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Segundas Intenções

Por Pink Ringo

Capítulo três – O ódio pode ser doce

De início Hinata se assustou em sentir os lábios frios sobre os seus, não pensou que Neji fosse beijá-la naquele momento,mas logo fechou os olhos para aproveitar aquela carícia. Um toque sutil e delicado que ela desejou desde o primeiro momento em que descobrira casada com ele. Tinha vergonha de pedir um beijo, a palavra mais certa era medo, tinha certa apreensão de o marido recusar o pedido. Ela levantou as mãos e enroscou os dedos nos cabelos de Neji acariciando-os em um carinho afetuoso. Entreabriu os lábios quando sentiu a língua dele lhe pedir passagem para aprofundar o beijo. Hinata não conseguiu conter que uma exclamação prazerosa lhe escapasse quando as línguas se tocaram em uma carícia mais sensual. Seu corpo ficou tremulo e ao mesmo tempo quente.

Neji havia apagado qualquer pensamento racional que lhe ordenasse parar aquele beijo, ele ansiava por sentir os lábios de Hinata e não se conteria até que realizasse aquele desejo. Sentiu os dedos tímidos da prima enroscar-lhe os cabelos acariciando-os afetuosamente,contudo no corpo dele não causavam uma reação de ternura, mas de incremento a desejos lascivos.A textura macia da boca feminina fez com que Neji quisesse aprofundar o toque e explorar os lábios pequeninos,imaginava o sabor que teria uma carícia mais ousada. Roçou língua contra a boca de Hinata pedindo permissão para aprofundar o beijo que foi facilmente permitido.O corpo dele esquentou como se um balde de água fervendo estivesse sendo derramada sobre si,a língua aveludada e inexperiente da prima timidamente tentava acompanhar a dele que enroscava-se com certa volúpia contra a dela.

Permaneceram por longos minutos em um ciclo de recobrarem o ar e se beijarem novamente com mais volúpia. Sugou o lábio inferior de Hinata ouvindo-a gemer baixinho. Ficou satisfeito ao escutar aquele som prazeroso vindo dos lábios dela. Involuntariamente as mãos dele começaram a puxar a camisola da prima para cima tentando descobrir as pernas sinuosas. Quando Hinata sentiu as mãos masculinas em sua perna afastou-se bruscamente de Neji assustada.

A respiração ofegante e os olhos perolados arregalados. Olhava para ele com as faces ruborizadas. Não se sentia a vontade para ter um contato mais íntimo com o marido. Apesar de saber que como esposo dela Neji tinha todo o direito de exigir sexo na relação dos dois, ela sinceramente esperava que ele não fizesse isso naquele momento. Queria esperar estar mais familiarizada com seus sentimentos e memórias para tomar a atitude de praticar sexo com o marido. Se não recuperasse a memória até lá seria como se fosse à primeira vez.

Neji respirou fundo. A onde estava com a cabeça quando tomara aquela atitude idiota de beijá-la? Seu lado obscuro estava o torturando internamente pela sensação de prazer que havia sentido com os beijos de segundos atrás. Se fosse um toque sem sentimento talvez o lado ruim existente nele não estivesse o recriminando, porém havia sido um beijo muito mais significativo do que esperava. Ele podia notar a apreensão da prima diante da probabilidade de algo mais além de beijos acontecer. Naquele momento vendo o olhar assustado de Hinata ele recobrou o bom senso e se afastou da jovem.

Ele não podia tratá-la de maneira fria, deveria calculistamente bancar o marido compreensivo.

-Eu não vou te obrigar a nada Hinata!Quero que quando aconteça seja porque você também quer. - Neji não sorria enquanto falava aquelas palavras, porém utilizava um timbre calmo que parecia afetar Hinata de uma maneira que ela acreditasse no que ele dizia.

-Me desculpe Neji-san! – Ela se sentia mal em não poder oferecer o prazer que ele desejava. Na mente dela era como se fosse uma péssima esposa.

-Não precisa utilizar o san para se referir a mim, afinal somos casados. - Neji disse na intenção de fazer com que ela se sentisse mais a vontade com ele. Facilitaria muito o processo do golpe se fizesse com que Hinata realmente se apaixonasse.

Hinata sorriu ao escutar aquelas palavras. Não sabia o motivo, mas de alguma forma sentia que Neji era especial para si mesmo antes de ela perder a memória. Abraçou o homem a sua frente afundando o rosto nos cabelos castanhos sentindo o perfume masculino que o corpo inteiro dele exalava. Neji correspondeu o abraço da jovem em seus braços, sorriu de lado vitoriosamente ao notar que seu plano estava dando certo. Não daria mais de duas semanas para Hinata estar apaixonada por ele e tudo ficaria mais fácil de concretizar.

"Tão ingênua que chega a dar pena!" Foram os pensamentos de Neji diante do afeto que a prima demonstrava em relação a ele. Para o Hyuuga aquelas carícias que trocava com a prima não seriam nada mais do que a junção do útil ao agradável. Um pensamento um tanto cruel, pois ele não pensava nos sentimentos de Hinata que poderia futuramente magoar.

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O dia amanheceu um pouco mais frio que o anterior, no entanto o sol pairava no céu com poucas nuvens tampando-o. Neji detestava os verões, não só porque tinha aversão ao calor, mas também porque era a estação do ano que seu pai mais gostava. Sempre se lembrava de Hizashi quando admirava o sol, era como se voltasse aos velhos tempos em sua infância quando jogava futebol com o pai,ia à praia e fazia outros programas em família. Lembranças tristes que apenas tornava o ódio que sentia pela família principal dos Hyuuga aumentar.

Neji foi para o trabalho sem se despedir de Hinata, achou que era o melhor a fazer para não ser rude com a prima, principalmente porque havia acordado com a visão celestial dela sendo iluminada pelos raios de sol. "Maldito sol, droga de verão... MERDA DE GAROTA!". Ele parecia ter acordado com mais mau humor do que de costume.

Enquanto dirigia o carro em direção à corporação Hyuuga, gesticulava sobre noite anterior. Os lábios de Hinata não lhe saiam da cabeça assim como a satisfação de que estava cada vez mais perto de concluir seu plano. Eram pensamentos controversos afundados em uma única mente causando confusão no rapaz. O que ele mais queria era ter todo o dinheiro dos Hyuuga, porém estava cada vez mais envolvido com aquela mulher que dizia odiar. E que mulher era aquela!Corpo macio e com curvas pecaminosas, rosto angelical e uma inexperiência chamativa que fazia com que se excitação em ensiná-la o que era o pecado corporal. Ele estava começando a desejar tanto Hinata como o dinheiro, cabia a ele com o tempo ver qual vontade venceria. "Definitivamente o dinheiro!". Pensou Neji emburrado enquanto parava o luxuoso carro na vaga especial da corporação Hyuuga.

