DDT5: NOSSAS VIDAS NA OUTRA VIDA

Capítulo 3

AUTORAS: Lady K & TowandaBR

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham nos pentelhar).

GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe?). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qqr dano psicológico ou moral. lol.

AVISO IMPORTATÍSSIMO: Esa fic é parte da série Depois da Tempestade, composta de DDT1: Páginas Perdidas, DDT2: Desvendando o Passado, DDT3: O Retorno de um Velho Amigo e DDT4: Segredos e Verdades.

COMMENTS:(por Lady K)

Primeiramente, obrigada pelas reviews. Vcs realmente estão nos deixando muito motivadas! Em segundo lugar, quero deixar bem claro que nunca, jamais, em hipótese alguma, nem sonhando, nem fu-den-do, never, nope, fui subornada por TowandaBR. Aliás, destaco que ela não me manda mais chocolates como antigamente, o que por si só é um absurdo. Só eu sei a provação que é tirar os desejos psicopáticos dela de matar os fofos lindos R&M. Nem com minhas ameaças de greve ela se intimida (ela não tem coração!).

AmandaBBC: Boa tentativa, mas 2 review não fazem o capítulo sair mais rápido, mas nos deixam inspiradas com certeza. O capítulo não está pequeno, é ilusão de ótica :D Obrigada pelos comentários, a gente sempre fica com receio tipo: "será que na série eles fariam isso?", é bom saber que estamos no caminho certo.

Jéssica: é, eles são simpatiquinhos :P

Luanaa: Eu te entendo perfeitamente! Como não amar um casal tão lindo como R&M??? O que não significa que odiemos N&V, claro.

Marguerrite: se vc não comentasse que o capítulo ficou pequeno, não seria vc! Não acredite nas calúnias de TowandaBR, logo terei a oportunidade de provar que digo a verdade! R&M sempre!!!

Mamma Corleone: Ai que saudadeeeee! Te vi on no msn esses dias e quando te chamei, vc saiu :( Não vale! Quando vc volta a escrever? Não acha que está muito tempo parada? :D


Morrighan

Ajudar o pai de Verônica me consumira muita força, sentia-me exausta. Assim que terminei de dar as últimas instruções, uma criada me levou para uma outra casa onde, tomada pelo cansaço, praticamente desmaiei.

No dia seguinte, acordei com Verônica pulando sobre mim.

"Morrighan! Morrighan! Acorde!" - ela puxava a colcha que me cobria. Naturalmente, eu a puxava de volta, tentando cobrir minha cabeça. Será que se eu a ignorasse mais um pouco, ela desapareceria?

"Verônica, é muito cedo, o que você quer?!" - tive que me render finalmente.

"Meu pai! Ele está ótimo, nem parece que estava doente! Ah, ele quer conhecê-la e, claro, levá-la pessoalmente até a sua aldeia. Se alguém tivesse me contado essa história, com certeza, eu não acreditaria."

Senti meu coração se apertar subitamente pela lembrança de casa. Todos deviam estar preocupados com meu desaparecimento. Ainda que Bochra pudesse ter alguma visão de que eu estava bem, e meu pai? Ele já era um homem idoso, de barba grisalha. Mesmo preferindo ser atravessada por mil flechas a acordar cedo, levantei-me.

Eu estava voltando para casa.

Challenger observava atentamente Marguerite e Verônica que, sob o efeito da bebida amarga que lhes fora dada pelo feiticeiro Zanga, dormiam tranquilamente. Desde a hora em que haviam caído no sono, nenhuma alteração significativa havia acontecido. Às vezes, apenas alteravam um pouco a expressão, dando um sorriso ou eventualmente franzindo o cenho.


Verônica

Eu realmente precisava acordar Morrighan para ver meu pai. Provavelmente ela já estava acostumada com esse tipo de coisa, mas para mim, aquilo foi um milagre. Os deuses haviam sido generosos conosco, eu não poderia ignorar. A alegria transbordava.

"Morrighan! Morrighan! Acorde!" - eu puxava a colcha que a cobria, com ela tentando se cobrir novamente. Nunca vi uma pessoa tão mal humorada e que detestasse tanto levantar cedo, mas do jeito como eu estava eufórica, seria ingenuidade dela acreditar que eu a deixaria dormir o dia todo.

