Parte Dois/Capítulo 14: Lupercália

A/C: 2x03 – Onde a Lupercália terminou de uma forma bem diferente.

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Parte 3: A Caçada

Desde outro ponto de vista:

Nicholas Scratch era um homem bonito e carismático. Ele sabia.

Seu rosto lhe trouxera muitas bênçãos e lhe abrira muitos caminhos. O pobre menino órfão que ele era, versado em magia antiga e incrivelmente perspicaz. Não ouve um feiticeiro tão promissor quanto ele desde Edward Spellman. Seus pais estariam tão orgulhosos dele se estivessem vivos hoje. Nicholas não tinha do que reclamar. Viver entre os bruxos e gozou de toda luxúria que lhe era devida. Teve seu quinhão de bruxas e feiticeiros em sua cama e realizou façanhas que nenhum de seus colegas sequer sonhavam. Realmente, um privilegiado.

Um flerte total, um sorriso sedutor que fez muitos caírem por ele.

Quem diria que, no fim, ele seria o único a cair em sua própria armadilha?

A primeira vez que ele a viu, foi na aula de canto. Os cabelos loiro-escuros puxados por uma tiara preta simples e suas roupas eram tão estranhas, recatadas mesmo para uma bruxa. O rosto limpo de qualquer maquiagem e uma expressão feroz, porém, claramente inocentes se fazia presente e ele se pegou sorrindo, intrigado com a presença da nova estudante.

Padre Blackwood a apresentou e, qual não foi seu espanto ao saber que, aquela pequena menina, de aparência tão ingênua era filha do homem que ele admirava e que almejava superar, Edward Spellman. O maior conjurador que o Coven já vira. A menina deu um passo a frente esperando instruções e viu Madame Blackwood olhá-la com desdém mal contido.

"- Cante uma estrofe ou duas, apenas para eu saber de onde devo começar com você."

E a primeira de muitas surpresas veio a ele quando, como um sopro, sua voz melodiosa e suave reverberou pelo salão, e ela encantou não só a ele, mas a todos seus colegas. Com o canto dos olhos, viu Prudence olhá-la com rancor, as unhas cravando na pele das mãos e formando sulcos profundos em suas palmas.

" - Olhe só, Prudence! Parece que você finalmente tem alguma competição."

A menina era corajosa, mas inevitavelmente ingênua. Ele já havia ouvido falar dela antes claro.

Sabrina Spellman. Filha de Edward e Diana Spellman. Fruto do relacionamento entre um feiticeiro e uma mulher mortal.

A menina era uma mestiça.

Embora isso não influenciasse em nada o que pensava dela, devia admitir que estava curioso sobre suas crenças e como ela seguiria dali pra frente na Academia. A partir das irmãs estranhas, soube que ela não assinara seu nome no livro da besta e, mesmo assim, ali estava ela, em toda sua glória e uma máscara imperturbavelmente corajosa enquanto sorria lindamente para ele, convidando-o a sentar e almoçar com ela. Nicholas logo se viu fascinado com seus trejeitos e seu modo estranho de lidar com as adversidades.

Ele se apresentou a ela, oficialmente, e foi ali que sentiu o primeiro arrepio, algo rastejando por baixo de sua pele e se instalando lentamente, como um veneno muito complexo que, só se faz notado quando não há mais o que ser feito.

oOo

A segunda vez que viu Sabrina Spellman, ele soube que a queria por perto. Pesquisando um pouco, descobriu que a mesma havia conseguido um acordo com o Sumo Sacerdote. Enquanto continuava a estudar em sua escola Mortal, ela faria ao menos algumas aulas por semana na Academia.

Era fundamental e obrigatório que ela concordasse com os termos se ela quisesse continuar com sua educação mortal e não fosse integrada, definitivamente a Academia. E então, qual não foi sua surpresa ao vê-la na manhã seguinte, saindo pelas portas com o Enigma de Aqueronte em mãos, parecendo muito presunçosa.

"-Oi! – disse ela, sorrindo largamente.

- Oi, e ai? – respondeu levantando-se e fechando o livro que tinha em mãos. Recostou-se na escadaria e sorriu arrebatador – Fiquei sabendo que brigou com a Pudence.

- Briguei. – confirmou revirando os olhos.

- Falarei com ela. – afirmou.

- Não, por favor! Ela só vai me odiar mais. – suspirou e sorriu logo em seguida. Nick baixou os olhos, levemente sem graça. Merda. – Então... – ela começou e ele já sabia onde daria a conversa. – Vocês namoraram?

- Por um curto período de tempo, sim. Sim, me envolvi com as Irmãs. – ele a olhou e viu suas sobrancelhas sumirem por trás de sua franja bem cortada.

- Todas as três? – disse espantada. – Ao mesmo tempo?!

Nicholas apenas acenou com a cabeça, estranhamente desconfortável pela forma que a bruxa lhe olhava. – O que aconteceu?

Nick suspirou – Elas também controlam mentes. – explicou – Eu não sabia mais o que era sugestão e o que era... Real."

Naquela época, o rapaz encontrou uma fuga no Enigma em suas mãos, perguntando-lhe o que ela fazia com ele e descobrindo o que o Sumo Sacerdote queria que ela fizesse. Nicholas a ajudou, dando-lhe todas as informações que podia e a viu ir embora, um olhar selvagem em seus olhos e uma obstinação em seu semblante.

Sorriu para si mesmo, mordendo os lábios enquanto tinha um último vislumbre de seus cabelos loiros sumindo pelo caminho dos trilhos de trem.

