com Draco e ele perguntou por Harry, ela disse que ele devia estar no consultório e que não quis esperá-lo, contou também que vinha a pé, mas Draco apareceu e a acompanhou. Ronald agradeceu a Draco e depois contou a eles que a mulher esperava gêmeos e que o parto estava sendo difícil. Virginia emocionou-se e abraçou o irmão, até Draco comoveu-se. Ambos sabiam o quanto Ronald amava a esposa e os filhos, o quanto seria difícil se ele perdesse algum deles. Nesse instante o medico apareceu, tinha uma expressão cansada no rosto.

- Sr. Weasley! – ele chamou. Ronald, Draco e Virginia aproximaram-se.

- Diga doutor! Como esta minha esposa? Meus filhos? – ele perguntou nervoso.

- O que houve doutor? – perguntou Virginia aflita vendo a cara dele hesitante.

- Sinto muito, mas sua esposa não resistiu. Os seus filhos, um casal de gêmeos, estão bem.

Ronald tonteou e Draco apoiou-o. Virginia tentava conter as lagrimas enquanto amparava o irmão. Ronald não mais resistiu e chorou, chorou como nunca havia chorado na vida. Abraçou a irmã que chorava tanto quanto ele e Draco abraçou-se com eles. Tudo aquilo era doloroso demais.

- Vamos arrumar um quarto pros bebes e vocês poderão vê-los assim que a enfermeira cuidar deles.

- Obrigada doutor, mande nos avisar quando pudermos ver os bebes. – Draco disse, já que Ronald e Virginia não conseguiam falar de tão emocionados.

Hermione estava emocionada. Auxiliou no parto de Luna e viu o quanto foi difícil. Os médicos tentaram de todas as maneiras salvar a todos, mas foi impossível. Luna tentou com todas as forças resistir, mas ficou fraca demais. Assim que ela teve os bebes Hermione pegou-os no colo e mostrou-os a ela. Luna estava fraca, mas ainda assim conseguiu sorrir.

- São lindos – Hermione disse a ela.

- São sim, parecem com Ronald. – Luna disse com a voz fraca.

- Parecem. – Hermione concordou emocionada.

- Srta. Granger cuide deles, por favor. – Luna pediu com a voz ainda mais fraca.

- Cuidarei Sra. Weasley, vou levá-los agora, mas logo eles estarão de volta e nos seus braços.

- Cuide deles como se fossem seus. – Luna insistiu.

- Não se preocupe, descanse. Cuidarei deles muito bem. – Hermione disse tentando fazê-la descansar, pois ela estava muito fraca.

- Prometa-me que vai cuidar deles como se fossem seus filhos. – Luna pediu suplicante.

- Não tem porque me pedir isso senhora, não preciso prometer, cuidarei deles da melhor maneira. – Hermione estranhava o modo como ela pedia aquilo.

- Prometa Hermione! Prometa que cuidará deles como se fossem seus. – Luna insistiu.

- Prometo. – Hermione não sabia por que daquele pedido, mas sentiu no fundo de seu coração que deveria prometer.

- Obrigada! Agora posso descansar em paz. – Luna disse antes de suspirar e fechar os olhos.

Hermione saiu do lado dela com os bebes e ia alcançando as portas quando o médico chamou-a. Ela virou-se para ele.

- Leve os bebes para o quarto reservado para a senhora Weasley e acomode-os nos berços. Depois peça para avisarem o pai e os tios que poderão vê-los. Fique com os bebes ate que vão para casa.

- Quer que eu auxilie a Sra. Weasley com as crianças?

- Não Hermione, quero que cuide delas pela mãe, ela não resistiu como prevía-mos, está morta.

Hermione não acreditou, olhou para Luna e aproximou-se dela. O médico mediu-lhe o pulso e sentiu a respiração, fazendo um gesto negativo e cobrindo-a com um lençol branco em seguida. Hermione sentiu as pernas fracas, mas logo se recompôs, não podia desmaiar com os dois bebes que tinha nos braços. Foi então que se lembrou do que prometera a Luna. Deus como ela havia pedido aquilo e ela havia prometido! Deveria ser coincidência. Hermione fez o que o medico pediu, foi para o berçário e cuidou dos bebes, depois os levou para o quarto e os colocou nos berços. Pediu para chamarem Ronald.