Entrou na grande estrutura sem dizer bom dia a nenhum dos funcionários. Ninguém se atrevia a entrar em sua frente, todos dentro da empresa conseguiam captar a vibrações negativas que Neji exalava. As mulheres denominavam Neji naquele momento mais sexy e os homens o rotulavam como miserável mau humorado. Para o Hyuuga não era segredo o que ambos pensavam dele, todavia ele nunca fora de se importar com a opinião alheia.

Entrou no elevador apertando o botão para o último andar onde encontrava a sala do dono da empresa. Antes aquela sala era ocupada por Hiashi o tio, por direito agora pertencia a Hinata, mas como ela estava impossibilitada de comandar os negócios pela perda de memória, aquela sala agora seria dele. Era essa a desculpa que Neji havia dado para ocupar aquele lugar que tanto almejava. Não encontrou objeções, principalmente por que ele era o único Hyuuga além de Hinata que possuía um pouco mais de porcentagens nas ações da corporação. A Família Hyuuga possuía várias ramificações, porém a mais forte depois do galho principal a que Hinata pertencia era a ramificação que Neji nascera.

Ao entrar na sala Neji rodeou os olhos aborrecidos ao encontrar Rock Lee seu fiel amigo e "capanga" na cadeira giratória rodando como uma criança que estivesse em um brinquedo. Ao ver o amigo rabugento de olhos perolados Lee abriu um sorriso maroto e se levantou fazendo um gesto de soldado colocando a mão na testa.

-Yoooooooooooo bom dia Neji!-o rapaz de olhos perolados resmungou alguma coisa baixinho e não respondeu ao saudoso comprimento do amigo. – Xiiiii to vendo que alguém ta com péssimo humor. VAMOS FALE DE SUAS FRUSTRAÇÕES JUVENIS PARA SEU FIEL AMIGO! – Lee gritou calorosamente estendendo a mão em direção a Neji que o olhou com um olhar fumegante de insatisfação.

-Eu ODEIO quando você fala desse jeito idiota! – Neji puxou sua cadeira giratória do alcance de Lee vendo o amigo fazer bico diante do afastamento de seu "brinquedo". O Hyuuga colocou a cadeira de volta atrás da mesa e se sentou nela olhando distante para a janela.

-Neji eu acho que você deveria fazer terapia, esse mau humor um dia vai te matar sabia?Estresse dá problema no coração. -Lee jogou-se no sofá preto e macio que tinha na sala, sem cerimônias deitou-se folgadamente.

O rapaz de grossas sobrancelhas e cabelos tigelinhas parecia ser o único além de Tenten que não tinha medo de dizer certas palavras a Neji. Os dois cresceram juntos e o rapaz acompanhou o processo do afundamento do amigo Hyuuga no mar de ódio que permanecia até hoje depois da morte do pai.

-Lee que tal você calar a boca e escutar o que eu tenho a dizer?Tenho certeza que será muito mais produtivo do que suas lições de moral sem nexo e irritantes. – falou o rapaz de olhos perolados rabugentamente.

-Nossa tem alguém aqui que precisa transar! – disse Lee cantando para provocar Neji o que surtiu efeito.

-CALA BOCA LEE!

Definitivamente Neji tinha certeza que terminaria o dia enforcando o amigo ou quem sabe jogando-o do último andar do prédio da empresa.

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Hinata despreguiçou-se demoradamente soltando um suspiro radiante. Dormira bem naquela noite não só por causa da troca de beijos que tivera com Neji que lhe invadiu os sonhos, mas também pelo fato de ter passado a noite inteira grudada no marido sentindo o perfume dele próximo a si e os braços fortes lhe abraçando.

Sentou-se na cama e olhou ternamente para o lado vazio ao seu lado. Não se conteve em pegar o travesseiro que Neji dormira e leva-lo até o rosto para sentir o cheiro do marido impregnado no tecido. Sua cabeça rodava em um milhão de pensamentos.

Quando acordara naquele hospital tivera medo de que sua vida fosse uma verdadeira desgraça. De que nada de bom fizesse parte de sua realidade. Quando vira Neji entrando no quarto com Tsunade a única coisa que passou pela cabeça dela foi: Queria que ele fosse alguém que fizesse parte de sua vida, pois de alguma forma no momento que o viu já se encontrava hipnotizada. Amor à primeira vista!Muitos não acreditavam naquela bobagem, mas ela sabia que aquele fato podia ser real, pois havia acontecido com ela. Para sua sorte realmente Neji fazia parte de sua vida, melhor, era seu marido.

Hinata soltou o travesseiro dos braços quando ouviu uma batida na porta, segundos depois Kurenai entrou no quarto carregando a costumeira bandeja farta do café da manhã. A governanta sorriu para a jovem na cama e logo disse com a costumeira voz maternal.

-Bom dia Hinata-san! – Kurenai depositou a bandeja de café da manhã sobre o colo de Hinata, depois abriu as cortinas que provavelmente Neji havia fechado. Deixou que a abundante iluminação que vinha dos raios de sol iluminassem o ressinto. – Seu semblante está muito melhor que o de ontem, creio que dormiu bem.

-Bom dia Kurenai!Ohhhh sim foi uma ótima noite, acho que a melhor até agora. – disse Hinata animada e ligeiramente corada.

Kurenai levantou uma das sobrancelhas desconfiada. Não queria acreditar que Neji tivera a cretinice de dormir com Hinata não sendo realmente marido dela. "Aquele desalmado teria essa coragem. CRÁPULA!". Pensou a governanta aborrecida. Não iria tomar conclusões precipitadas, talvez nada tivesse acontecido, afinal a jovem Hyuuga ficava feliz com pouca coisa. Se recompondo da onda de insatisfação pelos pensamentos de segundos atrás, Kurenai se aproximou de Hinata que se servia do café da manhã. A governanta se sentou na beirada da cama e então perguntou ligeiramente curiosa.

-Aconteceu alguma coisa para estar tão radiante hoje?