A pequena e corajosa bruxa já fazendo parte de seus pensamentos sórdidos.

oOo

Murmúrios percorriam a academia. "Você viu o que ela fez?" Ele escutou isso uma e outra vez. Sussurros de seu nome percorriam os corredores e ele não conseguia se livrar da imagem da meio mortal. "Sabrina Spellman silenciou as Irmãs Estranhas." E ele ouviu logo depois, dos próprios lábios de Dorcas, que Sabrina havia lhes enforcado.

Muito bem feito, Spellman. Ele lembra desse pensamento em particular, de ter que segurar o sorriso. Ele sabia o que as três haviam feito para Sabrina. Os "trotes" de mau gosto que lhe pregaram. Em absoluto, pelo visto, ela havia devolvido na mesma moeda. Um breve sentimento de orgulho e satisfação o preencheu e ele riu, fazendo a ruiva afastar-se, ofendida com sua reação singular.

Quando a encontrou, no salão de entrada, aproximou-se devagar, vendo-a conversar com um dos meninos guardiões da academia, sua voz flutuava até ele de forma doce, mas não pode distinguir suas palavras, infelizmente.

"- Com quem está falando? – perguntou aproximando-se.

Ela sorriu, como quem esconde um segredo e ele se viu fascinado, realmente.

- Comigo mesma. – disse confiante. – Olá, Nicholas.

- Oi. – deu-lhe um pequeno sorriso, apenas um levantar de lábios sedutor. – Sobreviveu à sua imersão.

- Sobrevivi – riu –, por pouco. Ainda não cheguei as aulas de conjuração, mas vou chegar."

Naquele dia, Nick criou um de seus pequenos segredos. Um dos muitos que compartilhariam dali por dia. Entregou-lhe um dos diários de seu pai, burlando uma das muitas leis da Academia. A partir daquele instante, Nicholas sem nem mesmo saber, conquistou parte do carinho e confiança que Sabrina dedicava a pouquíssimas pessoas em sua vida.

"- Obrigada, Nicholas. De verdade."

Essas palavras ficariam gravadas em sua mente – e em seu coração de uma forma que ele jamais poderia imaginar.

oOo

Ele sempre soube de pedaços da vida dela. De alguma forma, ele se emprenhou em sua vida, pouco a pouco, pelas beiradas, de uma forma tão sutil que nem mesmo ele entendeu o que estava fazendo. Ela realizou feitiços, decorou cânticos, liberou um demônio do sono de enigma de seu pai e, agora, ao que parece, se interessava por exorcismos demoníacos. E ele se viu, levado por ela, o que o fez cometer alguns erros, talvez.

Ele comentou o erro de esquecer que ela era parte mortal, afinal de contas.

" - Aí, quer falar sobre isso? – perguntou levantando-se de seu lugar e arrumando seu blazer. Os alunos já haviam saído da sala e sobrara apenas ele e Sabrina.

- Sobre que? – perguntou, dentando fugir do assunto. Nick sorriu, conhecedor.

- O que estiver em sua mente.

- Ah... – ela hesitou e olhou brevemente para trás, para a saída. – Até gostaria, Nick, mas eu tenho que...

- Deixe-me adivinhar... – fingiu deliberar – Amigos para salvar? Exorcizar um demônio?

Ela sorriu, apenas o olhando sem proferir palavra.

Nicholas sorriu deliciosamente.

- Você é uma rebelde, Spellman. Bem como eu gosto das minhas bruxas.

Sabrina piscou e sorriu envergonhada.

- Nicholas, quero deixar algo bem claro – parafraseou suas palavras, dando ênfase em cada uma delas. – eu tenho namorado.

Ele deu de ombros. – Sim... Mas você também tem duas naturezas. Frequenta duas escolas. Porque não namorar dois homens? Eu não ligo de dividir. "

Se ele soubesse o quão erradas eram suas palavras, ele faria tudo para apagar esse momento de seu passado.

Ela se afastou dele depois daquele dia, ele notou. Algo dentro de seu peito se apertando e um frio desgarrador subindo por sua pele. Algo que ele nunca sentira e, sinceramente, não gostaria de aprofundar seu conhecimento sobre esse... Sentimento inoportuno. Mas, infelizmente, Nicholas notou seu erro tarde demais. Ele definitivamente ficara do seu lado errado ao sugerir seu namorado no mundo deles enquanto ela mantinha... Seu namoradinho normal que nem mesmo sabia quem ou o que ela era. Inferno, Nicholas! De onde surgira a ideia estúpida de oferecer-se para ser seu namorado? Ela não era como as bruxas com quem ele convivia. Para nada.

Bruxos existiam para a luxúria, a carnalidade e o sexo. E a menina estava claramente apaixonada por seu namorado mortal. Um sentimento de ciúmes encheu seu coração e ele se viu horrorizado com a ideia. Nunca antes tendo sentido algo parecido, então, a próxima vez que a viu, ele habilmente conseguiu envergonhar a si mesmo mais uma vez.

Era ritual dos rituais e ele estava em sua casa, no porão junto a Prudence e suas irmãs, no meio de uma orgia com elas e seu primo além do namorado do mesmo. Ele lembra-se de ouvi-la entrar, chamar seu nome enquanto estava em frenesi, a magia opressora do ritual no ar e ele engatinhou, humilhando-se enquanto andava para perto dela e ficava de joelhos.

"- Sabrina, junte-se a nós – a magia fluía por seu corpo, o cheiro de sexo nublando sus sentidos – Ou podemos ir para o seu, só nós dois.

