Parte 3: Um Novo Sonho
Era o raiar de uma calorosa e majestosa manhã de sábado, quando Renata e suas amigas foram para a campina colher algumas flores para enfeitar a casa.
As moças ficaram rindo e cantarolando muito alto e animadamente, quando o jovem e belo Ignatio, que estava sentado num velho tronco de avelã caído, notou a presença daquelas lindas jovens, cujos delicados semblantes se deixavam iluminar pelo radiante brilho daquele Sol tão áureo.
E reconhecendo a doce e bela Renata, que outrora a conheceu naquela ocasião, durante a dança das uvas, sentiu um desejo e curiosidade imensos de ir até onde ela estava e conversar mais uma vez.
- Bom dia lindas senhoritas! Bom dia, doce Renata! - Ignatio tirou o seu boné, fez uma reverência para as lindas donzelas. E ao se aproximar mais de Renata, foi sorrindo e segurando delicadamente na mão direita dela; e a beijou respeitosamente ali.
- Bom dia, senhor! - Disseram em coro as jovens amigas de Renata.
- Bom dia, Ignatio....! - Renata corou enquanto que encarava docemente com seus lindos olhos verdes-azulados a encantadora fisionomia daquele simpático e belo rapaz. Ela depois rapidamente dele se afastou apenas um pouco e o encarou nos olhos avermelhados dele. - O que faz aqui nesta campina?
- Hum.... Estou aqui buscando mais inspirações para novos desenhos meus..... não posso? - Ignatio mostrou para ela o seu caderno de desenhos, com um sorriso enigmático. - E você, minha cara...? O que faz aqui tão cedo com estas lindas senhoritas?
- Ah... Eu só estou aqui com elas para colhermos algumas flores para enfeitarmos a nossa casa. - E Renata se aproximou das outras moças, segurando numa das mãos um pequeno cesto com flores e com a outra, abraçando uma delas, para justificar o que está fazendo. Ela entregou a sua cesta para uma das suas amigas e as olhou. - Terminem de levar esta. Tenho outros assuntos para tratar com este gentil cavalheiro.
- Pode deixar, Renata.... Nós estamos indo embora mesmo! - A moça puxou a outra pelo braço e com um olhar fez uma expressão marota, indicando que Renata queria ficar à sós com o rapaz. E elas se distanciaram dos dois.
- Hehe.... Minhas amigas são assim mesmo.... vivem sempre querendo me ajudar.... - Renata ficou um pouco corada, enquanto tirava umas folhas do seu avental.
- Entendo.... Por acaso a senhorita poderia me dizer onde poderei conseguir um bom trabalho por aqui? Sou um artista e minhas economias são parcas.... o pouco que tenho são para pagar a hospedaria e as minhas refeições.
- Talvez haja alguma coisa que você possa fazer para o meu pai. Ele às vezes precisa de empregados para a colheita das uvas. Se quiser, te apresento à ele....
- Se não for um incômodo para a senhorita, eu agradeceria!
- Ah... Claro que não! O que eu puder fazer para te ajudar, eu farei de bom gosto. - Renata se lembrou dos desenhos que ele fazia, e mais ainda do retrato que desenhou dela naquele dia. - Você mora aqui perto... não é? Eu queria saber se já terminou com o meu desenho, pois tenho muita curiosidade de saber como ficou!
- Então venha comigo até onde estou hospedado.... é logo ali... adiante! - Disse Ignatio com um sorriso no seu semblante, enquanto apontava o indicador para o fim daquela campina.
- Acho que eu posso ir sim... creio que meu pai não se importará se eu me demorar só um pouquinho. - Renata com um sorriso faceiro acompanhou o gentil cavalheiro até a hospedaria onde ele reside.
A casa que serve de hospedaria é feita de pedras, com tijolos de ardósia. Possui cinco andares e uma chaminé larga no alto, de onde sai uma suave fumaça de cor acinzentada. As janelas são de madeira e os beirais são decorados com vasinhos de flores. A porta é de madeira maciça, de carvalho, repleta de entalhes com motivos florais.
