-Aqui está bom Luffy?

-Está ótimo pai, obrigado. Eu nunca acharia o caminho de volta pra vila Foosha sem a Nami, mas foi bom você ter aparecido e me guiar pra cá. Não vai descer comigo?

-Não acho que seja uma boa idéia. Makino-san ainda deve me odiar.

-Te odiar? Por quê?

-Porque eu abandonei você muito pequeno pra viajar.

-Ah, deixa disso, desça comigo!

-Um dia eu ainda crio coragem para encará-la de novo, mas não vamos forçar as coisas, certo? Eu volto semana que vem pra te buscar.

-Tudo bem então.

Luffy saiu do pequeno navio em que viajava com Monkey D. Dragon e acenou um "até breve" pra ele. Caminhou tranqüilo no sol de meio-dia em direção ao Party's Bar.

-Makino-san, me vê um pedaço bem grande de carne! – chegou dizendo.

Todas as pessoas que estavam lá almoçando, bebendo ou só passando o tempo, petrificaram em suas cadeiras. O Rei dos Piratas estava entrando ali?

Makino, a dona do bar, derrubou o copo que secava e ficou olhando para o homem que abria as portas de madeira, sem poder acreditar que aquele era o mesmo garoto que saiu da ilha há algum tempo atrás.

-É assim que você cumprimenta os antigos amigos, seu moleque sem educação! – disse ela, correndo na direção dele e o abraçando. – Finalmente você voltou! Desgraça de menino, deixou todo mundo preocupado!

Luffy riu muito da reação dela, e logo estava sendo conduzido para o balcão.

-Aqui está, Makino-san! – ele colocou um saco cheio de moedas de ouro na frente dela – Eu não esqueci de todas as vezes que comi aqui e mandei você marcar na "conta do tesouro". Bom, o tesouro está aqui. Acho que isso paga minha conta.

Ela olhou para aquele monte de ouro, e disfarçou uma lágrima que começou a descer pelo rosto. Luffy era realmente alguém que cumpria suas promessas, e ela tinha sentido muita falta daquele garoto.

-Espere um pouco, vou trazer sua comida.

Ele se virou de costas para o balcão enquanto esperava, para poder olhar as pessoas que estavam no bar. Percebendo que talvez sua entrada tivesse feito as pessoas pararem de comer, ele disse:

-Por favor, não interrompam seu almoço por minha causa! Prometo não ficar muito tempo...

Um menino que estava na mesa em frente à Luffy, se levantou tímido e foi até ele.

-Voc-você é o Luffy?

-Sim. - ele respondeu, estranhando a pergunta.

-O Monkey D. Luffy, Rei dos Piratas? – insistiu o garoto, pra não haver a possibilidade de terem dois Luffy's ali.

Ele não se agüentou de rir daquela pergunta, e ninguém entendeu sua reação.

-É sim, esse sou eu. Não precisa ficar com tanto medo de falar comigo, eu sou um cara legal. – terminou, sorrindo.

Isso pareceu o suficiente para o menino, que se esforçou para subir no banco ao lado dele.

Começaram a conversar como se fossem velhos amigos, e logo Luffy estava contando pra ele suas aventuras na Grand Line. Algumas pessoas chegaram perto para ouvir também. Logo, mais da metade do bar estava ao redor dele, ouvindo atentamente.

-É verdade que você pode se esticar? O pai do amigo de um amigo de um primo meu disse que sim, mas eu não acreditei nele. – perguntou o garoto.

-Luffy, aqui está seu prato! Makino voltava com uma bandeja enorme. – Ele esticou o braço até a porta que ela estava passando, pegou a bandeja e a puxou para sua frente. O menino quase teve um ataque depois disso. Iria levar a lembrança daquele dia como herança de família.

-A propósito, Makino-san, meu pai me trouxe até aqui, mas não quis descer do navio com medo que você não gostasse de vê-lo. Semana que vem ele virá me buscar, tem algum problema ele entrar no seu bar? – perguntou Luffy, despreocupado.