No instante seguinte, ela saiu correndo, uma expressão apavorada em seu rosto e as bochechas vermelhas. E ele soube que havia estragado tudo, mais uma vez."

oOo

De todas as formas, ele viu Sabrina voltar a ele, senão de forma romântica, mais como para momentos de necessidade. Seu ego estava um tanto ferido na época, afinal, não haviam muitas mulheres que pudessem resistir ao seu charme. Então, numa tacada de sorte Nicholas decidiu desistir de seu flerte irreparável para com Sabrina. O desejo estava lá, é claro, mas havia algo dentro de seu ser, nas profundezas de seu âmago que lhe dizia para deixar ir. E foi o que ele fez. Ele estava lá para ela, quando logo após a descoberta de Prudence ser a filha bastarda de Blackwood – algo mantido sobre total sigilo, que ele não ousou contar para mais viva alma -, a mesma foi destituída do dever de Rainha dos Rituais, a fim de conter seu sacrifício e sangue derramado. No fim, nada adiantou. Outra bruxa, cega por seus dogmas, cortou sua própria garganta e o Coven se serviu de sua carne, em adoração ao Senhor das Trevas. Ele abraçou-a e puxou-a para longe quando, chocado assim como ela, ele viu a carne da mulher ser devorada e o cheiro do sangue poluiu o ar.

Ele estava ao seu lado, ajudando-lhe no ritual de necromancia para trazer o irmão de seu namorado mortal dos mortos. Ele viu o momento em que a lâmina em suas mãos cortou em um movimento limpo o pescoço de Agatha e o momento em que seus olhos escureceram olhando para ele, a noite e a escuridão penetrando lentamente em seu coração puro. E ele também a segurou firme, limpando as lágrimas sombrias que escorriam de seu rosto quando o mortal a rejeitou e a expulsou de sua casa, enojado de sua natureza do que ela fizera. O olhar desolado e quebrado seria algo que ele jamais esqueceria em toda sua vida. E todos os séculos que viriam a seguir.

E então, as amarras de seu coração se desfizeram. As cuidadosas correntes que pôs ao redor de seus sentimentos se desfizeram como areia, e ele se viu sentindo. Demasiado.

Nick queria gritar, arrancar seu coração do peito ou simplesmente segurá-la forte, abraça-la até ela dormir e jamais soltá-la. E então, havia momentos que ele apenas queria beijá-la completamente e fazer coisas nefastas com ela, deixa-la saber o quanto ele sentia. O quanto ele a queria e não só como uma amiga, como ele pensou que eles poderiam apenas ser isso. Ele queria mostrar a ela o quanto ele começou a estimá-la.

Ele queria... Amá-la.

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Sabrina parecia infelizmente, no próximo mês. Ele lembra-se disso com uma angustia irreparável. Ela lhe contou que suas amigas descobriram suas origens e a aceitaram completamente – algo pelo qual ele estava grato, Nick não acha que teria suportado vê-la mais devastada do que já estava, naquele momento. Mas seu relacionamento com o mortal parecia estar desfeito, além do irreparável. Ele dissera coisas horríveis a ela, coisas que ela nem mesmo quis compartilhar com ele sobre.

Um sentimento de rancor contra o homem mais jovem se instalou em seu peito, mas ele sabia que o rapaz teria sua hora. Agora, ele estava ali, pronto para segurar Sabrina em seus braços e juntar os pedaços, se necessário.

Nicholas era um homem paciente. Sua hora chegaria.

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A pedido de Sabrina, ele salvou o rapaz mortal. Harvey, era nome dele, não era? Ele viu seus amigos mortais travando suas próprias batalhas enquanto a pequena bruxa tinha uma séria decisão a tomar.

Ele soube o momento exato em que Sabrina abandonou o lado da luz.

Foi como um suspiro de amantes, lento, denso, mas poderoso. O ar parou e ele sentiu a eletricidade passar por seu corpo, mais uma bruxa assinando seu nome no livro da Besta e tomando seu lugar de direito no Coven, abandonando qualquer esperança de sua mortalidade ser salva. Olhou pela janela da casa do ex de sua fixação e viu o céu, n nublando-se de nuvens negras e o peso da magia ancestral instalando-se no ar.

Sabrina Spellman pertencia à noite, agora.

E Satan o ajuda-se, mas ele a queria e, sem o mortal em sua vida, ele a teria de todas as maneiras existentes.

oOo

De volta à Lupercália, momento atual:

- Você está me encarando. – Sabrina disse, sorrindo de olhos fechados enquanto sentia a brisa da noite em sua pele nua. Abriu um dos olhos e viu Nicholas olhando-a, apaixonadamente. – Está me deixando envergonhada, Nick.

Apoiado em um dos cotovelos, o homem sorriu, a ponta de seus dedos delineando o rosto da loira. Nicholas aproximou-se, pairando sobre ela para em seguida, beijar seus lábios sensualmente, instigando-a se aproximar dele.

Sabrina gemeu, extasiada com suas ministrações estreitou a distância entre os corpos, seus seios roçando o peito nu dele. Nick suspirou, prensando-a contra a toalha. Suas mãos acariciaram seu corpo, descendo por sua clavícula, contornando seus seios e apertando rudemente sua cintura. A bruxa ofegou, aprofundando o beijo e deixando suas mãos vagarem por seus ombros e tronco, seguindo perigosamente pela linha de sua cintura e logo abaixo.

O feiticeiro parou, segurando-a no lugar e puxando seu cabelo firmemente, fazendo-a olhar para ele. Satan, ela seria sua perdição.