Ignatio abriu a porta da estalagem, e gentilmente com um gesto, a convidou primeiro para entrar.
Quando ela adentrou o pequeno saguão juntamente com Ignatio, foi recebida com um sorriso gentilmente por uma menina que trabalha na hospedaria.
- Bom dia, senhor Ignatio! - Disse a menina enquanto varria o chão.
- Bom dia, pequena senhorita! - Ele fez uma reverência com o seu típico e simpático sorriso. - Esta é uma pessoa muito especial, uma amiga muito importante!
- Seja bemvinda na nossa hospedaria!! - A menina ficou encantada com a beleza de Renata. - A senhorita é mesmo muito bonita!
- Muito obrigada! - Agradeceu com um simpático sorriso a jovem moça.
- Não me irei demorar muito, menina. Vou apenas mostrar meus trabalhos para ela.
- O senhor Ignatio é um grande artista e seus quadros são tão bonitos.... - Suspirou maravilhada a criança ao dirigir suas palavras a Renata. - E tenho certeza de que irá gostar deles!!!
- Com certeza.... - Disse Renata sorridente.
- Venhar por aqui, Renata. Meu quarto fica lá em cima. - Disse o rapaz enquanto apontava o indicador para a escada que fica ao lado do saguão de entrada.
Logo, eles subiram os degraus daquelas escadas cobertas por um surrado tapete vermelho, cujos rangidos eram causados pela dilatação da madeira do assoalho dos degraus. Foram dois lances de escadas, até Ignatio se aproximar e mostrar para Renata que seu quarto era o terceiro depois do corredor no lado direito.
Então, ele cuidadosamente abriu com a chave que retirou do bolso do seu casaco, a porta de seu quarto. Quando ele a empurrou bem devagar, ela fez um som de madeira rangendo, e a luz invadiu o ambiente, revelando o seu interior.
- Este é o meu humilde quarto. Espero que não repare muito na bagunça, e hã... - Ignatio esticou o seu braço num gesto para convidá-la para entrar. - E.... seja bemvinda..... - Então, ele se sentiu um pouco envergonhado, mas sorriu ao ver que ela entrou e com o olhar, não ficou enojada daquelas instalações tão modestas.
Os simplórios aposentos do rapaz possuíam um mobiliário espartano e rústico. No qual incluia-se uma mesa repleta de papéis, cadernos de desenho, uma garrafa de vinho pela metade, um copo e alguns lápis, tintas e pincéis; a cadeira, em que um casaco de lã surrado estava nele pendurado; o cavalete com uma tela quase pronta, que estava situado entre a mesa e a janela totalmente aberta; um armário pesado, com três gavetas grandes, e que em cima do móvel se encontra uma bacia e uma jarra de porcelana, que costuma ser usada pelos hóspedes para lavarem-se; e mais um espelho nesta mesma parede, atrás do armário; e finalmente, no lado oposto ao dos móveis, bem no fundo do quarto, uma cama de metal coberta por uma colcha velha de retalhos e um criado mudo, com uma lamparina em cima dele.
Havia uma bagunça por conta de quadros no chão, tintas, pincéis, papéis e roupas espalhadas....
- UAU.....!! Mas quantos quadros que você está pintando!! - A moça pôs a mão em sua boca, de tão surpresa que ficou ao vislumbrar tantas pinturas pelo quarto.
- São apenas alguns dos meus trabalhos... E estou tentando vendê-los... - Ignatio ao perceber a anarquia em seu quarto, resolveu dar uma ligeira arrumada às pressas, para não causar má impressão na jovem.
Enquanto ele ia se livrando dos entulhos, Renata foi até a mesa e viu muitos cadernos repleto de desenhos e algumas folhas de papéis. Resolveu folhear alguns....