Alguns minutos depois uma jovem enfermeira anunciou que eles poderiam segui-la até o quarto dos bebes. Ronald entrou com Virginia e Draco e encontraram Hermione postada ao lado dos berços. Ela tinha uma expressão terna enquanto olhava para os bebes. Ronald entrou abatido e foi imediatamente ver os filhos. Virginia e Draco ficaram de pé um pouco atrás dele.

- Ola Hermione! – Draco cumprimentou a enfermeira.

- Ola Draco!

- Ola srta. Granger! – Virginia cumprimentou-a também.

- Olá! Chame-me Hermione, Virginia.

- Eles são lindos! – Ronald disse. – venha ver! ele disse a Draco e Virginia.

- Parecem com você amigo, ruivos e sardentos.

- Parecem mesmo irmão, são lindos! – Virgínia estava emocionada.

- Estou tão feliz Virginia, pena que Luna não esta aqui conosco, não consigo acreditar que ela não mais estará conosco. – Mais uma vez Ronald chorava.

- Não fique assim irmão, foi Deus quem quis! Eu sei o quanto você ama Luna, mas ela se foi e você não pode passar sua vida nessa dor. Não pode pensar só em si, tem dois filhos pra cuidar agora, são frutos do seu amor com ela, dessa forma ela sempre estará com você. – Virginia pos uma mão no ombro do irmão.

- E uma dor muito grande irmã.

- Eu imagino, é doloroso perder quem se ama, mas ela se foi porque cumpriu sua missão e agora esta nos céus velando por você e seus filhos. Você tem que fazer o mesmo.

- Eu tenho que superar, pelos meus filhos, mas agora, não consigo cuidar deles.

- Eu o ajudo irmão. – ela se ofereceu.

- Você tem seu marido Virginia!

- Mas eu... – Virginia começou a falar, mas não terminou, desmaiou.

Draco apanhou-a no colo e disse a Ronald e Hermione que a levaria para ser atendida. Disse para não se preocuparem e cuidarem dos gêmeos que ele ficaria com ela ate Harry chegar. Ronald e Hermione concordaram e Draco saiu com Virginia no colo. Perguntou a uma enfermeira no corredor onde havia um medico que poderia atender a mulher desmaiada e encaminhou-se a sala indicada. Havia no local uma cama onde ele pôs a ruiva e imediatamente o médico pôs-se sobre ela examinando-a. Passou um frasco diante do nariz dela e ela despertou. Ele colheu um pouco de sangue e aplicou-lhe soro. Saiu com a enfermeira dizendo que voltaria depois com o resultado dos exames. Virginia olhava para o loiro envergonhada.

- Obrigada Draco. – ela disse timidamente.

- Imagina onde seu marido esteja para eu enviar um recado?

- Que recado?

- Avisando que você esta aqui em observação e que seu irmão já é pai.

- Não sei onde ele possa estar.

- Nesse caso ficarei aqui ate alguém vir ficar com você ou você for liberada para ir pra casa.

- Obrigada! – ela disse mais uma vez.

Ronald olhava seus filhos nos berços. Nesse momento um dos bebes, o menino, começou a chorar e Hermione pegou-o no colo. Ela afagou-lhe os finos cabelos ruivos e murmurou uma canção baixinha enquanto embalava-o, o que fez com que ele se calasse. Ronald olhou-a admirado e aproximou-se dela para olhar o filho mais de perto. Viu os olhos azuis do mesmo a olharem para ele e isso fez com que ele sentisse imensa alegria. Hermione virou-se para Ronald e inclinou o bebe para o peito dele para que ele o pegasse no colo. Embora sem jeito, Ronald pegou o filho e sentiu-se mais emocionado que nunca. O outro bebe começou a chorar também e Hermione pegou-o no colo repetindo os gestos com o primeiro e acalmando a menininha também. Ronald sorriu para aquela jovem mulher com seu filho nos braços e ela sorriu de volta. Quem entrasse naquele quarto, pensaria que eles eram uma família de verdade, unida e feliz.

- Será que Virginia esta bem?

- Está sim senhor, Draco esta com ela, não se preocupe.

- Já deve ter sido atendida não?

- Sim senhor! Ela não deve ter nada serio! Talvez tenha ficado muito emocionada.

- Imagina! Ela desse jeito e ainda quer cuidar dos meus filhos!

- Senhor Weasley, eu gostaria que me deixasse ser a baba de seus filhos. – Hermione pediu.

- Você tem experiências com crianças?