Hinata de a princípio quis dizer a Kurenai sobre os beijos ardentes trocados com o marido, ela precisava dividir com alguém aquela felicidade. Porém logo se lembrou das palavras de Neji na manhã anterior: Não gosto que minha vida, principalmente íntima que tenho com a minha mulher seja contada aos empregos. Nada de misturar as coisas entendeu?. Hinata engoliu a felicidade juntamente com as palavras. Teria que guardar aquele sentimento e fato exclusivamente para si. Agora que estava se dando tão bem com o marido não queria ve-lo aborrecido, principalmente por um simples detalhe que ele lhe avisara não gostar.

-Não, eu apenas acordei bem disposta! – Hinata tomou um grande gole do suco. – Kurenai gostaria de cozinhar hoje algo especial.

A governanta não acreditou nas palavras de Hinata, por mais que a jovem tentasse disfarçar ela conhecia a herdeira Hyuuga perfeitamente para saber que algo havia sabia que se o patrão desconfiasse que estivesse se intrometendo no plano dele a demitiria, não antes de fazer com que alguns capangas lhe desse uma boa surra. Deixando que o rumo da conversa mudasse a governanta olhou para Hinata interessada no que a jovem gostaria de cozinhar.

-E o que você gostaria de cozinhar?Tenho várias receitas em mente, mas nada muito especial.

-Sabe qual é o doce preferido de Neji?

Neji?Desde quando Hinata o chamava daquela maneira tão íntima?Antes de ela perder a memória se referia ao primo como Nii-san e depois que voltara do hospital desmemoriada passara a chamá-lo com o prefixo san acompanhando-lhe o nome. Definitivamente havia acontecido algo na noite anterior e Kurenai estava disposta a descobrir até que o dia terminasse. Não deixaria que Neji brincasse com os sentimentos da jovem Hyuuga, como se já não bastasse o mau que ele faria financeiramente a ela.

Tentando não mostrar a Hinata o desagrado que sentia pela jovem querer agradar o "marido", Kurenai esboçou um sorriso sem emoção e então disse não muito animada, porém fato que passou despercebida pela jovem que se encontrava entretida degustando uma torta.

-Bolo de ameixas!Pelo que me lembro bem esse é o doce favorito do patrão.

-Hum... Então hoje cozinharemos um delicioso bolo de ameixas.

Kurenai não estava gostando do brilho que via nos olhos de Hinata. Sim, ela estava feliz, mas a governanta sabia que a felicidade da jovem Hyuuga não duraria muito tempo. Quando ela recobrasse a memória ou descobrisse a verdade a jovem se afundaria em um poço de tristeza e lamúrias, pois estava espelhado nas orbes peroladas que Hinata estava se apaixonando por Neji a cada dia que passava.

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-Neji, casar é ir longe de mais não acha? – disse Lee pela primeira vez serio – Casamento é algo para vida toda e sinceramente Deus nunca vai te perdoar de usar um matrimônio sagrado para algo tão... Sujo e cruel.

O Hyuuga retraiu o rosto ao escutar a palavra Deus. Deixara de acreditar em um ser divino quando perdera seu pai, virara ateu desde então. Afinal onde estava Deus quando toda aquela desgraça acontecerá com a pessoa que mais amava?Deus não fizera nada pela injustiça contra sua família, deixara seu pai morrer naquela cama de hospital em um estado lastimável como se Hizashi não fosse necessário no mundo. Deus esquecera de algo muito importante: Hizashi era muito necessário, principalmente para Neji.

-Desde quando você é religioso?Não me de sermão de igreja que eu te expulso de minha sala a pontapés. - Neji abriu a gaveta de sua mesa tirando de lá a documentação que entregaria a Kakashi para ele começar os preparativos da transferência de dinheiro, a única coisa que faltava era o registro de casamento entre Hinata e Neji, mas logo ele resolveria esse probleminha. – Era só o que me faltava, meu amigo me criticando religiosamente.

-Um homem tem que ter o vigor espiritual sabia?Você devia tentar freqüentar mais a igreja ou um centro budista o importante é estar bem espiritualmente. – disse Lee como se entendesse do assunto. Ao olhar Neji ameaçar se levantar e enxota-lo da sala resolveu mudar de assunto rapidamente. – Mas voltando ao assunto do seu casamento, já planejou a data?

-Tem que ser entre dois meses, nem antes nem depois. É o prazo que o Kakashi me deu para ele conseguir fazer a transferência do dinheiro. – Neji falava friamente como se não estivesse fazendo nada de errado.

-Hum... FINALMENTE VAI DESENCALHAR! – Lee gritou alegremente andando até o amigo e lhe dando dois tapinhas nas costas. – Imagine só o fogo de dois vigorosos jovens em plena lua-de-mel?BEIJOS ARDENTES SOBRE A LUZ DO O ROMANTISMO!

-Lee estou te avisando se não parar com essa palhaçada eu vou te jogar da janela! – Disse Neji em um rosnado.

O rapaz de grossas sobrancelhas pareceu se sentir ofendido com a ameaça do amigo e voltou para o sofá que antes estava deitado. Naquele momento Lee se perguntava se Tenten já sabia que o homem que ela era loucamente apaixonada iria se casar com a jovem que a chinesa rotulava como sonsa e mosca morta. Provavelmente a bela chinesa iria querer dar uma surra na herdeira Hyuuga, isso sem antes de ter uma crise histérica. Tenten era uma mulher de personalidade forte e isso era realmente um fato que compunha o seu charme, todavia aquele charme poderia se tornar algo perigoso principalmente se fosse parte de uma mulher apaixonada.

Rock Lee sempre desejou que o sentimento que Tenten sentia por Neji fosse por ele, mas infelizmente a chinesa se recusava a olhá-lo além de um amigo. Porque mulher gostava de sofrer?Elas sempre preferiam os cretinos que só as faziam chorar. Até o momento não se preocupava em lutar pelo amor da chinesa, pois ela estava feliz com Neji mesmo o Hyuuga sendo frigido com ela, além do fato dele não ter coragem de competir com Neji por dois motivos. O primeiro era o fato de eles serem amigos e Lee nunca olharia para uma namorada, esposa ou amante de um amigo dele, além de que Neji havia conhecido Tenten primeiro. - quando Lee conhecera a chinesa ela já tinha um caso com o Hyuuga. - O segundo fato e não menos importante, era que ele nunca conseguiria vencer o Hyuuga. O amigo sempre ganhara em tudo inclusive no amor. Neji era mais bonito, rico e na concepção feminina possuía uma personalidade sexy, enquanto Lee não passava de um rapaz que servia para ser o amigo simpático brincalhão.