Neles encontrou paisagens, prédios, igrejas, monumentos, naturezas-mortas, animais, pessoas, e....
.....mulheres nuas.....?!
A moça ficou um pouco corada e intrigada com aqueles desenhos eróticos, porém ela resolveu ignorar, embora aquelas figuras tenham nela despertado uma certa curiosidade sobre os lugares por onde ele esteve, pois afinal de contas, artistas costumam pintar um pouco de tudo!
Mas depois passando para um outro caderno, ela descobriu algo muito mais interesante do que os desenhos vistos anteriormente!!!!
- Ei?! Estou reconhecendo este!! - Renata se deteve num desenho que estava em cima da mesa, e ficou atentamente observando a cada detalhe dele. - Este é o meu retrato que você fez dele naquele dia! É algo do qual eu não me esqueci!! - Ela ficou deverasmente encantada pelo fato do rapaz ter totalmente completado o seu desenho. E o melhor!! Haviam mais outros desenhos seus naquele caderno! Por certo ele a ficou observando por muito mais tempo naquela ocasião, e fez dela o seu modelo!! Que alegria!!!
- Você gostou...? - Perguntou Ignatio com um sorriso misterioso de satisfação.
- Se eu gostei....?! EU AMEI!!! - Renata se sentiu lisonjeada por ter sido escolhida por ele para ser alvo de sua arte; não as suas amigas... mas ELA! - Muito obrigada, Ignatio....!
- De todas as moças que estavam trabalhando naquele dia, tu és a mais bela entre todas! E é a que mais chamou a minha atenção, pois sua beleza divina é a minha grande inspiração, para um dia improdutivo e sem grandes ideias..... - Ignatio gostou muito da reação positiva da moça para o seu desenho, pois temia de fato, uma rejeição por seu trabalho, da parte dela, e que não os aprovasse. - Eu é que devo te agradecer, minha linda senhorita, com sua beleza consegui superar minhas dificuldades naquele dia... e fazer estes lindos desenhos seus! E fico assim muito contente que tenha deles gostado!
As faces da moça se tornaram intensamente rubras e quentes diante daquelas palavras tão tocantes!
E... temendo perder o ar e ficar sem rumo, ela pensou rapidamente em alguma coisa, antes que ele perceba o que ela está de fato sentindo por ele. Ignatio é um jovem belo, talentoso e charmoso.....
Por outro lado, Ignatio também começou a perceber que aquela moça é muito delicada, especial e bela!!Um encanto para os seus olhos... uma inspiração não só para os seus trabalhos artísticos, como para o seu coração que estava absorvendo novas e inesperadas emoções.....
- Infelizmente, Renata... eu não tenho nada que seja mais adequado para oferecer para uma linda dama como você.... - Ele olhou para aquela garrafa de vinho pela metade com uma imensa vergonha, por não ter nada mais digno para dar a ela.
- Mas isso não me importa... - Seu sorriso luminoso o deixou mais aliviado e tranquilo. - Pois não precisa se preocupar comigo... - Ela se lembrou de algo que ele havia lhe perguntado antes pra ela. Sim!! Isso é muito bom, uma boa ideia, é tudo o que precisa!! - Você me perguntou antes se eu sabia onde pudesse achar um trabalho. Porque não vamos até o meu pai agora e tentar achar alguma coisa que te sirva?
- Sim, claro! Seria ótimo!! Eu estou precisando mesmo... - Ignatio se sentiu constrangido pela vida modesta que levava. Porém dinheiro para ele no momento é o mais vital e importante, pois vida de artista é deverasmente dura! - E com prazer eu vou aceitar o que tiver disponível pra mim. - E então acabou sorrindo para a moça, que percebeu a sua preocupação.
Renata se sentiu consternada diante da situação complicada que vivia Ignatio. Um moço sem muitos recursos, vivendo de seus desenhos, num lugar tão distante de onde ele veio....
Porém, ela decidiu de alguma forma ajudá-lo!
