Por um momento eu acho que ainda estou sonhando.
Porque realmente não parecia possível que depois de me tratar tão friamente como se lamentasse muito ter me conhecido e desaparecer por dias sem deixar rastro como se nunca tivesse existido, Edward Cullen agora estivesse na frente da minha casa.
Mas ele está.
Sinto meu coração bater disparado no peito, um calor esquentar meu rosto, apesar do frio.
Não sei o que fazer.
Quero fechar a janela na sua cara e ignorar sua presença ali.
Quero correr em sua direção e pedir que ele me beije.
Mas não consigo me mexer para fazer uma coisa ou outra.
Posso apenas ficar ali, deslumbrada com sua presença.
Então ele sorri. E sinto meu estômago sendo sugado.
–Vai descer ou quer que eu suba pela sua janela?
Respiro fundo antes de responder.
–Eu desço. – respondo rápido.
Um certo medo que ele desista e vá embora.
De vez.
Não estou preparada para isto de novo.
Saio da janela e desço as escadas pulando os degraus.
Nem sei como não caio, ao abrir a porta e vê-lo ali, agora de perto.
Ao meu alcance.
–Oi.
Ele parece mais lindo do que antes.
–O que faz aqui? – murmuro ainda perplexa.
Ele dá de ombros, desvia o rosto. Como se pensando numa resposta.
Acho que nem me importo mais com porquês.
Só quero que ele não vá embora.
–Parece surpresa.
–Você sumiu.
–Tive que viajar.
–Fui na sua casa
Ele franze a testa.
–Realmente?
Dou de ombros, vermelha.
Ele deve achar que sou uma stalker maluca agora.
–Fui apenas devolver a blusa. – minto. – Não havia ninguém.
–Todos nós viajamos.
–Parecia... que não ia voltar nunca mais. – tento engolir de volta minhas palavras, mas é tarde.
Cada vez mais me afundo.
–Enfim... – quero parecer prática e desinteressada. – Deixei sua blusa lá, não sabia o que fazer com ela.
–Podia mesmo ter ficado com ela. Como um presente.
–Não, obrigada. Não quero presentes.
Ele sorri.
Derreto mais um pouco.
Me mexo sem saber o que fazer com os arrepios no meu corpo.
–O que veio fazer aqui? – indago num murmúrio.
–Vim te convidar para dar uma volta comigo. Achei que tivesse gostado da clareira. Ver um pouco de sol.
Abro a boca várias vezes surpresa.
–Está falando sério?
Sei que pareço uma idiota, mas este cara me confunde demais.
Ele ri. Mais arrepios.
–Ao menos que não queira ir. – ele fica sério de repente. – Se tiver um outro compromisso.
–Não. – respondo rápido. – Eu vou apenas... trocar de roupa e...
Ele parece relaxar de novo.
–Tudo bem. Eu espero.
–Eu vou... subir. Se quiser entrar e esperar...
Ele entra e eu fecho a porta.
Edward Cullen é tão perfeito que parece muito estranho tê-lo ali na minha simples casa.
–Não vou demorar. – prometo, ainda com aquele medo idiota de que ele desista por algum motivo.
Subo as escadas correndo e troco de roupa rapidamente.
Me olho no espelho enquanto escovo os dentes, lançando um olhar critico ao meu jeans e suéter.
Nada bonito ou glamuroso.
Teria que servir.
Afinal, era só uma caminhada não era?
Mas sinto borboletas em meu estômago quando finalmente desço e ele ainda está ali.
Na minha cozinha.
E encaro a mesa surpresa, ao ver que ele preparou um prato de cereal pra mim.
–Achei que devia comer antes de sair.
–Não precisava ter feito isto. – digo sem graça.
–Apenas sente e coma, Isabella Swan.
Eu faço o que ele pediu.
E enquanto como, com Edward Cullen me observando, fico achando que perdi alguma coisa.
Aquele é o mesmo cara que me tratou feito lixo há alguns dias.
Agora está ali todo fofo na minha cozinha, me chamando pra sair e fazendo cereal pra mim.
Sei que deveria estar lhe fazendo perguntas neste momento.
Mas não consigo sair daquele estado de contentamento quase ilusório que a presença dele ali me causa.