-Já contou para Tenten? – perguntou o rapaz interessado.

-Já e nem me fale o nome dessa louca! – falou Neji rispidamente ao se lembrar da reação agressiva da amante.

-Ueeeeee por quê?Não me diga que esse corte ai no seu rosto foi ela que fez? – falou Lee brincando. Para sua surpresa Neji afirmou com a cabeça fazendo o amigo arregalar os olhos.

-Aquela descontrolada jogou um vaso na minha direção, gritou um monte de baboseiras e ainda me expulsou da casa dela. Se bem que esse último eu nem estou ligando muito por que já estava de saída.

Neji colocou todos os papéis dentro de uma pasta. Antes de voltar à mansão Hyuuga iria passar no escritório de advocacia e entregaria a Kakashi todos os papéis, esperava que o desprezível Uchiha não estivesse lá. Como detestava aquele homem, desde os tempos de escola. Infelizmente estudara com Sasuke, os dois competiam em tudo, desde a liderança nos esportes, as garotas, notas e a atenção de Hin... Bom, era melhor deixar para lá o último ítem.

-O que pretende fazer com a Tenten? – perguntou Lee interessado no rumo do relacionamento do amigo com a chinesa.

-Acabar essa nossa "coisa" que temos! – falou Neji friamente – Não quero nenhuma amante descontrolada e obcecada ao meu lado, principalmente nesse momento que tenho muitos planos que não podem ser estragados por causa de uma mulher apaixonada. Hump... Tenten no fundo é burra!Eu sempre disse a ela que não queria nada serio. – Levantando-se da cadeira Neji pegou a pasta e arrumou seu terno. – Pelo sentimento de amizade que eu tinha com ela antes de dormimos juntos, sempre deixei claro que não a amava. Eu nunca a iludi!

-Então você não vai se importar de eu conquista-la? – Perguntou Lee centrado enquanto acompanhava o amigo com o olhar até a porta.

Neji não parou de andar, disse friamente antes de sair do escritório como se a chinesa pouco lhe interessasse. O Hyuuga tinha um coração de pedra e Tenten nunca conseguira ultrapassar aquela barreira.

-Você faz um favor tirando-a do meu caminho.

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Hinata usava um vestido florido azul e rosa que Kurenai havia lhe arranjado. A jovem Hyuuga havia reclamado das roupas indecentes – que Lee havia deixado propositalmente no armário - e a governanta conseguira algo mais apropriado para usar. O vestido batia-lhe até três dedos acima dos joelhos e não possuía nenhum decote ousado. Hinata estava com os cabelos presos em um coque frouxo e usava sapatilhas brancas. Um avental rosa lhe cobria a frente do vestido. Encontrava-se entretida com as cozinheiras.

A jovem Hyuuga andava de um lado para o outro com a receita nas mãos, procurava os ingredientes em cada um dos vários armários da cozinha na expectativa de terminar o bolo de ameixas antes do almoço, porém encontrava certa dificuldade para saber qual armário havia os utensilhos necssários. As cozinheiras lhe auxiliavam lhe explicando onde se encontrava a batedeira, farinha, ovos e etc. Tudo seria mais fácil se tivesse sua memória. Era frustrante não se lembrar nem ao menos onde se encontrava os talheres. Sentia-se inútil e incapacitada!Como se já não bastasse ter que perguntar as preferências de Neji para outras pessoas.

-Sabe, acho que será difícil eu fazer esse bolo sozinha. Kurenai poderia me ajudar?

-Claro! – Kurenai se aproximou de Hinata para ajudá-la na procura dos ingredientes.

A capainha tocou. A governanta ordenou que uma das empregadas atendesse enquanto estava ajudando Hinata. Depois de alguns segundos a criada que atendeu a porta entrou na cozinha apreensiva. Chamou Kurenai em um canto e disse algumas palavras a ela. A governanta ficou pensativa por alguns segundos e então soltou uma exclamação irritada.

PROBLEMAS!Como sempre apenas problemas rondavam aquela casa. Kiba e Shino se encontravam na sala da mansão esperando ver Hinata. Os dois rapazes eram amigos de infância da jovem Hyuuga e provavelmente foram fazer uma visita a jovem para saber como ela se encontrava. Kurenai tinha certeza que os dois rapazes não deixariam Neji fazer Hinata de idiota, principalmente Kiba que nutria sentimentos muito além de amizade pela jovem Hyuuga. A governanta não sabia o que fazer naquela situação. Se a herdeira Hyuuga descobrisse de tudo naquele momento Neji culparia Kurenai e ela sofreria uma dolorosa conseqüência.

-O que eu digo a eles senhora Kurenai? – perguntou a criada nervosa. Todos estavam com medo de que Neji os castigassem com aquela visita de Kiba e Shino.

-Fique aqui com Hinata que eu vou falar com os dois. – Kurenai tirou o avental e deu para a outra criada. Tentando disfarçar o nervosismo com uma voz calma a governanta foi até a herdeira Hyuuga e disse rapidamente – Já volto Hinata-san, enquanto isso Sawachika irá te ajudar com o bolo.

-Algum problema?Quem chegou à mansão? – Hinata desviou os olhos da receita e perguntou curiosa a governanta.

-Ninguém em especial, apenas sócios do patrão. Vou falar com eles, não se preocupe! – Kurenai saiu da cozinha antes que Hinata voltasse ao interrogatório.

Kurenai tentava bolar uma desculpa para dar aos dois homens que não fosse à verdade, mas nada lhe vinha em mente. Pensando por outro lado talvez falar a verdade a Kiba e Shino fosse melhor, pelo menos os dois tentariam sem medo acabar com aquela crueldade que Neji estava fazendo com Hinata. Era isso mesmo que Kurenai faria, contaria aos amigos de infância da jovem Hyuuga do modo que Neji estava usando Hinata para dar um golpe no dinheiro da família Hyuuga.

Ao chegar à sala se deparou com os dois bonitos rapazes sentados no sofá. Os dois se levantaram ao visualizar a governanta e procuraram uma jovem de olhos perolados, entretanto Kurenai era a única imagem feminina naquela sala. Kiba arqueou uma sobrancelha desgostoso e Shino continuou com a costumeira expressão apática no semblante.