"Verônica, é muito cedo, o que você quer?!" - eu finalmente havia conseguido.

"Meu pai! Ele está ótimo, nem parece que estava doente! Ah, ele quer conhecê-la e, claro, levá-la pessoalmente até a sua aldeia. Se alguém tivesse me contado essa história, com certeza, eu não acreditaria."

Quando terminei de dizer isso, vi que seu mau humor foi substituído por tristeza e preocupação. Claro, ela havia me dito que seu pai era um ancião, e provavelmente não mediria esforços, procurando-a. Até me senti culpada por tê-la feito ficar, mas sabia não haver alternativa.

Após o café da manhã, meu pai, quatro soldados e eu levamos Morrighan a sua aldeia. Aliás, ela e meu pai passaram o tempo todo conversando, como se já se conhecessem há anos. Nesse momento, pude verificar o quanto ela era bem instruída por Bochra: não havia assunto que ela não dominasse, até porque, para conseguir argumentar com meu pai, era preciso ter uma boa bagagem intelectual! Ambos aprenderam muito um com o outro, trocando informações sobre como viviam nossos povos.

Quando passamos pela entrada da aldeia, um grupo de homens armados com lanças nos cercou.

"Abaixem suas armas, essas pessoas são meu amigos" - ela ordenou com voz tranquila, porém firme.

As notícias devem voar nesse lugar, porque seguimos mais um pouco e logo uma mulher correu para abraçar Morrighan. Assim como minha nova amiga, tinha os cabelos negros e encaracolados, os olhos de uma cor entre o mel e o verde.

"Minha menina, quer nos matar de susto? Onde esteve?" - era visível a preocupação em sua voz e logo imaginei tratar-se de Vivian, a mulher que cuidava dela segundo havia me dito.

"Morrighan!" - um ancião de barba branca caminhava a passos lentos em sua direção. Devia ser seu pai, Belenos.

"Você está em sérios apuros, mocinha!" - um outro homem acompanhava o idoso. Tinha os cabelos castanhos, olhos verdes e vestia uma capa druida, com certeza um sacerdote. Sua voz era calma e doce, apesar da situação. Devia ser Bochra.

"De verdade, sinto muito Bochra... não pretendia causar tanta preocupação a vocês."

"Vocês deveriam se orgulhar desta jovem. Precisam saber tudo que aconteceu" - meu pai aproximou-se.

Logo, todos se apresentaram e foram para a casa de Morrighan. Ouvi alguém dizer que assariam carne de javali e fariam uma comemoração pela volta dela e para saudar seus novos amigos.

Ficamos para trás enquanto todos iam à frente. Eu pensava que meu encontro com Morrighan tivesse cumprido seu propósito, mas eu estava muito enganada!

O tempo parou quando eu o vi caminhando em nossa direção... alguns anos mais velho que nós, com músculos fortes, provavelmente preparava-se para ser um guerreiro. Tinha a pele clara e os olhos azuis como Morrighan, mas os cabelos eram lisos e dourados.

"Ei, estrelinha, sabia que titio me fez andar até escurecer atrás de você?"

Morrighan abriu um enorme sorriso. Instantâneamente, senti uma ponta de inveja. Será que havia algo entre eles? Morrighan é uma garota de sorte, pensei. Mas não. Quando ela começou a falar, entendi tudo.

"Cão do inferno, até você vai me dar um sermão?" - sua voz era divertida - "Seja educado e cumprimente minha nova amiga, Verônica. Verônica, este é Erick, meu primo. Ele pensa que é um grande guerreiro e que manda em mim."

Quando, finalmente, nossos olhares se encontraram, senti uma espécie de eletricidade passar por meu corpo. Ele e eu ficamos calados, apenas nos olhando. Eu soube, nesse instante, que um novo capítulo, muito especial, se iniciava em minha vida.

Ao contrário da tranquilidade do cientista e das moças, Roxton e Malone estavam preocupados e irritados. Summerlee resolveu ajudar da melhor forma que podia: mantendo os dois com atividades o tempo todo. Porém, duvidava que eles aguentariam mais do que, no máximo, uns três dias, antes que perdessem a paciência e rumassem para Zanga. E assim, Arthur ordenou uma faxina geral na casa da árvore.