Então apenas me apresso em comer e depois saímos para a manhã fria.
Ele abre a porta do reluzente Volvo prata mim e eu deslizo para dentro.
Uma música clássica toca no rádio.
–Se não gostar pode mudar. – ele diz enquanto coloca o carro em movimento.
–Eu gosto. Minha mãe colocava muito em casa.
–Temos isto em comum então.
Espio o tempo pela janela. Apenas tentando não ficar olhando pra ele, como gostaria de fazer.
E me pergunto quantas coisas teríamos em comum.
A julgar pelo carro super caro, a casa maravilhosa, e os parentes finos, acho que não muito.
Tento não me sentir deprimida.
Ele está ali. É o que importa.
Ele voltou porque deve gostar de mim. Pelo menos um pouquinho.
Edward pára o carro na estrada e saltamos.
Me preocupo em ficar em pé e não escorregar enquanto caminhamos.
Mas não tenho muito sucesso, quando nos primeiros minutos escorrego num musgo.
Edward ri e eu me sinto mais desajeitada do que nunca.
–Vem, me dê a mão. – ele estende a mão a minha frente e eu seguro sem hesitar.
Seus dedos s fecham em volta dos meus.
Não quero soltá-los nunca mais.
A caminhada parece fácil agora com Edward me guiando.
E chego a desejar que o caminho não tenha fim.
Mas chegamos na clareira que é como eu me lembro.
Linda e iluminada.
–Adoro este lugar... – murmuro, enquanto Edward me guia por entre as flores no chão.
–Eu também. Gosto de vir aqui para ficar sozinho.
–Oh... então por que me trouxe?
–Eu te disse que íamos dividir, não disse?
E seu sorriso é tão maravilhoso que sorrio de volta.
Suspirando.
–Tem certeza que não estragarei seu "lugar de ficar sozinho"?
–Eu quis dizer que gosto daqui pra me afastar um pouco da minha casa, da minha família.
O encaro curiosa.
Ele me faz sentar e se acomoda ao meu lado
–Sua família parece legal.
Ele ri.
–De longe.
Quero fazer mais perguntas.
Quero saber tudo sobre ele, mas não quero soar curiosa demais.
–Bom, fiquei sabendo que tem vários irmãos... deve ser divertido.
–Divertido ou sufocante. Depende do momento.
–Você... bom, me contaram que é adotado.
Fico vermelha quando ele me encara com um ar divertido.
–Andou me investigando.
Dou de ombros.
–Todo mundo conhece vocês na cidade. Cidade pequena...
–Eu sei... estava te provocando. Investiguei você também.
Eu o encaro surpresa.
–Sério? – fico imaginando o que ele descobriu sobre mim. – E...?
–Isabella Swan, filha do chefe Swan, morou aqui em Forks apenas nos verões, e o resto do tempo em Phoenix com sua mãe. Foi para a faculdade de Boston onde ficou dois anos e depois continuou em Londres, da onde acabou de voltar.
–Uau... acho que isto resume tudo. – me mexo, incomodada. – Me sinto meio incompetente porque não ter descoberto tudo isto sobre você.
–Disse que não tinha me investigado.
–E não fiz isto mesmo. Apenas minha amiga Angela e meu pai comentaram...
–O quê? – Edward parecia em alerta de repente.
–Que são ricos. Que seu pai é médico e que adotou você e seus irmãos e a grande fofoca é que seus irmãos namoram entre si.
Ele sorri.
–Sim, é verdade Acha esquisito.
–Um pouco...
–Bom, posso te pedir uma coisa?
Qualquer coisa.
–Sim.
–Se quiser saber alguma coisa sobre mim, pergunte a mim.
–E você irá responder?
–Por que não responderia?
Eu dou de ombros.
–Você me confunde. Uma hora foge, me evita, é frio. E agora estamos tendo um encontro.
–Eu tentei mesmo ficar longe de você.
Ouvir isto da boca dele me confunde ainda mais.
Então eu realmente não estava delirando.
Edward tinha mesmo me evitado.
–Por quê?
Ele dá de ombros.
–Não tem importância agora...
Respiro fundo.
–Bom, posso tecer algumas teorias.
–Conte-me. – ele deita sobre a grama e eu faço o mesmo.