-Onde está Hinata? – perguntou Kiba preocupado. – Espero que ela esteja bem!

-Bom dia Kurenai.– disse Shino educadamente lançando um olhar repreendedor a Kiba pela falta de educação.

-Bom dia Shino e Kiba.– Kurenai fez um gesto com as mãos para que os dois rapazes se sentassem novamente o que fizeram em seguida ao gesto da governanta. Ela se sentou no sofá em frente aos dois e então disse com o semblante serio e uma voz baixa como se tivesse medo de que alguém os escutasse. – Hinata poderia estar melhor, principalmente se Neji não existisse.

-Não tó gostando do seu timbre, vamos Kurenai desembucha! – exclamou Kiba em tom alto.

-Não falem nada apenas escutem, pois o que eu tenho para dizer não são coisas nada boas, mas obscuras e que podem acabar com a minha vida e de muitos criados nessa casa.

Os dois rapazes se olharam após as palavras de Kurenai. Sentiram um ligeiro frio na boca do estômago e o nome Neji pode ser associado facilmente com o perigo que rondava a mansão. Não era segredo para os dois que o primo de Hinata não era uma das pessoas com o melhor caráter, muito pelo contrário Neji era suspeito e se a jovem Hyuuga estivesse sofrendo o autor de todo aquele mau só podia ser ele.

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Como se o humor de Neji pudesse piorar naquele momento o Hyuuga estava soltando fogo pelas ventas. Kakashi não estava no escritório o que resultou em Neji ser atendido pelo desprezível Uchiha. Se existia alguém que o homem de olhos perolados odiava, além da família principal dos Hyuuga, esse alguém era Sasuke. Os dois simplesmente não haviam tentado se matar por que a secretária - loira e muito gostosa chamada Ino – do Uchiha havia aparecido e anunciado a chegada de um político importante que era cliente de Sasuke. Desejava internamente que o advogado mais novo morresse. Quem sabe a próxima morte que planejasse fosse daquele Uchiha metido.

Neji deixou a papelada no escritório de advocacia para quando Kakashi resolvesse ir trabalhar. "Aquele idiota deve estar com aquela esposa louca dele em algum local brigando e sendo fotografado por um paparazzi nojento!". Pensou o Hyuuga irritado. Era costume abrir o jornal e observar na coluna de fofocas fotos de Anko jogando uma mesa de restaurante em cima de Kakashi.

O Rapaz voltava para a mansão Hyuuga, estava quase na hora do almoço e o conveniente seria conviver mais com Hinata e fingir que sempre foram uma família feliz. Pensar em felicidade com a prima chegava a ser irônico, pois por culpa do pai dela Hizashi havia morrido o que resultou na perda da felicidade de Neji. Quanto escárnio àquela situação exalava.

O celular tocou e Neji desejou que não fosse Tenten para dar mais uma de suas crises histéricas ou chorar para que voltassem a ter noites juntos. Olhou o número do telefone e rodeou os olhos entediados. Com uma voz aborrecida ele atendeu o telefone.

-Sabe Kakashi, seria bom você ir trabalhar às vezes.

-"Oi para você também Neji."Kakashi tinha uma voz calma como se o humor negro de seu cliente não o abalasse –" Tive alguns probleminhas com a Anko, você sabe que minha mulher é um pouco geniosa."

-Pouco?Não vou comentar nada sobre sua opinião distorcida e fora da realidade sobre a personalidade geniosa de sua esposa. – comentou o Hyuuga sarcástico. – Mas gostaria de saber se você olhou os documentos que eu te levei?

-"Olhei e está tudo ok, hoje mesmo vou começar com os trambiques só vai faltar o registro de casamento entre você e sua vítima."

-Não a chame assim, o nome dela é Hinata! – rosnou Neji. Aquele modo do advogado falar o fazia se sentir mais sujo diante do que fazia, afinal realmente a prima era uma inocente vítima.

-"Ok não precisa ficar nervozinho!Eu só liguei para te avisar que já dei início ao seu golpe, quanto antes você se casar com sua prima mais cedo terá todo o dinheiro dos Hyuuga na sua conta." – antes de Kakashi desligar o telefone ele falou mais algumas palavras –" Ahhhhhh e antes que eu me esqueça quando você e o Sasuke foram discutir tentem não falar tantos palavrões, a vizinhança não precisa saber desse amor mutuo que sentem um pelo outro."

-Vai para o inferno Kakashi! – Neji ouviu o barulho do outro lado da linha indicando que o advogado havia encerrado a ligação antes mesmo de escutar a resposta – Maldito desligou na minha cara!

Neji acelerou o carro, queria chegar o quanto antes a mansão. Tomaria um banho e dormiria um pouco para relaxar, todo aquele estresse estava lhe dando uma tremenda enxaqueca. Começava a achar que a teoria ridícula de Lee de que estresse em excesso matava era verdade. "Por que tudo tem que acontecer comigo? Eu devo ter jogado lama na cruz em outra vida!". Onde estava com a cabeça quando contratara Kakashi? Sem dúvida ele devia estar desesperado!

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Kiba e Shino pareciam chocados com a história que Kurenai contava. Deviam ter imaginado que Neji fosse capaz de algo do gênero. De imediato a governanta teve que acalmar Kiba que estava transtornado com a cretinice do Hyuuga. Com a ajuda de Shino, Kurenai conseguiu domar a "fera". A criada explicou aos rapazes das ameaças de morte que o patrão fazia aos empregados caso algum deles contasse a verdade a Hinata, revelou aos dois também a suspeitas do golpe que ela achava que Neji planejava com aquela mentira de dizer a desmemoriada garota que era marido dela.

-Isso não pode ficar assim, temos que contar toda a verdade para ela! – Kiba levantou-se mais uma vez exasperado dando um soco na mesa como modo de demonstrar a raiva que sentia.

-Pelo amor de Deus fale baixo Kiba! Se Neji chegar e ouvi-lo vai me matar e castigar todos os outros empregados. Pensando melhor nisso, vocês dois tem que ir embora, o patrão não quer ninguém que ameace o plano dele encontrando-se com Hinata. – Kurenai começou a ficar preocupada. Talvez não tivesse sido tão boa idéia dizer a verdade aos dois rapazes. Iludida a governanta achou que os dois achariam um jeito de conseguir tirar Hinata das garras de Neji sem envolver ela e os outros empregados da mansão. – Pode acabar sobrando para vocês dois também!