Malone queria manter-se fisicamente ocupado o tempo todo. Escrever significava pensar e pensar era algo que ele realmente não queria fazer. Pelo menos não naquele momento.

Roxton, por sua vez, havia decidido não estar disponível para Marguerite sempre que ela chamasse. Ele a amava, disso não havia a menor dúvida. Se um dia ela resolvesse o que realmente queria, que o procurasse. Até lá, ele esperava dedicar mais tempo para si mesmo e para os amigos. Talvez seu afastamento fizesse Marguerite reconsiderar e realmente ter tempo de sentir sua falta.

Mas nenhum sentimento que pudessem ter impedia que os três estivessem muito preocupados com a aventura de Challenger, Marguerite e Verônica.


Morrighan

O caminho de volta para casa foi tranquilo. Ao menos não encontramos nenhum predador faminto! Nem sei dizer quanto tempo levamos, para mim durou alguns minutos. Belfort conversou comigo o tempo todo, querendo saber sobre nossos costumes e, claro, eu também queria saber mais sobre o povo da minha nova amiga. Também falamos sobre ciência, religião, filosofia... o homem era um poço de conhecimento. De certa forma, me lembrava Bochra.

Quando passamos pela entrada da aldeia, os soldados nos cercaram, sendo que logo lhes disse que não havia o que temer.

Não demorou muito para que Vivian viesse nos receber. Eu já disse o quanto ela era querida?

"Minha menina, quer nos matar de susto? Onde esteve?" - cheguei a me sentir culpada por causar toda a confusão.

"Morrighan!" - meu pai a seguia. O pior estava por vir.

"Você está em sérios problemas, mocinha!" - Bochra sabia ser doce, mas prezava a disciplina e a seriedade nos momentos certos. Eu já sabia que algum castigo do tipo ficar mais tempo estudando me aguardava.

"De verdade, sinto muito Bochra... não pretendia causar tanta preocupação a vocês." - eu fui sincera.

"Vocês deveriam se orgulhar desta jovem, precisam saber tudo que aconteceu." - Belfort me salvou.

Todos começaram a conversar e já nem se lembravam de mim ou de Verônica. Claro que já preparavam algo para receber os convidados, que certamente não sairiam sem um pequeno festejo regado a pão, vinho, frutas e carne.

"Ei, estrelinha, sabia que titio me fez andar até escurecer atrás de você?"

Eu sorri ao ouvir o apelido carinhoso. Só uma pessoa me chamava assim: Erick, meu primo. Eu o amava como a um irmão. Crescemos juntos, andávamos para todos os lados, inseparáveis quando eu não estava estudando e ele, em seu treinamento militar, claro. Não tinha a menor dúvida de que ele ainda lideraria nosso exército.

"Cão do inferno, até você vai me dar um sermão? Seja educado e cumprimente minha nova amiga, Verônica. Verônica, este é Erick, meu primo. Ele pensa que é um grande guerreiro e que manda em mim."

Fiquei olhando os dois, sem acreditar. Estavam paralizados, se olhando, com um sorriso bobo no rosto. Comecei a rir, mas eles nem me notaram. Erick e Verônica? Deste dia em diante, estávamos sempre juntos.

Enquanto o automóvel modelo Vauxhall produzido no Reino Unido em 1920, cruzava a estrada de pedras que serpenteava o gramado que levava à propriedade dos Mayfair, Lady Elizabeth Roxton sentia seu mal estar crescer, fruto da ansiedade do momento. Mentalmente, já repassara infinitas vezes o assunto que tinha para tratar, o que não diminuía em nada o desconforto que sentia.

Olhou pela pequena janela o céu nublado de onde descia uma fina garoa, o condutor já havia parado o veículo, abrindo a porta e segurando um guarda-chuva para conduzi-la à casa.

Em instantes, já estava aguardando na grande sala de estar, enquanto a criada apressou-se em chamar a patroa.

"Quem você disse estar aí?" - Anne perguntou abaixando os óculos e interrompendo a leitura dos papéis sobre a mesa da biblioteca.