- Vamos!! Venha comigo que eu te levarei para conhecer o meu pai!! - Renata ousadamente segurou pelo braço de Ignatio e o levou até a porta do seu quarto. - Decerto ele irá te providenciar algum trabalho!!
- Estou agradecido, Renata...... - Ele ficou surpreso com a atitude da moça, porém gostou muito do jeito como ela se comportou. E sorriu para ela.
Em pouco tempo, após a porta ser fechada, eles desceram as escadas que levavam até o saguão...
Onde, encontraram a menina que antes haviam visto. Ela continuava ali, trabalhando incessantemente!
- Maria, não irei me demorar!! Vou com esta senhorita resolver alguns assuntos.... - Disse Ignatio apressadamente, enquanto Renata ia com ele.
- Ah... sim... Sim, senhor!! - Disse a menina estupefata com o jeito como ele foi saindo assim, tão ligeiro.
Logo assim que eles saíram, o pai daquela garotinha chegou e perguntou pra filha:
- O que houve aqui? Escutei algumas vozes e barulhos na escada!
- É o senhor Ignatio... ele trouxe com ele uma moça muito linda, levou para cima e depois saiu daqui correndo com ela!
- Às vezes ele leva algumas garotas para lá, mas não gosto muito disso, ainda mais na sua frente! Não são coisas que uma menina de sua idade deva se preocupar ou interessar. Bem..... ele é um artista e essa gente costuma ter uma vida largada e boêmia.... - Ele olhou para a sua filha e deu um afago em sua cabeça. - Termine tudo e depois ajude a preparar as refeições.
- Sim, senhor!! - A menina tornou a varrer o chão.
Enquanto isso, Ignatio e Renata tomaram uma boa distância da hospedaria, alcançando em pouco tempo os campos floridos e amarelos das radiantes e vibrantes margaridinhas que enfeitavam a encantadora paisagem de verão.
Mais adiante, estavam os parreirais, repletos de perfumadas uvas adocicadas, que eram colhidas por jovens camponesas que entoavam belas canções....
A sede da propriedade vinícula estava próxima dali. Lá é a residência da senhorita Renata Maldovanni, filha de um dos mais prósperos vinicultores da região. Sua família há muitas gerações produz vinhos da maior qualidade, que são exportados para toda a Europa e também para a América.
A residência da família Maldovanni era no estilo italiano com lindos jardins e árvores que circundavam o terreno. Logo na entrada, após a alameda de árvores de copas floridas, se encontrava um alpendre com lindas rosas brancas penduradas....
Quando Renata chegou na entrada de sua casa, acompanhada de Ignatio, ela o conduziu até a varanda, na qual encontrou alguns empregados que estavam ali trabalhando.
- Onde está o meu pai?
- Ele está no escritório, senhorita Renata. - Disse a mulher que cuidadosamente levava consigo algumas cestas de frutas.
- Obrigada! - Renata olhou para Ignatio com um sorriso. - Vamos falar com o meu pai!
Renata entrou no salão e então mostrou para ele o caminho até o escritório, que ficava no canto direito, numa porta próxima da larga escada de madeira ricamente entalhada.
Ignatio ficou estupefato diante da exuberante decoração daquele recinto, com diversas obras de arte espalhadas, móveis finíssimos, espelhos de prata, cortinas de veludo, tapetes persas e lustres de cristal e muitas outras coisas bonitas....
Quando a jovem abriu a porta do aposento no qual o seu pai se encontrava, um aroma profundo de madeira e livros se tornarvam intensos e penetrantes.
O ambiente era sóbrio, com móveis de estilo tradicional, com um armário e uma estante abarrotada de livros, uma cristaleira com diversas bebidas finas, algumas cadeiras e uma escrivaninha perto da janela, na qual o pai da moça estava sentado atrás.