- Eu sou enfermeira, já cuidei de muitas crianças aqui, nunca fui babá, mas posso garantir que vou cuidar de seus filhos muito bem. – ela tentava convencê-lo.

- Eu não duvido disso Srta. Granger, você tem jeito, acalmou meus filhos quando eles choraram. – ele disse dirigindo-lhe um sorriso.

- Eles são encantadores. Tão pequenos, tão delicados e belos. – ela dizia ternamente.

- Meus filhos são mesmo lindos bebes. Quem diria que seriam gêmeos! Eu bem que disse a Luna que ela tinha uma barriga grande demais. – ele lembrou-se da esposa e sua expressão entristeceu.

- Eu imagino o quanto é difícil pro Senhor este momento, por isso estou me dispondo a cuidar dos bebes.

- Mas eu preciso de uma pessoa que fique todo o tempo com eles e você não pode, tem seu trabalho e sua família.

- Eu posso sim senhor Weasley, meu trabalho aqui de enfermeira é temporário, eu posso sair antes para cuidar de seus filhos, posso ficar a sua disposição o tempo que quiser e quanto a meus pais, eles estão longe.

- Mas isso não seria correto. Você é moça de sociedade, seus pais não aprovariam que morasse na minha casa para cuidar de meus filhos, as pessoas falariam mal por eu ser viúvo e temo pela sua reputação.

- Não me importo com o que as pessoas falam, a sociedade é hipócrita.

- Eu concordo com você srta., mas me diga, porque ao quer tanto cuidar de meus filhos? Não seria melhor se casar e ter seus próprios filhos?

- Eu não posso ter filhos senhor Weasley, sou estéril, logo vai ser difícil eu me casar, os homens querem mulheres que lhes dêm herdeiros e isso eu não posso dar, sou inútil.

- Não diga srta., os homens não casam só pelos filhos, tem o amor, a admiração. Vais encontrar um bom rapaz que vai amá-la e faze-la feliz.

- Prefiro não pensar assim, não quero me desiludir, Draco não me amava, mas me admirava, mesmo que não quisesse romper o compromisso, tinha a família que não aceitava a situação. – Hermione tinha um brilho triste no olhar.

- Não vamos falar disso. Eu a aceito, não como babá dos meus filhos, mas como preceptora deles.

- Muito obrigada Sr. Weasley. Não vai se arrepender, cuidarei deles muito bem. – Hermione sorria, sentia imensa felicidade.

- Eu sei que sim. Quando sairmos daqui você vai conosco, para nossa casa, espero que seus pais permitam, são muito caros pra mim – Ronald sentia que tê-la junto aos seus filhos seria a melhor coisa para eles.

- Eles vão permitir, tenha certeza! O medico disse que os bebes serão liberados em três dias e poderemos ir pra casa.

- Sim, nesse tempo tenho que cuidar do enterro de Luna.

- Eu cuidarei deles, não se preocupe, faça o que tiver que eu estarei ao lado de seus filhos.

- Obrigada srta. Granger, Deus lhe abençoe.

O medico entrou no quarto em que Virginia estava com Draco. Ele trazia vários papeis e envelopes, os resultados dos exames da ruiva.

- Sente-se bem Senhora? – o medico perguntou a paciente.

- Sim doutor! – Virginia respondeu sorridente.

- Ótimo, trago o resultado de seus exames.

- O que ela tem doutor? – Draco perguntou interessado.

- Sua esposa tem uma anemia muito forte, isso provoca as tonturas, o mal estar e os desmaios. Vou receitar vitaminas e uns remédios para combater a doença. Ela precisa ter uma dieta balanceada e precisa ficar em repouso enquanto se cuida, porque esta fraca. Vigie-a para que cumpra o tratamento e ela ficara bem, caso não faça o recomendado pode adquirir uma anemia irreversível que pode levá-la a morte.

- Pode deixar doutor, cuidarei bem dela. – Draco disse ao medico.

- Ela já pode ir pra casa. – o medico disse entregando a Draco as receitas com remédios e os resultados dos exames.

- Obrigada! – Draco despediu-se do medico.

- Você deveria ter dito que não é meu marido!

- Porque você não disse?

- Por que... - ela tentou argumentar, mas não disse nada. Draco vendo que ela não falaria mais continuou.

- Ótimo! Vamos ver seu irmão e seus sobrinhos, e depois vou deixá-la em casa.