"Lady Elizabeth Roxton, senhora!"

Se havia uma pessoa por quem ela não esperaria uma visita seria justamente Elizabeth. Balançou a cabeça, procurando organizar os pensamentos. Aguardou um tempo até quebrar o silêncio.

"Bem... então traga-a aqui, Antonia, por favor."


Verônica

Os anos passavam e minha amizade com Morrighan se estreitava cada vez mais. Tínhamos nossas diferenças, é verdade, se eu não a conhecesse tão bem, diria que, por vezes, era uma pessoa até cruel. Entendo que isso se devia à cultura de seu povo, mais preocupado com guerras e lutas.

Sempre que podíamos, passávamos dias visitando uma a aldeia da outra. Mas, claro, era eu quem a visitava a maior parte do tempo. Bochra era rigoroso com os estudos de Morrighan, não permitindo que passasse muito tempo fora. Erick, com seu treinamento militar, também não podia se ausentar.

Morrighan e ele me ensinaram a lutar, a usar o arco, facas e lanças. Tudo como se fosse diversão e brincadeira, mas eu sabia, de certa forma, que talvez isso viesse a ser útil algum dia. Só não sabia o quanto.

Eles se tornaram meus melhores amigos. Mas Erick... bem, eu desejava que, um dia, ele fosse mais que um amigo. Passei a adolescência idolatrando-o como a uma espécie de príncipe dos meus sonhos. Conforme crescia, mais sem graça eu ficava perto dele, nervosa, atrapalhada. E eu achava que era discreta! Morrighan me disse, muito depois, que só um cego não veria que eu era apaixonada por ele.

Um dia, eu passava uma semana com os Tuahta de Danann, após meses sem visitá-los. Ainda não havia visto Erick, que estava lutando contra os romanos numa região próxima.

Quando ele finalmente regressou, acompanhado pelos outros soldados, assim como a primeira vez em que o vi, tudo ao redor se perdeu, silenciando-se, para que ficássemos apenas nós dois. Sem perceber, corri em sua direção, jogando-me em seus braços.

Algo que nunca entendi o que ocorreu nesse instante mágico. Antes, éramos amigos e apesar de sentir que não era só isso, não tinha certeza se chegaria a se concretizar, além de eu ter medo de perder sua amizade. Também, apesar do grande carinho por mim, ele parecia ainda me ver como a menina desastrada que um dia fui.

Agora eu era uma mulher e pareceu que o tempo que passamos afastados foi o suficiente para abrir seus olhos.

Nos abraçamos forte, sentindo a presença um do outro por segundos que jamais queria que terminassem. Nos afastamos o bastante apenas para nos olharmos e, carinhosamente, ele tocou meu cabelos.

"Eu não poderia esperar uma recepção melhor do que esta."

Eu sorri encantada. Então, simplesmente fomos nos aproximando, irresistivelmente atraídos, nossos olhos se fechando, permitindo que nos entregássemos de coração. Ainda senti seu hálito morno sobre meus lábios, que se uniram aos dele. A princípio hesitante, eu não sabia o que fazer, era meu primeiro beijo. Depois, não sabia como vivera tanto tempo sem experimentar a doçura daqueles lábios.

Quando nos separamos, lembrando-nos que não estávamos sozinhos, sorrimos encabulados. Algumas pessoas deram vivas, felizes com nossa união.

Exceto uma pessoa... Brigit. Ela nunca simpatizou com Morrighan o que, obviamente, se estendia a mim. E agora eu lhe dava um motivo real para me odiar: ela sempre mantivera esperanças com Erick, lutando para chamar sua atenção e conquistar seu carinho. Naquela época, nenhuma de nós sabia que o coração de Erick estava, o tempo todo, guardado para mim.

"Certamente, ela não está em perigo." – disse Challenger ao curandeiro após observar o sorriso aberto de Verônica, que dormia profundamente.

"Este é um chá poderoso." – piscou o curandeiro Zanga que fazia companhia ao cientista – "Talvez devesse experimentar um dia, meu amigo."

"Essa é uma idéia tentadora." – George gargalhou suavemente.