-Claro que não Luffy, seu pai é muito paranóico. Se você o perdoou, eu não tenho direito algum de condená-lo. Mas você já vai embora semana que vem?

-Tenho que ir. Vou encontrar minha tripulação em Logue Town.

-Ah, que pena. Queria que você ficasse mais tempo entre nós.

-Não posso ficar muito tempo no mesmo lugar. Sou um pirata, lembra? Minha vida é no mar. – ele disse, com seu sorriso largo de sempre. – Prometo que trago meus amigos aqui depois que fizermos o que temos que fazer.

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Os 7 dias combinados passaram devagar para os piratas do Chapéu de Palha, que aproveitaram ao máximo seu tempo livre para descansar e espalhar as aventuras que viveram. Quando o dia de se encontrarem chegou, a parte da tripulação que estava em Cocoyashi zarpou muito cedo, se despedindo longamente de todos. Nojiko podia jurar que viu Nami chorando ao subir no navio e ficou preocupada com a segurança da irmã. Eles foram até Syrop e pegaram Usopp, que também não teve uma despedida feliz. Chegando ao Baratie, tiveram que fazer muitas promessas de que Sanji não iria se machucar nesse tal plano maluco antes de convencerem Zeff deixar ele ir, mesmo sabendo que não podiam prometer a segurança de ninguém. Dragon foi muito cedo para a vila Foosha buscar Luffy, e venceu seu medo da Makino ao entrar no bar dela. Cumprimentou-a rapidamente, e logo os dois estavam a caminho de Logue Town.

Ao avistarem a cidade, os tripulantes do Thousand Sunny sentiram um aperto no peito, mesmo já estando preparados para o que viria a seguir. Desceram a âncora quase no mesmo instante em que Luffy desembarcava.

-Que bom ver que vocês de novo.

-Olá Luffy, olá Dragon. – disse Nami.

-Bom dia a todos. Eu vou me posicionar no local combinado, estarei esperando por vocês. – Dragon deixou o grupo ter sua possível última conversa tranqüila.

-Pessoal, eu não quero perder esse momento relembrando tudo o que fizemos, ou falando o quanto cada pessoa aqui significa pra mim. Isso todos nós já sabemos. Eu só queria dizer a vocês, antes que eu entre na cidade: não morram. É uma ordem. Agora podemos ir. – Luffy se virou de costas para os amigos, se despedindo mentalmente deles, caso não tivesse oportunidade de fazer isso mais tarde.

-Entendido capitão. – eles responderam, engolindo as lágrimas e tomando um último fôlego.

Os Piratas do Chapéu de Palha adentraram Logue Town de cabeça erguida, e assim que as primeiras pessoas viram quem estava ali, a notícia de que o segundo Rei dos Piratas e sua tripulação haviam chegado se espalhou, e a multidão de curiosos começou a se formar.

Eles caminharam em silêncio pelas ruas já abarrotadas de gente, evitando olhar para os lados. Em pouco tempo, chegaram à plataforma de execução. Luffy e Zoro, capitão e vice-capitão do navio Thousand Sunny, os homens com as maiores recompensas do mundo, subiram rapidamente no ponto turístico mais famoso da cidade. Olharam para baixo e viram que provavelmente todos os moradores e turistas deviam estar presentes na larga praça.

-Luffy, acho que você já pode começar. – gritou Robin para ele da base da plataforma.

Preparado para dar o discurso mais complicado de sua vida, ele pegou um Den Den Mushi transmissor, e sua voz pode ser ouvida por toda a cidade:

-Todos vocês estão aqui provavelmente para ver o novo Rei dos Piratas, mas hoje eu vim como um homem comum, querendo apenas ser escutado sem ser interrompido. Se puderem me ouvir por uns instantes, eu ficaria grato.

Nem o vento ousava fazer barulho nessa hora.