-Não vamos permitir que a Hinata seja feita de boba, gostamos dela e somos seus amigos, seria traição de nossa parte esconder algo tão importante como o que está acontecendo nesse momento. – Shino falava tudo na mais pura calma em um timbre baixo. O rapaz era ponderado e muito mais controlado do que o amigo ao seu lado.

-Eu vou desmascarar Neji, não vou permitir que essa mentira continue nem por mais um segundo. Onde está Hinata? – Kiba ameaçou se mover e procurar à amiga, porém ouviu uma voz grossa e áspera a suas costas o alertando-o perigosamente.

-Se você der mais um passo eu mando meus capangas te matar Inuzuka Kiba.

Neji estava parado em frente à porta de entrada. Seus olhos possuíam um brilho ameaçadoramente frio e seu semblante sombrio. Atrás dele três homens com pistolas nas mãos apontada na direção dos dois homens junto com Kurenai na sala. Neji não estava brincando, se Kiba se movesse ele iria matá-lo sem qualquer remorso e o Inuzuka sabia perfeitamente disso. O Hyuuga era um homem perigoso principalmente quando se tratava em eliminar aqueles que consideravam um empecilho em seu caminho.

-O que vai dizer a polícia com o meu cadáver no chão de sua mansão e as digitais dos seus capangas nas armas do crime?

-Que foi por legítima defesa!Nenhum dos empregados irão se atrever a me desmentir, no final das contas você vai morrer e eu vou estar livre para continuar minha vida. – falou Neji astutamente esboçando um sorriso maldoso de lado. – Ande Inuzuka faça o que Kurenai pediu saía da minha casa juntamente com o Aburame. Vocês não são bem vindos!

-Hinata provavelmente iria gostar de ver os amigos dela não acha?Além de privá-la da verdade pretende afastá-la das pessoas que realmente gostam dela? – disse Shino calmo em um timbre que não parecesse desafiador. Ser morto não ajudaria Hinata.

-Esqueçam que são amigos de Hinata da mesma maneira que ela esqueceu do que vocês significaram para ela. A partir de hoje vocês fazem parte de uma memória irrecuperável da minha MULHER. – Neji deu ênfase na última palavra querendo tirar Kiba do serio o que obteve com sucesso. A intenção do Hyuuga era eliminar de uma vez qualquer pessoa que pudesse representar uma ameaça ao seu plano.

-Oras seu... – Kiba estava pronto para avançar em cima de Neji, mas Shino o segurou impedindo que concluísse aquela grande besteira. – Me solta Shino, não podemos permitir que esse cretino continue com essa mentira.

-Vamos ser mortos por ele e no final Hinata ainda vai estar presa na teia de mentiras desse cara. – abaixando o timbre de voz fazendo com que apenas Kiba escutasse Shino disse palavras que pareceram acalmar o amigo - Vamos embora, quando ele achar que está livre da nós vamos desmascará-lo.

Kiba desfez a expressão de raiva, entretanto seu olhar de ódio ainda secava os olhos perolados sarcástico de Neji. Os dois rapazes saíram da mansão em silêncio sem olhar para trás, o melhor que tinham a fazer naquele momento era o que Neji ordenava ou além de morrerem causariam muito mais problemas a Kurenai do que a governanta poderia já estar por ter contato toda à verdade para eles.

Após Neji escutar o barulho do carro dos dois rapazes se distanciarem da mansão ele estalou os dedos para que os seguranças deixassem-no a sós com a governanta. Kurenai tremia, aquele olhar austero que o patrão lhe dirigia fazia sensações ruins lhe invadirem o corpo como um modo de lhe alertar do perigo que estava correndo. Não demorou muito para que ele dissesse com a costumeira voz ríspida e ameaçadora.

-Me de uma boa razão para eu não mandar te matarem.- Neji se aproximou de Kurenai e lhe deu um forte tapa no rosto fazendo a mulher soltar uma exclamação de dor. Ele pegou-a pela gola da roupa e lhe disse áspero – Eu só não acabo com você por que Hinata parece ter se apegado a sua companhia, mas se tentar me derrubar novamente eu juro que você não escapa Kurenai.

-E-eu e-entendi! – disse a mulher gaguejando. Neji a soltou com brusquidão fazendo-a cair no sofá.

-Onde está Hinata? – ele jogou o smoking no sofá e perguntou calmo como se há segundos atrás não tivesse ameaçado a governanta.

-Ela se encontra na cozinha senhor, disse que queria cozinhar.

Kurenai se levantou e arrumou a roupa. Colocou a mão sobre a face sentindo o local que Neji havia esbofeteado arder. Ele não estava brincando quando ameaçara acabar com ela, tinha que a partir dali tomar mais cuidado ou acabaria morta antes mesmo de tentar salvar a jovem Hyuuga da teia obscura que aquele homem a prendia.

-Diga a ela que eu cheguei, vou subir e tomar um banho. Enquanto isso quero que coloque a mesa do almoço. – Neji andou em direção as escadas e antes de começar a subir os degraus alertou a governanta utilizando aquele timbre que a fazia tremer de medo – E não mencione o que aconteceu nessa sala!

Kurenai concordou com a cabeça e se retirou em direção a cozinha. Estava ficando sufocante a convivência com aquele homem, ele sabia fazer alguém temer a morte e mesmo ela gostando muito Hinata não sabia se teria mais forças e vontade para ajudar a jovem Hyuuga. Ao chegar à cozinha partiu-lhe o coração visualizar o sorriso ingênuo de Hinata, ela divertia-se cozinhando com as criadas. A jovem Hyuuga era cativante e não demorou muito para que todos perdessem o medo de se aproximarem dela.

Hinata era como a luz naquela obscura mansão, uma luz que futuramente poderia perder seu brilho.

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Neji tomava um banho demorado sem pressa de terminar. A água morna que lhe caia pelo corpo relaxava-lhe os músculos tirando aquela tensão estressante de minutos atrás.

"Por que sempre tem que ter um idiota querendo me atrapalhar?". Pensou aborrecido. Como se já não bastasse Kurenai que mostrava insatisfação em manter-se em silêncio diante da mentira dita a Hinata, agora apareciam Kiba e Shino – os amigos idiotas da prima – para bancarem os amigos leais e protetores.