- Sabrina... – ele avisou, nem mesmo terminando suas palavras. A mulher embaixo de si olhou para ele, devassa. Seu controle escapou por um segundo e ele se viu baixando os olhos para sua boca avermelhada dos beijos anteriores. Pegou-o entre os dentes levemente, soltando-o e deixando sua língua acalmar a pele machucada.

- Nick... – um suspiro de deleite escapou de seus lábios. Inferno amado, ela se sentia quente. Amada, querida, poderosa. Harvey nunca a fez se sentir assim, em nenhum momento em que estiveram juntos.

Um uivo então chamou a atenção dos dois. O casal paralisando em suas posições.

Temeroso, Nicholas virou-se, vendo Amália à espreita, na borda da Clareira.

Sabrina espiou por cima de seu ombro, os olhos arregalando-se ao notar o grande lobo em duas patas, a boca aberta com os dentes arreganhados e os olhos vermelhos sinistros, olhando diretamente para ela. Viu o feiticeiro sentar-se rapidamente, obstruindo sua visão do animal.

- Amália, por favor, não a machuque! – ouviu Nicholas murmurar, suas costas tensas para ela. Ouviu o farfalhar de algo se aproximando e tremeu, imaginando a fera a poucos passos deles. Sabrina sentou-se rapidamente, procurando pelo menos uma blusa que pudesse vestir. Pegou o suéter do homem e passou-o pela cabeça. – Ela é minha companheira, mater. Por favor.

E então, olhou para o grande lobo vendo que agora, estava a poucos metros de si.

- Amália? Como... Quem é ela, Nick? – sussurrou baixo o suficiente apenas para ele lhe ouvir. Sempre mantendo seus olhos na loba.

Nicholas não olhou para ela, sabiamente mantendo-se frente a frente com Amália, que espreitava perigosamente.

- Ela é minha familiar, Sabrina. – murmurou de volta, intensamente. – Amália cuidou de mim, quando meus pais se foram. Ela é minha família.

Sabrina suspirou, sentindo o peso de suas palavras tomá-la. Nicholas havia lhe contado sobre sua familiar, em um raro momento de fragilidade entre eles. Entre secretos sussurrados de quando ela lhe abrira o coração e ele decidira fazer o mesmo.

Querido Satan, olhe onde estamos agora!

- Amália... Nicholas me falou sobre você! – ela falou alto, emocionada e ansiosa, dando ênfase as suas palavras. – Ele me disse como você era a família dele e como ele teve sorte por ter você. – ela se levantou, aproximando-se lentamente, meio agachada, com a cabeça baixa e as mãos estendidas. A apreensão tomou conta de seu corpo e o ar friou gelou seus ossos. – Eu não sou sua inimiga, Amália. Não sou uma ameaça para você, Amália! – Sabrina engoliu em seco. – E o que você sente pelo Nick, eu entendo.

E, em um momento, ela se aproximou rápido demais da criatura. Ouviu Nicholas suspirar, horrorizado ao dar-se conta da situação. Sentiu-o em suas costas, pronto para enfeitiçar sua familiar raivosa.

O hábito quente do animal saia de sua boca e encontrava seu rosto, atordoando-a. Os dentes afiados muito perto de seu rosto faziam-na ver a estupida decisão que tomara.

E então, assustada, fechou os olhos quando a viu levantar uma das garras.

Seu cabelo foi tocado suavemente, os fios deslizando por suas garras facilmente, enquanto a fêmea a cheirava, guardando seu cheiro adocicado na memória.

- Você... Companheira do meu... Filhote. – o grunhido animalesco tocou seus ouvidos e levantou os olhos, maravilhada. A loba afastou-se um pouco, olhando para Nick. Ela parecia desolada – Filhote... Não precisa mais... De mim. – os olhos vermelhos olharam para Sabrina com um ar de profunda tristeza. – Encontrou uma... Família agora. Você leva... O cheiro dele. O cheiro do meu filhote.

Sabrina engoliu em seco, um nó se instalando em sua garganta.

- Você não é apena a familiar dele, não é algo eu pode ser descartado. Você é muito mais que isso, Amália. – disse Sabrina suavemente. Atreveu-se a levantou uma das mãos, hesitante se conseguiria tocar a loba. – Posso? – murmurou delicada.

A pelagem era macia, mais delicada que os tapetes persas de sua tia. Apesar da aparência sua, pelas muitas folhagens que se embrenharam em seus pelos, eram os fios mais bonitos que já tocara.

Ao contrário do que parecia, seu pelo era negro, como o breu de uma noite sem estrelas. Seus olhos eram vermelhos como rubi, mas pareciam cansados e feridos. Muito magoados de algo que ela desconhecia.

- Nick ama você, Amália. Você é a família dele, afinal de contas. E ele nunca iria se desfazer de você.

E então, em um ato de submissão, a bela loba, vestida em trajes finos abaixou-se, ficando em quatros patas. Seu focinho emburrando uma das mãos de Sabrina que riu emocionada pelo gesto. Então, outra mão estava sobre a sua e olhou para cima, vendo Nicholas.

- Eu amo você, mater, e sempre vou te amar. – murmurou, beijando a grande pelagem do animal, que grunhiu em adoração. Virou-se para Sabrina, olhando maravilhado para a silhueta da mulher a sua frente, cada vez mais apaixonado por seu grandioso coração. Ela sorriu, iluminada pela luz da lua. Ele aproximou seu rosto do dela, roubando-lhe um beijo sôfrego, rápido, mas esplêndido. – E eu amo você, Sabrina Spellman e a cada momento que passa eu me apaixono mais e mais por você.