-Como todos sabem, nossa tripulação chegou até Raftel. Lá vimos coisas que nunca vamos esquecer. Algumas vamos levar conosco para o túmulo, outras serão reveladas a vocês hoje. Pra começar, a mulher que por 20 anos vocês chamaram de "demônio", Nico Robin, só começou a ser perseguida pela Marinha porque era uma arqueóloga, e existem partes da história que o Governo Mundial não quer que a população saiba.

Robin criou alguns braços na plataforma e puxou a si mesma para cima, onde Luffy estava. Retomou o discurso de onde ele havia parado:

-Minha vila natal, Ohara, foi destruída porque sabíamos ler as pedras que contêm a Verdadeira História, que fala sobre os 100 anos que foram apagados dos registros. Quando chegamos à Raftel, encontramos a maior de todas essas pedras, e nela eu pude ler o que realmente aconteceu naqueles 100 anos. – ela subiu o tom de sua voz – Nos 100 anos perdidos, descobrimos que o Governo Mundial na verdade era uma organização pirata muito poderosa, que desejava controlar tudo ao seu alcance, e por isso atacou a nação mais rica e desenvolvida que existia por uma centena de anos, até que conseguiu vencer a guerra. Depois que venceram, eles mataram todos que sabiam de seu passado e perseguiram os sobreviventes. Criaram a Marinha, para combater futuros piratas que pudessem eventualmente se mostrar mais fortes do que eles, e ameaçar sua posição de líder mundial. Desde então, eles vem pregando que nós, piratas, somos a escória da humanidade, e que só queremos matar inocentes e roubar seus tesouros.

-Mas eu pergunto – Luffy tornou a ecoar sua voz pela multidão – a organização que matou milhares de inocentes no passado deve mesmo julgar o que é certo e errado?

-Eu respondo. – Dragon apareceu em cima de um telhado próximo, com Ace ao seu lado. – ELA NÃO DEVE! O maior crime foi ela mesmo que cometeu. E hoje, estamos aqui para acabar com essa palhaçada. Levantem homens!

Ao comando dele, muitos homens com capas pretas, aqueles que faziam parte do Exército Rebelde, foram se infiltrando pelo meio da aglomeração de pessoas e seguiram até a plataforma.

-Hoje, eu lhes dou a opção de escolha: podem continuar a viver do jeito que tem vivido até agora, ou poder fazer parte da revolução conosco! – Luffy terminou.

O silêncio parecia interminável, mas passaram-se poucos segundos até que o povo começou a gritar em aprovação às palavras que foram ditas. Muitos dos que estavam presentes conheciam bons piratas, ou desconfiavam de que havia alguma coisa errada com a Marinha. A revelação que Robin fez acendeu a antiga dúvida, e jogou por terra a letargia na qual o povo vivia. Ninguém mais queria ser controlado por um governo corrupto e mentiroso.

Antes mesmo que alguém percebesse, os marinheiros estavam cercando a praça e bloqueando as ruas.

-Muito bem falado, Monkey D. Luffy. Eu cheguei a ficar emocionado. Agora por favor, desça aqui e se entregue pacificamente junto com sua tripulação, é claro. Ah sim, e você é o próximo, Dragon.

-Ele veio afinal. Achei que nunca mais sairia do quartel da marinha, esse preguiçoso. – Dragon olhou com desprezo para o homem. – Ei, Sengoku-san! Não seja tão mal-educado! Isso é jeito de falar com o meu filho?

Sengoku, o comandante superior da Marinha, abria forçosamente caminho na praça, ajudado pelos marinheiros.

-Seu filho, você diz? Há, essa família está perdida. Um pai criminoso e um filho pirata, que belo exemplo. Eu sei que vocês pretendem resistir, por isso trouxe reforço. Sozinho eu levaria o dia todo para capturá-los, e eu não tenho esse tempo sobrando.

-Você acha que pode nos capturar sozinho? Que piada. – Ace cuspiu no chão.

-Garoto, eu não acho nada, eu sei. Agora Barba Negra, você e sua tripulação podem pegar o Sr. Rei dos Piratas ali, os novos Shichibukais vão atrás do Dragon.


No próximo capítulo: o aparecimento de um personagem importante e o desfecho dessa história.