O pai da moça possui um cavanhaque castanho escuro bem aparado, que combinava com os cabelos também escuros, que estavam bem penteados com gomalina para trás. Percebia-se que aparentava ser uma pessoa bem importante e de bom trato. Vestia uma camisa de linho branca e listrada, uma calça com suspensórios, sapatos pretos finos e segurava na sua mão um relógio de bolso de ouro, cuja cordinha ficava presa em sua roupa.
Estava fazendo algumas anotações em um caderno, com uma requintada caneta tinteiro de ouro.
- Cheguei, senhor meu pai!! - Ela estava um pouco esbaforida de tanto correr e suas faces estavam vermelhas de tanto esforço. - Tenho algo muito importante a te pedir!!
Ele passou os seus olhos na moça e percebeu que ela estava acompanhada de um jovem bonito que vestia-se modestamente.
- Entre, por favor, feche a porta e sentem-se ali. - E apontou o indicador para as duas cadeiras que ficavam em frente a sua escrivaninha.
Prontamente ela e o rapaz sentaram-se diante do pai dela. Renata tomou fôlego e com um lenço que estava em seu avental, enxugou o suor do seu rosto, no que Ignatio após tirar o boné de sua cabeça, também repetiu o gesto da moça, pegou do bolso de sua camisa, um lenço para remover as gotas que teimavam em escorrer de seu rosto quente.
- Vocês me parecem cansados.... - Ele se levantou e pegou uma jarra de água e dois copos que estavam numa estante ao lado; enchendo-os e servindo em seguida para eles. E então se sentou. Olhou novamente para a sua filha e depois para o estranho rapaz. - Renata, quem é este jovem e o que você quer que eu faça por você?
- Meu pai, este é Ignatio Gianinni, ele veio de longe... - Ela terminou de beber a água ligeiramente e descansou o copo na mesa.
- Muito prazer, senhor.... - Ignatio se levantou da cadeira e estendeu a mão para cumprimentá-lo, após beber da água e descansar o seu copo vazio ao lado do que Renata usou.
- Mario, Mario Maldovanni. - Ele devolveu o cumprimento com muita formalidade, enquanto o rapaz voltava-se a se sentar. - De onde que veio, meu jovem?
- Eu vim de Milão... sou estudante de artes e estou procurando um trabalho. - Ele se sentiu um pouco constrangido ao fazer isso, ainda mais ao olhar para o pai da moça que tinha um jeito tão respeitoso.
- Um jovem artista e em busca de emprego... - Ele pegou a caneta e ficou balançando-a na mão. - O que
sabe fazer? És capaz de cuidar de uma videira? Tens forças para carregar cestos, recolher e pisar nas uvas?
- Senhor, eu faço o que for preciso e não irei reclamar!! Estou precisando deste trabalho para me sustentar e a meus estudos.... - Ele olhou para Renata e depois para o pai dela. - Eu perguntei para sua filha se teria algum trabalho por aqui que eu possa fazer, pois os tempos são difíceis para quem vem de longe... Mas ela me disse que o senhor talvez poderia me ajudar.
Ele, de fato quis ser modesto, portanto disse apenas que foi ele quem perguntou a ela se teria algum emprego na vinha; mas foi Renata quem se ofereceu para ajudá-lo, visto que ela soube da situação em que ele se encontrava.
- Bem... se o que minha filha diz ser verdade.... Então eu terei que arranjar algo para que possa fazer...
Renata sorria e balançava a cabeça positivamente quando seu pai a encarou nos olhos, de modo que pudesse confirmar as palavras ditas há pouco por Ignatio. Pois é desejo dela que ele possa vir a trabalhar na vinha de seu pai.
- Então está contratado, senhor Ignatio Gianinni!! Deverá começar amanhã, quando tarefas serão designadas para você durante a colheita e o preparo das uvas por um dos responsáveis pelos meus empregados.
- Muito obrigado, senhor!! - O jovem ficou exultante de alegria, pois era tudo de que necessitava para o seu sustento e todas as outras despesas.
- Agradeça à minha filha, pois foi ela quem te indicou para esse emprego. Apenas fiz a vontade dela.