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- Você não está decepcionado? – perguntou Sabrina, puxando os lençóis de sua cama. – De não termos...?

Nicholas sorriu para ela, tirando seu blazer e colocando-o sobre uma das poltronas de seu quarto. Puxou o outro lado dos lençóis e deitou-se ao lado de Sabrina.

- É claro que não, Sabrina. – e ele tocou seu rosto, terno e gentil – Haverá outra Lupercália no próximo ano.

- Ah! – sorriu maliciosa. – Então acha que estaremos juntos no próximo ano! Muito audacioso da sua parte, Sr. Scratch! – riu e o beijou levemente, sentindo seu corpo esquentar novamente.

- Espero que sim – sussurrou e voltou a beijá-la. – Suas tias não armariam um escândalo se me vissem aqui? Seminu e abraçado a você? – suas mãos desceram e se instalaram em suas costas, fazendo uma trilha de fogo.

- Não. – pensou – Tia Zelda deve ter ficado na floresta, supervisionando os acontecimentos da Lupercália. E bem, talvez tia Hilda nem sei se está em casa, mas de qualquer forma eu duvido que ela falaria alguma coisa sobre isso. Hoje não estamos fazendo nada demais. E eu só quero ficar aqui, com você, nos beijando e conhecendo, muito mais quentes do que se estivéssemos na floresta.

- Com certeza. – moveu-se para cima dela, puxando a parte de sua camisola para cima, expondo as pernas lisas. Nick olhou em seus olhos, vendo a luxuria dominá-la. Sorriu deslumbrante, deixando-a tonta. – Posso? – pediu, passando as mãos por suas coxas e dando leves apertos.

Sabrina fechou os olhos, um leve sacudir de cabeça indicando sua aprovação.

Seu quarto estava escuro e a luz da lua iluminava as feições da loira, dando-lhe um brilhou etéreo. Ela abriu os olhos, tocando o rosto de Nicholas com a ponta dos dedos e segurando seu cabelo, fortemente. O homem suspirou, sentindo suas pernas enrolarem-se as suas, e seu peito subir e descer, arfante.

- Eu quero tocar você, Nick – a bruxa murmurou em seus lábios, sua respiração misturando-se a dele. Desceu as mãos por seus ombros e arranhou seu peito nu. Teceu uma trilha de beijos por sua mandíbula e massageou-o, sentindo-o tremer em suas mãos. – Satan, você é lindo.

O feiticeiro sentou-se sobre ela, puxando a camisa e jogando-a em algum lugar de seu quarto. Beijou Sabrina profundamente e sua alma sentiu-se mais livre do que nunca antes.

oOo

O farfalhar das capas de veludo vermelho podiam ser ouvidas ao redor do dormitório. Os risos, as loções e as flores espalhadas por todo o ressinto traduziam muito bem as expectativas de todas as jovens bruxas. As maquiagens pulcramente feitas, as camisolas de diferentes cores escondiam lindos conjuntos de lingerie, astutamente escolhidos para seus respectivos pares.

Prudence encontrava-se na cama a sua frente, conversando com Dorcas e Agatha sobre a "iniciação" com seus parceiros. Dorcas regozijava-se de já ter iniciado Melvin nas artes profanas do sexo. Sabrina revirou os olhos, sentindo-se enjoada apenas de ouvir seus relatos sobre o rapaz.

Prudence calou a irmã, provavelmente tão irritada quanto ela própria. A bruxa borrifou um pouco de seu perfume e guardou-o em sua cabeceira. Caminhou para perto de Sabrina, vestindo sua capa vermelha por cima de sua camisola de cetim negro. Botas incrivelmente altas de puro couro adornavam seus pés. Suas irmãs não pareciam diferentes dela, apenas em cores distintas. Agatha usava algo bordô, bastante escuro e Dorcas usava uma espécie de roxo. A única diferença gritante entre as irmãs é que as mesmas deixaram suas madeixas soltas, mostrando os belos cabelos compridos que possuíam.

- Vamos, Irmãs. Vamos nos reunir lá fora. Uma caçada frutífera para todas nós! – disse Prudence, a voz alta e serena. A mesma olhou para Sabrina, expectante. – Você vem, Sabrina? – perguntou.

Por um momento, a bruxa de cabelos cacheados pensou em dar-lhe uma desculpa para ficar. Ela gostaria de fazer uma projeção astral para Roz, para lhe contar o que estava prestes a acontecer com Nick e perguntar como ela saberia o momento em que ela estaria realmente pronta para o próximo passo.

No ultimo momento, mudou de ideia, olhando para Prudence e franzindo os lábios.

- Vamos sim. – levanto-se de sua cama. Arrumando o broche de brilhantes em sua garganta. Esta noite, assim como as duas Irmãs, Sabrina mantinha seu cabelo completamente liso, sem sua usual faixa. Pôs uma leve maquiagem sobre os olhos e pintou os lábios com um belo batom vermelho sangue. Passou a mão pela camisola rosa clara e analisou seus saltos prateados. – Estou pronta. Podemos ir, meninas? – e enganchou seu braço no de Prudence, puxando-a para que a mesma começasse a andar com ela.

Ouviu Agatha fazer um som estrangulado de desprazer e a ignorou.

- Nervosa, Sabrina?

Olhou de soslaio para a negra, vendo um sorriso brincalhão em seus lábios.

- Um pouco. – admitiu. – É diferente estar com um bruxo.

Prudence riu. – É claro que é. Homens mortais não são 1/3 do que nossos homens são. Não que eu saberia, é claro, nunca estive com um. – riu – Mas não se preocupe – seu tom de voz baixou, o suficiente para que suas palavras se tornassem ininteligíveis para suas irmãs. – Nick vai cuidar bem, de você.