- Não é necessário, Harry deve estar chegando.

- Se Harry vier você vai com ele, senão eu te deixo em casa. – ele parou ao lado da cama oferecendo a mão para ela se apoiar e levantar.

- Esta bem Draco, mais uma vez eu agradeço. – ela disse enquanto ele a ajudava a se levantar.

Harry não foi ao hospital aquele dia, tinha passado-o todo com Cho. Chegou em casa já muito tarde e Virginia dormia. Ele olhou para a esposa e lembrou-se do que tinha conversado com Cho. Perguntou-se se Virginia sofria ou não com o distanciamento dele, se ela sentia falta dele, se ela imagina porque de toda aquela distancia. Ela se moveu na cama e ele saiu do quarto. Agora lhe era penoso estar perto da esposa, ele não mais a amava e olhar para ela significava ver que ele tinha um compromisso e por isso não podia ser feliz ao lado da mulher que ele amava e com quem ele teria um filho. Começou a pensar sobre como terminaria seu casamento, tinha que encontrar um meio de separar-se da esposa para poder viver com Cho. Foi ate o escritório e escreveu mais uma carta de amor para a amante comentando sobre os planos que estava fazendo para eles e o bebe.

Uma semana depois, Cho estava chegando em casa após a missa de sétimo dia de Luna Weasley quando um jovem rapaz trouxe-lhe um telegrama. Ela abriu imediatamente e o que leu fê-la perder os sentidos. O jovem rapaz chamou por outros empregados e um deles foi buscar o medico que sempre a atendia. Harry estava em casa quando o moço foi buscá-lo e imediatamente foi para a casa de Cho. Quando ele chegou á mansão Diggory, ela já tinha despertado, porém estava aos prantos e não parava de chorar. Harry aproximou-se dela e pegou-lhe as mãos perguntando o que tinha acontecido. Cho limitou-se a mostrar-lhe o telegrama. Harry ficou estático com o que leu. O telegrama dizia que Cedrico Diggory havia sido atropelado em Paris e não tinha resistido. Harry abraçou Cho e ambos lamentaram a morte do jovem rapaz. Dois dias depois Cho partiu para Paris, para enterrar Cedrico lá mesmo e procurar o sogro. Harry acompanhou-a na viagem como amigo da família e medico de Cho, que havia anunciado a gravidez. Chegaram a Paris e descobriram que Cedrico havia morrido quando saia de um Hospício. Ele teria ficado transtornado ao descobrir que o pai tinha enlouquecido e não viu o carro se aproximar. Na pancada que ele sofreu, quebrou logo o pescoço, por isso não se salvou. Foram visitar o pai de Cedrico que não reconhecia ninguém e apenas chamava pela esposa falecida. Cho ficou abalada demais e Harry achou melhor que eles enterrassem Cedrico e voltassem o mais rápido para Inglaterra. Assim, após o enterro, eles foram ate a estação e regressaram a Londres.

Fazia duas semanas que Luna havia sido enterrada. Ronald agora morava com os filhos gêmeos e Hermione, também recebia constantemente visitas da irmã Virginia. Nessas duas semanas, tinha sido difícil viver na mesma casa onde tinha sido tão feliz com Luna e não vê-la lá, mas a presença de seus filhos e a preceptora deles tinham trazido um novo ar para aquele lugar. Ele estava olhando da porta do quarto dos filhos a jovem babá cuidando deles. Ela os enchia de carinhos como se fosse a verdadeira mãe deles. Ronald entrou no quarto e ela surpreendeu-se.

- Assustei-a? – ele perguntou com receio.

- Não senhor. Eu só estava um pouco distraída.

- Você cuida deles com tanta dedicação. Agradeço a Deus por tê-la posto em nosso caminho. Você é um anjo srta. Granger.

- Não sou nada disso. Eu apenas faço o meu trabalho e adoro seus filhos.

- Eu sei disso, você é mais que uma preceptora para eles.

- Obrigada. O senhor não gostaria de me ajudar a colocá-los para dormir. – ela perguntou com um rosto terno.

- Claro – Ronald aproximou-se dela e ela pos o menino nos braços dele pegando a menina em seguida.

- Como se chamarão? Logo mais terá que registrá-los.

- Eu ainda não sei. Luna e eu tínhamos decidido que só escolheríamos o nome quando o bebe nascesse. Olharíamos para o rostinho dele e veríamos com que nome ele se identificaria.