–Você tem uma namorada. – digo, olhando o céu e rezando intimamente para que ele responda que não.
–Não.
Eu busco seu rosto, mas ele está olhando o céu também.
Ok, ele não tem namorada, mas ainda pode ser pior.
–Você é casado?
–Não.
–Você é gay.
Ele ri alto agora.
–Não, Bella. Não sou gay.
–Você está em Forks com uma identidade falsa pela proteção de testemunhas.
–É muito criativa em suas teorias.
–Você simplesmente não gosta de mim.
Desta vez ele me encara.
Não desejo que ele veja a insegurança em meu olhar, mas acho que é impossível.
–Achei que gostasse de você. Estou dividindo meu esconderijo. – há divertimento em sua voz, mas não em seu olhar.
–Talvez eu esteja enganada.
–Você não sabe de nada.
–Conte-me.
–Eu não sou uma boa companhia para você.
–Então por que estamos aqui?
–Porque não conseguir ficar longe.
–Então não fique.
Ele desvia o olhar.
–Não é assim tão simples.
Começo a me irritar.
E me levanto, limpando a grama presa na minha roupa.
–Quero ir embora.
Edward se levanta também.
–Bella, me desculpe...
–Por o quê? Por existir?
Seus dedos longos castigam os cabelos cor de areia.
–Eu realmente deveria ficar longe...
–E eu realmente queria entender por quê!
Ele respira fundo, olhando para longe.
O sol já não parece tão bom agora quando Edward está longe de mim.
Mesmo que seja em pensamentos.
–Ok, vamos descer.
E enquanto caminhamos de volta num silêncio tenso, sinto meu coração se escurecendo assim como o tempo a minha volta.
Então este é o fim?
Não estou preparada para o fim.
Não agora. Acho que nunca vou estar.
E então enquanto tento me manter em pé sem a ajuda das mãos de Edward nas minhas, penso numa maneira de não deixá-lo ir.
Mas o que uma garota como eu pode fazer para ficar com um cara como Edward Cullen?
Lindo, rico e perfeito demais pra mim.
Distraída com meus pensamentos, tropeço e quase vou ao chão, mas Edward segura meu braço, me impedindo de cair totalmente.
Mas chego a me inclinar pra frente, meus cabelos esvoaçando em volta do rosto.
Me aprumo rápido.
–Por favor, não caia. – sua voz é serena e eu o encaro.
–Falei que sou desastrada.
Ele sorri . É um riso triste.
Então ele levanta mão e toca um ponto entre minha orelha e meus cabelos.
Me encolho.
– Você tem uma cicatriz.
Afasto suas mãos, incomodada.
Meus próprios dedos tocam a cicatriz.
–Um tombo bem feio, na verdade. – digo, voltando a andar.
Edward não pergunta o que aconteceu e eu fico aliviada.
Eu realmente sou uma pessoa bem propensa a acidentes.
Tanto, que é quase banal.
Mas aquele em especial, não fora banal.
Afasto meus pensamentos daquele assunto.
Não era apenas Edward Cullen que tinha segredos.
Entramos no carro e Edward não liga o rádio.
Tenho vontade de chorar.
Quando chegamos em frente a minha casa, saímos do carro e eu mordo os lábios meio nervosa ao ver a viatura do meu pai parada ali.
–Quer jantar comigo hoje à noite?
O quê?
–Está me convidando para jantar?
Ele sorri.
–Sim. Se quiser...
Eu hesito.
Aquele comportamento estranho de Edward me deixava confusa demais.
Era uma montanha russa de sentimento.
Talvez ele tivesse razão. Realmente não era uma pessoa boa pra mim.
Mas se ele conseguia ficar longe.
Eu não era diferente.
–Sim...
–Bella? – escuto a voz do meu pai e me viro.
Charlie está vindo em nossa direção com cara de poucos amigos.
–Onde esteve? Estava preocupado...
–Pai, não exagera, apenas fui dar uma volta...
Meu pai encara Edward.
–Com o Edward. – continuo e faço as apresentações. – Pai, este é Edward Cullen, acho que até já se conhecem.
Edward estende a mão.
Qualquer um ficaria nervoso em enfrentar meu pai.