Por um momento, Sabrina se sentiu tocada.

Aquilo foi o mais perto de ser gentil que Prudence chegou.

Logo, juntaram-se ao grupo de bruxas que se dirigia a floresta.

Caminhando pelas árvores, logo chegaram a clareira, a frente das árvores. O luar os iluminava e grandes tochas flamejantes erguiam-se ao longo do caminho.

Olhando ao redor, viu os homens agrupados em um lado da clareira, vestindo grandes peles de lobo, seus peitos nus e seus olhares famintos. Usavam calças escuras, apertadas em suas coxas e botas grossas, típicas de caçadores. Sabrina sorriu, olhando para Nicholas, incrivelmente sexy e delicioso em seu traje de caçada. O homem lhe deu um sorriso infame e piscou para ela, seus músculos definitivos enrijecendo ao seu olhar penetrante.

Aos poucos, as bruxas se juntaram ao lado oposto da clareira, o silencio se instaurando e a expectativa crescendo ao soar da batida dos corações dos amantes.

O final da Lupercália se aproximava.

Sabrina olhou para Nicholas, pegando os olhos dele já a observando.

Ela estava pronta. Completa e definitivamente. Ela o queria.

E Satan a ajudasse, ela teria tudo dele esta noite.

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- Bem-vindos à última noite da Lupercália. – bradou Ambrose, o porta-voz de todo o festival. – Encapuzados caçam lobos, bruxas caçam feiticeiros. O resultado da Caçada determinará o ano seguinte. Ele será generoso... Ou estéril? Frutífero, ou Infértil? – perguntou, sorrindo para os feiticeiros e as bruxas que se olhavam, excitadas. – Hoje à noite, nós caçamos e somos caçados, liberando nossas, magias abençoadas noite adentro. FEITICEIROS, VOCÊS ESTÃO PREPARADOS? – gritou. Logo, os homens uivaram alto, liberando seus lobos. E então, Ambrose tocou seu berrante e eles saíram correndo floresta adentro, sob o olhar vigilante e faminto das bruxas alvoroçadas. Ambrose se virou para elas, sorrindo gentil. – E bruxas, estão preparadas? – as meninas gritando, uivando animadas. – novamente e uma última vez, Ambrose tocou o sinete e as bruxas saíram em disparada atrás de seus pares.

Sabrina correu, a capa flutuando atrás de si enquanto acompanhava suas colegas de academia na caçada. Logo, os homens puderam ser vistos correndo mais a frente e elas alimentaram seus esforços.

Bruxas pulavam em cima das costas de seus parceiros derrubando-os no chão, outras apenas puxavam suas peles, empurrando-os contra as árvores e agarrando seus cabelos, começando a dança sexual ali mesmo.

A loira correu na direção oposta a da maioria de suas companheiras, seguindo o caminho que Nicholas havia lhe descrito não muito mais cedo. Logo, as árvores se tornaram densas e o caminho mais escuro. Os feixes de luz da Lua grandes aliados ao longo de seu caminho.

Desviando de pedras, musgos e arbustos, Sabrina logo se viu perto do lugar que devia chegar e então, saindo da escuridão e deixando-se ser banhado pela luz da grande deusa da Lua, estava Nicholas, em toda sua glória.

Seu rosto estava obscurecido pelas peles, o peito nu subia e descia de sua respiração. Os olhos de Sabrina se estreitaram e ela recomeçou a corrida, sem se importar com os obstáculos e com a pouca visibilidade. Ela o via agora. E isso era mais que o suficiente para ela.

Pulou sobre Nicholas, enganchando suas pernas em seu quadril largo e segurando-o pelo pescoço, beijando-o ferozmente. Nick agarrou suas coxas, firmando-a em sua cintura e vibrando com seu desejo selvagem. Tropeçou alguns passos para trás, suas costas batendo no tronco velho da árvore, ajudando a sustentar o peso dos dois.

Nicholas se afastou se sua boca por um momento, arfando miseravelmente quanto beijava seu pescoço habilmente. Sussurros desconexos saiam de seus lábios, até que ela pegou um trecho de um feitiço de proteção.

- ... Praesidio loci huius, auferet, et inimicos male optantibus. – Sabrina agradeceu mentalmente por sua consideração. Ela prezava realmente sua privacidade, principalmente nesse momento.

Nick beijou seu pescoço, os lábios descendo por seu queixo e fazendo o belo contorno de sua garganta, provando avidamente de sua pele leitosa. Sabrina baixou as mãos e abriu o fecho do broche. Ela ouviu a capa cair a seus pés com metade de sua atenção, concentrando-se nas maravilhas que o homem mais velho estava fazendo para seu corpo.

As mãos do feiticeiro subiram, trazendo consigo a linda camisola fina. A textura fugaz do cetim arrepiando ambos.

Logo, suas mãos tocaram a fivela da cinta-liga, enroscando-a em seus dedos e puxando, escutando o barulho do contato com a pele. Gemeu, sentindo aquele pequeno pedaço de pele proibido em suas mãos. Continuou a subir, suas mãos explorando avidamente suas coxas enquanto seus lábios desciam, perigosamente perto de seus seios.

Então Nicholas parou. Baixando-a de seu colo e pegando seu rosto em suas mãos, dando-lhe um beijo de tirar o fôlego. Solto-a, pegando sua própria pele e se desfazendo dela, amontoando-a no chão de forma a formar uma cama improvisada. Macia e crua. Excitante e quente.