- Então faça isso! Escolha os nomes de seus filhos!

- Só se a srta. me ajudar!

- Eu? – Hermione surpreendeu-se!

- Sim, afinal é como uma mãe para eles. – Hermione emocionou-se.

- Obrigada senhor Weasley. Queres mesmo que o ajude a escolher os nomes?

- Quero sim.

- Bom, o menino parece muito com o senhor, poderia ter seu nome ou uma abreviação dele.

- Como seria a abreviação? – ele perguntou com interesse e curiosidade

- Ron ou Rony. – ela sugeriu.

- Vamos ver! Ron! Rony! – ele chamou para o bebe que o olhou quando ele chamou Rony.

- Parece que ele gostou de Rony! – Hermione disse com encanto.

- Sim, ele atendeu. Eu gostei do nome, e olhando para o rostinho dele, tem mesmo cara de Rony. Assim ele se chamará: Rony!

- Mas foi só uma sugestão senhor – Hermione disse sem acreditar que tinha ajudado a escolher o nome do filho dele.

- Eu gostei da sugestão, e ele também. Está decidido. Agora, a minha menina – Ronald disse referindo-se a pequena ruiva no colo da morena.

- Poderia chamá-la Luna.

- Não, Luna não. Não me sentiria bem a chamando assim.

- Nesse caso, vejamos... – ela ficou olhando para o rostinho da bebe.

- O que você acha de Emmy?

- Emmy? Muito bonito! Ate se parece com ela. – Hermione disse sorrindo enquanto olhava pro bebe.

- Sim, foi o que eu pensei. Emmy lembra Hermione.

- É lembra sim!

- Minha pequena se chamara Emmy.

- Emmy?! – Hermione pronunciou e a pequena bebe olhou-a.

- Está vendo? Ela atendeu!

- Sim, é verdade, é um nome lindo senhor!

- É claro que é, e uma abreviatura do seu! Amanha mesmo vou registrar os dois.

- Uma abreviatura do meu? – Hermione olhou para ele perplexa.

- Sim, e não me venha dizer que não aceita! Está decidido. Agora vamos fazê-los dormir.

Hermione não disse nada, não estava acreditando que ele tinha posto o nome da filha de Emmy porque era uma abreviatura que ele tinha inventado do nome dela. Era como uma homenagem e ela não merecia, não era nada daqueles bebes. Será que ela especial mesmo para ele e as crianças? Não, não podia pensar uma coisa daquelas, ela não era nada alem da babá, tinha que parar de pensar sobre isso. Concentrou-se em fazer o bebe dormir. Assim, ambos embalaram os gêmeos em silencio ate que estes adormeceram.

- Fico me perguntando como vai ser quando você for embora. – Ronald disse enquanto eles botavam os bebes no berço.

- Eu só irei embora quando o senhor mandar.

- Não é bem assim, quando seus pais voltarem, não vão querer que você fique aqui o tempo topo, vão querer que a srta. se case tenho certeza.

- Mas eu só casarei quando quiser. E não é por rebeldia, é porque quero um casamento com amor, onde eu tenha certeza que meu marido vá me aceitar como sou. – ela disse enquanto caminhava ate porta.

- Mas você é normal, pare de dizer que não é. – Ronald seguiu-a.

- O senhor é um homem bom senhor Weasley, não tem preconceitos, mas nem todos são assim! – ela esperou que ele saísse para fechar a porta do quarto das crianças.

- Eu sei srta. Granger! Mas como você mesma disse, tem a família! Você é moça fina, da alta sociedade, seus pais não permitirão que você fique aqui quando souberem.

- Não acredito que penses que meus pais não me deixarão ficar aqui! – ela disse virando-se para olhá-lo. – eles não como o senhor esta pensando, eles não se importam tanto assim com as regras sociais. Assim que eu receber uma carta deles comunicando onde estão, vou dizer-lhes que estou trabalhando com o senhor, eles não vão se opor!

- Não vai ser tão fácil srta. – Ronald olhava o rosto da jovem a sua frente.

- Como podes ter tanta certeza que eles serão contra?

- Um dia eu fui apresentado a uma moça e meu coração quase saiu do peito quando eu beijei a mão dela. Foi a primeira mulher por quem me interessei na vida, antes eu era totalmente voltado para os estudos. Era uma moça de família tradicional, muito rica, cujos pais tinham mais dinheiro do que eu poderia imaginar ter trabalhando toda a minha vida. E eu soube desde que a conheci que não podia alcançá-la, que não poderia tê-la como companheiro porque eu era de uma classe mais baixa.