Saiu do chuveiro e se enrolou em uma toalha. Olhou o quarto na esperança de encontrar Hinata lhe esperando sair do banho, mas o recinto estava vazio. Deixou que um suspiro cansado lhe escapasse dos lábios. Estava lhe causando muito mais trabalho e dor de cabeça do que esperava aquele golpe, a única coisa que o incentivava a continuar era a forte vingança que lhe ocupava o coração.

Neji vestiu uma roupa mais confortável, uma blusa regata preta e um bermudão branco. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo baixo e calçou os chinelos pretos. Não iria voltar para empresa naquela tarde, estava cansado de mais para trabalhar. Havia deixado todo o serviço para alguns bajuladores odiosos. A única coisa que queria no momento era paz e descanso, e nada melhor do que no conforto da mansão embora ele soubesse que a presença dele ali causaria relutância nos empregados. O que Hinata diria dele permanecer em casa naquela tarde?Será que ela iria gostar? "E desde quando a opinião daquela mosca te importa?". Perguntou seu lado ruim para si.

-Desde o dia que eu descobri que ela tem seios grandes e curvas tentadoras. –Respondeu para si mesmo maliciosamente enquanto ajeitava alguns fios de cabelos que teimavam em lhe cair nos olhos perolados. "Boa resposta!" foi o que seu lado ruim respondeu.

Desistindo de ajeitar os fios de cabelos rebeldes Neji saiu do quarto em busca da prima. Desceu as escadas e diante da visão dele alguns empregados pararam de sorrir e conversar entre si abaixando a cabeça quando o patrão passou.

Abriu a porta da cozinha e encostou-se ao batente da porta para admirar a prima que naquele momento irradiava uma felicidade que Neji não imaginava da onde vinha. Hinata ria divertida de alguma coisa que uma velha e corpulenta cozinheira lhe falava. Um sorriso sincero e bonito. Como ela conseguia sorrir mesmo não tendo uma memória, não sabendo quem realmente era e se o que diziam a ela seria verdade?Era tão ingênua!Pessoas como Hinata eram raras de se encontrar no mundo. Tudo estava bom, nada incomodava e mesmo que tudo a sua volta fosse sombras e incertezas a jovem ainda conseguia ser feliz. Ela era mais forte do que Neji imaginava, e ele mais fraco do que pensava, pois há anos não sorria de maneira sincera como a prima naquele momento.

-Neji! – Hinata chamou o nome do marido ao notá-lo na porta a olhando. A voz dela parecia ter tirado-o de seus pensamentos fazendo com que o homem Hyuuga voltasse à realidade.

A jovem o admirou com aquelas roupas simples. Só o havia visto de terno e de samba-canção, nota-lo com um visual novo fazia com que Hinata perdesse o olhar na imagem de Neji. Ele não deixava de ficar bonito vestido daquela maneira

-Venha Hinata quero falar com você.

Hinata piscou os olhos algumas vezes. Será que havia feito mais alguma coisa para aborrecê-lo novamente?Ela tirou o avental e depositou sobre a pia, em seguida andou em direção ao homem que lhe esperava na porta. Neji pegou em uma das mãos de Hinata e a puxou em direção ao escritório.

Tratou de se certificar que ninguém havia os seguidos para escutar a conversa. Havia muitos empregados bisbilhoteiros e Kurenai fazia parte deles. Depois que averiguou que o corredor do escritório estava vazio ele fechou a porta e a trancou.

Hinata olhava o local atenta, ainda não havia estado naquele lugar. A mobília era rústica e ao mesmo tempo sofisticada, um marfim claro que dava elegância ao recinto. O lustre da mesma aparência fina do da sala com cristais. As cortinas eram brancas e estavam fechadas deixando o escritório com uma iluminação moderada. Uma escrivania se encontrava em frente a estante repleta de livros. Em uma das paredes havia um retrato. Um homem de longos cabelos castanhos junto de duas jovens, uma delas Hinata conseguiu identificar sendo ela.

Aproximou do retrato e olhou atentamente como se quisesse se lembrar das duas pessoas que estavam presentes na foto com ela. Por mais que se esforçasse não se lembrava do dia em que o retrato fora tirado nem o sentimento que sentia pelas duas pessoas. Algo lhe dizia que o homem que estava na foto era seu pai e a garota era sua irmã, os mesmo que haviam morrido do fatídico acidente.

- São... Meu pai e minha irmã?- perguntou Hinata passando suavemente a ponta dos dedos sobre a foto.

-Sim! – foi à resposta simples e direta sem qualquer timbre de emoção que Neji proferiu.

-Você poderia me fala um pouco deles? –perguntou Hinata curiosa. Até agora ninguém havia falado nada sobre suas família a única coisa que Hinata sabia era que tinha um marido.

-Não! – disse seco.

Não queria falar sobre o tio e a prima birrenta, só iria fazer com que o mau humor daquela manhã voltasse e o desgosto lhe invadisse o corpo novamente. Hinata pareceu decepcionada, estava visível que ela estava perdida e que se sentia uma estranha na própria casa, diante daquele retrato era como se não se conhecesse.

Neji se aproximou da prima vendo-a desviar o olhar do retrato para ele. Quando estava próximo o suficiente empurrou-a de encontro à parede e a prensou entre seu corpo e a divisória. O contato era tão grande que ele sentia cada curva do corpo da prima, o perfume adocicado lhe invadindo as narinas com agressividade e o deixava embevecido assim como novamente fora da racionalidade. Roçou os lábios na pele do pescoço feminino sentindo o arrepio da tez contra sua boca. Esboçou um sorriso malicioso e satisfeito.

Hinata arrepiou-se diante do gesto. Sentia-se nua diante do olhar penetrante de Neji. Os músculos do corpo dele estavam fortemente pressionados contra o seu o que fez com que o corpo dela se aquecesse, ela sentia que estava ruborizada diante de aproximação tão ousada. Não se movia, não sabia exatamente o que tinha que fazer se deveria tocá-lo um simplesmente ficar parada. Com medo de que fosse repreendida preferiu permanecer imóvel. Arrepiou-se quando os lábios do marido deslizava por sua tez do pescoço, fechou os olhos para sentir aquele toque. Apenas quando estava com Neji não se sentia tão sozinha e perdida, era como se ainda tivesse uma memória.

-Por que não me toca Hinata, tem medo de mim? – ele susurrou-lhe no ouvido em seguida chupando de maneira lasciva o lóbulo da orelha dela que soltou um gemido baixinho diante da carícia.