Tocando seus braços, ela se aproximou dele, seus seios enrugando o tecido, já doloridos pela falta de atenção. Ela não podia se sentir envergonhada por isso, na verdade, nem quando o feiticeiro baixou os olhos do rosto dela para seus seios quase expostos a seu olhar, pelo contrário, sentia-se como uma deusa. E ele era seu adorar.

Nicholas tocou seus seios com a ponta dos dedos, puxando-os experimentalmente por cima do tecido, avaliando sua reação. Ela choramingou, a necessidade crua dele surgindo em seu olhar e fazendo-o sorrir. Aquele sorriso masculino totalmente dirigido a ela.

- Eu preciso de você, Nick – ela suspirou, adiantando-se e o puxando pela barra de suas calças, a ponto de rasga-las se necessário fosse. Ele continuava massageando seus seios por cima do tecido. Puxando-os, maltratando-os, massageando.

Delicadamente, o moreno puxou uma das alças de seu vestido, deixando uma trilha de fogo por sua pele, onde o mesmo a tocava com a ponta dos dedos. Sorrindo, puxou a outra alça, deixando o vestido escorregar por seu corpo e acumular-se no chão a seus pés. Uma de suas mãos subiu, fazendo o contorno de seus seios cheios e provocando-a, tocando-lhe sem discrição. Então, em um movimento abrupto, Sabrina o empurrou, fazendo-o cair sentado por entre as peles. Nick a olhou dali, abaixo de si, bebendo de sua beleza etéria.

Os cabelos pálidos como a Lua, a pele leitosa e os seios a mostra, perfeitamente cheios e rosados, prontos para serem provados. Sabrina manteve os saltos, vendo o olhar satisfeito de aprovação no rosto de seu feiticeiro, e sentou-se lentamente em seu colo, mostrando-lhe parte da lingerie no processo.

Nicholas tomou um de seus seios entre os lábios, chupando e acariciando com a língua, mordiscando ocasionalmente. Grunhidos, suspiros, murmúrios de prazer, o corpo em chamas, um formigamento nas extremidades. Querido Satan, porque ela não fez isso antes? E então, ela sentiu-se cair.

Acariciando seu sexo por cima de sua calcinha de renda, Nicholas sentia-se no limite. Em um instante, ele puxou a mesma para o lado e, com um dos dedos, começou a acaricia-la lentamente, experimentando suas reações. Foi instantâneo. A menina contorceu-se gemendo alto, em busca de libertação e maior contato.

Raspou as unhas em seu peito, arranhões vermelhos subindo por sua pele. Nicholas grunhiu enquanto introduzia um de seus dedos e bombeava lentamente, observando sua reação a intrusão. Gotas de suor desciam de suas têmporas e seu cabelo certamente estava um desastre, grudando em sua pele e enrolando-se nas pontas, mas Sabrina não se importava, apenas arfou, arqueando seu tronco e suspirando em deleite. Um segundo dedo foi introduzido e sentiu-se contorcer, um calor abrasivo subindo por suas entranhas. Nicholas acariciou seus seios com a língua, endurecendo seus mamilos e puxando-os com os dentes. A sensação era surreal.

- Nick... – suspirou segurando seus cabelos, trazendo-o pra mais perto de si, Seus lábios começaram a descer de seus seios. O rapaz beijou a curva dos mesmos, deixando breves chupou e beijou seu estômago. Os dedos dentro de si se foram e Sabrina franziu o cenho, perdendo a sensação. Olhou para ele, vendo-o perto de seu sexo. – Nick, o que você...? Oh!

Sua língua estava lá. Quente, áspera e habilidosa. Leve e certeira. Os lábios sugavam e chupavam magistralmente. Suas pernas tremiam sob o toque firme do outro, presas por suas grandes mãos e mantidas em cima de seus ombros. Satan. Ele lambia, chupava e mordiscava sem piedade. Vibrações de seus próprios suspiros e gemidos arrepiando-a.

Nicholas estava literalmente fodendo-a com a língua. E ela decididamente não tinha o que reclamar.

As peles abaixo de si agora estavam quentes demais. Sua pele suava e ela sabia que seu orgasmo estava perto. Sentia seu clitóris pulsar e tinha certeza que o feiticeiro podia sentir também. E então, aconteceu. Nicholas aumentou a pressão sobre seu clitóris inchado, a língua fazendo círculos incrivelmente precisos e bruscos. Foi uma avalanche. Ela ouviu seu grito reverberar no pequeno espaço mágico, um som surdo para seus ouvidos e sentiu Nick gemer, engolindo seus sulcos e olhando para ela com fome.

Ele a soltou delicadamente, ficando de pé. Sabrina permaneceu deitada, nua e saciada, esperando submissamente – algo que ela nunca pensou que faria – pelo próximo movimento. Nicholas a devorou, olhando para sua pele branca cristalina e seus seios inchados e vermelhos. As pernas trêmulas abertas, revelando seu sexo molhado esperando por ele. Um rugido de prazer e satisfação puramente masculina subiu por seu peito, o ego nas alturas.

Puxou o cinto aberto e jogou-o no chão, ainda olhando veemente em seus olhos. O zíper de suas calças foi o próximo. Sua calça caiu no chão e olhou para ele, prendendo a respiração. Era a primeira vez que via um homem complemente nu.

E querido Satan, Nicholas era um espécime impressionante.

Os músculos tensos, bem formados e uma pele de oliva. Os cabelos estavam mais rebeldes que nunca, os cachos caindo por seu rosto de anjo. Baixou os olhos, sentindo a garganta seca.