- O que o senhor quer dizer com isso?

- Eu trabalhei com o pai dela, e foi ele mesmo quem me disse, quando eu a conheci, que a filha só casaria com um homem que fosse da mesma classe social deles, pois ela era moça fina, educada, estudada e acostumada a um padrão de vida que não era qualquer um que poderia dar a ela.

- Ela correspondia seus sentimentos? – Hermione estava curiosa, nunca imaginara que Ronald tivesse se apaixonado por outra mulher que não fosse a esposa.

- Isso eu nunca soube, não me aproximei dela, não a conheci pra saber como ela pensava. Busquei de todas as formas evitar encontra-la, ela era proibida pra mim. Foi quando conheci Luna e ela me encantou.

- Sua falecida esposa e de família muito rica também senhor Weasley, e o senhor mesmo tem bastante dinheiro.

- Os pais de Luna tinham sim bastante dinheiro, mas o pai dela construiu toda a sua fortuna com muito trabalho, como eu fiz, por isso ele permitiu.

- Como podes ter tanta certeza que os pais da outra jovem não permitiriam também?

- Ele me via apenas como um empregado, jamais permitiria tal aproximação, um empregado e sua filha.

- Mas se essa moça te amasse e pensasse como você, teriam ficar juntos.

- Passando por cima do pai?

- Passando por cima de tudo! Nada alem do amor tem mais valor. Se for preciso senhor Weasley, eu passo por cima da decisão de meus pais para ficar como preceptora de seus filhos ate quando o senhor quiser.

- Você quer dizer que teria ficado comigo Hermione? – Ronald perguntou com os olhos esperançosos.

- Se eu estivesse no lugar dessa moça que você gostou, teria fugido com o senhor se fosse preciso. – ela disse espontaneamente, o que a fez corar e baixar os olhos logo em seguida.

- Se eu soubesse Hermione, teria enfrentado seu pai. – ele disse baixinho.

Hermione olhou-o pasma, não estava acreditando no que tinha ouvido. Era ela a moça que fora sua primeira paixão, cujo pai afastou? Ela encarou-o interrogativamente e o que ela menos esperava aconteceu. Ronald aproximou-se rapidamente dela unindo seus lábios aos dela. Hermione ficou estática, enquanto ele envolveu-a pela cintura. Com o coração acelerado ela passou a corresponder ao beijo dele sentindo uma alegria que ela jamais tinha sentido antes na sua vida.

Virginia estava no seu quarto lendo um livro quando decidiu arrumar algumas roupas de Harry para doar para a igreja repassar a pessoas carentes. Abriu as portas do roupeiro e retirou todas as roupas do armário para separar melhor. Viu algumas peças velhas e passou a examinar o interior para ver se não havia nada esquecido. Pegou um terno azul marinho que já estava desbotado e pos no colo para examinar por dentro, sentiu algo dentro da peça e abriu o bolso interno da deparando-se com um maço de folhas de papel que pareciam ser cartas presas por um barbante. Pensou se era bom ler ou não, era pessoal de Harry, mas a curiosidade foi maior. Desamarrou o barbante que as prendia e pôs-se a verificar o conteúdo. Na primeira carta seu sangue parou de circular no corpo. As lagrimas brotaram de seus olhos sem que ela nem pensasse em chorar, suas mãos tremiam e seus pensamentos estavam confusos. Era difícil acreditar no que estava lendo, difícil acreditar que Harry, seu amado marido, trocava cartas de amor com a esposa de um de seus melhores amigos, era difícil acreditar que ele era amante dessa mesma mulher, difícil acreditar que eles juravam amor eterno e que faziam planos de ficarem juntos, mas mais difícil, foi acreditar que ela estava grávida, que esperava um filho de Harry. Pelas cartas Virginia percebeu que seu marido amava aquela mulher, ele queria ficar com ela, ele ia ter um filho com ela. Lembrou que ele tinha viajado com ela para enterrar o marido, agora que ela era viúva, estava livre, com certeza Harry iria terminar seu casamento e iriam ficar juntos. Virginia atordoou-se. Só agora toda a distancia de Harry fazia sentido, só agora ela percebeu que não tinha mais marido, que fora traída, que não significava nada para aquele homem que ela tanto amava. Deixou as cartas sobre a cama e foi ate a varanda a fim de tomar ar. Pensou um pouco e decidiu ir embora daquela casa, não tinha mais porque ficar ali. Harry tinha outra mulher e logo eles seriam uma família. Quando ele voltasse, com certeza iria pedir pra que ela se fosse e ela não queria ser humilhada por ele, o melhor era ir logo embora. Pensou em para onde ir e a casa do irmão veio logo a sua mente, mas estava fora de cogitação, ele já tinha problemas demais após a morte da esposa. Pensou nos pais, sim poderia ir para a casa deles já que eles moravam longe, assim seria mais fácil pra ela esquecer as magoas que sentia agora. Iria no dia seguinte a estação ver quando partiria um trem para a cidade onde seus pais moravam. Olhou ao redor e sentiu-se pequena naquela casa. Decidiu sair, andar um pouco para pensar. Pos uma capa e fechou a porta do quarto, descendo as escadas devagar para não fazer barulho e acordar os empregados ela saiu de casa. Era tarde e por isso não havia ninguém na rua, ela caminhou sem saber o que fazer por alguns minutos, ate avistar uma praça. Pensou em ir ate lá e sentar-se para pensar e respirar. Caminhou um pouco e quando ia atravessar a rua um carro virou a esquina. Ela puxou mais a capa contra si e atravessou rapidamente a rua, caminhando apressada para a praça. Avistou um banco e sentou-se nele, fechando os olhos em seguida para expulsar as lágrimas que ainda não tinham caído.