-E - eu... Hum... Neji! – ela não sabia o que dizer tudo o que tentava pronunciar saía de uma maneira gaguejante e baixa que era inaudível até mesmo para o homem que estava grudado em si.

-Estou com a tarde livre, você gostaria de fazer algo em especial? – a pergunta estava carregada em um timbre malicioso. O que ele desejava que Hinata dissesse é que queria passar a tarde toda na cama com ele gemendo, mas Neji sabia que essa resposta não seria a que ela daria a sua pergunta.

O silêncio permaneceu por um tempo e enquanto Hinata processava uma resposta sentia a boca masculina devorando-lhe o pescoço com mordidas e chupões impudicos e excitantes. Era difícil pensar com a boca habilidosa do rapaz tentando lhe arrancar gemidos vitoriosamente. Decidida Hinata o empurrou delicadamente apenas para deixar uma distância em que a boca de Neji não conseguisse alcançar sua pele e assim ela pudesse responder a pergunta dele.

-Eu gostaria de sair um pouco! - ela visualizou ele arquear uma sobrancelha e então resolveu complementar – Não quero ficar apenas dentro de casa, quero ver o céu, pessoas e um movimento diferente.

-Hum... – ele pareceu pensar por alguns segundos. Os planos dele naquela tarde era não sair de casa, mas contrariar Hinata não iria dar boa impressão. Bufou entregue e então disse calmo enquanto se afastava da prima. – Ok, no caminho você escolhe um local.

Hinata sorriu agradecida. Iria lhe fazer bem ver um movimento e pessoas diferentes, ficar presa dentro daquela mansão só a fazia ficar se torturando para lembrar de algum momento que tivesse vivido sobre aquele teto.

-Vamos almoçar?Tenho uma surpresa para você.

Foi à vez de Hinata o puxar pelas mãos. Ela o conduziu até a sala de jantar onde o almoço já se encontrava na mesa os esperando, foi então que ele notou a sobremesa. Um bolo de ameixas com uma aparência impecável e deliciosa. O caldo escorria pela massa e as grandes ameixas estavam alinhadas caprichosamente o enfeitando. Neji se perguntava como ela havia se lembrado que o doce preferido dele era aquele, porém não permaneceu muito tempo questionando principalmente ao escutar a voz doce lhe dizer palavras carregadas de carinho.

-Eu fiz para lhe agradar, espero que tenha saído gostoso.

Neji sentiu um repentino mal estar, o estômago lhe embrulhou e uma ânsia lhe invadiu a garganta. Sentia nojo de si mesmo!Enquanto ele era um desgraçado cretino que apenas nutria ódio dentro de si e brincava com aquela gentil garota, ela lhe cozinhava doce para lhe era egoísta e ela pulcra. Como era irônico aquele contraste, o demônio e o anjo era assim que podiam se caracterizar.

Ele era o lado ruim pois em Hinata só existia características benevolente.

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Hinata decidira que queria dar uma volta pela cidade e Neji resolveu leva-la ao centro de Tóquio onde tinha a praça, lojas, cinema entre muitas outras coisas na qual ela poderia escolher o que desejava realmente fazer. Enquanto a bonita moça admirava os outdoors com propagandas de cosméticos e Cds lançados por cantores famosos, Neji sentia o gosto adocicado na boca. Nunca comera bolo de ameixas mais saboroso do que aquele feito pela prima. Seria pelo fato dela ter feito com carinho? "Estou ficando idiotamente sentimental!" Recriminou-se quando notou o rumo de seus pensamentos para um lado mais emocional.

Recusava-se a admitir, mas estava feliz simplesmente em ver o sorriso da jovem em estar passeando com ele. Como era de se esperar era fácil agrada-la, Hinata não era muito exigente, ela só queria uma companhia ao lado dela e se fosse Neji parecia agrada-la ainda mais. O que ele havia feito para ela se mostrar tão apegada a ele?Mesmo dizendo ser marido dela uma pessoa normal não reagiria a uma maneira tão entregue como a jovem Hyuuga, provavelmente se fosse outra pessoa agiria com cautela, com os pés no chão diferente de Hinata que parecia nas nuvens.

Andavam pelas ruas de mãos dadas como um casal. As pessoas que passavam ao lado dos dois os contemplavam deslumbradas, nunca havia visto um casal tão bonito como Neji e Hinata.

-Oras o que temos aqui, o casal perfeição!

Os dois viraram-se para trás para olharem a voz que lhes diziam aquelas palavras em um timbre sarcásticos e carregado de mágoa. Neji não precisava ver quem era a dona da voz, ele conhecia muito bem aquele tom, tantas vezes já escutara a mesma voz feminina gemendo em seu ouvido. Não se surpreendeu ao encontrar Tenten. A bela chinesa olhava Hinata da cabeça aos pés com a mais pura repulsa.

Tenten a odiáva!

CONTINUA...


N/A:

Yoooooooooooooo me desculpem pela demora mas é que minha vida está complicada,estou para mudar de estado novamete ( eu já disse que sou uma nômade?) resolvendo minha vida,curso de inglês trabalho ai o tempo bom eu finalmente portei o capítulo três e espero que vocês tenham gostado.

Nesse capítulo eu abordei mais o dilema interno do Neji entre seu lado BOM e RUIM,que definitivamente existe dentro dele em um confronto realmente notar que ele realmente é um homem perigoso que não tem remorço de matar aqueles que ficam no seu caminho assim como descarta aqueles que não lhe são mais utéis. ( como ele fez com a Tenten).O Rock Lee é um amigo fiel que apesar de discutir muito com o Neji nosso Hyuuga o considera muito.

Futuramente terá um quarteo amoroso em que o Sasuke fará pate,no próximo capítulo será abordado esse esperar muitas coisas e tramoias da Tenten,ela não é uma pessoa ruim é só uma moça apaixonada que pode fazer certas coisas não muito boas para conseguir ter o homem que quer. ( mas ela ainda não vai chegar a ser tão CRETINA como a SAKURA de Aprendendo a amar)

Sinto em não poder respoder aos comentários gomen,prometo no próximo capítulo responder um por um sem falta e com muita atençã agradeço desde já pelo carinho com o meu fic .

VOCÊS FIZERAM SUA AUTORA FELIZ OBRIGADA POR COMENTAREM!YOOO YARE YARE

Graças aos comentários de vocês fico incentivada para continuar !