Morrighan

Nunca houve uma amizade como nossa, Verônica e eu. Mesmo com o passar dos anos, fazíamos tudo para estarmos juntas, mesmo com Bochra não permitindo que eu saísse muito da aldeia.

Erick e eu a ensinamos a usar armas e, com o tempo, a garota desajeitada e tímida se transformou em uma mulher segura, decidida e que sabia se defender muito bem. Aliás, ela e Erick desenvolveram uma ligação muito especial. Bem que tentavam manter a aparência de que eram amigos... e eram... mas havia mais. Verônica gaguejava quando estava perto dele, derrubava coisas, tropeçava. Erick, por sua vez, parecia um pavão mostrando a plumagem brilhante. Jamais me atrevi a comentar suas atitudes, era claro demais que esses dois se amavam e, um dia, se dariam conta disso. E eu fazia gosto, afinal, Verônica faria parte da família oficialmente. O que mais eu desejaria?

Eu lhe era muito grata. Posso ter ensinado coisas a ela, mas Verônica me ensinou muito mais. Meu orgulho, meu egoísmo, as mágoas, rancores e desejos de vingança que eu alimentava - e que nem Bochra conseguira tirar de mim - ela foi capaz de atenuar. Eu ainda tinha muitas falhas, mas seriam maiores se não fosse pelo convívio com Verônica.

Erick passou um tempo lutando por nossas terras e, ao regressar, Verônica estava na aldeia. O amor entre eles parecia haver amadurecido, finalmente vindo à luz em todo seu resplendor. Eu ia cumprimentá-lo quando vi que trocavam um beijo apaixonado. Nunca havia visto uma cena tão bonita. Detive o passo, permitindo que desfrutassem da presença um do outro, vivendo seus sentimentos.

Então, lá estava Brigit encarando-os. Ela era um problema antigo em minha vida, entretanto, nesse instante, eu soube que nossa inimizade seria eterna. Em sua mente perturbada, eu trouxera Verônica para que Erick não a amasse.

Brigit era filha de Lorena e Warbeck, que era um dos altos sacerdotes do nosso povo. Em linha de comando e poder, ele estava atrás apenas de Bochra, a quem nutria ódio mortal por motivos óbvios. Mas isso ia mudar: eu já era uma mulher e dentro de pouco, seria feito meu ritual de reconhecimento e eu me tornaria a sacerdotisa do meu povo, e não haveria outra autoridade acima da minha. Assim, o poder ficava dia após dia mais distante de Warbeck.

Quando isso acontecesse, eu teria acesso às esmeraldas sagradas, cravadas numa rocha do templo. Além de um medalhão mágico que permitia a quem usasse viajar no tempo e no espaço. Era uma jóia sagrada, cuja origem se perdeu no tempo, um suposto presente dos deuses. Era tão poderoso que nenhum sacerdote se atrevia a usá-lo, deixando que passasse de geração em geração, até que houvesse alguém com habilidades suficientes para controlá-lo. E, segundo Bochra, eu era esse alguém.

"MALONE!!!!" – Summerlee gritou até que o jornalista interrompesse o trabalho.

"O que é?" – disse o jovem parando de martelar.

"O prego já está bem fixo. Se continuar, vai estragar o que acabou de consertar.

Só então Ned prestou atenção no que fazia.

"Tem razão, desculpe."

"Chame Roxton. O almoço está pronto." – Arthur continuou indo para a cozinha enquanto murmurava com um sorriso – "É melhor que as coisas se resolvam antes que esses dois destruam a casa."


Verônica

Com a chegada do solstício de primavera e os guerreiros de volta à aldeia, ao menos por enquanto, Bochra convocou a todos para o ritual de reconhecimento de Morrighan. Agora, minha querida amiga guiaria os Tuahta de Dannan. Felizes, meu pai e eu fomos convidados para assistir a cerimônia.

Tudo ocorreu no templo, as pedras enfileiradas formando um círculo ao ar livre. Nenhum templo druida era fechado como faziam outros povos: meu povo acredita na força da natureza e na Grande Deusa, portanto, nada como o ar livre para nos manter em contato com esse princípio.