Draco vinha voltando da casa do contador da família Malfoy, o Sr. Hopikins. Tinha trabalhado ate tarde examinado algumas contas para levar um relatório para mostrar ao pai quando viajasse à França no dia seguinte. Vinha reclamando do velho senhor por ter demorado tanto e ele ter saído tão tarde, tinha que fazer as malas e deixar algumas ordens aos criados, mas agora já era tarde e eles deveriam estar dormindo. Ia reclamando quando dobrou a esquina e viu um vulto atravessar a rua. Pela barra do vestido que ficava a mostra embaixo da capa, dava pra ver que era uma mulher da sociedade. Draco estranhou o fato de uma mulher sair à noite e ainda mais desacompanhada. Diminuiu a velocidade para poder ver se identificava a criatura e viu uma mecha de cabelos ruivos escaparem da capa. A idéia de ser Virginia fez com que ele decidisse parar. Desceu do carro e caminhou ate a praça onde viu o vulto sob a capa sentado em um banco. Aproximou-se mais e constatou que era mesmo Virginia. Notou que o rosto dela estava molhado, ela devia ter chorado. Viu-a dar um leve sorriso e então abrir os olhos.

Virginia sentiu o perfume de Draco e sorriu levemente. Lembrou-se do primeiro encontro deles nos jardins da família Malfoy. Abriu os olhos e viu que ele estava diante dela, como da outra vez. Sem pensar em nada ela levantou e jogou-se conta Draco abraçando-o fortemente, Draco abraçou-a de volta. Virginia afastou-se dele e olhou-o nos olhos, Draco encarou-a e sem pensar beijou-a como a tanto sentia vontade de fazer. Virginia não pensou em se afastar, pelo contrario, estar com ele era bom, ela se sentia protegida e querida depois de ter sido rejeitada e traída por Harry. Draco aprofundou o beijo querendo apenas senti-la nos braços dele e Virginia envolveu-o com os seus. Separaram-se para tomar ar.

- Há muito eu esperava por isso! – Draco disse ainda segurando-a pela cintura.

- Confesso que eu também – Virginia disse encarando-o ainda que timidamente.

- O que você faz aqui?

- Eu saí para dar uma volta!

- Há essa hora e sozinha? – ele perguntou desconfiado.

- Não agüentava ficar em casa Draco, precisava respirar!

- O que aconteceu?

- Senti-me mal, achei que sair um pouco me faria bem! – mentiu Virginia.

- Mas na rua? É perigoso. Vamos, vou levá-la pra casa!

- Não quero ir pra casa Draco, não consigo dormir!

- Por quê?

- Me leve pra qualquer lugar, menos pra casa! – ela pediu

- Pra onde quer ir? – ele perguntou surpreso.

- Pra qualquer lugar, desde que eu esteja com você!

- Vamos para minha casa?

- Sim.