- Obrigada, meu pai!! Sei que a sua benevolência com este homem não será esquecida por esta sua filha!! Eu lhe agradeço.... Fez um grande gesto piedoso.... - Renata com seu sorriso luminoso, mal se continha em tamanha alegria. Era uma grande felicidade para ela poder ajudar aquele rapaz tão lindo e talentoso....
- Agora podem ir, porque tenho outros asuntos muito importantes para resolver ainda hoje!! - Ele fez um gesto com a mão, para que eles saiam logo dali.
- Sim, senhor!! - A moça se levantou juntamente com Ignatio e foi com ele até a porta.
- Obrigado, senhor!! - O moço ajeitou o boné em sua cabeça, com um sorriso de agradecimento.
E os dois saíram dali imediatamente; passaram pelo corredor, em direção ao saguão, e dali até o lado de fora da mansão. E depois foram caminhando pela alameda da propriedade, até se distanciarem da propriedade dos Maldovanni.....
Ao passarem pelos campos floridos de simpáticas margaridas amarelas, eles se sentaram entre as flores e ficaram ali, por algum tempo, observando o horizonte.........
- Muito obrigado, Renata!! - Ele a encarou em seus olhos verdes-azulados com um doce olhar.
- Espero que seja realmente isso que o faça feliz aqui.... - E a jovem desviou um pouco o olhar sobre Ignatio ao lhe responder, porque corou com as tais palavras de agradecimento advindas dele, e portanto, aquilo mexeu um pouco com ela. - ... E que consiga se manter bem em sua vida..... - Mas devolveu com um sorriso o olhar que ele lhe deu em seguida.
- Sinto que serei muito feliz neste lugar.... é muito calmo, bonito e acolhedor, assim como esta linda senhorita, que me deixou a inspiração que havia perdido há algum tempo.....
- Eu fiz o que achei certo.... - Ela se sentiu vexada e ao mesmo tempo envaidecida. E colheu uma flor enquanto a olhava, para desviar-se do olhar dele, pois temia ver o que ele sentia. - É isso....
Ignatio sorriu e também pegou uma flor e a ofereceu pra ela, que a pegou enquanto que num lance bem ligeiro o fitava com uma doce ternura....
- Serei eternamente grato a ti, Renata! Lembre-se disso!
- É algo que não vou me esquecer, assim como o lindo desenho que fez de mim.... - Ela se levantou e teve a coraagem de encará-lo, sorrindo. - Bem, tenho que retornar para casa. Espero te encontrar amanhã nos parreirais. E obrigada pela flor...
- Decerto que eu irei te encontrar por lá! - Ele sorriu e em seguida estendeu sua mão para beijar a dela com muita delicadeza.
Aquele simples beijo em sua mão, foi o suficiente para deixar a moça desconcertada... Então ela saiu de perto dele e apenas acenou com a mão para dele se despedir, e foi caminhando....
Mas quando ficou de costas para ele, Renata segurou a mão que foi beijada e ficou acariciando-a.... e encostando-a em seu rosto....
Ela gostou de sentir o toque macio dos seus lábios na sua mão. E isso despertou nela sentimentos por demais fortes, estranhos e confusos....
E o jovem Ignatio por ela sentia-se atraído.... uma doce e delicada donzela com as mãos tão suaves, e aqueles olhos esverdeados que tanto o encantava..... e o inebriava.......
Uma moça tão linda, e admiravelmente alegre que lhe trouxe esperanças nesta terra......
A vida é cheia de incríveis coincidências, de inusitadas estradas que vão se formando....
Mudando o rumo dos acontecimentos..........
E levando talvez a um lugar onde os sonhos podem se realizar!!!
E como irão encarar os novos desafios que o destino reservará para Ignatio e Renata nos dias que se seguirão nos ensolarados e belíssimos campos floridos de um verão repleto de novas oportunidades?
CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO............................