Havia tochas altas fincadas no chão e ramos de flores harmoniosamente atados às grandes rochas. Na rocha principal viam-se duas grandes esmeraldas e, separando-as das pessoas, uma imensa fogueira mantida com madeiras aromáticas.

Eu estava atenta a tudo isso, não desejava perder nada. Todos murmuravam, comentando o evento. Então, fez-se silêncio absoluto. Os sacerdotes entraram enfileirados, entoando cânticos sagrados, passando no espaço aberto entre a grande multidão, usando seus mantos escuros. Mesmo com o capuz levantado, conseguíamos ver que usavam máscaras com chifres, uma clara homenagem ao deus Cernunnos. Posicionaram-se ao redor da rocha com as esmeraldas, finalmente retirando as máscaras e revelando seus rostos. Somente a máscara de Morrighan possuía uma coroa em vez de chifres, pois homenageava a Grande Deusa, o princípio feminino da natureza.

Bochra era quem havia conduzido a fila, usando um cajado dourado, enfeitado em ouro, como se houvesse ramos com pequenas folhas desse metal envolvendo-o. Junto a ele, estava Morrighan. Tive a nítida impressão de haver uma aura mágica em volta dela. Os longos cabelos haviam sido presos numa trança e, ao redor da cabeça, enfeitando sua fronte, havia uma jóia dourada e com esmeraldas iguais às sagradas que ficavam na rocha, porém, claro, em tamanho proporcional à peça que adornavam. Ela estava perfeita.

Erick apertou minha mão, puxando-me mais para perto dele. Sorrimos.

"Enfim é chegado o momento em que aquela que as profecias disseram estaria pronta para nos liderar. Morrighan é a promessa dos deuses de que nosso povo será conduzido à vitória e à prosperidade." - Bochra dera início à cerimônia. Tirou um maravilhoso punhal que parecia feito de ouro. Juntos, o guarda mão e o cabo formavam a cruz celta, cheio de pedras preciosas, e num movimento horizontal repetido por três vezes sobre a chama da fogueira, entregou-o a Morrighan. Também lhe entregou uma pequena bolsa de couro que ela rapidamente escondeu entre suas vestes.

"Que a Grande Deusa a acompanhe em seus passos, dando-lhe a sabedoria, serenidade e senso de justiça. O seu povo, assim como este punhal, está em suas mãos." - Ele abaixou a cabeça levemente, numa reverência respeitosa. Morrighan levantou o punhal aos presentes e uma série de palmas e gritos de alegria se seguiu. Estava terminado o ritual. Agora, os festejos durariam três dias e três noites seguidos, uma comemoração com muita carne de javali, frutas, pães e vinho.

Brigit e Lorena cochichavam algo entre si, obviamente criticando Morrighan. Warbeck, entre os sacerdotes, não conseguia encobrir sua insatisfação. Não era preciso ser adivinho para saber que, se pudesse, pararia com tudo naquele momento, exigindo que lhe dessem o lugar de Morrighan. Nunca fui dada a intuições ou algo do gênero, mas naquele momento, senti algo verdadeiramente ruim. E torci para que fosse apenas alguma fantasia da minha cabeça. Parei de pensar nisso quando Erick me puxou para longe da multidão.

"Ei, devagar, Erick!" - ele praticamente corria, impedido apenas pela multidão de pessoas.

"Existem coisas que não podem esperar" - ele tirou da cintura um pequeno embrulho de veludo vermelho, abrindo-o somente quando se ajoelhou aos meus pés. Meu olhos se arregalaram, espantados.

"Verônica, quer se casar comigo?"

Com um sorriso bobo no rosto, respondi se hesitar.

"Sim, Erick, sim!"

Continua...



R - E - V - I - E - W!

Querem o próximo capítulo rapidinho?

Querem o Roxton no próximo? E sem camisa?

Então, já sabem o que fazer: REVIEW!!!

Towanda diz: Roxton sem camisa? Ha! Ha! Ha! Só se eu deixar.



Para facilitar:

Vivian = Anne Mayfair

Belenos = Summerlee

Verônica = Verônica

Belfort = Challenger

Morrighan = Marguerite

Erick = Malone

Brigit = Hellen

Lorena = Charlote