Draco guiou-a ate o carro antes que ela pudesse mudar de idéia. Virginia sabia que não devia ir porque não era certo, mas o que Harry havia feito com ela também não tinha nada de certo. Assim ela foi com Draco ate a mansão Malfoy e chegando lá ele levou-a para seu quarto. Virginia estava com o coração acelerado, Draco ansioso por tê-la junto de si. Ele beijou-a delicadamente, depois passando a um beijo possessivo. Virginia sentiu um calor tomar conta de si e envolveu Draco com os braços, passando a mão pelos cabelos dele. Draco apertou-a pela cintura, trazendo-a para mais perto de si. Virginia desceu as mãos pelas costas dele apertando-o contra seu corpo também. Draco procurou os laços do vestido que ela usava afrouxando-o, passando a desabotoá-lo depois. Virginia sabia o que ele pretendia e por um instante pensou em parar. Afastou-se dele e encarou-o, Draco, no entanto inclinou-se sobre o pescoço dela beijando-o. As sensações que ele provocou nela fizeram com que ela esquecesse toda a razão que possuía e tudo o que ela fez foi tentar desabotoar a camisa que ele usava. Draco conseguiu soltar-se do vestido dela e deixou-a só de camisola. Virginia sentiu-se envergonhada quando ele olhou para o corpo dela enquanto desabotoava a própria camisa e a calça, ficando só de roupa de baixo. Draco tomou-a nos braços novamente beijando-a com paixão. Empurrou-a devagar ate a cama e fez com que ela deitasse, deitando-se sobre ela em seguida. Passou a explorar o corpo dela com as mãos e ir afastando a camisola, logo Virginia estava nua e ele beijava cada parte do corpo dela, fazendo-a suspirar e soltar leves gemidos. Aquilo o deixou louco. Ele livrou-se da única peça que vestia e voltou a beijá-la nos lábios, passando a mão sobre o corpo dela e ela fazendo o mesmo. Virginia sentia imenso prazer no toque dele, nos beijos dele e draco também, ele estremecia a cada vez que ela enfiava as unhas na pele dele. O corpo dela era tão quente enquanto o dele tão frio que isso provocava sensações agradáveis em ambos. Draco não resistiu mais e precipitou-se sobre ela penetrando-a devagar. Virginia cravou as unhas nas costas dele e gemeu de dor. Draco moveu-se lentamente dentro dela e logo ela passou a acompanhá-lo no mesmo ritmo. Virginia passou as pernas pela cintura dele e aquilo fez com que Draco a segurasse pelas costas e a erguesse, fazendo com que ela sentasse no colo dele. Nessa posição Draco podia beijar-lhe o colo e o pescoço, enquanto Virginia passava as mãos pelo corpo dele. Os corpos deles moviam-se numa dança sensual e ritmada, dando muito prazer a ambos. Os movimentos aceleraram-se e pouco depois eles chegaram juntos ao ápice do prazer. Virginia sentiu-se em êxtase, nunca havia feito amor com o marido daquele jeito, nunca tinha sentido tanto prazer como sentiu com Draco. A respiração dela era acelerada, o coração batia descompassado, a cabeça pousada sobre o ombro dele. Draco sentia-se como a ruiva, nunca havia estado com uma mulher antes que o tivesse feito sentir tanto prazer como sentiu com ela. Virginia tinha algo que provocava nele sensações que ele nunca tinha sentido antes de conhecê-la e que lhe davam muito prazer, ela o enlouquecia. Deitaram-se na cama ambos de lado se encarando. Draco pensava no quanto ela era linda, a pele, os cabelos, o rosto, todo o corpo, o cheiro dela entontecia ele, sentia-se mais que nunca atraído por ela, mas não podia cultivar aquele sentimento, afinal não poderiam ficar juntos já que ela era casada, e mesmo que não fosse, não ficaria com ela, pois ela era uma mulher infiel e leviana. Agradecia mentalmente por ter que ir embora no dia seguinte para Paris e ir se casar assim que chegar lá, assim ele esqueceria aquela mulher a sua frente e se curaria daquele maldito sentimento de paixão que não tinha razão de ser. Virginia olhava-o e agora entendia o que sentia por aquele homem, ela o amava, amava desde a primeira vez que o viu, quando seu coração acelerou, por isso não se importou quando Harry começou a abandoná-la. Virginia não sabia o que faria dali pra frente, mas sabia que não queria ficar longe daquele homem.