Lentamente, Nicholas bombeava seu pênis, as veias proeminentes e grossas, indicando o alto grau de excitação.

O homem se ajoelhou lentamente, fazendo com que ela se deitasse novamente – ela havia se sentado em algum momento, enquanto olhava para ele, enfeitiçada. Baixou sobre seu corpo, apoiando o peso em seus braços, apoiados do lado de sua cabeça. Ele a beijou brevemente, fazendo com que a bruxa notasse cada parte de seu corpo prensado ao seu. Olhou-a, seus olhos escuros e impenetráveis.

- É isso que você quer, Sabrina? – perguntou com a voz rouca.

A loira baixou um de seus braços entre os corpos, pegando seu pênis em mãos, bombeando-o experimentalmente. Nick suspirou, fechando os olhos ao contato.

- Sim, Nick. – sussurrou beijando sua mandíbula. – Eu quero isso. E quero que isso seja feito com você.

O feiticeiro a apertou em seus braços, abrindo seus olhos. Ele era uma versão selvagem de si mesmo naquele momento, e ela amou ver essa fragilidade em seus olhos.

- Eu vou foder você. – ele agarrou seu queixo e ela tremeu com a promessa em suas palavras. – Eu vou foder você tão forte que vou criar raízes em seu corpo e em sua alma. Vou fazer com que você jamais esqueça da sensação de nós dois juntos e depois... – deu beijos molhados em seu rosto e baixou para seu pescoço, chupando suavemente. – Eu vou amar você, devagar e profundo e vou, finalmente, deixar uma marca em seu coração.

Sabrina sentiu uma lágrima deslizar por seu rosto e soube que, depois daquela noite, ela estaria ligada a ele para sempre. E que aquele dia seria o marco oficial em seu relacionamento.

Então, ela sentiu a dor. Nicholas entrou nela, rasgando seu hímen e instalando-se profundamente em seu corpo. Ela o abraçou com as pernas, sentindo pela primeira vez o real significa em meses da palavra completa.

Ela se sentia cheia e intensa e foi ela mesma que começou os movimentos.

oOo

Desde outro ponto de vista:

As estocadas eram profundas e rápidas. As pernas de Sabrina estavam enroladas firmemente em si, suas mãos deixando marcas em sua cintura, de tão forte que a segurava. Seus seios saltavam e sua pele reluzia a luz da Lua. Seus olhos permaneciam nele, observando-o intensamente enquanto ele fazia o mesmo. Não queria perder nenhuma de suas reações. Seus lábios estavam vermelhos, machucados mesmos das mordidas e beijos sôfregos. Ela os mordeu novamente, contendo os gemidos e ele franziu o cenho, sua mão indo para seu rosto, liberando seu lábio machucado.

- Não faça isso. – ofegou, batendo nela em estocadas difíceis. – Eu quero ouvir você.

E então ela gemeu. Longa e sensualmente e ele achava que iria desmaiar, seu pênis inchando e deslizando facilmente por seu canal de veludo encharcado.

Ela estava tão molhada.

Ele só queria ficar ali, enterrado nela eternamente.

- Satan, você é tão apertada. – resmungou, aumentando o ritmo e vendo as pequenas mãos dela apertarem a pele abaixo de si. Suas bochechas rosadas do esforço a faziam parecer uma fada escura, pronta para trazer a destruição. E se fosse mesmo, naquele momento ele não se importaria. – Eu não acho que vou me cansar disso. – murmurou, deitando-se sobre ela novamente, sentindo-a abraçá-lo completamente, suas unhas cravando em seus ombros. – Eu poderia ficar assim, para o resto da minha vida! – gemeu.

Sabrina acompanhou seus movimentos, tornando-se bruta.

Num movimento inesperado, ela os trocou de posição, girando-os.

Agora por cima, ela cavalgou sobre seu pênis, enterrando-o profundamente entro de sua vagina. Ela parecia gloriosa. Sua magia saindo em ondas dela, fazendo-a brilhar.

A mulher segurou um dos seios, esmagando-o entre os dedos e a outra mão desceu, indo em direção a seu clitóris e estimulando-o.

Como ele tivera tanta sorte de achar alguém como ela?

- Nick... – Sabrina chamou, tirando-o de seus pensamentos. Sua voz era errática. Ele soube imediatamente que ela estava perto do fim. Aumentou seus movimentos, tornando-se selvagem e dando rédea a seu desejo.

O feiticeiro ofegou, sentindo sua própria libertação chegando. Com mais algumas estocadas fortes, ele gozou, sentindo que Sabrina culminava também, tremendo e suspirando fortemente em seus braços.

Caindo sobre si, a loira riu, o amor escrito em seus olhos. Ajeitou um de seus cachos, enrolando-o em seu dedo e beijando rapidamente seus lábios.

Nick riu, sabendo que tudo estava bem.

A bruxa em seus braços rapidamente adormeceu e ele trouxe as peles para cobri-los, apenas a Lua como testemunha de seus atos. Nicholas fechou os olhos também, um sorriso leve e satisfeito em lábios, enquanto sentia Morpheus levantando para o mundo dos sonhos.

oOo

Em algum lugar distante:

Lava. Fogo. Perdição. Morte.

O cheiro fétido impregnava o lugar.

Não havia escapatória. Não havia salvação. Os gritos nunca paravam, mesmo que ele quisesse. Estavam em sua mente. Era parte dele. Era o que ele era.

Os portões do inferno tremiam, mas jamais se abriam.

O homem gritou, enfurecido.

Mas isso, talvez, seja história para outro momento...

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Parte: 3/3 – Finalizada.