Mas Edward parecia bem calmo.
–Oi, Chefe...
–Oi, Edward... posso saber o que quer com a minha filha?
–Pai, pelo amor de deus!
–Quero apenas saber as intenções dele...
–Chega, pai! – digo irritada e encaro Edward. – Então você me busca à noite.
–Sim. – ele entra no carro e eu ainda lanço um olhar irado ao meu pai, antes de entrar em casa.
Às vezes aquela superproteção era ridícula.
Entro no quarto e abro a janela.
E então me surpreendo ao ver Edward fora do carro.
Ele diz algo ao meu pai que não escuto e meu responde outra num tom frio.
Edward entra no carro e parte.
–Mas o quê...?
Desço as escadas e vejo Charlie entrando.
–Que diabos estava falando pro Edward?
–Nada demais. – Charlie pega uma cerveja na geladeira.
–Nada? Eu te conheço, pai! Espero que não estrague tudo! Este cara é importante.
Charlie me encara.
Parece preocupado.
–Bella, não devia se envolver com ele.
–Por que não?
–Os Cullens são...
–Ricos? Acha que isto é um grande problema?
–São gente diferente de nós!
–E daí? Eu sei o que estou fazendo, pai!
–Sempre diz isto...
Rolo os olhos.
–Eu sou adulta agora...
–Eu esperava que fosse realmente...
–Chega disto, pai! Eu vou sair com Edward hoje. Não sei se vai dar certo ou não. Mas eu quero que dê.
–Apenas tome cuidado...
–Eu tomarei.
–E Jacob. – ele pergunta antes que eu me afaste – Achei que fosse sair com ele hoje.
Fecho os olhos me xingando mentalmente.
Droga, eu tinha me esquecido totalmente de Jacob.
E como eu faria agora?
Desmarcar com Edward e dizer que eu já tenho um compromisso?
Me arrasto para o quarto, me sentindo arrasada, sabendo que o certo é fazer justamente isto.
Mas a tarde passa enquanto me deito fitando o teto.
Cada célula do meu ser grita para que eu desmarque com Jacob, mas minha consciência diz o contrário.
E quando eu me levanto e pego as chaves da caminhonete, penso se estou tomando a decisão correta.
Jacob sai da oficina atrás da sua casa e sorri surpreso ao me ver.
Eu não consigo sorrir de volta.
–Olá... o que faz aqui? Estava acabando o conserto do rabbit pra gente sair hoje...
–É sobre isto que vim falar.
–Algum problema?
–Preciso desmarcar.
–Por quê?
Mordo os lábios com força, pensando em mil desculpas diferentes, mas este é Jacob e mesmo sabendo que eu posso e vou magoá-lo, eu digo a verdade.
–Eu vou sair com Edward Cullen.
Minha voz não passa de um sussurro culpado.
Várias expressões passam pelo rosto de Jacob.
Incredulidade. Raiva. E por fim uma aceitação.
–Edward Cullen? – ele assovia ironicamente.
–Eu sei... parece bizarro que um cara como ele queira alguém como eu.
–Você é maravilhosa, Bella. Por que não ia querer?
–Eu sinto muito, Jacob, eu...
–Está a fim dele mesmo?
–Sim, estou. – confesso. – Sei que eu aceitei sair com você, mas somos amigos e não quero iludi-lo...
–Devia me sentir feliz por isto, mas só me sinto pior.
–Jake... sinto muito. Ainda é meu melhor amigo.
–Queria ser mais que isto, mas sinto que com Edward Cullen no páreo, eu já perdi.
Não sei o que dizer.
Porque ele tem razão.
–Bom, eu não tenho como competir, não é? Avisarei Mike Newton.
Ele se afasta, me deixando sozinha ali.
Por um momento quero correr atrás dele.
Quero pedir desculpas e...
E o quê?
Eu fiz minha escolha.
Agora tinha que aceitar as conseqüências.
E a verdade era que Jacob estava na minha vida há tanto tempo que nem conseguia me lembrar desde quando.
Era meu melhor amigo. Parte de mim.
Mas ele não me fazia sentir como Edward Cullen.
E eu queria saber o que mais eu poderia sentir.
E hoje à noite eu iria me encontrar com ele.
E descobrir.
